O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Muito ganharia a construção do futuro com uma maior atenção ao que nos chega do passado.

 

Lastimo que, por exemplo, um intelectual da estirpe de António Sérgio seja, hoje em dia, um ignorado.

 

Quem perde não é ele. Quem perde somos nós.

 

A sua concepção de cultura e de moral impõem-se, na actualidade, com uma pertinência assombrosa.

 

Para Sérgio, a cultura não remete só para a estética. Aponta, antes de mais, para a ética. Ela é assimilada à civilização.

 

Daí que a cultura tenha que ver com os valores e, especialmente, com o bem.

 

Por sua vez, a moral tem uma componente psicológica que não pode ser desguarnecida.

 

A consciência dos valores é inseperável da vivência daqueles que os incorporam.

 

«A vida moral é um processo psicológico a que as imagens de certas pessoas que se impõem ao nosso espírito, que veneramos e imitamos, dão força impulsora e norteante. A personalidade da criança cresce por imitação dos outros eus».

 

A importância do testemunho e do exemplo é determinante. Se aqueles que os mais jovens imitam primam por comportamentos negativos, como exigir aos mais novos valores positivos?

 

Convenhamos que o futuro que os mais adultos estão a oferecer não é propriamente promissor.

 

Há, pois, que reflectir. E inflectir.

publicado por Theosfera às 21:20

Primeiro, foi por telefone. Precisava de uma consulta. Não forneceu muitos dados.

 

Depois, foi já no consultório. O laconismo manteve-se. Apenas dizia chamar-se Gabriel. O dado mais relevante que adiantou foi o seu interesse pela inteligência artificial.

 

O psicólogo ficou apreensivo e envolvido por uma ansiedade crescentemente tremebunda.

 

A páginas tantas, perguntou: «O que o traz por cá?».

 

«Sou Deus e estou aqui para desabafar».

 

O resto fica para a leitura do livro que Michael Adamse publicou em 2007 e cuja versão portuguesa acaba de aparecer.

publicado por Theosfera às 20:54

Deus é amor. E o Homem, enquanto imagem de Deus, é um ser estruturalmente ancorado no amor.

 

O amor tem as suas subtilezas, as suas percepções e também a sua linguagem.

 

Nem tudo assoma à superfície ao primeiro impacto. O amor tem de ser trabalhado, oferecido.

 

O amor vai muito para lá do plano pulsional. O amor tem de ser cultivado desde o primeiro instante.

 

Muitos dos dramas da vida radicam no facto de o depósito do amor não estar devidamente preenchido.

 

Gary Chapman e Ross Campbell escreveram um precioso livro: As cinco linguagens do amor das crianças.

 

Quais são essas cinco linguagens? O contacto físico, as palavras de apreço, o tempo de qualidade, o receber presentes e os actos de servir.

 

Cada ser humano é mais sensível a um tipo de linguagem. Os autores ajudam a descobrir qual será a principal linguagem do amor para os filhos.

 

Também oferecem pistas para enquadrar a disciplina e a aprendizagem.

 

O ponto de partida é que a percepção dos pais pode não coincidir com as necessidades dos filhos.

 

Aliás, as percepções dos pais podem ser diferentes entre si.

 

Daí que a grande prioridade seja que os pais se amem verdadeiramente.

 

É o conselho que abre um dos capítulos: «A melhor maneira de amar o seu filho é amar a sua esposa (ou o seu marido)».

 

Num tempo em que tudo parece passar, eis um bom auxílio para regressar ao que nunca passa, ao que é preciso redescobrir: o amor.

 

Na família, lubrificada pelo amor, está a semente maior de um futuro melhor.

publicado por Theosfera às 16:13

O ser humano está feito para coexistir, mas na prática não consegue conviver.

 

A falência declarada do multiculturalismo, analisada por sociólogos como Enzo Pace, traz à tona uma panóplia de problemas que, no limite, tipificam uma situação crítica.

 

Fizemos a globalização e, agora, parece que não sabemos o que fazer com ela.

 

Mas não é só em grandes palcos que é difícil a convivência.

 

Não é fácil conviver no mundo porque é difícil conviver na rua, no trabalho, na escola e na própria casa.

 

Os grandes conflitos não fazem mais que amplificar a pequena violência.

 

Esta tragédia pode encerrar, porém, uma pista.

 

Comecemos pela nossa própria casa.

 

Se houver paz nas famílias, sempre será mais fácil haver paz no mundo.

 

É um eco do célebre começa por ti de Roger Schutz.

 

Conviver é uma arte sublime que se entretece em pequenos gestos.

 

Não deixemos, pois, de olhar para longe. Mas comecemos pelo que está mais perto, por nós.

 

Cada família já é um pequeno mundo. Que este mundo possa ser uma grande família.

publicado por Theosfera às 10:59

«Algumas quedas servem para que nos levantemos mais felizes».

Assim escreveu (notável e magnificamente) William Shakespeare.

publicado por Theosfera às 10:44

Não basta a grandiloquência das palavras. É fundamental a consistência das acções.

