O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 16 de Outubro de 2010

Enquanto este dia se extingue, não apaguemos a memória do Papa João Paulo II.

 

Foi eleito neste dia. Há 32 anos.

 

 

publicado por Theosfera às 23:06

Num mundo em mudança, nem as línguas passam ao lado das transformações.

 

É natural. É inevitável. Mas não será possível introduzir algum critério de qualidade?

 

Como é sabido, uma língua não é um fóssil. Tem o seu dinamismo.

 

O português actual é muito diferente do português escrito e falado há séculos e até há décadas.

 

Se atendermos à oralidade, verificaremos que há bastantes cambiantes entre o português beirão e o português lisboeta, entre o português nortenho e o português alentejano, entre o português de Mirandela e o português das ilhas, entre o português de Portugal e o português do Brasil e dos PALOP. Até entre o português de Lamego e o português de Resende ou de Foz Côa há diferenças notórias.

 

O recente acordo ortográfico parece consagrar a oralidade como critério dominante. A Profª Maria Helena Rocha Pereira assume claramente esta opção.

 

Segundo ela, a língua portuguesa está a afastar-se do critério etimológico para se centrar cada vez mais no critério sónico.

 

É isso que explica que, por exemplo, as consoantes mudas desapareçam. Jornais de referência como o Expresso já se anteciparam e adotaram a nova ortografia. Confesso que é difícil ocultar um sentimento de surpresa e deceção!

 

Sucede que este distanciamento da etimologia afasta as palavras da sua fonte, da sua origem e, portanto, da sua percepção (ou perceção).

 

É certo que esta tendência vem de trás. Também houve estranheza quando Pharmácia passou a Farmácia. Só que, desta vez, propende-se para uma tal radicalização em torno da oralidade que não sabemos qual será o limite.

 

É que, se repararmos bem, a aprendizagem da língua faz-se, regra geral, por uma superação da mera oralidade.

 

Quando uma criança faz os primeiros ditados, escreverá ora em vez de hora, pansa em vez de pança, istá em vez de está ou tiatro em vez de teatro

 

É a sonoridade a prevalecer. O ensino faz o que deve: oferece-lhe outros critérios.

 

De facto, se a oralidade predominar, ficaremos numa anarquia total. E o certo é que, por incrível que possa parecer, já não falta quem escreva plumenos em vez de pelo menos ou nabo cadele em vez de na boca dele!

 

A diferença entre o porque e o por que está igualmente a esbater-se mesmo nas publicações de maior impacto. Isto para não falar da ausência de vírgula antes do vocativo.

 

Bom dia Portugal é o título de um programa da nossa televisão pública. O mais sintomático é que o provedor do telespectador já alertou para a falha. E, no entanto, ela mantém-se. 

 

Como a oralidade não assinala estas situações, o resultado é linear: escreve-se como se fala e não se fala como se escreve. Ou devia escrever-se.

 

É assim que os livros e os jornais acolhem, crescentemente, uma linguagem mais pobre, que se resigna a reproduzir a oralidade.

 

 

Não estou a defender o uso de uma linguagem barroca ou o regresso a peças de teor gongórico com nula substância. Mas convenhamos que há uma dificuldade cada vez maior em encontrar, no que se ouve e no que se lê, um pensamento reflexivo minimamente sustentado. É que este não se limita a uma sequência de interjeições desconexas.

 

Até a classe política padece desta decadência. Tempos houve em que as piores decisões eram comunicadas de um modo brilhante!

 

É claro que qualquer pessoa pode errar, mas há erros que um dirigente político está impedido de cometer. Quem não se lembra de, há uns anos atrás, um ministro da educação ter pronunciado o estafado interviu em vez do correcto interveio

 

Acresce um factor nada despiciendo no meio disto tudo. O ensino deve levar a pessoa a subir ao nível da escola e não devia levar a escola a descer ao nível da rua.

 

Aprender é um movimento que vai do menos para o mais.

 

Um pouco de elegância é sempre importante, benfazejo e salutar.

 

Que não se imponha o falar erudito é uma coisa. Que se pretenda estagnar no falar mais primário é outra coisa, bem diferente. Que não ajuda a crescer.

 

O caminho do crescimento faz-se da mediocridade para a excelência. Quedar-se pelo elementar, pelo que assoma de imediato à superfície não é o melhor sintoma.

 

Receio que o acordo ortográfico não se limite a introduzir alterações na nossa língua. Temo que a desfigure.

 

A nossa língua é um dos nossos melhores patrimónios. Nela mora a alma da nossa pátria.

publicado por Theosfera às 20:59

Numa hora de aperto, é natural que todos sejam sacrificados.

 

A RTP e a Lusa também verão as suas dotações diminuídas para o ano que vem.

 

Mesmo assim, receberão 121 milhões de euros.

 

Não se entende a dotação e, pior, não se percebe a ausência de discussão.

 

Numa democracia, em que tudo é para discutir, porque é que não se aceita debater a privatização da RTP?

 

O serviço público de televisão não pode ser assegurado pelos canais privados?

 

Precisamos de um serviço público redundante, para mostrar o que os outros mostram: novelas, concursos e espectáculos?

