O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

1. Apesar do sol, parecem sombrios os tempos que vivemos.

 

E é nestas alturas que mais sentimos a falta não tanto de ideias como de testemunhas. De pessoas de bem. De exemplos que resplandeçam como faróis.

 

Não há dúvida de que o mundo sente mais a ausência de testemunhas do que de mestres.

 

A vacuidade que se apoderou da hora presente não está, em primeira instância, nos conhecimentos. Está, acima de tudo, nos comportamentos.

 

É o vazio que, tingido pelo fútil, faz com que nem o trágico nos pareça tão trágico.

 

 

2. Até o trágico se vai tornando trivial, envolvente. Também ele é afectado pela ditadura da banalidade.

 

Habituamo-nos aos incêndios no Verão e às cheias no Inverno. Já não nos espantam os números da violência doméstica nem os dados da criminalidade.

 

Altera-se a legislação, mas não se muda a vida. Tudo escorre na direcção de um abismo que nem o mais optimista é capaz de suster.

 

No meio desta turbulência, os «heróis» (com umas aspas muito grandes) que fazemos desfilar são os que mostram tudo e não revelam nada.

 

Ficamos deslumbrados com as suas casas, com as suas roupas, com os seus casamentos e separações. Quase sem darmos por isso, somos arrastados pelo vazio que veiculam.

 

 

3. Não é a primeira vez que vivemos épocas destas.

 

Hannah Arendt recorda-nos que «a história já conheceu muitos períodos de tempos sombrios».

 

São tempos em que «a realidade é camuflada pelos discursos e pelo palavreado de quase todos os discursos oficiais que, ininterruptamente e com as mais engenhosas variantes, vão arranjando explicações para todos os factos desagradáveis».

 

As sombras chegam aos tempos «pelo discurso que não revela aquilo que é, preferindo esconder-se debaixo do tapete, e pelas exortações que, a pretexto de defender velhas verdades, degradam toda a verdade, convertendo-a numa trivialidade sem sentido».

 

 

4. Mas, mesmo (diria sobretudo) nestes tempos, «temos o direito de esperar uma luz. É bem possível que essa luz não venha tanto das teorias e dos conceitos como da chama incerta, vacilante e, muitas vezes, ténue, que alguns homens e mulheres conseguem alimentar em quase todas as circunstâncias».

 

A própria Hannah Arendt oferece-nos dez luzeiros em forma de vidas alentadoras para a nossa vida.

 

 

5. Uma dessas vidas é a do Papa João XXIII, que a filósofa judia descreve como sendo «um cristão no trono de S. Pedro».

 

Curiosa a reacção de uma criada de servir aquando da morte do Pontífice: «Minha senhora, este papa era um verdadeiro cristão. Como é que isso foi possível? Como pôde um verdadeiro cristão sentar-se no trono de S. Pedro? Ninguém se terá apercebido de quem ele era?»

 

 

6. Há, obviamente, um exagero e até alguma injustiça. Os papas dos últimos séculos mostraram ser cristãos de fibra, até à medula do seu ser.

 

Mas não deixa de ser sintomática a reacção de uma pessoa simples.

 

Na sua maneira de ver, alguém que irradiava o espírito de Cristo não teria grandes condições de ascender naquilo a que, impropriamente, se chama carreira.

 

 

7. Sabemos que a bondade de João XXIII lhe trouxe não poucos dissabores. Às vezes, a incompreensão acendeu-se dentro da própria Igreja.

 

Não era em vão, porém, que um dos seus lemas era precisamente «sofrer e ser desprezado como Cristo».

 

João XXIII tornou-se uma figura querida porque assumiu, sem o menor constrangimento, o espírito de Jesus.

 

Para ele, todos, incluindo os ateus, eram filhos e irmãos. A justiça sempre o preocupou e mobilizou.

 

 Conta-se que, um dia, terá perguntado a um trabalhador como ia a sua vida. Ele respondeu que ia mal. Então, o Papa garantiu que ia tratar do assunto.

 

Houve, no entanto, quem objectasse que, aumentando o salário aos trabalhadores, teria de haver um corte nas obras de caridade.

 

Resposta pronta do Pontífice: «Então é o que teremos de fazer. Porque a justiça está antes da caridade».

 

 

8. São estas atitudes que definem uma vida. E fazem com que as pessoas que as tomam brilhem. Mesmo nas sombras. Sobretudo nas sombras.

 

 

publicado por Theosfera às 16:07

Há quem tenha uma estranha noção de bondade.

 

Para não poucos, a bondade é assimilada à inacção.

 

Bom, segundo muitos, é o que não reage.

 

Ora, no limite, isto é uma negação da própria bondade, levando-a a pactuar com o próprio mal.

 

Os mestres ensinam que a bondade é profundamente pró-activa e interveniente.

 

Se olharmos para o testemunho de Jesus e para os textos de Dalai Lama, verificamos que a bondade não transige com a injustiça nem com a conveniência.

 

A bondade assenta numa cultura da compaixão e numa clara opção pelas vítimas da opressão.

publicado por Theosfera às 11:10

Os dramas da humanidade não são apenas uma decorrência da natureza. São, acima de tudo, uma decorrência da nossa vontade.

 

É a nossa vontade que impede, em grande medida, que a fome acabe e a justiça prevaleça.

 

Mas se nós somos o problema, porque é que não havemos de ser a solução?

publicado por Theosfera às 11:06

O padrão da normalidade tende a deslizar em todos os domínios.

 

O bom é visto como mau e o mau é visto como bom.

 

O medíocre é considerado como detentor de qualidade e o que tem qualidade é visto como medíocre.

 

O coerente é visto como teimoso e o oportunista é visto como esperto.

 

O dedicado é visto como ingénuo e o infiel é visto como sábio.

 

O que não se resigna é apontado como ressabiado.

 

O orante é visto como deslocado e o superficial é visto como moderno.

 

A alternativa parece ser clara: se queres ser popular, segue o vento da moda.

 

Mas o Senhor Jesus mantém a Sua recomendação: só quem perseverar (até ao fim) encontrará a salvação.

publicado por Theosfera às 11:04

Uma das coisas que mais me preocupa e entristece é que, havendo tanta coisa prioritária em causa, andemos entretidos com o fútil e com o vácuo.

 

Progresso decadente?

publicado por Theosfera às 11:01

No mapa das escolas que vão encerrar, Lamego ocupa, estranhamente, o primeiro lugar.

 

São vinte e um os estabelecimentos que vão fechar só neste concelho.

 

Há concelhos mais despovoados e as cifras não atingem este montante.

 

Não sabemos o número de alunos de cada uma destas escolas.

 

Para o caso de terem menos de cinco alunos, entende-se.

 

Mas não haverá escolas com dez ou mais alunos?

 

Repare-se.

 

Nos países mais desenvolvidos, um dos indicadores fundamentais são as turmas com poucos alunos.

 

Porquê seguir um rumo diferente?

 

Como querer os resultados dos melhores se não seguimos os seus exemplos?

 

É preciso inverter a tendência. É urgente dar voz ao clamor.

 

 

publicado por Theosfera às 10:56

Andamos desencontrados com o essencial.

 

A imprensa deste dia oferece-nos dados que nos deixam atónitos e, mais que atónitos, atordoados.

 

São centenas as crianças que são (sexualmente) pelos pais.

 

São centenas os pais que, já idosos, são agredidos pelos filhos.

 

Se não recuperarmos a família, como é que poderemos recuperar o país?

publicado por Theosfera às 10:52

mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6
7

8
9

15

22
24
27
28

30


Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro