O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 04 de Outubro de 2010

É normal que se discuta a república no centenário da sua implantação.

 

Acima de tudo, é importante que se retirem as devidas ilações. A História não se repete, mas também não se esgota.

 

Em 1910, havia uma saturação.

 

Enveredou-se por um radicalismo que deixou as pessoas desavindas.

 

Precisamos de moderação. Só com moderação poderemos ouvir todas as opiniões e integrar todas as sensibilidades.

 

Percebe-se o clima de indignação. Mas do que precisamos é de esperança.

 

Não deixa de ser curioso notar como todo o discurso tremendista é apreciado.

 

Corre, em tudo quanto é sítio na net, um vídeo em que um sacerdote faz um diagnóstico arrasador da situação actual.

 

Só que o brilho é tanto que corre o risco de ofuscar a própria visão.

 

Faz-se uma crítica contundente dos políticos profissionais e defende-se a ida dos profissionais para a política.

 

Mas, por outro lado, fustiga-se o país como sendo uma barraca com um submarino.

 

É, sem dúvida, uma imagem sugestivo, mas põe em questão o problema da cidadania.

 

É perigoso um discurso dualista, que, neste caso, faz pender toda a responsabilidade sobre a classe política.

 

Dentro das diferenças, precisamos todos de nos reencontrarmos num projecto mobilizador.

 

Ninguém pode ser dispensado.

 

É certo que as coisas não estão bem. Cabe-nos a todos pugnarmos por um futuro melhor.

 

Um país precisa de um desígnio e de um projecto onde todos possam participar.

publicado por Theosfera às 22:58

Num mundo de altos e baixos, de exploradores e explorados, de senhores e escravos, Francisco de Assis ensina-nos o melhor trato entre os seres humanos: irmão.

 

Ser homem é ser irmão. De todos os outros homens!

publicado por Theosfera às 16:39

Um condutor de 37 anos morreu este sábado em Badajoz, Espanha, após ter conduzido o seu automóvel em direcção a um pântano. O homem seguia as indicações desactualizadas do GPS, que acabaram por se revelar fatais.

 

O acidente aconteceu quando o homem, seguindo as instruções do seu aparelho de navegação, circulava por uma estrada em La Serena, Badajoz.

 

O GPS que lhe servia de guia estava desactualizado e a rota indicada apontava para uma zona entretanto alagada pela criação de um reservatório de água.

 

Segundo informações veiculadas pela Cruz Vermelha espanhola, citadas pelo El Mundo,  o facto de estar a viajar à noite não permitiu ao condutor aperceber-se do erro a tempo de evitar o acidente e o carro, um Peugeot 306,  ter-se-á afundado em poucos minutos.

publicado por Theosfera às 16:38

Quando o mentiroso diz que está a mentir, devemos acreditar?

 

Se é mentiroso, o mais certo é que esteja a mentir quando diz que está a mentir.

 

Mas, nesse caso, estará a dizer a verdade e, uma vez mais, está a mentir pois disse que estava a mentir.

 

Na mentira, a verdade só é assumida quando se assume que se mente.

 

Complicado...

publicado por Theosfera às 16:28

1. Ninguém questiona que Cristo está sempre na Igreja. Seria, porém, oportuno que perguntássemos se a Igreja procura estar sempre com Cristo.

 

Antes de mais e acima de tudo, Cristo apontou-nos uma vivência. Sucede que a preocupação de apresentar a vivência  dentro de uma doutrina não foi acompanhada pela mesma vontade de reconduzir a referida doutrina à indispensável vivência.

 

A doutrina é necessária. Permite conhecer, ajuda a assimilar e, como é óbvio, não impede de viver.

 

A experiência certifica, porém, que uma demasiada insistência nos aspectos doutrinais não é imune a disputas, a processos e a conflitos que dilaceram e fazem vítimas.

 

Toda esta situação, no limite, está nos antípodas do que se pretende. É que se a doutrina existe por causa da vivência, como compreender que ela própria possa conduzir à respectiva negação?

 

 

2. Se repararmos, Jesus não pediu tanto que repetíssemos a Sua mensagem. Ele apelou, sobretudo, a que a puséssemos em prática.

 

Quase no final da Sua vida, foi muito claro com os que haviam de ser os Seus continuadores: «Como eu fiz, fazei vós também» (Jo 13, 15).

 

No Seu discurso de despedida, deixou-nos um único imperativo: que nos amássemos uns aos outros (cf. Jo 13, 34).

 

O amor, que corresponde à natureza de Deus (cf. Jo 3, 16; 1Jo 4, 8.16), desponta, pois, como o único sinal de que nos portamos como filhos de Deus.

 

Foi por amor que Deus Se fez Homem. Foi por amor que o Deus feito Homem aceitou morrer na Cruz. É que «ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13).

 

A esta luz, o amor surge não como um mandamento, mas como o mandamento.

 

É, de facto, o amor que tudo compendia, que tudo congrega, que tudo desencadeia.

 

Não admira, por isso, que, na pauta que nos deu para o juízo final (cf. Mt 25, 31-46), o amor apareça como o único critério.

 

A aprovação será dada não aos que mostrarem mais ciência, nem aos que tiverem acumulado maior riqueza.

