O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

 

O vencedor deste ano do Prémio Pessoa é D. Manuel Clemente, bispo do Porto. "Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", considerou o juri do prémio Pessoa.
 
D. Manuel Clemente, que durante vários anos foi bispo auxiliar de Lisboa, foi nomeado pelo Vaticano novo bispo do Porto em Fevereiro de 2007, substituindo Armindo Coelho na chefia da diocese.

Licenciado em História e Teologia, doutorado em Teologia Histórica, Manuel Clemente, 61 anos, é presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Manuel Clemente é igualmente professor de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa e director do Centro de Estudos de História Religiosa na mesma universidade.

"A sua intervenção cívica tem-se destacado por uma postura humanística de defesa do diálogo e da tolerância, de combate à exclusão e da intervenção social da Igreja. Ao mesmo tempo que leva a cabo a sua missão pastoral, D. Manuel Clemente desenvolve uma intensa actividade cultural de estudo e debate público. Em tempos difíceis como os que vivemos actualmente, D. Manuel Clemente é uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo", pode ler-se na acta da reunião do júri.

D. Manuel Clemente é o autor de uma vasta obra historiográfica, com destaque para títulos como “Portugal e os Portugueses” e “Um só propósito”, publicados este ano, “Igreja e Sociedade Portuguesa, do Liberalismo à República” e “Nas Origens do Apostolado Contemporâneo em Portugal- A Sociedade Católica (1843-1853)”, refere a organização do Prémio Pessoa em comunicado enviado às redacções.

O vencedor do galardão com maior valor monetário atribuído em Portugal (60 mil euros) foi anunciado hoje, às 12h00, no Palácio de Seteais, em Sintra.
publicado por Theosfera às 13:53

«Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Jorge Luis Borges.

publicado por Theosfera às 10:52

 

O advento já chegou ao tempo. Mas será que também já chegou à nossa vida?
O calendário evoca o que Senhor que veio. E a nossa existência estará mais próxima do Senhor que vem?
Qual a temperatura da nossa fé? Estaremos dispostos a transformar o advento do divino em evento de humanidade?
Advento é chegada e evento é acontecimento. Cristo realiza a chegada de Deus ao mundo. Qual a nossa disponibilidade, entretanto, para fazer dessa chegada ímpar um acontecimento único?
A experiência mostra que o advento d'Ele ainda está muito longe de ser evento nosso.
O advento de Deus é paz. É justiça. É amor. É perdão. É verdade. É rectidão. É profundidade. É contemplação. É pureza. É jovialidade. É candura. É convivialidade. E é obviamente também recusa da hipocrisia. Da indignidade. Da esperteza. Da violência. Da exploração. Enfim, de tudo quanto sabe a superficialidade, a mentira e a fachada.
Já tivemos oportunidade de ver sinais de Natal nas ruas. Será, contudo, que vimos sinais de Natal na vida, na nossa vida?
 
publicado por Theosfera às 10:50

A entrada do senhor D. António de Castro Xavier Monteiro em Lamego, a 8 de Outubro de 1972, foi um acontecimento marcante.

 

Mobilizou toda a gente. E nem os mais pobres foram esquecidos. As Conferências Vicentinas, assinalando o feliz evento, reforçaram as dádivas.

 

Assim, a oferta desse dia 8 foi aumentada com mais um quilo de arroz, um quilo de açúcar, um quilo de massa e um pacote de chã para as velhinhas e alguns maços de cigarros para os velhinhos!

 

Acompanhava o cabaz uma estampa em que se assinalava a «especial predilecção e ternura que o senhor Arcebispo já mostrara por esses membros sofredores de Cristo que são os pobrezinhos e os necessitados de toda a ordem».

publicado por Theosfera às 00:02

Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Obama recebe o prémio primeiro.

 

Terá de mostrar que o merece depois.

publicado por Theosfera às 11:32

Exaltar a imparcialiade a qualquer preço e a todo o custo?

 

Não nos peçam para sermos imparciais diante dos humildes, dos explorados, dos honestos, das vítimas da depravação e da calúnia.

 

Alguém pode não estar ao lado dos humildes?

publicado por Theosfera às 11:31

«Quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte».

Assim escreveu (lúcida e magnificamente) Vergílio Ferreira.

publicado por Theosfera às 11:30

Meu Deus, meu Deus, porque permitis que me abandonem?

publicado por Theosfera às 11:29

«A amizade tem três vidas: nasce na alma de quem a dá; permanece no coração de quem a recebe e fica na memória de quem a sabe estimar».

Assim escreveu (pura e magnificamente) Elisabete Santos.

publicado por Theosfera às 11:29

Hoje é o Dia dos Direitos do Homem. Penso em tanta gente espezinhada, explorada, ofendida, manietada. Penso também em tantas vozes que se deveriam erguer e permanecem caladas.

 

Creio, porém, que, como diz um Salmo de Advento, a paz e a justiça se hão-de abraçar. Tudo mudará.

 

Ainda viverei para ver? Se não vir aqui, hei-de ver de lá!

publicado por Theosfera às 11:27

É noite escura.

 

Mas o sol há-de brilhar.

 

Não temas.

 

Espera.

 

Ora.

 

Sonha.

 

Vive o sonho.

 

Sonha a vida.

publicado por Theosfera às 11:25

O debate era sobre a saúde, mas o nível que atingiu mostrou que o Parlamento está doente, muito doente.

 

Ele, deputado do PS, parece que ia contestando em surdina. Ela, representante do PSD, chegou a um ponto de saturação e não foi meiga nas palavras. Nem sequer faltou palhaço.

 

Como se não bastasse, reiterou e insistiu.

