O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Deus é amor. E o Homem, enquanto imagem de Deus, é um ser estruturalmente ancorado no amor.

 

O amor tem as suas subtilezas, as suas percepções e também a sua linguagem.

 

Nem tudo assoma à superfície ao primeiro impacto. O amor tem de ser trabalhado, oferecido.

 

O amor vai muito para lá do plano pulsional. O amor tem de ser cultivado desde o primeiro instante.

 

Muitos dos dramas da vida radicam no facto de o depósito do amor não estar devidamente preenchido.

 

Gary Chapman e Ross Campbell escreveram um precioso livro: As cinco linguagens do amor das crianças.

 

Quais são essas cinco linguagens? O contacto físico, as palavras de apreço, o tempo de qualidade, o receber presentes e os actos de servir.

 

Cada ser humano é mais sensível a um tipo de linguagem. Os autores ajudam a descobrir qual será a principal linguagem do amor para os filhos.

 

Também oferecem pistas para enquadrar a disciplina e a aprendizagem.

 

O ponto de partida é que a percepção dos pais pode não coincidir com as necessidades dos filhos.

 

Aliás, as percepções dos pais podem ser diferentes entre si.

 

Daí que a grande prioridade seja que os pais se amem verdadeiramente.

 

É o conselho que abre um dos capítulos: «A melhor maneira de amar o seu filho é amar a sua esposa (ou o seu marido)».

 

Num tempo em que tudo parece passar, eis um bom auxílio para regressar ao que nunca passa, ao que é preciso redescobrir: o amor.

 

Na família, lubrificada pelo amor, está a semente maior de um futuro melhor.

publicado por Theosfera às 16:13

O ser humano está feito para coexistir, mas na prática não consegue conviver.

 

A falência declarada do multiculturalismo, analisada por sociólogos como Enzo Pace, traz à tona uma panóplia de problemas que, no limite, tipificam uma situação crítica.

 

Fizemos a globalização e, agora, parece que não sabemos o que fazer com ela.

 

Mas não é só em grandes palcos que é difícil a convivência.

 

Não é fácil conviver no mundo porque é difícil conviver na rua, no trabalho, na escola e na própria casa.

 

Os grandes conflitos não fazem mais que amplificar a pequena violência.

 

Esta tragédia pode encerrar, porém, uma pista.

 

Comecemos pela nossa própria casa.

 

Se houver paz nas famílias, sempre será mais fácil haver paz no mundo.

 

É um eco do célebre começa por ti de Roger Schutz.

 

Conviver é uma arte sublime que se entretece em pequenos gestos.

 

Não deixemos, pois, de olhar para longe. Mas comecemos pelo que está mais perto, por nós.

 

Cada família já é um pequeno mundo. Que este mundo possa ser uma grande família.

publicado por Theosfera às 10:59

«Algumas quedas servem para que nos levantemos mais felizes».

Assim escreveu (notável e magnificamente) William Shakespeare.

publicado por Theosfera às 10:44

Não basta a grandiloquência das palavras. É fundamental a consistência das acções.

 

Comprometeu-se a Europa, em 2008, a reduzir o número de pobres. Sucede que, dois anos volvidos, tal número não só não diminuiu como aumentou. De 84 milhões passou a haver 94 milhões de pobres.

 

Agora, prevê-se que, até 2020, sejam arrancadas à pobreza 20 milhões de pessoas.

 

O problema é que não se sabe como.

 

Como é possível tirar da pobreza quem está a cair, permanentemente, no desemprego, quem não tem um rendimento adequado às necesidades, quem não tem acesso garantido à habitação, à saúde e à educação?

 

Será a morte que vai tirar os pobres da pobreza?

publicado por Theosfera às 10:43

«O Estado é demasiado grande para resolver os problemas pequenos e demasiado pequeno para resolver os problemas grandes».

Assim escreveu (avisada e magnificamente) Alguém.

publicado por Theosfera às 10:41

As viagens mais deliciosas não são aquelas que nos levam aos mais diferentes lugares. Serão, antes, as que nos conduzem às ideias, aos ideais, às convicções.

 

Antony Flew foi um activo viajante (e um insaciável peregrino) entre Deus e a negação de Deus, entre a negação de Deus e Deus.

 

Terminou por onde começara, embora o grosso da sua vida fosse passado na convicção contrária, no caso vertente, na rejeição de Deus.

 

Flew tornou-se um ateu precoce e um teísta tardio.

 

Aos 15 anos, enveredou pelo ateísmo. Mas, como ele mesmo confessa, aquilo em que acreditamos aos 13 acaba por ser o mesmo em que acreditamos ao morrer.

 

Flew regressou a Deus pouco tempo antes da sua morte, ocorrida já em 2010.

 

O caminho que o reaproximou foi o mesmo que o afastara: a razão. O sentido desta é que se foi alterando.

 

Flew faz questão de dizer que chegou a Deus pela razão e não pela fé: «Foi uma peregrinação da razão e não da fé».

 

Para ele, não é, pois, necessário ser crente para encontrar Deus.

 

No fundo, procurou seguir um conselho de Sócrates: «Temos de seguir a razão para onde quer que ela nos leve».

 

Flew atesta ter sido guiado pela razão até Deus: «A minha descoberta de Deus desenvolveu-se num plano meramente natural, sem qualquer recurso a fenómenos sobrenaturais».

 

Curiosamente, um dos seus interlocutores, no livro Deus (não) existe, é alguém que dá sinais de ter feito o percurso inverso: Stephen Hawking.

 

Hawking, que actualmente exclui a existência de um Criador, considerava, em Uma breve história do tempo, que, «a partir do momento em que dizemos que o universo tem um começo, podemos supor que teve um criador».

 

Acresce que o presente argumento de Hawking (tudo terá vindo do nada) é desmontado, por antecipação, no livro de Flew, socorrendo (pasme-se!) de uma cena do filme Música no coração: «Nada vem do nada, nunca tal aconteceu».

publicado por Theosfera às 00:04

Um dos maiores expoentes do ateísmo militante, ao longo do século XX, foi Bertrand Russell.

 

A sua opção terá sido ditada não tanto pela razão, mas pelo testemunho (ou, melhor, pela falta dele) de alguns crentes.

 

É como se Deus tivesse sido arrastado pela decadência de certos modos de conceber e viver a religião.

 

Quem o certifica é alguém que conheceu bem o filósofo inglês: a sua própria filha Katharine.

 

Com o pai não conseguia sequer falar sobre a existência de Deus ou a religião.

 

No entanto, ela crê «que toda a vida de Russell foi uma procura de Deus. Algures, no fundo da mente do meu pai, no âmago do seu coração, nas profundezas da sua alma, havia um espaço vazio que fora um dia preenchido por Deus, e ele nunca encontrou uma outra coisa para pôr nesse lugar».

 

Katharine assume gostar de ter convencido o pai «de que tinha encontrado aquilo que procurava, aquela coisa inefável que ele, durante toda a vida, desejara ardentemente. Gostaria de o ter persuadido de que a procura de Deus podia não ser uma coisa vã. Mas era inútil».

 

Sabem porquê?

 

Porque, prossegue, Russell «tinha conhecido demasiados cristãos fanáticos, moralistas depressivos, daqueles que tiram a alegria e perseguem os seus opositores. Ele nunca seria capaz de ver a verdade que essa gente escondia».

 

É estranho verificar como é que nós, crentes, podemos ser os maiores fornecedores de argumentos para os ateus. É claro que Deus transcende infinitamente as formas em que é apresentado. O problema é que nem sempre há condições para se fazer tal ressalva.

