O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

 

Um dia, alguém perguntou a Óscar Wilde: «Sabes qual é a diferença entre um santo e um pecador?».
 
O escritor irlandês respondeu: «Sei. É que o santo tem sempre um passado e o pecador tem sempre um futuro».
 
Como é bom conviver com pessoas com a sabedoria e a simplicidade de S. Tomás! Um santo enquanto sábio, um sábio enquanto santo!
 
A maior santidade é uma manifestação de sabedoria. E a maior sabedoria é sempre a santidade.
 
Hoje é dia de S. Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. Não sei que mais admire nele, se a santidade, se a sabedoria.
 
Dialéctica infundada, porém. Tomás foi sábio porque santo e foi santo porque sábio. Ele percebeu belamente que a verdadeira sabedoria é a santidade e que a autêntica santidade é sempre sabedoria.
 
A sua humildade levou-o a procurar constantemente a verdade. Fê-lo até ao fim da vida. E fê-lo não só sentado à secretária. Fê-lo sobretudo de joelhos.
 
A Teologia não é um exercício diletante. É um acto de fé que não exclui a razão, antes a optimiza.
 
A fé envolve a vida e não deixa a razão de fora. Foi Tomás quem porfiou na consolidação da aliança entre a razão e a fé: «A razão postula a fé e a fé postula a sua compreensão racional».
 
Homens como Tomás não passam de moda. São imortais. Por isso, a Igreja, no Vaticano II, faz dele o único teólogo cujo pensamento recomenda expressamente na formação dos sacerdotes.
 
Era um homem silencioso. Vivia muito a partir de dentro, a partir do fundo. Parecia um anjo. Não deixou de ser humano por isso. É um acto de sabedoria aprender com quem nos pode ajudar. Inclusive com os anjos.
 
Nem todos podemos ser sábios como Tomás. Nem todos poderemos ser místicos como Teresa de Lisieux, que viveu às portas do século XX. Mas todos somos chamados a ser santos como os dois. Ambos mergulharam no mesmo (e infindo) oceano: o mistério santo de Deus!
 
Tempos diferentes e personalidades diversas partilham a mesma preocupação: encontrar o seu lugar na Igreja, na humanidade.
 
No século XIX, Teresa de Lisieux foi perita na ciência do amor. No século XIII, Tomás de Aquino fora mestre no amor da ciência.
 
Ambas as vias conduzem a Deus: o amor é a maior ciência; a maior ciência é o amor.
 
publicado por Theosfera às 10:51

De Antóniobre a 28 de Janeiro de 2010 às 14:41
Sabe, estimado Padre João António, que discordo totalmente da avaliação que faz da figura,a meu ver perniciosa de Tomás de Aquino, mas prefiro não reeditar as apreciações que, sobre ele, já fiz. Continuo a pensar que o Mal é sempre Mal,e o Bem sempre Bem. Que o trigo é sempre trigo e o jóio sempre jóio.E que a Verdade, por mais tempo que demore a revelar-se, vem sempre à tona de água.Deus,esse, permanece soterrado sempre que preferirmos as verdades dogmáticas às verdades do Seu Espírito...

De Theosfera a 28 de Janeiro de 2010 às 16:08
Bom Amigo, gostava de, um dia, poder falar pessoalmente consigo sobre muita coisa, inclusive sobre S. Tomás. O essencial dele não está nas afirmações em que está a pensar (e que, hoje, nem ele defenderia), mas na grande abertura, sensatez, humildade e saber. Eu também não me revejo na defesa da pena de morte que ele faz. Mas é tão grande S. Tomás na sua postura que tudo isso só pode ser creditado ao espírito do tempo...
Abraço grande no Senhor Jesus

João António
padre

De António a 28 de Janeiro de 2010 às 16:58
Também gostaria muito de um dia o poder conhecer pessoalmente, estimado Padre João António. Sabe,aprendi muito a reflectir com a minha querida mulher ateia,a qual,na sua juventude,desejou dedicar-se à vida contemplativa.Exigente e bondosa como a conheço ( e não conheço ninguém que actue de forma mais cristã do que ela),no momento da minha crise de fé, há cerca de três anos,interpelou-me no sentido de me interrogar se a minha concepção de Deus estaria certa. Sei que ela ficaria triste se eu deixasse de ser crente porque também ela gostaria muito de o ser.Neste percurso interior de 3 anos,encontrei-me com o Deus que, afinal,nunca antes conhecera:manso, bondoso,magnânimo,gentil, suave, subtil.Creia que foi uma descoberta maravilhosa. Sei que me entende porque sei que acredita no mesmo Deus que eu acredito.Contra Tomás de Aquino nada me move pessoalmente.O Deus em que acredito recebeu-o na Sua Santa Paz.E do Bem que Tomás de Aquino trouxe ao mundo com o que de Bem o seu pensamento teológico também tenha, certamente que o mundo o receberá fraternalmente como eu também o recebo e abraço...


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