 

É certo que, entre o povo, esta é uma linguagem comum. Se os deputados nos representam, entende-se que eles reproduzam também o que ouvem.

 

Mas há que ter elevação. E do que precisamos é de representantes que reproduzam o que aspiramos a ser: um povo civilizado!

publicado por Theosfera às 10:50

 

Já que o nosso ser se mostra tão esvaziado de Deus, talvez seja mesmo necessário pedir à terra que faça germinar Aquele que nós teimamos em condenar ao esquecimento.
Se há ateus que no fundo são crentes que não se conhecem, é importante ter presente que também há crentes que no fundo são ateus que não se assumem. Se o ateísmo é sempre grave, o ateísmo dos que se proclamam crentes será o mais nocivo. Porque induz uma mentira. Porque inculca uma falsidade. E porque leva ao afastamento. Ao menos, o ateísmo dos não-crentes prima pela coerência…
Pensemos, antes de mais, no ateísmo verbal.
Quantos, na verdade, se dizem crentes, cristãos e até católicos e, não obstante, dificilmente lhes ouvimos a palavra Deus. A palavra Cristo. A palavra Evangelho. A palavra Igreja. A palavra Teologia. A palavra oração. O próprio «até amanhã, se Deus quiser» se vai diluindo na nossa linguagem quotidiana…
Muitos desempenham funções de responsabilidade nas comunidades. Alguns até são afamados pregadores e apreciados comentadores. Falam de política como os políticos. De economia como os economistas. Do ensino como os professores. De desporto como os desportistas. Quem os ouve, no entanto, a falar de Deus? Estranho, não acham?
Depois, temos o ateísmo referencial.
Um exemplo? O Natal, que se aproxima a passos largos. Há cada vez mais gente para quem o Natal é cada vez menos o nascimento de Jesus. É tudo quanto imaginar se possa: época mágica, dos presentes, da família, do frio, da neve, do Pai Natal. E o essencial? Quem vai à Paróquia celebrar o Natal? No aniversário de um amigo é suposto ir a casa dele dar-lhe os parabéns. Será que o Natal é um aniversário sem aniversariante?
Não escasseiam ainda sinais de um ateísmo temporal.
A cadência do tempo tende a guiar-se cada vez menos menos pelas menções ao divino. Quem reza pela manhã e pela noite? Ou antes dos trabalhos e das refeições? Quem vive o Domingo como Dia do Senhor?
Tenhamos também em conta o ateísmo afectivo. Quem se dispõe a ver a imagem de Deus esculpida nos outros, especialmente nos idosos, nos abandonados, nos doentes?
Não percamos de vista, por outro lado, o ateísmo político.
Quem, na hora de decidir e de votar, integra — como elementos de ponderação — a fé que professa? Não sucede, pelo contrário, haver muitos cristãos a optar por correntes e partidos com programas incompatíveis com o Evangelho? Não há cristãos a pactuar com o aborto, a pena de morte, a eutanásia e a injustiça?
Finalmente, e como corolário, encontramos todo um ateísmo existencial.
A palavra dos lábios vai dizendo que temos a nossa fé. Mas a palavra da vida — a única que conta — mostra outra coisa: um tão penosa quão devastadora marginalização de Deus.
Peço-te, por isso, irmão: define-te.
A tua vida dirá de que lado estás. E a quem queres pertencer.
publicado por Theosfera às 10:47

Quarta-feira, 09 de Dezembro de 2009

 

Nesta época do ano, é em si que penso, é a si que me dirijo. A si, crente ou não crente; a si que está doente, triste e amargurado; a si, que, nesta altura, sente ainda mais a injustiça, o abandono e a solidão; a si que, neste tempo de crise, é atingido pelo desemprego e pela desesperança; a si que não sabe como fazer face a todas as despesas; a si que está preocupado com o futuro dos seus filhos.
 
Queria que soubesse que rezo especialmente por si e que me sinto particularmente próximo de si.
 
Penso nas dificuldades da sua vida.  Penso nas injustiças que tem recebido. Penso nos contratempos que tem encontrado. Penso nas amarguras que tem coleccionado.
 
No meio de tanto desconforto, tenho uma boa notícia. Foi também para si que Jesus nasceu.
 
Junto de si, sinto-me perto de Deus, perto do Criança, perto do Deus Pequeno, perto do Deus Pobre, perto do Deus Amor.
 
Não tenho palavras para lhe dizer. Dou-lhe a minha oração e a certeza de que Deus está consigo, em si.
 
Deus escolheu o seu coração fazer o mais belo presépio. Em si, vai ser Natal, este ano, vai ser Natal sempre.
 
Um Santo e Feliz Natal. Especialmente para si.
publicado por Theosfera às 22:29

 

1. No princípio, era a inquietação. A inquietação estava com Deus. E a inquietação era o próprio Deus.
 
Com efeito, quem ama, não ama só em si nem para si. Quem ama preocupa-se, solidariza-se, sai de si. 
 
O amor que é Deus não cabe em Deus. Explode na criação. O big bang terá sido realidade e é seguramente sinal: sinal de um amor que explode permanentemente no mundo.
 
O mundo criado por Deus não é bom; é muito bom (cf. Gén 1, 31). Só que o Homem, coroa da criação, resolve complicar. Deslumbra-se consigo mesmo e afasta-se de Deus. Quer ser como Deus andando longe de Deus.
 
A ambição, porém, tolhe-o e atraiçoa-o. Depressa se apercebe do logro. Sente-se mal e tem medo. Sabe que, por si mesmo, não consegue reencontrar o caminho abandonado e a felicidade perdida.
 
