O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 24 de Junho de 2018

Este era um homem de fibra,

um homem autêntico, honesto e bom.

 

Celebramos, hoje, o nascimento de João,

aquele que veio preparar os caminhos do Senhor.

 

Foi sempre corajoso, honesto e íntegro.

Não se deixou vergar. Não se deixou vender.

 

Foi igual a si próprio. Procurou ser fiel a Deus.

Não veio para dizer o que as pessoas gostavam de ouvir.

Veio para dizer o que as pessoas precisavam de escutar.

 

Obrigado, Senhor, pela coragem de João,

aquele que Te baptizou nas água do Jordão.

 

Obrigado, Senhor, por não ter vacilado nas horas difíceis

e por ter olhado sempre em frente, sem hesitar.

 

Obrigado, Senhor, por este homem sem calculismos.

Obrigado pela sua lição de vida:

«É preciso que Ele (Jesus) cresça e eu diminua»!

 

Obrigado também pela sua simplicidade e despojamento.

João não se vestia com grandes roupas nem se banqueteava em refeições opulentas.

 

Obrigado, Senhor, pela frugalidade de João.

Num tempo de tantos desperdícios, dá-nos a ousadia da partilha e da solidariedade.

 

Dá-nos, Senhor, a força para anunciar, com os lábios e com a vida,

que Tu és o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

 

Que desapareçam os calculismos e as ambições.

Que em nós arda o vigor de João.

 

Que nós sejamos capazes de viver para Ti

como João viveu para Ti.

 

Que os nossos lábios Te anunciem

como os lábios de João Te anunciaram.

 

Que o nosso coração esteja voltado para Ti

como sempre esteve o coração de João.

 

Que nós sejamos capazes de Te mostrar a todos

como João Te mostrou.

 

Que nunca recuemos nas dificuldades

como João nunca recuou.

 

Que o nosso testemunho perdure até ao fim

como perdurou o testemunho de João.

 

Que nos demos inteiramente

como João se doou.

 

Obrigado, Senhor, pela vida deste grande homem.

Obrigado pela lição da sua vida.

 

Obrigado pela entrega total do seu ser.

Que os nossos lábios e que a nossa vida mostrem quem Tu és,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:34

A. Celebramos João no início do Verão

 

 

  1. Eis mais um dia de festa em honra do Senhor. Celebramos hoje o nascimento do Seu precursor. João é um dom de Deus para todos nós, filhos Seus. O que nele mais reluz é o anúncio que faz de Jesus. João apresenta Jesus como Cordeiro (cf. Jo 1, 29) que vem para salvar o mundo inteiro. João é justamente reconhecido pela coragem que mostrou. Denunciou Herodes por ter desposado a mulher do seu irmão (cf. Mc 6, 18). Não calou a verdade que tinha no seu coração. Por ela deu a vida, enfrentando todo o tipo de agressão.

Mas, além de corajoso, João também era humilde. A sua humildade engrandeceu, ainda mais, a sua coragem. João não trabalhou para o seu próprio proveito. Um belo percurso, centrado em Cristo, foi feito. Era Cristo que devia crescer, mesmo que João tivesse de diminuir (cf. Jo 3, 30).

 

  1. Como notou Santo Agostinho, João era a voz e Cristo a Palavra. João foi a voz da Palavra. Ele foi o último passo antes de chegar o caminho. O caminho, que é Jesus (cf. Jo 14, 6), encontra em João o mais seguro passo que a ele nos conduz. João é, pois, o preparador dos caminhos do Senhor.

Em relação a Cristo, não podemos enveredar pelo improviso. É fundamental que nos preparemos para que a Sua presença acolhamos. É por isso que João é um farol que, para nós, faz brilhar a cor do sol. Não é ele que conta; é para Jesus que aponta. Não é por acaso que celebramos João no início do Verão. Dele chega luz e calor para a nossa humana peregrinação.


 

B. Um santo popular, mas não populista

 

  1. João tornou-se um santo popular e a sua festa é celebrada em toda a parte, em todo o lugar. Sendo, porém, bastante popular, nunca João foi populista. A sua preocupação não era agradar, mas servir. Não procurou os aplausos das multidões e até correu riscos em muitas situações. Vendo o oportunismo de alguns, não poupou nas palavras que usou. Foi ao ponto de chamar «raça de víboras» (cf. Mt 3, 7; Lc 3, 7) aos seus contemporâneos.

É curioso notar como o início da pregação de João é o mesmo da pregação de Jesus. Ambos convidam ao arrependimento, à mudança, à conversão. «Arrependei-vos porque o Reino de Deus está próximo» (Mt 3, 2). É assim que, segundo Mateus, começa João. É praticamente assim que, segundo Marcos (cf. Mc 1, 15), começa Jesus.

 

  1. Tal como Jesus, também João vem para nos desassossegar. Jesus, anunciado por João, está no mundo para rebentar o conformismo existencial que nos afecta. A paz de Jesus não nos aquieta, mas inquieta-nos. Daí que a paz de Jesus seja a paz da permanente inquietação.

No entanto, João não se limitou a falar com os lábios. O seu discurso existencial foi tão interpelante como o seu discurso vocal. João vivia — e trajava — de uma maneira austera, despojada. O seu vestuário era feito de pêlos de camelo (cf. Mt 3, 4) e a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre (cf. Mt 3, 4). Daí que tivesse autoridade para apelar à partilha de bens: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma e quem tem mantimentos faça o mesmo» (Lc 3, 11). Curioso também o que diz aos cobradores de impostos: «Nada exijais além do que está estabelecido» (Lc 3, 13).


 

C. Alguém que interpelava e incomodava

 

  1. Era a sua conduta — e não apenas a sua palavra — que interpelava fortemente os seus contemporâneos. Não espanta, portanto, que acorressem a ele pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e da região do Jordão (cf. Mt 3, 5). Confessavam os seus pecados e requeriam o seu baptismo (cf. Mt 3, 6).

João interpelava e incomodava. Aliás, é próprio de todo o profeta interpelar e incomodar, expondo-se a sofrer as respectivas consequências. Será que estamos dispostos a interpelar e a incomodar? E será que estaremos receptivos a ser interpelados e incomodados?

 

  1. O testemunho de João foi tão marcante que ficou assinalado na história. São Lucas diz que a Palavra de Deus lhe foi dirigida «no décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes, tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilena, sob o pontificado de Anás e Caifás» (Lc 3, 1-2).

Se o testemunho de João foi marcante naquele tempo, como não há-de ser marcante no nosso tempo? Não é em vão que, na preparação para o Natal, a figura de João aparece nas leituras do Evangelho de dois domingos seguidos: no segundo e no terceiro domingos do Advento. João, de facto, é o grande indicador da chegada do Senhor. É com ele que faremos a melhor preparação para a vivência do mistério da Encarnação.


 

D. Um programa inscrito no próprio nome

 

  1. E também não é por acaso que de João nós celebramos, além da morte, o nascimento. É um privilégio que só acontece com Jesus e com Maria. Habitualmente, dos santos celebramos a sua morte enquanto celebração do seu verdadeiro — e definitivo — nascimento: o nascimento para a vida eterna. É este, como diziam os antigos, o autêntico «dies natalis», o autêntico «dia de Natal».

O martírio de João é, como sabemos, assinalado a 29 de Agosto. A celebração do seu nascimento para a terra constitui uma acrescida certificação da sua importância.

 

  1. Aliás, João é, todo ele, um programa: a começar pelo nome. João significa «dom de Deus». E, efectivamente, que grande foi — e é — o dom que Deus nos fez com o nascimento de João. Ele nasceu numa altura em que, para os pais, o nascimento de um filho era improvável, para não dizer impossível.

Daí que seu pai, Zacarias, tenha duvidado de tal possibilidade. Ele já se sentia velho e a sua esposa, Isabel, também era de idade avançada (cf. Lc 1, 18). Não lhe ocorria que, para Deus, não há impossíveis (cf. Lc 1, 37). Ficou, então, impedido de falar (cf. Lc 1, 20). Só voltou a falar para bendizer a Deus pelo nascimento do seu filho (cf. Lc 1, 64).


 

E. João não é só vinho, música e foguetes a estourar

 

  1. O nome da criança também não foi iniciativa humana. Pelas tradições em vigor, devia chamar-se Zacarias, tal como o pai. Mas a mãe (de forma oral) e o próprio pai (por escrito) objectaram logo que o seu nome iria ser João, como fora anunciado pelo anjo de Deus (cf. Lc 1, 13). Em tudo e sempre, é a vontade de Deus que devemos realizar.

«Quem virá a ser aquele menino?» (Lc 1, 66) — perguntavam. A «mão do Senhor estava com ele» (Lc 1, 66). A mão do Senhor está sempre connosco. Que seria de nós sem a mão de Deus? Como reconheceu Antero de Quental, é na mão de Deus que repousa o nosso coração. É para Ele que nos devemos voltar. É só n’Ele que tem sentido continuar a caminhar.

 

  1. João foi para o deserto até à sua missão pública (cf. Lc 1, 66). Eis uma experiência que importa fazer: a experiência do deserto. É a experiência da aridez, da escuta e também da disponibilidade. João é, pois, um programa de mudança. Não tenhamos medo de mudar. É pela mudança que poderemos ver germinar a esperança.

Não nos deixemos arrastar pela corrente. Aprendamos com João a ter uma vida diferente. E assim teremos sobejos motivos para fazer festa. Não há festa só com vinho, música e foguetes a estourar. A mais bela festa é quando vemos a nossa vida transformar. João é motor de transformação. Ele traz Jesus ao nosso coração. O maior tributo que a João podemos fazer é o Evangelho de Jesus viver. Deixai, pois, que de novo insista: demos a vida por Jesus, como fez João Baptista!

publicado por Theosfera às 05:20

Hoje, 24 de Junho, é dia do nascimento de S. João Baptista (que substitui o 12º Domingo do Tempo Comum) e de Sta. Raingarda.

Refira-se que S. João Baptista, dada a sua extrema popularidade, é padroeiro dos cuteleiros, espadeiros, alfaiates e peleiros.

É invocado contra os espasmos, as convulsões, as epilepsias e o granizo.

É também considerado protector dos cordoeiros.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:17

Sábado, 23 de Junho de 2018

Hoje, 23 de Junho, é dia dos Mártires de Nicomédia e de S. Bento Menni.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

Hoje, 22 de Junho, é dia de S. Paulino de Nola, S. João Fisher, S. Tomás Moro e S. José Cafasso. Refira-se que S. Tomás Moro não foi padre nem bispo. Foi um político, um político íntegro. Por causa da sua integridade, foi assassinado pelo rei, a 06 de Julho de 1535.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

Hoje, 21 de Junho, é dia de S. Luís Gonzaga e S. Raul.

Refira-se que o Papa Pio XI declarou, em 1926, S. Luís Gonzaga padroeiro da juventude.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Hoje, 20 de Junho, é dia de Sta. Sancha, Sta. Mafalda e Sta Teresa (filhas de D. Sancho I), S. Francisco Pacheco e companheiros mártires e Sta. Gema.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 19 de Junho de 2018
  1. A novidade não é a mudança, mas a aceleração da mudança.

Mudanças sempre houve. Mudanças tão aceleradas é que não nos recordamos de ter havido.


  1. É verdade que — como notou o poeta — «o mundo é composto de mudança». Mas salta à vista que «já não se muda como soía».

Mudando como sempre, estamos a mudar aceleradamente como nunca.


  1. Daí que dificilmente nos apercebamos do que nós próprios realizamos.

Foi a humanidade que produziu a técnica. Será que temos consciência de que a técnica está a produzir um novo perfil de humanidade?


  1. No rastreio de ganhos e perdas, importa perceber que temos conquistado muito, mas também temos desperdiçado bastante.

Como nos acostumámos a conseguir, fomo-nos desabituando de esperar. A rapidez está a retirar-nos paciência e a esvaziar-nos de esperança.


  1. Somos uma «geração apressada» e, por isso, «stressada». Mostramos muita eficácia nos actos, mas pouca lucidez nas decisões.

Somos a geração das grandes euforias e, ao mesmo tempo, das prolongadas depressões.


