O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 17 de Abril de 2010

A nossa vida contém muito de speculum (espelho) e de spes (esperança).

 

Que ela seja encarada como espelho de uma Igreja com uma já longa trajectória de fidelidade.

 

E que ela possa ser acolhida como esperança inspiradora de uma nova inquietação em ordem a uma renovada procura.

 

 

Urge, na verdade, reinventar caminhos que permitam dessedentar a sede de infinito que se pressente em cada passo e preencher a profunda saudade de Deus que se divisa em cada olhar.

 

 

Queremos vencer a atonia espiritual e a anemia pastoral em que, frequentemente, nos deixamos atolar.

 

Importa, por isso, que as raízes do nosso ser Igreja sejam alimentadas pela mais pura seiva do amor trinitário na certeza de que, como diria António Ramos Rosa, tais raízes «não estão atrás; puxam-nos para a frente».

publicado por Theosfera às 11:31

Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Bertold Brecht.

publicado por Theosfera às 20:55

O meu campo de missão é, cada vez mais, a rua.

 

E é com o coração apertado que escuto clamores que me chegam.

 

O desemprego devasta famílias. E noto que as preocupações não se limitam ao presente. Elas estendem-se (e bastante) ao futuro.

 

Fala-se em aumentos do gás. O combustível já aumentou 18% só este ano. E, pelos vistos, nem o Governo sabe dos motivos desta escalada.

 

Quando o petróleo sobe, o combustível aumenta imediatamente e na proporção. Quando o petróleo desce, o combustível decai mais lentamente e nem sempre na mesma proporção.

 

Ainda há pouco, alguém se abeirou de mim por causa das perspectivas pouco animadoras acerca da empresa onde trabalha. As privatizações deixam um halo de incerteza.

 

Pensa-se na situação do Estado. Não se pensa na situação das pessoas.

 

Um gestor disse recentemente que os salários não podiam aumentar. Mas esse mesmo gestor aufere rendimentos anuais superiores a três milhões de euros.

 

As nuvens não pairam apenas lá no alto, no firmamento. Elas disseminam-se cá por baixo, no coração das pessoas.

 

O sol voltará a brilhar para todos nós?

publicado por Theosfera às 19:21

Entre pequenos tornados e grandes vulcões, a nossa vida vai decorrendo sob o signo da incerteza e debaixo do império da angústia.

 

Estes fenómenos são realidade e constituem também sinal.

 

O ser humano vive uma fase de turbulência, em que a agitação exterior inocula bastante desconforto no interior.

 

Só mesmo Deus é paz!

publicado por Theosfera às 11:54

«A incredulidade é impaciente. A fé ignora a pressa».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Simon Vestdijk.

publicado por Theosfera às 10:43

Era sábado santo, aquele 16 de Abril de 1927.

 

Às quatro e quinze da madrugada nasce um menino a quem puseram o nome de José.

 

Passadas quatro horas, já estava santificado pelas águas do Baptismo acabadas de benzer.

 

Tudo foi santo: o sábado santo, o baptismo santo, o padre santo e o santo padre.

 

José foi para o seminário. Foi ordenado presbítero em 1951 e bispo em 1977.

 

Em 1981 foi chamado para Roma a fim de colaborar com o Sumo Pontífice.

 

Quando pensava que a missão estava cumprida, viu que ela se tornou mais...comprida.

 

Faz, neste dia, 83 anos que nasceu o Santo Padre. Ontem José, hoje Bento.

 

Na actual crise, desencadeada pela publicitação de casos de pederastia, não há dúvida de que Bento XVI é a figura que mais se empenhou em que o esquema de encobrimento fosse superado.

 

É dele que podemos esperar uma completa mudança nos procedimentos.

 

Obrigado por tudo. Parabéns por hoje. Saúde e felicidades para sempre!

publicado por Theosfera às 09:58

Como minister sanctitatis («ministro da santidade») por excelência, não se espera de um pastor da Igreja que diga muito ou que faça bastante.

 

Aliás, ele dirá muito e fará bastante se conseguir posicionar-se como um homem do essencial, do prioritário e do definitivo.

 

Que traga luz e sinalize a salvação (cf. Is 49, 6), que seja evento do permanente advento do Verbo e que aceite ser o rosto de uma Igreja inequivocamente testemunhal. Que, na esteira de João Baptista, nos ajude a tomar consciência da presença d'Aquele que vence o pecado (cf. Jo 1, 29) e faz brilhar sobre nós a luz do Espírito Santo (cf. Jo 1, 32).

 

 

Estará, deste modo, em condições de participar no processo de uma alterglobalização que desencadeie no mundo uma aurora de esperança, lançando nos corações uma conflagração da bondade e uma imensa explosão de paz!

publicado por Theosfera às 09:51

«O que é persuasivo é o carácter de quem fala e não a sua linguagem».

Assim escreveu (convincente e magnificamente) Menandro.

publicado por Theosfera às 09:45

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

A Igreja nascente pautava a sua conduta pela parrhesia, por uma grande coragem.

 

Nem os tribunais conseguiam deter o ímpeto testemunhal dos apóstolos.

 

Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens.

 

No século pretérito, D. António Ferreira Gomes fez ecoar esta máxima: «De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens».

 

Vale a pena ser cristão assim. Só assim. Sempre assim.

publicado por Theosfera às 21:26

Ao fim da tarde e de muitas canseiras, a comunidade congrega-se para a Eucaristia.

 

Um ambiente de muita serenidade e confiança.

 

É reconfortante respirar a fé que brota das almas simples e dos corações bons.

 

Que Deus abençoe o Colégio da Imaculada Conceição.

publicado por Theosfera às 21:23

Krónos e Kairós são duas palavras diferentes para tentar dizer o mesmo: o tempo.

 

Krónos é cruel. Filho de Urano e de Gaia, libertou os irmãos do ventre da terra, tornando-se o chefe dos titãs.

 

Receando, porém, um sucessor humano, devorou os seus próprios filhos.

 

Apenas o filho mais novo conseguiu salvar-se: Zeus. Este, quando cresceu, dominou o pai passando a governar os homens.