 
2. Este já não era um problema de Deus. Acontece que Deus não é frio. A Sua justiça tem calor, está adornada pela compaixão. Decide, então, ajudar o Homem. Fala a linguagem do Homem. E, como se não bastasse, faz-Se Homem.
 
Como diziam os escritores antigos, Um da Trindade fez-Se Um de nós. Para quê? Para nos reconduzir à felicidade, ou seja, a Ele, a Deus.
 
Sto. Ireneu sublinha, com uma ênfase para nós inesperada, que «o Filho de Deus fez-Se o que nós somos para que nós possamos ser o que Ele é».
 
Deus leva o Homem a sério, muito a sério. Diria mesmo que é preciso ser Deus para amar assim o Homem.
 
 
3. Seria necessário tanto? Deus, para nos salvar, podia fazer um simples decreto. Não é próprio de Deus ter poder para tudo?
 
Só que Ele quis vir até nós, morar connosco. Mas, nesse caso, poderia aparecer num palácio sob a figura de um rei. Sempre seria uma forma mais condizente com Deus, o rei dos reis.
 
Aliás, o Messias era esperado como sendo o continuador de David, aquele rei que mais saudades deixou no povo eleito; aquele que sulcou, nas encostas dos séculos, uma nostalgia tingida de esperança.
 
Sucede que Deus decide aparecer não num palácio, mas num curral. Não tem soldados a protegê-lo, tem apenas a companhia de Maria, de José e, talvez, de alguns animais.
 
O sinal de Deus — dizem os anjos aos pastores — é um menino, um menino deitado numa manjedoura (cf. Lc 2, 12).
 
Tudo isto é desconcertante, sem dúvida. O normal é que o grande conviva com o grande. Esquecemos, porém, que isso é apenas humano. Divino não é que o grande caiba no grande. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.
 
Fernando Pessoa acertou em cheio quando escreveu que «o melhor do mundo são as crianças». Até Deus quis ser criança.
 
Porquê? Guilherme de Saint-Thierry dá uma explicação muito luminosa: «Deus viu que a Sua grandeza suscitava no homem resistência. Então, Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me».
 
 
4. O conhecimento, disse Karl Jaspers, vem pelo espanto. Já o amor vem pelo encanto. Quem encanta como as crianças? E quem se encanta como as crianças?
 
Compreende-se, deste modo, que o Natal seja a festa das crianças. Será a festa de todos nós se, como as crianças, nos deixarmos reencantar pela vida, pela bondade, pelo amor, por Deus. Por um Deus que continua a estar nas crianças. E em todos os que aceitam ser como elas: pequenas, simples e humildes!
 
O bulício das crianças aproxima-as da inquietação de Deus. Na sua candura, elas já sabem que, na vida, só vence quem se movimenta, quem se incomoda, quem se desinstala. Também elas já intuem que existir é desassossegar e amar é inquietar.
 
É por isso que as crianças estão no coração do Natal. É por isso que o Natal é das crianças. E dos que são como elas: inconformados!
publicado por Theosfera às 14:32

«Quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18, 8).

 Deveria merecer mais atenção esta pergunta de Jesus.
Pensamos, muitas vezes, que basta pertencer a uma religião para ter fé.
Esquecemos que a fé não é de ordem formal, mas de ordem existencial.
O que conta pois é a vida.
É ela que diz a fé que se tem ou não se tem.
Assim sendo, não basta preocuparmo-nos com o ateísmo dos que declaram não-crentes.
O que nos há-de merecer maior preocupação é o ateísmo dos que se proclamam crentes.
Os primeiros negam Deus com os lábios. Mas os segundos negam Deus com a vida.
Será que a fé norteia a minha vida? Vivo em função de Deus? Procuro testemunhá-Lo? Não tenho vergonha de O anunciar?
Atenção.
Aqui não há lugar para o meio termo.
Crentes, ou somo-lo a sério, ou não seremos nada.
publicado por Theosfera às 14:30

Terça-feira, 08 de Dezembro de 2009

 

À primeira vista, o mal parece levar a melhor.
Um rápido olhar pelo mundo mostrar-nos-á que o triunfo lhe pertence. De uma forma brutal. Cruel. Avassaladora. A impressão dominante é que vivemos submersos num irremediável «mistério de iniquidade».
Acontece que um é o discurso da realidade e outro, bem diferente, é o discurso da fé.
É interessante verificar que a linguagem da fé nem sequer nos fala de uma simetria entre o bem e o mal, entre a morte e a vida, entre o pecado e a graça. Não fala de uma simetria, mas de uma (reconfortante) assimetria.
Reparemos que Paulo não diz «onde abundou o pecado, abundou a graça», mas «onde abundou o pecado, superabundou a graça».
Eis pois uma certeza tranquilizante e sumamente mobilizadora: o mal tem uma palavra forte, uma palavra dura. Mas não tem a palavra última. Quando muito, poderá ter a palavra penúltima. A palavra última pertence ao bem. À graça. Ao amor. À vida.
 
publicado por Theosfera às 06:22

Segunda-feira, 07 de Dezembro de 2009

Uma figura avultou neste Domingo: João Baptista. Eis um modelo a imitar, um mestre a seguir: intrépido, corajoso, firme, coerente, humilde, asceta, disponível, serviçal, totalmente teóforo e prolepticamente cristóforo.

publicado por Theosfera às 11:44

Há 44 anos anos (completam-se hoje, 7 de Dezembro), o Concílio Vaticano II, na véspera do seu encerramento, aprovava a constituição pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no Mundo Actual. Trata-se, como asseverou alguém, de uma encíclica de Pedro com os Doze. Continua a ser um documento necessário. Pela letra e pelo espírito.

 

Faz também 34 anos hoje que as tropas indonésias invadiram Timor. O que este povo sofreu! Tudo conseguiu vencer. Falta estabilizar na paz e no progresso justo.

 

 

Hoje é dia de Sto. Ambrósio, bispo de Milão, homem de palavra cortante e exemplo irrepreensível. Teve muitos méritos. Coube-lhe baptizar Sto. Agostinho, a 25 de Abril de 387. Um santo gera santos.

publicado por Theosfera às 11:42

Parabéns, senhor Dr. Mário Soares, pelos seus 85 anos de vida.

Há mais de uma década, o senhor confessou-se ser «talvez um místico que se desconhece».

Da procura ao encontro há tantas pontes que fazem cruzar caminhos.

Que Deus o abençoe. Parabéns pelo seu aniversário. Obrigado pela sua luta em prol da liberdade. Mesmo não concordando em tudo, há que ser justo. O senhor fez muito por Portugal, por nós.

publicado por Theosfera às 11:41

Desempregados criam mais de doze mil empregos. Grande exemplo a seguir! 

publicado por Theosfera às 11:30

Começa, hoje, a cimeira mundial pelo clima em Copenhaga. Oremos pelo seu êxito.

publicado por Theosfera às 11:29

 

Os pés estão na terra, mas os olhos devem estar bem volvidos para o céu.
A vida não é só chão. Não é só terra. Não é só fora.
A vida vale sobretudo se ela partir de dentro. Se ela fermentar desde a profundidade. Se ela for cimentada desde o interior.
Hoje vive-se muito à tona. Navega-se praticamente apenas à superfície.
É preciso pois descer. Ao fundo de nós.
Numa época em que muito se viaja, talvez haja uma única viagem por fazer: a viagem por nós mesmos.
Trata-se de uma viagem que nos conduz até Deus. Pois Ele quis morar em nós.
O encontro com o Senhor nascerá assim do reencontro connosco próprios.
Qual foi a última vez em que entrámos dentro de nós?
 
publicado por Theosfera às 11:28

 

Tanta missão para realizar, tanta fé para testemunhar, tanto Evangelho para anunciar, tanta oração para rezar e o tempo que nós desperdiçamos! E, ainda por cima, argumentamos que não temos tempo!
Tenta, por isso, inverter o rumo da tua vida. Uma sugestão?
Experimenta, logo à noite, desligar a televisão.
Vais ver o tempo que ganhas.
Para acolher. Para escutar. Para falar. Para ler. Para apreciar. Para orar. Para crescer. Para ser!
publicado por Theosfera às 11:27

Sábado, 05 de Dezembro de 2009
publicado por Theosfera às 21:33

publicado por Theosfera às 21:15

 

Escreveu avisadamente alguém que em todo o acto de entrega há um acto de posse e que, reciprocamente, em todo o acto de posse há um acto de entrega.
É o que sucede com o Senhor Deus. Ao dizer ao povo que Lhe pertence, o que no fundo lhe está a recordar é que Se entrega incessantemente por ele e a ele.
Toda a posse suscita relação de dependência e desencadeia relações desequilibradas, fazendo de iguais superiores e inferiores.
Toda a posse é de facto assim, menos a posse por Deus. Toda a dependência é assim, excepto a dependência de Deus.
Porque ser possuído por Deus não escraviza, liberta. Porque a dependência de Deus não diminui, eleva.
E se a vida nos ensina que, de um modo ou de outro, acabamos por ser sempre de alguém, porque não fazer de Deus o nosso — e o único — Senhor?
 
publicado por Theosfera às 06:07

Ela está praticamente paralisada. Ele foi colhido por um tumor. Estão entregues um ao outro. Os filhos alegam que não podem recebê-los. Que situação, meu Deus! Que fazer?

publicado por Theosfera às 06:03

Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009

Alguém pode estar contente quando ferem a nossa mãe?

 

Serenos sempre. Mas conformados nunca.

publicado por Theosfera às 16:03

Há 29 anos, neste dia 4 de Dezembro, morreram Sá Carneiro, Amaro da Costa e quantos os acompanhavam.

 

Morreram ou foram mortos?

 

Quase três décadas depois, as dúvidas persistem.

publicado por Theosfera às 11:15

O ponto de partida de Zubiri reside não no ser mas mais além do ser. Ora, mais além do ser está a realidade, noção que alicerça e vertebra toda a sua trajectória metafísica e toda a sua construção teologal. Assente este ponto de partida, o decisivo nem sequer é a ideia que o homem possa fazer da realidade, mas a impressão da realidade no próprio homem.
 
Dado que «estar na realidade consiste em viver» e uma vez que «estamos na realidade na medida em que somos uma essência aberta», percebe-se que a instalação da realidade no homem desencadeie imperativamente a busca do seu fundamento último, que Zubiri denomina deidade e que, na prática, coincide com o que designamos por Deus. É assim que o homem e Deus são dois problemas afins, pelo que hão-de ser encarados e formulados não de forma adversativa, mas integradora.
 
A questão de Deus acaba por não ser menos antropológica que a questão do homem e, como nos adverte Hannah Arendt, a questão do homem acaba por não ser menos teológica que a questão de Deus. Daí que — sublinha Adolphe Gesché — apenas seja viável pensar Deus e o homem como intersignificantes.
 
Isto significa que Deus só é pensável com o homem e que o homem nunca é pensável sem Deus.

 
publicado por Theosfera às 11:14

Ao abordar a vida intratinitária, Zubiri demarca-se do conceito de pessoa (que, por estar constituído por inteligência, vontade, liberdade e responsabilidade, pode, na sua óptica, levar ao triteísmo) e de subsistência (que, na sua óptica, está muito dependente de pessoa).
 