 

Recordo a reacção de Carlos Casares a um livro de Andrés Torres Queiruga: «Se eu tivesse lido este livro quando tinha 15 anos, não me teria tornado ateu».

 

O ateísmo é, quase sempre, reactivo. Não oculta o incómodo provocado pelo vazio. Russel disse um dia: «Nada pode penetrar a solidão de um coração humano, excepto a profunda intensidade daquele género de amor que os mestres religiosos pregaram».

 

No fundo, não será o ateu alguém com uma intensa saudade de Deus?

publicado por Theosfera às 00:03

Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

E eis que, de repente, dou comigo a pensar em Sócrates.

 

 O pretexto é a discussão em torno do Orçamento de Estado.

 

O contraste não pode ser mais flagrante.

 

Hoje, toda a gente sabe. Mesmo antes de saber.  Pelo contrário, o filósofo grego, que era sábio, achava que não sabia. Mesmo depois de mostrar imenso saber. Já na maturidade, quando a sua sabedoria era muito conhecida e celebrada, embora também contestada.

 

Teimosamente, Sócrates achava sempre que não sabia. A sabedoria atirava-o, ainda mais, para os braços da ignorância: «Quanto mais sei, mais sei que nada sei».

 

Porque a sua ignorância era sábia, a sua sabedoria não era ignorante, ainda que assim a julgasse.

 

O seu saber não era diletante, nem era aferido à partida. Sócrates fazia questão de testar, de se testar.

 

A sabedoria de Sócrates não advinha apenas do intelecto. Ela assentava, antes de mais, numa ética. Numa ética emoldurada pela humildade, pela consciência de que os outros são companheiros da mesma jornada, parceiros da mesma busca.

 

Sócrates impôs-se porque nunca impôs. Ele tinha consciência de que o esplendor da verdade não estacionava em nenhuma mente. Brilhava em todos os espíritos.

 

Sócrates convivia e confrontava-se. Não fugia ao debate. E, maieuticamente, procurava envolver os outros no acesso à verdade. Esta vinha à luz não através da imposição, mas mediante o comum encontro.

 

Agora, para meu espanto e minha perplexidade, tudo já é sabido, mesmo quando ainda nada se conhece.

 

O Orçamento só surgiu na sexta-feira, mas já há muito se teciam considerações sobre o seu conteúdo. E, mais, já se antecipava o seu resultado e as posições que se iriam tomar!

 

Sócrates resplandecia pela sabedoria da sua ignorância. Há quem prefira pairar pela ignorância da sua sabedoria.

 

É surpreendente (e temível) esta sabedoria por antecipação. É uma sabedoria deslumbrada de quem decide sem conhecer e, portanto, sem ceder.

 

Neste momento, o orçamento está disponível. Quem o elaborou que acolha sugestões. Quem está a estudá-lo que não se negue a oferecer contribuições.

 

A sabedoria não nos faz possuir a verdade. Deixa-nos ser possuídos pela verdade.

 

Depois do diálogo, então, sim, que cada um se posicione.

 

Antes, era precipitado. Agora, ainda é cedo. A sabedoria não é gémea da indecisão, mas também não anda de mãos dadas com a precipitação.

 

Há uma grande dose de prudência e discrição na sabedoria que o frenesim e o afã de aparecer nem sempre permite optimizar.

 

A sabedoria não deve ser arrastada, mas também não há-de ser espevitada aos empurrões. Ela flui na hora própria e no local certo.

 

A preocupação não deve ser, por isso, exibir sabedoria antes dos outros. A prioridade há-de ser, antes, acolhê-la e apresentá-la com os outros, para os outros.

 

Aprendamos com Sócrates. Permitamos que a sabedoria desabroche em cada um. Para poder florescer em todos!  

publicado por Theosfera às 15:52

Este é, decididamente, o tempo das falências.

 

Estão a falir empresas. Estão a falir fábricas. Estão a falir projectos. Estão a falir famílias. Estão a falir ideologias.

 

Faliu o colectivismo estalinista. Faliu o liberalismo capitalista. Faliu o totalitalismo. Faliu a partidocracia vigente. Faliu a alternativa, que não se vislumbra.

 

Faliu o Ocidente, que manda no mundo e não consegue orientar-se a si mesmo. Faliu a convivência, travestida em domínio de uns sobre os outros. Faliram os pobres. Faliram os ricos, mesmo que continuem ricos. Não faliram como ricos. Mas mostram falir como seres humanos. Não faliram na competência. Mas estão a falir na justiça, na partilha.

 

Ontem, Angel Merkel veio dizer que o multiculturalismo também faliu. Os povos aprestam-se para voltarem a ser guetos.

 

Estão, pois, a falir as pontes. Mas já tinham falido os muros, que agridem e afastam.

 

Ainda não faliu a esperança. Nunca consintamos que ela entre em falência.

 

O desastre é grande. Não deixemos que seja total.

 

A esperança tem muito de fénix. Acordará ainda que pareça adormecer. Ressurgirá mesmo quando ameace cair.  

publicado por Theosfera às 14:12

1. Por estes dias, o país está inundado de números. De números que faltam. De números que fazem falta. De números que ferem. De números que, no limite, chegam a matar.

 

O Orçamento de Estado transformou-se numa titânica luta entre o mercado e as pessoas.

 

Atestam-nos que é mau se ele for aprovado. Mas asseguram-nos que será péssimo se ele for chumbado. Não haverá opção mais entusiasmante?

 

Num mundo globalizado e num país dependente, há ditames a acolher e regras a cumprir.

 

O espaço de manobra dos governos nacionais é cada vez mais reduzido.

 

E, como é óbvio, entre o mercado e as pessoas, estas é que acabam por ser sacrificadas.

 

Há uma sensação de impotência que está a transformar Portugal numa gigantesca jeremiada.

 

Os lamentos multiplicam-se. Os protestos avolumam-se. O desespero apodera-se dos espíritos.

 

2. Falta criatividade. Insiste-me no mesmo. No mesmo que já provou não resultar.

 

A austeridade ameaça eternizar-se. Há gente com fome. Há casas onde mingua o pão. Há crianças que só comem uma refeição por dia. Outras nem isso.

 

O combate à pobreza vai-se adiando e comprometendo. A impressão que prevalece é a de que, em vez de combater a pobreza, passamos a vida a combater os pobres.

 

É claro que a pobreza é uma amálgama. Muitas causas a desencadeiam. Muitos factores a explicam. Todos a conhecem. Mas parece que todos nos sentimentos impotentes.

 

Ela passa à nossa frente. E nós não sabemos fazer-lhe frente.

 

Ela não consiste apenas na carência de bens. Ela reside também — e bastante — na ausência de rumo, de critérios.

 

Há, de facto, quem não saiba gerir. Há quem não consiga poupar. Há quem não tenha para o essencial e gaste no acidental, no acessório.

 

Mas será que esta é uma falha exclusiva dos pobres? Não se tratará de uma endémica chaga nacional?

 

Será que o nosso país é gerido em razão das prioridades e em função das pessoas?

 

Não será que a gestão comunitária também cede à tentação do superficial?

 

 

3. Se estas medidas não resultarem, haja coragem para dizer lá fora que não é possível sacrificar mais cá dentro.

 

Não consintamos que o mercado funcione de uma forma automática, desregulada e destemperada.

 

Há que pôr um travão na vaga de despedimentos e na mancha do desemprego.

