O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 09 de Dezembro de 2009

 

Nesta época do ano, é em si que penso, é a si que me dirijo. A si, crente ou não crente; a si que está doente, triste e amargurado; a si, que, nesta altura, sente ainda mais a injustiça, o abandono e a solidão; a si que, neste tempo de crise, é atingido pelo desemprego e pela desesperança; a si que não sabe como fazer face a todas as despesas; a si que está preocupado com o futuro dos seus filhos.
 
Queria que soubesse que rezo especialmente por si e que me sinto particularmente próximo de si.
 
Penso nas dificuldades da sua vida.  Penso nas injustiças que tem recebido. Penso nos contratempos que tem encontrado. Penso nas amarguras que tem coleccionado.
 
No meio de tanto desconforto, tenho uma boa notícia. Foi também para si que Jesus nasceu.
 
Junto de si, sinto-me perto de Deus, perto do Criança, perto do Deus Pequeno, perto do Deus Pobre, perto do Deus Amor.
 
Não tenho palavras para lhe dizer. Dou-lhe a minha oração e a certeza de que Deus está consigo, em si.
 
Deus escolheu o seu coração fazer o mais belo presépio. Em si, vai ser Natal, este ano, vai ser Natal sempre.
 
Um Santo e Feliz Natal. Especialmente para si.
publicado por Theosfera às 22:29

 

1. No princípio, era a inquietação. A inquietação estava com Deus. E a inquietação era o próprio Deus.
 
Com efeito, quem ama, não ama só em si nem para si. Quem ama preocupa-se, solidariza-se, sai de si. 
 
O amor que é Deus não cabe em Deus. Explode na criação. O big bang terá sido realidade e é seguramente sinal: sinal de um amor que explode permanentemente no mundo.
 
O mundo criado por Deus não é bom; é muito bom (cf. Gén 1, 31). Só que o Homem, coroa da criação, resolve complicar. Deslumbra-se consigo mesmo e afasta-se de Deus. Quer ser como Deus andando longe de Deus.
 
A ambição, porém, tolhe-o e atraiçoa-o. Depressa se apercebe do logro. Sente-se mal e tem medo. Sabe que, por si mesmo, não consegue reencontrar o caminho abandonado e a felicidade perdida.
 
 
2. Este já não era um problema de Deus. Acontece que Deus não é frio. A Sua justiça tem calor, está adornada pela compaixão. Decide, então, ajudar o Homem. Fala a linguagem do Homem. E, como se não bastasse, faz-Se Homem.
 
Como diziam os escritores antigos, Um da Trindade fez-Se Um de nós. Para quê? Para nos reconduzir à felicidade, ou seja, a Ele, a Deus.
 
Sto. Ireneu sublinha, com uma ênfase para nós inesperada, que «o Filho de Deus fez-Se o que nós somos para que nós possamos ser o que Ele é».
 
Deus leva o Homem a sério, muito a sério. Diria mesmo que é preciso ser Deus para amar assim o Homem.
 
 
3. Seria necessário tanto? Deus, para nos salvar, podia fazer um simples decreto. Não é próprio de Deus ter poder para tudo?
 
Só que Ele quis vir até nós, morar connosco. Mas, nesse caso, poderia aparecer num palácio sob a figura de um rei. Sempre seria uma forma mais condizente com Deus, o rei dos reis.
 
Aliás, o Messias era esperado como sendo o continuador de David, aquele rei que mais saudades deixou no povo eleito; aquele que sulcou, nas encostas dos séculos, uma nostalgia tingida de esperança.
 
Sucede que Deus decide aparecer não num palácio, mas num curral. Não tem soldados a protegê-lo, tem apenas a companhia de Maria, de José e, talvez, de alguns animais.
 
O sinal de Deus — dizem os anjos aos pastores — é um menino, um menino deitado numa manjedoura (cf. Lc 2, 12).
 
Tudo isto é desconcertante, sem dúvida. O normal é que o grande conviva com o grande. Esquecemos, porém, que isso é apenas humano. Divino não é que o grande caiba no grande. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.
 
Fernando Pessoa acertou em cheio quando escreveu que «o melhor do mundo são as crianças». Até Deus quis ser criança.
 
Porquê? Guilherme de Saint-Thierry dá uma explicação muito luminosa: «Deus viu que a Sua grandeza suscitava no homem resistência. Então, Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me».
 
 
4. O conhecimento, disse Karl Jaspers, vem pelo espanto. Já o amor vem pelo encanto. Quem encanta como as crianças? E quem se encanta como as crianças?
 
Compreende-se, deste modo, que o Natal seja a festa das crianças. Será a festa de todos nós se, como as crianças, nos deixarmos reencantar pela vida, pela bondade, pelo amor, por Deus. Por um Deus que continua a estar nas crianças. E em todos os que aceitam ser como elas: pequenas, simples e humildes!
 
O bulício das crianças aproxima-as da inquietação de Deus. Na sua candura, elas já sabem que, na vida, só vence quem se movimenta, quem se incomoda, quem se desinstala. Também elas já intuem que existir é desassossegar e amar é inquietar.
 
É por isso que as crianças estão no coração do Natal. É por isso que o Natal é das crianças. E dos que são como elas: inconformados!
publicado por Theosfera às 14:32

«Quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18, 8).

 Deveria merecer mais atenção esta pergunta de Jesus.
Pensamos, muitas vezes, que basta pertencer a uma religião para ter fé.
Esquecemos que a fé não é de ordem formal, mas de ordem existencial.
O que conta pois é a vida.
É ela que diz a fé que se tem ou não se tem.
Assim sendo, não basta preocuparmo-nos com o ateísmo dos que declaram não-crentes.
O que nos há-de merecer maior preocupação é o ateísmo dos que se proclamam crentes.
Os primeiros negam Deus com os lábios. Mas os segundos negam Deus com a vida.
Será que a fé norteia a minha vida? Vivo em função de Deus? Procuro testemunhá-Lo? Não tenho vergonha de O anunciar?
Atenção.
Aqui não há lugar para o meio termo.
Crentes, ou somo-lo a sério, ou não seremos nada.
publicado por Theosfera às 14:30

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