O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

O caso foi reportado pelo próprio a Luís Osório que, hoje, o reporta na revista do Sol.

 

Um padre terá escrito a Álvaro Cunhal: «O senhor já tem muita idade, está muito velho e, dentro de pouco tempo, comparecerá diante de Deus, que o julgará. E, se não começar a arrepender-se, será condenado às penas eternas».

 

A exortação ao arrependimento é pertinente. Para todos. Mas quem não precisa de conversão?

 

Alguém pode colocar-se no lugar de Deus?

 

O juízo é de Deus, diz a Bíblia.

 

E, assegura S. Paulo, Deus quer que todos os homens se salvem. Todos os homens.

 

Os desígnios de Deus são insondáveis e, na eternidade, há muitas moradas.

 

Porquê este afã em apontar condenados?

 

Somos portadores da salvação ou da condenação?

 

Não me revejo no ideário do Dr. Álvaro Cunhal, mas quem sou eu para o julgar?

 

Acredito na bondade e na largueza dos horizontes de Deus.

publicado por Theosfera às 23:52

1. As primeiras impressões dificilmente se extinguem. Mas são as últimas recordações que jamais se apagam.

 

D. António de Castro Xavier Monteiro chegou a Lamego com um coração de pastor e, quase 28 anos depois, despediu-se de Lamego com um olhar de pai.

 

Se a primeira marca constituíra já um registo forte, a derradeira imagem ofereceu, sem dúvida, uma memória imperecível.

 

É sabido que, ao aproximar-se o fim, D. António quase não falava. Mas não deixava de comunicar. Acima de tudo, com o olhar.

 

Era um olhar sofrido. Mas também um olhar sereno. Um olhar acolhedor. Um olhar agradecido. Um olhar de pai.

 

 

2. Foi há dez anos que D. António faleceu. Eram 18h30 do dia 13 de Agosto de 2000.

 

Confesso que me causa alguma estranheza que esta efeméride tenha passado incógnita na terra para onde ele veio com alegria e que serviu com extremos de dedicação.

 

D. António enchia as pessoas com a sua palavra e preenchia os ambientes com a sua presença.

 

Entrou na cidade a 8 de Outubro de 1972, vindo de Lisboa onde era bispo auxiliar do então Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

 

 

3. Ao saber da nomeação, não escondeu o contentamento: «Foi de joelhos, diante do altar, que li a carta onde me era significada a transferência para Lamego. Agradeci ao Senhor esta nova e grande chamada Sua ao seu serviço; e só Lhe pedi, mas comovidamente, que estivesse sempre comigo».

 

A partir dessa altura, Lamego passou a ser «a minha casa e a minha família». Em Lamego queria «ser pastor, vínculo de paz, de amor e de unidade».

 

 

4. A entrada de D. António na diocese foi um acontecimento marcante.

 

Mobilizou toda a gente. E nem os mais pobres foram esquecidos.

 

As Conferências Vicentinas aumentaram (com mais um quilo de arroz, um quilo de açúcar, um quilo de massa e um pacote de chá) as dádivas para as velhinhas e (com alguns maços de cigarros) para os velhinhos!

 

Acompanhava o cabaz uma estampa em que se assinalava a «especial predilecção e ternura que o senhor Arcebispo já mostrara por esses membros sofredores de Cristo que são os pobrezinhos e os necessitados de toda a ordem».

 

 

5. A intervenção social e política não foi esquecida.

 

Nas eleições legislativas de 1979, publicou uma nota que teve larga repercussão.

 

Alertava ele: «A Igreja tem o uma dupla missão: afirmar e promover o respeito pelos direitos do Homem e denunciar e condenar todas as suas violações».

 

Já há trinta anos, D. António mostrava-se cônscio de que «a contestação das ideias pode ser um direito e até um dever» ao passo que «a destruição das pessoas nunca se justifica».

 

6. A sua grandeza ficava bem patente em pequenos gestos.

 

A 15 de Outubro de 1978, foi a Espadanedo, concelho de Cinfães, em visita pastoral.

 

Arlindo Pinto da Silveira, de 49 anos, estava paralítico há 36 em consequência do reumatismo agudo que o afectou. Pois D. António fez questão de o ir crismar a casa, ficando a corresponder-se com ele a partir desse dia.

 

 

7. Cultivava o D. António uma proximidade que surpreendia e cativava.

 

Era dotado de uma nobre simplicidade. Não falava muito, mas estimulava imenso.