 

O tempo, tantas vezes, devora as pessoas.

 

Estamos subjugados por ele.

 

Estamos sempre a olhar para o relógio.

 

Suspiramos pelo tempo e chegamos sempre à conclusão de que não temos tempo.

 

Já o Kairós é doce, é suave, é a medida certa.

 

Tem asas nos pés ou nos ombros.

 

Caminha sobre os bicos dos pés.

 

Na testa tem um tufo de cabelo. A nuca é careca.

 

As oportunidades devem ser aproveitadas até porque o momento é efémero como mostra a nuca lisa.

 

O Kairós é representado pelo número sete, que recorda a história bíblica da criação.

 

O Kairós é, pois, o momento decisivo, no qual Deus oferece a felicidade às pessoas.

 

Caminho a seguir? Transformar o Krónos em Kairós, trazendo a eternidade para o tempo.

publicado por Theosfera às 16:00

«Não há menos tormento no governo de uma família do que no de um Estado inteiro».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Michel de Montaigne.

publicado por Theosfera às 11:40

O momento fundador e o alicerce fundante da Igreja e da sua missão no mundo é o mistério pascal.

 

É nesta base bipolar que o serviço eclesial exibe uma componente teófora e uma vertente antropofânica. Com efeito, o bispo e o padre são aqueles que, no seu agir e sobretudo no seu ser, que nos trazem Deus e que, nesse preciso instante, nos ajudam a desvelar o mistério do Homem.

 

Um pastor modelado pelas mãos do Pai não é um tarefeiro, mas alguém que transporta a imagem que, em Cristo, Deus esculpiu no Homem. No que diz e no que faz, ele como que iconiza o amor que Deus consagra à humanidade.

 

Enquanto «ministro da Trindade» (minister Trinitatis, na linguagem de S. Tomás), o apóstolo é o transmissor do amor por antonomásia. De um amor que tem Deus como absoluto e o Homem como prioridade. De um amor que constrói o Céu sem renunciar à incessante reconstrução da Terra. Tanto mais que, como adverte Paul Valadier, «só se chega mais acima assumindo o que está em baixo». De resto, já S. Gregório de Nazianzo asseverava há séculos que «aquilo que não é assumido não é salvo» (quod non est assumptum non est sanatum).

 

Não há amor sem entrega e não pode haver entrega que não seja ilimitada. É por tal motivo que entregar é o verbo fulcral da Eucaristia e o verbo decisivo da missão.

 

A entrega de Cristo é sacramentalmente actualizada para ser existencialmente reproduzida. No seguimento de Jesus, também o apóstolo se entrega ao Pai por todos os homens.

 

Ao depositar o seu ministério no altar da Cruz e no coração da Trindade, o discípulo certifica a sua disponibilidade para, em cada dia, ser homo Dei («homem de Deus») e homo homnibus («homem para os homens»).

 

O encontro com Deus não contende com o compromisso social nem com o vigor profético. Pelo contrário, aflora como a sua raiz, a sua autêntica alma e o seu permanente alimento.

 

É o amor a Deus que nos impele — imediata e imperativamente — para o amor ao próximo. Pelo que a oração não colide com a missão nem a espiritualidade conflitua com a acção social. Dir-se-ia que há uma espécie de sócio-espiritualidade estribada no duplo mandamento: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (1 Jo 4, 21).

publicado por Theosfera às 10:13

Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Um olhar simples e até fugidio sobre o quotidiano trepidante que pisamos transporta-nos rapidamente a uma conclusão: a vida é uma corrida, uma corrida veloz.

 

Enrique Vila-Matas, escritor de culto e observador de vulto, deixa tudo isto bem à tona no seu Diário volúvel, que acaba de aparecer e que se devora num ápice.

 

Também a vida do escritor replica a cadência tumultuosa da existência. Também ele dá conta dos momentos em que até do descanso se cansou e sentiu necessidade de vir para a rua falar com o primeiro circunstante, ainda que desconhecido.

 

Vale a pena ler. Interessante o que diz sobre o frio, que ele prefere ao calor. Curioso o que refere acerca do controlo apertado nos aeroportos. A referência a Kafka é pertinente. Todos temos necessidade de nos declararmos inocentes, sem culpas. Não será a maior admissão de culpa?

 

Fez-me pensar o que verte na página 198: «Despedimo-nos todos os dias de alguém que nunca mais voltaremos a ver».

 

E que preocupação temos com a (eventual) última impressão que deixamos nos outros?

 

Quase no fim, adverte para a caducidade de tudo, até daquilo que parece extraído da novidade mais inexpugnável.

 

Não faltará muito para que alguém sopre aos ouvidos de alguém: «Lembras-te da internet?»

 

Eterno mesmo só Deus. A alma humana. E o bem que se semeia.

 

Tudo o resto passa. Sobretudo quando parece que nada se passa...

publicado por Theosfera às 16:23

Pelo menos 400 pessoas morreram e 8000 ficaram feridas na sequência de um sismo de 7,1 na escala de Richter que atingiiu, esta quarta-feira, a província chinesa de Qinghai, no noroeste da China.

 

Os números são avançados pela televisão oficial daquele país.

A esta hora centenas de soldados removem dos escombros as casas que ficaram destruídas e as autoridades acreditam que muitas vítimas estejam soterradas.

publicado por Theosfera às 11:23

Já Marie-Dominique Chenu alertara, há décadas, que «o nosso campo de trabalho é o acontecimento».

 

Agora, é o escritor brasileiro Zuenir Ventura (que tem um espantoso livro sobre a inveja) que nos adverte: «O meu tempo é hoje».

 

Hoje é, de facto, a grande oportunidade. Embora pareça também o maior problema.

 

Não transformemos, pois, a oportunidade em problema. Apostemos em transformar o problema em oportunidade.

publicado por Theosfera às 11:02

Conta-nos S. Lucas (23, 46) que o Filho de Deus, antes de exalar o último suspiro, confirmou a entrega que, desde sempre, fizera do Seu ser: «Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito».

