O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

As viagens mais apelativas não são apenas aquelas que nos levam aos mais diferentes lugares. São, antes de mais, aquelas que, em cada instante, realizamos pelo tempo.

 

São estas últimas que constituem o mais belo itinerário. Por vezes, têm a feição de uma errância interminável, labiríntica.

 

No tempo, somos sempre nómadas. Nunca estacionamos. Cada momento transporta-nos para outro.

 

E acaba por ser o tempo que nos devolve ao ser e nos (re)conduz a nós.

 

Aos 84 anos, Júlio Pomar assume manter a mesma motivação para pintar. A viagem pelo tempo não o desgastou nem esgotou. Continua a persistir em ser ele mesmo.

 

Eis o princípio da reconciliação. E a vértebra da paz interior. 

publicado por Theosfera às 16:22

1. Em horas difíceis, como são as que estamos a viver, é fundamental que não desperdicemos duas atitudes fundamentais: humildade e coragem.

 

Precisamos, antes de mais, de humildade para reconhecer a debilidade da nossa natureza e a fragilidade dos nossos percursos.

 

A humildade, de resto, nada retira à grandeza. Já dizia Séneca, na antiguidade, que «um homem grande, mesmo quando cai, continua a ser grande ».

 

Mais próximo de nós, Rabindranath Tagore avisava com profunda sapiência: «Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza».

 

E  Emanuel Lévinas advertiu-nos com enorme pertinência: «Mais alta que a grandeza é a humildade».

 

2. A vida ensina-nos que nem sempre há humildade na grandeza. Mas ela mostra-nos também que há sempre grandeza na humildade.

 

É que a humildade, irmã gémea da verdade, faz-nos ver o que somos, sem artifícios nem rebuscamentos.

 

Ela é, pois, aliada da transparência. Faz parte do edifício que alicerça uma conduta pautada pela autenticidade.

 

Jesus, quando aponta para o Seu ensinamento, não esquece a humildade, fazendo-a acompanhar da mansidão. «Aprendi de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29).

 

É sabido que Nietzsche não gostou deste perfil. Achava que se tratava da base de uma moral de fracos. Optou por uma deslumbramento próximo da arrogância.

 

Mas, infelizmente, não é só Nietzsche que tem dificuldade em deixar-se acolher pelo manto da humildade. As resistências proliferam igualmente entre os discípulos do próprio Jesus.

 

3. Nos últimos dias, voltamos a ouvir de falar de ataques contra a Igreja.

 

E não há dúvida de que fortes ataques têm sido desferidos. Não, porém, a partir de fora.

 

Mesmo que haja algum ataque a partir de fora, ele não se compara à gravidade dos ataques que a Igreja tem sofrido a partir de dentro.

 

Estes é que são os ataques mais hostis, mais prejudiciais e com efeitos mais devastadores.

 

Não são as notícias sobre determinados factos que maculam a Igreja de Cristo. São os factos que estão na origem das notícias que a infectam.

 

São eles que ofuscam o brilho da luz que lhe vem de Cristo. De fora vêm as interpelações. Mas é de dentro que estão a vir os maiores obstáculos.

 

Aliás, o próprio Papa é o primeiro a reconhecer o seu pesar e a não ocultar sequer a sua vergonha por aquilo que se tem passado.

 

Nunca é demais recordar, por outro lado, que, pouco tempo antes de ser eleito, Bento XVI denunciou com inusitado vigor: «Quanta porcaria existe na Igreja! A Igreja parece uma barca que mete água por todos os lados. As vestes e os rostos da Igreja estão sujos. E somos nós mesmos a sujá-los».

 

Não são os outros.

 

4. É claro que, como já Henri de Lubac notava, «a Igreja não é uma academia de sábios, nem um cenáculo de intelectuais sublimes, nem uma assembleia de super-homens».

 

Por isso mesmo, ela tem de ser humilde, de aceitar os seus erros e, sobretudo, de não pactuar com a desumanidade.

 

Ninguém é forte por negar a fraqueza. Como escreve Tommy Hellsten, «a humildade é a força que não nega a fraqueza».

