O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 14 de Março de 2010

Neste dia em que o senhor Primeiro-Ministro visitou a Mesquita de Lisboa e numa altura em que tanto se fala do fundamentalismo islâmico, será oportuno notar que a maioria dos nossos irmãos muçulmanos são pacíficos.

 

Gostaria de destacar uma figura contemporânea de S. Francisco de Assis e que com ele tem muitos traços comuns.

 

Considerado o maior poeta de língua persa, Maulana Djalal ad-Din Rumi nasceu onde hoje é o Afeganistão em 1207 e morreu, na Turquia, a 17 de Dezembro de 1273.

 

É considerado o criador do Sufismo, a vertente mais mística do islamismo.

Acreditava que o exercício do amor era essencial para o amadurecimento e aperfeiçoamento dos seres humanos.

 

Pregava a tolerância, a bondade, a paciência, a calma e a compaixão incondicionais.

 

Um dos seus poemas mais arrebatadores chama-se Eu sou Tu e diz: «Tu, que conheces Rumi, Tu, o Um em tudo, diz-me quem sou. Diz-me: eu sou Tu».

 

 

Dirigindo-se a Deus, afirma noutro dos seus textos: «De mim não resta nada senão um nome; tudo o resto é Ele».

 

 

Famosa é igualmente a sua afirmação: «Quem ama a Deus não tem nenhuma religião a não ser o próprio Deus».

 

Deus é o grande ponto de encontro entre todos os homens, inclusive entre os que dizem não acreditar n'Ele.

 

É que, como escreveu há vinte anos Miguel Esteves Cardoso, são os que não acreditam os que mais precisam d'Ele.

publicado por Theosfera às 23:06

O Profeta Gentileza ou José Agradecido foi figura marcante no Rio de Janeiro e em algumas cidades do Brasil por onde passou.

O nome Profeta Gentileza foi ganho porque vivia a pregar o amor, a paz e jamais dizia a palavra obrigado, pois obrigado vinha de obrigação e preferia dizer agradecido. Do mesmo modo, gostava de dizer por gentileza em vez de por favor.

José da Trino (nome de origem) era um empresário de transportes quando, no início da década de 60, um circo se incendiou em Niterói vitimando 400 pessoas dois dias antes do Natal.

 

Gentileza, naquele dia, disse ter ouvido uma voz interior que o mandava largar o capitalismo e todo o apego ao material.

 

O futuro profeta entra num dos seus camiões e parte para Niterói. Durante anos, fez das cinzas e das marcas do incêndio no chão uma plantação de flores.

 

Às pessoas levava mantimentos para distribuir, dizendo: «Quem quiser não precisa de pagar nada; é só pedir por gentileza, é só dizer agradecido».

Durante anos, Gentileza passa a pregar nas embarcações entre Rio de Janeiro e Niterói e deixa uma marca para sempre na cidade.

 

Gentileza pinta mensagens de paz, amor e gentileza nas pilastras do Viaduto do Caju, o lugar mais cinzento da cidade.

 

A avenida do cemitério até à Rodoviária fica com os seus dizeres marcantes pintados de preto, verde, amarelo num fundo branco.

 

As mensagens são pintadas no alto para serem lidas pelas pessoas mais humildes que passam.

 

Muitos estranham a forma singular da sua escrita e não a entendem até hoje, mas ele escrevia muitas palavras de forma diferente.

 

Exemplo: amor com apenas um R era amor material. Já Amorrr, com três R's, era um R do Pai, um R do Filho e um R do Espírito Santo.

 

Dizia: «Deus Pai é Gentileza que gera o Filho por Gentileza. Gentileza gera gentileza».

 

Por isso, um dos seus lemas rezava assim: «Gentileza é o remédio de todos os males, amor e liberdade».

 

Gentileza pintou as dezenas de pilastras da avenida e acabou por promover uma das maiores intervenções urbanas de arte na cidade do Rio de Janeiro.

Um certo dia, as autoridades mandaram cobrir tudo com tinta cinzenta.

 

Só aí então as pessoas ficaram surpreendidas com a reacção da sociedade, pois cada um pensava que só ele gostava de ler as mensagens de Gentileza.

 

Gentileza morreu em 1996 e o seu testemunho de bondade e mansidão nos mais pequenos gestos continua a perdurar na memória colectiva.

 

Marisa Monte dedicou-lhe uma composição.

publicado por Theosfera às 22:26

«A História ensina-nos a não desesperar».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Dimitrios Pandermalis.

publicado por Theosfera às 21:52

Obedecer é sempre aconselhável. Mas, em certos momentos, desobedecer pode ser inevitável.

 

Confesso que até a mim me arrepia a soberana liberdade de Jesus. E assumo que tenho muita dificuldade em imitá-Lo. As convenções são muito fortes. E as pressões acabam por se fazer sentir.

 

O Evangelho do próximo Domingo (o quinto da Quaresma) descreve-nos uma situação em que Jesus Se demarca nitidamente da Lei.

 

Prescrevia esta que toda a mulher apanhada em adultério fosse apedrejada. Era a Lei e ponto final.