 

É uma expressão em que ressoa fortemente uma das orações modelo do Antigo Testamento: «Nas Tuas mãos entrego o meu espírito» (Sal 31, 6). Faz parte de um salmo de súplica individual, que contém elementos de louvor e acção de graças. Na Bíblia, as mãos de Deus invocam o Seu poder (cf. Deut 4, 34), mas evocam acima de tudo o Seu amor para com o justo (cf. Sal 89, 22; Jb 5, 18; Sab 3, 1).

 

Daí que até Antero de Quental tenha recorrido a esta imagem para se dirigir aos céus: «Na mão de Deus, na Sua mão direita, repousa, afinal, meu coração».

 

Como o salmista, também Jesus Se sabe escutado. Tanto mais que se entrega ao Pai quem sempre cultivara uma intensíssima relação com Ele.

 

É profundamente sintomático notar como, na narrativa lucana, o Pai, que surge na última frase pronunciada por Jesus, aparece já na Sua primeira intervenção: «Não sabíeis — pergunta a José e a Maria — que devia estar em casa de Meu Pai?» (Lc 2, 49). Não admira, por tudo isto, que volte a figurar na derradeira instrução dada aos Onze após a ressurreição: «Vou mandar sobre vós o que Meu Pai prometeu» (Lc 24, 49).

publicado por Theosfera às 10:58

Terça-feira, 13 de Abril de 2010

Quem ouviu a primeira leitura da Missa de hoje parecia ouvir um decalque de certas vulgatas marxistas.

 

Não nego que Marx foi alguém que se preocupou com a humanidade. O problema esteve nos métodos e em alguns pressupostos.

 

Mas a célebre máxima marxiana de cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo a sua necessidade parece transcrita no livro dos Actos dos Apóstolos: «Distribuía-se a cada um conforme a sua necessidade».

 

Os cristãos da primeira hora não chamavam seu ao que lhes pertencia. Tinham tudo em comum. Eram um só coração e uma só alma.

 

Não será que Karl Marx propugnou o que, no seu tempo, era pouco visível nos cristãos?

publicado por Theosfera às 19:27

Será que estamos preparados para lidar com os problemas e, em último caso, para encarar a realidade?

 

Dá a impressão de que, nas questões mais sensíveis, somos demasiado reactivos, quando o importante era ser pró-activo.

 

É óbvio que não há relação directa entre o celibato e a pedofilia. A razão é a mesma que me leva a pensar que não existe relação directa entre homossexualidade e pedofilia.

 

Os factos mostram que, infelizmente, uma grande parte do abuso de menores ocorre nas famílias. Há pais que violam os próprios filhos. Não estamos perante celibatários nem homossexuais.

 

Haverá estudos que apontam para certas conexões. Há, porém, outros estudos que apontam em direcções diferentes.

 

E a verdade é que, infelizmente, a pedofilia não é exclusivo de nenhum sector. Ela existe entre os casados e os solteiros, entre os homossexuais e os heterossexuais.

 

O que está em causa, mais do que a orientação sexual e a opção de vida, é o carácter das pessoas, são os distúrbios, é a desregulação.

 

É isto que importa filtrar. Se possível, enquanto é tempo.

 

publicado por Theosfera às 16:37

«Corrupção e opressão são, de longe, as maiores ameaças à sociedade democrática».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Anna Lindh

publicado por Theosfera às 11:38

Nem sempre devemos fazer o que podemos.

E nem sempre podemos fazer o que devemos.

publicado por Theosfera às 10:29

É hora de voltar a Jesus e de regressar ao Evangelho.

 

Pedro Mexia tem razão: «A Igreja nunca erra quando é fiel ao Evangelho».

 

Habitualmente, deslumbramo-nos com as multidões e apostamos nos grupos.

 

Nada a opor. Mas esse não é o princípio.

 

O princípio (antes dos grupos e das multidões) é a pessoa.

 

Jesus, de acordo com o quarto Evangelho, aposta na pessoa.

 

Por isso, passa uma noite inteira com um homem (Nicodemos) e parte sgnificativa de um dia com uma mulher (a samaritana).

 

É a partir da pessoa que tudo começa.

 

Para quando uma pastoral da pessoa?

publicado por Theosfera às 10:25

... não é aquele que fala muito. É aquele que está. Sempre.

publicado por Theosfera às 10:22

Hoje a imprensa faz-se eco de um artigo que terá saído no órgão oficial do Vaticano em que, supostamente, os Beatles são reabilitados.

 

Há quem fale de um pedido de perdão. Não li o original. Não me posso pronunciar.

 

Recordo apenas que, há não muitos anos, em pleno sermão de Sexta-Feira Santa, o Padre Raniero Cantalamessa citou a conhecida composição de Jonh Lennon Imagine.

 

Toda a gente sabe que não caiu bem, quando a sua popularidade estava no auge, a afirmação de que os Beatles seriam mais famosos que Jesus Cristo.

 

Mas o que queria destacar não é tanto o conteúdo. É a forma.

 

Ou seja, temos uma atitude 40 anos após os factos.

 

González-Faus alerta que muitos revisões operadas pela Igreja ocorrem, pelo menos, 200 anos após os acontecimentos.

 

No caso da pedofilia, parece também que não estamos a chegar cedo ao problema.

 

Dir-se-á que mais vale tarde que nunca. Será altura que tentarmos partir do princípio de que mais vale cedo que tarde.

 

Até porque, como diz belamente Geraldo Vandré, «quem sabe faz a hora, não espera acontecer».

 

E o Evangelho oferece-nos pistas para não esperarmos tanto. É no acontecimento que temos de estar. Um minuto depois pode ser já muito tarde, irreversivelmente tarde. Sobretudo quando há tanta gente a sofrer...

publicado por Theosfera às 10:12

Como se não bastasse o drama da pobreza, eis que aparece de rompante a tragédia da fome. Há uma crise alimentar que se desenha no cenário mundial. Comer vai ser mais caro. Viver vai ser mais difícil.