  1. Comunicamos cada vez mais sem filtros. Os espaços mediáticos estão cheios de protestos, pejados de murmurações e inundados de rancores.

Sobretudo os mais jovens, com a sua espontaneidade, não escondem as suas frustrações nem as suas rebeldias. Não falta, assim, quem qualifique muitos adolescentes como…«aborrecentes».


  1. O mais curioso é que são os mais novos quem melhor se movimenta num mundo desenhado pelos mais velhos.

A chamada «geração millennials» (também denominada «geração y») foi apanhada em cheio por uma revolução tecnológica que já estava em marcha.


  1. Por sua vez, a «geração z» (que lhe sucedeu) tornou-se a primeira geração de «nativos digitais». Nos tempos que correm, é especialmente nas redes sociais que se estabelecem os contactos pessoais.

Só que pouco parece ser sólido. As relações entre as pessoas são instáveis e os trabalhos precários.


  1. Sempre à procura da última novidade, facilmente nos cansamos: das coisas e também das pessoas.

São cada vez mais os objectos que arrumamos e as pessoas que descartamos.


  1. Contudo, não é por acaso que, segundo a Bíblia, «a sabedoria está nos cabelos brancos e a inteligência na longevidade» (Jb 12, 12). Quem nega que a experiência é uma preciosa fonte de ciência?

Não diabolizemos o que é novo. Mas também não subestimemos o que, vindo do passado, não está ultrapassado. Com todos podemos aprender, enquanto nos for dado viver!

publicado por Theosfera às 11:32

Hoje, 19 de Junho, é dia de S. Romualdo, S. Gervásio e S. Protásio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Hoje, 18 de Junho, é dia de S. Gregório Barbarigo e Sta. Osana. Refira-se que S. Gregório Barbarigo foi alvo de «canonização equipolente». Ou seja, o povo já o venerava como santo e o Papa acabou por reconhecer esse culto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:05

Domingo, 17 de Junho de 2018

 

  1. Ronaldo é um português atípico.

E, pelas sucessivas amostras, também não é um humano muito típico.


  1. Ao contrário do habitual, Ronaldo não se atemoriza perante a adversidade.

Até parece mais motivado diante das dificuldades.


  1. Criticam-no? Ele melhora. Menorizam-no? Ele supera-se.

Dão como próximo o seu fim? Ele responde como se estivesse no princípio. O adversário é forte? Ele mostra que não é nada fraco.


  1. Nem o fisco o atrai para o fiasco.

Onde outros tremem, ele não treme.


  1. No jogo com a Espanha, notava-se bem o encolhimento e a ansiedade da Selecção.

Com Ronaldo, nada disso se sentia. Uma espantosa força nele sobressaía.


  1. Se repararem, com os outros jogadores, é bola nos pés e olhos em Ronaldo.

E, diferentemente de Messi, Ronaldo não quer muito a bola nos pés. Para a baliza é o caminho.


  1. Até nisso ele se afasta do padrão lusitano.

Ronaldo não é de rodeios; é objectivo, directo, frontal e,quase sempre, preciso.


  1. Não voltará a jogar no clube que o formou.

Mas só uma pessoa como ele a presidente o tirará do abismo em que o estão a meter!

publicado por Theosfera às 20:41

É tempo de agradecer.

É hora de louvar.

É o momento de fazer sentir a nossa gratidão.

 

Obrigado, Senhor,

por fazeres de nós a terra onde lanças a Tua semente.

 

Obrigado por acreditares em nós.

Apesar das nossas limitações e resistências,

Tu continuas a estar ao nosso lado

e a habitar na nossa vida.

 

Nós somos pequeninos.

Mas Tu, Senhor, apostas sempre no que é pequeno,

naquilo que quase nem se nota.

 

Obrigado, Senhor, por nos ensinares

que a grandeza é sempre humilde

e que a humildade é sempre grande.

 

Semeia em nós, Senhor,

a Tua semente e o Teu grão de mostarda.

 

Que nós sejamos terra arável, terra fecunda.

Que não sejamos nós, mas que deixemos ser Tu em nós.

 

Transforma o nosso ser.

Sê Tu a vida da nossa vida,

o tempo para o nosso tempo,

o horizonte do nosso caminhar pelo tempo!

 

Ajuda-nos a crescer na escuta da Tua palavra.

Dá-nos a força da serenidade,

a simplicidade da confiança

e a energia da paz.

 

Que nós nunca deixemos de Te procurar

e de convidar outros para esta procura,

sabendo e sentido

que na procura já existe encontro

e que cada encontro é convite para nova procura.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

Obrigado pelo pão.

Obrigado pelo amor.

Obrigado por seres quem és,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:29

Hoje, 17 de Junho (11º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Rainério de Pisa, S. Manuel, S. Jobel e Sto. Ismael (mártires), S. Manuel (arcebispo de Adrianópolis) e Sta. Emília de Vialar.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:27

 

A. Deus aprecia o que é pequeno e não deprecia o que parece lento

  1. Deus responde sempre às nossas necessidades, ainda que nem sempre satisfaça os nossos desejos. Deus, que tudo sabe, sabe perfeitamente que aquilo que desejamos nem sempre corresponde àquilo de que necessitamos e aquilo de que necessitamos nem sempre corresponde àquilo que desejamos.

Por hábito, gostamos do que é grande e do que é rápido. Regra geral, desprezamos o que é pequeno e exasperamo-nos diante do que é lento. Só que, coisa estranha, nem reparamos que andamos cada vez mais depressa e chegamos cada vez mais atrasados. Causa? Queremos fazer tudo, queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Enfim, falta-nos um pouco de pausa, um pouco de lentidão. Falta-nos perceber que talvez chegássemos mais depressa se não andássemos tão apressados. E tão penosamente «stressados».

 

  1. Uma vez mais, Deus mostra, para nosso espanto, o quanto se revê no que é pequeno e no que (nos) parece lento. Nas Suas contínuas instruções, Deus passa o tempo a engrandecer o que é pequeno e a valorizar o que se nos afigura lento. Aliás, a própria vida encarrega-se de demonstrar que há tanta pequenez no que aparenta ser grande e tanta grandeza no que aparenta ser pequeno. Não foi certamente por acaso que Emmanuel Levinas proclamou que «mais alta que a grandeza é a humildade».

Do mesmo modo, aquilo que aparenta caminhar lentamente é, quase sempre, mais seguro do que tantos passos rápidos, mas sem noção do caminho que se segue. O mais importante raramente se compadece com pressas. O mais apressado nem sempre caminha melhor e pode não chegar primeiro. Até pode nem chegar. Deus não nos aconselha obviamente a optar pela indecisão, mas quer alertar-nos para o valor da paciência. Muito pertinente foi, por isso, Bento XVI, que brilhantemente percebeu que «o mundo é redimido pela paciência de Deus e pode ser destruído pela impaciência do homem». Breve já é a vida. Se a abreviamos, ainda mais, pela nossa impaciência, corremos o risco de lhe perder o rasto e de não lhe aspirar o sabor. A impaciência leva-nos a uma espiral de ansiedade diante daquilo que nos falta, não chegando a saborear a riqueza de cada dom que nos vai sendo oferecido.

 

B. É na terra que (também) está Deus

 

3. O Evangelho deste Domingo diz-nos, com recurso a parábolas, que o Reino de Deus é pequeno, lento, surpreendente e fecundo. É pequeno nos seus começos. É lento no seu crescimento. É surpreendente aos nossos olhos, germinando sem sabermos como (cf. Mc 4, 27). E é fecundo nos seus frutos.

Importa, desde logo, notar como Jesus acentua a proximidade: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra» (Mc 4, 26). Ou seja, devemos olhar ao mesmo tempo para o alto (cf. Col 3, 1) e para o baixo: aquele que está nas alturas encontra-se também metido nas profundezas. Jesus trouxe o Céu para a Terra, a Eternidade para o Tempo.

 

  1. Não foi por acaso que Arnold Toynbee olhava para o mundo como «uma província do Reino de Deus». Não é saindo do mundo que encontramos Deus. Encontramos Deus, trabalhando no mundo. O encontro com o mundo conduzir-nos-á ao encontro com Deus no mundo.

Razão tinha, pois, Edward Schillebeeckx quando escreveu que «fora do mundo, não há salvação». A história da salvação, como percebeu Karl Rahner, acontece na história do mundo. Deus não está só no Céu, à nossa espera. Deus vem também à terra, ao nosso encontro. Em Jesus Cristo, Deus como que «aterra» no mundo e como que Se «enterra» na vida de cada pessoa que há no mundo.

 

C. Sejamos os «microfones» de Deus

5. Será, entretanto, que estamos atentos aos sinais da vinda de Deus? Precisamos de atenção para ver Deus no que é pequeno e precisamos de paciência para acompanhar o crescimento do Seu Reino, que é lento.

Nestas duas parábolas, Jesus compara o Reino de Deus à semente e ao grão de mostarda. Neste caso, diz mesmo que é a mais pequena de todas as sementes (cf. Mc 4, 31). A semente da mostarda tem um diâmetro aproximado de 1,6 milímetros. Jesus tem o cuidado de ressalvar que, depois de lançada à terra, a semente «começa a crescer» (Mc 4, 32). Isto é, dá a entender que não se trata de um crescimento repentino ou apressado. É um crescimento pausado e, por isso, consolidado. Daí que se torne a «maior de todas as plantas da horta» (Mc 4, 32). A árvore que resulta desta pequena semente chegava a ter uma altura de 2 a 4 metros.

 

  1. Por conseguinte, não tenhamos medo dos pequenos começos nem dos pequenos sinais. Tudo o que é grande começou por ser pequeno. E, em Jesus Cristo, Deus faz questão de Se identificar preferencialmente com os mais pequenos (cf. Mt 25, 40).

Também não desanimemos diante do crescimento aparentemente lento. Aliás, não é a nós que cabe definir o ritmo do crescimento nem o tempo da colheita. A nós cabe cuidar da semente, sabendo que ela cresce sem sabermos como (cf. Mc 4, 27). Deus gosta de surpreender e, como observou São Paulo, é Deus quem faz crescer (cf. 1Cor 3, 6). Ele quer agir através de nós, mas a iniciativa é sempre Sua. Estejamos, portanto, disponíveis e nunca deixemos de estar confiantes. O Reino de Deus vai crescer, o Reino de Deus está a crescer. Às vezes, é quando parece mais escondido que ele está mais manifesto. Como dizia D. Óscar Romero, é bom que nos disponhamos a ser os «microfones de Deus». Porque a Sua voz nunca deixará de se fazer ouvir.

 

D. Deus quer «precisar» de nós

7. A terra está grávida de céu. O tempo arde com saudades da eternidade. Será que nos vamos recusar a ser morada de Deus? Ele, o Senhor que tudo pode, quer actuar humanamente. Ele quer chegar ao homem fazendo-Se homem em cada homem. Como Jesus é a transparência do Pai — «quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 6) —, cada um de nós é chamado a ser a transparência de Jesus.

Essa transparência é ontológica e há-de procurar ser testemunhal. Ou seja, nós, que pelo Baptismo já somos habitação de Deus, estamos chamados a ser o eco da Sua presença através do nosso testemunho: concretamente, através das nossas palavras, dos nossos gestos e sobretudo do nosso amor.

 

  1. Não tenhamos medo das dificuldades. As dificuldades podem ser fortes, mas não são mais fortes que a força de Deus. Tal como a semente enfrenta muitos obstáculos no seu crescimento, também o Reino de Deus depara com muitas adversidades. Mas Deus está presente e (poderosamente) actuante.

Não entremos em euforia com os êxitos, mas também não desfaleçamos perante os problemas. Os problemas existem, mas não existem para nos vencerem. Os problemas existem para serem vencidos com a ajuda de Deus. O Evangelho deste Domingo garante-nos que Deus tem para nós um projecto de vida e salvação. Pode parecer que a nossa história caminha entregue ao acaso ou às flutuações dos acontecimentos. Só que o acaso é aquilo de que não sabemos as causas. Mas, mesmo naquilo que não sabemos, sempre podemos saber que Deus está e caminha connosco.