 

Nem tampouco são destacados os que melhor balbuciam a doutrina. A recompensa será atribuída apenas aos que tiverem revelado a vivência do amor.

 

São esses, no fundo, os que patenteiam a fé no grau mais elevado, já que conseguem ver Cristo onde Ele parece mais escondido: na pessoa dos pobres, dos simples, dos pequenos.

 

Na verdade, tudo o que é feito ao mais pequenino dos seres humanos é ao próprio Deus que se faz (cf. Mt 25, 40).

 

 

3. No exame de consciência que não podemos deixar de fazer, uma interrogação salta logo para o centro: que temos feito do amor?

 

Outra, entretanto, segue conexa. Que temos feito da pessoa humana?

 

Há, sem dúvida, muitas luzes. Mas não haverá também muitas sombras?

 

Quando Jesus quis fazer uma descrição de Deus, usou a imagem que considerou mais expressiva: a do Pai misericordioso (cf. Lc 15, 11-32).

 

O Deus, que Jesus deixa transparecer, resplandece pela misericórdia, pela compaixão, pela ternura.

 

O amor consegue aproximar os que estão desavindos. Pelo contrário, certas disputas acabam até por afastar os que se mostravam unidos.

 

A este propósito, valerá a pena recordar o que, uma vez, disse o cardeal Newmann. Para ele, uma pequena acção feita com amor revela maior e mais verdadeira fé do que a mais fluente conversa religiosa ou o mais profundo conhecimento da Bíblia Sagrada.

 

 

4. Não se infira daqui uma desvalorização da doutrina. Pelo contrário, trata-se de recolocar a doutrina a partir da sua nascente e no seu autêntico espaço: o amor.

 

O amor é a síntese e a coroa da doutrina. Em si mesmo, ele é mais que uma doutrina.

 

O amor não evita as discussões. Diria que até as promove e estimula.

 

O amor não obriga a ver tudo da mesma forma. Ele mantém-se mesmo quando vemos as coisas de modo diferente.

 

Kurt Westergaard vaticina pouco futuro para «as religiões totalitárias».

 

Pela minha parte, anseio pela erradicação do totalitarismo de todas as religiões.

 

Daí que seja prioritário transportar o amor para o centro. Só pelo amor, o testemunho da fé se torna credível.

publicado por Theosfera às 11:56

«O Homem mais amável do Mundo».

 

Foi assim que Bertrand Russell se referiu a S. Francisco de Assis.

 

Neste dia da sua memória litúrgica, queria vincar a perenidade da sua mensagem e a flagrante actualidade do seu testemunho.

 

Como Francisco, é urgente cultivar a pobreza, a humildade e a simplicidade.

 

É fundamental criar uma cultura de reconciliação com a natureza, com as pessoas.

 

Hoje mesmo, vamos pugnar pela instauração de uma fraternidade universal, de uma filadélfia cósmica.

publicado por Theosfera às 10:23

Afinal, o Brasil vai votar de novo.

 

No rescaldo da primeira volta das eleições presidenciais, o nome de quem mais se fala é da candidata que ficou em terceiro lugar. O seu nome é Marina.

 

Pertenceu ao Partido dos Trabalhadores, mas parece não ter um bom relacionamento com Dilma Rousseff. Pessoalmente, está mais inclinada para apoiar José Serra.

 

Em princípio, Dilma está próxima da vitória. Mas a prudência aconselha a esperar pelo próximo dia 31.

publicado por Theosfera às 10:19

Alguém devia dizer aos nossos maiores responsáveis políticos que parassem um pouco e não aparecessem tanto.

 

O chefe do Governo e o líder da Oposição desdobram-se em declarações a que já só uma ínfima minoria dispensa atenção.

 

Aliás, nota-se que a reacção já nem é tanto a revolta, mas o desinteresse. E isto é preocupante.

 

Dizia Salazar que «estar calado não é o mesmo que estar inactivo». Não falta, porém, quem resuma tudo à comunicação. O problema é quando esta se reduz ao ruído, ao espectáculo, à falta de substância.

 

Para muitos, com efeito, a realidade está na comunicação. Era bom que se percebesse que fundamental é que a comunicação esteja na realidade.

 

A comunicação deve veicular (ecoar) a realidade. Não há-de colori-la, adorná-la, eclipsá-la.

 

Mas a vertigem da imagem não é um exclusivo político. É, cada vez mais, uma deriva cívica.

 

Ainda ontem, ao passar os olhos pela televisão, dava para perceber como esta vertigem está a asfixiar o bom senso.

 

Acima de tudo, o que se pretende é mostrar, mostrar-se.

 

Não interessa o conteúdo, não importa o saber. O que vale é aparecer.

 

Como é possível que se vá a um concurso de canto sem a menor apetência para cantar? E como é que alguém vai a um concurso de cultura geral com limitações profundas no que é mais elementar? Retenho só um exemplo de há dias: alguém disse que o rio que banha Tomar é o Lima!

 

Parece que foi inaugurada uma casa (dita) dos segredos. Não faço ideia do objectivo. Suspeito apenas que se trata da apologia do nada e do esplendor do fútil. Sinal dos tempos?

publicado por Theosfera às 10:07

«Não tenha medo da perfeição. Nunca vai atingi-la».

Assim escreveu (avisada e magnificamente) Salvador Dalí.

publicado por Theosfera às 10:05

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