 

Esta é uma crise de solidariedade que destapa uma monumental crise de civilização.

publicado por Theosfera às 10:10

Também em Igreja se discute muito a comunicação. Dizem que em Igreja não se comunica, não se comunica bem.

 

Há quem pense que é uma questão de forma. Penso que é, acima de tudo, uma questão de conteúdo.

 

Antes de nos debruçarmos em técnicas de comunicação, concentremo-nos no essencial da comunicação. Que queremos comunicar? Que pretendemos dizer? Que é que nos motiva, nos mobiliza, nos apaixona?

 

Os grandes evangelizadores da história não frequentaram cursos de publicidade ou de marketing. Numa coisa, porém, eram insuperáveis: em ardor, em convicção. Eram peritos na convicção.

 

Não descuremos, pois, as formas. Mas priorizemos sempre o conteúdo.

publicado por Theosfera às 10:07

 O Concílio Vaticano II lembra que a Igreja «nasceu do lado adormecido de Cristo na cruz»; convicção que retoma, quase literalmente, o antiquíssimo axioma de nativitate Ecclesia ex corde Jesu in Cruce.

 

Aliás, o próprio Mestre já nos prevenira por antecipação: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, dará muito fruto» (Jo 12, 24).

 

Trata-se do paradoxo estruturante do cristianismo: a morte como fonte de vida e de missão. Uma vez que o discípulo não é superior ao mestre (cf. Jo 15, 20), quem se dispõe a seguir Jesus e a fazer parte do Seu corpo eclesial disponibiliza-se, ipso facto, a «tomar a Sua cruz» (Mc 8, 34).

 

Não espanta, pois, que a morte ocupe um lugar de destaque na História da Igreja. Quando S. Cirilo de Alexandria nos convida para «um cântico de louvor pela morte da Igreja», não está a apontar-lhe um termo ou a ameaçá-la com uma dissolução, mas a assinalar-lhe uma identidade e a reconhecer-lhe um sentido.

 

Se, como infere Heinrich Schlier, «a Igreja é Cristo no Seu corpo», é normal que, à semelhança do que sucedeu com Cristo, também a morte marque presença no percurso da Igreja. Só que esta é uma morte vivificante, «que nos conduz de novo à fonte da vida santa em Cristo».

 

Como nota Bruno Forte, os cristãos sabem que, «na sua qualidade de sacramento da eternidade no tempo, a Igreja cederá o lugar à luz plena da glória, quando Cristo vier finalmente na Sua última vinda. Então Aquela que ela esconde e, ao mesmo tempo, revela reinará totalmente em todos. A kénosis divina abrirá caminho ao esplendor do último dia: a Trindade, de que a Igreja é "ícone", brilhará no universo inteiro e em todos os corações».

 

Mas será que a Igreja deixará de existir no fim dos tempos? Será que a sua luz se apagará? A morte da Igreja — responde o teólogo italiano — «é uma transformação no que há de melhor», já que nos transporta «da finitude do tempo para a eternidade da vida divina».

publicado por Theosfera às 10:02

O caso é grave e está a atingir a Igreja dia após dia. Mesmo admitindo que há a intenção por parte de alguma comunicação social de transformar esta questão numa arma contra a Igreja e contra o Papa, a verdade é que os casos que se conhecem são suficientes para deixar toda a gente, particularmente os que amam a Igreja, em estado de choque.

 

Por isso, o que se espera, particularmente os católicos, é que os nossos Bispos, tal como o Papa, se mostrem como estão diante de todos: tristes, envergonhados e com a consciência de que a formação do clero deve neste momento tornar-se na primeira prioridade da Igreja. A formação de um padre deve ser ainda mais exigente.

 

A confusão, o relativismo moral e até alguma dificuldade em viver o sacrifício devem ser evitados, nos que se formam e nos que formam. Talvez seja altura de reforçar o conceito de santidade na formação dos padres.

 

Quanto aos que praticaram os actos de abuso sexual contra menores, Jesus disse tudo no seu tempo: «É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que os causa, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar do que escandalizar um só destes pequeninos. Tende cuidado convosco».

publicado por Theosfera às 09:58

Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

1.    Confesso que também a mim começa a entediar bastante o caudal informativo sobre os casos de abuso de crianças na Igreja Católica.

 

Acontece que esta saturação constitui não apenas um sinal, mas também um perigo.

 

É normal — e muita gente me tem dado conta disso — que a insistência nos acontecimentos negativos conduza a uma fadiga. Há coisas que já não suportamos ouvir.

 

Sucede, porém (e aqui reside o perigo), que tal saturação acaba por degenerar, a médio ou a longo prazo, na resignação, no inconformismo e na indiferença.

 

Eu sei que estamos longe de um sentimento desta natureza. E seria bom que nunca lá chegássemos.

 

Só que a história, a mestra por excelência, está cheia de situações que, começando por causar repulsa, vão evoluindo para a despreocupação.

 

Quem não se indignou com o início da guerra no Iraque? E quem faz caso, agora, com os atentados que, quase diariamente, continuam a dizimar vidas?

 

No caso da pedofilia, precisamos de tudo menos de amorfia cívica. É, sem dúvida, doloroso ouvir falar de tudo isto. Mas é muito pior que nos habituemos à ideia e que consideremos que (embora infelizmente) as coisas são assim.

 

No limite, não deixemos de pensar que se a nós nos dói ouvir falar da pedofilia, à multidão incontável das suas vítimas dói muito mais.

 

E estamos perante uma dor tantas vezes calada, tantas vezes ameaçada, tantas vezes chantageada…

 

 

2. É claro que uma catarse em público não constituirá a melhor terapia para problemas deste género.

 

Há que respeitar os limites da mágoa reprimida e da ofensa acumulada. Tem de haver o máximo cuidado e a mais apurada delicadeza no tratamento destas ocorrências.

 

Mas o que não se pode é fazer de conta que as coisas não existem. De resto, o bem da Igreja está em tudo menos na contemporização com monstruosidades desta índole.