 

E. Todos os motivos para ter cuidado, nenhuma razão para ter medo

9. Num tempo marcado por tantas sombras e perturbações, é reconfortante saber que não estamos abandonados. Há todos os motivos para ter cuidado, mas não há nenhuma razão para ter medo. Jesus propõe um caminho novo: lança na vida a semente de transformação dos nossos corações e das nossas vontades. A semente não é lançada no vazio: ela cresce por acção de Deus. Cabe-nos acolher tal semente e deixar que Deus intervenha.

Confiemos, por isso, na força da Palavra anunciada. E habituemo-nos a respeitar a forma de resposta de cada um. A resposta não será igual em todos: uns serão mais prontos, outros serão mais lentos. Não desistamos da missão nem desistamos das pessoas. Insistamos sempre com a proposta e confiemos no surgimento, cedo ou tarde, de uma resposta. Há que respeitar a consciência e o ritmo de caminhada de cada pessoa, como Deus sempre faz.

 

  1. E nunca nos esqueçamos de dar valor ao que é pequeno. Há um grande significado em cada significante e um surpreendente significado no que nos parece insignificante. Não fiquemos prisioneiros do número. Tenhamos presente que o Cristianismo começou com pouco mais de 12 pessoas. Esses poucos conseguiram muito porque deram tudo: deram tudo por Cristo, deram tudo pelo Evangelho de Cristo.

Neste momento, somos muito mais de doze. Mesmo que nos sintamos pequenos diante do tamanho da missão, basta que nos entreguemos a Deus, basta que nos deixemos guiar por Deus. Façamos o que Ele fez. Façamos como Ele faz. Ele fará muito. Através de nós e connosco!

publicado por Theosfera às 05:10

Sábado, 16 de Junho de 2018

Hoje, 16 de Junho, é dia de S. Ciro, Sta. Julita e Sta. Lutgarda.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:06

Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Hoje, 15 de Junho, é dia de S. Vito, S. Modesto, Sta. Crescência e Sta. Germana Cousin.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Hoje, 14 de Junho, é dia de Sto. Eliseu, Sta. Anastásia, S. Félix, Sta. Digna e Sta. Maria Micaela do Santíssimo Sacramento.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:40

Quarta-feira, 13 de Junho de 2018

Hoje, 13 de Junho, é dia de Sto. António e S. Fândila. Refira-se que Sto. António, que nasceu Fernando, é conhecido como sendo de Lisboa (onde viu a luz do dia) e de Pádua (onde viveu os últimos anos da sua vida).

Começou por ser Cónego Regrante de Sto. Agostinho vindo a aderir à Ordem Franciscana. Notabilizou-se como pregador e taumaturgo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 12 de Junho de 2018
  1. Na semana em que começa o Mundial, o centro da informação continua a ser o que se passa no futebol nacional.

A situação de um dos maiores clubes portugueses está a revelar-se um verdadeiro — e muito preocupante — «case study».


  1. Intermináveis rios de tinta e ilimitadas horas de conversa são gastas a escalpelizar o problema.

Não falta quem aponte saídas. Mas quem se mostra capaz de implementar uma solução?


  1. Como se pode mobilizar um grupo quando se cavam divisões no seu seio?

Quando o adversário está fora, o grupo une-se e motiva-se. Já quando os atritos surgem dentro, o grupo divide-se e desagrega-se. Como chegar ao êxito assim?


  1. Se as pressões são sempre inibidoras e as acusações afectam o rendimento, o que dizer da violência física?

Ninguém se espanta com a acção de muitos adeptos. O que surpreende muitos é a reacção de alguns dirigentes.


  1. Um dirigente não deixa de ser adepto, mas não pode ter atitudes de um simples adepto. Dele se espera um acréscimo de autodomínio e comedimento.

As massas já não se destacam pela moderação. Porquê excitá-las ainda mais?


  1. É natural que, como qualquer adepto, um dirigente se alegre com as vitórias e se angustie com as derrotas.

Mas tem de se conter no momento dos festejos e no rescaldo dos insucessos.


  1. É sabido que, nessas alturas, as emoções costumam estar pouco controladas.

É por isso que um dirigente deve ser, não um inflamador de ânimos, mas um amortecedor de tensões.


  1. Acontece que há dirigentes que não são apenas o reflexo dos adeptos dos seus clubes, sendo também o espelho das mutações sociais.

Há quem não lide pacificamente com a contrariedade. Há quem não tenha paciência para com as falhas. E há quem reaja destemperadamente às adversidades.


  1. Não admira pois que, apesar das ondas de contestação, sejam muitos os adeptos a defender lideranças intempestivas.

Quando não celebram a conquista de títulos, «aclamam» os líderes pelas suas reacções aos fracassos.


  1. Daí que o «presidente-adepto» seja igualmente um «presidente repto». Há quem não aceite determinado presidente no clube. Mas também há quem não imagine o clube sem tal presidente.

Quem vai levar a melhor? O clube do presidente ou o presidente do clube?

publicado por Theosfera às 11:02

Hoje, 12 de Junho, é dia de Nossa Senhora do Sameiro, S. João de Sahagún, Sto. Onofre, Sta. Jobenta, Sta. Mercedes de Jesus Molina e S. Lourenço Salvi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 11 de Junho de 2018
Hoje, 11 de Junho, é dia de S. Barnabé, Sta. Paula Frassinetti, Sta. Maria Rosa Molas e Vallvé e Sta. Maria do Divino Coração.

 

Refira-se que S. Barnabé é chamado Apóstolo por S. Paulo porque com ele participou na primeira viagem missionária.

 

Foi, aliás, Barnabé que apresentou Paulo aos cristãos de Antioquia. No entanto, desentenderam-se.

 

Na segunda viagem, Barnabé queria levar o seu sobrinho Marcos, que os acompanhara na primeira viagem, mas que desistira.

 

Paulo foi intransigente. Barnabé era mais clemente (a apreciação é de S. Jerónimo).

 

Por isso é que a Bíblia faz uma apreciação do carácter de S. Barnabé que diz tudo: «Homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé» (Act 11, 24).

 

Um santo e abençoado dia para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 10 de Junho de 2018

Eu sei, Senhor,
que não mereço
que me visites,
que entres na minha casa,
que te envolvas na minha vida.

Eu sei, Senhor,
que não sou digno
que deixes o Teu aconchego,
que experimentes o frio e o desconforto,
que Te sujeites à intempérie do abandono e da ingratidão.

Eu sei, Senhor,
que não tenho direito
a exigir tanto despojamento
nem a esperar tamanha disponibilidade.

Eu sei, Senhor,
que não mereço nada,
que não sou digno de nada,
que não tenho direito a nada.

Mas é por isso que Te agradeço,
é por isso que me comovo
e é por isso que fico sem palavras.

Obrigado, Senhor,
obrigado, bom Deus.
Tu és tudo
e vens ao meu nada.
Tu és tanto
e cabes em tão pouco
que sou eu.

Ensina-me, Senhor,
a ser humilde,
a olhar para todos
não com os meus óculos
mas com os Teus olhos,
que são olhos de afecto,
olhos de esperança,
olhos de amor.

Ensina-me, Senhor,
a compreender a lição da Tua vinda:
lição de humanidade,
de simplicidade,
de singeleza.

Ensina-me, Senhor,
a ver-Te
não apenas nas Tuas imagens de barro,
mas nas Tuas imagens de carne e osso
(algumas mais de osso que carne).

Ensina-me, Senhor,
a sentir
que a Tua morada é no Homem,
em todo o ser humano.

Ensina-me, Senhor,
a venerar-Te nas crianças, nos idosos,
nos pobres,
nos famintos,
nos sofredores e nos desalentados.

Que eu possa perceber
que sempre que estou com alguém
é conTigo que me encontro.

Aquece, Senhor, o nosso coração.
Não deixes que ele gele
com a arrogância, a frieza e a indiferença.

Fica connosco, Senhor,
sorri para nós Domingo de sol!

publicado por Theosfera às 11:07

A. Há censuras que se tornam elogios

 

  1. Há elogios que deviam ser tomados como censuras e há censuras que poderíamos tomar como elogios. O que os parentes dizem a respeito de Jesus tem o objectivo de constituir uma censura, mas no fundo estão a fazer-Lhe um grande elogio. Alegavam eles que Jesus estava fora de Si (cf. Mc 3, 21). Sem querer, estavam a fazer-Lhe um grande elogio, já que estavam a afirmar uma enorme verdade.

De facto, Jesus viveu sempre «fora de Si». Jesus nunca pensou em Si. O centro de Jesus nunca esteve em Si. Jesus foi alguém — verdadeira e profeticamente — «excêntrico». O centro de Jesus era o Pai e a humanidade. Foi por isso que Jesus entregou a Sua vida ao Pai. Foi por isso que Jesus entregou a Sua vida pela humanidade. Eis o que falta, eis o que urge: hoje e aqui, é fundamental estar «fora de si».

 

  1. O nosso maior problema é quando nos centramos nos nossos problemas. Porque, nessa altura, já nos estamos a distanciar de Jesus. Ao contrário de Jesus, nós vivemos muito voltados para nós. Estamos muito «ego-centrados», muito «ego-sentados». Com efeito, a revolução individualista desencadeou uma cultura egocêntrica e uma mentalidade egolátrica. O «eu» está no centro ou em cima. O outro encontra-se atrás e em baixo.

É o «eu» que está no centro, é ao «eu» que prestamos culto. Só nos ocupamos dos outros quando os outros servem o nosso «eu». É certo que nunca estivemos tão perto dos outros. Mas também é verdade que nunca nos teremos sentido tão distantes dos outros. O mal não é ser diferente. O mal é passar a ser indiferente. Infelizmente, estar perto nem sempre costuma equivaler a ser próximo.


 

B. Da «egolatria» à «egocracia»

 

  1. O «eu» parece gostar de se afirmar perante os outros e também — o que é pior —à custa dos outros. No fundo, cada «eu» sente-se detentor de todos os direitos. Cada outro é encarado como portador de todos os deveres. Eis a síntese do nosso tempo: tanta gente perto; tanta gente só. Todos vivem ao lado de todos. Mas ninguém parece saber de ninguém. Aos olhos de muitos, será que alguém é mais que ninguém?

É óbvio que, no tropel de mudanças que estão em curso, o «eu» ganha muito. Mas arrisca-se a perder o mais importante. A lógica do lucro valoriza a transacção comercial e subestima o serviço gratuito.

Ainda há muitos que servem. Mas são cada vez mais os que se servem. O «self service» é uma prática e é sobretudo um sinal. Servir está a ser um verbo cada vez mais reflexo. Para não poucos, servir é, acima de tudo, servir-se. É urgente perceber que nada somos sem os outros. Inferno não são os outros. Inferno é viver sem os outros, contra os outros. Era bom que percebêssemos que existir é nunca desistir, é nunca desistir dos outros.

 

  1. Acontece que a revolução individualista parece ter passado a uma segunda — e mais perigosa — fase. Como se já não bastasse a «egolatria», temos de suportar também a «egocracia». É que, enquanto a «egolatria» leva cada um a viver para si mesmo, a «egocracia» leva a pretender que os outros vivam em função de nós próprios.

Curiosamente, já Oscar Wilde se apercebera de que «egoísmo não é tanto viver à nossa maneira, mas exigir que os outros vivam como nós queremos». Estamos, assim, a ser arrastados para a dominação do mais descontrolado poder: o poder do «eu». E em vez de uma só ditadura, acabamos por estar submetidos a muitas ditaduras: às «ditaduras» de muitos «eus».


 

C. A melhor vitamina contra o egoísmo

 

  1. Não vivemos em ditadura, mas será que vivemos em autêntica liberdade? Ao menos numa ditadura, sabemos que não há liberdade. Será que, em democracia, nos sentiremos sempre livres? Entre a dor da ausência e a amargura de uma desilusão, que espaço sobra para a humana realização? É indiscutível que, como assinalou Ruy Barbosa, «a pior democracia é melhor que a melhor ditadura».