 

Há rostos cada vez mais sofridos, que despejam torrentes de lágrimas e escondem toneladas de dor.

 

Esta até pode ser uma oportunidade de refundarmos uma política assente em valores e, particularmente, centrada na pessoa.

 

Não se penalize o acesso à saúde nem à educação. Não se dificulte a vida a quem só pretende contribuir para o crescimento do país.

 

 

4. Para os cristãos, esta tem de ser uma urgência.

 

Bruno Forte avisou, há tempos, que o interlocutor do crente não é tanto o descrente ilustrado, mas o homem sofredor.

 

Trata-se daquele que sobrevive, penosamente, nos subterrâneos da vida.

 

É importante atender às suas necessidades imediatas, mas impõe-se também não esquecer as suas aspirações mais fundas. Em síntese, é preciso assegurar-lhe o pão e dar-lhe voz.

 

Na hora que passa, continua a haver energias por explorar, capacidades por estimular, caminhos por trilhar.

 

Há muita chama tolhida e muito talento sufocado. O povo dispersa-se entre o pranto e a evasão.

 

Há, pois, que reflectir sobre o presente e inflectir para o futuro. O que mais dói é sentir, perante a crueza da situação, a ausência de alternativas.

 

Dizem-nos que andámos a gastar muito. Mas não era esse o convite que se fazia? Que se consumisse em força?

 

Agora, parece que tudo se transtornou. A economia não está bem. E a alma não parece melhor.

 

Não deixemos adormecer a esperança. Nas horas difíceis, o melhor de nós mesmos há-de (re)aparecer.

 

A nossa alma vencerá as nossas angústias. E, por cada porta que se fecha, uma janela se há-de reabrir!

publicado por Theosfera às 11:32

A pobreza é uma amálgama.

 

Muitas causas a desencadeiam. Muitos factores a explicam. Todos a conhecem. Mas parece que todos nos sentimentos impotentes.

 

Ela passa à nossa frente. E nós não lhe conseguimos fazer frente.

 

Ontem, foi o dia internacional da erradicação da pobreza.

 

Há, neste momento, quem se angustie só ao pensar no futuro. Porque, no presente, já nem consegue comer. Resta pensar. E penar.

publicado por Theosfera às 10:32

O sofrimento de alguém poderá não ser sentido por (mais) ninguém?

 

Sofro o sofrimento de quem sofre.

 

É o mínimo que posso oferecer.

 

Samuel bem avisa: «Deus não olha as aparências, mas vê o coração» (1 Sam 16, 7).

 

Bento XVI, na sua primeira encíclica e no mesmo registo, vai ao ponto de atestar que «o programa do cristão é o coração que vê».

 

 Não nos quedemos pela epiderme, pelo que surge à tona, pelo que faz ruído. O essencial dificilmente está aí.

 

 Aí estão as aparências. «O essencial, dizia Saint-Exupéry, é mesmo invisível aos olhos».

 

 Procuremos ver o coração. Como Deus.

publicado por Theosfera às 10:31

Deus é quem mais investe na nossa liberdade.

 

Com Ele não há opressão nem exploração.

 

Se no mundo há escravatura é porque não há Deus no coração das pessoas.

 

É porque nos atropelamos e desrespeitamos.

 

É porque não nos conhecemos nem estimamos.

 

Deus é sumamente paciente diante de todos e de tudo.

 

Excepto com a opressão.

 

Todo o atentado contra o ser humano é um atentado contra Ele mesmo!

publicado por Theosfera às 10:30

Domingo, 17 de Outubro de 2010

Não sei se é verdade, mas acabei de ler o relato de um episódio que terá acontecido há tempos.

 

Foi o presidente dos Estados Unidos almoçar, num ambiente informal, na companhia de sua esposa.

 

Ao chegarem ao restaurante, Barack Obama verificou que o seu proprietário conhecia bastante bem Michelle.

 

Interrogada acerca da origem de tal conhecimento, ela disse que se tratava de um antigo namorado.

 

Reacção de Barack: «Estás a ver? A esta hora, podias ser uma simples dona de restaurante».

 

Resposta pronta da mulher: «Não, meu querido. Hoje, ele seria presidente dos Estados Unidos da América»!

publicado por Theosfera às 20:26

O Brasil é um país católico.

 

Mas, mesmo assim, não deixa de ser espantoso que a religião seja apresentada como trunfo político.

 

Mas a fé não é tanto render votos. É, acima de tudo, para fermentar um testemunho de vida.

 

As eleições têm sempre destas coisas.

 

Mas a fé não existe para que os outros vejam. Existe, sim, para que todos sintam. Mesmo sem ver.

 

 

publicado por Theosfera às 14:21

Nunca é alienante o mergulho no mistério da alteridade fontal.

 

A oração desapossa-nos, despoja-nos.

 

Estamos em nós, mergulhando no Outro.

 

Por isso é que a espiritualidade é irmã gémea da solidariedade e da justiça social.

 

Quem se conforma a Deus nunca se conforma com o estado deste mundo.

 

Anela sempre pela sua transformação.

 

A espiritualidade nunca é conformada. É saudavelmente inconformista.

 

Sinto que no mundo há uma fome cada vez maior de espiritualidade.

 

E, por estranho que pareça, há quem se distancie da Igreja para se aproximar de Deus.

 

Eu sei que isto é complicado. Mas há quem o assuma.

 

A Igreja de Cristo é chamada, na humildade, a reproduzir a atitude de Cristo.

 

E Cristo foi um orante e alguém que apelou à oração incessante.

publicado por Theosfera às 14:16

Sábado, 16 de Outubro de 2010

Enquanto este dia se extingue, não apaguemos a memória do Papa João Paulo II.

 

Foi eleito neste dia. Há 32 anos.

 

 

publicado por Theosfera às 23:06

Num mundo em mudança, nem as línguas passam ao lado das transformações.

 

É natural. É inevitável. Mas não será possível introduzir algum critério de qualidade?

 

Como é sabido, uma língua não é um fóssil. Tem o seu dinamismo.

 

O português actual é muito diferente do português escrito e falado há séculos e até há décadas.

 

Se atendermos à oralidade, verificaremos que há bastantes cambiantes entre o português beirão e o português lisboeta, entre o português nortenho e o português alentejano, entre o português de Mirandela e o português das ilhas, entre o português de Portugal e o português do Brasil e dos PALOP. Até entre o português de Lamego e o português de Resende ou de Foz Côa há diferenças notórias.

 

O recente acordo ortográfico parece consagrar a oralidade como critério dominante. A Profª Maria Helena Rocha Pereira assume claramente esta opção.

 

Segundo ela, a língua portuguesa está a afastar-se do critério etimológico para se centrar cada vez mais no critério sónico.

 

É isso que explica que, por exemplo, as consoantes mudas desapareçam. Jornais de referência como o Expresso já se anteciparam e adotaram a nova ortografia. Confesso que é difícil ocultar um sentimento de surpresa e deceção!

 

Sucede que este distanciamento da etimologia afasta as palavras da sua fonte, da sua origem e, portanto, da sua percepção (ou perceção).

 

É certo que esta tendência vem de trás. Também houve estranheza quando Pharmácia passou a Farmácia. Só que, desta vez, propende-se para uma tal radicalização em torno da oralidade que não sabemos qual será o limite.

 

É que, se repararmos bem, a aprendizagem da língua faz-se, regra geral, por uma superação da mera oralidade.

 

Quando uma criança faz os primeiros ditados, escreverá ora em vez de hora, pansa em vez de pança, istá em vez de está ou tiatro em vez de teatro

 

É a sonoridade a prevalecer. O ensino faz o que deve: oferece-lhe outros critérios.

