O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013
Um dia, alguém perguntou a Óscar Wilde: «Sabes qual é a diferença entre um santo e um pecador?».


O escritor irlandês respondeu: «Sei. É que o santo tem sempre um passado e o pecador tem sempre um futuro».


Como é bom conviver com pessoas com a sabedoria e a simplicidade de S. Tomás! Um santo enquanto sábio, um sábio enquanto santo!


A maior santidade é uma manifestação de sabedoria. E a maior sabedoria é sempre a santidade.


Hoje é dia de S. Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. Não sei que mais admire nele, se a santidade, se a sabedoria.


Dialéctica infundada, porém. Tomás foi sábio porque santo e foi santo porque sábio. Ele percebeu belamente que a verdadeira sabedoria é a santidade e que a autêntica santidade é sempre sabedoria.


A sua humildade levou-o a procurar constantemente a verdade. Fê-lo até ao fim da vida. E fê-lo não só sentado à secretária. Fê-lo sobretudo de joelhos.


A Teologia não é um exercício diletante. É um acto de fé que não exclui a razão, antes a optimiza.


A fé envolve a vida e não deixa a razão de fora. Foi Tomás quem porfiou na consolidação da aliança entre a razão e a fé: «A razão postula a fé e a fé postula a sua compreensão racional».


Homens como Tomás não passam de moda. São imortais. Por isso, a Igreja, no Vaticano II, faz dele o único teólogo cujo pensamento recomenda expressamente na formação dos sacerdotes.


Era um homem silencioso. Vivia muito a partir de dentro, a partir do fundo. Parecia um anjo. Não deixou de ser humano por isso. É um acto de sabedoria aprender com quem nos pode ajudar. Inclusive com os anjos.


Nem todos podemos ser sábios como Tomás. Nem todos poderemos ser místicos como Teresa de Lisieux, que viveu às portas do século XX. Mas todos somos chamados a ser santos como os dois. Ambos mergulharam no mesmo (e infindo) oceano: o mistério santo de Deus!


Tempos diferentes e personalidades diversas partilham a mesma preocupação: encontrar o seu lugar na Igreja, na humanidade.


No século XIX, Teresa de Lisieux foi perita na ciência do amor. No século XIII, Tomás de Aquino fora mestre no amor da ciência.


Ambas as vias conduzem a Deus: o amor é a maior ciência; a maior ciência é o amor.
publicado por Theosfera às 06:05

De António a 29 de Janeiro de 2013 às 16:07
Estimado Padre João António

Firmei o propósito de me afastar de comentários regulares neste seu blogue, não obstante continuar a lê-lo com a maior das atenções e amizade. No entanto, não resisti, relativamente a este seu texto, em discordar claramente de si, com o maior dos respeitos. Não vejo como seja possível enaltecer em termos éticos uma figura como Tomás de Aquino, o qual, na sua Summa Theologica, preconizou e incentivou a morte daqueles seres humanos, que, por ele, foram considerados hereges. Tomás de Aquino é um dos responsáveis pelas atrocidades cometidas pela Inquisição. Que diferença, meu Deus, entre a figura menor de Tomás de Aquino e as figuras excelsas de S. Francisco de Assis ou de Santo Ambrósio. Preconizar a morte de seres humanos, que apenas tenham emitido formas diferenciadas e autónomas de pensamento, será uma manifestação de Cristianismo ? Jesus Cristo teria aprovado essa deplorável tese de Tomás de Aquino ? Um homem verdadeiramente santo preconiza a morte de outros seres humanos pelo simples facto de possuírem opiniões diferentes ? Não, não é nesse tipo de Cristianismo que eu me revejo, mas daquele Homem, chamado Jesus de Nazaré, que, no Seu tempo, foi condenado à morte pelo poder clerical dos fariseus e do Sinédrio, como herege, precisamente por se opor a todo o tipo de práticas desumanas.É como esse Cristianismo que eu me identifico, muito perto de S. Francisco de Assis e de Santo Ambrósio e totalmente afastado dessa figura deplorável, que foi Tomás de Aquino. Abraço amigo.

De Theosfera a 29 de Janeiro de 2013 às 19:10
Bom Amigo, muito obrigado por voltar. É sempre reconfortante a sua presença e estimulante a sua argumentação. Percebo o seu desapontamento. Nenhum santo é impecável. As afirmações que reputa a S. Tomás são claramente filhas do tempo. De facto, não podemos evitar alguma perplexidade. O pressuposto de S. Tomás era que a fé é mais importante que a moeda. Se a pena de morte era aplicada a quem falsifica a moeda, muito mais devia ser a quem falsifica a fé. O mais curioso é que, na sua vida pessoal, S. Tomás deu sobejas mostras de equilíbrio, moderação, sensatez e paz. Eu penso que esse posicionamento, embora nos cause desapontamento (porque, acima de tudo, fere o Evangelho amoroso de Jesus), não nos impedirá de reconhecer a magnificência da sua obra global e a rectidão da sua conduta. É o que penso e sinto. Muito obrigado. Deus o abençoe. Abraço amigo no Senhor Jesus.