Propõe, por isso, suidade, aquilo que constitui formalmente o carácter de uma pessoa. Em Deus, há três suidades realmente distintas, pois o Pai não é Seu da mesma maneira que o é o Filho, etc.. Isto não impede que haja uma compenetração interna na Trindade ao modo de uma circulação da natureza: cada suidade dá de si a outra e as três dão de si uma essência única.
publicado por Theosfera às 11:13

A principal novidade teológica de Zubiri consiste em realçar a dimensão teologal do saber humano e, correspondentemente, a vertente humana do conhecimento teologal.
 
Tudo isto se deve à originalidade do seu método assente na atenção dispensada à realidade. Sendo um método inovador, é também um método abrangente e integrador, capaz de acolher no seu seio os resultados de outros métodos.
 
Merece o maior aplauso por ter colocado o acento tónico na dimensão especular do Homem. Não é preciso sair do homem para encontrar Deus.
 
O Homem é espelho de Deus, o Qual, por isso, não é transcendente a ele mas transcendente nele.
publicado por Theosfera às 11:13

Deus deu-me o dom de ser gago.
 
A gaguez habituou-me a nunca chegar a uma palavra — falada ou escrita — sem ser por via de sucessivas tentativas e repetidos balbucios.
 
A gaguez ensinou-me que o melhor texto é o que ainda não foi escrito e que a palavra última é a que ainda está por pronunciar.
 
Temos, por isso, que continuar a buscá-la, não estacionando jamais naquilo que já fomos encontrando.
 
Não será este um poderoso (e muito necessário) exercício de humildade?
 
Obrigado, Senhor, por ser gago!
publicado por Theosfera às 11:12

«Há duas espécies de homens: os justos que se consideram pecadores e os pecadores que se consideram justos».

Assim escreveu (militante e magnificamente) Blaise Pascal.

publicado por Theosfera às 11:11

Hoje, 4 de Dezembro, faz 111 anos que nasceu Xavier Zubiri, o teofilósofo que nos mostrou Deus no Homem e o Homem em Deus numa intersignificação mútua e numa abertura recíproca.

 

Nascido em San Sebastián a 4 de Dezembro de 1898, baptizado no dia seguinte e falecido em Madrid a 21 de Setembro de 1983, o seu nome completo era José Francisco Javier Zubiri Apalategui.

 

Na família era conhecido como Josechu. Durante algum tempo oscilou entre Javier Zubiri, J. Javier Zubiri Apalategui e F. J. Zubiri. A partir de 1933 os seus escritos aparecem invariavelmente assinados como X[avier] Zubiri. Preferia, entretanto, que o tratassem apenas por Xavier. Aliás, o seu onomástico foi sempre assinalado a 3 de Dezembro, dia de S. Francisco Xavier, e véspera do seu aniversário.

 

publicado por Theosfera às 11:10

 

Vigiar é a atitude de alguém quem espera e prepara a chegada de Alguém.
Não decorre de um qualquer instinto inspectivo, controlador.
Não andamos na vida a vigiar os outros, mas antes de mais a vigiarmo-nos a nós mesmos.
Advento é vinda. Mas como virá Aquele que nós esquecemos, Aquele que nós teimamos em ignorar?
Quando consentiremos que a luz brilhe?
publicado por Theosfera às 11:06

Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2009

O chumbo do Código Contributivo veio recolocar a questão da governabilidade do país. Agora, quiçá como nunca, carecemos de bom senso e de diálogo.

 

O Governo pode invocar legitimidade: foi escolhido pelo povo. Mas a Oposiçáo pode evocar igual licitude: foi eleita pelo mesmo povo.

 

O povo quer ser bem governado. Mas os resultados das últimas eleições determinaram que nem uns nem outros podem esticar demasiado a corda.

 

Urge porfiar na negociação. E apostar no bem da população.

publicado por Theosfera às 11:12

Hoje é dia de S. Francisco Xavier, grande apóstolo e missionário. O seu exemplo marcou gente sem conta e ecoa por tempos sem limites.

 

É interessante notar, por exemplo, como Zubiri era Xavier por causa de S. Francisco. Isto porque o teofilósofo nasceu a 4 de Dezembro (de 1898), portanto, um dia depois da memória litúrgica do santo.

 

O seu nome completo era José Francisco Xavier Zubiri Apalategui. Mas o nome por que gostava de ser tratado era precisamente Xavier.

 

Refira-se, já agora, que Xavier significa casa nova, Zubiri quer dizer junto à ponte e Apalategui indica prateleira de um armário ou de uma estante, ou simplesmente biblioteca.

publicado por Theosfera às 11:10

A ONU e a Associação Mundial de Zoos e Aquários determinaram que 2009 seria o Ano do Gorila.

 

Pretendem chamar a atenção para o risco de extinção desta espécie e almejam juntar 500 mil euros em doações.

 

Nada a opor. Mas não esqueçamos o ser humano. Não olvidemos a fome. Afinal, a espécie mais ameaçada é a humanidade. Em cada Homem está a humanidade inteira.

 

Não invertamos as prioridades.

publicado por Theosfera às 11:09

 

Não há dúvida que é triste não ver quando os olhos estão fechados. Mas dramático é não conseguir ver mesmo com os olhos abertos.
Há muita cegueira na vida. Trocamos olhares que não vêem. Que não captam para lá da aparência. Que não apreendem além da superfície.
Precisamos de luz para olhar cá fora. Mas do que necessitamos mesmo é de luz para ver dentro. No interior do mundo. Na intimidade da pessoa. Na profundidade do tempo.
Abram-se, pois, os nossos olhos. Para que possamos ver! Para que nos possamos ver!
publicado por Theosfera às 11:04

Quarta-feira, 02 de Dezembro de 2009

O verdadeiro teólogo é aquele que não cai na tentação de medir o mistério de Deus com a própria inteligência, esvaziando de sentido a figura de Cristo, mas sim aquele que é consciente das suas próprias limitações.