 

De facto, se a oralidade predominar, ficaremos numa anarquia total. E o certo é que, por incrível que possa parecer, já não falta quem escreva plumenos em vez de pelo menos ou nabo cadele em vez de na boca dele!

 

A diferença entre o porque e o por que está igualmente a esbater-se mesmo nas publicações de maior impacto. Isto para não falar da ausência de vírgula antes do vocativo.

 

Bom dia Portugal é o título de um programa da nossa televisão pública. O mais sintomático é que o provedor do telespectador já alertou para a falha. E, no entanto, ela mantém-se. 

 

Como a oralidade não assinala estas situações, o resultado é linear: escreve-se como se fala e não se fala como se escreve. Ou devia escrever-se.

 

É assim que os livros e os jornais acolhem, crescentemente, uma linguagem mais pobre, que se resigna a reproduzir a oralidade.

 

 

Não estou a defender o uso de uma linguagem barroca ou o regresso a peças de teor gongórico com nula substância. Mas convenhamos que há uma dificuldade cada vez maior em encontrar, no que se ouve e no que se lê, um pensamento reflexivo minimamente sustentado. É que este não se limita a uma sequência de interjeições desconexas.

 

Até a classe política padece desta decadência. Tempos houve em que as piores decisões eram comunicadas de um modo brilhante!

 

É claro que qualquer pessoa pode errar, mas há erros que um dirigente político está impedido de cometer. Quem não se lembra de, há uns anos atrás, um ministro da educação ter pronunciado o estafado interviu em vez do correcto interveio

 

Acresce um factor nada despiciendo no meio disto tudo. O ensino deve levar a pessoa a subir ao nível da escola e não devia levar a escola a descer ao nível da rua.

 

Aprender é um movimento que vai do menos para o mais.

 

Um pouco de elegância é sempre importante, benfazejo e salutar.

 

Que não se imponha o falar erudito é uma coisa. Que se pretenda estagnar no falar mais primário é outra coisa, bem diferente. Que não ajuda a crescer.

 

O caminho do crescimento faz-se da mediocridade para a excelência. Quedar-se pelo elementar, pelo que assoma de imediato à superfície não é o melhor sintoma.

 

Receio que o acordo ortográfico não se limite a introduzir alterações na nossa língua. Temo que a desfigure.

 

A nossa língua é um dos nossos melhores patrimónios. Nela mora a alma da nossa pátria.

publicado por Theosfera às 20:59

Numa hora de aperto, é natural que todos sejam sacrificados.

 

A RTP e a Lusa também verão as suas dotações diminuídas para o ano que vem.

 

Mesmo assim, receberão 121 milhões de euros.

 

Não se entende a dotação e, pior, não se percebe a ausência de discussão.

 

Numa democracia, em que tudo é para discutir, porque é que não se aceita debater a privatização da RTP?

 

O serviço público de televisão não pode ser assegurado pelos canais privados?

 

Precisamos de um serviço público redundante, para mostrar o que os outros mostram: novelas, concursos e espectáculos?

 

O Estado tem de ter uma rádio e uma televisão?

 

Há países cujo Estado possui até clubes de futebol. Mas não são democracias...

publicado por Theosfera às 19:19

Eu sei que a pressão é grande e o trabalho supinamente árduo, mas é impossível deixar de assinalar o que ocorreu ontem.

 

O orçamento de estado foi entregue em cima da hora e, pelos vistos, incompleto.

 

Querem melhor retrato do nosso país?

 

O problema é que dos governantes se esperaria um pouco mais, um pouco melhor.

 

E, já agora, o hábito de entregar um documento de tal importância numa pen-drive respira informalidade a mais.

 

Já viram como o nosso futuro está encolhido num objecto tão pequeno?

 

Não sou apologista de solenidades demasiado formais, mas também ser tão iconoclasta não me parece bem.

 

Modus in rebus!

publicado por Theosfera às 12:14

Muito foi o tempo passado lá no fundo, nos escombros.

 

Muitos foram os momentos em que tudo parecia perdido.

 

Muitos foram os dias em que não se viu a luz.

 

Mas a luz apareceu mesmo. E a salvação surgiu até mais cedo do que o esperado.

 

O resgate dos mineiros no Chile é uma realidade e é um (poderoso) sinal.

 

Nas horas difíceis, é preciso acreditar mais. Desistir é que nunca.

 

Quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte!

publicado por Theosfera às 12:02

Neste mundo em que sobram palavras, só uma palavra parece estar em silêncio: a palavra de Deus.

 

Não se trata de uma palavra silenciosa. Trata-se, sim, de uma palavra silenciada. Compulsivamente silenciada.

 

Porque as nossas palavras afogam a Palavra. Não lhe dão espaço. Nem lhe abrem caminho.

É a Palavra que ilumina as palavras.

 

Só quando mergulharmos na Palavra eterna, as nossas palavras terão conteúdo, profundidade e sentido.

 

Faz silêncio no teu ser. Para acolheres a Palavra no teu coração.

publicado por Theosfera às 12:01

Uma justiça apresentada como vingança e entendida como castigo sempre esteve presente no discurso religioso.

 

Não pensamos, porém, que ele não se compagina com a misericórdia de um Deus que Se revela como amor.

 

Dizer que a SIDA é uma forma de a natureza se revoltar e provocar uma espécie de justiça imanente é, além do mais, um modo pouco feliz de se aproximar da pessoa que sofre.

 

É preciso trazer o amor para o centro. O juízo cabe a Deus. A nossa tarefa é estar com quem sofre. Como Ele, aliás.

publicado por Theosfera às 11:57

A fazer fé no que aparece na imprensa, a nossa vida não vai ser fácil.

 

O efeito do anúncio das medidas de austeridade parece já totalmente degolado.

 

Podem não chegar tais medidas para re-carrilar a nossa economia.

 

Nicolau Santos fala de um orçamento sem esperança.

 

Pacheco Pereira, num tom quase apocalíptico, prevê o pior.

 

As suas 48 frases para o tempo de hoje terminam com um desenho pintado a negro: «Comparando com o que aí vem, nenhuma destas previsões é totalmente pessimista».

 

A saúde irá ficar mais cara. Os medicamentos aumentaram ontem e vão aumentar mais em Janeiro. A electricidade vai subir.

 

Enfim, citando Pacheco, «os nossos direitos face ao Estado tornar-se-ão quase inexistentes».

 

O governo conta com o aumento da taxa do IVA. Mas se o consumo diminuir, qual será o ganho efectivo?

 

Os mercados ficarão mais tranquilos. Mas os espíritos estão a ser assediados pela desesperança.

 

Os suicídios, como alerta igualmente Pacheco, tenderão a disparar.

 

Não espanta, por isso, que, segundo as sondagens, o PSD não suba e o PS não caia.

 

O Expresso mostra inclusive que estão simetricamente empatados: 35.3%.

 

Um empate que é sinal do impasse!

 

O governo não convence. A oposição não atrai.

 

Quem apresenta um rumo para Portugal?

 

Apareça. Apareçamos.

 

O futuro está nas nossas mãos.

publicado por Theosfera às 11:43

A jusante da necessidade de reduzir depesas, está a surgir uma discussão que já se adivinhava: a extinção de algumas freguesias.

 

Com efeito, a extinção de escolas, o despovoamento dos lugares e a mobilidade tornarão inevitável este tema.

