O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

1. A fé é, prioritariamente, de ordem pessoal e, consequencialmente, de ordem doutrinal. Isto significa que «cremos em» e só por causa disso é que «cremos que».
É a credibilidade da pessoa que sustenta a credentidade das suas afirmações. No fundo, somos crentes em quem se mostra credível.

2. De facto, a fé remete-nos, antes de mais, não tanto para algo, mas para alguém.
É por isso que, quando professamos publicamente a fé, começamos por dizer que «cremos em Deus Pai, em Cristo e no Espírito Santo». Aliás, já Sto. Agostinho distinguia entre «acreditar em algo» (credere aliquid), «acreditar em alguém» (credere alicui) e «crer em alguém» (credere in aliquem), no sentido não só de acolher o que ele me propõe, mas de me entregar totalmente a ele.

3. É por causa da pessoa que aderimos à mensagem. É por causa da fé em Deus que aderimos aos conteúdos doutrinais acerca de Deus. A confiança entre Deus e o homem (fides qua creditur) articula-se em diversas proposições (fides quae creditur).
É neste sentido que, na sequência da profissão da nossa fé em Deus, também assumimos «crer que Deus é o criador do céu e da terra, que Jesus Cristo nasceu da Virgem Maria, que padeceu sob Pôncio Pilatos, que o Espírito Santo é Senhor e dá a vida».

4. Há, portanto, uma simultaneidade entre o «crer algo» (credere Deum) e o «crer em alguém» (credere in Deum), pelo que não é possível cindir os dois elementos.
Acontece que também não é lícito colocá-los no mesmo plano. Os dois elementos não são estruturalmente idênticos. Na verdade, o motivo por que se crê algo é que se crê em alguém.
Concretizando, não se crê em Deus por causa da doutrina; crê-se na doutrina por causa de Deus. Sendo englobante, abrangendo a pessoa toda, a fé é mais pessoal e existencial do que meramente conceptual.

5. Há, porém, quem estabeleça fracturas e opte por uma noção unilateral da fé.
Há, com efeito, quem se limite à fé enquanto confiança, excluindo todo e qualquer conteúdo doutrinal. Trata-se de uma fé que acentua sobretudo a experiência individual. No limite, estamos no limiar da auto-redenção. Esta atitude enfatiza mais a relação humana com Deus do que a iniciativa de Deus.
Mas também não falta quem, no extremo oposto, se fique por uma fé puramente doutrinal sem apostar na experiência de Deus. Esta última seria uma fé fria, despersonalizada, repetitiva.

6. É por isso que os dois aspectos são essenciais para a fé: o pessoal e o conteúdo.
Nunca se pode perder de vista que, como sublinha Franco Ardusso, a fé — e, especificamente, a fé cristã — «é, ao mesmo tempo, um crer no Deus de Jesus Cristo e um crer que Deus Se manifesta e Se dá aos homens como salvador em Cristo».

7. Privada de uma destas dimensões, a fé desvirtua-se e perde a sua identidade.
No entanto e sem pôr minimamente em causa a dimensão doutrinal, é preciso ter presente que a dimensão pessoal é a principal. É que, como reconhece Heinrich Fries, «a aceitação de todos os conteúdos concretos da fé baseia-se na entrega inteira, total e sem reservas do crente ao Deus que Se lhe comunica e Se lhe entrega pessoalmente. Todo o “eu creio que” assenta num “creio em ti”».

8. Já no seu tempo, S. Tomás assinalou que «o principal e, de certo modo, com um valor sem fim, em todo o acto de fé, é a pessoa a cujas palavras se outorga a própria adesão»!

publicado por Theosfera às 22:55

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