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Sábado, 27 de Novembro de 2010

Em Zubiri, há uma frase que sempre me intrigou um pouco: «A filosofia não pode ser conservadora sem deixar de ser filosofia».

 

Desde logo, porque pensava que as categorias de conservador/progressista seriam espúrias na filosofia.

 

Depois, porque, se optarmos por aplicar este género de leitura, é sempre possível haver uma arrumação salomónica. Como tudo, a filosofia terá uma dimensão conservadora e uma dimensão progressista.

 

Finalmente, porque quem conheceu Zubiri seria tentado a considerá-lo facilmente como um conservador.

 

Com o tempo, porém, fui-me apercebendo da pertinência da frase e do alcance que ela encerra.

 

A filosofia, para Karl Jaspers, nasce do espanto. Para Zubiri, começa com a admiração.

 

Tudo isto gera uma inquietação e uma vontade de procura incessante.

 

Ser conservador na filosofia é, pois, impossível. Ela não pretende guardar, conservar, manter. Ela visa percorrer, questionar, buscar.

 

Em boa verdade, não há filosofia. Só há filosofar. Kant era taxativo a este respeito: «Não se aprende a filosofia. Só se aprende a filosofar».

 

Acresce que, voltada para o real, a filosofia nunca pode resignar-se a uma atitude conservadora. O real também não é conservador.

 

A realidade é movimento, é mudança, é vida.

 

Na vida, o conservadorismo é injusto porque estagna.

 

Objectar-se-á que o progressismo também não tem obtido grandes resultados, designadamente na política. O problema é que a visão genuinamente progressista nunca exerceu o poder.

 

Quando se acede ao poder, todos se tornam conservadores. Inclusivamente os que se consideram progressistas.

 

Um dos primeiros discípulos de Zubiri foi Ignacio Ellacuría, alguém que, a partir da filosofia da realidade do seu mestre, incorporou um modo de vida desinstalado, voltado para os mais pobres.

 

No fundo, é a existência que nunca pode ser conservadora. 

publicado por Theosfera às 20:59

Há frio. Mas também há sol.

 

As nuvens parecem ter descido do firmamento para o interior das pessoas.

 

Quando é que o mundo se transformará numa filadélfia?

 

Quando seremos uma gigantesca cidade de amigos, de irmãos?

 

 

publicado por Theosfera às 11:35

A moderação, atitude que considero mais adequada na difícil gestão dos relacionamentos humanos, é também aquela que mais anticorpos acaba por gerar.

 

O moderado desagrada a quem quer caminhar depressa e não agrada a quem pretende ir devagar.

 

 Mesmo assim, vale a pena porfiar. Primeiro, porque as convicções são um património.Quem é moderado, deve sê-lo independentemente da eficácia, do resultado. E, depois, porque a moderação envolve sempre mais gente. Mesmo aquela que, à partida, se mostra imoderada.

 

 O futuro é (mesmo) da serenidade, da mansidão e, como não podia deixar de ser, da verdade.

publicado por Theosfera às 11:27

Naquele momento, Sarkozy contra-atacou e acusou os jornalistas de serem pedófilos. Não tinha provas. Mas era a sua convicção.

 

É claro que tudo aquilo pretendia ser uma lição. É que os mesmos jornalistas questionavam-no sobre qualquer questão sensível, em que o presidente francês era acusado.

 

O que ele queria dizer, no fundo, é que estava inocente e que, quando se quer denegrir alguém, basta levantar uma suspeita.

 

De facto, é preciso ter muito cuidado e também confiança nas autoridades. A honra das pessoas é um direito fundamental. Até provas em contrário, não é concebível pô-lo em causa.

 

Meredith Maran acusou o pai de incesto. Adolescente, estava contaminada com os relatos de abuso sexual. Mais tarde, viria a reconhecer que tudo era falso.

 

Há que regenerar a nossa vida. Já há muitos problemas no mundo. O que não podemos é ficcionar um criminoso em cada esquina.

 

Para problemática, já basta a realidade. Não nos atormentemos com a ficção.

publicado por Theosfera às 11:20

Paulo Portas e Belmiro de Azevedo criticaram muito Cavaco Silva. José Miguel Júdice continua a criticá-lo e de forma contundente.

 

Não obstante, todos se declaram apoiantes da sua reeleição.

 

Aparentemente, é estranho. E se alguém está preocupado não é Cavaco Silva. É que se até muitos dos seus críticos o apoiam...

 

Era bom, porém, que a atenção não se concentrasse apenas na gestão dos apoios e na coreografia da campanha.

 

Era importante que se ouvissem todos os candidatos. Os que entraram pela porta da política e os que vieram, directamente, da cidadania.

 

Precisamos de ideias, de propostas, de respeito.

 

Propaganda, já chega. 

publicado por Theosfera às 11:14

Já que, entre nós, o trabalho não dá sorte, eis que alguns se viram para a sorte que, pelo menos, não dá trabalho.

 

O primeiro prémio do euromilhões voltou a sorrir em Portugal. Mais de 45 milhões de euros bateram à porta de um apostador.

 

O problema é que a sorte é ainda mais selectiva que o trabalho. Compensa ainda menos pessoas. E é totalmente aleatória.

 

Muitos a tentam. Mas ela só se deixa tentar por alguns. Muito poucos.

publicado por Theosfera às 11:05

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