 

Curiosamente, o debate nem está mais aceso nos lugares mais pequenos. É em Lisboa que ele vai mais adiantado.

 

Neste momento, a capital do pais conta com 53 freguesias. Há uma proposta para reduzir tal número para 27 e outra ainda que as cifra em apenas nove.

 

Refira--se que Paris e Roma, que são muio maiores que Lisboa, têm somente 20 freguesias e Madrid 21.

 

E, já agora, convém não esquecer que muitas freguesias de Lisboa são mais populosas que alguns concelhos do interior. Mais cedo ou mais tarde, também se equacionará a respectiva extinção.

 

Que restará do interior, a médio prazo?

publicado por Theosfera às 11:24

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Os jornais trazem hoje um escalonamento das escolas. O referido escalonamento é, estranhamente, conhecido pelo anglicismo ranking.

 

Para as escolas que ficaram nos primeiros lugares, a sensação é, sem dúvida, reconfortante.

 

Mas existe uma panóplia de factores no processo educativo que dificilmente será mensurável.

 

Estes escalonamentos incidem sobre o modo como se acaba. Importante é que se fizesse um levantamento acerca do modo como se começa.

 

Avaliar uma escola só pelos exames é inevitável, mas é redutor. É fundamental estar atento ao modo como se inicia o percurso escolar, ao esforço que é feito. 

 

Não se pode comparar o plantel do Real Madrid com o plantel do Ramaldense. Quem tem os melhores elementos tem maiores possibilidades de alcançar o êxito.

 

É igualmente verdade que a arte está, muitas vezes, na formação dos melhores. Tal como sucede com os melhores jogadores, também os melhores alunos têm de ser formados, estimulados.

 

A educação de um aluno é uma acção totalizante, autenticamente holística. Os resultados são, obviamente, imprescindíveis, mas não bastam para aferir a personalidade.

 

Uma certa mentalidade competitiva não será, pois, muito saudável.

 

Não há dúvida de que há muitas capacidades disseminadas pelo país. Fundamental era que não houvesse tanta pressão em torno dos exames.

 

A qualidade tem de ser aferida com horizontes mais vastos.

 

Há alunos com excelentes resultados e que, por vezes, têm dificuldades na expressão escrita. Nem sempre, com efeito, a sobre-avaliação é sinal de sobre-rendimento.

 

Tempos houve em que as escolas com as notas mais baixas eram as mais respeitadas. Eram tidas como as mais exigentes. Regra geral, o aluno, quando mudava de escola, subia nas classificações.

 

Há dias, o reitor de uma universidade lamentava-se porque os alunos, que chegavam com altas notas, tinham tendência para descer bastante.

 

Não defendo o regresso, puro e simples, ao passado. A nota não é propriedade do professor nem do aluno. Ela é serva da verdade, da justiça e da qualidade. Quem merece uma nota distinta deve tê-la.

 

Mais necessário, pois, do que seriar escolas é estimular todos os agentes para que consigam o essencial: formar alunos motivados, pessoas de eleição e cidadãos excelentes.

 

As grandes mentes hão-de fazer brilhar um grande coração. 

publicado por Theosfera às 10:59

Hoje é dia de Sta. Teresa, mulher de grande visão e enorme arrojo.

 

Passeou pelo século XVI como um meteoro que abalou a Igreja. Podemos dizer que se deve a ela uma das maiores reformas de todos os tempos.

 

Ela apelou para a prioridade de Deus. Foi a partir da centralidade da experiência de Deus que encetou todo um projecto de vida (pessoal e comunitária) que visa apenas ser-Lhe mais fiel.

 

É célebre um dos seus poemas magníficos: «Nada te turbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada falta: só Deus basta».

 

A humildade ocupou um lugar preponderante no seu crescimento e na sua afirmação. Diz que «uma vez estava a considerar por que razão era Deus tão amigo da humildade. E logo se me pôs diante isto: é porque Deus é a suma Verdade, e a humildade é andar na Verdade».

 

Dir-se-á que qualquer um sabe isto. Mas uma coisa é o que todos poderão saber. Outra coisa, bem diferente, é que nós podemos, ou não, ver. Em Sta. Teresa resplandeceu a humildade na verdade.

 

Será que em nós também reluz a verdade na humildade?

publicado por Theosfera às 10:54

Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

Num mundo em que tudo parece correr mal, é com alegria que se vê algo a correr bem.

 

O resgate dos mineiros chilenos decorreu sem falhas.

 

O alívio é plenamente justificado.

 

A fé nunca desapareceu. A esperança perdurou. E a competência resplandeceu.

publicado por Theosfera às 10:44

Não dá para acreditar, mas, pelos vistos, é verdade.

 

Pouco antes de começar a operação de resgate dos mineiros em Atacama, a notícia mais lida no Chile não era o resgate. Era, sim, a marcação de três golos de Matías Fernández num treino do Sporting!

 

Palavras para quê?

publicado por Theosfera às 10:42

Miguel Cadilhe terá dito que «mais vale uma justa crise que um mau orçamento».

 

Em princípio, está certo o enunciado.

 

O problema é que, sem orçamento, ainda que mau, o país não poderá sobreviver.

 

O Governo tem de perceber que, sem maioria parlamentar, há que acolher propostas da oposição.

 

Por sua vez, a oposição terá de entender que em causa não está o governo, mas o país.

 

Se pensarmos bem, este orçamento (como os outros, aliás) não é tanto do governo de Portugal. É o orçamento da Europa. É esta que dita. É esta que impõe.

publicado por Theosfera às 10:36

Não há cristão sem homem.

 

As virtudes humanas são fundamentais para o crescimento do discípulo de Cristo.

 

Sem rectidão e integridade, não há santidade nem há perfeição.

 

Às vezes, na vida, incomodamo-nos mais com quem chama a atenção para os problemas do que com quem provoca os problemas.

 

O caminho recto não é, seguramente, fácil.

 

Mas é o único possível para chegar a Deus. E para ser feliz.

publicado por Theosfera às 10:35

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

É estranho que, num tempo de empanturramento informativo, os jornais deixem escapar uma notícia de grande relevância.

 

Só hoje soube da morte de uma das maiores referências nos estudos da língua e literatura portuguesa: o Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro.

 

O passamento ocorreu já no pretérito dia 7 e foi pela Sociedade Científica da Universidade Católica, a que ele presidiu entre 2001 e 2007, que soube do infausto evento.

 

Aníbal Pinto de Castro, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, estava internado há cerca de um mês.

 

Natural e residente em Cernache, nasceu a 17 de Janeiro de 1938.

 

Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1960, com a tese Balzac em Portugal.

 

Doutorou-se em Literatura Portuguesa em 1973 e, em 2007, recebeu o doutoramento honoris causa pela Universidade Católica Portuguesa, na celebração dos 40 anos desta instituição.

 

Com uma vasta obra que ultrapassa os duzentos títulos, Aníbal Pinto de Castro debruçou-se sobre vários domínios e personalidades, como o Padre António Vieira e Luís Vaz de Camões.

 

A sua prolífica actividade intelectual não o impediu de exercer igualmente um fecundo magistério no campo social em favor dos mais pobres.

 

Eis mais uma figura de excelência a quem o nosso país muito fica a dever.  

publicado por Theosfera às 19:17

Há, hoje em dia, uma obsessão quase patológica com a exterioridade. Com a imagem. Com o aspecto. Com o aparato.

 

Esquece-se amiúde que o exterior é a epifania do interior.

 

Se não cuidamos deste, esvaziamos aquele.