Só que há situações em que — entre a ditadura e a democracia — as diferenças são mínimas, tornando-se as linhas de demarcação praticamente imperceptíveis. O relacionamento humano surge cada vez mais contagiado por sintomas de intransigência, rigidez e intolerância. O que mais nos sobressalta já não é sequer a ditadura de um partido ou de um grupo. O que mais nos atormenta, hoje, é a crescente «tirania do eu». Nos tempos que correm, a mais pesada autocracia é a «egocracia». Obscurecidos os ideais e esgotadas as ideologias, resta a afirmação do «eu»: sobre os outros e — o que é mais grave — contra os outros.

 

  1. É por isso que Jesus é a maior alternativa a esta cultura individualista. E é desta «vitamina C» — é desta «vitamina Cristo» — que nós precisamos para mudar tudo isto. De facto, Jesus Cristo representa, como ninguém, a referência suprema do centramento descentrado. O centro de Jesus não é Jesus. O centro de Jesus é Deus e o Homem. Jesus é totalmente para Deus e totalmente para o Homem.

Foi neste sentido que o Concílio Vaticano II teve o cuidado de advertir que a luz dos povos não é a Igreja, mas Cristo. Por conseguinte, o que há-de resplandecer na Igreja é o que sempre transpareceu em Cristo: Deus e o Homem.


 

D. De joelhos para acolher e de pé para caminhar

 

  1. Assim sendo, o importante para a Igreja não há-de ser o aparato organizativo, mas a experiência espiritual e a acção social. A Igreja tem de ser perita na relação com Deus e mestra no encontro com os homens. Quando a Igreja se volta demasiado para si ofusca a luz que transporta. Torna-se «lua nova» quando é chamada a ser «lua cheia». Não deixa passar a luz quando se interpõe à frente da luz.

Precisamos não tanto de uma «Igreja sentada», mas de uma «Igreja de joelhos» e de uma «Igreja de pé». Precisamos de uma «Igreja de joelhos» para acolher o mistério de Deus e de uma «Igreja de pé» para caminhar ao lado dos homens.

 

  1. Até um ateu como André Comte-Sponville assinalou ser a espiritualidade o decisivo na nossa era. E um não crente como Albert Einstein tinha noção de que «a mais bela experiência que podemos fazer é a do misterioso». Karl Rahner percebeu que passava por aqui a sobrevivência do Cristianismo. Neste século XXI, o Cristianismo «será místico ou não será».

Ao mesmo tempo e porque Deus está voltado para o Homem (Jesus é, para nós, o Deus-Homem), a Igreja é chamada a envolver-se em tudo quanto é humano. Não apenas apoiando as vítimas da injustiça, mas questionando as causas da injustiça. É que o amor a Deus não sobrevive sem o amor ao próximo do mesmo modo que o amor ao próximo não vive sem o amor a Deus. Não é possível amar a Deus sem amar o próximo. E é inteiramente impossível amar o próximo sem amar a Deus. Só quem ama a Deus primeiro conseguirá amar a humanidade por inteiro. À semelhança de João Simão da Silva, mais conhecido como Marco Paulo, cada cristão também pode garantir: «Eu tenho dois amores». Os dois amores do cristão são o amor a Deus sobre todas as coisas e o amor ao próximo como a nós mesmos.


 

E. Por uma Igreja «intro» e «extro» vertida

 

  1. Por aqui se vê como, em Igreja, temo de nos descentrar constantemente para nos recentrar permanentemente: em Deus e no Homem. Temos de formar comunidades orantes e, simultaneamente, comunidades fraternas. Temos de constituir uma Igreja «intro-vertida» e, ao mesmo tempo, «extro-vertida»: voltada para Deus na oração e voltada para a Humanidade na acção.

Para isto, não são necessários especiais recursos organizativos. Até é bom que eles sejam mínimos para não nos desviarem do essencial. Basta que nos detenhamos no Evangelho. O programa de Jesus está aí. Basta que nos mobilizemos em torno de um mandamento: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 13, 34; 15, 12). É pela solidariedade, pela misericórdia e pela compaixão que a Igreja mostra o acolhimento do amor divino.

 

  1. Quanto mais a Igreja se voltar para fora, tanto melhor se revitalizará dentro. Quanto mais a Igreja se despojar, tanto melhor a Igreja se redescobrirá na sua beleza e na sua unidade. O pecado da divisão, tão duramente denunciado por Jesus, nasce de um enquistamento de cada um sobre si mesmo. «Se um reino estiver dividido, combatendo-se a si mesmo, não pode aguentar-se» (Mc 3, 24). Infelizmente, ainda há muitas divisões nas nossas comunidades. É sinal de que ainda estamos muito apegados a nós e pouco ligados a Cristo.

A divisão é fomentada pelo aprisionamento do «eu» e exacerbada pelo ódio dos outros. Como se não bastasse o egoísmo, temos de suportar, tantas vezes, o ódio. É tempo de parar. É tempo de recomeçar. Libertemo-nos de nós. Desapeguemo-nos da «tirania do eu». Entreguemo-nos a Deus. E habituemo-nos a tratar os outros como filhos Seus!

publicado por Theosfera às 05:14

Hoje, 10 de Junho (10º Domingo do Tempo Comum e Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades), é dia do Anjo de Portugal, Sta. Olívia e S. João Dominici.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 09 de Junho de 2018

Hoje, 09 de Junho (memória do Imaculado Coração de Maria), é dia de Sto. Efrém, S. José de Anchieta e Sta. Ana Maria Taígi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:48

Sexta-feira, 08 de Junho de 2018

Hoje, 08 de Junho (Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes), é dia de Sta. Maria do Divino Coração, Sta. Quitéria, Sta. Marinha, S. Carlos Spínola, S. Tiago Berthieu, Sto. Ambrósio Fernandes, S. Leão Mangin e seus companheiros mártires e S. Rudolfo Acquaviva e seus companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 07 de Junho de 2018

Hoje, 07 de Junho, é dia de Sta. Ana de S. Bartolomeu e de Sto. António Maria Gianelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 06 de Junho de 2018

Hoje, 06 de Junho, é dia de S. Norberto, S. Marcelino Champagnat e S. Filipe, diácono.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 05 de Junho de 2018
  1.  

    1. Numa ditadura, sabemos que não há liberdade. Será que, em democracia, nos sentiremos sempre livres?

    Entre a dor da ausência e a amargura de uma desilusão, que espaço sobra para a humana realização?


    1. É indiscutível que, como assinalou Ruy Barbosa, «a pior democracia é melhor que a melhor ditadura».

    É por isso que — já dizia Winston Churchill — a democracia é o pior regime…à excepção de todos os outros.


    1. Uma democracia com falhas é preferível a uma suposta ditadura sem erros.

    Mas o reconhecimento da congénita falência das ditaduras não impede que nos vejamos incomodados com as gritantes fragilidades das democracias.


    1. Há situações em que as diferenças são mínimas. É que também as democracias parecem afectadas por pulsões autocráticas e contaminadas por comportamentos ditatoriais.

    Acresce que a contaminação ditatorial das democracias não se limita à organização política. Toda a sociedade surge assustadoramente contagiada por sintomas de intransigência, rigidez e indiferença.


    1. O excesso de autonomia só reconhece uma liberdade: a liberdade de cada um.

    O que mais nos sobressalta, hoje, já não é a ditadura de um partido ou de um grupo. O que mais nos atormenta é a crescente «tirania do eu».


    1. Nos tempos que correm, a mais pesada autocracia é a «egocracia».

    Obscurecidos os ideais e esgotadas as ideologias, resta a afirmação do «eu»: sobre os outros e — o que é mais grave — contra os outros.


    1. Enquanto o egoísmo é cada um viver em função de si mesmo, a «egocracia» é pretender que os outros vivam em função de nós próprios.

    A «revolução individualista» entra, assim, numa segunda — e mais perigosa — fase. O problema já não é cada um estar voltado para si, mas exigir que os outros se submetam a si.


    1. Não é verdade que os direitos dos mais influentes, dos mais poderosos e dos mais ricos redundam em perda de direitos dos mais frágeis, dos mais desprotegidos e dos mais pobres?

    Enfim, temos dificuldade em coexistir. Já só saberemos colidir?


    1. A contestação do poder nem sempre resulta em libertação do poder.

    E, em vez de uma só ditadura, corremos o risco de estar submetidos a muitas ditaduras: às «ditaduras» de muitos «eus».


    1. Sem a intervenção correctiva da lei e sem uma acção moderadora da autoridade, a humanidade pode converter-se na maior ameaça para si mesma.

    Não nos deixemos sufocar pela «egocracia». Que o amor «desegoízador» nos faça compreender que só de mãos dadas tem sentido viver!

 

publicado por Theosfera às 11:08

Hoje, 05 de Junho, é dia de S. Bonifácio e S. Doroteu, o Moço.

Refira-se que S. Bonifácio era inglês e foi o grande cristianizador da Alemanha.

Fez suas as (fortes) palavras de S. Gregório, apelando aos pastores para não serem «cães mudos nem sentinelas silenciosas».

O silêncio da escuta tem de desaguar na palavra corajosa e habitada pela esperança.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 04 de Junho de 2018

Hoje, 04 de Junho, é dia de S. Tiago de Viterbo, S. Pedro de Verona, Sta Clotilde e S. Francisco Caracciolo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 03 de Junho de 2018

Só uma palavra.

Só uma palavra para Ti, Senhor.

Só uma palavra para Te agradecer,

para Te louvar.

 

Hoje, Senhor, apareces com uma mensagem de alento,

com uma proposta com sabor a novidade.

 

Tu queres, Senhor, que olhemos para a frente,

que não fiquemos dominados pelo passado.

 

Obrigado, Senhor, por fazeres algo de novo,

por fazeres tudo de novo.

 

Essa novidade já começa a aparecer,

essa novidade és Tu:

a Tua palavra e a Tua presença.

 

Tu, Senhor, és o caminho aberto no deserto,

o rio lançado na terra árida.

 

Tu és aquele que junta multidões,

que faz andar os paralisados.

 

Tu és aquele que perdoa,

que transforma e revigora.

 

Como há dois mil anos,

também hoje nunca vimos nada assim,

nunca vimos nada igual.

 

Tu, Senhor, és incomparável,

Tu, Senhor, és único.

 

Por isso, nós Te dizemos «sim»,

sim com os lábios,

sim com a vida.

 

Recebe o sim do nosso amor,

do amor que vem de Ti,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:29

A. Será que só o mal é ilimitado?

  1. Haverá limites para o bem? Infelizmente, estamos num mundo e vivemos num tempo em que só o mal parece ilimitado. A todas as horas, lidamos com ele. Em toda a parte, sofremos por causa dele. E o que é pior é que, à força de tanto hábito, chegamos ao ponto de colorir o mal com tintas de bem. A maldade parece ter-se apoderado das pessoas aprisionando os seus sentimentos e as suas atitudes.

Jesus confronta os fariseus acerca desta questão: haverá limites para o bem? Haverá dias em que não se possa fazer o bem? Afinal, será mal fazer o bem?

 

  1. «Será permitido ao Sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?» (Mc 3, 4). Aparentemente ninguém tem dúvidas na resposta, mas, na prática, notam-se muitos bloqueios na vida. O bem, tão exaltado, permanece bloqueado por vulcões de maldade que não cessam. Jesus «estava indignado com a dureza daqueles corações» (Mc 3, 5). Esta é a raiz de toda a maldade: a dureza dos corações. Precisamos de corações puros, não de corações duros. Precisamos de corações que se saibam compadecer e não de corações que façam sofrer.

Nesta vida, há quem estenda a passadeira ao mal e coloque todo o tipo de entraves ao bem. E, quando falham os argumentos, opta-se pela afronta. Os contemporâneos de Jesus ficaram calados (cf. Mc 3, 4). Como não sabiam o que dizer, resolveram fazê-Lo desaparecer (cf. Mc 3, 6). Hoje, infelizmente, continua a ser assim. Há quem ao mal nunca ponha fim.