 

D. António tinha, efectivamente coração de pastor, palavra de mestre e olhar de pai.

 

 

8. Não deixemos apagar o seu rasto. Não esbatamos a sua memória. Honremos o seu legado.

 

Disse Elie Wiesel que «esquecer é rejeitar». Seria imperdoável esquecer quem nunca nos esqueceu.

 

 

9. Jamais poderei esquecer a sua estatura espiritual, humana e intelectual.

 

A sua delicadeza sempre o distinguiu e nobilitou.

 

D. António nunca esqueceu Lamego durante a vida. Que Lamego não se esqueça de D. António após a sua morte.

 

 

10. Aqui deixo uma prece sentida. Daqui verto uma recordação entremeada de saudades. Profundas. Imensas.

publicado por Theosfera às 18:30

Não te deixes abater, Irmão.

 

Há qualquer coisa de surpreendentemente belo que (te) pode acontecer.

 

As tuas lágrimas não caem em vão.

 

Felizes os que têm a coragem de chorar. E de não esconder as lágrimas.

 

Felizes os que são sinceros.

publicado por Theosfera às 13:56

Quando se foge à natureza, as coisas nunca correm bem.

 

Isto acontece nas pessoas e nas instituições.

 

Um regime autoritário, quando aparenta ficar mais tolerante, acaba por definhar.

 

Veja-se o caso do socialismo de rosto humano na Checoslováquia com Alexandre Dubchek. A intenção era boa, mas o desfecho foi o que se sabe.

 

O mesmo aconteceu com o próprio Gorbachev ou, noutra latitude, com Marcello Caetano. Tentaram humanizar os seus regimes. Mas o que aconteceu foi o fim.

 

Há tantos exemplos.

 

Nunca se pode fugir à natureza.

 

A Igreja, novo corpo de Cristo. só se pode afirmar pelo amor, pelo serviço, pela bondade.

 

Fora disto, não é ela.

 

Acresce que há cada vez mais gente atenta.

 

A natureza da Igreja é a Trindade, é o amor, é a tolerância, é a solidariedade.

publicado por Theosfera às 13:49

Já não basta a tragédia dos incêndios e o drama da incúria que lhes está adjacente.

 

A comunicação social tem o dever de informar. Mas assiste-lhe também a obrigação de não fazer espectáculo.

 

Para mostrar as chamas não é preciso ir quase para cima delas, ainda por cima às arrecuas (como acabou agora de ser mostrado).

 

Já basta a aflição das populações. Um pouco de serenidade é fundamental.

 

Não vejam isto como uma crítica. Trata-se apenas de um pedido.

publicado por Theosfera às 13:45

Não se morre apenas quando a morte chega.

 

A morte vai chegando com a rejeição, a calúnia, a opressão.

 

É fundamental (tentar) sobreviver.

publicado por Theosfera às 13:43

Para a evangelização, a net traz um precioso ganho: a agilidade.

 

Atenção, porém, ao custo que lhe pode estar conectado: a falta de profundidade.

 

Hoje, muitas pessoas não lêem; captam. Se a net ajudar à captação do essencial, óptimo.

 

O problema é que isso acontece, amiúde, à custa da superficialidade. É preciso, por isso, não descurar a compensação.

 

Faz bem vir à net captar. Urge não dispensar o livro para aprofundar.

 

A net não é só um novo meio de comunicação. Ela está a criar também um novo paradigma de relação.

 

Pura e simplesmente, não nos relacionamos da mesma maneira depois do aparecimento da web.

 

Estamos muito marcados pelo instante, pelo impulso. Outrora, poderíamos escrever um texto movidos por um ímpeto, mas até que ele fosse publicado no jornal, havia oportunidade para alterar uma palavra mais destemperada. O leitor, mesmo o eventual alvo da escrita, estava já também mais distendido.

 

Agora, é tudo muito em cima. As pessoas tendem a verter no blog todos os impulsos. Mas, mesmo que não vertam, há quem os lobrigue. Precisamos, pois, de serenidade e de uma nova hermenêutica.

 

Também na net, a linguagem deve servir para aproximar, para unir, para amar.

publicado por Theosfera às 11:10

Josefa, 21 anos, a viver com a mãe.

 

Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes.

 

Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude.

 

Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão.

 

Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas." Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar...

 

Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça.

 

A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui.

 

Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.

 

Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?

publicado por Theosfera às 11:04

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