O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 07 de Fevereiro de 2010

Ao entrar, hoje, no cemitério da minha terra natal, não vi o sol. Fazia vento e chovia. Chovia pranto.

 

Qualquer coisa tumultuava cá dentro. Estava frio, um frio entremeado pelo calor arfante da saudade.

 

Só o cinzento do exterior amenizava o breu que se alojava no interior: o breu da dor.

 

Nada disto se explica, tudo isto se sente.

 

Sei que meu querido Pai, falecido há treze anos, mora em Deus. Não era preciso, por isso, passar pelo cemitério. Mas a vida é feita de sinais. E o túmulo é mais um sinal de uma presença que não se apaga, de um amor que não se extingue.

 

Ali deixei um ramo de flores. Ali depositei uma prece. Meu Pai está sempre comigo. Eu estou sempre com meu Pai.

 

Ir a um cemitério não é uma experiência fácil, mas é uma experiência necessária, purificadora.

 

Certifica-nos de como tudo é perecível, de como tudo acaba num ápice. Só o bem perdura. Só Deus permanece. Vale a pena fazer do tempo uma construção de eternidade para que a eternidade possa ser um feliz corolário do tempo.

 

Meu querido Pai costumava dizer, nos últimos tempos, que faltava pouco para ir para a Senhora da Guia. O cemitério fica mesmo ao lado da capela.

 

Há uma atmosfera de dor naquele lugar. De uma dor, porém, ungida pela fé e ornada pela esperança.

 

Não havia muita gente lá neste dia. Mas ainda deu para rever a Cristina, a Marina, a Sónia, o André e o Tiago.

 

É bom saber como ainda há pessoas que, mudando como tudo muda, continuam a ser o que sempre foram: humildes, transparentes, amigas.

 

Sem sair deste tempo, vi-me, de repente, transportado à minha juventude. Já distante.

 

Nada disto se explica. Tudo isto se sente.

 

O meu sincero reconhecimento.

 

 

publicado por Theosfera às 14:27

Meu Pai,

de olhos embaciados,

voz soluçante

e mãos trémulas,

aqui venho,

aqui estou,

junto de ti.

 

Há treze anos

(completaram-se às cinco e meia da manhã deste dia 7),

olhava para teus olhos

e registava o teu último suspiro.

 

 

Parece que foi ontem,

parece que foi há instantes.

 

 

Não nego que me custou esse momento

e que ainda me dói essa imagem:

teu rosto cansado

exalava uma derradeira respiração.

 

 

Mas sabes muito bem

que tudo foi como quiseste,

tudo foi como pediste.

 

 

Estavas em casa,

e eu estava a teu lado.

 

 

Nunca te senti longe.

Mas, humano como sou,

sinto a tua falta,

o teu apoio,

os teus conselhos e recomendações,

a tua energia indomável.

 

 

Sei que estás bem,

em Deus.

 

Tenho feito o que me pediste.

Em nenhuma Eucarista te esqueço.

Lembro-te sempre ao Senhor.

Tu tens-me amparado sempre.

 

 

Eu recordo-te não como um morto,

mas como vivo e muito próximo.

 

 

Obrigado, meu Pai.

Tu partiste,

mas nunca me deixaste.

 

 

Eu sinto a tua presença,

treze anos depois.

 

 

Um dia nos encontraremos aí,

onde tu estás,

nessa pátria maravilhosa

de felicidade e paz.

 

 

Aí nos abraçaremos

e abraçados permaneceremos para sempre

em Deus!

publicado por Theosfera às 01:17

Eram 5h35. A respiração começou a enfraquecer até que, àquela hora, parou. A 7 de Fevereiro de 1997 meu querido Pai foi chamado para junto do eterno Pai.

Foi há treze anos. Parece que foi ontem.

 

Por tudo, muito obrigado, meu querido Pai. Sei que continuas em mim, comigo. Sempre.

publicado por Theosfera às 01:14

«Nós vivemos da nossa vida um fragmento tão breve».

Assim escreveu (lúgrube e magnificamente) Vergílio Ferreira.

publicado por Theosfera às 01:13

Faz hoje cento e um anos que nasceu um grande crente, um grande pastor, um grande coração, um enorme ser humano.

 

Chamava-se Hélder. Viu Deus no Homem, sobretudo nos pobres.

 

Recebeu ameaças, mas não desistiu.

 

Espécimen de uma estirpe que já rareia, faz bem evocar D. Hélder da Câmara. Sobretudo para imitar o seu exemplo e para seguir o Jesus que ele tão belamente nos mostrou.

publicado por Theosfera às 01:12

Dizem que a economia continua anémica e que a solidariedade também não está pujante.

Não se criam postos de trabalho suficientes e o fosso aumenta: os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Em síntese, o Estado não está bem, mas a sociedade está pior. Falta crescimento, falta entusiasmo, falta justiça.

Mil milhões de pessoas vivem com menos de 73 cêntimos por dia!

 

publicado por Theosfera às 01:09

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