O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 01 de Maio de 2013

 

1. Tanto se faz e tão pouco se consegue!

Eis a sensação que, embora não verbalizada, percorre o espírito de muitos crentes, especialmente o daqueles que se dedicam à pastoral.

 

2. Se repararmos, nunca a pastoral foi tão planificada e tão organizada. Nunca a pastoral envolveu tantos meios nem mobilizou tanta gente.

E não obstante tanta vontade e tamanha dedicação, o desconforto visita e o desânimo espreita.

 

3. Quem já não passou pela situação descrita por um padre ortodoxo, que se lamentava: «Esforcei-me tanto, mas as pessoas não me ouvem: não vêm ou adormecem»?

Enfim, a pastoral tem tudo para ser eficaz mas, às vezes, parece tão pouco eficiente. A que se deverá este cansaço entre os cristãos?

 

4. Na busca de respostas, haverá quem insista na continuidade. Também não deixará de haver quem proponha mudanças.

E não faltará quem diga abertamente que a pastoral nunca funcionou tão bem como quando parecia não haver pastoral. Parece uma boutade. Mas vale a pena reflectir sobre a aparente provocação.

 

5. É claro que sempre houve pastoral. Desde logo, porque sempre houve pastores que procuraram estar na senda do único, bom e belo Pastor (cf. Jo 10, 11).

Mas, de facto, houve um tempo em que a pastoral não era tão programada, tão assente em planos, congressos, simpósios e sucessivas reuniões.

 

6. Para usar uma expressão do Papa Francisco, dir-se-ia que, mais do que uma «Igreja reguladora da fé», avultava uma «Igreja transmissora e facilitadora da fé».

Durante muitos séculos, a pastoral era concebida de uma forma muito concreta e muito simples, portanto facilmente assimilável. Tudo se concentrava no encontro.

A pastoral consistia, com efeito, no encontro com Deus e no encontro entre as pessoas que se encontravam com Deus.

 

7. Na linha do que é descrito nos Actos dos Apóstolos, a base da pastoral era a oração, a pregação e a caridade.

Na verdade, os primeiros cristãos eram assíduos à oração (cf. Act 2, 42) e ao anúncio de Jesus (cf. Act 2, 22). Punham tudo em comum (cf. Act 2, 44-45), partilhando tudo o que tinham (cf. Act 4, 32) pelo que «não havia pessoas necessitadas entre eles» (Act 4, 34).

 

8. Este centro era rapidamente transportado para o espaço e para o tempo. A vida dos cristãos decorria à volta de uma casa (Igreja) e em torno de um dia (Domingo).

De facto, era especialmente nessa casa e sobretudo nesse dia que se celebrava o encontro com Deus e o encontro entre as pessoas. Daí o lugar que assinalava a passagem da casa de cada um para a casa de todos: o adro.

 

9. O adro proporcionava convívio e servia de ligação: do tempo para o templo e da missa para a missão.

A comunidade até era conhecida como paróquia, ou seja, o território que ficava à volta (para) da casa (oikía). Os seus membros eram chamados paroquianos e também fregueses, isto é, filhos da Igreja.

 

10. O resto do tempo era vivido em função do Domingo (segunda-feira, terça-feira, etc.). No mundo rural, não havia férias, mas havia feriados.

Os feriados eram não tanto para descansar, mas sobretudo para celebrar. As pessoas interrompiam a cadência do trabalho normal para celebrarem determinadas festas religiosas.

 

11. Hoje, os tempos são outros. Não vivemos do passado, mas algo do passado pode continuar a iluminar-nos no presente.

As circunstâncias mudam, mas o essencial da pastoral permanece: rezar a Jesus, falar de Jesus e agir como Jesus.

Já não é pouco. É bastante. Não será tudo?

publicado por Theosfera às 12:38

De Maria da Paz a 2 de Maio de 2013 às 01:01
Rev.mo Senhor Doutor:
Que saudades de outros tempos em que, efectivamente, celebrávamos o Dia do Senhor! E havia o encontro: com Deus, com os Irmãos! E o adro era , afinal, tão importante!
Magnífica esta reflexão!
Afectuosamente,
Maria da Paz

De Theosfera a 2 de Maio de 2013 às 06:03
Ex.ma Senhora Dra. Muito obrigado pela benevolência. Deus a abençoe.

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