O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 04 de Abril de 2013

1. Francisco não se limitou a ajudar os pobres. Sempre o fizera, mesmo quando era rico. Mas Francisco queria mais porque sentia que Deus lhe pedia mais: que se tornasse pobre!

E como é que ele teve a certeza da vontade divina? Através de um método, então muito em voga: as sortes biblicae. Entrou numa igreja e pediu para que o leccionário fosse aberto três vezes: uma em honra do Pai, outra em honra do Filho e outra em honra do Espírito Santo.

 

2. Na primeira abertura, veio Marcos 10, 17-21, onde se diz: «Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me».

A segunda abertura caiu em Lucas 9, 1-6 com esta passagem: «Nada leveis para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas».

A terceira (e última) abertura fez-lhe aparecer Mateus 16, 24-28, onde se encontra este versículo: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me»!

 

3. Francisco não pretendeu elaborar uma regra. Só queria seguir uma forma de vida: o Evangelho. Apenas Cristo devia crescer. Ele deveria diminuir. Por isso, considerava-se o menor (minus).

Para ele, o Evangelho era não unicamente para escutar. Era sobretudo para viver: no espírito e na letra.

 

4. Neste sentido, não espanta que Francisco tenha sempre resistido a incluir acrescentos. Ele queria o Evangelho na sua pureza original, na sua autenticidade primordial, sem glosas nem adornos.

Numa altura em que estava doente, deu a sua capa a um mendigo. Vendo, contudo, que lhe fazia falta, os irmãos pediram ao pedinte que lha devolvesse. Então, Francisco insistiu para que lha pagassem.

 

5. Francisco sempre pregou mais pelo exemplo do que pelas palavras. Como anota Augustine Thompson, «o seu maior sermão foi a sua vida».

A humildade perante os homens era uma decorrência da profunda humildade perante Deus. Daí o aparente paradoxo de Francisco: tão despojado para consigo mesmo e tão requintado no trato das celebrações. Queria que os cálices, os corporais e as toalhas do altar estivessem primorosamente limpos e devidamente conservados.

 

6. Ficava muito aborrecido quando os sacerdotes não guardavam a Hóstia em lugares decentes.

Ele, que era tão radicalmente pobre, pedia aos seus irmãos que levassem as píxides mais preciosas para as igrejas das terras onde estivessem. Ele, que beijava as mãos de qualquer sacerdote que encontrasse, era bastante duro para com os serviços litúrgicos desmazelados.

 

7. É por isso que Francisco é um sopro para pôr fim a esta espécie de espiral recessiva em que nos deixamos, tantas vezes, envolver dentro da Igreja.

É por isso que Francisco é uma inspiração para que Francisco promova um emagrecimento nas estruturas, uma espécie de downsizing nas instituições. É por isso que Francisco é uma inspiração para Francisco nos transportar ao Evangelho, a Jesus, aos pobres.

 

8. Já foi possível no passado. Não será impossível no presente.

Neste presente. Em cada presente!

publicado por Theosfera às 10:04

De Anónimo a 4 de Abril de 2013 às 12:06
Estou convicto de que, com este Papa, muita coisa vai melhorar na Igreja. Porque ele também é um Homem de prática, de acção, de exemplo, que segue pontualmente o Evangelho. Repudia as pompas e vãs ostentações. Ele quer uma Igreja, cuja prática e vivência se assemelhem às dos primeiros cristãos. Deus vai ajudá-lo, disso não tenho dúvida. O Espírito Santo não o escolheu por mero acaso.

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