O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 20 de Novembro de 2010

Há cem anos que estamos sem ele, embora com ele continuemos através da sua obra imperecível e impactante.

 

Léon Tolstoi faleceu a 20 de Novembro de 1910 quando tinha encetado uma viagem para viver uma vida simples.

 

Foi um aluno em quem ninguém acreditou. Ele devolveu a descrença. Todos os sistemas lhe mereceram desconfiança.

 

Não deixa de ser curioso notar como os medíocres de outrora inspiram mais confiança do que muitas (presumidas) excelências da actualidade.

 

Tolstoi escreveu obras que se tornaram referências imortais.

 

Há frases de Tolstoi que não passam de moda. Convidam à reflexão.

 

«Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros».

 

Por isso, «o segredo da felicidade não é fazer sempre aquilo que queremos, mas querer sempre aquilo que fazemos».

 

Corrosivo, foi avisando: «Deve valorizar-se a opinião dos estúpidos: são a maioria».

 

E, acutilante, recomenda: «Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência».

 

Só somos livres na verdade.

 

Quando se vive o contrário do que se proclama, quando a actividade pública respira uma contradição contínua entre o que se promete e o que se pratica, que dignidade se pode ter?

 

Era bom voltarmos aos mestres. Tolstoi sentiu-se sempre um inadaptado enquanto viveu. Hoje parece mais actual do que nunca.

publicado por Theosfera às 21:00

Fazem jus as memórias do Prof. Adriano Moreira à sua conhecida inteligência e à sua (igualmente) reconhecida sensibilidade.

 

De quanto ele reporta, nesse magnífico repositório de vivências, há um episódio delicioso que não resisto a reproduzir.

 

 Quando era Ministro nos tempos do Estado Novo, foi visitar Moçambique. Na cidade da Beira, pôs-se à disposição do público para dialogar.

 

 Eis que o Bispo da Beira, o grande D. Sebastião Soares de Resende, levanta uma questão: «A que velocidade vai ser executada a revogação do Estatuto do Indígena?»

 

 Tal revogação, diga-se, tinha sido aprovada há já algum tempo. E, já nessa altura, havia a tendência para promulgar leis que, depois, não eram aplicadas ou só eram aplicadas muito mais tarde.

 

 Resposta pronta (e sobretudo acutilante) do Ministro: «Senhor D. Sebastião, a sua lei já tem uns dois mil anos e agradecia que me dissesse a que velocidade vai para ver se o acompanho».

 

 De facto, Jesus deixou-nos uma lei, uma lei nova, uma lei suprema, uma lei maravilhosa. Foi no discurso da Última Ceia que, à guisa de herança, no-la legou: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34).

 

 A lentidão com que nós, cristãos, cumprimos (ou a rapidez com que incumprimos e violamos) essa lei é exasperante.

 

 Ressalve-se que D. Sebastião até nem era dos mais culpados já que foi sempre um ardente defensor dos mais pobres.

 

 Mas subsiste a pertinência da ministerial réplica. Como exigir dos outros o que nós, pelos vistos, não estamos dispostos a fazer?

publicado por Theosfera às 11:39

A actual conjuntura requer um cúmulo de várias atitudes que, pela amostra, não se vislumbram.

 

A primeira é a lucidez. A classe dirigente não é capaz de inverter a situação que o país vive.

 

E quando a alternativa se coloca (como é vulgar nas pugnas eleitorais) entre os dois principais partidos, o desconforto é grande e o entusiasmo é mínimo.

 

Daí a necessidade de uma segunda atitude: a humildade.

 

Não terá chegado a hora de se pedir a alguém que assuma, nesta hora crítica, o rumo do país, assegurando o apoio parlamentar indispensável?

 

Uma grande coligação não devia ser apenas (nem principalmente) para juntar membros de partidos, mas para envolver, o mais possível, a sociedade civil.

 

Tanto se fala na importância da cidadania, mas, na hora da verdade, os caminhos são-lhe tapados.

 

Daí que uma posição sensata como a de Luís Amado tenha sido, imediatamente, abafada. A vida não corre de feição para os moderados.

 

O PSD não está interessado porque não quer a companhia do PS.

 

O PS não se mostra receptivo porque não quer perder a liderança.

 

Enquanto a lógica for a dos interesses pessoais e partidários, o país continuará a marcar passo.

publicado por Theosfera às 11:30

É pertinente a reflexão que Vasco Pulido Valente (de quem, muitas vezes, discrepo) nos traz hoje.

 

Como é que Portugal consegue (pelo menos, segundo a versão oficial) organizar tão bem eventos e não consegue organizar-se a si próprio?

 

Pressinto, entretanto, que o nosso problema não é logístico. É sobretudo ético, moral. É a corrupção. É o oportunismo. É a convivência sem problemas com as meias verdades e com as atitudes dúbias.

 

Será possível mudar o nosso código genético?

publicado por Theosfera às 11:26

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