O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

1. Um dos aspectos que mais avultava na pessoa (e na vida) de Francisco era a mansidão. A reacção à injustiça nunca passou pela vingança ou pela severidade, mas pela bondade e pela misericórdia.

Se alguém o feria, não retaliava; partia, seguia em frente. O princípio de Francisco não era o poder, mas a misericórdia. Daqui brotava o alicerce da sua conduta: não mandar, mas servir.

 

2. Como viria a sintetizar Jon Sobrino, em pleno século XX, «o princípio-misericórdia é o princípio fundamental da actuação de Deus e de Jesus; pelo que deve ser também o princípio fundamental da actuação da Igreja».

De facto, Jesus foi mestre na vivência deste princípio. E Francisco foi radical ao torná-lo prioritário. É por isso que não falta quem diga que Francisco foi o Primeiro depois do Único.

 

3. Francisco levou o despojamento ao extremo, indo ao ponto de verter na Regra que os frades não fossem chamados «priores» e que nem sequer montassem a cavalo! Aos seus irmãos não dizia para guardarem dinheiro. Dizia, pelo contrário, para «se guardarem do dinheiro»!

Por aquilo que acreditava Francisco era capaz de tudo. Era capaz até — entrando em aparente contraste com a sua lendária mansidão — de cometer os actos mais extremos.

 

4. Numa altura, ouviu dizer que um grupo de irmãos tinha comprado uma casa. Por causa disso, anulou uma visita que tencionava fazer-lhes, ordenando-lhes que abandonassem a referida habitação.

Foi preciso que o cardeal Hugolino o informasse de que era ele o proprietário legal do edifício.

 

5. Mas Francisco recalcitrou. Para uma assembleia que iria decorrer em Assis, as pessoas resolveram oferecer uma grande moradia. Quando soube, Francisco, em vez de agradecer, exarou o mais veemente protesto. Não contente, subiu ao telhado, arrancou as telhas atirando-as para o chão. Só depois de assegurarem que a casa pertencia à cidade é que ele parou.

Não espanta, pois, que a Segunda Regra estipule: «Os irmãos nada tenham de seu: nem casa, nem lugar, nem coisa alguma»!

 

6. Um dia, depois de lerem o Evangelho, dois irmãos deram conta de que havia fogo. Francisco agarrou-se a um pequeno pedaço de couro que utilizava como cobertura quando dormia.

O fogo foi felizmente extinto, mas Francisco não ficou tranquilo. O seu apego ao cobertor deixou-o muito perturbado. E confessou-se publicamente: «Não quero mais cobrir-me com esta pele, porque por avareza não quis que o irmão Fogo a comesse»!

 

7. É por tudo isto que Francisco não é apenas um nome. Francisco é todo um programa, uma luminosa inspiração. E o mais interessante é que ele nos nos conduz ao futuro, transportando-nos aos começos.

Francisco é Jesus sem acrescentos nem amputações. Francisco é Cristo sem fim!

publicado por Theosfera às 15:49

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