O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

 

1. O poder diz que faz muito pelos pobres e estará a falar verdade.
 
Mas os pobres replicam que o poder faz pouco por eles e alguém acha que estarão a mentir?
 
É que o muito que o poder diz que faz é sempre pouco para quem precisa, para quem sofre, para quem sobrevive com dificuldades de toda a espécie e obstáculos de toda a ordem.
 
Daí que se instale a dúvida: será que o poder está mesmo interessado em acabar com a pobreza?
 

É, de facto, a nossa pobreza (pobreza de horizontes e pobreza de generosidade) que mais empobrece os pobres!

 
 
2. Há palavras que servem sobretudo de ornamento. Uma delas é pobreza.
 
Falar de pobreza — e dos pobres — fica sempre bem. O que problema é, muitas vezes, não se passa disso.
 
O Ano Europeu contra a Pobreza e a Exclusão Social, que estamos a viver, pode padecer desta enfermidade, endémica e atávica.
 
Uma vez mais, falar-se-á muito de pobreza e, uma vez mais também, nada — ou pouco — se alcançará.
 
Às vezes, no nosso íntimo paira até a dúvida se estamos perante programas contra a pobreza ou se não estaremos, antes, perante programas contra os pobres.
 
De facto, fala-se muito em lutar contra a pobreza. Mas, infelizmente, o que mais se vê é lutar contra os pobres.
 
É que quando nada (ou pouco) se faz pelos pobres é como se contra eles estivéssemos.
 
Também aqui não são as palavras que valem. São os gestos. É a vida.
 
Como sempre, a realidade é muito mais eloquente que o mais eloquente dos discursos. Seja qual for o sistema económico, as vítimas são sempre as mesmas: os pobres.
 
Razão assistia, pois, a George Orwell quando verteu a célebre máxima: «Todos os homens são iguais, mas uns parecem mais iguais que outros»!
 
 
3. Por muito que se diga e até por muito que se faça (valha a verdade que alguma coisa se tem feito), o combate à pobreza está muito longe de ser uma prioridade.
 
Ainda recentemente, o jornalista Manuel António Pinto nos desassossegava com este dado: «A União Europeia vai investir 17 milhões de euros na luta contra a pobreza, tanto quanto gastaram, em Dezembro, Sporting e Benfica em novas contratações»!
 
É por isso, talvez, que somos pobres: porque não canalizamos os recursos para o essencial; porque preferimos enterrá-los no secundário.
 
Por outro lado, isto mostra que o alastramento da pobreza não é somente uma questão política. É também — e bastante — uma momentosa questão cívica.
 
Trata-se de uma questão que nos aparece sob a forma de carência e que tarda em assumir a feição de uma urgência.
 
Vamos acordando e vamo-nos mobilizando para a pobreza ao sabor das circunstâncias e ao ritmo das tragédias.
 
Sempre que ocorre uma situação como a do Haiti, somos capazes de nos movimentar e de modo avassalador.
 
E, como sucede quase sempre, são os pobres os que mais se apressam a ajudar os pobres.
 
Falta, porém, fazer deste desígnio uma constante. No fundo, falta que a pessoa esteja no centro: no centro da acção política, no centro da vida.
 
 
4. O desnível entre países ricos e países pobres é aflitivo. Acresce que a maioria das pessoas vive em países com poucos recursos.
 
Não esqueçamos, com efeito, que oitenta por cento da riqueza está concentrada em vinte por cento da população. Ou seja, são poucos os que têm muito. E são muitos os que têm pouco ou quase nada.
 
Na União Europeia, Portugal é um dos nove mais pobres, existindo quase dois milhões de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza.
 
A região norte, mergulhada na falência das fábricas, lidera a pobreza em Portugal com um rendimento per capita expresso em poder de compra idêntico ao dos países de Leste.
 
 
5. Que lugar tem Cristo num mundo que consente que 14 milhões de crianças morram antes de completarem…cinco dias de vida?
 
Que lugar tem Cristo num mundo que admite que 800 milhões dos seus habitantes passem fome?
 
Um grito, por isso, urge lançar na direcção de quem aparenta conceber a existência (apenas) como uma luta, vendo adversários em todo o tempo e inimigos em toda a parte: se querem lutar, lutem a fome!
publicado por Theosfera às 11:20

De Nova Evangelização Católica a 26 de Janeiro de 2010 às 23:06
Rev. Senhor Padre João António

Desculpe que lhe diga, com todo o respeito:
O senhor Padre deveria ser Ministro da Assistência Social, ou, pelo menos, Alto Comissário para os Pobres e Marginalizados da Sociedade.
Mas, uma vez mais, constamos que 'Deus dá as nozes a quem não em dentes'; isto é, dá/permite cargos (e por vezes altas funções) a quem não tem bastante competência para exercê-los, como infelizmente é o caso vertente (em geral), uma vez mais...
Naturalmente, não me refiro a ninguém em particular, e menos ainda ao senhor Padre João, por quem tenho o máximo de consideração e respeito.
Houvesse muitos padres assim, pelo menos!

