O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Alguma vez ouvíramos um Prémio Nobel da Paz defender o prosseguimento da guerra?

publicado por Theosfera às 23:42

Por muitas divergências que haja, não há motivo algum para se fazer o que hoje fizeram a Sílvio Berlusconi. Não estamos diante de um político. Estamos diante de um ser humano. Discutamos todos os argumentos, mas respeitemos toda a gente.

publicado por Theosfera às 23:40

 

Por esta altura é já grande a fadiga e incontrolável a ansiedade.
Que prendas vou comprar? Que presentes vou oferecer?
Ele são os convites para as festas de Natal (que, mais que convites, parecem verdadeiras intimações) com a indicação de que não nos esqueçamos da troca de presentes. Não falta inclusive a indicação do preço de referência.
Até as crianças já perderam o encantamento da surpresa e a fantasia da expectativa do que poderão receber naquela noite santa. Agora fazem exigências, ainda por cima dispendiosas. Nos hipermercados acotovelam os pais: «Quero isto. E mais isto. E mais isto»
Aos idosos, levamos apressadamente uma peça de roupa ou um bolo. E lá continuam eles na cama. Tantas vezes sozinhos. Quando muito, são convidados para a «consoada». Só que, na manhã de Natal, são reconduzidos ao abandono de há muito. À solidão de sempre.
Urge pois desmaterializar as ofertas de Natal. É preciso recordar que o maior presente é a presença. É a companhia. É o afecto. É o apoio. É a certeza de que alguém pode contar connosco.
Não nos esqueçamos de que, para muitos, a noite de 24 para 25 deste mês vai ser uma noite triste. Uma noite sofrida. Uma noite chorada.
A casa até pode estar repleta de coisas. E a alma também poderá estar cheia. Mas de mágoas. De dores. De ingratidões sem fim…
publicado por Theosfera às 18:56

 

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
 
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
 
- Está bem, eu sei!
 
- E as garrafas de vinho?
 
- Já vão a caminho!
 
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
 
- Não sei, não sei...
 
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
 
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
 
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
 
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
 
- Foi este o Natal de Jesus?!!!
 
 
(João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar - 1996)
publicado por Theosfera às 06:09

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