O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 26 de Dezembro de 2009

 

Será que já nos apercebemos de que a maior parte dos passos que damos — e que ouvimos — são passos que aspiram ódio e respiram violência?
Mas é verdade. Sobretudo aqueles passos apressados. Que são, regra geral, passos a fugir de alguém. Ou passos a perseguir alguém.
E, depois, é o culto que se está a gerar.
Já viram quantos passos vemos em prol da paz? Poucos. Praticamente nenhuns.
Ao invés, à volta da guerra é um sem-fim de passos. A indústria beligerante é, indiscutivelmente, uma das mais prósperas neste mundo.
É mais fácil assistirmos a uma condecoração por feitos cometidos em guerras do que a homenagens por gestos em favor da paz.
Estranho mundo este, em que aquilo que destrói é mais apreciado do que aquilo que constrói e edifica.
É totalmente diferente, porém, a lógica de Deus. Para o Emanuel — Deus connosco e Deus para nós —, as coisas são de outro modo. Deus não faz retórica com a paz. Deus é paz. Em pessoa. Em projecto. Em oferta.
Por conseguinte, se não temos paz, então é porque (ainda) não temos Deus…
 
publicado por Theosfera às 11:43

 

Ainda o Advento não tinha começado e já se faziam sentir, pressurosos, os sinais de aproximação do Natal.
          Todavia, a iniciativa, ao contrário do que seria de esperar, pertencia às empresas e aos hiper's. O que, de resto, se vai tornando comum.
          Com efeito, rádio, televisão, páginas inteiras de jornais bem como montras de estabelecimentos há muito que estão a promover produtos com motivos alusivos à quadra natalícia. Mais: por causa do Natal, é possível fazer compras, além dos dias habituais, nos feriados, aos sábados e durante um ou outro domingo de Dezembro.
          A impressão que fica é que o comércio surge, cada vez mais, como a preocupação dominante — para muitos, exclusiva — desta época. O que se ganha, inquestionavelmente, em vivacidade nas ruas perde-se, sem dúvida também, em profundidade, espontaneidade e transparência no relacionamento e na convivência.
          O efémero de tudo se apodera. De facto, nada parece perdurar para lá da longa noite de consoada. As atitudes afiguram-se rebuscadas: gastam-se fortunas em presentes; as casas ficam atulhadas de um sem-fim de jogos de luz e cor; até as saudações que se trocam são estereotipadas, destilando doses arrepiantes de formalismo e frieza.
          O Natal chega a assemelhar-se a um aniversário sem aniversariante. O ritmo a que se sucedem os lugares comuns (veja-se: o Natal é quando um homem quiser) denuncia, com efeito, uma relação distante com Aquele que deu razão de ser a toda este ciclo festivo: Jesus Cristo.
          Perguntar-se-á: de que modo se poderá reconduzir o Natal à sua genuinidade e autenticidade?
          Não se trata, evidentemente, de demonizar a actividade comercial, que dispara nesta época do ano. Mas tão-somente de evitar que ela polarize todas as atenções e energias.
          Bastará, para isso, pensar que o mistério mais profundo do Natal tem muito a ver… com o comércio. Não com aquele a que estamos habituados. Mas com um comércio de outra índole, que chega ao ponto de envolver o próprio Deus.
          Na verdade, os Padres da Igreja, quando se referem à incarnação do Filho de Deus, utilizam, por vezes, a expressão admirabile commercium (admirável comércio) para significarem, do modo mais expressivo possível, o intercâmbio que, em Jesus Cristo, se verifica entre o divino e o humano.
          No fundo, o Natal não é mais do que um comércio. Do que um admirável comércio!
publicado por Theosfera às 11:42

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