 

Assim afirmou Bento XVI na homilia da Missa de ontem, com os membros da Comissão Teológica Internacional, reunidos na sua assembleia anual desde segunda-feira, informou a Rádio Vaticano.

 

Para o Santo Padre, os teólogos presunçosos, que estudam as Sagradas Escrituras como alguns cientistas que estudam a natureza, são similares aos antigos escribas que indicaram aos magos o caminho a Belém: «São grandes especialistas: podem dizer onde o Messias nasceu, mas não se sentem convidados a ir».

 

«Também é assim na nossa época, nos últimos 200 anos observamos a mesma coisa.  Poderíamos facilmente dizer grandes nomes da história da teologia destes 200 anos, dos quais aprendemos muito, mas que não abriram o seu coração ao mistério».

 

Com esta maneira de proceder,  «a pessoa coloca-se acima de Deus. E assim, o grande mistério de Jesus, do Filho feito Homem, reduz-se a um Jesus histórico, realmente uma figura trágica, um fantasma sem carne e osso, alguém que permanece no sepulcro, que está corrompido, realmente morto».

 

No entanto, o Santo Padre destacou que a história da Igreja está repleta de homens e mulheres capazes de reconhecer a sua pequenez em comparação com a grandeza de Deus, capazes de humildade e, portanto, de chegar à verdade.

 

O Santo Padre também mostrou os «pequenos que também são dotados» como modelos de inspiração para «ser verdadeiros teólogos que podem anunciar o seu mistério, porque este chegou às profundezas do seu coração».

 

Entre eles, citou santos como Bernardette Soubirous, Teresa de Lisieux, Sor Bakhita, Madre Teresa, Damião de Veuster. Nomeou também Nossa Senhora, o centurião ao pé da cruz e São Paulo, que, «na 1ª Carta a Timóteo, chama-se de ignorante naquele tempo, apesar de sua ciência; mas o ressuscitado o toca, ele fica cego e se converte realmente em vidente, começa a ver».

publicado por Theosfera às 23:33

A verdade, para muitos, estriba cada vez mais na pura conveniência.

 

Assim, quando alguém elogia os nossos ídolos, achamos que é um acto de coragem. Quando alguém os critica, consideramos que é uma rebeldia.

 

Fazemos ruir os princípios. Fica a pura conveniência. Bastará? 

publicado por Theosfera às 19:19

Para nascer, Portugal. Para morrer, o mundo.

 

Esta (magnífica) frase do Padre António Vieira vai sendo, pelo menos parcialmente, desmentida.

 

É que, até para nascer, já escolhemos a Espanha. Em cada dia que passa, há um bebé português que vai nascer ao país vizinho.

publicado por Theosfera às 11:33

Sonhamos com o futuro, mas não sabemos muito bem lidar com ele. Quem o diz é Dan Ariely. Continuo a achar que o presente é o melhor investimento para o futuro. Vivamos bem este dia.

publicado por Theosfera às 11:29

Quando se abrem os arquivos das polícias secretas (como a PIDE, a KGB ou a Stasi), temos surpresas impensáveis: filhos que entregam pais, pais que entregam filhos, esposas que denunciam maridos maridos que denunciam esposas.

 

José Alberto Lemos conta, reportando-se à ex-RDA, o caso de uma senhora «que esteve presa cinco anos e só descobriu muitos anos após o Muro cair, ao consultar os arquivos da Stasi, que tinha sido denunciada pelo próprio marido, com quem ainda estava casada»!

 

A confiança é uma maravilha, mas é também um risco enorme. Risco que, apesar de tudo, vale a pena correr.

 

Antes ser enganado do que enganar.

publicado por Theosfera às 11:22

O desemprego passou taxa dos dez por cento.

 

Há razões para festejar?

publicado por Theosfera às 11:21

A história tem destas ironias.

 

A cerimónia da entrada em vigor do novo tratado da União Europeia ocorreu a 1 de Dezembro.

 

Esta é uma data que evoca a restauração da nossa independência.

 

Curiosamente, a partir de ontem, a nossa independência fica mais diminuída.

 

É inevitável, dir-se-á. Mas não deixa de ser sintomático, ironicamente sintomático.

publicado por Theosfera às 11:18

Henry Kissinger terá dito, há décadas, que, quando o Presidente dos Estados Unidos quisesse telefonar para a Europa, não sabia para que número ligar.

 

Muitos acham que, a partir de ontem, já tem. O Tratado de Lisboa, que entrou em vigor, terá resolvido o problema.

 

Só que, pelo que nos é dado ver, o chefe de estado norte-americano não tem um, mas três telefones para usar.

 

Para que presidente iria telefonar: para o presidente da Comissão Europeia, para o presidente do Conselho Europeu ou para o presidente rotativo da União?

 

O melhor é mesmo não dispensar os 27 números de outros tantos chefes de estado. Uma união não pode asfixiar a pluralidade.

 

O importante é que o novo tratado consagre mais paz e justiça. É que, por muitas voltas que dêem, a desigualdade ainda é gritante. Na desenvolvida(?) Europa.

publicado por Theosfera às 11:13

Creio na bondade.

 

Creio na bondade que irradia em tantos corações.

 

E creio na bondade que se esconde em tantos corações.

 

Sim, há vidas que teimam em esconder a bondade.

