O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

1. A discordância é um exercício meritório, um direito irrebatível e pode ser até uma obrigação indeclinável.

Mas ela não pode contender com o reconhecimento da realidade. Exemplo: podemos não gostar do branco, mas não podemos deixar de reconhecer que o branco é branco.

 

2. Não é crime discordar do que Isabel Jonet diz. Mas é impossível não reconhecer o que Isabel Jonet faz.

Ela pode não ter dito muito bem. Mas tem feito muito e bem.

E isso é o que importa. E é o que mais depõe em seu favor.

 

3. E, já agora, quanto ao que ela disse, nem sequer vejo razão para tanta celeuma.

Tudo se resume a isto: temos de aprender a viver na adversidade. Já S. Paulo o disse aos filipenses (4, 12): «Sei viver na riqueza e sei viver na pobreza».

Mas não é isso que já estamos a fazer? Não sentimos que estamos a aprender a viver nesta situação difícil?

 

4. E, depois, é assim tão mau fazer caridade? Que seria de tantos sem a caridade de tantos?

É claro que a caridade não pode ser uma forma de humilhar os outros, de mostrar superioridade sobre a vida dos outros.

É verdade que a caridade não dispensa a justiça.

E, acima de tudo, é importante perceber que a caridade não pode ser o pretexto para que tudo continue na mesma. Mas, em si mesma, a caridade é uma forma de amor.

 

5. Aliás, um dos efeitos mais nefastos que esta crise pode revelar é o que já está a acontecer: colocar as vítimas da crise umas contra as outras.

É uma armadilha que alguém, astutamente, congeminou e na qual, pouco subtilmente, estamos a cair. As críticas a Isabel Jonet e aos que recebem alguns apoios sociais relevam desta cedência.

 

6. Volto a insistir: a crítica é legítima, mas, nesta altura, a unidade é (mais) necessária.

Este é o momento de unir esforços e juntar vozes. Este não é o tempo de desperdiçar energias.

O alvo dos pobres não podem ser os outros pobres. Nem, muito menos, aqueles que estão ao lado dos mais pobres.

 

7. A própria Igreja, que neste campo já faz muito, pode (e deve) fazer muito mais. Pode (e deve) intervir, falar, anunciar e denunciar. A acção é importante, mas, nesta fase, a palavra pode ser decisiva.

 

8. É preciso que a Igreja não pareça «eclesiocentrada» nem apareça «eclesio-sentada». A Igreja tem de estar sempre «teocentrada» e «antropocentrada», centrada em Deus e no Homem.

Ela tem de estar cada vez mais ao lado dos pobres e dos que estão, aceleradamente, a empobrecer. É para isso que ela está no mundo. Foi para isso que Jesus Cristo veio à terra!

 

 

9. A crise desvela o que, muitas vezes, tende a estar velado: nem tudo é linear. O aumento da receita não tem de vir apenas (nem principalmente) dos impostos. E, mesmo quanto a estes, não é curial que sejam sempre os mesmos a sofrer o peso da factura.

O pensamento linear, segundo o qual não há alternativas, não traz grandes benefícios. Já está gasto, falido.

 

10. Temos de reaprender o pensamento complexo. Temos de reaprender a ligar os conhecimentos, a ligar os contributos e (sobretudo) a ligar as pessoas.

Era bom que houvesse muita gente como Isabel Jonet. E, graças a Deus, até há!

publicado por Theosfera às 19:13

De P a 21 de Novembro de 2012 às 03:35
Comentário sem nenhuma relação com o artigo.

" O senhor Diogo Leite Campos quer acabar com os subsídios - subsídio de renda ou abono de família - sem saber onde realmente gastam os beneficiários o dinheiro. Não deixa de ser um raciocínio económico estranho, já que a despesa - os filhos ou a casa - estão lá. Para resolver o problema, quer fazer como se faz com os mendigos: dá-se-lhes uma sandes em vez do dinheiro. Através de um cartão de débito e recorrendo a instituições de caridade, como "albergues" ou a "sopa dos pobres". A leitura de Oliver Twist, de Charles Dickens, pode ajudar a perceber o modelo social de Leite Campo.

Num excelente almoço organizado pela Câmara do Comércio e Indústria Luso Francesa, onde perorou sobre a pobreza, Leite Campos explicou que "quem recebe os benefícios sociais são os mais espertos e os aldrabões e não quem mais precisa".



Seria impensável eu dizer que o senhor Leite Campos é um "aldrabão". Longe de mim pôr em causa a honorabilidade de tão distinta figura. Os insultos, já se sabe, são coisa que deixamos para os miseráveis. O direito ao bom nome vem com o cartão de crédito e quem não o traz na carteira só pode deixar de ser suspeito se lhe derem um cartão de débito. Os pobres são, até prova em contrário, mentirosos. Como não insulto o senhor, fica apenas este facto: estando ainda a trabalhar, já recebe uma reforma do Banco de Portugal. Quando se retirar da Universidade de Coimbra, juntará o que recebe já hoje ao que receberá dali. Acumulará duas reformas vindas do Estado.