 

B. Não há limites para a prática do bem

 

  1. É sabido que o Sábado era uma instituição central para o antigo Povo de Deus. Foi nesse dia que, segundo o Génesis, Deus concluiu a obra da criação (cf. Gén 2, 2). E concluiu-a criando o descanso. Não é que Deus estivesse cansado. Mas o descanso do sétimo dia é uma oportunidade para Deus contemplar a criação e para a criação contemplar o seu Deus. Por isso — acrescenta o Génesis — Deus abençoou e santificou esse dia (cf. Gén 2, 3).

Não espanta — tanto mais que o homem é imagem de Deus (cf. Gén 1, 26) — que um dos mandamentos divinos preceitue precisamente a santificação do Sábado: «Lembra-te do dia de Sábado para o santificar» (Êx 20, 8; Deut 5, 12). Em que consiste essa santificação? Fazendo o que Deus fez, ou seja, suspendendo a actividade dos outros dias. «Durante seis dias — diz Deus — hás-de trabalhar e farás tudo o que tiveres a fazer. Mas o sétimo dia é dia de descanso, que pertence ao Senhor, teu Deus. Não farás qualquer trabalho» (Deut 5, 13-14).

 

  1. O principal está na afirmação de que o Sábado pertence a Deus. Como, aliás, todo o tempo pertence a Deus. O Sábado tem uma função iluminadora — e inspiradora — para cada dia e para todo o tempo. O Sábado é o dia da Criação. É para o Sábado que toda a criação se encaminha. É para a celebração da criação que se orienta o trabalho da criação. A suspensão do trabalho não significa uma opção pela ociosidade. A suspensão do trabalho serve para entregar todo o trabalho nas mãos de Deus. É «o fruto da terra e do trabalho do homem» que Lhe confiamos.

Acontece que, como Jesus tem o cuidado de ressalvar, o Sábado foi feito por Deus para o homem (cf. Mc 2, 27). Isto é, foi feito para que o homem possa celebrar o encontro com Deus. Por aqui se vê como Jesus não interpreta restritivamente o mandamento do Sábado. Deus suspende a actividade habitual, mas sem impor a inactividade. O Sábado não é inactivo; é activo de uma maneira diferente. E, quando se trata de fazer o necessário (como comer) ou de praticar o bem (como curar alguém doente), não há restrições. Como percebeu belamente Santo Ireneu, «a glória de Deus é o homem vivo», isto é, o homem com saúde, com alimento, com habitação, com educação.

 

C. O Domingo é o novo Sábado

 

5. Ao contrário do que insinua a nossa terminologia, para Deus não há «dias inúteis» em contraposição aos «dias úteis». Todos os dias são úteis. O Domingo também é um «dia útil». Todos os dias — incluindo o Domingo — devem ser utilizados na prática do bem. E que melhor culto se pode prestar a Deus do que contribuir para melhorar a vida dos filhos de Deus?

Por conseguinte, fazer o bem, sempre! E não é sequer a prática do bem que impede que celebremos o culto a Deus. Como diz o Livro de Coelet, «tudo tem seu tempo e sua hora» (Ecl 3, 1). Havendo vontade, conseguimos tempo para tudo. Falhando a vontade, nunca arranjaremos tempo para nada.

 

  1. Como é sabido, Cristo não anulou o Sábado. Nós, cristãos, também não eliminamos o Sábado. O Domingo é o novo Sábado, é a plenitude do Sábado. No Sábado, Jesus Cristo esteve nas profundezas da Criação. No Domingo, ressurgiu para inaugurar a nova Criação. É por isso que Jesus é apresentado como o novo Adão (cf. 1Cor 15, 20-21; Rom 5, 17-19), isto é, como o primeiro Homem da nova humanidade. Jesus inaugura a nova humanidade com a entrega da Sua vida, com a oferta do Seu sangue.

Foi por isso que os cristãos, não deixando de celebrar o Sábado, depressa se habituaram a celebrar o Domingo, como novo Sábado, como o dia da nova — e definitiva — criação.


 

D. Não é a Eucaristia que nos impede de fazer o bem

 

  1. A celebração do Domingo consistiu sempre na celebração da Eucaristia, na dupla mesa da Palavra e do Pão. Mártires muito antigos morreram a proclamar que «não podemos viver sem o Domingo». O que, fundamentalmente, quer dizer que não podemos viver sem a Eucaristia.

Não esqueçamos, por isso, o terceiro Mandamento da Lei de Deus nem o primeiro Mandamento da Santa Igreja. O terceiro Mandamento da Lei de Deus lembra-nos a obrigação de santificar o Domingo (que é o novo Sábado) e Festas de Guarda. Por sua vez, o primeiro Mandamento da Santa Igreja concretiza em que consiste essa santificação: participar na Missa inteira no Domingo e Festas de Guarda.

 

  1. Não é a Eucaristia que nos impede de fazer o bem. Pelo contrário, a Eucaristia é o mais poderoso estímulo para a prática do bem. Quem celebra o bem que Deus faz pela humanidade não pode deixar de se comprometer na promoção do bem pela humanidade.

Nunca esqueçamos que a Missa não tem fim. O «ide em paz» não é uma despedida, mas um envio. Terminada a celebração sacramental, tem de começar a celebração existencial. E a celebração existencial da Eucaristia consiste na prática do bem, na vivência do amor fraterno.


 

E. Afinal, somos todos insuficientes

 

  1. Tenhamos presente o que disse Jesus a este homem: «Estende a mão» (Mc 3, 5). Eis o que falta, eis o que urge. É preciso estender a mão. Como aconteceu a este homem, só ficamos curados quando estendemos as mãos. Precisamos de estender mais as mãos. As nossas mãos ainda estão muito contraídas porque o nosso coração ainda se mantém muito fechado.

Habituemo-nos, então, a estender as mãos: em atitude de súplica, em atitude de louvor, em atitude de solidariedade, em atitude de comunhão. Todos os dias são bons para estender as mãos. Quem estende as mãos para Deus acabará por estender as mãos para os irmãos.

 

  1. Este gesto de estender as mãos permite-nos perceber que, sozinhos, não somos nada. As mãos estendidas mostram como estão entrelaçadas as nossas vidas.

Não nos sintamos diminuídos com a interdependência. Os outros fazem parte de nós e nós fazemos parte dos outros. Todos pertencemos a todos e, antes de mais, a Deus. Não nos vangloriemos de uma auto-suficiência que não temos. Tomar consciência da nossa radical insuficiência até pode ser um acto de inteligência. É que quando nos abrimos aos outros e a Deus somos mais, somos melhores, somos diferentes. Assim sendo, nunca faltemos à Eucaristia. E a todos estendamos as mãos, em cada dia!

publicado por Theosfera às 05:37

Hoje, 03 de Junho (nono Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Ovídio, S. Carlos Lwanga e seus companheiros mártires, Sto. Isaac de Córdova, S. Juan Diego e S. João Grande.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:32

Sábado, 02 de Junho de 2018

Hoje, 02 de Junho, é dia de Sta. Blandina, S. Potino, Sto. Erasmo, S. Pedro, S. Marcelino e S. Félix de Nicósia.

Refira-se que Sta. Blandina é considerada padroeira da mocidade feminina.

E Sto. Erasmo é invocado contra as tempestades, contra as cólicas, contra as doenças intestinais das crianças e contra as dores de parto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 01 de Junho de 2018

Hoje, 01 de Junho (início do mês do Sagrado Coração de Jesus), é dia de S. Justino e Sto. Aníbal Maria di Francia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:55

Quinta-feira, 31 de Maio de 2018

Neste momento de louvor,

nós Te agradecemos
por esta tocante celebração
que, mais uma vez, presencializa a Tua presença no mundo,
que, mais uma vez, actualiza a Tua entrega na história
e que, mais uma vez, certifica o Teu imenso amor no coração de cada homem.

 

Mas não queremos, Senhor,
que a Eucaristia seja um momento com princípio e fim.
Queremos, sim, que a Eucaristia envolva toda a nossa vida:
do princípio até ao fim.

Queremos que a Missa gere Missão,
modelando todas as fibras do nosso interior
e lubrificando todas as vértebras da nossa alma.

Faz de nós testemunhas do Evangelho,
do Evangelho do Pão e do Paz,

do Evangelho do Pão para todos,

do Evangelho da Paz para todos,

do Evangelho do Corpo de Deus.

 

Que todos se alimentem na mesa da Palavra

e que todos possam vir à mesa da Eucaristia.

Que também hoje a Palavra se transforme em Pão

e que o Pão se transforme em Palavra,

em palavra para mudar a nossa vida.

 

Em muitos lugares,

as pessoas vão acompanhar-Te em procissão.

Mas Tu acompanha-nos sempre na grande peregrinação da nossa vida.

 

Que, ao recebermos o Teu corpo,

mostremos solidariedade e partilha,

afecto e amor.

 

Que saibamos dividir

para podermos multiplicar.

Que saibamos testemunhar lá fora

o que celebramos cá dentro.

 

Tu estás sempre connosco.

Que nós saibamos estar sempre conTigo.

Que, pelo nosso testemunho e pela nossa humildade,
todos tenham acesso ao Pão da Vida,
ao Pão do Amor,
ao Pão da Solidariedade,
ao Pão da Paz e da Esperança,
ao Pão que és Tu, Senhor,
e que, através de nós,
quer saciar o mundo inteiro!…

publicado por Theosfera às 10:33

A. Tantos que desperdiçam tanto

  1. Num tempo em que há dias mundiais para quase tudo, podemos dizer que hoje é uma espécie de Dia Mundial da Eucaristia. Como acontece com os outros dias mundiais, também este pode ser um momento para avaliar o nosso compromisso com a Eucaristia em cada dia. E, consequentemente, há-de ser uma oportunidade para fortalecer a nossa vivência eucarística de todos os dias.

Pela sua natureza, uma festa como esta não deve ser episódica, meramente circunstancial, reduzida a um único dia. Uma festa como esta não pode ser o evento de um dia, mas o grande acontecimento de cada dia. Ela tem de funcionar como um «despertador» para os outros dias.

 

  1. A Eucaristia não é festa só hoje. A Eucaristia é a grande festa em cada hoje. De facto, que maior festa pode haver do que ser visitado por Deus, do que ser abraçado por Deus, do que ser interpelado por Deus, do que alimentado por Deus?

É bom não esquecer que, na Eucaristia, é Deus quem nos visita, é Deus quem nos abraça, é Deus quem nos fala, é Deus quem nos alimenta. É assim que a festa deste dia nos desperta para a riqueza de todos os dias, para a beleza de todos os dias. Como entender, então, que tantos desperdicem tanto?

 

B. Não uma recordação, mas uma presencialização

 

3. Verdadeiramente, a celebração da instituição — ou «invenção» — da Eucaristia ocorre em Quinta-Feira Santa. Com efeito, foi na véspera da Sua morte que Jesus, levando até ao extremo o Seu amor por nós (cf. Jo 13, 1), nos legou o Memorial do Seu sacrifício redentor. Foi na Última Ceia, que se transformaria em Primeira Ceia do tempo novo, que Jesus mandou aos Seus discípulos de todos os tempos que fizessem memória da Sua entrega ao Pai: «Fazei isto em memória de Mim»(1Cor 11, 24).

Trata-se de uma memória que é mais do que uma simples recordação. O memorial da Eucaristia não recorda o que ocorreu; actualiza e presencializa o que aconteceu. É por este «único sacrifício»(Heb 10, 12) de Jesus Cristo que nós Lhe damos graças nesta refeição. É por isso que a celebração eucarística congrega quatro dimensões que devem ser mantidas na sua integridade e unidade. A Eucaristia é memorial; é refeição, com a dupla mesa da Palavra e do Pão; é sacrifício e é acção de graças.

 

  1. Sucede que, apesar da importância singularíssima da Quinta-Feira Santa, a circunstância de ser véspera do dia da morte do Senhor inibe-nos de manifestar todo o nosso contentamento por este dom incomparável. Daí a necessidade de uma festa que, além de nos permitir agradecer as maravilhas da Eucaristia, nos leve a testemunhar publicamente, pelos caminhos das nossas terras, que só Jesus é a força capaz de transformar a humanidade, conduzindo-a para a justiça, a felicidade e a paz.