 

Mas ela está lá. Um dia, desabrochará.

 
publicado por Theosfera às 11:12

Na década de 90, já se falava da extinção do posto da PSP em Lamego. A cidade andava alvoroçada e preocupada.

 

Discretamente, o senhor D. Américo decide intervir. Pega no telefone e contacta com o Ministro da Administração Interna, que tutelava a corporação.

 

A resposta foi edificante e pode resumir-se mais ou menos assim: «Senhor Bispo, fico muito sensibilizado com a sua preocupação. É verdade que, na remodelação dos serviços policiais, estávamos a pensar extinguir o posto de Lamego. Mas em atenção à sua diligência, posso assegurar-lhe que a PSP não sairá da cidade».

 

Eis uma dívida que esta cidade tem para com o senhor D. Américo. Em pouco tempo, deixou a sua marca.

publicado por Theosfera às 11:11

O senhor D. Américo do Couto Oliveira quase previu a morte. Eu mesmo posso confirmar isso.

 

Quando dele me fui despedir (antes da sua ida para exames numa clínica no Porto), fui surpreendido com uma afirmação feita com toda a naturalidade: Olhe, eu vou mas não volto. E começou-me a desfiar aquelas que eram as suas últimas vontades apontando para um envelope que terá sido entregue ao Vigário-Geral de então, Mons. António Russo.

 

Passados uns dias, estava eu a chegar da adoração da manhã, sou interceptado com um inopinado telefonema de Mons. Simão Morais, dando-me conta da infausta ocorrência.

 

Lembrei-me então de uma passagem de Os Lusíadas: «Coração pressago nunca mente».

 

O senhor D. Américo, na curta estada que teve em Lamego, remodelou o Paço sem onerar a diocese, lançou a Escola Diocesana de Ciências Religiosas e tinha como projectos redimensionar a Casa do Poço (transformando-o num centro pastoral) e criar uma Faculdade de Teologia em Lamego.

 

Não posso esquecer que, na doença de meu querido Pai, o visitou por diversas vezes dando-me autorização para celebrar a Santa Missa junto do seu leito.

 

São coisas que nunca esquecem. O tempo pode ser escasso. Mas o rasto, esse, é imorredouro.

publicado por Theosfera às 11:09

Quero lembrar aqui o senhor D. Américo do Couto Oliveira porque hoje, 2 de Dezembro, faz onze anos que ele voltou para a Casa do Pai.
 
Foram quatro apenas os anos que esteve entre nós e a maior parte deles a enfrentar o assédio da doença.
 
É-lhe devida uma palavra de reconhecimento sobretudo pela sinceridade, pela dedicação, pela proximidade.
 
Não era diplomata, era autêntico, era ele ou, melhor, era Cristo nele. E isso é o essencial. É tudo.
 
Na Senhora dos remédios, às 18h, haverá uma Santa Missa pelo seu eterno descanso. 
publicado por Theosfera às 11:07

 

Quando se afirma que o homem é imagem de Deus é porque a vida divina tem uma ressonância especial na estrutura mais íntima do humano.
          Tudo se deve, portanto, à iniciativa de Deus.
          Às vezes, andamos à procura de demonstrações irrefutáveis da existência de Deus, quando a maior prova…somos nós mesmos.
          A grande mensagem do Livro do Génesis resume-se a isto: o universo, a vida e o homem devem-se à acção, livre e amorosa, de Deus.
          A verificação desta orientação nativa do homem para Deus funda, entretanto, uma tarefa correspondente.
          Trata-se de reforçar, por todos os meios, a transparência da imagem.
          É claro que nunca seremos mais do que imagem, mas importa que ela esteja dotada da maior transparência possível.
          Cada um de nós deve tornar-se, por isso, um emissário de Deus para os outros. Ao nível do ser e também do agir.
          Sendo a religião do Deus-Homem, o cristianismo olha para o humano como factor de permanência do divino no mundo.
          Nós somos então essa carta que Deus escreve.
          É por ela que a Sua mensagem percorre o mundo inteiro.
          Para que a mensagem seja lida é preciso, pois, que a carta chegue.
          De certa maneira, nós condicionamos Deus.
          Muitos se aproximam ou afastam conforme o que virem em nós.
          É grande a responsabilidade.
          Mas é, sobretudo, fascinante o desafio: ser, na nossa pequenez, imagem d'Aquele que encerra em Si o princípio, o meio e o fim da história.
publicado por Theosfera às 11:03

Sucesso é a habilidade de ir de um fracasso a outro, sem perda de entusiasmo.

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Winston Churchill.

publicado por Theosfera às 10:59

Terça-feira, 01 de Dezembro de 2009

 

1. Quando falamos da Igreja, imediatamente pensamos em bispos e em padres. Concentramo-nos, deste modo, em apenas 0,1% da sua totalidade, deixando de lado os restantes 99,9%.
 
Quando um órgão de comunicação social quer saber a posição da Igreja, pensa logo num padre ou num bispo sem cuidar de saber se há um fiel leigo mais abalizado sobre esse assunto.
 
Há mais de quarenta anos, o Concílio Vaticano II recordou-nos que as questões relativas ao mundo dizem respeito sobretudo aos irmãos leigos.
 
Também disse que os pastores devem «estar dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos».
 
No entanto, continuamos a subalternizar o seu lugar e a subestimar a sua intervenção. Até parece que só contamos com a sua generosidade, com os seus donativos…
 
Há não muito tempo, alguém me fazia sentir a sua alegria por determinada organização estar «nas mãos da Igreja». Motivo? Estava um padre à frente dela.
 
