O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 23 de Janeiro de 2010

S. João Esmoler (a razão deste epíteto será fácil de descortinar) nasceu em Chipre, foi funcionário do imperador, enviuvou e veio a ser patriarca de Alexandria por volta de 610.

 

Espantou toda a gente com uma pergunta que fez à chegada: «Quantos são aqui os meus senhores?»

 

Como ninguém percebeu o alcance, ele descodificou: «Quero saber quantos pobres temos. Eles são os meus senhores, pois representam na terra Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 25, 34-46). Dependerá deles que eu venha a entrar no Seu reino».

 

Fizeram o apuramento. Havia 7500 pobres, que ficaram a receber, todos os dias, uma boa esmola.

 

É claro que as críticas não demoraram. Que havia alguns que não eram pobres, antes mandriões. Réplica do bispo: «Se não fôsseis não curiosos, não o saberíeis. Curai-vos da vossa intriga e curiosidade e deixai-me em paz. Prefiro ser enganado dez vezes a violar, uma vez que seja, a lei do amor».

 

Diz a história que o cofre nunca se esvaziou. A quem lhe agradecia ele respondia: «Agradece-me só quando eu derramar o meu sangue por ti; até lá, agradeçamos, os dois juntos, a Nosso Senhor Jesus Cristo».

 

Ninguém tinha coragem de lhe negar nada. Só que alguns costumavam sair, furtivamente, da igreja antes do fim da Santa Missa. Sucede que o bispo saía também e, de báculo na mão, juntava-se a eles cá fora e intimava-os: «Meus filhos, um pastor deve estar com o seu rebanho; por isso, venho ter convosco. Mas não posso ficar aqui e não me posso cortar em dois; que iria ser das minhas ovelhas que estão lá dentro?»

 

Desde então, toda a gente esperava pelo fim da Santa Missa para sair.

 

Que nobre exemplo de pastor, de pai. Muito mais tarde, também Bossuet repetia: «Nossos senhores, os pobres».

 

O pobre é sempre uma surpreendente aparição de Deus.

publicado por Theosfera às 11:41

De António a 23 de Janeiro de 2010 às 14:43
Grande exemplo de vida e de Cristianismo na sua melhor expressão...

De Maria da Paz a 23 de Janeiro de 2010 às 20:48


«O pobre é sempre uma surpreendente aparição de Deus.»
Cónego Doutor João António Pinheiro Teixeira


Uma das definições mais sublimes que já li.
Maria da Paz



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