O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

1. Muitas mudanças tem havido na escola. E, paradoxalmente, pouca mudança parece haver na escola.

 

Eis a diferença entre o que é dito e o que é sentido. As mudanças que têm sido introduzidas nenhuma mudança parecem ser capazes de conseguir.

 

Dá até a impressão de que as mudanças estão a impedir a mudança. À medida que muito vai mudando, tudo (ou quase tudo) parece ficar na mesma.

 

 

2. Passa-se cada vez mais tempo na escola, mas, na maior parte desse tempo, como mera alternativa ao ócio e à delinquência.

 

Como não há gente em casa e como não há que fazer fora de casa, confiam-se as crianças e os jovens aos professores.

 

 

3. A escola parece ser uma ocupação que antecipa o choque com a grande desocupação que é o desemprego.

 

Daí o ambiente de melancolia e desmotivação ou, então, o clima de agressividade. Como os horizontes são escassos e as perspectivas quase nulas, a tendência é para deixar correr. Ou, o que é pior, para destilar o desespero em forma de violência.

 

 

4. A escola de hoje mais parece o reflexo daquilo que não queremos do que o projecto daquilo que esperamos.

 

Entendia Roger Garaudy, recentemente falecido, que o mundo da educação parece, não raramente, enganar-se de século.

 

É que já não estamos somente no «século das ciências». Estamos também no «século da sabedoria». Que obviamente inclui a ciência, mas que pretende ir mais longe que a própria ciência.

 

 

5. A escola não pode resignar-se a fornecer o «como» das coisas. Ela tem de motivar para a incessante busca do «porquê».

 

A escola ajuda não só quando oferece respostas, mas sobretudo quando abre espaço para o florescimento das perguntas.

 

 

6. Muitos acham que a escola mudará se a sociedade mudar. Muitos defendem que a sociedade mudará se a escola mudar.

 

Deste modo, a sociedade fica — passivamente — à espera da escola e a escola fica — passivamente — à espera da sociedade.

 

 

7. Nesta espécie de transumância da culpa, a sociedade despacha responsabilidades para a escola e a escola aliena responsabilidades na sociedade.

 

Importante é perceber que está em curso um fenómeno de transformação global que requer uma atenção contínua e uma intervenção cuidada.

 

 

8. As ciências não podem viver desligadas das humanidades.

 

Continuamos, sem dúvida, a precisar de pessoas «para descrever, para medir e para prever o que se passa na realidade presente». Mas necessitamos também, e com extremos de urgência, de quem coloque os inevitáveis «porquês».

 

 

9. É fundamental «ligar cada actividade escolar aos problemas da vida». O ensino tem de ser cada vez mais encarado não apenas como «uma forma de pensar, mas também como uma maneira de viver».

 

A escola não pode ser o lugar em que se tolhem capacidades. Tem de ser o ambiente em que se abrem caminhos e alargam horizontes.

 

 

10. Acima de tudo, é prioritário que se invista nos talentos que cada um transporta dentro de si e que é chamado a partilhar fora de si.

 

Não pode persistir o estigma de que quem não sabe matemática é um ignorante ou um falhado. Em quantas crianças não é assassinado um Mozart por razões (ditas) pedagógicas?

 

 

11. É mister perceber que formar é muito mais que formatar. «Não existe nenhum ser humano em que não possa florescer uma sensibilidade e uma inteligência capaz de trazer à comunidade o seu dom insubstituível».

 

A bem dizer, o objectivo da educação consistirá «em fazer surgir o criador que cada homem traz em si».

 

 

12. Nem todos podem ser doutores ou peritos. Mas todos podemos (e devemos) contribuir para que cada um encontre um rumo.

 

Se, ao sair da escola, a pessoa não puder ter logo uma profissão, que, ao menos, revele competência no pensar, correcção no escrever, asseio no vestir, aprumo no falar, rectidão no agir.

 

Será pedir muito?

 

publicado por Theosfera às 19:28

De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2012
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
hora
Relogio com Javascript

blogs SAPO


Universidade de Aveiro