O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

1. Há estudos que revelam o que ainda poucos sabem. E há estudos que mostram o que toda a gente já conhece.

 

A sondagem realizada pela Universidade Católica documenta o que temos sido capazes de ver mas incapazes de inverter. Ou seja, o número de católicos, apesar de continuar elevado, está a cair. Ainda são muitos (79,5%), mas são cada vez menos (há doze anos, eram 86,9%).

 

Acresce que — aspecto importante — os portugueses não estão a ficar descrentes (estes não chegam a 10%). Estão, sim, a optar por outras confissões cristãs, por outras religiões ou, então, por cultivar a fé longe de qualquer enquadramento institucional.

 

Tudo somado, temos vasta matéria para reflexão e muitas pistas para a missão.

 

Desde logo, importa retomar a interpelação deixada por Joseph Ratzinger nos anos 70: estará a ser a Igreja uma via ou um obstáculo para a busca de Deus e o anúncio de Cristo?

 

 

2. Para se aferir a pujança de uma igreja, a multidão é pouco e o culto não é tudo.

 

Estes indicadores, embora relevantes, são insuficientes para conferir a totalidade do que está em causa.

 

Eles tipificam o que se refere ao ocasional, isto é, ao que se passa durante certos momentos do ano, do mês ou da semana. Mas não permitem colher o que ocorre de forma constante.

 

Os estudos avaliam o mensurável, designadamente o envolvimento com a instituição Igreja. Mas a fé tem muito que não é mensurável: a relação com Deus e com as pessoas a partir de Deus.

 

 

3. Estes trabalhos quantificam, habitualmente, o que se refere ao «vir». O que se apresenta são números e percentagens sobre aqueles que «vêm» à Igreja.

 

Sucede que, sendo a Igreja por natureza missionária (como recordou Paulo VI), o primeiro movimento é «ir». E este «ir» há-de visar não apenas «atrair», mas também (e acima de tudo) «repartir».

 

Num tempo em que muitos chamam seu ao que é comum, é determinante que cada um se disponha a chamar comum ao que é seu.

 

Trata-se daquele «comunalismo» desenhado nos Actos dos Apóstolos e que tanto impressionava os contemporâneos dos cristãos da primeira hora (cf. Act 4, 32).

 

 

4. Nos tempos que correm, a fenomenologia da descrença mantém-se residual.

 

Ora, isto contradiz, uma vez mais, a ideia, difundida por alguns, do «eclipse de Deus» na sociedade. O encanto por Deus mantém-se. O desencanto pela Igreja é que se acentua. Como inverter esta última tendência?

 

Propostas haverá muitas, mas todos os caminhos terão de passar por um duplo eixo: espiritualidade e solidariedade.

 

As pessoas valorizam, cada vez mais, a vivência de Deus no seu interior e anseiam por um testemunho de Deus no exterior. Trata-se, em suma, de uma «sócio-espiritualidade».

 

A Igreja cai sempre que se aquieta e cresce sempre que se inquieta. A Igreja tem de se «des-centrar» para se «re-centrar». Tem de se «des-centrar» de si para se «re-centrar» naquele que era o duplo centro para Jesus: Deus e o Homem.

 

Tal como para Jesus, também na Igreja Deus tem de ser a prioridade e o Homem o caminho.

 

Já dizia o apóstolo João: «Quem ama a Deus, ame também a seu irmão»(1Jo 4, 21)!

publicado por Theosfera às 00:15

De António a 17 de Abril de 2012 às 19:52
Uma reflexão muito pertinente, estimado padre João António. Eu sou apenas mais um que se afastou ideologicamente da Igreja Católica, por não me ser eticamente possível admitir que, no seu catecismo, esteja ainda prevista a admissibilidade da pena de morte. Depois, fui divergindo de muitos outros dogmas, nos quais não me revejo. Mas isso não significa qualquer perda de laços afectivos com os meus irmãos católicos. Hoje, posiciono-me como um cristão desalinhado. Não necessito de estar integrado em qualquer instituição eclesiástica para me perspectivar nessa qualidade de cristão.A Igreja Católica está numa crise profunda, de que o escândalo da pedofilia é apenas a ponta do icebergue. Há muito, mas mesmo muito, para ser justamente alterado, quer na dogmática, que a enforma, quer na sua acção pastoral, quer ainda na sua liturgia.No entanto, o mundo precisa de uma Igreja Católica renovada, próxima da conduta de um S. Francisco de Assis ou de um Santo Ambrósio e longe, muito longe, do sectarismo despótico e desumano de Tomás de Aquino ou de Torquemada. E todo o mundo necessita de alguém que volte a surgir com um sorriso bondoso, similar ao de grande papa João Paulo I.
Só um Concílio Vaticano III será também capaz de travar este declive acentuado da Igreja Católica.

De Theosfera a 18 de Abril de 2012 às 00:15
Obrigado, bom Amigo, por este notabilíssimo contributo. É muito importante fazer caminho e abrir as portas! Abraço amigo no Senhor Jesus.


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