Consta que, nos primeiros séculos, a Eucaristia era adorada publicamente, mas apenas durante o tempo da Santa Missa. Só se conservava a hóstia consagrada para levar a comunhão aos doentes e ausentes. Foi na Idade Média que se começou a dar um maior relevo à adoração. No século XII, foi introduzido um novo rito na celebração da Missa: a elevação da hóstia consagrada, no momento da consagração. Do desejo primitivo de «ver a Hóstia» passou-se, portanto, para uma festa em honra da presença real de Cristo.

 

C. Da vida para a Eucaristia, da Eucaristia para a vida

 

5. Terá sido em 1247 que se celebrou, pela primeira vez, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.

Foi em Liège e por insistência de uma religiosa: a Irmã Juliana de Mont-Cornillon. Mais tarde, em 1264, na sequência de um milagre eucarístico ocorrido em Bolsena, o Papa Urbano IV estendeu a toda a Igreja esta festa através da bula «Transiturus». Embora, nessa altura, ainda não haja ainda qualquer alusão à procissão com o Santíssimo, é sabido que esta depressa se introduziu nos hábitos eclesiais e na alma crente do povo. A Portugal esta festa terá, provavelmente, chegado em finais do século XIII com a denominação de Festa do Corpo de Deus.

 

  1. Na génese da procissão eucarística está a intensidade da própria celebração eucarística. Como nos diz Xabier Basurko, desde os primeiros tempos, «os fiéis corriam de Igreja para Igreja com a preocupação de verem o maior número possível de vezes a elevação da Hóstia consagrada». A procissão eucarística é, pois, uma sequência — e um transbordamento — da Eucaristia. Nós vamos, pelos caminhos da nossa vida, até à Eucaristia. Hoje é a Eucaristia que, pelos mesmos caminhos da nossa vida, vem até nós.

Foi para facilitar o visionamento do Pão consagrado — informa-nos de novo Xabier Basurko —, que «começaram a utilizar-se aqueles objectos que habitualmente serviam para a exposição das relíquias dos santos. Deste modo, através do vidro transparente, as pessoas podiam fixar os olhos no sacramento do Corpo de Cristo».

 

D. Da Missa à Missão

 

7. Tudo isto mostra como a Eucaristia não se limita à celebração. A Eucaristia é para celebrar e há-de ser também para adorar e para testemunhar. A Eucaristia parte do tempo para o templo e volta do templo para o tempo.

Em boa verdade, nunca deixamos de estar em Eucaristia. À celebração sacramental tem de suceder sempre a celebração existencial da Eucaristia. Quando termina a Missa, há-de começar a Missão. A Missão consiste precisamente no testemunho do que celebramos — e adoramos — na Missa. A Missa é a fonte da Missão. A Missão é o reflexo da Missa. O Pão que nos alimenta na Missa continua a alimentar outros na Missão.

 

  1. É por isso que, na Eucaristia, não há espectadores nem assistentes, mas participantes. Em relação à nossa presença na Eucaristia, não devemos usar o verbo «assistir», mas o verbo «participar». Cada um participa segundo a sua condição e o seu ministério. Toda a forma de participação é importante: a palavra e a escuta da palavra. Ao contrário do que se possa pensar, o silencio também é uma maneira de participar. Na verdade, a Palavra proclamada é para ser escutada e o Pão distribuído é para ser acolhido.

Daí a absoluta necessidade de uma adequada preparação para a Eucaristia. A Eucaristia tem um «durante», mas também tem um «antes» e um «depois». Na Eucaristia não se deve improvisar. Não deve improvisar o que preside à celebração e não devem improvisar os outros participantes da celebração. Na medida do possível, deveríamos todos preparar atempadamente os textos que são proclamados e devíamos prepararmo-nos todos para a vivência deste grande «mistério da fé». Era bom que, na medida do possível, chegássemos um pouco antes e nos recolhêssemos em silêncio de escuta e adoração. A preparação inclui também a purificação do nosso ser. Aliás, a Eucaristia começa praticamente por um acto penitencial. Mas este acto penitencial não exclui, antes requer, a celebração frequente do Sacramento da Penitência.

 

E. O Corpo de Jesus (também) somos todos nós

 

9. No fundo, a Eucaristia é um sacramento de conversão. É pelo pão e pelo vinho, «fruto da terra e do trabalho do homem», que Cristo Se converte a nós. É pelo pão e pelo vinho, «fruto da terra e do trabalho do homem», que nós nos convertemos a Cristo, que nós nos convertemos em Cristo. Se o pão e o vinho se convertem, pelas palavras da consagração, no corpo e no sangue do Senhor, então, na medida em que são fruto do nosso trabalho, somos nós que nos convertemos em Cristo.

Que a realidade do sacramento seja a realidade da nossa vida. É por isso que somos convidados a celebrar, todos os dias, a Eucaristia: para que, todos os dias, nos sintamos convidados a transformar-nos em Cristo. Percebemos, assim, que Sto. Agostinho sugerisse que, quando o sacerdote apresenta o Corpo de Cristo, o comungante também pudesse dizer: «Sou eu». De facto, nós somos Corpo de Cristo, nós fazemos parte do Corpo de Cristo. E é como membros do Corpo de Cristo que nos devemos (com)portar.

 

  1. A esta luz, compreende-se que tenha de haver compostura na Eucaristia, que tenha de haver compostura na maneira de estar na Eucaristia, que tenha de haver compostura na maneira de vestir na Eucaristia; enfim, que tenha de compostura na maneira de viver a Eucaristia.

Nunca voltamos a estar fora da Eucaristia depois de termos estado dentro da Eucaristia. Hoje é dia de agradecermos, ainda mais, este grande — e belo — dom. Que ele não estacione em nós. Levemos este dom aos mais abandonados, aos mais injustiçados. S. João Crisóstomo propunha que fôssemos «do altar da Eucaristia» ao «altar dos pobres». É também junto dos mais humildes que continuaremos a ouvir a voz do mesmo Jesus repetindo: «Este é o Meu Corpo». Afinal, o Corpo de Jesus também sou eu, também és tu. O Corpo de Jesus somos todos nós!

publicado por Theosfera às 05:35

Hoje, 31 de Maio (Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo), é dia da Visitação de Nossa Senhora a Sta. Isabel, Nossa Senhora do Coração de Jesus, Nossa Senhora da Boa Nova e Sta. Petronila.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

Hoje, 30 de Maio, é dia de Sta. Joana d'Arc, S. Fernando e Sta. Baptista Varani.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 29 de Maio de 2018
  1. Hoje em dia, as pessoas não vão ao futebol para ver um jogo; mas para ver uma vitória.

É por isso que o futebol deixou de ser (apenas) desporto. Mais que desporto, o futebol tornou-se essencialmente competição.


  1. Se fosse apenas desporto, o importante seria participar. Como o futebol se transformou em competição, o único objectivo é vencer.

Basta conferir as reacções a que nos fomos acostumando. Ninguém faz festa por participar. Só se faz festa por vencer. É normal. Será saudável?


  1. Se repararmos, o futebol não tem espectadores; tem adeptos.

Em princípio, os espectadores vão a um espectáculo por causa de todos os que nele estão envolvidos. Pelo contrário, os adeptos vão a um jogo só por causa de uma parte dos seus intervenientes.


  1. Por aqui se vê como o futebol transporta, congenitamente, um certo lastro de beligerância.

Se a esta predisposição acrescentarmos um forte investimento financeiro e uma enorme projecção mediática, temos pela frente um sério problema global.


  1. O que está a acontecer é uma consequência da dimensão que o futebol alcançou.

A violência no futebol é grande porque poucos suportam perder o que no futebol há para ganhar. É cada vez maior a dificuldade em aceitar os limites e em lidar com a adversidade.



  1. Como é desmedida a pressão para vencer, a resposta ao insucesso é muito mais difícil de prever.

Acresce que a animosidade dos adeptos não se limita às equipas adversárias, atingindo igualmente os seus próprios clubes.


  1. A irracionalidade e o descontrolo emocional parecem não ter fim.

Preocupante já é a violência que alguns exercem sobre os outros. Como não há-de ser assustadora a violência que tantos descarregam contra os seus?


  1. Sucede que muita desta violência não é espontânea, o que já seria inquietante. Aflitivo é notar que muita desta violência é premeditada, dirigida e organizada.

Mas é deste ambiente que emergem as claques e até alguns dos mais aplaudidos dirigentes.


  1. É inevitável que o futebol seja o retrato da vida e das suas pulsões mais violentas.

Antes do futebol, é a vida que se mostra violenta. Se a vida está cheia de violência, como é que o futebol haveria de escapar à violência? O fundamental é não ceder à violência.


  1. Se não possível impedir que o futebol se apresente como um negócio, não consintamos que ele degenere numa guerra.

Há, pois, um imenso trabalho a fazer. Nos estádios, sem dúvida. Mas, desde logo, em casa. Eis o que falta. Eis o que urge!

publicado por Theosfera às 10:59

Hoje, 29 de Maio, é dia de S. Maximino, Sta. Úrsula de Ledochowska e S. José Gérard.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:01

Segunda-feira, 28 de Maio de 2018

Hoje, 28 de Maio, é dia de S. Justo e S. Germano de Paris.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:56

Domingo, 27 de Maio de 2018

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Porque és Deus,

porque és Pai,

porque és Filho,

porque és Espírito Santo,

porque és amor.

 

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Porque és único, mas não és um.

Porque és mistério, mas não estás longe.

Porque és poderoso, mas também simples e humilde.

 

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Porque és Trindade.

Porque és unidade.

Porque és comunhão.

Porque és vida.

Porque és luz.

Porque és paz.

 

Maravilhoso és Tu, Senhor.

Maravilhoso é o Teu ser.

Maravilhosa é a Tua doação.

Maravilhosa é a Tua presença.

 

Tu, Senhor, estás no Céu.

Tu, Senhor, estás na Terra.

Tu, Senhor, és o Céu na Terra.

Em cada ser humano, Tu armas a Tua tenda

e constróis uma morada, uma habitação.

 

Obrigado, Deus Pai.

Obrigado, Deus Filho.

Obrigado, Deus Espírito Santo.

Obrigado por tanto.

Obrigado por tudo.

 

Que a nossa atmosfera seja sempre uma teosfera.

Que em cada momento haja uma brisa a respirar a Tua bondade.

Que a nossa vida mostre a Tua vida,

a vida que vem de Ti.

 

Que nunca esqueçamos

que somos baptizados no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

 

Que tudo em nós seja ressonância

desta presença divina pelas estradas do tempo.

 

Obrigado, Santíssima Trindade,

por estares em cada um de nós.

 

Obrigado porque Um de Vós

Se quis tornar um de nós,

de cada um de nós.

 

Obrigado por estares sempre connosco,

na vida e na Palavra feita carne,

na vida do Teu Filho,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:30

A. Resta-nos o silêncio?

  1. Falar sobre o homem já é difícil. Como é que haveria de ser fácil falar sobre Deus? Como notou Karl Barth, «tudo o que diga sobre Deus é apenas um homem que o diz», pelo que fica infinitamente aquém do que pretende dizer. Nenhuma palavra humana é capaz de dizer Deus, nem a própria palavra «Deus». Como percebeu Karl Rahner, «tal palavra nada diz sobre o que significa».

É claro que, segundo o mesmo Rahner, de todas as palavras, esta será a menos imprópria para indicar Deus: é tão pequena que mal chega à língua, logo desaparece dos lábios. É, pois, uma palavra que cumpre a sua missão: convida mais a escutar do que a conversar, apelando mais à contemplação do que à discussão. Que, pela sua natureza, seria necessariamente interminável.

 

  1. Restar-nos-á então o silêncio? É certo que, sobre Deus, falamos sempre melhor quando nos calamos. Sobre Deus, calar é falar e falar é calar. Só que nem todo o silêncio será santo. O silêncio tanto pode significar disponibilidade para acolher como rejeição ou desinteresse.

É por isso que só nos calamos no fim do esforço de falarmos o mais adequadamente possível daquela realidade para a qual não há nenhuma palavra adequada. Só no fim é que o silêncio será digno e santo.

