O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

É sempre complicado ler extractos sincopados de um livro que ainda não nos chegou às mãos.

 

Mas, antes de ser vertido para português, o último livro do Stephen Hawking já está a levantar celeuma.

 

Pelo que dizem, o astrofísico decreta que Deus não criou o universo.

 

Comecemos por assentar que se trata de um ensaio científico.

 

À ciência cabe explicar o como. É o que faz Hawking, pessoa que sempre admirei já que acolhe um génio num corpo praticamente inerte.

 

Os estudos apresentados chegam praticamente até ao momento inical do universo.

 

Em relação à data do big bang, Hawking calcula que ele tenha ocorrido há 13.700.000.000 de anos, um pouco menos que os 15.000.000.000 habitualmente atribuídos.

 

Como cientista, Hawkin considera que Deus não é necessário. Não sei qual é o alcance da afirmação. Mas, se pensarmos bem, os crentes acabam por afirmar algo similar.

 

Deus não cabe no plano da necessidade, mas da vontade e, sobretudo, do amor.

 

Deus não age porque tem de agir. Deus age porque quer agir. A criação é, também ela, obra do amor.

 

Hawking entende que tudo veio a partir do nada. Sem entrar em qualquer concordismo oportunista, é curioso verificar que a Bíblia também assinala isso. A mãe dos filhos de Macabeu proclama que Deus criou do nada todas as coisas (cf. 2Mac 7, 28).

 

É claro que, a ser verdade o que tem vindo na imprensa, Hawking parece enveredar por um universo autogestionário. A lei da gravidade tudo terá desencadeado.

 

E quem desencadeou a lei da gravidade?

 

É interessante notar que o teofilósofo Zubiri (que faleceu faz hoje 27 anos) postulava, na linha do pensamento clássico, a existência de um fundamento autofundante do universo.

 

Não creio que a ciência litigue com a fé, desmantelando os seus pressupostos.

 

Ela dá muitas respostas. Mas não responde a todas as perguntas.

 

Será que o nada pode, por si mesmo, ser a origem de tudo? Como é que o que não existe pode ser a fonte da existência?

 

Como apareceu o momento inicial? Criação sem Criador fará sentido?

 

É por isso que agradeço a Stephan Hawking mais este contributo notável para o aprimoramento da ciência e para o prosseguimento do diálogo interdisciplinar, onde a religião terá um papel importante a desempenhar.

 

 

publicado por Theosfera às 22:33

Estudar é muito importante, mas pode-se estudar de várias maneiras…
 

Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.

 

Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.

É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.

Ler um livro é muito importante, às vezes, urgente.

Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.

É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas
também a sonhar.

É preciso aprender a crescer, aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar, a conhecer os outros, a ajudar os outros, a viver com os outros.

E quem aprende a viver com os outros aprende sempre a viver bem consigo próprio.

Não merecer um castigo é estudar.

Estar contente consigo é estudar.

Aprender a terra, aprender o trigo e ter um amigo também é estudar.

Estudar também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado é sabê-lo emendar.

É preciso, em vez de um tinteiro, ter uma cabeça que saiba pensar, pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal é a mais linda conta que se pode fazer.

Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro, pode ser a mais bela redacção do mundo…

………..

Estudar é muito, mas pensar é tudo!

publicado por Theosfera às 11:20

 Em épocas de crise, em que a tentação do desnorte é muito intensa, há duas coisas que não devemos perder jamais: a determinação e a serenidade.

 

Não podemos perder a determinação porque é fundamental que se apontem caminhos e alarguem os horizontes.

 

 Não podemos perder a serenidade porque de cabeça quente e com ânimos exaltados não vamos a lado nenhum.

 

 Sim, a situação é dura e os problemas enormes. Vamos ser fortes, unidos, amigos. Deus ajudar-nos-á. 

publicado por Theosfera às 11:05

Quando o jovem disse ao abastado pai que queria fazer parte de uma ordem mendicante, a reacção não podia ser pior.

 

- «Pai, desejo ser frade».

 

- «O quê? Um frade descalço e esfarrapado?»

 

- «Sim, Pai».

 

- «E fazer voto de pobreza? E desistir da tua carreira? E andar faminto a esmolar pelas almas? Impossível!»

 

- «Foi possível a Francisco de Assis».

 

- «Era um louco», bradou o Pai.

 

- «Era um santo», corrige o Filho.

 

 

publicado por Theosfera às 11:02

Há tanta gente à espera de uma palavra que se faça eco da Palavra.

 

Há tanta gente à espera de uma palavra em forma de presença.

 

Há tanta gente à espera de uma presença em forma de palavra.

 

Enquanto ela não vem de nós, ela vem até nós.

 

Os pobres e os que sofrem estão a pronunciá-la continuamente. Tingida de dor e ardendo de esperança.

 

Como disse o Concílio, «o futuro pertencerá àqueles que derem ao mundo um pouco de esperança».

 

Não recusemos a esperança que nos chega. «A esperança (proclamou Charles Péguy) espanta o próprio Deus».

publicado por Theosfera às 11:01

Os tempos são outros. A sensibilidade é diferente. E a capacidade de mobilização quase nula.

 

Que diriam os nossos antepassados de trezentos, de seiscentos e de novecentos, que se rebelaram ante castelhanos e ingleses por causa da ingerência destes na nossa pátria, se fossem confrontados com a notícia de que o orçamento do estado português vai precisar de um visto prévio da Comissão Europeia?

 

Acresce que ainda há quem diga que isto é pouco!

 

A integração na Europa constitui, ipso facto, uma alienação de soberania, mas não deixa de ser sintomático que tudo aconteça praticamente sem qualquer reacção.

 

O mesmo se diga do afastamento do Prof. Manuel Maria Carrilho do cargo de embaixador na Unesco.

 

Até pode dar-se o caso de ser uma decisão normal. Mas é impossível não associar a medida às posições que ele tem tomado.

 

Voltamos a ter delito de opinião? Pensar pela própria cabeça será um pecado irremissível?

 

Mas então temos de pensar pela cabeça de quem?

 

Estamos em democracia. Mas será que temos muitos democratas? Como vai a nossa cultura democrática?

 

A independência e a liberdade são valores matriciais da civilização.

 

Impressionante é que tudo isto vá contando com uma espécie de anestesia cívica.

 

Os tempos não correm fagueiros para a cidadania.

 

Parece que as coisas só afectam os outros.

 

Mas, atenção, o que acontece hoje aos outros, pode acontecer amanhã a nós.

 

Parafraseando Martin Niemöller (num texto também atribuído a Bertolld Brecht), «primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei porque não era judeu. Depois levaram os comunistas e eu também não me importei, pois não era comunista. Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal. Em seguida os católicos, mas eu era protestante. Quando me vieram buscar já não havia ninguém para me defender».

 

É sabido que a ditadura dos factos é (im)pressionante, mas que, ao menos, a nossa voz se faça ouvir.

 

O silêncio raramente é neutro. Ele é, quase sempre, conivente com a tirania.

publicado por Theosfera às 10:45

«Nesta vida, cada um de nós está sozinho, pelo que não é de estranhar que morra sozinho».

 

 Estas terão sido as últimas palavras de Xavier Zubiri, antes de morrer a 21 de Setembro de 1983, nas urgências do hospital, acompanhado pelo seu médico.

 

Mesmo com os outros, podemos estar sós.

 

Mesmo sós, podemos estar com os outros, nos outros.

 

Como Zubiri gostava de repetir, há sempre uma solidão sonora, uma solidão que ressoa...

publicado por Theosfera às 10:33

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