O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Faz hoje dois anos que Bento XVI deixou um apelo à Igreja que peregrina em Portugal. Fê-lo em tons de urgência: «É preciso mudar!». E não se esqueceu de concretizar o âmbito da mudança: a mentalidade e o estilo de organização.

 

Não podemos, pois, continuar na mesma. Há muito a fazer, muito a crescer, muito a rever, muito a alterar. Isto é bom, estimulante. Ninguém pode ficar de fora nem sentir-se à margem já que — adverte o Santo Padre — «todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja».

 

Impõe-se, neste sentido, envolver a totalidade dos membros, fortalecendo os que já estão integrados e indo ao encontro dos que ainda se sentem afastados.

 

A Igreja não pode temer a mudança. Esta encontra-se constitutivamente articulada com o princípio da identidade. A Igreja é divina e é humana. Por paradoxal que possa parecer, é necessário que ela mude para que, nela, resplandeça o que não muda.

 

Na Igreja, não muda a mensagem, mas tem de mudar a linguagem. Não muda o conteúdo, mas tem de mudar a forma. Não muda a prioridade, mas tem de mudar o método. Não muda a disponibilidade, mas tem de mudar a atitude. Neste caso, tem de aumentar a procura, a inquietação.

 

Com efeito, não há fé que não envolva uma procura (saudavelmente) inquietante. Lourdes Pintasilgo percebeu o essencial ao escrever: «A fé é a paz da permanente inquietação».

 

A incessante busca de Deus tem de provocar um incremento da busca do ser humano. Temos de acolher os que estão dentro e temos de ir ao encontro dos que estão fora. Também para eles Cristo veio. Também para eles Cristo não cessa de vir.

 

A Igreja tem de estar onde está Cristo. Cristo está todo em Deus e todo no Homem. É por isso que Cristo seduz, que Cristo atrai. E é por isso também que, como nos dá conta Martín Velasco, alguns ligam a novidade a Cristo e o envelhecimento à Igreja. Ou seja, enquanto Cristo Se renova na vida, a Igreja parece que envelhece no mundo.

 

Algo está mal quando a Igreja se distancia de Cristo. Acima de tudo, porque a identidade da Igreja é Cristo. Para S. Paulo e como nos lembrou Heinrich Schlier, a Igreja é Cristo no Seu (novo) corpo. Se as pessoas têm necessidade de procurar Cristo fora da Igreja é porque alguma coisa não está bem.

 

Urge, portanto, que a Igreja esteja sempre onde esteve/está Cristo: em Deus e no Homem. A espiritualidade e a caridade têm de despontar como a prioridade decisiva, inadiável.

 

Para isso, a Igreja deste novo tempo tem de ser, como alvitrava Ruiz de la Peña, mais orante, mais missionária e mais fraterna. Ou seja, tem de ser mais atenta, mais serva e mais pobre.

 

Jesus Cristo, além de falar de Deus, empenhou-Se em presencializar Deus. Sucede que, como advertia Karl Rahner, ainda somos uma Igreja terrivelmente deficitária em espiritualidade.

 

E tudo se ressente a partir deste défice inicial. Porque nos abrimos pouco à profundidade de Deus, abrimo-nos pouco também à profundidade do mundo. É preciso que a Igreja erga mais a voz para defender os explorados e para assumir a causa dos esquecidos. Precisamos de uma Igreja ao lado dos pobres, dos injustiçados.

 

Deus emerge dos escombros desta sociedade que clama por justiça. É aí que, como observou Fernando Urbina, podemos acolher «a grande voz silenciosa de Deus, esse rumor imenso de que fala S. João da Cruz».

 

Muitas vezes, é preciso sujar as mãos para manter limpo o coração.

publicado por Theosfera às 11:57

«Uma aventura vale na medida em que é perigosa».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Agostinho da Silva.

publicado por Theosfera às 11:50

O nosso IP acompanha-nos sempre de modo inconsciente, quase sem darmos por ele.

 

IP é a fórmula que um casal de americanos encontrou para descrever a nossa (lusa) idiossincrasia: o português tem inveja de quem tem mais e pena de quem tem menos.

 

Pese embora o simplismo generalizador da fórmula, não deixa de encerrar uma certa sabedoria e basta pertinência.

 

Regra geral, ninguém é tão elogiado como quando abandona um lugar. Nessa altura, chovem loas ao desapego do poder.

 

Não haverá, porém, outros ângulos de análise? Será que se pode usar esta grelha de leitura em todos os casos? Só Deus sabe.

 

Mas será que se trata sempre de desapego de poder? Não haverá também, em muitas situações, fuga à missão?

 

Se os apóstolos, os profetas e os mártires seguissem este paradigma, não teriam chegado aonde chegaram.

 

A maior parte deles nunca se desapegou da missão, mesmo que a esta chamassem poder.

 

Ainda nos lembramos dos pedidos para que João Paulo II abdicasse. Alguém, hoje, diria o mesmo? Alguém duvida de que o seu testemunho na doença e na morte foi tão eloquente como durante o resto do ministério?

 

Quem perseverar até ao fim será salvo, disse Jesus.

 

Evitemos as generalizações.

 

O desapego ao poder é meritório. Mas o amor à missão é fundamental.

 

Recusar o poder, sempre! Desistir da missão, nunca! 

publicado por Theosfera às 11:39

O encanto das revoluções está sobretudo naquilo a que põem fim.

 

O desencanto das revoluções está essencialmente naquilo a que dão início.

 

Como sair deste impasse?

 

Vamos andar sempre de revolução em revolução, entre clamores de protesto e gritos de alegria?

publicado por Theosfera às 11:36

 

A existência cristã é uma existência totalmente ex-cêntrica.
 
O discípulo de Cristo tem contrato firmado com o despojamento, sendo chamado a fazer permanentemente oferta de si mesmo aos outros.
 
Ser discípulo não é apenas admirar ou aplaudir.
 
Ser discípulo é sobretudo seguir o Mestre. Imitando a Sua conduta. E reproduzindo incessantemente a Sua forma de ser e de estar!
 
Não é obviamente censurável cada um preocupar-se consigo mesmo. Mas é mais conforme o projecto de Cristo doar tudo ao próximo.
 
A medida do Evangelho é desmedida. Não tem limites…
publicado por Theosfera às 11:35

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