O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

1. Apercebemo-nos do que a fé é e sentimos que a fé está. Mesmo antes de nos apercebermos do que é a fé, sentimos que a fé está.

Numa aproximação inicial, dir-se-ia que a fé está na nossa relação com as coisas e na nossa relação com as pessoas.

 

2. Na nossa relação com as coisas, a fé começa por estar em nós como percepção de que não sabemos. Ou de que não sabemos plenamente.

De facto, num primeiro momento, quando alguém diz «creio» está a dizer que não sabe ou, então, que não sabe com toda a certeza.

Daí que quando alguém diz «creio» esteja — pelo menos, implicitamente — a admitir que o contrário também é possível. Quando alguém diz «crer» que o seu clube vai ganhar sabe que também conta com a possibilidade de perder.

 

3. Neste caso, a fé assemelha-se a uma tentativa de conhecimento antes do acontecimento. Tratar-se-á mais de um desejo do que de um vaticínio.

A fé, assim vista, está mais perto do palpite, do vislumbre, onde tudo parece possível, mas em que nada surge como garantido nem seguro.

Ela parece ficar a meio entre a mera suspeita e o conhecimento exacto. Será superior a um simples alvitre, mas continuará inferior ao verdadeiro saber.

 

4. Já no que toca à relação com as pessoas, a fé assume outras proporções. O índice de certeza e segurança é bastante diferente e incomparavelmente maior.

Quando alguém diz «creio em ti» expressa um acto de confiança que envolve a inteligência, a vontade e o sentimento. Ou seja, abarca a totalidade da pessoa.

 

5. Assim sendo, a fé pressupõe um relacionamento e pode até implicar uma entrega de toda a vida.

Aliás, a etimologia das palavras remete-nos para isso. Em alemão e inglês, acreditar (glauben, believe) tem a mesma raiz de amar (lieben, love). E, no latim, o verbo credere (acreditar) procede, segundo algumas derivações, de cor-dare, dar o coração.

 

6. Isto significa que, no plano pessoal, a fé oferece um conhecimento seguro. A pessoa entrega-se a quem conhece e conhece bem. É impensável que alguém se entregue a quem não conhece.

É claro que pode haver um equívoco acerca da pessoa. A coisa mais fácil do mundo — reconhecia Madre Teresa de Calcutá — é sermos enganados. É, no entanto, com base no relacionamento que presumimos conhecer as pessoas. Não se trata de uma relação sujeito-objecto, mas de uma relação eu-tu.

 

7. É a partir da confiança que nos merece a pessoa que damos assentimento e concordância àquilo que ela diz, àquilo que ela fez.

Esta é, pois, a «porta da fé», expressão usada por Bento XVI e que se encontra no centro do Livro dos Actos dos Apóstolos (17, 24).  

Paulo e Barnabé encontram-se em Antioquia e relatam aos cristãos como, apesar das dificuldades, muitos se tinham tornado cristãos em diversas cidades, transpondo assim a «porta da fé».

 

8. É uma porta aberta por Deus na medida em que cumpre o que promete, na medida em que diz o que faz e faz o que diz. É uma porta que nunca fecha e que, por conseguinte, está à disposição de todos.

É uma porta que podemos transpor pela resposta vivencial à vivencial proposta de Deus.

 

9. A fé é uma porta que dá para uma casa. É a casa do Evangelho. Do Evangelho difundido pela palavra, acolhido pela oração, mantido na caridade e fortalecido pelo testemunho.

 

10. Não fiquemos à porta. Entremos na casa. A fé não é para tudo. Mas é para todos!

publicado por Theosfera às 19:20

De Anónimo a 15 de Janeiro de 2013 às 20:02
Não posso ter fé em Jesus de Cristo de Marcos 16:16. Não concebo que Deus condene quem não acreditar e não for baptizado. A fé não pode sobrepor-se à razão.E e esta diz-me que um Deus misericordioso não condena ninguém que não acredite em Deus e não seja baptizado.

De Anónimo a 16 de Janeiro de 2013 às 00:55
Se no nosso dia cumprirmos o mandamento:" amai-vos uns aos outros como irmãos", a misericórdia de Deus será incomensurável. O seu conceito de justiça não é igual ao dos homens.

De Anónimo a 16 de Janeiro de 2013 às 13:05
O conceito de misericórdia de Deus não é igual ao dos homens, concordo. Mas conheço muitos homens comuns que seriam eticamente incapazes de proferir a frase de Marcos 16:16, atribuída a Jesus Cristo: "Quem crer e for baptizado será salvo; mas quem não crer será condenado". Eu não acredito nesta concepção de Deus, a minha fé não chega tão longe e ainda bem.