 

O bem da Igreja, à luz do ensinamento do seu Fundador, radica, antes de mais e acima de tudo, na solidariedade para com os mais pequenos, os mais débeis.

 

Acresce que, dado o volume de casos, não podemos remeter tudo para a esfera da responsabilidade pessoal de cada um.

 

É evidente que esta nunca pode ser negligenciada. Para mal de muitos, há pedofilia em todas as camadas sociais e nas mais diferentes opções de vida.

 

Mas a incidência é tão acentuada na Igreja (um caso que fosse já seria demais, como alguém lembrou) que não podemos pôr completamente de lado as questões sistémicas.

 

 

3. Há, pois, que perguntar. Que estará a ser feito ou o que estará a deixar de ser feito para que, desde há uns tempos para cá, estas situações estejam a atingir uma proporção tão alarmante?

 

Será que é tudo uma questão de distúrbio pessoal? Não haverá também disrupções sistémicas?

 

Toda a gente conhece a mensagem de Cristo e a doutrina da Igreja nesta área. Como se entende então que alguém, que anuncia tal mensagem e prega tal doutrina, as contradiga não uma nem duas vezes, mas de uma forma contínua e com uma aparente descontracção?

 

E como se explica que só nos incomodemos quando as coisas são publicitadas quando a gravidade estriba no facto de elas terem ocorrido?

 

Como perceber que haja um aumento exponencial destes factos nas últimas três ou quatro décadas?

 

Como aceitar que, pelos vistos, tudo tenha decorrido normalmente até tudo vir para a praça pública.

 

Deixemos os julgamentos para quem tem de julgar. Mas não nos demitamos de reflectir nem de inflectir. E, neste capítulo, reflectir é fundamental e inflectir é urgente.

 

A possibilidade de falhas tem de ser sempre tida em conta, apesar de falhas que envolvam abusos de menores sejam impossíveis de admitir.

 

Por muito que nos esforcemos na preparação dos sacerdotes, nunca nos podemos abrigar de surpresas. Se as pessoas até para si são uma surpresa, quanto mais o não serão para os outros?

 

Feita a ressalva, há que inquirir. Será que está a ser colocado o devido cuidado na selecção, no discernimento e no acompanhamento dos sacerdotes?

 

É óbvio que nunca se pode prever ou prevenir tudo. Mas não é impossível acautelar muita coisa.

 

 

4. Em tempo pascal, encontramos um tópico poderoso e um paradigma insuperável para enfrentar esta crise.

 

A ressurreição é transformação, é recusa do conformismo, mesmo perante aquilo que parece irreversível.

 

Empiricamente, nada é mais irreversível que a morte. E até a morte foi vencida. O fundamental é que voltemos a Cristo, à origem.

 

Nunca percamos de vista que o lugar da Igreja está em cada tempo, mas a força da Igreja encontra-se nas suas origens.

 

Nas origens, vemos um fluxo de coragem que não recua perante nada. Nem perante a ordem do tribunal. É essa coragem que leva a desobedecer até às ordens do juiz.

 

Pedro foi claro: «Não podemos calar o que vimos e ouvimos» (Act 4, 20). A ocultação nunca foi lei para Cristo nem norma para os apóstolos…

 

 

publicado por Theosfera às 11:45

Respiro Deus em toda a parte. Ele nunca deixa de ser estar comigo, de estar em mim.

 

Como Tomé, confesso: Meu Senhor e meu Deus! Tudo me leva a olhar para Ele.

 

A Teologia não pode preocupar-se apenas com a identidade do Cristianismo; tem de preocupar-se também (e bastante) com a sua significação.

 

O Cristianismo não existe para si; existe para todos. É a todos que temos de nos abrir. É com todos que temos de estar.

 

O testemunho é a categoria fundamental, decisiva.

publicado por Theosfera às 10:56

Domingo, 11 de Abril de 2010

 Nada na fé é linear. Tudo na fé é envolvente.

 

A Escritura associa, por vezes, o ver e o acreditar.

 

A Carta aos Hebreus assinala que a fé é a demonstração das coisas que não se vêem.

 

Entretanto, o Evangelho diz que João viu e acreditou. Parece que acreditou porque viu.

 

O mesmo texto acrescenta que Tomé acreditou porque viu.

 

Só que, logo a seguir, Jesus declara felizes os que acreditam sem terem visto.

 

Em que ficamos?

 

A fé é um ver sem ver, é o desejo de ver.

 

O essencial é invisível aos olhos. Só é captado pelos olhos da fé, cinzelada pelo amor.

 

Não acreditamos porque vemos. Conseguimos ver quando acreditamos.

 

Esta é a chave.

 

Nem sempre acreditamos no que vemos. Mas conseguimos ver sempre que acreditamos.

 

Por conseguinte, é preciso acreditar. Acima de tudo. E cada vez mais!

publicado por Theosfera às 18:36

Foi o General António de Spínola uma figura marcante da história portuguesa.

 

Comandou o exército português na Guiné.

 

Escreveu Portugal e o Futuro.

 

E tornou-se o primeiro presidente da república a seguir ao 25 de Abril.

 

Faz hoje, 11 de Abril, cem anos que nasceu.

publicado por Theosfera às 06:16

Há quem não se diga cristão e mostre Cristo.

 

Onde há bondade e paz, autenticidade e justiça, aí está Cristo.

publicado por Theosfera às 00:01

Sábado, 10 de Abril de 2010

Na música, não há lugar apenas para o sentimentalismo. Há lugar também (e bastante) para a ideia, para o ideal, para a intervenção.

 

Sérgio Godinho é alguém que consegue, como poucos, colocar ideias fortes em tons musicais que se pautam por uma envolvente suavidade.

 

É interventivo sem ser agressivo.

 

Não infantiliza o público com lugares comuns.

 

E é um resistente na coerência que não vacila.

 

Mais de 30 anos após Abril, é saudável (e provoca saudades) voltar a ouvir o desfile das grandes aspirações: a paz, o pão, a habitação, a saúde. E que só haverá liberdade a sério quando o povo receber o que o povo produz.

 

Os anos que se seguiram repuseram o pragmatismo dos interesses imediatos.