 

B. Jesus fala de Deus, mostrando-nos o Pai

 

3. Curiosamente, nem Jesus, o revelador de Deus, falou muito sobre Deus. Segundo os Evangelhos, a palavra «Deus» só por duas vezes aparece nos lábios de Jesus e, mesmo assim, para citar o Salmo 22: «Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?»(Sal 22, 1). Sobre Deus, Jesus falou mais com a vida do que com os lábios. Como observou González-Faus, Jesus revela Deus não tanto «falando sobre Ele, mas deixando-O transparecer, praticando-O, pondo-O em acto nas circunstâncias concretas da Sua vida».

Jesus é sobretudo aquele que nos mostra Deus. É Ele quem, como assinala S. João, no-Lo dá a conhecer (cf. Jo 1, 18). Quando fala de Deus, Jesus fala do Pai, fala d’Ele como Filho e fala do Espírito Santo. Dir-se-ia que o Pai é o Silêncio, o Filho é a Palavra e o Espírito Santo é o Encontro. É na escuta do Espírito que encontramos a Palavra de Jesus que nos desvenda o que, para nós, permanece em silêncio. A Trindade não é a soma das pessoas, é o sumo que as sustenta.

 

  1. Para nós, Jesus é o portador da Santíssima Trindade. Percebe-se, pois, que, como alerta S. Gregório de Nazianzo, os cristãos, quando dizem Deus, digam Pai, Filho e Espírito Santo. A palavra «Trindade» não está na Bíblia; foi criada por Tertuliano para expressar o que está na Bíblia, mais propriamente no Novo Testamento. Antes de Tertuliano, Teófilo de Antioquia tinha proposto uma outra palavra semelhante: «trias».

Sobre Deus, o Novo Testamento recorda uma verdade e oferece-nos uma enorme novidade. Deus é único, mas, sendo único, não é um. S. Paulo lembra que «há um só Deus»(Ef 4, 6). Acontece que o único Deus, que é «Pai de todos»(Ef 4, 6), é um com o Filho (cf. Jo 10, 30) e com o Espírito Santo (cf. Jo 14, 26). Não são três deuses, mas três pessoas da única divindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo têm a mesma substância, como confessa o Concílio de Niceia, e como tal são «adorados e glorificados», segundo a formulação do Primeiro Concílio de Constantinopla. Por tal motivo não damos glória ao Pai nem damos mais glória ao Pai. Nós, cristãos, damos igual glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

 

C. Como dizer a Trindade?

 

5. Como entender tudo isto? Na Santíssima Trindade, como anotou Matias Schebeen, tocamos o mistério estrito («mysterium stricte dictum»). Seria mais fácil, como diz o Menino que apareceu a Sto. Agostinho, transportar toda a água do mar para um pequeno buraco na praia do que decifrar o mistério da Santíssima Trindade.

Apesar disso, os esforços prosseguiram. Apareceram não só os conceitos mais sofisticados, mas também as imagens mais criativas. Até à dança e ao riso se recorreu para explicar a Santíssima Trindade.

 

  1. Com o termo «pericorese», pretende-se indicar a igualdade e a diferença entre as pessoas divinas. Na sua raiz, «pericorese» significa «dança à volta de», designando uma mesma dança interpretada por diferentes pessoas de mãos dadas. Esta imagem serve para ilustrar que, na Santíssima Trindade, as pessoas são simultaneamente iguais e diferentes: iguais na divindade, diferentes como pessoas.

Entretanto, para vincar a eterna unidade na Trindade, o Mestre Eckhart socorre-se da analogia do riso: «O Pai ri para o Filho e o Filho ri para o Pai, e o riso gera prazer, e o prazer gera alegria, e a alegria gera amor».

 

D. Uma «explosão» anterior ao «big bang»

 

7. É, de facto, o amor que identifica Deus. É pelo amor que conseguiremos identificar Deus. Deus é amor no tempo, Deus é amor desde toda a eternidade (cf. 1Jo 4, 8.16). Deste modo, a única forma de conhecer Deus é amá-Lo. É por isso que, para falar de Deus, a razão não basta e as palavras não chegam. Acerca de Deus, só o amor é eloquente. Daí a conhecida máxima de Sto. Agostinho: «Se vês a caridade, vês a Trindade». Quem vive o amor, vive em Deus. Percebe-se, então, que o mesmo Sto. Agostinho tenha feito do amor a súmula da vida trinitária. Dizia ele que o Pai é o amante, o Filho é o amado e o Espírito Santo é o amor. O Espírito Santo é precisamente o «vínculo do amor» («vinculum amoris») que une o Pai e o Filho.

À luz do amor, percebe-se melhor por que Deus, embora único, não é um. Diria que, se Deus fosse um, seria a solidão; se Deus fosse dois, haveria a separação (um é diferenciado do outro) e a exclusão (um não é o outro); mas Deus é três. O três evita a solidão, supera a separação e ultrapassa a exclusão. A Trindade significa a abertura, o acolhimento, a comunhão.

 

  1. As diferenças não são factor de exclusão, são reforço da união. Na Santíssima Trindade, conjuga-se a máxima diferença com a máxima unidade. Ninguém é tão diferente como o Pai, o Filho e o Espírito Santo e ninguém é tão unido como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É este amor que está na origem de tudo. Diria que, antes da explosão do «big bang», houve uma outra explosão que deu origem ao mundo: a «explosão» do amor trinitário de Deus.

Em Deus, o amor é tão forte que não cabe em si e, portanto, «explode» na criação. Tal como cada obra tem as marcas do seu autor, o mundo criado por Deus contém sobejas marcas do Criador. A esta luz, o mundo está cheio de «vestígios da Trindade» («vestigia Trinitatis»), a começar pelo homem, verdadeira «imagem da Trindade» («imago Trinitatis»). Sendo o homem imagem e semelhança de Deus (cf. Gén 1, 26) e sendo Deus uma trindade, então o homem é imagem e semelhança da Trindade. É por isso que a realização por excelência da imagem e semelhança de Deus está na família. Hans Urs von Balthasar reconheceu que «a família é a mais expressiva imago Trinitatis inscrita na criatura». A família humana é a grande imagem da família divina. Cada família humana deve procurar viver à imagem da família divina.

 

E. Nem pessoa sem comunidade nem comunidade sem pessoa

 

9. Por aqui se vê como, ao contrário do que dizia Immanuel Kant, não é indiferente que Deus seja um ou que Deus seja três. No fundo, o mistério da Santíssima Trindade é, afinal, um mistério muito concreto, muito prático. Ele instaura um modelo de humanidade onde não há superiores nem inferiores.

A Santíssima Trindade constitui a alternativa mais consistente quer às pulsões individualistas, quer às derivas massificantes. Numa existência à imagem da Trindade, nem a pessoa se fecha à comunidade nem a comunidade se sobrepõe à pessoa. Numa existência à imagem da Trindade, cada pessoa está aberta à comunidade e a comunidade nunca pode deixar de estar aberta a cada pessoa.

 

  1. No mundo, a Igreja é chamada a ser o grande sinal da Trindade. Como proclama o Vaticano II citando S. Cipriano, a Igreja é o «povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Para a Igreja, a Trindade não é um mero termo de comparação, mas uma causa e uma fonte. Jesus já tinha pedido ao Pai: «Que (todos) sejam um, como Nós»(Jo 17, 11; cf. 18.21). Segundo os estudiosos, este «como» não é comparativo, mas causal. Ou seja, porque Deus é unidade, a Igreja de Deus tem de procurar viver em unidade.

É por isso que, seguindo a vontade expressa de Jesus, somos baptizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»(Mt 28, 19). É por isso que começamos — e terminamos — cada Eucaristia «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Estamos, assim, tatuados para sempre pela unidade divina. Honremos esta unidade, crescendo na comunhão e fortalecendo a fraternidade. A melhor maneira de mostrar que somos filhos de Deus é respeitarmo-nos como irmãos!

publicado por Theosfera às 05:36

Hoje, 27 de Maio (Solenidade da Santíssima Trindade), é dia de Sto. Agostinho de Cantuária, Evangelizador dos Ingleses, e S. Júlio, Padroeiro dos que recolhem o lixo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 26 de Maio de 2018

Hoje, 26 de Maio, é dia de S. Filipe de Néri e Sta. Maria Ana de Paredes.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:39

Sexta-feira, 25 de Maio de 2018

Hoje, 25 de Maio, é dia de Sta. Madalena Sofia Perat, Sta. Vicenta María López de Vicuña, S. Gregório VII, S. Beda Venerável e Sta. Maria Madalena de Pazzi.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 24 de Maio de 2018

Hoje, 24 de Maio, é dia de Nossa Senhora Auxiliadora, Nossa Senhora da Estrada, S. Rogaciano, S. Donaciano, S. Guilherme de Fenol e S. Luís Zeferino Moreau.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 23 de Maio de 2018

Hoje, 23 de Maio, é dia de S. João Baptista de Rossi, S. Desidério e Sta. Joana Antide Thouret.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 22 de Maio de 2018

Hoje, 22 de Maio, é dia de Sta. Rita de Cássia, Sta. Júlia, S. João Baptista Machado de Távora, Sta. Joaquina de Vedruna e Sta. Luísa Palazzolo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 21 de Maio de 2018

Hoje, 21 de Maio, é dia de Maria, Mãe da Igreja, Sto. Hospício, Sta. Catarina de Cardona, Sta. Gisela, S. Carlos José Eugénio de Mazovedo e S. Cristóvão de Magallanes.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 20 de Maio de 2018

Espírito Santo de Deus,

Espírito do Pai e do Filho,

Espírito da Igreja,

Espírito do mundo,

nós Te louvamos e agradecemos

por tantos dons.

 

Obrigado pelo dom da sabedoria.

Obrigado pelo dom do entendimento.

Obrigado pelo dom da ciência.

 

Obrigado pelo dom do conselho.

Obrigado pelo dom da fortaleza

Obrigado pelo dom da piedade.

Obrigado pelo dom do temor de Deus.

 

Obrigado pela beleza de cada dia.

Obrigado pela bondade de tantos corações.

Obrigado pela verdade de tantas palavras.

 

Obrigado também pelos silêncios.

Obrigado ainda pela esperança.

Obrigado pela oração.

 

Obrigado por cada manhã.

Obrigado por cada encontro.

Obrigado por cada pessoa.

 

Tu que habitaste o seio de Maria,

habita o nosso coração,

transforma-nos por dentro

e muda-nos a partir do fundo.

 

Faz deste mundo um mundo novo.

Vem recriar a nossa humanidade.

Que este mundo seja um povo de amigos,

um povo de irmãos.

 

Que estejamos cada vez mais fortalecidos para a missão.

Que nunca nos esqueçamos de dar testemunho.

 

Dá-nos sempre o Teu Espírito,

a respiração da nossa vida,

o vento da nossa jornada.

 

Que sejamos outros,

que aspiremos e aspiremos paz,

em Teu nome,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:31

A. O começo da Igreja no princípio do mundo

 

  1. Grande — e muito bela — é a festa deste dia. Celebramos hoje o «aniversário» da Igreja: não propriamente o «aniversário» do seu nascimento, mas, por assim dizer, o «aniversário» do seu começo. Teologicamente e como já reconheciam os antigos, a Igreja nasce com Jesus. Mas o início da sua missão ocorre precisamente no dia de Pentecostes, após a vinda do Espírito Santo. Em síntese, a Igreja nasce com Jesus e começa com o Espírito Santo.

Refira-se, a propósito, que o Pentecostes já era um importante dia de festa para os judeus. Situada cinquenta dias após a Páscoa, era uma festa agrícola, em que se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo. Mais tarde, tornou-se também a festa da aliança, assinalando o dom da Lei no Sinai e a constituição do primeiro Povo de Deus. A partir de agora, o Pentecostes marca o começo da Igreja, novo Povo de Deus.


  1. Como sabemos, a fundação da Igreja não é instantânea, é progressiva; não é formal, é processual. Ou seja, não resulta de um acto formal, mas de um longo processo que remonta ao princípio do mundo. Como reconhece o Concílio Vaticano II, «desde a origem do mundo, a Igreja foi prefigurada e admiravelmente preparada». De resto, já em plena antiguidade, escritores como Hermas notavam que «o mundo foi criado em ordem à Igreja».