De Anónimo a 16 de Janeiro de 2013 às 17:54
Caro anónimo, concordo inteiramente consigo, mas reitero o que atrás deixei dito: o importante é o nosso agere quotidiano em relação ao nosso irmão. Amarmo-nos uns aos outros como Ele nos amou. É essa nossa postura perante os outros que Deus valoriza sobremaneira. Quanto ao Evangelho de S. Marcos: 16-16, parece-me que temos de o interpretar cum grano salis . Não o podemos desinserir do contexto histórico, social e cristão em que mesmo foi escrito. Daí que fazer uma interpretação textual, ipsis verbis , do mesmo pode não ser consentânea com a vontade do evangelista e de Jesus com toda a certeza que não é. Jesus encarnou para salvar todos os homens criados por Seu Pai à Sua imagem e semelhança.
Este é o meu modesto entendimento.

De Anónimo a 17 de Janeiro de 2013 às 00:06
Os evangelhos têm muitos aspectos equívocos e contraditórios em relação à pessoa de Jesus Cristo, mas, no caso de Mateus 16:16, a frase é clara: quem não for baptizado e não crer em Deus, será condenado, não admite, na minha óptica subjectiva, outra interpretação. Pelo menos, eu não a vislumbro. Se a frase foi proferida por Jesus de Nazaré, toda a sua divindade fica, do meu ponto de vista, abalada. Se Deus condenasse alguém pelo mero facto de não ser baptizado ou de não crer Nele, não seria Deus mas um monstro. Ora, eu não acredito que Deus seja um monstro. Se a mencionada frase não foi afirmada por Jesus, isso levanta a questão de saber o que é foi escrito pelos autores dos evangelhos e o que efectivamente foi afirmado por Jesus Cristo. Por mim, prefiro acreditar apenas no Jesus Cristo do Sermão da Montanha.

De César a 17 de Janeiro de 2013 às 02:28
O "anónimo" que agora anda a postar coisas por aqui faz-me lembrar um tal Sr. António que estava sempre do contra, sempre a criticar posições da Igreja, escritos de grandes vultos e santos, as próprias Escrituras.. etc. etc., sempre presumindo saber mais que todos...

De Anónimo a 17 de Janeiro de 2013 às 11:51
Limitei-me a defender o meu ponto de vista. Isso é crime ? É pecado ? Conduz-me à cadeira onde Galileu foi condenado ? Ou à fogueira onde Joana D´Arc foi queimada, para 500 anos depois ter sido canonizada ? Se você discorda do meu ponto de vista, apresente os seus argumentos, não faça mesquinhos ataques " ad hominem". É assim que você dignifica o seu catolicismo ? Concorda com Mateus 16:16 ? Qual é a sua interpretação ? Representa as palavras de Jesus Cristo ? Se sim, aceita-as como éticas ? Se não representam e foram da exclusiva autoria de Marcos, como podemos discernir nos evangelhos o que pertence a Cristo e o que não pertence ? As minhas objecções são feitas aos próprios evangelhos, não estou a atacar ninguém nem me arvoro superior seja em relação a quem for. Os evangelhos não são propriedade privada de ninguém. Discuto ideias, a partir de um local de exigência: a seriedade do pensamento crítico e reflexivo. Sabe o que isso é ? Uma fé, que não seja aferida por um pensamento crítico, não é fé, mas alienação. Você não aprecia o pensamento crítico, prefere antes a alienação ?

De Anónimo a 17 de Janeiro de 2013 às 10:54
Caro César, com o devido respeito, é meu modesto entendimento de que as pessoas têm o direito de opinar segundo a sua maneira de ver e pensar. Ser cristão e católico é isso mesmo, saber compreender e aceitar a opinião dos outros, a diferença, porque não somos donos da verdade. O diálogo é muito importante. Como soi dizer-se, da discussão nasce a luz. O que fez Jesus quando esteve entre nós? Nunca impôs a Sua Doutrina, os seus Ensinamentos à força. Pregava e agia em conformidade e não vacilava. Não dizia uma coisa hoje e fazia outra logo ou amanhã. Uma pessoa que questiona, que se interroga tem ânsia de saber mais e melhor acerca de Deus e pode estar mais perto Dele do que nós.
Para concluir desejaria dizer o seguinte: um católico praticante tem de ser moderado, consensual, exemplo vivo, imagem fiel de Jesus. Tem de se impor pela sua prática cristã: «Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo» (Coríntios, 11-1)


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