 

Daí que seja reconfortante para o espírito recuar até àquelas manhãs que despontaram há décadas e que expendiam sementes de esperança.

 

Admiro Sérgio Godinho pela forma como consegue musicar expressões, à partida, pouco propensas à musicalidade.

 

Nem a célebre expressão de Churchill escapou: «A democracia é o pior regime à excepção de todos os outros».

 

O Teatro Ribeiro Conceição encheu esta noite e sentia-se um ambiente de fraternidade feliz. Que ela não se apague.

 

Foi um concerto memorável.

publicado por Theosfera às 23:49

E, de repente, os meus olhos tropeçaram no título. Uma palavra apenas: deslaçamento.

 

E, por instantes, fiquei a pensar.

 

A crónica de José Pacheco Pereira até era interessante, mas, hoje, bastou-me o título.

 

O deslaçamento é, sem dúvida, o grande mal dos tempos que correm.

 

Sto. Hilário dizia que o Espírito Santo é o laço que une o Pai e o Filho.

 

Faltam laços hoje. Andamos todos deslaçados.

 

Este é o problema estrutural da humanidade e das instituições.

 

Pior que o relativismo é a debilidade da relação. Tudo estriba na falta de laços.

 

Invocamos, por vezes, os laços entre os membros de um grupo e esquecemos os laços que nos vinculam à enorme família humana.

 

A Igreja tem, neste capítulo, responsabilidades acrescidas.

 

É preciso restaurar os laços. É urgente acolher os clamores.

 

É decisivo descer as escadas e andar pelas ruas.

 

Há tantos laços à nossa espera.

publicado por Theosfera às 12:01

Se os apóstolos tivessem obedecido ao tribunal (e desobedecer a um tribunal é complicado), seríamos cristãos hoje?

 

Aplicando a história contrafactual, não é muito difícil lobrigar uma resposta.

 

Ainda bem que Pedro e João optaram pelos ditames da sua consciência: «Não podemos calar o que vimos e ouvimos» (Act 4, 20).

 

Sophia alinhava pelo mesmo princípio: «Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar».

 

Benditas excepções, que nos alertam para as fendas de regras (por vezes) tão vetustas e desajustadas!

publicado por Theosfera às 11:57

Dizem que é o meio mais seguro. Mas quando há alguma falha, o desastre tem sempre estrondo e muitas vítimas.

 

Mais um avião acaba de cair. Mais de 130 mortos. Entre eles, o presidente da Polónia.

 

Paz às suas almas.

publicado por Theosfera às 11:56

Mais um congresso do PSD. Há menos de um mês tinha havido um. E não falta quem fale de um outro antes do final do ano.

 

É a estreia de um novo líder. Nestas alturas, fala-se muito dos líderes anteriores.

 

Para um partido que, durante uma década, teve um único presidente, é espantoso que, na década e meia seguinte, já contabilize sete líderes.

 

A opinião de todos é evocada e a presença de cada um costuma ser assinalada.

 

Há uma excepção, porém. Trata-se do Dr. Fernando Nogueira.

 

Todos recordam a forma abnegada como secundou o Prof. Cavaco Silva.

 

Depreendia-se um grande despojamento e uma enorme discrição. Dir-se-ia que era o perfeito número dois: apagava-se para que o líder brilhasse.

 

Quando Cavaco se retirou, deixando o partido e o país supensos num longo tabu, foi com a maior naturalidade que Fernando Nogueira ascendeu à liderança.

 

Adivinha-se, contudo, que prevalecia mais o sacrifício do que a ambição. E, aqui e ali, pairou mesmo no ar um certo sabor a injustiça.

 

A lealdade de Nogueira para com Cavaco não terá sido plenamente correspondida. Quando Nogueira anuncia ter a certeza de qual seria o candidato presidencial, Cavaco Silva quase o desmente.

 

É claro que acabou por ser candidato. O que prevaleceu foi uma espécie de tirar o tapete a quem tinha sempre primado por uma enorme lealdade.

 

Há quem diga que as relações entre eles nunca mais foram as mesmas. Apesar de não ter ripostado, Nogueira terá ficado ferido.

 

Mas, cortês como sempre foi, optou por desaparecer da vida pública. Nunca mais foi visto. Remeteu-se a uma actividade privada e alojou-se num prolongado silêncio.

 

Rapidamente entrou na penumbra do olvido. Os jornais pouco falam dele. Será por respeito.

 

Não sei porquê, mas é com pena que se vê o retiro das pessoas mais decentes.

 

Compreende-se. Não é fácil a alguém com princípios disputar o jogo mediático, com todas as implicações que hoje tem.

 

Admiro a coragem de pessoas como Fernando Nogueira para fugir dos holofotes.

 

São, hoje por hoje, as pessoas que admiro mais.

publicado por Theosfera às 11:43

Em tempo de amolecimento do pensamento e de obscurecimento das ideologias, o espectro político-partidário do país poderia ser definido do seguinte modo: o PSD representa a esquerda da direita, o PS representa a direita da esquerda.

 

Este encontro não resulta tanto de uma convergência, decorrendo acima de tudo de uma ambição: a de disputar os votos daqueles que tanto votam num como noutro partido. Daí que estejamos não apenas diante de uma questão política, mas também perante um problema cívico? Em que acreditam os cidadãos. Qual a duração de uma convicção, afinal?

publicado por Theosfera às 11:42

Sexta-feira, 09 de Abril de 2010

Sem Jesus, nada se consegue.

 

Com Jesus, é a abundância.

 

Os 153 grandes peixes da pesca sinalizam a prodigalidade de Jesus.

 

Evágrio Pôntico escreveu um livro com 153 capítulos em homenagem à cena que o Evangelho deste dia nos apresenta.

 

Jesus é a transformação da realidade, é a negação do conformismo.

 

Se Ele é diferente, como permanecer indiferente?

publicado por Theosfera às 19:39

São belos, sem dúvida, estes dias de sol, embora haja nuvens que teimam em anuviar os horizontes rasgados.