Todo o Antigo Testamento é uma longa e contínua preparação para o nascimento da Igreja: «A preparação longínqua da reunião do Povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem o seu início com a eleição de Israel como povo de Deus».

 

B. Da Cruz ao Pentecostes

 

3. A vida e a missão de Cristo constituem o nascimento da Igreja. De que modo? Como observa o Concílio, «o Senhor Jesus deu origem a Sua Igreja pregando a Boa Nova».

A Igreja nasceu «do dom total de Cristo para nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na Cruz». O nascimento da Igreja é significado pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado. Retomando uma máxima dos primeiros tempos, o Concílio recorda que «foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja».


  1. E eis que chegamos ao Pentecostes: «Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para cumprir na terra, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar continuamente a Igreja». Foi então que «a Igreja se manifestou publicamente diante da multidão e começou a difusão do Evangelho com a pregação».

Concretizando, a Igreja nasce em Jesus e inicia a sua actividade com a vinda do Espírito enviado por Jesus. Não esqueçamos que, antes de morrer, Ele tinha garantido aos discípulos que «o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas, e recordar-vos-á tudo quanto vos tenho dito» (Jo 14, 26).

 

C. O templo e o tempo do Espírito

5. A Igreja é, por conseguinte, o templo e o tempo do Espírito Santo. Como bem disse Santo Ireneu de Lyon, o «Filho e o Espírito são como que “as duas mãos” pelas quais o Pai nos toca». Pelo Filho somos tocados de uma maneira mais visível, pelo Espírito Santo somos tocados de uma maneira mais invisível, o que não quer dizer que seja menos real.

Houve quem, como o célebre Joaquim de Fiori, intentasse estratificar a presença das pessoas divinas no mundo. Segundo ele, o Antigo Testamento era o tempo do Pai, o Novo Testamento era o tempo do Filho e a Igreja seria o tempo do Espírito Santo. Não foi, porém, aceite esta doutrina. Na Igreja, está efectivamente o Espírito Santo e, como não podia deixar de ser, está também o Filho e o Pai. É na unidade do Espírito Santo que, como proclamamos na doxologia que finaliza a Oração Eucarística, chegamos ao Pai através do Filho, Jesus Cristo.


  1. A Igreja não é, portanto, uma mera «continuadora» de Cristo; é a nova presença de Cristo. Note-se, a este propósito, que costumamos falar de «sucessores dos apóstolos», mas não de «sucessores de Cristo». Só há sucessão de quem já não está presente. Os apóstolos têm sucessores porque já não estão presentes. Mas Jesus continua presente. Jesus continua presente no mundo precisamente através da Sua Igreja. Esta, a Igreja, é a nova presença de Cristo, o novo corpo de Cristo, não uma sucessora de Cristo.

É por isso que Santo Agostinho fala do «Cristo total» («Christus totus»), que tem Jesus como cabeça e cada um de nós como membro do Seu corpo. O corpo é único: o corpo de Cristo. Os seus membros são muitos: todos nós, os baptizados.

 

D. O «laço» que nos «entrelaça»

7. Todos os membros deste corpo são diferentes: legítima e desejavelmente diferentes, aliás. A unidade entre eles é assegurada por Deus, por Cristo, pelo Espírito e pelo Baptismo. É São Paulo quem no-lo recorda ao dizer que «há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo, um só Deus e Pai» (Ef 4, 5) e «um só Espírito» (1Cor 12, 13). Somos muitos e, sendo muitos, estamos unidos não em função das nossas afinidades, mas em razão da presença do mesmo Deus que nos une.

Isto significa que, quando não estamos unidos, é porque não estamos a ser verdadeiramente fiéis ao nosso Baptismo, ao Espírito que nele recebemos e a Jesus Cristo que nos conduz para a unidade. Com efeito, é Cristo que nos une e é pelo Seu Espírito que nos devemos deixar re+unir cada vez mais.


  1. Não é por acaso que Santo Hilário de Poitiers considera o Espírito Santo como o «laço» que une o Pai e o Filho. É o mesmo Espírito Santo que, unindo-nos ao Pai e ao Filho, nos une uns aos outros. É, pois, o Espírito Santo que nos «enlaça», que nos «entrelaça». No mesmo Espírito, nunca estamos «deslaçados». No mesmo Espírito, estamos todos «entrelaçados» uns nos outros.

É o Espírito que inspira, é o Espírito que nos inspira para a missão, para os múltiplos — e surpreendentes — serviços da missão. Estes serviços são chamados «carismas», uma vez que resultam de dons suscitados pelo Espírito Santo. Apesar de os trabalhos da missão serem muitos, «é o mesmo Deus que realiza tudo em todos» (1Cor 12, 6), com vista «ao bem comum» (1Cor 12, 7). A missão começa sempre na oração porque é na oração que se acolhe o sopro do Espírito. O grande empreendimento missionário de S. Paulo foi desencadeado por uma forte experiência de oração (cf. Act 13, 1-3).

 

E. O «vento» que abana e nunca abala

9. No dia de Pentecostes, os apóstolos estavam seguramente em oração (cf. Act 2, 1). O Espírito vem para animar e fortalecer os apóstolos. Não é em vão, de resto, que Espírito também é entendido, frequentemente, como sinónimo de ânimo, de força. O Espírito desce «por um rumor semelhante a forte rajada de vento» (Act 2, 2). O Espírito é, muitas vezes, apresentado como «ruah», como vento: às vezes, em forma de brisa, desta vez em forma de rajada.

Também hoje, precisamos de fortes rajadas de Espírito. Deixemos que o Espírito, também hoje, deposite em nós «línguas de fogo» (Act 2, 3) pelas quais possamos aquecer e iluminar as vidas de toda a gente. Precisamos, hoje também, de cristãos «cheios do Espírito Santo» (Act 2, 4) que não se cansem de anunciar «as maravilhas de Deus» (Act 2, 11). Precisamos, hoje também, de cristãos que exalem o perfume do Espírito e propaguem o sabor do Espírito. Precisamos, hoje também, de cristãos de escuta, de espera e de esperança, que ofereçam ao mundo as incontáveis surpresas de Deus.


  1. A Igreja não é propriedade nossa. Já Santo Inácio de Antioquia notava que o Espírito Santo é o «bispo invisível» que conduz a Igreja. E é por Ele que o impossível se torna possível. Mais do que competência própria do que precisamos é de fidelidade à iniciativa do Espírito de Deus. É que, como percebeu Atenágoras, «sem o Espírito Santo, Deus fica longe,

Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é um simples poder, a missão transforma-se em propaganda, o culto parece uma velharia e o agir cristão uma coisa de escravos». Pelo contrário, «no Espírito Santo, Cristo torna-Se presente, o Evangelho faz-se poder e vida, a Igreja realiza a comunhão trinitária e a autoridade transforma-se em serviço que liberta».

Para que seja o Espírito a agir em nós, deixemo-nos habitar pelos Seus dons: pelo dom da fortaleza, pelo dom da sabedoria, pelo dom da ciência, pelo dom do conselho, pelo dom do entendimento, pelo dom da piedade e pelo dom do temor de Deus. Não fujamos da realidade do mundo, mas procuremos olhá-la e transformá-la a partir do Espírito Santo. O espiritual não é o que se opõe ao real. O espiritual é o que anima e transforma o real. É o Espírito Santo que nos transforma e nos renova. No Espírito Santo, nunca envelhecemos, mesmo que os anos passem. O Espírito é a novidade que torna tudo novo. O Espírito Santo é este vento que abana e nunca abala. Quem está no Espírito Santo nunca fica no chão mesmo que tenha caído. Escutemos a voz do Espírito. Porque o Espírito está sempre a soprar. O Espírito está sempre a surpreender-nos!

publicado por Theosfera às 04:55

Hoje, 20 de Maio (Solenidade do Pentecostes, fim do Tempo da Páscoa), é dia de S. Bernardino de Sena e S. Teodoro de Pavia.

Um santo e abençoado dia pentecostal para todos.

publicado por Theosfera às 00:45

Sábado, 19 de Maio de 2018

Hoje, 19 de Maio, é dia de S. Celestino V, S. Clemente Ósimo, Sto. Agostinho de Tarano e S. Crsipim de Viterbo.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Hoje, 18 de Maio, é dia de S. João I, S. Venâncio, S. Guilherme de Toulouse, S. Téodoto, Sta. Tecusa e companheiros mártires, S. Leornardo Murialdo, S. Félix de Cantalício, Sta. Blandina Merten e Sta. Maria Josefa Sancho de Guerra.

Faz 98 anos que nasceu São João Paulo II.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 17 de Maio de 2018
Hoje, 17 de Maio, é dia de S. Pascoal Bailão, Sta. Restituta e Sta. Antónia Messina.

 

Refira-se que S. Pascoal recebeu o seu nome do facto de ter nascido em dia de Páscoa no ano de 1540.

 

Ele é considerado padroeiro das adorações e dos congressos eucarísticos dada a sua acendrada devoção à Eucaristia.

 

Um santo e abençoado dia pascal para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 16 de Maio de 2018

Hoje, 16 de Maio, é dia de S. João Nepomuceno (invocado para proteger as pontes, para fazer uma boa confissão e contra as injúrias e calúnias), Sto. André Bobola, S. Simão Stock, Sto. Alípio e Sta. Gema Galgani.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 15 de Maio de 2018
  1. Na era da conexão, tem sentido insistir na separação?

Se as pessoas estão cada vez mais conectadas, como entender que as instituições onde estão as pessoas sobrevivam separadas?

 

  1. A separação entre a Igreja e o Estado é tida como garantia de respeito pela autonomia de cada um.

Só que, não raramente, também é pretexto para tornar irrelevante o papel dos crentes na sociedade.

 

  1. O Estado é laico quando não interfere na religião. Mas torna-se laicista quando pretende controlar na religião.

A laicidade é isenta pois não tem uma opção religiosa. Já o laicismo não é imparcial porque assume uma posição irreligiosa.

 

  1. Num Estado laico, todas as religiões são acolhidas. Num Estado laicista, nenhuma religião é integrada.

Em Portugal, ninguém se declara laicista. E a Constituição da República nem sequer define o Estado como «laico».

 

  1. Ainda assim, não falta quem, em nome da laicidade, se aproxime do laicismo mais restritivo.

Será que a sobredita separação entre a Igreja e o Estado é incompatível com qualquer cooperação? Será que ela inviabiliza a presença do religioso no espaço público?

 

  1. Há, entretanto, quem comece a questionar este regime de separação.

Foi o que aconteceu numa recente — e corajosa — intervenção do Presidente da República da França. Este, sim, é um país que, na sua Constituição, se identifica como «laico».

 

  1. Não obstante, para Emmanuel Macron é tempo de repensar a separação e de repor os vínculos entre o Estado e a Igreja.

À laicidade não cabe «negar o espiritual em nome do temporal». Não pode promover «uma religião de Estado que substitua a transcendência divina por um credo republicano».

 

  1. Assim sendo, «a República não pede a ninguém que esqueça a sua fé». Pedirá até aos crentes que expressem publicamente o que dimana da sua fé.

Concretamente, aos católicos pede três dons: «o dom da sabedoria, o dom do compromisso e o dom da liberdade». E a primeira liberdade que a Igreja «pode oferecer é a liberdade de importunar».

 

  1. Todos os cidadãos «têm necessidade de uma outra perspectiva sobre o homem, além da perspectiva material. Precisam de matar uma outra sede: a sede de absoluto».

Macron compreendeu que, no fundo, os crentes também são «laicos» no sentido de que também pertencem ao «laos», ou seja, ao povo.

 

  1. No «laos» — isto é, no povo — tem de haver lugar para todos. E se nem todos são religiosos, todos estamos religados.

Quem não se sente religado a Deus não deixará de se sentir religado aos que crêem em Deus. Acolhê-los é um acto de justiça. E escutá-los será sempre um sinal de maturidade e lucidez!

publicado por Theosfera às 10:12

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