 

E, no entanto, que desvelos dispensamos aos adornos, às pinturas, aos penteados!

 

Em contrapartida, descuidamos, quase por completo, a meditação, o recolhimento, a espiritualidade.

 

Nesta época, em que tanto se pensa nos excessos da aparência, seria bom que se reflectisse no défice de interioridade.

 

Olhemos para fora…mas a partir de dentro!

publicado por Theosfera às 10:07

Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

«Um homem em crise é um homem que está a sempre a crescer. Já tive muitas e espero ter mais ainda, porque assim sou obrigado a questionar-me constantemente».

Assim escreveu (luminosa e magnificamente) Paulo Coelho.

publicado por Theosfera às 11:35

As coisas no Brasil parece que estão a azedar.

 

A segunda volta das eleições presidenciais promete um despique aguerrido.

 

E, curiosamente, são os valores que estão na ordem do dia.

 

O debate entre José Serra e Dilma Rousseff foi deveras palpitante.

 

Falou-se do aborto e da fé.

 

Multiplicam-se as visitas às igrejas e as declarações de militância.

 

As acusações sobem de tom.

 

As sondagens dizem que Dilma desce e Serra sobe.

 

A maratona parece que vai ter um final decido ao sprint.

publicado por Theosfera às 11:32

«A ignorância é audaz. A sabedoria, reservada».

Assim escreveu (descontertante e magnificamente) Tucídides.

publicado por Theosfera às 11:25

Diante do escritor, o jornalista não perdeu a oportunidade.

 

Longe das trivialidades, Luís Osório perguntou a José Saramago por que parecia sempre tão pouco alegre, depois de ter conquistado tudo.

 

A resposta foi desconcertante: «Talvez porque a felicidade nunca é alegre».

 

Não foi o Mestre dos Mestres que proclamou felizes os que choram?

publicado por Theosfera às 11:17

Não será que muitos retiraram a fé em Deus da luta pela justiça porque nós retiramos a luta pela justiça da fé em Deus?

publicado por Theosfera às 10:55

Pacífico não é aquele que não faz nada. Pacífico é o que faz tudo com paz.

 

Se pacífico fosse aquele que não faz nada (leia-se: que não incomoda), o Prémio Nobel da Paz teria ido parar a outras mãos.

 

O Nobel da Paz deste ano está na prisão. Sabem porquê?

 

Porque reclamou do governo do seu país o respeito pelos valores da «liberdade, igualdade e direitos humanos».

 

Também defendeu um sistema político assente na «democracia, na república e no constitucionalismo».

 

 Por este crime, foi condenado a 11 anos de cadeia.

 

Foi na China? Foi no nosso mundo. Em pleno século XXI.

 

O mais estranho é haver, em países ocidentais, partidos que, em vez de estarem ao lado das vítimas, optam por estar contra as vítimas e ao lado dos que as condenam.

 

Daí que considere cada vez mais justo este Prémio Nobel.

publicado por Theosfera às 10:47

Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

1. Preocupante é a crise. Mas a pior crise não é a crise. É a falta de rumo perante a crise.

 

É o desnorte cívico, o descarrilamento político e a desnatação ética. É a incerteza que se abate sobre o futuro. É a descrença que tolhe os espíritos. É a desmotivação que esgana a vontade. É o deslaçamento afectivo que entorpece a convivência.

 

 

Andamos abatidos. Vemo-nos desmobilizados. Não descortinamos uma direcção. Somos cada vez mais tentados pelo torpor e pela desesperança.

 

É, no limite, esta crise que provoca a outra crise, a crise económica. E que dificulta (ou impede) o seu tratamento e a sua superação.

 

Tenho, por isso, para mim que concentrarmo-nos apenas na resolução da crise económica é um logro que só acaba por prolongá-la.

 

 

2. Passamos o tempo (e gastamos a vida) com variações em torno do mesmo: mais impostos, aumento do custo de vida.

 

O imediato sufoca-nos. A pressa oprime-nos. A serenidade escasseia. A situação agrava-se.

 

Sem tempo (nem disponibilidade) para reflectir, atolamo-nos no mais perturbador labirinto.

 

O Estado controla a vida dos cidadãos. Os cidadãos tentam escapar ao controlo do Estado.

 

As restrições não param. E já se acena com a recessão.

 

Tudo isto para quê? Quem sai beneficiado? Os pobres não são com certeza.

 

Mas será que a solução passará também por estigmatizar os ricos?

 

Ficou célebre uma resposta que Margaret Thatcher terá dado há décadas: «Sem os ricos não haverá esperança para os pobres».

 

Com efeito, para que os que têm menos possam vir a ter mais, impõe-se que os que têm mais aceitem ter menos.

 

Nesse sentido, é preciso deixar que a sociedade funcione. Ao Estado cabe regular, mas não asfixiar.

 

Se os mais ricos são hostilizados, que estímulo poderão sentir na promoção de empregos para os mais desfavorecidos?

 

A riqueza tem de ser repartida por todos. Não pode ser tutelada.

 

O Estado não pode estar no centro. No centro tem de estar a pessoa.

 

 

3. Há que ter presente que por cada ganho que se obtém, há uma perda que se averba.

 

Costumo fixar-me, desde há muito, numa máxima de Edgar Morin. Cada progresso acarreta sempre um retrocesso.

 

O progresso tecnológico, que é notório, não tem evitado um retrocesso humanista, que é igualmente visível.

 

Como notava o Padre Manuel Antunes, «no oceano da abundância, da riqueza em maré cada vez mais cheia, mesmo que o oceano pareça inesgotável — não o sendo, de facto —, continua a haver ilhas de miséria, rochedos desolados batidos pelas ondas da adversidade».

 

E o problema é ditado não somente pela indigência de muitos, mas também pela ausência de horizontes.

 

Muitos de nós sentem-se caminhantes de uma viagem incerta, em que vão contabilizando sobretudo perdas e angústias.

 

A desmotivação parece que se apoderou da comunidade, pairando sobre os nossos espíritos fatigados.

 

 

4. O país carece de um desígnio. Os cidadãos precisam de uma esperança. A sociedade necessita de voltar a acreditar.

 

É fundamental não fechar janelas nem tapar caminhos. É urgente dar oportunidade a outros. As ideias são indispensáveis, mas as pessoas são imprescindíveis.

 

Não se trata de suspirar por explosões sebastiânicas, mas de dar um rosto à esperança.

 

A comunicação não pode circunscrever-se à propaganda ou ser reduzida ao ruído da intriga, da insinuação e da calúnia.

 

Todos são bem-vindos. Ninguém pode ser desperdiçado. Há que puxar pelas energias do nosso povo.

 

Há quem tema que a falência não esteja longe. Importante é sentir que a capacidade de a evitar está perto, dentro de cada um de nós.

 

Se fomos capazes no passado, por que haveríamos de ser incapazes no presente?

 

Eterna não será a recessão. Perene tem de ser a esperança.

 

publicado por Theosfera às 11:54

Dizem que estamos a ficar mais individualistas.

 

Não são precisos estudos. É algo que se sente no dia-a-dia. E esse é o grande certificado da crise em que nos encontramos.

 

A pressão dos acontecimentos e a incerteza do futuro, no que concerne mormente ao emprego, levam a que as pessoas pensem, inevitavelmente, em si e nos seus.