Seria um argumento "ad hominem" atacar o professor Leite Campos, competente fiscalista, por causa das suas duas reformas. Dizer que ele é "esperto" e que gasta recursos do Estado que podiam ir "para quem mais precisa". Espertos são os pobres que ficam com os trocos. Quem consegue acumular reformas por pouco trabalho é inteligente. Os pobres enganam o Estado, os outros têm direitos. Os pobres roubam o contribuinte, os outros têm carreiras. Fico-me por isso pelos factos: a reforma que o senhor Leite Campos recebe do Banco de Portugal resulta de apenas seis anos de trabalho naquela instituição.



Cheira-me que se a generalidade dos portugueses recebesse reformas, estando ainda no ativo, por seis anos de trabalho e as pudesse acumular com outras dispensaria bem o abono de família e até o cartão de débito para ir à sopa dos pobres.

Aquilo que realmente está esgotar o crédito da minha paciência é ver tanto "esperto" que vive pendurado nas mordomias do Estado a dar lições de ética aos "aldrabões" que recebem subsidios miseráveis. É mais ou menos como dizia o outro. Já chega. Não gosto de tanto cinismo. É uma coisa que me chateia, pá.



Sobre os subsídios, Leite Campos disse: "O dinheiro não é do Estado, é nosso. Quem paga somos nós. Nós, contribuintes, temos direito a ter a certeza que o nosso dinheiro é bem entregue. Eu estou disposto a pagar 95 por cento do que ganho para subvencionar os outros, mas quero ter a certeza que é bem empregue, e que não vai parar ao bolso de aldrabões". Sobre as escandalosas reformas do Banco de Portugal, faço minhas as palavras do vice-presidente do PSD."
Publicado no Expresso Online por Daniel Oliveira (sim, sim, é o do Bloco de Esquerda, e daí ? )

De P a 21 de Novembro de 2012 às 03:43
Muita gente como Isabel Jonet seria bom? Ó homem, a senhora faz o que faz porque, justiça lhe seja feita, é coerente. A sua actividade é um imperativo de consciência (ESTÉTICA), isso "fica bem" lá no mundo onde ela se move - a quequaria católica de origem aristocrática - (o que não impede que seja útil). Mas sim, vou continuar a contribuir para o BA.

De P a 21 de Novembro de 2012 às 03:58
Aqui vai um endereço para uma notícia que Isabel Jonet nunca referiria por uma questão de BOM GOSTO. Mas vir para a TV dizer que os cortes dos subsídos são uma oportunidade para "as pessoas aprenderem a gerir orçamentos mensais", (vi eu há uns meses antes destas últimas declarações), para isso tem a garganta afiada. Como se a maioria dos portugueses fossem uma data de irresponsáveis perdulários e por mor dos subsídios de férias e do 13º passassem o ano em gastos impensados.

http://economia.publico.pt/Noticia/falta-de-zelo-do-fisco-deixou-caducar-divida-do-presidente-da-vodafone_1251531

De Evágrio Pôntico a 23 de Novembro de 2012 às 02:51
P,
permita-me que teça alguns considerados aos seus comentários.

A sua crítica parece-me justa em relação ao Prof. Diogo Leite de Campos, e a tantos outros que, como ele, são uma das causas da crise (e da sua continuação…).

É mais que óbvio que a Seg. Soc. não se aguentará se continuarem a ser pagos valores tão elevados de tantas reformas douradas (que, ainda por cima, em tais casos, são, por via de regra, a duplicar e a triplicar...!!!) a pessoas com tão poucos anos de trabalho e de prestações contributivas.

Chega-se a pensar que tais pessoas são seres formidáveis, com o dom da ubiquidade, pois que desempenham tantos cargos ao mesmo tempo, em tantas instituições… !

Na sua adoração ao deus mamon, que lhes incute a voracidade pelo vil metal (é preciso tanto para se viver nesta passageira vida terrena…?! ) estes srs. "importantes" estão a comprometer de forma tremendamente irresponsável o futuro dos mais jovens. Mas que lhes importa isso, se eles, seus familiares e amiguinhos estão bem protegidos com bons empregos e até mordomias…?!

O País está infelizmente inquinado destas "sumidades" que apenas se serviram (e se servem) a si próprias ... !

Quanto a Isabel Jonet discordo em absoluto das considerações que faz à Senhora (porque julga-a pertencer a uma roda da aristocracia "caritativa"…?! Teria de pertencer à esquerda "miserável" para ser reconhecida...?!).
O que interessa fundamentalmente é a qualidade do seu trabalho e a dedicação que lhe vota, bem patentes nos resultados....

As críticas abstrusas, absurdas e insolentes que se têm feito à senhora são injustas e apenas demonstram boçal desconhecimento da realidade, para além de revelarem uma pertinaz, nítida e pura má fé…!

Já agora: todos aqueles que a criticam, ou criticaram, teriam apetência e capacidade (e coração) para desenvolver trabalho de tal envergadura….?!


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