O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 04 de Outubro de 2010

Um condutor de 37 anos morreu este sábado em Badajoz, Espanha, após ter conduzido o seu automóvel em direcção a um pântano. O homem seguia as indicações desactualizadas do GPS, que acabaram por se revelar fatais.

 

O acidente aconteceu quando o homem, seguindo as instruções do seu aparelho de navegação, circulava por uma estrada em La Serena, Badajoz.

 

O GPS que lhe servia de guia estava desactualizado e a rota indicada apontava para uma zona entretanto alagada pela criação de um reservatório de água.

 

Segundo informações veiculadas pela Cruz Vermelha espanhola, citadas pelo El Mundo,  o facto de estar a viajar à noite não permitiu ao condutor aperceber-se do erro a tempo de evitar o acidente e o carro, um Peugeot 306,  ter-se-á afundado em poucos minutos.

publicado por Theosfera às 16:38

Quando o mentiroso diz que está a mentir, devemos acreditar?

 

Se é mentiroso, o mais certo é que esteja a mentir quando diz que está a mentir.

 

Mas, nesse caso, estará a dizer a verdade e, uma vez mais, está a mentir pois disse que estava a mentir.

 

Na mentira, a verdade só é assumida quando se assume que se mente.

 

Complicado...

publicado por Theosfera às 16:28

1. Ninguém questiona que Cristo está sempre na Igreja. Seria, porém, oportuno que perguntássemos se a Igreja procura estar sempre com Cristo.

 

Antes de mais e acima de tudo, Cristo apontou-nos uma vivência. Sucede que a preocupação de apresentar a vivência  dentro de uma doutrina não foi acompanhada pela mesma vontade de reconduzir a referida doutrina à indispensável vivência.

 

A doutrina é necessária. Permite conhecer, ajuda a assimilar e, como é óbvio, não impede de viver.

 

A experiência certifica, porém, que uma demasiada insistência nos aspectos doutrinais não é imune a disputas, a processos e a conflitos que dilaceram e fazem vítimas.

 

Toda esta situação, no limite, está nos antípodas do que se pretende. É que se a doutrina existe por causa da vivência, como compreender que ela própria possa conduzir à respectiva negação?

 

 

2. Se repararmos, Jesus não pediu tanto que repetíssemos a Sua mensagem. Ele apelou, sobretudo, a que a puséssemos em prática.

 

Quase no final da Sua vida, foi muito claro com os que haviam de ser os Seus continuadores: «Como eu fiz, fazei vós também» (Jo 13, 15).

 

No Seu discurso de despedida, deixou-nos um único imperativo: que nos amássemos uns aos outros (cf. Jo 13, 34).

 

O amor, que corresponde à natureza de Deus (cf. Jo 3, 16; 1Jo 4, 8.16), desponta, pois, como o único sinal de que nos portamos como filhos de Deus.

 

Foi por amor que Deus Se fez Homem. Foi por amor que o Deus feito Homem aceitou morrer na Cruz. É que «ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13).

 

A esta luz, o amor surge não como um mandamento, mas como o mandamento.

 

É, de facto, o amor que tudo compendia, que tudo congrega, que tudo desencadeia.

 

Não admira, por isso, que, na pauta que nos deu para o juízo final (cf. Mt 25, 31-46), o amor apareça como o único critério.

 

A aprovação será dada não aos que mostrarem mais ciência, nem aos que tiverem acumulado maior riqueza.

 

Nem tampouco são destacados os que melhor balbuciam a doutrina. A recompensa será atribuída apenas aos que tiverem revelado a vivência do amor.

 

São esses, no fundo, os que patenteiam a fé no grau mais elevado, já que conseguem ver Cristo onde Ele parece mais escondido: na pessoa dos pobres, dos simples, dos pequenos.

 

Na verdade, tudo o que é feito ao mais pequenino dos seres humanos é ao próprio Deus que se faz (cf. Mt 25, 40).

 

 

3. No exame de consciência que não podemos deixar de fazer, uma interrogação salta logo para o centro: que temos feito do amor?

 

Outra, entretanto, segue conexa. Que temos feito da pessoa humana?

 

Há, sem dúvida, muitas luzes. Mas não haverá também muitas sombras?

 

Quando Jesus quis fazer uma descrição de Deus, usou a imagem que considerou mais expressiva: a do Pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32).

 

O Deus, que Jesus deixa transparecer, resplandece pela misericórdia, pela compaixão, pela ternura.