 

 Precisamos de atitudes novas. Precisamos de olhar para Cristo e de aprender com Ele. Como diz Paulo, Ele, que era rico, fez-Se pobre, para nos enriquecer com a Sua pobreza.

publicado por Theosfera às 10:36

Deixo aqui o decálogo da serenidade composto pelo bom Papa João. Trata-se de um texto mais oportuno que nunca. São, na verdade, dez sugestões de conduta para quem aspira à paz consigo, com os outros e com Deus.

 

 

1. Hoje, apenas hoje, procurarei viver pensando apenas neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

 
 
2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, serei cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.
 
 
3. Hoje, apenas hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.
 
 
 
4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.
 
 
5. Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
 
 
6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi nada a ninguém.
 
 
7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e, se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
 
 
8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado, talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei, e fugirei de dois males: a pressa e a indecisão.
 
 
9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.
 
 
10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.

 

Caro Irmão, que o Bem-Aventurado João XXIII te ajude a seres feliz, muito feliz, hoje, apenas hoje. Amanhã e depois de amanhã, desejar-te-ei o mesmo.

publicado por Theosfera às 10:28

Reencontrar João XXIII é sempre um conforto que nunca cansa. Há um ano saiu um livro que compendia o essencial do seu pensamento.

 

O Papa bom não podia deixar de insistir na centralidade da bondade. «Não há nada mais excelente que a bondade. A inteligência humana pode procurar outros dons eminentes, mas nenhum deles se pode comparar à bondade».

 

E, atenção, «o exercício da bondade pode sofrer oposição, mas acaba sempre por vencer porque a bondade é amor e o amor tudo vence».

publicado por Theosfera às 10:25

Hoje, 11 de Outubro, é o dia litúrgico do Beato João XXIII, o Papa bom.

 

A sua memória ocorre neste dia porque é nele que se assinala o 48º aniversário do grande evento que ele inaugurou: o Concílio Vaticano II.

 

Lembrar um homem bom é trazer para a vida a bondade que ele irradiou e que nunca deve ser apagada nem extinta.

publicado por Theosfera às 10:22

Em mais um aniversário do Concílio, valerá a pena empreender uma reflexão que, porventura, ainda não chegou a muitas latitudes.

 

Há quem teime em colocar o Concílio contra a Tradição e em estabelecer distinções entre cristãos pré-conciliares e cristãos conciliares ou, então, entre cristãos identitários e cristãos conciliares.

 

Ora, isto é um perigo e constitui uma leitura infundada. Revela, quase sempre, uma aproximação superficial e segmentada à letra e ao espírito do Concílio Vaticano II.

 

Não começa a Lumen Gentium por falar da identidade? E onde radica a identidade da Igreja? Não é no mistério, na Trindade, em Deus?

 

Há muitas leituras supostamente conciliares que se tornam anticonciliares. Desde logo porque são pouco conciliatórias. E, acima de tudo, porque, pretendendo espelhar o Concílio, se afastam do mesmo Concílio. 

 

É preciso ter presente que, numa altura em que se assiste a uma renovada busca de espiritualidade, há quem persista em atitudes de desalinhamento.

 

Há um problema sério que se vai manifestando em vastos sectores. O Concílio disse, na Dei Verbum, que a Igreja não é dona, mas serva da Palavra.

 

No entanto, há quem se comporte como proprietário da Igreja. Há quem não faça caso das referências e das normas da Igreja para, depois, se erigir a si mesmo em norma e em padrão.

 

Daí que, por vezes, quem queira, modestamente embora, viver o Concílio e tudo o que advém dele (como o Catecismo ou o Código) seja impedido e incomodado.

 

Na Igreja, há lugar para diferenças. Mas estas diferenças não podem atentar contra a unidade e o seu imperecível fundamento: Cristo presente na Sua Igreja.

 

Temos de estar precavidos que não falta quem ponha a correr uma série de máculas sobre quem procura estar com Cristo, sob a égide do Sucessor de Pedro e na esteira do que dimana do  sucedâneo do Colégio Apostólico.

 

A fidelidade é apresentada como eivada de tradicionalismo retrógrado e como padecendo de falta de espírito de grupo.

 

Temos de estar atentos. A Igreja, como diziam os escritores antigos, é um barco que vacila, mas não cai. Porque o seu piloto é Cristo e o seu mastro é a Cruz.

 

Basta estar em Cristo. Venham todas as adversidades, se tiverem de vir. A paz nunca se afastará do nosso coração.

publicado por Theosfera às 10:20

Domingo, 10 de Outubro de 2010

Foi um homem que muito me marcou. Se fosse vivo, faria hoje cem anos. Gostava de dizer que era o homem dos três dez: «Nasci a 10 do 10 do 10» (10 de Outubro de 1910)».

 

O Padre Antonino Pinto Duarte foi um homem bom, que me encaminhou para o seminário e sempre manteve o desvelo paternal até ao fim. Obrigado.

publicado por Theosfera às 15:29

Sábado, 09 de Outubro de 2010

Faz bem sentirmo-nos ignorantes. É terapêutico. «Quanto mais sei, mais sei que nada sei», dizia o sábio Sócrates.

 

Esta ignorância pode ser douta, como queria Nicolau de Cusa, se ela nos ajudar a procurar o verdadeiro saber.

 

 O que perturba é uma ignorância travestida de sabedoria. É quando se presume saber e se decide em função disso.

 

 A humildade é, pois, o caminho. O único.

publicado por Theosfera às 12:03

Sexta-feira, 08 de Outubro de 2010

Que a coragem é sempre a irmã gémea da paz demonstra-o a atribuição ao prémio nobel deste ano.

 

A China tinha feito saber, em tom de ameaça, que não aceitaria.

 

A Noruega, um país pequeno onde é atribuído o nobel, não se intimidou.

 

Quantos teriam esta ousadia?

 

E é assim que o activista chinês pelos direitos humanos Liu Xiaobo recebe o Prémio Nobel da Paz por unanimidade, segundo anunciou a Academia Real Ciências de Estocolmo.

 

O galardoado é um  professor de literatura de 54 anos que passou os últimos vinte anos a entrar e sair de prisões chinesas por defender uma reforma democrática.

 

Foi Liu que em Dezembro de 2008 promoveu um manifesto apelando ao respeito pela liberdade de expressão e os direitos humanos.

 

O prémio vai criar um problema diplomático, uma vez que o que o porta-voz chinês dos Negócios Estrangeiros já tinha advertido o comité de que uma escolha desse género «colocaria as cordas erradas nas relações entre a Noruega e a China».

 

Parabéns ao galardoado. Parabéns à Noruega.

 

Não verga a columa vertebral é um precioso sinal nestes tempos que correm, cinzentos.

 

Contente fiquei, aliás, com a generalidade dos prémios deste ano.

 

Vargas Llosa ficou, finalmente, com o nobel da literatura.

 

Muito conhecido, ao contrário do nobel da paz, não deixa de ser um prémio justo. E, neste caso, totalmente consensual.

publicado por Theosfera às 12:11

O sofrimento do mundo deve preocupar-nos, afectar-nos, mobilizar-nos.

 

Mas, muitas vezes, esquecemos quanto sofrimento labora na alma humana, em cada ser humano.

 

 Olhamos para o sofrimento da humanidade e ignoramos o sofrimento de cada pessoa. Quiçá, contribuímos, não raramente, para o alastrar desse sofrimento. Desde logo, com a nossa indiferença.

 

 Cada Homem é um pequeno mundo. No sofrimento de uma pessoa está o sofrimento da humanidade inteira.

 

 Pensemos nisto. Um pouco que seja.

publicado por Theosfera às 11:18

Quinta-feira, 07 de Outubro de 2010

A morte rodeia-nos a cada passo.

