O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

 

1.                      A pergunta não é retórica, a curiosidade não é ociosa e a preocupação não é despicienda.
 
Sempre houve mudanças no mundo. A questão que, desde há uns anos,  se coloca é saber se não estaremos no limiar de uma mudança de mundo.
 
É um facto que aquilo que tem acontecido e o que está a acontecer não estão em linha com o que estávamos habituados.
 
Sejamos realistas e não percamos a serenidade. A mudança está inscrita no coração do mundo. O que não é habitual é esta aceleração da mudança.
 
Nova, de facto, não é a mudança. Mudar é conatural ao Homem. Desde o plano biológico até ao âmbito espiritual, a vida humana é uma sucessão de começos e uma sequência de mudanças.
 
Esta percepção nem sequer é de agora. Já na antiguidade clássica, Heraclito acentuava que tudo está em devir, que tudo está em mudança.
 
Nicolau Maquiavel sublinhava que «uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança».
 
No século XVI, Luís de Camões proclamava que «todo o mundo é composto de mudança». Com efeito, se, como alertava Bernardim Ribeiro, «até o mudar mudou», porque é que o mundo não haveria de acolher a mudança?
 
 
2. Vergílio Ferreira dava conta de que «a História é feita de intervalos».
 
Desde há uns anos que não sabemos em que época nos encontramos.
 
Temos a percepção de que estamos numa época nova, mas não temos a devida noção acerca da sua identidade.
 
É a época mais nossa e, ao mesmo tempo, parece ser a menos nossa, aquela cuja compreensão mais nos escapa.
 
O mais que conseguimos é dizer, com Alvin Toffler, que «somos a última geração de uma civilização velha e a primeira geração de uma civilização nova».
 
É por isso que o nosso tempo se descreve tendencialmente como estando depois de outro.
 
Como referiu Hans Küng, a pós-modernidade é uma designação heurística, serve, acima de tudo, para dizer que estamos numa era que vem depois de outra.
 
É um mínimo, mas, à falta de melhor, constitui o máximo que conseguimos produzir.
 
 
3. No entanto, neste tempo tão complexo, vão acontecendo coisas que estão a mudar — definitivamente? — a nossa forma de ser, de estar e de pensar.
 
Olhemos para o que é mais básico, estruturante: a vida e a família. O que está a acontecer não é uma simples mudança na concepção. É uma autêntica desconstrução.
 
De resto, é consensual entre os autores apontar a desconstrução como uma das vértebras deste tempo híbrido a que se convencionou denominar pós-modernidade.
 
Luc Ferry faz uma síntese bastante luminosa do percurso do pensamento humano em torno da desconstrução. Esta ocorre quase sem darmos por ela.
 
A ciência é pilotada — e engolida — pela técnica com o consequente esbatimento da questão do sentido.
 
 
4. Sempre houve atentados contra a vida. O que é novo é haver atentados contra a vida encarados não como atentado, mas como norma a ponto de estarem previstos na lei.
 
A família sempre foi constituída por marido e esposa e filhos. Colocar outras formas de organização no mesmo patamar não alarga o leque de opções; afunila o conceito de família.
 
Como todos sabemos, a vida e a família são os alicerces da sociedade.
 
O que estamos a ver não é uma alteração de modelos; é uma desconstrução das estruturas.
 
Não se trata, pois, de simples mudanças no mundo. Trata-se, sim, de uma verdadeira mudança de mundo.
 
Ainda recentemente, o Santo Padre, referindo-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmou: «O Homem não é Deus, mas imagem de Deus, Sua criatura. Para o Homem, o caminho a seguir não pode ser fixado pelo que é arbitrário ou apetecível, mas deve, antes, consistir na correspondência à estrutura querida pelo Criador».
 
O problema é que se está a fazer da vontade, do desejo e do mero impulso fonte de lei e base de acção.
 
Tudo o que é possível, logo se faz. Já não está em causa a prioridade da pessoa. O que está em jogo é o império do eu.
 
Mas quando o eu se coloca no centro facilmente conflitua com o eu dos outros.
 
Estamos, assim, a mudar de mundo. Será melhor o mundo que nos espera?
 
 
publicado por Theosfera às 21:26

«Quem vive de esperanças morre em jejum».

Assim escreveu (melancólica e magnificamente) Benjamin Franklin.

publicado por Theosfera às 10:00

Precisamos de padres humildes, silenciosos e discretos, mergulhados em Deus e comprometidos no mundo.

Precisamos de padres que não tenham vaidade no que fazem e que não sintam vergonha no que são.

Que orem bastante e rezem muito. Que passem muitas horas no sacrário, a falar dos homens a Deus.

E que estejam disponíveis muito tempo para anunciar Deus aos homens.

Precisamos de padres do fundo, da profundidade. Que exibam não apenas filosofia, mas também filocalia. Ou seja, que cultivem não só o amor da sabedoria, mas também o amor pela beleza.

Pela beleza do gesto, pela beleza da mensagem, pela beleza da vida, pela beleza de Deus.

Precisamos de padres que ajoelhem, que se disponham a carregar a cruz dos seus semelhantes.

Precisamos de padres descentrados de si e recentrados em Deus.

Já temos um santo padre, precisamos de padres santos!

Nem todos os santos podem ser padres.

Mas todos os padres têm de ser santos.

 

publicado por Theosfera às 09:47

Há duas décadas, falava-se da geração rasca. Agora, fala-se da geração perdida. As duas expressões foram, curiosamente, vertidas no mesmo jornal.

 

O que é mais significativo é que se trata de gerações diferentes, sucessivas. A geração perdida é filha da geração rasca.

 

Para onde vamos? Ainda seremos capazes de nos reencontrarmos?

publicado por Theosfera às 09:43

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