O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 26 de Maio de 2013

Neste dia da solenidade da Santíssima Trindade, o mistério por excelência, somos, uma vez mais, confrontados com os limites da linguagem.

 

Para falar de Deus, a linguagem parece um estorvo. E, de facto, não é uma estrada muito plana. É, acima de tudo, uma via muito íngreme, acidentada.

 

Fala-se, habitualmente, da Trindade como um sistema de relações (geração, espiração, pericorese, circumincessão, agenesia, etc.).

 

Raimon Pannikar disse a um bispo africano, aflito por não conseguir transpor este discurso para os seus diocesanos, que ele era um homem cheio de sorte. É que, em relação a Deus, é muito mais o que não sabemos do que o que sabemos.

 

Já Tomás de Aquino aludia à miséria das palavras (inopia vocabulorum). Como lembrava alguém, só é possível compreender Deus se não O quisermos explicar. A Teologia será sempre gaga. Só por tímidos balbucios deixará escapar algo do muito que (não) sabe.

 

Para falar de Deus, resta-nos o amor. Agostinho de Tagaste dizia que o Pai é o amante, o Filho o amado e o Espírito Santo o amor. É uma concepção colada à matriz neotestamentária: «Deus é amor» (1Jo 4, 8.16).

 

Entretanto, Mestre Eckhart, com a irreverência mística do seu génio, chega à mesma conclusão usando a linguagem do...riso: «O Pai ri para o Filho e o Filho ri para o Pai, e o riso gera prazer, e o prazer gera alegria, e a alegria gera amor».

 

Sublime! E, sem dúvida, muito comovente!

publicado por Theosfera às 08:48

De Theosfera a 26 de Maio de 2013 às 15:07
Compreendo o espanto e a perplexidade. Mas uma coisa é a identidade de Deus, outra coisa são as leituras humanas sobre Deus. Obrigado pelo contributo. Santo e feliz Domingo.

De José a 26 de Maio de 2013 às 16:26
Sim, concordo. Uma coisa é a identidade de Deus, outra coisa são as leituras humanas sobre Deus. Outra coisa ainda são os escritos que alguns homens atribuem à inspiração divina, mas que de divina não têm nada, incluindo o lamentável relato de Ananias e Safira. Nesse relato, se o mesmo tivesse sido historicamente verdadeiro, S. Pedro teria assistido, impávido e sereno ao suposto castigo de Deus sobre Ananias e Safira, por razões tão mesquinhas como as materiais. Mas, independentemente de quais tivessem sido essas razões, não foi Jesus Cristo quem, segundo o Evangelho, teria também afirmado que o pecado contra o Espírito Santo é imperdoável ? Mas que bondade de Deus seria essa, se o próprio Deus castigasse quem O ofendesse? Afinal, temos um Deus a apregoar, em Jesus Cristo, que devemos perdoar sempre e depois voltaríamos a ter um Deus justiceiro, que, em vez de dar o primeiro e maior exemplo do perdão, condena à morte Ananias e Safira? Confesso que a minha desilusão com estas notórias contradições do Cristianismo é crescente. Resta-me a esperança de poder ainda admitir que o verdadeiro Jesus Cristo nada tem a ver com a imagem deplorável que alguns fizerem dele. Será talvez esse o genuíno Cristo da fé: um Jesus Cristo não esquizofrénico. Ou seja, um Jesus Cristo bem longe de certas passagens menores do Evangelho: o Cristo do Santo Sudário, onde a sua real manifestação não se fez por palavras equívocas mas por presença espiritual.


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