 

Insinua-se pelo imprevisto e impõe-se pela inclemência.

 

A sensação que deixa é que ela acaba por levar sempre os melhores, os mais puros.

 

É esta a percepção. É aqui que também tem de emergir alguma esperança. Alguma...

publicado por Theosfera às 10:30

Pior que a crise é a crise pior: a desumanidade.

 

Saber que os idosos são, cada vez mais, vítimas de maus tratos deixa-nos completamente degolados na nossa presunção de avanço civilizacional.

 

Tristes são estes tempos, em que nos demitimos de ser humanos.

publicado por Theosfera às 10:28

Quando se transforma o serviço em poder, adultera-se o sentido da missão e torpedeia-se a identidade da Igreja.

 

O serviço é um imperativo. O poder surge como uma tentação.

 

 Só assumindo, claramente, o imperativo venceremos a tentação.

 

 E só a venceremos n 'Aquele que a venceu: Jesus Cristo, o Servo, Aquele que veio para servir não para ser servido (cf. Mt 20, 28).

publicado por Theosfera às 10:27

Quarta-feira, 06 de Outubro de 2010

Tenho aprendido a valorizar, cada vez mais, aquilo que poderíamos denominar sacramento da rua.

 

Na verdade, tenho encontrado Deus, com um rosto sofrido, em tantos seres humanos com quem me cruzo na rua.

 

 Encontro Deus, com uma face amorosa, nas praças, nos hospitais, nos lares. Deus está vivo nos pobres, nos esquecidos, nos explorados, nas vítimas da injustiça.

 

 Há tanta gente que está à nossa espera: à espera de um gesto, de um sorriso, de um abraço, de uma mão estendida.

 

 Há tanta gente à espera de uma palavra, mesmo que essa palavra não ultrapasse as fronteiras de um silêncio solidário.

 

 É preciso descer as escadas. É urgente viver a vida das pessoas. É imperioso estar onde está Deus. E alguém pode negar que Deus (também) está na rua?

 

 Quem se dispõe a acolhê-Lo?

publicado por Theosfera às 10:28

Um membro da Cartuxa, quando passa por outro, não diz bom dia nem boa tarde. Simplesmente, não diz nada.

 

Não se trata de descortesia. Trata-se de uma via.

 

Temos de respeitar quem opta por ela.

 

Neste dia de S. Bruno, fundador da Cartuxa, importa perceber que a vida é tecida de muitos tons.

 

A solidão, por estranho que pareça, não deixa de ser um caminho, uma forma de relação.

 

Aliás, não falta quem diga que nunca estamos tão sós como no meio da multidão. É aqui que mais se grita. É aqui que menos se escuta.

 

S. Bruno não era um frustrado. Tinha uma carreira preenchida e apreciada.

 

Mas descobriu que o seu horizonte era outro.

 

Às vezes, é preciso interromper, sair, deixar.

 

A solidão nem sempre nos desvia. Ela pode levar-nos à redescoberta da verdade sobre nós. E da verdade sobre os outros.

 

A variedade da existência é, realmente, surpreendente. E poderosamente desconcertante.

publicado por Theosfera às 10:23

A insatisfação é um eco que se estende desde há anos.

 

Uma revolução foi feita e um regime caiu por causa da insatisfação reinante.

 

Nem os mais apaniguados da monarquia se mobilizaram. À excepção de uns poucos, a indiferença foi, como notou Teixeira de Sousa, o sentimento geral.

 

Cem anos depois, o sentimento é semelhante. A insatisfação permanece.

 

Ninguém pensa pegar em armas. Ainda bem. Mas poucos também vislumbram um horizonte radioso.

 

Suspira-se pelo diferente e insiste-se no mesmo.

 

Fala-se muito da cidadania (uma palavra cara ao vocabulário republicano), mas quando aparece alguém de fora, a primeira reacção é que não tem experiência.

 

É preciso abrir caminhos a outros. É, pelo menos, necessário não tapar os atalhos que restam.

publicado por Theosfera às 10:17

Terça-feira, 05 de Outubro de 2010

A melhor comemoração da república é o investimento na qualidade de vida das pessoas.

 

Urge olhar para a base, para o interior, para o núcleo.

 

República é a coisa pública. Há que olhar, pois, não apenas para o individual, mas sobretudo para o comunitário.

 

Um país é uma obra comum, na qual ninguém há-de ser excluído.

 

Na hora que passa, temos passado muito tempo a olhar para trás e para o lado. Há que olhar em frente.

 

O futuro é sempre a melhor homenagem que se presta a quem nos antecedeu no passado.

 

Pensar nos outros é determinante.

 

A crise não é só económica. Ela é, acima de tudo, de natureza ética.

 

Há que regressar aos valores e nunca desistir dos princípios.

 

A verdade, a rectidão, a justiça, a solidariedade e a partilha nunca passam de moda.

 

Hão-de figurar sempre no primeiro plano da nossa vida comunitária.

publicado por Theosfera às 09:13

Eduadro Catroga assegura que estes não são os últimos sacrifícios que nos são pedidos.

 

A crise estará longe do fim.

publicado por Theosfera às 09:12

Muda a vida. Muda a morte. Morre-se, hoje, de modo diferente.

 

Morremos mal, morremos pior. Outrora, morríamos em casa. Actualmente, morremos no Hospital. Com mais assistência. Mas com menos companhia, com menos amor.

 

 Perante um problema, toma-se um calmante. Ou seja, anula-se o problema em vez de enfrentar o problema.

 

 Precisamos mais de calma do que calmantes. Urge, enfim, reevangelizar o fim, reevangelizar a morte.

publicado por Theosfera às 09:10

Segunda-feira, 04 de Outubro de 2010

É normal que se discuta a república no centenário da sua implantação.

 

Acima de tudo, é importante que se retirem as devidas ilações. A História não se repete, mas também não se esgota.

 

Em 1910, havia uma saturação.

 

Enveredou-se por um radicalismo que deixou as pessoas desavindas.

 

Precisamos de moderação. Só com moderação poderemos ouvir todas as opiniões e integrar todas as sensibilidades.

 

Percebe-se o clima de indignação. Mas do que precisamos é de esperança.

 

Não deixa de ser curioso notar como todo o discurso tremendista é apreciado.

 

Corre, em tudo quanto é sítio na net, um vídeo em que um sacerdote faz um diagnóstico arrasador da situação actual.

 

Só que o brilho é tanto que corre o risco de ofuscar a própria visão.

 

Faz-se uma crítica contundente dos políticos profissionais e defende-se a ida dos profissionais para a política.

 

Mas, por outro lado, fustiga-se o país como sendo uma barraca com um submarino.

 

É, sem dúvida, uma imagem sugestivo, mas põe em questão o problema da cidadania.

 

É perigoso um discurso dualista, que, neste caso, faz pender toda a responsabilidade sobre a classe política.

 

Dentro das diferenças, precisamos todos de nos reencontrarmos num projecto mobilizador.

 

Ninguém pode ser dispensado.

 

É certo que as coisas não estão bem. Cabe-nos a todos pugnarmos por um futuro melhor.

 

Um país precisa de um desígnio e de um projecto onde todos possam participar.

publicado por Theosfera às 22:58

Num mundo de altos e baixos, de exploradores e explorados, de senhores e escravos, Francisco de Assis ensina-nos o melhor trato entre os seres humanos: irmão.

 

Ser homem é ser irmão. De todos os outros homens!

publicado por Theosfera às 16:39

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