 

O sol não brilha apenas no firmamento. Nem tampouco se limita a sorrir dos inacessíveis umbrais do Olimpo.

 

Vejo o sol tingir corações que ressumam gratidão e soluçam esperança.

 

O sol reluz cá em baixo, nos subterrâneos da vida. Deus opera tantos milagres em vidas simples, regadas pelo amor e nunca vergadas pela adversidade.

 

Mesmo quando as nuvens sobrecarregam algum quotidiano, há sempre uma nesga de sol a espreitar. Nos estreitos da vida.

 

As pessoas de bem conseguem expandir as radiações mais cintilantes de luz.

 

O verdadeiro sol é a bondade.

publicado por Theosfera às 16:46

Confesso que não ando muito a par do que se vai passando por aqui.

 

Mas foi com alegria que tomei conhecimento de que, amanhã, Sérgio Godinho estará em Lamego.

 

É, sem dúvida, um momento importante da vida cultural desta cidade.

 

Estamos perante um nome que não se resigna diante do vendaval ululante da mediocridade.

 

Concorde-se ou não com as suas posições, é de saudar a coragem com que verte na música pensamentos fortes e sentimentos fundos.

 

Godinho é um homem que ajudou a amanhecer Abril.

 

E há um tom de esperança que nunca murcha nas suas composições.

publicado por Theosfera às 16:42

Xavier Zubiri dizia que, no fundo, «a vida é uma sucessão de começos». E, quanto aos problemas que aparecem, há que encará-los e não dramatizá-los pois, como referiu Kahlil Gibran, «só se chega à aurora pelo caminho da noite».

 

Se cairmos no caminho, a solução é voltarmo-nos a erguer. Foi Séneca que exarou a recomendação: «Se um grande homem cair, mesmo depois da queda, continua grande».

 

Não é a queda que torna o homem pequeno. É a desistência que o anula. Às vezes, e como intuía Aristóteles, «é no fundo de um buraco ou de um poço, que acontece descobrir-se as estrelas».

 

Por isso, Irmão, não comeces a desistir e nunca desistas de começar. Mesmo que te custe.

 

Aquilo que esperas vai acontecer. Não saberemos quando, mas vai acontecer. «A esperança espanta o próprio Deus», como dizia Péguy. Portanto, ela vai, uma vez mais, surpreender.

 

Mantém a fidelidade. Mesmo que todos pensam e digam o contrário. Deus é o critério. Não são as maiorias que decidem. É Ele. Não O deixes. Ele também não te abandonará!

 

Faz da realidade um sonho. Faz do teu sonho realidade. A vida é uma teofania permanente. Deus está sempre a visitar-nos. Em todas as situações.

 

Porque não fazer, então, da terra uma única (e imensa) filadélfia, ou seja, um povo de amigos e de irmãos?

publicado por Theosfera às 10:28

«A ausência de evidência não significa a evidência da ausência».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Carl Sagan.

publicado por Theosfera às 10:26

«As mais antigas e mais curtas palavras como "sim" e "não" são as que que nos exigem maior pensamento».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Pitágoras.

publicado por Theosfera às 10:20

«Creio no Deus que fez os homens, não no deus que os homens fizeram».

Assim escreveu (perspicaz e magnificamente) Albert Einstein.

publicado por Theosfera às 10:15

Quinta-feira, 08 de Abril de 2010

Sempre acreditei que o mais simples é também o mais belo.

 

Existe uma aliança indestrutível entre a simplicidade e a beleza.

 

Não é Deus a suma simplicidade e a máxima beleza?

 

Onde flui a simplicidade, aí resplandece a beleza.

 

Foi este o sentimento que me inundou ao ler um livro que fala de uma nuvem cujo sonho era ser almofada.

 

Trata-se de um livro belamente simples. E que, por isso, se torna simplesmente belo.

 

Ressalve-se que é muito mais difícil escrever simples do que escrever rebuscado.

 

A simplicidade é bela porque brota directamente da alma, porque emerge, de modo diáfano, do coração.

 

Não vou (re)contar a história para não beliscar a expectativa de quem a quiser ler.

 

Trata-se de uma história de encanto, que congraça a simplicidade e a beleza.

 

É que o sonho da nuvem não era apenas pairar lá no alto. Era, acima de tudo, preocupar-se com quem precisa, cá em baixo.

 

E, tantas vezes, do que mais se precisa é de uma almofada. Para recostar a cabeça. Para encontrar repouso. Quiçá para partilhar segredos e digerir confidências.

 

A ilustração é bela, a narração é cativante, o ensinamento é sublime.

 

Como diz a Bíblia (Act 20, 35), há mesmo mais felicidade em dar do que em receber.

 

Parabéns à Dra. Cristina Bernardes por este livro. Pela nobreza de sentimentos que inocula mo coração de quem o ler.

 

 

Eis uma obra que encanta os mais pequenos. E que não deixa de interpelar os mais crescidos. Até para que nunca ofusquem a criança que, no fundo, continua a habitar nas suas vidas.

 

publicado por Theosfera às 09:56

Quarta-feira, 07 de Abril de 2010

Aproveita este dia para sentires a chama da paz e da felicidade.

 

Deus acendeu-a no mais fundo de ti mesmo.

 

Deixa que ela assome à superfície. À superfície do teu ser. E à volta da tua vida.

 

O melhor ainda está para acontecer.

publicado por Theosfera às 10:17

Terça-feira, 06 de Abril de 2010

Nos próximos minutos, Deus tem uma surpresa para ti.

Não te distraias.

publicado por Theosfera às 10:40

Há gente que não é o que parece.

Há gente que parece o que não é.

Há gente que não parece o que é.

 

Mas há rostos que não enganam: emitem a autenticidade, a alegria, a espontaneidade, a simplicidade.

Há rostos que sabem a alma e respiram a bem.

Há rostos que trazem confiança.

São os rostos dos amigos.

Moram, todos os dias, em mim.

Obrigado.

publicado por Theosfera às 10:37

«Morremos a cada dia; a cada dia falta uma parte da vida».

