O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 26 de Dezembro de 2009

 

Ainda o Advento não tinha começado e já se faziam sentir, pressurosos, os sinais de aproximação do Natal.
          Todavia, a iniciativa, ao contrário do que seria de esperar, pertencia às empresas e aos hiper's. O que, de resto, se vai tornando comum.
          Com efeito, rádio, televisão, páginas inteiras de jornais bem como montras de estabelecimentos há muito que estão a promover produtos com motivos alusivos à quadra natalícia. Mais: por causa do Natal, é possível fazer compras, além dos dias habituais, nos feriados, aos sábados e durante um ou outro domingo de Dezembro.
          A impressão que fica é que o comércio surge, cada vez mais, como a preocupação dominante — para muitos, exclusiva — desta época. O que se ganha, inquestionavelmente, em vivacidade nas ruas perde-se, sem dúvida também, em profundidade, espontaneidade e transparência no relacionamento e na convivência.
          O efémero de tudo se apodera. De facto, nada parece perdurar para lá da longa noite de consoada. As atitudes afiguram-se rebuscadas: gastam-se fortunas em presentes; as casas ficam atulhadas de um sem-fim de jogos de luz e cor; até as saudações que se trocam são estereotipadas, destilando doses arrepiantes de formalismo e frieza.
          O Natal chega a assemelhar-se a um aniversário sem aniversariante. O ritmo a que se sucedem os lugares comuns (veja-se: o Natal é quando um homem quiser) denuncia, com efeito, uma relação distante com Aquele que deu razão de ser a toda este ciclo festivo: Jesus Cristo.
          Perguntar-se-á: de que modo se poderá reconduzir o Natal à sua genuinidade e autenticidade?
          Não se trata, evidentemente, de demonizar a actividade comercial, que dispara nesta época do ano. Mas tão-somente de evitar que ela polarize todas as atenções e energias.
          Bastará, para isso, pensar que o mistério mais profundo do Natal tem muito a ver… com o comércio. Não com aquele a que estamos habituados. Mas com um comércio de outra índole, que chega ao ponto de envolver o próprio Deus.
          Na verdade, os Padres da Igreja, quando se referem à incarnação do Filho de Deus, utilizam, por vezes, a expressão admirabile commercium (admirável comércio) para significarem, do modo mais expressivo possível, o intercâmbio que, em Jesus Cristo, se verifica entre o divino e o humano.
          No fundo, o Natal não é mais do que um comércio. Do que um admirável comércio!
publicado por Theosfera às 11:42

De António a 27 de Dezembro de 2009 às 14:49
Tem toda a razão, estimado Padre João António. O Natal é demasiado uma celebração sem Aniversariante. Passei-o em minha casa e chocou-me ver na tv programas totalmente arredios do momento devido à Memória do Deus Menino.Ontem, na rádio, mais uma vez escutei uma entrevista a José Saramago. No seu habitual tom azedo disse grandes verdades e gostei da reposta que deu ao entrevistador,quando este o indagou se a Ciência era a matriz substitutiva da Religião em relação ao Progresso da Humanidade. José Saramago responder que não. Que o progresso só se mede pelo critério da evolução moral. O entrevistador " esqueceu-se",contudo, de lhe perguntar o que o Saramago pensava da Doutrina de Cristo e Saramago também parece não ter avançado nas leituras depois do Génesis, do Deuterónimo e do Levítico...


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