O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2012
1. Deus quer que sejamos perfeitos. Mas nem sempre a perfeição coincide com a nossa ideia de perfeição.

Joan Chittiter diz mesmo que «ser-se perfeito nem sempre é perfeito».

Há quem pense que ser perfeito é cumprir todas as regras. Nem sempre, porém.

 

2. Cumprir certas regras em determinados momentos pode ser maior pecado do que transgredi-las.

Ficamos preocupados quando alguém mente. E é motivo para preocupação.

Mas porque é que não nos preocupamos quando silenciamos a verdade?

Ficamos preocupados quando alguém subtrai o que não lhe pertence. Mas porque é que não nos preocupamos quando alguém não divide o que possui?

 

3. O noviço perguntou: «Quem está mais perto de Deus: o santo ou o pecador?»

Respondeu o ancião, para escândalo do jovem: «Obviamente, o pecador»!

Replica o noviço: «Mas como é possível?» De novo o ancião: «É que todas as vezes que alguém peca, corta a corda que o une a Deus. Mas todas as vezes que Deus perdoa, a corda amarra-se novamente. E, assim, graças à misericórdia de Deus, a corda fica mais curta e o pecador fica mais perto de Deus»!

 

4. Terrível tendência a de muitas pessoas para denunciar os vícios dos outros e para esconder os defeitos seus.

Jesus denuncia esta propensão. Ele não gostava de quem apontava o argueiro da vista dos outros e não reparava na trave que estava na sua própria vista.

Séneca deu uma explicação engenhosa para tudo isto: «Os pecados dos outros estão à nossa frente, ao passo que os nossos estão atrás das nossas costas».

É preciso olhar e não somente pelos olhos. Tanto mais que Saint-Exupéry avisa que só se vê bem com o coração. E um coração habitado pela verdade não aponta o dedo. Procura mudar por dentro. E compreende melhor os outros!

 

5. Jesus foi impecável. Nós vamos tentando vencer o pecado.

Vamos caindo. Vamo-nos levantando. Voltamos a cair. Voltamo-nos a levantar.

O jovem perguntou ao velho monge: «Que fazeis no mosteiro?»

E o monge respondeu: «Caímos e levantamo-nos. Caímos e levantamo-nos. Caímos e levantamo-nos».

Mal é quando desistirmos de nos levantar. Pior é se alguém nos impede de levantar.

 

6. O pecado não está no acto. Pode estar na relação com o acto.

É por isso que pecado tanto pode ser o impulso que leva a agir descontroladamente como o calculismo que leva a não agir oportunisticamente.

A ausência de erro por inacção pode ser tão pecaminosa como o erro por determinada acção. Pode até ser mais.

George Bernard Shaw escreveu: «Uma vida passada a cometer erros é mais honrosa e até mais útil do que uma vida passada a não fazer nada»!

 

7. Fracasso não é cair. É permanecer caído.

Mary Pickford tem razão. Uma queda não impede que se comece de novo. É por isso que João da Carpácia foi ao ponto de dizer que «é mais grave perder a esperança do que pecar»!

 

8. Dói muito ser injustiçado, difamado, caluniado. Mas será a palavra a melhor defesa?

Ela é, sem dúvida, um direito. Mas nem como direito evita que possa ser usada, por outrem, como arma de ataque.

Custa muito ficar em silêncio diante da infâmia. Nem sempre resulta. Mas, quase sempre, ajuda a levar a lama para o fundo e a trazer a verdade para cima.

 

9. Um dia, uma jovem mulher, com uma gravidez muito adiantada, acusou um venerável monge, que todos os dias rezava às portas da cidade, de a ter violado.

O povo, indignado, confrontou-o com a acusação. Ele limitou-se a responder: «Ai, sim?»

Depois, olhou para o céu e continuou a rezar.

 

10. Anos mais tarde, a mulher, moída pela culpa, admitiu que o pai da criança era o namorado e não o velho monge.

O povo foi ter com ele e gritou: «Olha que a rapariga reconheceu que tu, afinal, não a violaste». Resposta do monge: «Ai, sim?» E continuou a rezar!

Não é só o homem que procura a verdade. A verdade também procura o homem. Pode demorar. Mas não costuma faltar!

 

11. Nem sempre as palavras nos defendem. Só nos defendem diante de quem as quiser ouvir e aceitar.

As palavras, muitas vezes, só incendeiam a chama dos problemas que queremos evitar.

Palavras justas de defesa podem não evitar novas palavras injustas de ataque.

A indiferença nunca será o caminho. Mas o silêncio poderá ser a melhor solução.
publicado por Theosfera às 23:48

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