O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 10 de Abril de 2010

Na música, não há lugar apenas para o sentimentalismo. Há lugar também (e bastante) para a ideia, para o ideal, para a intervenção.

 

Sérgio Godinho é alguém que consegue, como poucos, colocar ideias fortes em tons musicais que se pautam por uma envolvente suavidade.

 

É interventivo sem ser agressivo.

 

Não infantiliza o público com lugares comuns.

 

E é um resistente na coerência que não vacila.

 

Mais de 30 anos após Abril, é saudável (e provoca saudades) voltar a ouvir o desfile das grandes aspirações: a paz, o pão, a habitação, a saúde. E que só haverá liberdade a sério quando o povo receber o que o povo produz.

 

Os anos que se seguiram repuseram o pragmatismo dos interesses imediatos.

 

Daí que seja reconfortante para o espírito recuar até àquelas manhãs que despontaram há décadas e que expendiam sementes de esperança.

 

Admiro Sérgio Godinho pela forma como consegue musicar expressões, à partida, pouco propensas à musicalidade.

 

Nem a célebre expressão de Churchill escapou: «A democracia é o pior regime à excepção de todos os outros».

 

O Teatro Ribeiro Conceição encheu esta noite e sentia-se um ambiente de fraternidade feliz. Que ela não se apague.

 

Foi um concerto memorável.

publicado por Theosfera às 23:49

E, de repente, os meus olhos tropeçaram no título. Uma palavra apenas: deslaçamento.

 

E, por instantes, fiquei a pensar.

 

A crónica de José Pacheco Pereira até era interessante, mas, hoje, bastou-me o título.

 

O deslaçamento é, sem dúvida, o grande mal dos tempos que correm.

 

Sto. Hilário dizia que o Espírito Santo é o laço que une o Pai e o Filho.

 

Faltam laços hoje. Andamos todos deslaçados.

 

Este é o problema estrutural da humanidade e das instituições.

 

Pior que o relativismo é a debilidade da relação. Tudo estriba na falta de laços.

 

Invocamos, por vezes, os laços entre os membros de um grupo e esquecemos os laços que nos vinculam à enorme família humana.

 

A Igreja tem, neste capítulo, responsabilidades acrescidas.

 

É preciso restaurar os laços. É urgente acolher os clamores.

 

É decisivo descer as escadas e andar pelas ruas.

 

Há tantos laços à nossa espera.

publicado por Theosfera às 12:01

Se os apóstolos tivessem obedecido ao tribunal (e desobedecer a um tribunal é complicado), seríamos cristãos hoje?

 

Aplicando a história contrafactual, não é muito difícil lobrigar uma resposta.

 

Ainda bem que Pedro e João optaram pelos ditames da sua consciência: «Não podemos calar o que vimos e ouvimos» (Act 4, 20).

 

Sophia alinhava pelo mesmo princípio: «Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar».

 

Benditas excepções, que nos alertam para as fendas de regras (por vezes) tão vetustas e desajustadas!

publicado por Theosfera às 11:57

Dizem que é o meio mais seguro. Mas quando há alguma falha, o desastre tem sempre estrondo e muitas vítimas.

 

Mais um avião acaba de cair. Mais de 130 mortos. Entre eles, o presidente da Polónia.

 

Paz às suas almas.

publicado por Theosfera às 11:56

Mais um congresso do PSD. Há menos de um mês tinha havido um. E não falta quem fale de um outro antes do final do ano.

 

É a estreia de um novo líder. Nestas alturas, fala-se muito dos líderes anteriores.

 

Para um partido que, durante uma década, teve um único presidente, é espantoso que, na década e meia seguinte, já contabilize sete líderes.

 

A opinião de todos é evocada e a presença de cada um costuma ser assinalada.

 

Há uma excepção, porém. Trata-se do Dr. Fernando Nogueira.

 

Todos recordam a forma abnegada como secundou o Prof. Cavaco Silva.

 

Depreendia-se um grande despojamento e uma enorme discrição. Dir-se-ia que era o perfeito número dois: apagava-se para que o líder brilhasse.

 

Quando Cavaco se retirou, deixando o partido e o país supensos num longo tabu, foi com a maior naturalidade que Fernando Nogueira ascendeu à liderança.

 

Adivinha-se, contudo, que prevalecia mais o sacrifício do que a ambição. E, aqui e ali, pairou mesmo no ar um certo sabor a injustiça.

 

A lealdade de Nogueira para com Cavaco não terá sido plenamente correspondida. Quando Nogueira anuncia ter a certeza de qual seria o candidato presidencial, Cavaco Silva quase o desmente.

 

É claro que acabou por ser candidato. O que prevaleceu foi uma espécie de tirar o tapete a quem tinha sempre primado por uma enorme lealdade.

 

Há quem diga que as relações entre eles nunca mais foram as mesmas. Apesar de não ter ripostado, Nogueira terá ficado ferido.

 

Mas, cortês como sempre foi, optou por desaparecer da vida pública. Nunca mais foi visto. Remeteu-se a uma actividade privada e alojou-se num prolongado silêncio.

 

Rapidamente entrou na penumbra do olvido. Os jornais pouco falam dele. Será por respeito.

 

Não sei porquê, mas é com pena que se vê o retiro das pessoas mais decentes.

 

Compreende-se. Não é fácil a alguém com princípios disputar o jogo mediático, com todas as implicações que hoje tem.

 

Admiro a coragem de pessoas como Fernando Nogueira para fugir dos holofotes.

 

São, hoje por hoje, as pessoas que admiro mais.

publicado por Theosfera às 11:43

Em tempo de amolecimento do pensamento e de obscurecimento das ideologias, o espectro político-partidário do país poderia ser definido do seguinte modo: o PSD representa a esquerda da direita, o PS representa a direita da esquerda.

 

Este encontro não resulta tanto de uma convergência, decorrendo acima de tudo de uma ambição: a de disputar os votos daqueles que tanto votam num como noutro partido. Daí que estejamos não apenas diante de uma questão política, mas também perante um problema cívico? Em que acreditam os cidadãos. Qual a duração de uma convicção, afinal?

publicado por Theosfera às 11:42

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