 

O amor consegue aproximar os que estão desavindos. Pelo contrário, certas disputas acabam até por afastar os que se mostravam unidos.

 

A este propósito, valerá a pena recordar o que, uma vez, disse o cardeal Newmann. Para ele, uma pequena acção feita com amor revela maior e mais verdadeira fé do que a mais fluente conversa religiosa ou o mais profundo conhecimento da Bíblia Sagrada.

 

 

4. Não se infira daqui uma desvalorização da doutrina. Pelo contrário, trata-se de recolocar a doutrina a partir da sua nascente e no seu autêntico espaço: o amor.

 

O amor é a síntese e a coroa da doutrina. Em si mesmo, ele é mais que uma doutrina.

 

O amor não evita as discussões. Diria que até as promove e estimula.

 

O amor não obriga a ver tudo da mesma forma. Ele mantém-se mesmo quando vemos as coisas de modo diferente.

 

Kurt Westergaard vaticina pouco futuro para «as religiões totalitárias».

 

Pela minha parte, anseio pela erradicação do totalitarismo de todas as religiões.

 

Daí que seja prioritário transportar o amor para o centro. Só pelo amor, o testemunho da fé se torna credível.

publicado por Theosfera às 11:56

«O Homem mais amável do Mundo».

 

Foi assim que Bertrand Russell se referiu a S. Francisco de Assis.

 

Neste dia da sua memória litúrgica, queria vincar a perenidade da sua mensagem e a flagrante actualidade do seu testemunho.

 

Como Francisco, é urgente cultivar a pobreza, a humildade e a simplicidade.

 

É fundamental criar uma cultura de reconciliação com a natureza, com as pessoas.

 

Hoje mesmo, vamos pugnar pela instauração de uma fraternidade universal, de uma filadélfia cósmica.

publicado por Theosfera às 10:23

Afinal, o Brasil vai votar de novo.

 

No rescaldo da primeira volta das eleições presidenciais, o nome de quem mais se fala é da candidata que ficou em terceiro lugar. O seu nome é Marina.

 

Pertenceu ao Partido dos Trabalhadores, mas parece não ter um bom relacionamento com Dilma Rousseff. Pessoalmente, está mais inclinada para apoiar José Serra.

 

Em princípio, Dilma está próxima da vitória. Mas a prudência aconselha a esperar pelo próximo dia 31.

publicado por Theosfera às 10:19

Alguém devia dizer aos nossos maiores responsáveis políticos que parassem um pouco e não aparecessem tanto.

 

O chefe do Governo e o líder da Oposição desdobram-se em declarações a que já só uma ínfima minoria dispensa atenção.

 

Aliás, nota-se que a reacção já nem é tanto a revolta, mas o desinteresse. E isto é preocupante.

 

Dizia Salazar que «estar calado não é o mesmo que estar inactivo». Não falta, porém, quem resuma tudo à comunicação. O problema é quando esta se reduz ao ruído, ao espectáculo, à falta de substância.

 

Para muitos, com efeito, a realidade está na comunicação. Era bom que se percebesse que fundamental é que a comunicação esteja na realidade.

 

A comunicação deve veicular (ecoar) a realidade. Não há-de colori-la, adorná-la, eclipsá-la.

 

Mas a vertigem da imagem não é um exclusivo político. É, cada vez mais, uma deriva cívica.

 

Ainda ontem, ao passar os olhos pela televisão, dava para perceber como esta vertigem está a asfixiar o bom senso.

 

Acima de tudo, o que se pretende é mostrar, mostrar-se.

 

Não interessa o conteúdo, não importa o saber. O que vale é aparecer.

 

Como é possível que se vá a um concurso de canto sem a menor apetência para cantar? E como é que alguém vai a um concurso de cultura geral com limitações profundas no que é mais elementar? Retenho só um exemplo de há dias: alguém disse que o rio que banha Tomar é o Lima!

 

Parece que foi inaugurada uma casa (dita) dos segredos. Não faço ideia do objectivo. Suspeito apenas que se trata da apologia do nada e do esplendor do fútil. Sinal dos tempos?

publicado por Theosfera às 10:07

«Não tenha medo da perfeição. Nunca vai atingi-la».

Assim escreveu (avisada e magnificamente) Salvador Dalí.

publicado por Theosfera às 10:05

Domingo, 03 de Outubro de 2010

Pelo que parece, não há nenhum regime absolutamente parlamentarista no mundo.