 

Comprometeu-se a Europa, em 2008, a reduzir o número de pobres. Sucede que, dois anos volvidos, tal número não só não diminuiu como aumentou. De 84 milhões passou a haver 94 milhões de pobres.

 

Agora, prevê-se que, até 2020, sejam arrancadas à pobreza 20 milhões de pessoas.

 

O problema é que não se sabe como.

 

Como é possível tirar da pobreza quem está a cair, permanentemente, no desemprego, quem não tem um rendimento adequado às necesidades, quem não tem acesso garantido à habitação, à saúde e à educação?

 

Será a morte que vai tirar os pobres da pobreza?

publicado por Theosfera às 10:43

«O Estado é demasiado grande para resolver os problemas pequenos e demasiado pequeno para resolver os problemas grandes».

Assim escreveu (avisada e magnificamente) Alguém.

publicado por Theosfera às 10:41

As viagens mais deliciosas não são aquelas que nos levam aos mais diferentes lugares. Serão, antes, as que nos conduzem às ideias, aos ideais, às convicções.

 

Antony Flew foi um activo viajante (e um insaciável peregrino) entre Deus e a negação de Deus, entre a negação de Deus e Deus.

 

Terminou por onde começara, embora o grosso da sua vida fosse passado na convicção contrária, no caso vertente, na rejeição de Deus.

 

Flew tornou-se um ateu precoce e um teísta tardio.

 

Aos 15 anos, enveredou pelo ateísmo. Mas, como ele mesmo confessa, aquilo em que acreditamos aos 13 acaba por ser o mesmo em que acreditamos ao morrer.

 

Flew regressou a Deus pouco tempo antes da sua morte, ocorrida já em 2010.

 

O caminho que o reaproximou foi o mesmo que o afastara: a razão. O sentido desta é que se foi alterando.

 

Flew faz questão de dizer que chegou a Deus pela razão e não pela fé: «Foi uma peregrinação da razão e não da fé».

 

Para ele, não é, pois, necessário ser crente para encontrar Deus.

 

No fundo, procurou seguir um conselho de Sócrates: «Temos de seguir a razão para onde quer que ela nos leve».

 

Flew atesta ter sido guiado pela razão até Deus: «A minha descoberta de Deus desenvolveu-se num plano meramente natural, sem qualquer recurso a fenómenos sobrenaturais».

 

Curiosamente, um dos seus interlocutores, no livro Deus (não) existe, é alguém que dá sinais de ter feito o percurso inverso: Stephen Hawking.

 

Hawking, que actualmente exclui a existência de um Criador, considerava, em Uma breve história do tempo, que, «a partir do momento em que dizemos que o universo tem um começo, podemos supor que teve um criador».

 

Acresce que o presente argumento de Hawking (tudo terá vindo do nada) é desmontado, por antecipação, no livro de Flew, socorrendo (pasme-se!) de uma cena do filme Música no coração: «Nada vem do nada, nunca tal aconteceu».

publicado por Theosfera às 00:04

Um dos maiores expoentes do ateísmo militante, ao longo do século XX, foi Bertrand Russell.

 

A sua opção terá sido ditada não tanto pela razão, mas pelo testemunho (ou, melhor, pela falta dele) de alguns crentes.

 

É como se Deus tivesse sido arrastado pela decadência de certos modos de conceber e viver a religião.

 

Quem o certifica é alguém que conheceu bem o filósofo inglês: a sua própria filha Katharine.

 

Com o pai não conseguia sequer falar sobre a existência de Deus ou a religião.

 

No entanto, ela crê «que toda a vida de Russell foi uma procura de Deus. Algures, no fundo da mente do meu pai, no âmago do seu coração, nas profundezas da sua alma, havia um espaço vazio que fora um dia preenchido por Deus, e ele nunca encontrou uma outra coisa para pôr nesse lugar».

 

Katharine assume gostar de ter convencido o pai «de que tinha encontrado aquilo que procurava, aquela coisa inefável que ele, durante toda a vida, desejara ardentemente. Gostaria de o ter persuadido de que a procura de Deus podia não ser uma coisa vã. Mas era inútil».

 

Sabem porquê?

 

Porque, prossegue, Russell «tinha conhecido demasiados cristãos fanáticos, moralistas depressivos, daqueles que tiram a alegria e perseguem os seus opositores. Ele nunca seria capaz de ver a verdade que essa gente escondia».

 

É estranho verificar como é que nós, crentes, podemos ser os maiores fornecedores de argumentos para os ateus. É claro que Deus transcende infinitamente as formas em que é apresentado. O problema é que nem sempre há condições para se fazer tal ressalva.

 

Recordo a reacção de Carlos Casares a um livro de Andrés Torres Queiruga: «Se eu tivesse lido este livro quando tinha 15 anos, não me teria tornado ateu».

 

O ateísmo é, quase sempre, reactivo. Não oculta o incómodo provocado pelo vazio. Russel disse um dia: «Nada pode penetrar a solidão de um coração humano, excepto a profunda intensidade daquele género de amor que os mestres religiosos pregaram».

 

No fundo, não será o ateu alguém com uma intensa saudade de Deus?

publicado por Theosfera às 00:03

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