Assim escreveu (atenta e magnificamente) Séneca.

publicado por Theosfera às 10:34

Segunda-feira, 05 de Abril de 2010

«A verdade padece, mas não perece».

Assim escreveu (superior e magnificamente) Santa Teresa de Ávila.

publicado por Theosfera às 11:58

«A intolerância é o desespero de quem não tem razão».

Assim escreveu (lúcida e magnificamente) Alguém.

publicado por Theosfera às 11:56

Domingo, 04 de Abril de 2010
publicado por Theosfera às 17:46

Eu sei, todos sabemos, que é muito doloroso pôr o dedo em certas feridas. Sobretudo nas nossas. São as que doem mais. Porque são as nossas.

 

É sempre mais fácil apontar as feridas dos outros. Que também as podem ter. Mas não esqueçamos as nossas.. Que, no limite, podem agravar as feridas dos outros.

 

Temos uma missão: apontar caminhos. Mas como se nós mesmos não os pisamos?

 

Claro que ninguém é impecável, irrepreensível. Mas haja ao menos humildade. E partamos do princípio que lá fora, onde nem tudo está bem, mora, pelo menos, gente humilde.

 

Temos a melhor mensagem do mundo. Mas, em contrapartida, não abdicamos de ter, muitas vezes, práticas em sentido oposto. Que credibilidade a nossa?

 

Temos de ter presente que os grandes problemas da Igreja não são apenas os que chegam do exterior. São, antes, o que nascem no seu interior.

 

De resto, não esqueçamos a prevenção de Jesus: «Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro»(Mc 7, 15).

 

Há, sem dúvida, desafios que vêm de fora. Não os podemos desatender. Mas há, acima de tudo, deficiências que emergem a partir de dentro: falta de oração, falta de missão, falta de profecia, falta de fraternidade.

 

Quando as coisas não correm bem, voltamo-nos para fora e apontamos o dedo. Não digo que não haja factores exógenos (se é que, para um cristão, pode haver algo exógeno) a condicionar fortemente a acção da Igreja. Importa, porém, que não nos desviemos do núcleo do problema: ele mora no nosso interior.

 

A mudança tem de começar, pois, dentro, no fundo. Fazer profecia tem de ser um desígnio global. É bom chamar a atenção para o que está mal lá fora. É imperioso emendar o que não está bem...cá dentro!

publicado por Theosfera às 17:38

Não recuou no caminho. Não vacilou perante as ameaças. Não abdicou de lutar. Não deixou de perseverar.

 

Foi incompreendido. Foi incomodado. Foi atacado. E foi morto, liquidado.

 

Faz hoje, 4 de Abril, 42 anos que Martin Luther King tombou sob o crivo impiedoso de balas assassinas.

 

Mas também a sua foi uma morte morticida.

 

Não sei porquê, mas nos últimos tempos tenho-me lembrado muito dele.

 

Precisamos, urgentemente, de homens como Luther King. Que não tenham medo em tocar nas feridas. Que não usem (nem abusem) de eufemismos. Que sejam íntegros e verticais.

 

Há mortes que sabem a vida. A vida nova. A vida outra. A vida pura. A vida refrescante.

 

Quem morre assim morrerá?

publicado por Theosfera às 16:47

Nos últimos dias, não se fala de outra coisa nesta (habitualmente) pacata cidade de Lamego.

 

Um jovem de nome Artur perdeu a vida num passeio de finalistas.

 

Muita gente tem vindo ter comigo, incluindo alguns pais que também tinham os filhos nessa viagem.

 

Que dizer?

 

Não digo nada.

 

Rezo e partilho a dor.

 

Há momentos em que as palavras soam a puro fraseado sem substância.

 

As palavras existem para dizer a vida, não a morte.

 

A única palavra é a palavra da presença. De uma presença humilde, orante, fraterna e solidária.

 

Os meus sentidos pêsames aos pais, irmãos e amigos do Artur.

 

O céu parece ter pressa em receber os bons...

publicado por Theosfera às 12:09

Neste dia de alegria, continuam a soar ecos de escândalos que não podem deixar de nos envolver.

 

Há proporções que estão a crescer e limites que, porventura, estarão em vias de ser ultrapassados.

 

Os desvios são muitos e dolorosos.

 

Há preocupações que deviam estar concentradas nas vítimas e parecem estar orientadas sobretudo nos agressores e nas instituições.

 

E até as comparações parecem desfocadas.

 

Até quando, meu Deus, toda esta tormenta?

 

Há muito a fazer e bastante a escutar.

 

Não deixemos de ouvir o clamor das vítimas.

 

Não deixemos de prestar atenção a quem nunca foi ouvido.

 

O Espírito paira em todos.

 

Aprendamos a lição deste dia de Páscoa: para Deus sobe-se descendo.

publicado por Theosfera às 12:04

publicado por Theosfera às 12:02

Sábado, 03 de Abril de 2010

Os tempos, com a sua proverbial eloquência, têm mostrado que a morte de Deus era um vaticínio manifestamente exagerado e totalmente deslocado.

 

Quem proclamou tal coisa não estava a ver muito bem quem era Deus nem quem era o Homem.

 

Se há duas décadas Harvey Cox falava de uma sociedade pós-cristã, hoje Jürgen Habermas não hesita em falar de um tempo pós-secularista.

 

No entanto, a passagem do êxodo de Deus para o êxito de Deus (palavras de Boaventura Sousa Santos) não se traduz num novo enchimento das Igrejas.

 

Deus parece estar em alta, as Igrejas nem tanto. Daí que André Comte-Sponville aluda a uma morte social de Deus. Ou seja, cada um faz a sua procura, enceta o seu caminho,

mas tem dificuldade em integrá-lo comunitariamente.

 

Estes são, por isso, também tempos de desafios para as Igrejas. Têm de ser mais transparentes, mais apelativas, têm de saber mais a Deus e menos a elas mesmas.

 

Em síntese, precisamos de Igrejas des-centradas de si e re-centradas em Deus. E no ser humano.

 

publicado por Theosfera às 23:59

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