O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

A Coreia do Norte ataca uma ilha sul-coreana.

 

Trezentas pessoas morrem numa ponte no Cambodja. O pânico é letal.

 

No Rio de Janeiro, a violência provoca dez mortos.

 

Em vários países do mundo, há cristãos que estão a ser assassinados só pelo facto de serem...cristãos. Ainda há dias, uma senhora foi ilibada, in extremis , da condenação à morte.

 

Até neste país, que já foi de costumes brandos, um indivíduo terá arremetido e atropelado alguns funcionários de um supermercado.

 

A humanidade agoniza. Ninguém o ignora. Mas todos parecemos resignados. 

publicado por Theosfera às 20:51

O destino da greve está a decidir-se, a esta hora, nos ecrãs da televisão.

 

O cidadão já interiorizou que a realidade está, cada vez mais, circunscrita à comunicação.

 

É por isso que o êxito ou o fracasso da greve geral é dirimido nos telejornais.

 

O curioso não está nos argumentos, aliás previsíveis. O curioso é notar como a mesma realidade se presta a leituras tão díspares.

 

Uns dizem que a adesão esteve nos 80%. Outros afirmam que ela não passou dos 30%.

 

Napoleão já havia sentenciado: «Todos olham para onde eu olho e ninguém vê o que eu vejo».

 

Haja um pouco mais de decoro e um pouco menos de propaganda.

 

A situação do país é demasiado grave para se prestar a estes efeitos cénicos.

 

O povo está a sofrer. E são já muitos os que nem força têm para gritar.

publicado por Theosfera às 20:29

Se há prioridade que, imediatamente, gera consenso é a educação.

 

É na educação que se conquista o futuro. E é na educação que se pode comprometer o futuro.

 

Pela amostra, ninguém anda satisfeito neste mundo da educação. Todos têm vontade de colaborar, mas os obstáculos são incontáveis.

 

As propostas (quase sempre, impostas) que vêm da tutela assemelham-se a um corpo sem alma.

 

O professor é visto como um executor de um programa. Longe do que defende, por exemplo, George Steiner, que compara a relação professor/aluno à relação pai-mãe/filho.

 

A predominância das tecnologias ofusca praticamente a apetência pelas humanidades, pelo conhecimento em si, pelos valores matriciais e fundadores.

 

Os alunos são encarados como produtores de resultados. A competição é enorme.

 

O que é mais estranho é que muitos parecem ter soluções, mas ninguém aparece a enxergar uma saída.

 

O que queremos, afinal, para a educação? A resposta a esta pergunta é decisiva porque ela enturma com uma outra: o que pretendemos, no fundo, para o país?

 

Um dos tópicos passará por uma revolução nas mentalidades. Quando se fala de educação, fala-se de um processo limitado aos mais novos. Daí até a palavra pedagogia. A raiz paidós quer dizer criança.

 

Só que a carência educativa envolve toda a gente. Os mais adultos continuam a precisar de educação. A andragogia (a raiz anêr, andrós significa homem) tem de ser um imperativo.

 

Há gente que passou por todos os graus de ensino e continua a revelar lacunas impressionantes: nos conhecimentos e nas atitudes.

 

Também aqui, portanto, há um momentoso défice de produtividade.

 

Acresce, entretanto, um dado completamente inadmissível. O mercado de trabalho não assimila as pessoas que forma, que educa. Um em cada dez licenciados emigra. Ou seja, tem de ir lá para fora aplicar o que aprendeu cá dentro.

 

Há muitos elos que estão a tombar. E há imensos laços que estão a desfazer-se. Somos uma sociedade cada vez mais deslaçada.

 

Precisamos de todos. Precisamos de técnicos, sem dúvida. Mas necessitamos sobretudo de sábios, de pessoas com uma visão global da existência que infundam horizontes de valores e alicerces de comportamentos.

 

A sabedoria vai muita para lá da ciência. Há estudos que documentam que uma das chaves do sucesso asiático está precisamente na aposta na educação como sabedoria.

 

Entre nós, o acréscimo de escolarização não tem garantido uma maior qualidade da educação.

 

Também os mais crescidos precisam de educação. Ela é sempre um fieri, jamais um factum.

 

O Quem quer ser milionário é um bom indicador de como o padrão de cultura geral anda nivelado muito por baixo.

 

Não são apenas os mais pequenos que precisam de aprender. Os mais adultos também necessitam de ser ensinados.