 

Como bom judeu, era de esperar que Jesus sufragasse a Lei, embora os Seus coetâneos já palpitassem que a Sua conduta era pautada por outro tipo de referências. Ele não veio para revogar o antigo, mas também nunca Se eximiu a introduzir o novo.

 

E, uma vez mais, Jesus desconcertou. Não disse que a mulher procedeu bem. Mas não apoiou a condenação.

 

Era tão fácil dizer: «Cumpra-se a Lei».

 

Em momentos de crise, desobedecer pode ser uma necessidade, um imperativo. No fundo, obedece-se a uma lei maior: a lei do amor, a única lei.

 

Daí que o profeta Isaías, que também ouviremos no próximo Domingo, se faça eco da palavra de Deus: «Vou fazer convosco algo de novo».

 

A novidade de Jesus ainda não está superada. Nem devidamente acolhida.

 

Urge saber discernir. Se os nossos capitães fossem formalmente obedientes, ainda não estávamos em democracia.

 

Se Lech Walesa fosse formalmente obediente, a Polónia e o leste europeu ainda estariam sob uma ditadura.

 

A obediência é, em si mesma, um bem. Mas, em certas alturas, pode haver um bem maior que requeira a desobediência.

 

Esta liberdade de discernir segundo os ditames da consciência ( o santuário secreto de que fala o Vaticano II) é um dom de Deus. É um sinal de fidelidade ao espírito do tempo e ao tempo do Espírito.

publicado por Theosfera às 19:01

Se, como afirmou Fernando Pessoa, «morrer é não ser visto», temos de aceitar a necessidade que as pessoas têm de ver o testemunho.

 

Não basta dizer que somos cristãos. É fundamental que as pessoas o vejam.

 

Nunca é demais recordar que a fé cristã está alavancada no ver: no ver o Ressuscitado, no ver as testemunhas do Ressuscitado, no ver o amor entre os seguidores do Ressuscitado.

 

A sociedade não está descristianizada. Ela está, sim, sedenta de Cristo. Ela almeja ver Cristo. Seremos nós capazes de O mostrar?

 

Tem a palavra a nossa vida.

publicado por Theosfera às 16:04

O meu sobrinho João (que tem oito anos) acaba de criar um blog: aqui.

 

O meu sobrinho e afilhado Pedro (que conta 16) continua com este: aqui.

publicado por Theosfera às 14:05

Quem não se recorda da formidável História de Cristo de Giovanni Papini? Gosto, de vez em quando, de a revisitar.

 

Hoje, encontro esta afirmação: «O Sermão da Montanha é o maior título dos homens à existência, à sua presença no Universo. É a nossa justificação suficiente à patente da nossa dignidade de seres providos de almas; a garantia de que podemos erguer-nos acima de nós mesmos e sermos mais do que homens; a promessa desta suprema possibilidade, desta esperança; a nossa elevação acima da matéria».

 

publicado por Theosfera às 13:43

O Evangelho é um permanente manancial de ensinamentos intemporais. Prestemos atenção ao texto deste Domingo.

 

Quem procura Jesus? Os publicanos e os pecadores. Ou seja, as pessoas menos conceituadas, os descamisados.

 

Quem increpa Jesus? Os fariseus e os escribas. Isto é, os que se julgam superiores, os arrogantes, os que afastam os outros, os que excluem.

 

O sinal de Deus é a misericórdia, a compaixão, o amor. Deus é o Pai que faz festa quando vem o filho que se perdera.

 

Será que já aprendemos?

 

Não será que quem está mais perto é quem, humildemente, se confessa longe e que quem está mais longe é quem, arrogantemente, se considera perto?

 

Afinal, Jesus não aprovou o comportamento do filho mais velho, que se julgava impecável e que não queria que o Pai acolhesse o filho mais novo.

 

Mas, apesar das pressões, o Pai mantém-Se igual a Si mesmo: misericordioso, compassivo.

 

Isto não é mesmo como nós pensamos.

 

Deixemos que Deus seja Deus!

publicado por Theosfera às 13:36

Nem sempre encontraremos as palavras certas para descrever a realidade. O pior é quando recorremos às palavras mais desajustadas da mesma realidade.

 

Uma vez mais, ouvi falar de descristianização da sociedade.

 

Será mesmo?

 

As pessoas poderão ir menos às igrejas, mas também, já agora, conviria perguntar pelas razões.

 

É claro que, independentemente dos motivos, devia prevalecer o essencial: o encontro com Deus.

 

Só que este afastamento devia responsabilizar-nos também a nós. Aliás, a pergunta inicial deveria ser: são as pessoas que se afastam da Igreja ou não será a Igreja que se afasta das pessoas?

 

Sabemos que Cristo está na Sua Igreja. A Igreja é Cristo no Seu corpo. Mas, hoje em dia, não basta saber. É preciso ver.

 

O que se nota é que as pessoas continuam a amar Cristo, a procurar Cristo, a querer Cristo.

 

Sinceramente, não noto que haja uma descristianização na sociedade. O que se nota é um desencanto em relação a quem fala em nome de Cristo.

 

Antes de avançarmos as soluções, procuremos escutar as interpelações.

publicado por Theosfera às 13:29

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