 

O Estado tem de ter uma rádio e uma televisão?

 

Há países cujo Estado possui até clubes de futebol. Mas não são democracias...

publicado por Theosfera às 19:19

Eu sei que a pressão é grande e o trabalho supinamente árduo, mas é impossível deixar de assinalar o que ocorreu ontem.

 

O orçamento de estado foi entregue em cima da hora e, pelos vistos, incompleto.

 

Querem melhor retrato do nosso país?

 

O problema é que dos governantes se esperaria um pouco mais, um pouco melhor.

 

E, já agora, o hábito de entregar um documento de tal importância numa pen-drive respira informalidade a mais.

 

Já viram como o nosso futuro está encolhido num objecto tão pequeno?

 

Não sou apologista de solenidades demasiado formais, mas também ser tão iconoclasta não me parece bem.

 

Modus in rebus!

publicado por Theosfera às 12:14

Muito foi o tempo passado lá no fundo, nos escombros.

 

Muitos foram os momentos em que tudo parecia perdido.

 

Muitos foram os dias em que não se viu a luz.

 

Mas a luz apareceu mesmo. E a salvação surgiu até mais cedo do que o esperado.

 

O resgate dos mineiros no Chile é uma realidade e é um (poderoso) sinal.

 

Nas horas difíceis, é preciso acreditar mais. Desistir é que nunca.

 

Quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte!

publicado por Theosfera às 12:02

Neste mundo em que sobram palavras, só uma palavra parece estar em silêncio: a palavra de Deus.

 

Não se trata de uma palavra silenciosa. Trata-se, sim, de uma palavra silenciada. Compulsivamente silenciada.

 

Porque as nossas palavras afogam a Palavra. Não lhe dão espaço. Nem lhe abrem caminho.

É a Palavra que ilumina as palavras.

 

Só quando mergulharmos na Palavra eterna, as nossas palavras terão conteúdo, profundidade e sentido.

 

Faz silêncio no teu ser. Para acolheres a Palavra no teu coração.

publicado por Theosfera às 12:01

Uma justiça apresentada como vingança e entendida como castigo sempre esteve presente no discurso religioso.

 

Não pensamos, porém, que ele não se compagina com a misericórdia de um Deus que Se revela como amor.

 

Dizer que a SIDA é uma forma de a natureza se revoltar e provocar uma espécie de justiça imanente é, além do mais, um modo pouco feliz de se aproximar da pessoa que sofre.

 

É preciso trazer o amor para o centro. O juízo cabe a Deus. A nossa tarefa é estar com quem sofre. Como Ele, aliás.

publicado por Theosfera às 11:57

A fazer fé no que aparece na imprensa, a nossa vida não vai ser fácil.

 

O efeito do anúncio das medidas de austeridade parece já totalmente degolado.

 

Podem não chegar tais medidas para re-carrilar a nossa economia.

 

Nicolau Santos fala de um orçamento sem esperança.

 

Pacheco Pereira, num tom quase apocalíptico, prevê o pior.

 

As suas 48 frases para o tempo de hoje terminam com um desenho pintado a negro: «Comparando com o que aí vem, nenhuma destas previsões é totalmente pessimista».

 

A saúde irá ficar mais cara. Os medicamentos aumentaram ontem e vão aumentar mais em Janeiro. A electricidade vai subir.

 

Enfim, citando Pacheco, «os nossos direitos face ao Estado tornar-se-ão quase inexistentes».

 

O governo conta com o aumento da taxa do IVA. Mas se o consumo diminuir, qual será o ganho efectivo?

 

Os mercados ficarão mais tranquilos. Mas os espíritos estão a ser assediados pela desesperança.

 

Os suicídios, como alerta igualmente Pacheco, tenderão a disparar.

 

Não espanta, por isso, que, segundo as sondagens, o PSD não suba e o PS não caia.

 

O Expresso mostra inclusive que estão simetricamente empatados: 35.3%.

 

Um empate que é sinal do impasse!

 

O governo não convence. A oposição não atrai.

 

Quem apresenta um rumo para Portugal?

 

Apareça. Apareçamos.

 

O futuro está nas nossas mãos.

publicado por Theosfera às 11:43

A jusante da necessidade de reduzir depesas, está a surgir uma discussão que já se adivinhava: a extinção de algumas freguesias.

 

Com efeito, a extinção de escolas, o despovoamento dos lugares e a mobilidade tornarão inevitável este tema.

 

Curiosamente, o debate nem está mais aceso nos lugares mais pequenos. É em Lisboa que ele vai mais adiantado.

 

Neste momento, a capital do pais conta com 53 freguesias. Há uma proposta para reduzir tal número para 27 e outra ainda que as cifra em apenas nove.

 

Refira--se que Paris e Roma, que são muio maiores que Lisboa, têm somente 20 freguesias e Madrid 21.

 

E, já agora, convém não esquecer que muitas freguesias de Lisboa são mais populosas que alguns concelhos do interior. Mais cedo ou mais tarde, também se equacionará a respectiva extinção.

 

Que restará do interior, a médio prazo?

publicado por Theosfera às 11:24

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