Um católico não praticante, como muitos se apresentam, será um ateu?
Não obrigatoriamente.
E um «ateu não praticante», como Mia Couto se descreve, será um crente?
Não necessariamente.
Estas classificações só mostram como os caminhos que parecem mais distantes podem, afinal, cruzar-se com facilidade.
Mas há um vislumbre em todas estas qualificações. Um católico não praticante pode não estar longe do ateísmo. Um ateu não praticante pode estar perto da fé.
Um católico não praticante costuma ser descrito como aquele que não entra regularmente numa igreja. Um ateu não praticante também não entrará frequentemente numa igreja.
Católico não praticante e ateu não praticante guardarão as suas convicções para si.
As fronteiras são muito ténues. E as razões serão, todas, respeitáveis.
Deus está em todos. E, no fundo, há ateus que, pela sua bondade, aproximam de Deus. E haverá crentes que, pela sua frieza e crueldade, contribuirão para afastar de Deus.
Nada é óbvio. Tudo pode ser fecundo!