 

Não será o presidente uma espécie de rei na república?

 

No fundo, não haverá necessidade de o colectivo ser representado por um?

 

A diferença é que o presidente só o é por algum tempo.

 

Mas há presidentes por toda a vida e que ainda designam os sucessores. Alguns até são descendentes. Veja-se o que se passa na Coreia do Norte ou no Egipto.

 

Tópicos para reflexão...

 

publicado por Theosfera às 19:30

Parece que não há mesmo alternativa.

 

Quem escolhe, escolhe a cruz. Disse-o Karl Rahner e com primorosos fluxos de razão.

 

Entre a animosidade de uns e a incompreensão de outros, a cruz vai aparecendo.

 

O que vale é a cirenaica presença de alguns, que marcam sempre um apoio incondicional. Para ajudar a transportar a cruz!

publicado por Theosfera às 19:25

Advoga-se que a crise que o país vive depende muito da crise por que o mundo passa.

 

E não há dúvida de que o ambiente internacional condicona bastante a vida nacional.

 

Mas, neste contexto, valeria a pena pensar em dois casos que parecem constituir a excepção à regra.

 

A China e o Brasil aparecem numa fase de expansão, de crescimento.

 

Como é que, num momento de adversidade, conseguem crescer e impor-se?

 

O Brasil deveria merecer a nossa especial atenção.

 

Tanto assim que até o acordo ortográfico constitui mais uma aproximação de Portugal ao Brasil do que do Brasil a Portugal.

 

O Brasil é cada vez mais, na cena mundial, um case study, um caso de sucesso. 

publicado por Theosfera às 15:56

Andamos uma vida inteira à procura de uma chave. De uma chave que nos permita entrar e decifrar o mistério de nós mesmos, da existência, do mundo e, claro, de Deus.

 

O Evangelho indica-nos essa chave: é o amor.

 

 Dizem os exegetas que Jo 3, 16 encerra a chave de leitura de todo o quarto Evangelho. Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho único.

 

 Entedia-me sobremaneira que nos andemos a digladiar internamente com divisões e dissensões. É claro que não há unidade sem tensões. A Igreja primitiva é bem exemplo disso. Mas uma tensão reforça e mobiliza. Já as querelas e as contendas enfraquecem e descredibilizam.

 

 Ser cristão pressupõe estar de acordo no essencial: na verdade e no amor. Sem verdade não há

amor, sem amor não há verdade.

 

 Há vozes que taxamos de retrógradas que são mais revolucionárias que algumas vozes que (apressadamente?) incensamos como vanguardistas.

 

 Tudo se decide na vida, nas atitudes. Mudemos. A partir do fundo. A partir de dentro. A partir de nós.

 

 E olhemos para o outro como irmão. Não como adversário. Muito menos, como inimigo.

 

 É preciso ser Deus para se amar tanto o Homem. E se Deus ama, como é que nós podemos não amar?

publicado por Theosfera às 13:02

Costuma pensar-se que a república não tem rei.

 

Mas o que é a república, afinal? Qual a sua essência?

 

Se considerarmos a república o regime de cidadãos livres perante a lei, depararemos com algumas surpresas.

 

Por este padrão, teremos de considerar a Inglaterra como uma república e a China ou Cuba não.

 

Aliás, Portugal era já era uma espécie de república com rei desde a revolução liberal.

 

O absolutismo monárquico tinha sido substituído pela monarquia constitucional.

 

O que levou ao 5 de Outubro terá sido, acima de tudo, a instabilidade e a falência do rotativismo entre os dois principais partidos.

 

No capítulo económico, não deixa de ser sintomático verificar como, desde o liberalismo (passando pela I República), as contas públicas entraram em roda livre.

 

Foi preciso uma ditadura para recuperar.

 

Será que não é possível conciliar a democracia com o rigor e, sobretudo, com a justiça?

publicado por Theosfera às 12:50

Faz hoje cem anos que Miguel Bombarda foi assassinado.

 

Já depois de baleado, ainda teve serenidade e presença de espírito para mandar queimar papéis e distribuir tarefas.

 

No dia seguinte, foi a vez de Cândido dos Reis se suicidar.

 

A revolução era dada como perdida.

 

Tudo se inverteu em poucas horas.

 

Foi entre a Rotunda do Marquês e o Terreiro do Paço que o rumo se alterou. 

publicado por Theosfera às 12:46

Nestes tempos de descrença, como é importante reactivar as energias da fé.