 

Mais. Se pensarmos bem, «a verdadeira força nasce da fraqueza, pois exige uma confissão de fraqueza».

 

Daí que «a verdadeira força seja a humildade, que consiste em enfrentar a nossa fraqueza». Por aqui se vê como a humildade mora tão perto da coragem.

 

Há muitas lições que o fracasso encerra. A primeira é, sem dúvida, não encobrir a realidade por muito dolorosa que seja.

 

A segunda é ter mais cuidado no carácter, na rectidão. É certo que a vida nem sempre se apresenta em linha recta. Mas será que ela tem de ter tantas curvas?

 

Como é possível pregar uma coisa aos outros e passar o tempo a negá-la com tamanha descontracção?

 

A comunicação social exagera nas informações? Talvez.

 

Mas o pior mal não está no que aparece escrito. O pior mal está no que acontece.

 

É a realidade (e não a sua notícia) que dói…

publicado por Theosfera às 11:54

Em qualquer actividade, é fundamental estabelecer prioridades.

 

Poderemos fazer muitas coisas, mas se deixarmos de lado aquilo que é prioritário, o êxito ficará comprometido e a coerência estará ameaçada.

 

No discernimento acerca do valor de qualquer instituição, tem de entrar, pois, esta pergunta: será que estamos a fazer o que é mais importante?

 

É que, hoje em dia, há uma tendência cada vez maior para essencializar o que é relativo e para relativizar o que é essencial. Nem a própria Igreja escapa a esta propensão.

 

Jesus, o Fundador e o perene Fundamento da Igreja, estabeleceu o Reino de Deus e a Justiça como absolutamente prioritários.

 

Assim O ouvimos no discurso inaugural do Seu ministério: «Procurai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o resto vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 33).

 

Sendo a Igreja, como avisa S. Paulo, a nova corporeidade de Cristo, é de esperar que a prioridade de Cristo seja a prioridade da Igreja.

 

Isto significa que o que está em primeiro lugar para Cristo tem de estar em primeiro lugar para a Igreja.

 

Não raramente, salta à vista a impressão de que chegamos ao ponto de inverter a prioridade preceituada por Jesus.

 

Glosando o supracitado princípio, parece que procuramos tudo o resto em primeiro lugar e, só depois e se sobrar tempo e disposição, é que dedicamos algum tempo ao Reino de Deus e à sua Justiça.

publicado por Theosfera às 10:39

Hoje, faz cinco anos que o Espírito Santo escolheu D. Joseph Ratzinger para sucessor de Pedro.

 

Neste dia, a nossa oração, o nosso tributo, a nossa fidelidade.

 

Bento XVI está a dar um extraordinário testemunho de dedicação à Igreja e à Humanidade.

 

Ele é o timoneiro visível de uma barca que, como diziam os antigos, vacila mas não cai.

 

Porquê? Porque, repetiam os mesmos escritores de antanho, o seu piloto é Cristo e o seu mastro é a Cruz.

 

Como escreveu Peter Seewald, Sua Santidade «está a arranjar um novo som como Papa. Trabalha numa melodia para o novo século. O novo tom que ele encontrou lembra, apesar do carácter decidido da sua doutrina na Fé, a mansidão do Evangelho. Não quer o pormenor, quer o todo».

publicado por Theosfera às 10:32

Nem todo aquele que é grande sabe ser humilde. Mas o humilde consegue sempre ser grande.

 

Nem sempre há humildade na grandeza. Mas há sempre grandeza na humildade.

publicado por Theosfera às 10:29

Confesso que não sou grande apreciador da obra de Pedro Abrunhosa.

Mas esta sua composição é muito mais que uma música.

É uma verdadeira chamada de atenção. É um apelo. Um alerta. Um despertador.

publicado por Theosfera às 10:26

«Imita o sábio que, mesmo na opulência, permanece modesto».
Assim escreveu (atenta e magnificamente) Muslah-Al-Din Saadi.

publicado por Theosfera às 10:16

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