O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

A cidade e a região estão tingidas de dor e ungidas de perturbação. Várias pessoas têm colocado termo à vida. Porquê?

 

Preocupamo-nos com o que vai acontecendo aos outros. E inquietamo-nos com que nos possa acontecer a nós.

 

A recorrência insistente de situações-limite, que atiram não poucos para o altar da dor e para o patíbulo do desespero, causa um caudaloso fluxo de perplexidade.

 

Porquê? É o que mais se pergunta.

 

As respostas é que teimam em não vir.

 

Não se encontram justificações. Nem se lobrigam explicações.

 

Augusto Cury costuma falar do fenómeno RAM.

 

Trata-se do Registo Automático da Memória.

 

Tudo o que acontece no exterior aloja-se no interior, inscreve-se na alma.

 

Tudo isso determina o nosso comportameto e vai configurando a nossa identidade.

 

O positivo constrói-nos. O negativo vai-nos corroendo, destruindo. Pode haver um limite.

 

Hoje em dia, todos temos a alma ferida.

 

Quando nos espantamos com determinadas situações, temos noção de que o perigo não anda longe.

 

Apesar de tudo, é possível vencer. Há uma energia que nos invade. A energia da paz, acompanhada da vitamina da esperança.

 

Deus está com todos os que a perderam: a esperança.

 

Ele ajuda-nos a reencontrá-la.

publicado por Theosfera às 11:45

A frieza entre as pessoas deixa-nos cada vez mais estarrecidos.

 

Já não somos apenas um mistério para nós. Somos também um perigo para os outros.

 

Os jornais parecem uns autênticos anais de terror.

 

Que tal pôr os olhos na natureza?

 

Sabiam que os chimpanzés não largam os filhos que morrem durante semanas?

 

O afecto está inscrito na natureza. Como é possível largá-lo com tamanha facilidade?

publicado por Theosfera às 11:30

«A liberdade é um bem tão apreciado que queremos ser donos até da alheia».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Montesquieu.

publicado por Theosfera às 11:24

Nesta semana de greves, há quem proteste: como é que o país pode estar parado?

 

Mas, nesta mesma semana de greves, não falta quem opte por pensar: porque é que tanta gente, no país, está tão descrente?

 

Esta paralisia é ainda mais preocupante.

 

Muitos estão descrentes. Até no Parlamento vai haver greve.

 

O desnorte é aflitivo. Há quem conteste as greves mesmo que já as tenha feito.

 

Precisamos de nos reencontrar como um todo.

 

É urgente que voltemos a acreditar. 

publicado por Theosfera às 11:03

Nestes tempos de vertigem mediática, em que quem não aparece é como se não existisse, faz bem evocar a concepção que Hannah Arendt tinha da filosofia: «A actividade do pensamento é não só uma actividade invisível, mas também uma actividade que não tem necessidade de aparecer ou sequer de um impulso mínimo orientado para a comunicação com os outros. A filosofia é uma ocupação solitária. Talvez Hegel tivesse razão: "A coruja só levanta voo ao anoitecer"».

 

Só que há um problema: se o pensamento foge da comunicação e a comunicação foge do pensamento, vamos comunicar o quê?

 

Não será este o drama da actual comunicação social? A comunicação do vazio, do non-sense?

 

Pensemos. E, tanto quanto possível, não deixemos de comunicar.

publicado por Theosfera às 10:55

1. O ideal do 25 de Abril é belo, é cristão. Não o deixemos amordaçar. Nem adiar.

 

 A liberdade é um tema essencialmente bíblico e marcadamente cristão. Se amputássemos da Sagrada Escritura o vocabulário relativo à liberdade ficaríamos, seguramente, com menos de metade do texto sagrado.

 

 Cristo é o paradigma da liberdade porque é o paradigma da verdade. Só na verdade há liberdade (cf. Jo 8, 32)

 

Uma vida de mentira não é uma vida livre. Pelo contrário, é uma vida oprimida e opressora.

 

Jesus pagou um alto preço por causa do Seu compromisso com a verdade. Nunca seguiu a corrente. Nunca pactuou com interesses. Era verdadeiro. Era livre.

 

 

2. Em nome de Cristo, a Igreja nunca se pode calar quando a liberdade está em risco.

 

A Igreja nunca pode estar do lado dos opressores. E o silêncio, como é óbvio, pode ser interpretado como conivência com os opressores.

 

A liberdade está ameaçada quando os direitos não são respeitados e quando as injustiças são promovidas.

 

Não havia liberdade em Portugal antes do 25 de Abril. Mas será que, hoje, há liberdade?

 

Haverá liberdade quando uma parte significativa da população é impedida de aceder ao trabalho, à saúde e à educação?

 

Haverá liberdade quando o delito de opinião dá sinais de ter regressado, quando uma pessoa é estigmatizada por assumir o que pensa e por dizer o que sente? Não será, por isso, altura de, também em Portugal, libertar a liberdade?

 

 

3. Em nome de Cristo, a Igreja não se pode limitar a dar o pão aos famintos. Tem de ser também a voz dos espezinhados, dos explorados.

 

A Igreja não pode ter medo das reacções. Só há reacção perante uma acção. Antes a crítica por causa da intervenção corajosa do que a censura por causa do silêncio cúmplice.

 

Em nome de Cristo, a Igreja não pode pairar sobre a vida. Tem de aterrar na vida. Na vida das pessoas, especialmente das pessoas pobres.

 

Na hora que passa, a Igreja tem o dever de ajudar a reconduzir a liberdade ao seu ambiente natural.

 

É preciso recolocar a liberdade na verdade, na justiça e no desenvolvimento.

 

Necessitamos de liberdade para procurarmos a verdade. E necessitamos da verdade para crescermos em liberdade. Sem liberdade não há verdade. Sem verdade não há liberdade.

 

Enquanto esta associação não estiver bem assimilada, a corrupção continuará a crescer. Por muitas leis que se façam, só quando a consciência estiver predisposta para a verdade é que a vida será lisa, limpa.

 

A justiça é, porventura, o domínio onde mais temos falhado. Falo da justiça processual e sobretudo da justiça existencial.

 

A nossa justiça é lenta, não estimula o cumprimento do dever. Pior, quase incentiva o seu incumprimento.

 

Quem tem princípios, parece não prosperar. Há que apostar na transparência de métodos e na equidade de tratamentos.

 

Hoje em dia, Portugal é um país muito injusto. As assimetrias entre o litoral e o interior são mais que muitas. O desnível entre classes é aflitivo. A disparidade de salários é chocante. Um país injusto é um país livre?

 

 

4. O desenvolvimento é visto numa perspectiva prioritariamente física, estrutural. Há, de facto, obra feita: estradas, edifícios, serviços.

 

É importante, mas não basta. É imperioso apostar nas pessoas, na sua qualificação.

 

O desenvolvimento é, sobretudo, abrir oportunidades. Que desenvolvimento há num país onde o salário médio é tão baixo, onde as listas de espera na saúde são tão extensas, onde ainda há pessoas que não sabem ler, onde o consumo de jornais e de livros é tão reduzido?

 

O 25 de Abril não está concluído. É preciso que todos peguemos nele. 

publicado por Theosfera às 10:52

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