 

A pedagogia é para desaguar numa permanente andragogia.

publicado por Theosfera às 11:37

Não é só pelo facto de os transportes terem aderido à greve. O certo é que o país, hoje, acordou quase parado.

 

Não é só, porém, neste dia que o país está parado. Ele está parado hoje porque, desde há muito, se encontra paralisado e até parasitado. Paralisado nas suas energias e parasitado por um torpor inabilitante.

 

É por isso que o que se passa hoje é uma realidade e funciona como um sinal. O país há muito que não anda. Ou, então, só anda para trás.

 

É doloroso as pessoas esforçarem-se, darem o seu melhor e, depois, alguém vir dizer (aqui ou em Bruxelas) que estamos a recuar.

 

Tudo está concentrado nas finanças. A economia surge quase destroçada. Mas sem crescimento da economia, como equilibrar as finanças?

 

A greve geral deste dia, com a qual em consciência me solidarizo, desponta na prática como um grito de desespero.

 

As pessoas sabem de antemão que ninguém sai a ganhar. Não ganha a comunidade porque há serviços que não funcionam.

 

Há consultas que não são feitas. Há trabalhos que não são realizados.

 

Não ganham os grevistas porque lhes é descontado um dia de salário, o que, na actual conjuntura, é relevante. Daí que seja de enaltecer o seu espírito de sacrifício e militância.

 

O êxito desta greve estava já condicionado à partida. Ele não é mensurável pela taxa de adesão, por muito elevada que seja. O êxito só seria assegurado se houvesse uma alteração efectiva das políticas. Mas é isso que, para mal de todos, não irá acontecer.

 

Ainda ontem, foi dado mais um sinal perturbador. Afinal, a redução de salários na função pública não será para todos. Há quem fique de fora. Dizem-nos que são as regras do mercado.

 

É triste quando a justiça fica sempre à porta da política sem que esta lhe franqueie a entrada. Se os sacrifícios são para todos, porquê excepções para quem, de resto, aufere vencimentos altíssimos? Orwell continua a ter razão. Todos os homens são iguais, mas uns são mais iguais que outros.

 

Isto leva-nos para uma outra questão sensível. A governação não entusiasma, mas a alternativa também não convence. As diferenças entre os dois principais partidos parecem similares às que existirão entre Dupont e Dupond.

 

O ar vagamente teenager da actual classe política não instila especial confiança na população. Na hora que passa, do que mais precisamos é de maturidade, de profundidade, de criatividade.

 

Há muita redundância e quase nenhuma diferença. Tudo surge estilizado, pré-formatado, standard.

 

Amanhã, tudo voltará ao normal. Talvez uma greve à escala europeia e por mais que um dia tivesse mais efeito.

 

Mas o que mais impressiona (e fere) é a greve da esperança. Grave é essa greve.

 

A vida dos cidadãos parece amarrada por teias incontáveis de interesses em que alguns justificam o muito que acumulam e muitos são atirados para a periferia, sem quase nada.

 

Precisamos de um novo discurso. De uma outra ética.

 

Comecemos pelo básico. Que em nenhum lar falte o pão. E que em nenhum coração feneça a esperança. Não deixemos que ela faça greve.

 

Grave é mesmo a greve da esperança.

 

 

publicado por Theosfera às 11:13

Há muita gente apostada em ser moderna. Parece que é mais importante do que ser verdadeiro, autêntico, fiel.

 

Ser moderno é importante e legítimo, mas é quase uma redundância. Moderno é o modo de hoje. Todos estamos envolvidos pelo momento.

 

 A questão de fundo não é essa. Há quem pretenda cultuar o ser moderno à custa de tudo (até das convicções) só por causa da popularidade.

 

 Já dizia Óscar Wilde que só os superficiais são populares. Não sei se será tanto assim, mas há muita pertinência neste diagnóstico.

 

 Temos de ir mais longe. Miguel Torga confessava que a sua fome não era de fama, mas de eternidade.

 

 E, com a sua comprovada irreverência, Pablo Picasso, sentenciou: «Cansei-me de ser moderno. Quero ser eterno».

 

 É para Deus que os nossos passos se encaminham. Até os daqueles que dizem não acreditar. Mas que, quiçá, se comportam de modo mais crente do que muitos que dizem crer.

 

 Isto de acreditar não é tanto de palavras. É de vida!

publicado por Theosfera às 10:45

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