O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
Aos nossos olhos, o caso pode parecer risível, mas ele acaba por certificar como os grandes homens se vêem em pequenos gestos.

Em meados do século XVI, Lamego teve um bispo vindo de Angra e que fora reitor da Universidade de Coimbra.

Órfão de pai e mãe, passou por tantas necessidades que, para se sustentar, teve de empenhar o próprio Breviário!

Ao chegar a Lamego, em 1540, D. Agostinho Ribeiro (era este o nome do prelado) achou que os bens da diocese eram excessivos e as necessidades dos pobres abundantes.

Por isso, vendeu a mula que o levara a Coimbra e outra mula que o trouxera de Lisboa. O produto era para os pobres.

O rei (D. João III) ofereceu-lhe uma terceira alegando: «Quantas mulas o bispo vender, tantas mulas lhe hei-de mandar; os pobres correm por conta dele e ele por conta do rei»!

Deixou Lamego em 1549 e recolheu-se num convento em Lisboa. Ofereceu tudo aos pobres e pediu que os grandes da corte não o visitassem!

Faleceu a 27 de Março de 1554. Não deixou grande obra física em Lamego. Também quando veio, já tinha alguma idade. Nem sequer estabeleceu a Inquisição, desobedecendo ao rei.

Mas deixou a obra mais bela de todas: o seu amor pelos pobres. Por causa deles até do seu meio de transporte se desfez!
publicado por Theosfera às 00:17

De Maria da Paz a 24 de Maio de 2012 às 01:52
Rev.mo Senhor Doutor:
Quem, no nosso tempo, consegue seguir o exemplo deste Bispo?
Penso que em (quase) todos nós há um tanto de hipocrisia e outro tanto de egoísmo que nos levam a admirar estes exemplos, mas... ficamos por aí.
E às vezes, vejo o Povo bem mal tratado por padres de Igreja que são distantes, grosseiros e arrogantes. Egoístas que são apenas "funcionários religiosos": mais preocupados com a sua "vidinha" do que com a Caridade, o Respeito, a Delicadeza e a Doação, a Compreensão e o Perdão, por inteiro, que são devidos ao Próximo. Não se sente, nesta "gente" a doçura nem o real interesse de brota de uma Caridade autêntica que abrace firmemente, convictamente, os dois maiores Mandamentos do Decálogo. Antes, a capacidade, insidiosa para escapar-se e preocupar-se apenas, no fundo, consigo mesmo. Enfim: vivemos com exemplos pouco edificantes que dizem, do altar para baixo, uma coisa e que, na vida, fazem outra. Que contas darão a Deus, estes "funcionários religiosos"? Caridade, sente-se mais no bom Povo, que respeita a Igreja (apesar de apodrecida em alguns dos seus membros ), o bom Povo que vai pagando côngruas para receber desses "funcionários" o mínimo de palavras, ditas quase por favor e com desprezo; o bom Povo que vai pagando Missas para enriquecer esses "funcionários" por quem é desprezado e explorado. Depois, admiram-se quando se dá uma reviravolta e há uma matança de reverendos, como foi no tempo da implantação da República, ou na Guerra Civil de Espanha ou na Revolução Francesa...
Precisamos de Sacerdotes que o sejam de verdade: no amor a Deus e ao Próximo. Mas de verdade! Sem subentendidos em que se enganem a si mesmos e ao Próximo.
Às vezes, dizia-me alguém há tempos: «Temos vontade de ter uma Igreja sem padres. Os padres são um mal necessário. E também nos podemos entender com Deus sem Igreja, sem padres nem essas trapalhadas todas.» Seria benéfico para a Igreja e para o Povo de Deus que muitos padres pedissem a redução ao estado laical. E esses, nem para bons cristão serviriam, decerto. Mais valeria assumirem-se como ateus, em vez de se enganarem e de enganarem os outros, com aparências de unção religiosa.
Há tanta falta de coerência e de doação a Deus e ao Próximo! Parece que há padres que nem acreditam na caridade que pregam! Mas pregam! Pregam a Caridade mas não se descentram, não vão ao encontro do Outro, dos Outros. Estão demasiado altos nos seus pedestais de egoísmo, de autismo, de arrogância, de desinteresse relativamente às almas, às pessoas, vivas e reais que lhes estão confiadas. Há muitos padres que precisariam de ser "reciclados", evangelizados como os índios ou os negros das regiões remotas do globo terrestre. E fizeram deles padres!
Enfim: é o que temos. Pobre do Povo de Deus! E duvido de que o próprio Deus Se sinta bem servido por estes "funcionários", "esterilizados" de qualquer sentimento humano de bondade, de caridade, de compreensão, de perdão, de amor ao Próximo. E, "ipso facto", sem amor ao próprio Deus.
Maria da Paz


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