O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

1. É com indisfarçável melancolia que nós, os mais adiantados na idade,  recordamos as chamadas férias grandes.

 

Perdido nas memórias mas alojado na alma, este era um tempo em que tempo havia.

 

Era o tempo em que o tempo sobrava, em que o tempo parecia nunca faltar.

 

Era o tempo em que o tempo não nos tinha. Nós é que tínhamos tempo. Para tudo. Ou quase.

 

Era um tempo totalmente diferente para os padrões actuais. Não se pensava em viagens. O dinheiro escasseava e as oportunidades não abundavam.

 

A preocupação não era ocupar o tempo. Era sobretudo sentir o tempo. Saborear o tempo. Digerir o tempo.

 

Nas férias, o tempo parecia desistir de passar. Dir-se-ia que também repousava.

 

Não voava, como hoje. Dávamos conta de cada segundo. Os minutos eram tão mastigados que até pareciam esticar as horas.

 

 

2. Era o tempo em que se sentia não apenas a chuva e o vento, mas até a mais leve brisa se fazia ouvir.

 

Alguma coisa se fazia, é certo. Nas aldeias, andávamos pelos campos. Ajudávamos os pais na apanha da batata e na colheita da fruta.

 

As noites, longas e tórridas, eram ocupadas com diálogos tecidos de memórias e regados de amizade.

 

 

3. E quando nada mais havia para fazer, lia-se, via-se e olhava-se: a paisagem, o horizonte, a serra, tudo e nada, o céu e o infinito.

 

Dirão alguns que seria um tempo aborrecido. E que mal há nisso? Não será saudável haver também um tempo para nos aborrecermos? Não deverá haver também um lugar para o tédio?

 

Eu sei que, para as novas gerações, isto parece surreal.

 

Três eram os meses que passávamos praticamente no mesmo lugar, a conviver com as mesmas pessoas. Como era possível?

 

Não havia internet e poucos eram os que possuíam telefone. A chegada do carteiro era o maior sinal de notícias de alguém distante…

 

 

4. Coisas de um passado que não volta. Não voltará?

 

De facto, Óscar Wilde dizia que «o principal encanto do passado é que já passou».

 

Só que há elementos que, por muito que nos custem, podem alterar o figurino da vida que, actualmente, levamos.

 

Jeff Rubin deixa-nos uma curiosa descrição do que pode ser a nossa existência a breve prazo. Basta que pensemos, por exemplo, no fim do petróleo.

 

 

5. Será que já imaginamos um mundo onde esta fonte de energia escasseie?

 

Não é preciso puxar muito pela imaginação. Desde logo, as viagens ficarão muito mais caras. E, se o petróleo se esgotar completamente, algumas viagens poderão mesmo tornar-se impossíveis.

 

Não entremos em pânico, mas é melhor irmo-nos preparando. «Petróleo caro significa uma travagem brusca no estilo de vida consumista que a energia barata nos permitiu, significa dizermos um longo e saudoso adeus aos produtos baratos fabricados no outro lado do mundo».

 

 

6. A economia local e a importância dos vizinhos voltarão a adquirir uma nova centralidade.

 

Segundo Jeff Rubin, «em breve, os nossos alimentos virão de um campo muito mais perto de casa e as coisas que compramos provavelmente virão de uma fábrica ao fundo da estrada».

 

A pressa terá de ser controlada, mas a saúde até poderá lucrar. O leitor provavelmente «guiará menos e andará mais e isso quer dizer que trabalhará e fará as compras mais próximo de casa».

 

Os nossos vizinhos «vão tornar-se bastante mais importantes no mundo mais pequeno do futuro».

 

Muitos dos empregos de mão-de-obra barata poderão ter de regressar a casa em breve.

 

 

7. Então e as megacidades luminosas que se antecipam? Esses, garante Rubin, «são sonhos da era da energia barata».

 

É certo que as previsões têm um problema. Às vezes (muitas vezes?) erram.

 

As épocas não se repetem. Mas não deixam de ter as suas semelhanças.

 

Para Jeff Rubin, «o futuro será muito parecido com o passado».

 

Será?

publicado por Theosfera às 12:01

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