 

É preciso acreditar!

publicado por Theosfera às 12:43

Sábado, 02 de Outubro de 2010

Onde não há verdade, não há justiça.

 

Onde não há justiça, não há paz.

 

Onde não há paz, não há esperança.

 

Onde não há esperança, não há vida.

 

Tente agora repetir a sequência tirando o não.

publicado por Theosfera às 12:04

Quem ouve os antigos, os futuros e os actuais responsáveis pelas finanças do país, fica com esta (estranha) sensação: toda a gente sabe antes e depois, e toda a gente parece falhar durante.

publicado por Theosfera às 12:02

Para quem aprecia a moderação como alavanca da convivência, confesso que começa a entediar este clima de excesso em torno da implantação da República.

 

É sempre bom recordar aquilo que muita gente desconhece.

 

Mas faz falta um pouco de sentido crítico. Aqui e ali, predomina uma linguagem um pouco hagiográfica.

 

Não esqueçamos que o período da I República correspondeu, sem dúvida, a muitas aspirações, mas foi vivido também num clima de ódio, perseguição e rancor.

 

Antes, as coisas não estavam bem. Mas não ficaram muito melhor.

 

E o desfecho foi uma ditadura!

publicado por Theosfera às 11:58

 

Apressaram-se os que, em 1989, viram no desmoronamento do comunismo o triunfo definitivo do capitalismo.

 

Precipitam-se os que, hoje, vêem na falência do capitalismo um certificado de validade plena do comunismo.

 

 Percebo que, em momentos como o que estamos a viver, as pessoas tenham necessidade de se agarrar a qualquer coisa.

 

 Como diagnóstico da sociedade e da economia, Marx tem a sua pertinência. A História tem sido uma luta em que os mais pobres saem sempre a perder. O problema é que isso acontece, inclusive, nos sistemas que ele tem inspirado.

 

 Nem capitalismo nem comunismo são solução. A resposta aos problemas económicos não está na economia. Está nos valores. E que valores apresenta o Capital? Que valores oferece Marx?

 

 Quem tem mais tem de contribuir melhor. Sabemos que a palavra imposto é sobrecarregada e soa a castigo. Se os empresários não estiverem bem, os trabalhadores também não estarão melhor.

 

 O circuito tem de funcionar, por isso, em moldes diferentes. Tem de haver justiça, comunhão, solidariedade, liberdade, espiritualidade.

 

 Não vejo nada disso no capitalismo liberal nem no marxismo estatal. Vejo isso em Jesus Cristo. Pena que nem sempre o vejamos nos cristãos.

 

Por uma coisa é certa: para que os pobres fiquem menos pobres, é imperioso que os ricos aceitem ficar menos ricos.

 

Haverá outro caminho?

publicado por Theosfera às 11:58

A incerteza que se vive em Portugal contrasta flagrantememte com a euforia que se vive no Brasil.

 

Na véspera de mais uma eleição presidencial, não falta quem fale no milagre brasileiro.

 

É claro que continua a haver muita injustiça. Mas a pobreza foi reduzida e a economia deu um grande salto.

 

O próprio Barack Obama reconheceu que, hoje em dia, Lula da Silva é o líder mais popular do mundo.

 

O seu envolvimento na pugna eleitoral fez com que a candidata Dilma Rousself invertesse o sentido das sondagens, aparecendo como a maior favorita.

 

Ainda há países felizes...

publicado por Theosfera às 11:52

São dias cinzentos, estes.

 

E o cinzento não é ditado tanto pela neblina que paira ou pela chuva que ameaça cair.

 

É um cinzento ditado pelo torpor e pela incerteza.

 

Nunca o futuro pareceu tão incerto.

 

A austeridade é apertada, mas há quem preveja que não ficaremos por aqui.

 

Quem lê o magnífico artigo do Prof. Diogo Freitas do Amaral fica com a sensação de que se podia ir mais longe na redução da despesa.

 

O cidadão pobre podia ser um pouco mais protegido.

 

Mas sem crescimento económico expectável, uma nova recessão pode vir a caminho. E que receitas se poderá esperar de quem já tem pouco para dar?

 

Bem dizia o Prof. José Gil, noutra suculenta prosa, que quase já não há esperança. Resta aos portugueses a força para viver. Ou sobreviver?

publicado por Theosfera às 11:46

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9






Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
hora
Relogio com Javascript

blogs SAPO


Universidade de Aveiro