O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

As imagens que nos chegam da Madeira deixam-nos completamente descompensados, sem palavras.

 

Mais de 30 mortos, dezenas de feridos, muitos desalojados e, porventura, desaparecidos.

 

Em tão pouco tempo, a natureza revestiu-se de um vigor impante e desatou a levar tudo na frente.

 

Como nos sentimos tão pequenos diante de um cenário tão dantesco. A esta hora, nenhuma palavra servirá de conforto.

 

Que Deus receba os que morreram e que ofereça ânimo a quem sobrevive em condições tão adversas.

publicado por Theosfera às 22:58

Foi Teilhard de Chardin um dos espíritos mais brilhantes que a última centúria conheceu.

 

Embora não se possa concordar com tudo (mas também nada nos une tanto como as nossas discordâncias, como asseverava Unamuno), tudo em Teilhard merece atenção. Era um homem sério, inteligente, transparente.

 

Se perguntarmos a Teilhard, o que é preciso para ser feliz, ouviremos: «Para ser feliz, é preciso reagir contra a tendência para o menor esforço, que nos leva a ficar quietos ou, então, a procurar na agitação exterior a renovação das nossas vidas. É no trabalho pela nossa perfeição interior que a felicidade nos espera».

publicado por Theosfera às 12:03

Senhor,

 

dou-Te o meu silêncio.

 

Dá-me a Tua Palavra.

publicado por Theosfera às 11:58

«Nas dificuldades, Deus dá-nos sempre algum sinal».

Assim escreveu (crente e magnificamente) António Jesus Cunha.

publicado por Theosfera às 11:56

Eis-nos que continuamos a debater, em Igreja, o problema da comunicação.

 

Nada de traumático, diga-se. A problematicidade é conatural à condição humana. Ela está ínsita na viatoriedade própria da trajectória no tempo.

 

Mas há qualquer coisa de paradoxal. Não há, seguramente, outra instituição que tenha tanta gente a lidar com a comunicação.

 

São centenas os jornais que possuímos, as rádios que temos, as homilias que fazemos. É bom não esquecer que, todos os domingos, são cerca de dois milhões de pessoas que nos ouvem em todo o país. 

 

E, no entanto, a mensagem parece que não chega, parece que não passa. Aura Miguel pôs, recentemente, o dedo na ferida: «Falta uma certa agilidade na forma de a Igreja comunicar».

 

Julgo que o punctum saliens não está na habilidade de manobrar as palavras ou numa qualquer arte retórica, cénica ou representativa.

 

Isto terá o seu lugar, mas tudo se decide a montante: na autenticidade, na convicção.

 

É preciso não ter medo de assumir o que transportamos, o que acreditamos. É preciso dizer, sem vaidade e sem vergonha, o que nos move. E é fundamental fazê-lo de forma estruturada, directa, consistente. Sem grandes adornos. Urge mais coração, mais vibração, mais pathos.

publicado por Theosfera às 11:54

«Se fores teólogo,  rezarás verdadeiramente; se rezares verdadeiramente, serás teólogo».

Assim escreveu (orante e magnificamente) Evágrio de Ponto.

publicado por Theosfera às 11:52

Sempre apreciei Pedro Barroso. Sempre achei que era um cantor (ou um cantautor) injustamente inapreciado.

 

Daí a atenção que dou ao seu diagnóstico: «Vivemos dias cinzentos. Dá vontade de voltar, outra vez, à canção de intervenção».

 

Ontem já era tarde. Ouçamos, de novo, Vergílio Ferreira: «Quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte».

publicado por Theosfera às 11:47

1. Uma coisa (muito saudável) é a separação entre a Igreja e o Estado. Outra coisa (bastante prejudicial) é o afastamento entre a fé e a vida. Perceber aquela fronteira e aceitar esta implicação é o segredo da missão e a chave da convivência.
 
A separação entre a Igreja e o Estado não alicerça um qualquer afastamento entre a fé e a vida. É bom que haja aquela separação. É fundamental que não se verifique este afastamento.
 
Não há, aqui, contradição. A Igreja tem uma estrutura diferente do Estado e o Estado tem uma estrutura diferente da Igreja.
 
Entender esta diferença é essencial para promover a relação e até para fecundar a colaboração. Na sua diferença estrutural, a Igreja e o Estado encontram-se no serviço à mesma humanidade. O Homem, com efeito, é o fim do Estado e o caminho da Igreja.
 
A Igreja e o Estado só ganham em manter um clima de mútua independência e estreita cooperação. A ambiguidade é negativa e a subserviência é sempre perturbadora.
 
O lugar privilegiado de presença da Igreja é a sociedade, junto das pessoas, especialmente junto dos pobres.
 
 
2. Concretizando os princípios, um cidadão que seja crente sabe que não pode favorecer (ou prejudicar) qualquer credo no âmbito das suas funções na vida pública ou política. Mas isso não o impede de testemunhar em toda a parte (e, portanto, também na sua intervenção cívica e política) a fé que professa.
 
