O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Era uma senhora de idade que tinha muita dificuldade em ver.

 

Precisava de aplicar umas gotas nos olhos. Mas precisava, ainda mais, de afecto, de carinho, de atenção.

 

Quando ia comungar na Missa, perguntava sempre pelo nome do padre: «É o padre N.?»

 

Ao ouvir a resposta, tomava a direcção da sacristia para que, no final da Santa Missa, o sacerdote lhe colocasse as gotas nos olhos.

 

Não seria aquele o mais belo sermão?

publicado por Theosfera às 22:41

O problema maior, hoje, é a desvalorização do outro.

«Na nossa sociedade, há muitas pessoas que são oprimidas e humilhadas em dois contextos importantes: no trabalho e na escola».

Esta é uma das ideias acutilantes da entrevista de fundo que o Prof. António Coimbra de Matos concede à Tabu.

O que mais lhe custa «é a violência contra quem tem menos força».

Refira-se que, apesar dos seus 80 anos, continua a trabalhar cerca de dez horas por dia.

Este psiquiatra é oriundo de Galafura, embora tendo nascido na Lixa, e tem uma obra extensa.

Devo dizer que tudo o que tem que ver com a Psicologia e Psiquiatria sempre me interessou. O perscrutamento da alma humana é sempre importante e traz sempre novidades.

Coimbra de Matos tem um pensamento original, às vezes provocador. Assume que aprendeu mais com os seus pacientes do que com os seus mestres.

Denuncia o anonimato da sociedade contemporânea. «Sou do tempo em que, se encontrávamos um indivíduo caído na estrada, parávamos o automovel e íamos ajudar». Actualmente, faz-se vista grossa. Ninguém está para se incomodar.

 

Considera que o nível dos alunos é melhor nos tempos que correm: «mais cultos, mais abertos, mais capazes de se interrogar. O grave é a ratio professores/alunos. No ISPA dei aulas para 200 alunos. Isto é um disparate».

 

Freud não lhe desperta interesse. «Na ciência, o que tem interesse é aquilo que se observa com os pacientes».

 

Assume que «a ciência não é um credo, é uma investigação; portanto, o conhecimento é sempre provisório e incerto».

 

Um alerta final: «a sociedade contemporânea está a deprimir as pessoas».

 

Enfim, matéria vasta para reflectir. E, se possível, inflectir.

publicado por Theosfera às 22:37

 

1. É com o coração despedaçado que, como toda a gente, olho para a tragédia da pedofilia na Igreja.
 
Como padre, tenho de perceber que o compromisso com a Verdade há-de estar antes de mais e acima de tudo.
 
Não foi Jesus, o fundador da Igreja e o perene fundamento do sacerdócio, que Se apresentou como sendo a Verdade (cf. Jo 14, 6)?
 
Não foi pela Verdade que Ele foi condenado? Não foi pela Verdade que Ele derramou o sangue e deu a vida? Será, então, lícito esconder a Verdade?
 
Será que já demos conta de que esconder não ajuda a regenerar o agressor e, pior, contribui para prolongar o sofrimento da vítima?
 
Admitamos não ser fácil lidar com situações de sumo embaraço e tumultuosa delicadeza.
 
As palavras não resolverão tudo, mas o silêncio curará alguma coisa?
 
Certos silêncios atiram-nos para o lado dos agressores e afastam-nos das suas vítimas. Ou seja, além da verdade, ferimos a justiça. Haverá algo mais contrário a Cristo?
 
2. E, no entanto, é mais frequente incomodarmo-nos com quem chama a atenção para um problema do que com quem provoca esse mesmo problema.
  
Já o Antigo Testamento reporta casos em que os que avisam (os profetas, por exemplo) são censurados, perseguidos ou, então, ignorados.
 
 René Laurentin, num livro muito inquietante saído já nos anos 80 do século passado, advertia para o drama da pedofilia.
 
Conta que, por duas vezes, informou um determinado bispo. A resposta que recebeu terá sido a mesma: «Ignoramos»!
 
Como acontece a tantos outros, também ele teve razão antes do tempo e reconhecimento (só) depois do tempo.
 
É preciso dizer que a Igreja sempre lamentou estas tragédias. Mas a tendência era para encobrir.
 
Fazia-o certamente com o melhor propósito, mas o tempo provou que os resultados não foram satisfatórios.
 
Os autores das agressões mudavam de local. Só que a transferência das pessoas acarretava a transferência do problema que transportavam.
 
 Hoje, temos presente que a tragédia não se resume aos actos. Ela envolve também o encobrimento dos mesmos.
 
 
3. Um problema assumido nem sempre é um problema solucionado. Mas um problema abafado é que nunca será um problema resolvido.
 
É certo que este não é um exclusivo da Igreja Católica. Esta até será a instituição que mais está a fazer no sentido de não branquear os actos e de assumir as suas responsabilidades.
 
Só que as responsabilidades da Igreja são maiores. As pessoas tendem (tendiam?) a confiar muito mais num padre do que noutra pessoa ou instituição.
 
Como reagir à quebra da confiança, o vínculo mais nobre  que perfuma a convivência humana?
 
 A Igreja tem feito uma revisão muito séria de factos do passado. Tem pedido perdão por aquilo que, ao longo dos tempos, não correu bem.
 
 Mas é bom que a autocrítica não se circunscreva ao passado. O encontro com a Verdade (sobretudo com a verdade que dói e incomoda) não pode demorar tanto tempo.
 
Há quem morra sem uma palavra de conforto, sem um gesto de alento, sem um vislumbre de esperança.
 
 
4. É claro que todos temos soluções depois de os problemas acontecerem. Nem sempre na madrugada se sabe o que vai acontecer pela tarde.
 
 É impossível detectar a personalidade de uma pessoa, em toda a sua extensão, no seu período de formação.
 
 Mas há valores que despontam cedo e debilidades que emergem depressa. Penso, particularmente, no carácter ou na falta dele, na autenticidade ou na duplicidade.
 
Toda a construção depende, em muito, dos seus alicerces. Sem uma forte espiritualidade é muito difícil resistir, é muito fácil claudicar.
 
Todos temos, por isso, muito a aprender em matéria de verdade e de justiça. É fundamental não chegar tarde aos acontecimentos.
 
A gravidade de um acto não está em que ele seja conhecido. Está em que ele seja cometido.
 
É imperioso escutar quem nos adverte na altura própria. Mesmo que se torne (insuportavelmente) incómodo.
 
Mas não é esse o destino dos profetas?
 
publicado por Theosfera às 11:41

Cada vez estou mais convencido de que, na vida, é com calma, serenidade e muita paz que se atingem os objectivos.

 

Por isso, não te irrites, Irmão.

 

«Devagar que tenho pressa» é o melhor que te posso dizer, usando sábias palavras do povo.

 

Há nuvens por debaixo do sol?

 

 Mas olha que há sol por cima das nuvens!

 

publicado por Theosfera às 09:39

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