Eu respondia que a presença da Igreja em tal organização estava assegurada pelos cristãos que nela se encontravam. Mas não consegui convencer o meu interlocutor.
 
Este arquétipo ainda está bastante difundido. Importa, pois, relembrar que é pelo Baptismo (e não pelo sacramento da Ordem) que nos tornamos cristãos.
 
Os padres e os bispos não esgotam a Igreja. Constituem, sim, um prestimoso serviço na Igreja. Por isso chamam-se ministros, isto é, servos.
 
 
2. Na Igreja, não pode haver a lógica dos agentes e dos destinatários da missão. Os padres e os bispos seriam os agentes e os irmãos leigos constituiriam os destinatários.
 
Esta percepção está implícita, por exemplo, na relação que se mantém com a Eucaristia.
 
Ainda se ouve dizer, com frequência, que se assiste à Missa. Ora, à Missa não se assiste. Na Missa participa-se. Aqui, o verbo a conjugar não há-de ser o verbo assistir. Tem de ser sempre o verbo participar.
 
Seguindo o pensamento de S. Paulo, que compara a Igreja a um corpo (cf. 1Cor 12), não pode haver cristãos de primeira e cristãos de segunda.
 
Todos têm um lugar importante na Igreja. De resto, a importância de um lugar na Igreja não se afere pelo poder. Pela simples e elementar razão de que, na Igreja, não há relações de poder. Pelo menos, não devia haver. Na Igreja, há serviço.
 
Daí que o Papa, enquanto primeiro servidor, se apresente como servo dos servos de Deus!
 
Aliás, é curioso notar como a Igreja chegou a ter um Papa que tinha sido escravo. Trata-se de S. Calisto, que foi eleito no ano 217. Ou seja, a Igreja escolheu alguém que estava habituado não a mandar, mas a servir!
 
 
3. Não é o povo que existe para os padres e para os bispos. São os padres e os bispos que existem para o povo: para o conduzirem até Cristo.
 
Um padre e um bispo não podem actuar em nome próprio. Junto do povo, eles são chamados a actuar em nome de Cristo.
 
Jesus Cristo é o modelo do servidor e da recusa do poder. O poder só Lhe trouxe problemas. E não será que, hoje, continua a trazer-Lhe dissabores?
 
Não é, por isso, curial que o padre e o bispo exibam uma pretensa superioridade intelectual.
 
Como nota Joseph Ratzinger, «a fé dos simples apreende o núcleo da fé de modo mais central do que a reflexão dividida por muitos passos e conhecimentos parciais».
 
Os padres e os bispos estão ao serviço da fé dos simples, que «permanece como o grande tesouro da Igreja».
 
Os padres e os bispos não são donos da fé, mas servidores da fé, que está alojada na alma sã do povo simples.
 
 
4. Passando a minha vida a meditar nisto, vou concluindo, cada vez mais, que temos muito a aprender não só nos livros, mas também na vida. Em matéria de fé, o povo é mestre, o povo simples, humilde e puro.
 
Nos santuários, nas igrejas, nas casas ou até nas ruas, há tanto exemplo de fé viva que nos deve levar a pensar.
 
Às vezes, dou comigo a pensar que nem só os pastores deviam falar aos fiéis. Havia também de haver oportunidade de os fiéis falarem aos pastores. Também nos faz bem ouvir, calar, aprender. Com o povo.
 
publicado por Theosfera às 23:46

 

Se é verdade que Deus é a chave para a compreensão do homem, é igualmente certo que o homem é o caminho que nos permite chegar ao próprio Deus.
          Desde logo, porque, segundo a narração bíblica, cada ser humano é imagem e semelhança de Deus.
          Portanto, cada um de nós contém em si afinidades com a vida divina.
          A dignidade da pessoa, a vivência da liberdade e a abertura fundamental para a comunidade são, no fundo, expressões desta imagem e semelhança que fazem do homem a criatura mais próxima de Deus.
          Alguns Padres da Igreja, ao desenvolverem a teologia da imagem, referiam-se ao homem como micro-théos (pequeno deus).
          Xavier Zubiri qualifica mesmo o homem como o modo finito de ser Deus.
          Não se trata, evidentemente, de eliminar a diferença entre Deus e o homem.
          Deus não é criatura e a criatura não é Deus.
publicado por Theosfera às 10:52

Hoje fazia 91 anos o Bispo que me ordenou e que tantas saudades me deixou. O senhor D. António de Castro Xavier Monteiro nasceu em S. João de Airão (Guimarães) a 1 de Dezembro de 1918.
 
Entrou em Lamego em 1972, vindo do Patriarcado de Lisboa, e aqui esteve até à morte, ocorrida a 13 de Agosto de 2000.
 
Diz Elie Wiesel que «esquecer é rejeitar». Seria imperdoável esquecer quem nunca nos esqueceu.
 
O senhor D. António tinha um amor tão acendrado pelos seminários que foi num seminário que ele quis passar os últimos anos. Foi no nosso Seminário que ele consumou a entrega que fizera da sua vida ao Pai. Foi no nosso Seminário que ele culminou o seu sacerdócio e o seu ministério de pastor. Esta casa foi para ele seminário da eternidade, semente de Céu.
 
Cultivava o senhor D. António uma proximidade que surpreendia e cativava. Era dotado de uma nobre simplicidade. Não falava muito com os seminaristas, mas estimulava imenso os seminaristas. O pouco que fazíamos transfigurava-se-lhe sempre em muito.
 
O senhor D. António tinha presença de pastor, palavra de mestre e olhar de pai.
 
Não deixemos apagar o seu rasto. Não extingamos a sua memória. Honremos o seu legado.
publicado por Theosfera às 00:12

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