Nenhum âmbito da existência está vedado ao Evangelho. Será aceitável que se viva a fé em toda a parte excepto na política? Essencial é que haja transparência.
 
Um cristão não deixa de ser cidadão pelo que a sua cidadania está marcada pela fé. O seu testemunho não consiste em almejar privilégios para a instituição Igreja, mas em promover os valores do Evangelho.
 
Neste sentido, levar a fé à vida política é não apenas um direito, mas sobretudo um dever, um imperativo.
 
 
3. Foi há não muito tempo que o Papa Bento XVI defendeu que a fé não deve afastar os cristãos dos seus compromissos de cidadania. É que, alertou, «viver a vida cristã significa também assumir os compromissos civis».
 
A verdade é ubíqua e o Evangelho é englobante. Não pode, por isso, ficar circunscrito à intimidade ou limitado à vida privada de cada um.
 
De facto, «um dos mais importantes aspectos da unidade da vida do cristão» é a coerência entre «fé e vida, Evangelho e cultura».
 
Numa catequese dedicada a São Máximo, Bispo de Turim do século IV, o Sucessor de Pedro referiu-se à «profunda relação entre os deveres do cristão e os do cidadão».
 
É bom, por conseguinte, «que os cristãos tomem consciência de que têm algo a dar ao mundo de hoje». E o Santo Padre dá um exemplo: «A política guiada pela ideia da compaixão é diferente da dirigida pela economia e pela técnica».
 
Trata-se, no fundo, daquilo a que o teólogo Johannes Baptist Metz chamou de «misticismo de olhos abertos», que é «uma característica do misticismo bíblico». Desde logo, porque «todos temos responsabilidade por outros sofrerem».
 
A espiritualidade não pode ser vista de uma forma ensimesmada, desligada do mundo, vista como uma espécie de refrigério. Metz alerta que «Deus não é só uma terapia, é igualmente um Deus provocador», que nos provoca, que nos impele.
 
 
4. Apesar de a crítica constituir um serviço, admitamos que é muito fácil criticar quem está na política. Mais difícil (e também muito mais necessário) é oferecer estímulos para estar na política de um modo diferente, de uma forma consistente, de uma maneira testemunhal.
 
Esquecemo-nos, muitas vezes, de que, com todas as suas fragilidades, são os políticos que traçam as linhas de actuação por que se rege um povo. São eles, ao nível sobretudo das autarquias, que nos ajudam na resolução dos nossos problemas. E nós, crentes, que contributos lhes fazemos chegar?
 
Quando se fala de política, imediatamente se pensa nos partidos. E é claro que os partidos são essenciais na vida política. Mas esta não se esgota nos partidos nem no poder que eles visam exercer.
 
A presença dos cristãos na política há-de ocorrer, acima de tudo, na promoção da justiça.
 
A Igreja é independente em relação aos partidos. Mas não pode ser neutral em relação à justiça. Ela não toma partido por partidos. Mas tem de tomar partido por causas, por pessoas, por ideais.
 
Quando a justiça está em causa, calar é um pecado. E se há medo de que a palavra possa ser conotada politicamente, é preciso ter presente que o silêncio não o é menos. Antes, pois, ser conotado com as vítimas da injustiça do que com os causadores da injustiça.
 
A política não se esgota nos partidos. Tudo é política. Tudo é relevante para a vida da polis, da comunidade. Assumamos a nossa presença. Não tenhamos medo das implicações do nosso testemunho.
publicado por Theosfera às 11:45

Tudo por Ti, Senhor.

 

Nada para mim, meu Deus.

 

Adoro-Te.

 

A alegria és Tu.

 

Fora de Ti é o tédio.

 

Longe de Ti é o vazio, o nada.

publicado por Theosfera às 11:37

Neste dia de recolhimento orante, não esqueci tantos que me têm ungido com o precioso dom da amizade.

 

Como esquecer quem nunca esquece?

 

É o mínimo pelo máximo.

 

O mínimo que posso fazer é a oferta da minha pobre oração pelo máximo que, para mim, é a vossa devotada estima

publicado por Theosfera às 11:33

«A amizade é algo grande, mas começa com coisas pequenas».

Assim escreveu (oportuna e magnificamente) Carlo Maria Martini.

publicado por Theosfera às 11:31

«Imaginai o mundo como uma circunferência em cujo centro está Deus, e cujos raios são as diferentes experiências de vida dos homens. Se todos aqueles que se querem aproximar de Deus se dirigirem para o centro, ao mesmo tempo que se estão a aproximar de Deus estão a aproximar-se dos outros. Quanto mais se aproximarem de Deus, mais se aproximam dos outros. E quanto mais se aproximarem dos outros, mais se aproximam de Deus».

Assim escreveu (tocante e magnificamente) Doroteu de Gaza

publicado por Theosfera às 11:30

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