De Anónimo a 31 de Janeiro de 2013 às 19:37
Ainda bem que voltou António, felicito-o por isso. O seu contributo é importante. Temos de respeitar as ideias uns dos outros, sem nos agredirmos e atacarmos mutuamente. Não é cristão que o façamos. O cristão deve ser sensato, moderado, amigo do seu irmão mesmo quando ele analisa as coisas de Deus de forma diferente da nossa. Se se debruça sobre a Doutrina de Jesus será que que está assim tão longe Dele? Certamente que não, o pode estar mais perto Dele do que muitos que se julgam Seus filhos dilectos. Sejamos razoáveis e, essencialmente, imitadores e seguidores de Jesus.

De António a 4 de Fevereiro de 2013 às 23:53
Muito grato pelo gentil comentário, mas, decididamente, penso que não devo prosseguir com as minhas intervenções. Tentei ser rigoroso e imparcial nas minhas análises, enaltecendo o que me pareceu eticamente defensável e criticando o que se me afigurou merecedor de censura. Mas, em circuitos ideologicamente fechados, no domínio das grandes narrativas, sejam elas políticas ou religiosas, a lógica preponderante acaba sempre por ser a circular, não a minoritária e contestatária. Saio com a consciência de que, não obstante as minhas discordâncias, sempre fui movido por recta intenção e espírito fraternal. O resto ultrapassa-me.

De Anónimo a 5 de Fevereiro de 2013 às 12:08
Desculpe, António, mas não faça isso. Deve continuar a fazer os seus comentários sempre que lhe aprouver. Do teor dos mesmos facilmente se infere que é uma pessoa muito culta, séria, honesta, bem formada e informada, por isso deve continuar a partilhar connosco o seu saber. Tal como deixou dito Luther King, não é o grito dos maus que nos deve incomodar, mas o silêncio dos bons. Mas em certas situações, o silêncio é a atitude mais eloquente. Há que saber vencer os reveses da vida sem nos deixarmos submergir por eles, sabendo perdoar e desculpar o outro. Se Cristo tivesse claudicado à primeira contrariedade não nos teria deixado a riqueza que deixou: a Sua Doutrina os Seus Ensinamentos o Seu Magnífico Exemplo, morrer na Cruz para nos libertar dos grilhões da morte e do pecado.

De César a 30 de Janeiro de 2013 às 01:52
Ora, aqui temos o regressado Sr. António, a mostrar de novo todo o seu vasto conhecimento da História da Igreja. E a zurzir em São Tomás de Aquino, o que lhe dá sempre inaudito gozo.

De António a 30 de Janeiro de 2013 às 17:27
Permita-me que lhe sugira que tenha mais tento na língua, no seu desbragado catolicismo. Incontáveis seres humanos foram queimados vivos e massacrados por causa dos autores morais da Inquisição. Tomás de Aquino foi só um daqueles que legitimaram o assassinato dos " hereges". Santo Ambrósio, Martinho de Tours e Papa Sirício, esses, opuseram-se à execução de Prisciliano, considerado o primeiro mártir da Inquisição. Falar de " gozo" neste contexto é uma ofensa a todos quantos pereceram por causa da insensibilidade humana, incluindo a de Tomás de Aquino, e do desrespeito pelos genuínos valores do Cristianismo. Se entender que Tomás de Aquino não merece qualquer censura por ter instigado à morte dos " hereges", se entender que o seu comportamento é digno de um cristão e de um santo, então defenda-o. Não se limite ao desempenho da triste figura de censor inquisitorial.

De César a 31 de Janeiro de 2013 às 00:36
Sr. António, com todo o respeito devo dizer-lhe que o Sr. confunde alhos com bugalhos.
Imputa-me coisas que eu não disse, nem sequer sugeri, para de imediato retirar conclusões em defesa das suas "batalhas". É um tipo de argumentação a despropósito, utilizado geralmente para esconder uma fraqueza de factos.
Explana-se longamente sobre a Inquisição, mais um tema favorito. Serve-se dele para continuar a tentar golpear violentamente a Igreja Católica.
Sobre a Inquisição aconselho-o a estudar esse assunto a sério, e chegará à conclusão de que a Igreja teve de se envolver na questão para tentar travar e minorar os desmandos praticados pelo poder temporal.

De António a 31 de Janeiro de 2013 às 13:06
Sr. César

O bom das nossas consciências é a inexistência de tutores intelectuais. Há muito que me habituei a pensar por mim próprio e, sobre a Inquisição, não careço, perdoe-me a franqueza, dos seus amáveis conselhos, quanto ao " estudo sério" que me recomenda. Não tenho por hábito conceder em matéria de branqueamentos históricos ou de revisionismos, como, por exemplo, daqueles que recomendam um " estudo sério" sobre o Holocausto. Estou a referir-me a um tal bispo Richard Williamson, que provavelmente também acompanharia o sr. César em matéria de revisitação histórica da anti-cristã Inquisição. Quanto à acusação ad hominem, mais uma que me dirige, de procurar " golpear violentamente a Igreja Católica", pergunto-lhe: desde quando censurar a anti-cristã Inquisição é golpear a Igreja Católica ? Então o Papa João Paulo II, quando pediu publicamente perdão pelos crimes da Inquisição, também estava a tentar golpear a Igreja Católica. Quer saber mesmo o que eu penso quanto aos verdadeiros inimigos da Igreja Católica ? São os que lá estão dentro a abusar sexualmente de crianças, a branquear as infâmias da Inquisição e a tentar obstar à livre expressão do pensamento crítico. Esses, sim, são os grandes inimigos da Igreja Católica. Têm Deus na boca e o Diabo no coração. Para bom entendedor...


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