Na Igreja Católica, é aproximada/relativamente o mesmo, embora naturalmente não de modo tão vincado ou extremo; ou seja:
Os Padres e os Bispos - para já não falar dos Religiosos simplesmente consagrados ('totalmente' ao Senhor) -, como Pastores de almas que são (e jamais de corpos), deveriam dar absoluta preferência, ou pelo menos essencial prioridade, aos pobres e doentes de bens espirituais, e nunca o contrário, sob pena de traírem o essencial da sua vocação...
Mas infelizmente -- não é nenhum (mau) julgamento, tão-somente uma verificação mais do que evidente -- a grande maioria do Clero católico preocupa-se mais (muito mais!) com os pobres e carenciados de bens materiais e corporais do que com os extremamente carenciados de bens sumamente morais, espirituais e sobrenaturais/eternos...

Alguma coisa não bate certo; ou melhor, algo está profundamente errado em tudo isto...
Ou estarei eu a ser demasiado exigente, escrupuloso ou presunçoso (se não mesmo algo 'fanático'...), nesta simples e particular abordagem/constatação?
Não me parece, embora reconheça ter muitos outros defeitos, lamentavelmente.

De facto, a principal (se não única) missão dos Clérigos e Religiosos é, pelo que tenho aprendido em toda a minha conturbada vida de modesto leigo cristão, e pelo que a Igreja ainda ensina, baseada a cem por cento na Sagrada Escritura (como não podia deixar de ser) -- apesar de tudo, ou seja, de tanta corrupção, permissividade, tibieza, leviandade, rebeldia, etc, sobretudo após o Concílio Vaticano II (que quanto a mim teve mais defeitos do que virtudes, devido a tantos abusos e erros desde então permitidos)! --, é, dizia eu, a de pregar e ensinar, a todo o transe, a Doutrina de N. S. Jesus Cristo; isto é, o único caminho de Salvação das nossas almas pecadoras -- sob o fiel exemplo do Divino Mestre, que se fez extremamente pobre e vítima pela Redenção e Salvação de todos nós --, a saúde estritamente moral e plenamente espiritual, rumo ao Reino de Deus, à Pátria Celeste, à Glória Eterna, evitando assim, a todo o custo, a morte perpétua, o Inferno eterno...

Uma vez mais, acho sinceramente que não estou a exagerar ou a distorcer em nada; de contrário, alguém de direito que me esclareça devidamente, por favor e por caridade cristã.
Há quem me acuse - por vezes e, quanto a mim, injustamente - de não ter pelos pobres e doentes de bens materiais e corporais o devido respeito, atenção e caridade...
Não é verdade, até porque também, ao contrário do que se poderá julgar pelas aparências, muito tenho sofrido nesses mesmos aspectos..., embora reconheça sinceramente que há quem sofra muito mais, o que lamento profundamente.
E só não ajudo tais carenciados fisicamente quando não posso mesmo ou me é muito difícil, embora reconheça que a melhor ajuda é sempre de carácter moral e espiritual, pelo que sempre rezo (oferecendo também os meus sofrimentos e provações) por todos eles, e sobretudo pela salvação das suas almas, que é absolutamente o mais importante...

+ DEUS ACIMA DE TUDO !

Sem mais por agora, queiram desculpar-me se fui, eventualmente, menos correcto ou rigoroso, menos atencioso ou reverente.
Com a sua bênção, Padre João, em Jesus e Maria, sempre,
José Mariano
---

De António a 27 de Janeiro de 2010 às 13:58
"Se vivemos em condições de prosperidade ou de bem-estar, mais uma razão para termos consciência de toda a geografia da fome no globo terrestre; mais uma razão para dirigirmos a nossa atenção para a miséria humana, como fenómeno de massa; devemos despertar a nossa responsabilidade e estimular a prontidão para um auxílio activo e eficaz. Se vivemos nas condições de liberdade, de respeito dos direitos humanos, mais uma razão para sofrermos pelas opressões das sociedades que estão privadas da liberdade, pelas opressões dos homens que estão privados dos direitos fundamentais humanos. Isto diz respeito também à liberdade religiosa. De modo especial onde há respeito pela liberdade religiosa, devemos participar nos sofrimentos dos homens, às vezes de comunidades religiosas inteiras e de Igrejas inteiras, a quem é negado o direito à vida na religião segundo a própria confissão ou o próprio rito. Devo chamar pelos seus nomes a tais situações? Sem dúvida. É meu dever. Mas não podemos ficar só nisto. É necessário que nós, todos e em toda a parte, nos esforcemos por tomar uma atitude de solidariedade cristã com os nossos irmãos na fé, que sofrem discriminações e perseguições. É necessário, além disso, procurar formas em que esta solidariedade possa exprimir-se. Esta foi sempre, desde os tempos mais antigos, a tradição da Igreja. Na verdade, é bem sabido que a Igreja de Jesus Cristo não entrou «em posição de força» na história da humanidade, mas através de séculos de perseguições sofridas. E foram precisamente estes séculos que estabeleceram a mais profunda tradição da solidariedade cristã.

Também hoje tal solidariedade é a força duma renovação autêntica. É o caminho indispensável para a auto-realização da Igreja no mundo contemporâneo. Foi a verificação da nossa fidelidade a Cristo que levou a dizer: Pobres sempre tereis convosco (Jo. 12, 8. 7), e ainda: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes (Mt. 25, 40). A nossa conversão a Deus só se realiza no caminho desta solidariedade.

Abençoo-vos com muito afecto."

João Paulo II, carta de 4 /4/1979


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