O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

Hoje, 18 de Janeiro (1º dia do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos), é dia de Sta. Margarida da Hungria, S. Liberto ou Leobardo, Sta. Prisca ou Priscilla e S. Jaime Cosán.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

Hoje, 17 de Janeiro, é dia de Sto. Antão e Sta. Rosalina de Villeneuve.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019

Hoje, 16 de Janeiro, é dia de S. Berardo e seus Companheiros, S. Marcelo e S. José Vaz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019

Hoje, 15 de Janeiro, é dia de Sto. Amaro, S. Plácido, S. Luís Variara, Sto. Arnaldo Jansen, S. Paulo Eremita, S. Remígio e S. Macário o antigo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

Hoje, 14 de Janeiro (início do Tempo Comum), é dia de S. Félix de Nola, Sta. Macrina a Antiga e S. Pedro Donders.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:18

Domingo, 13 de Janeiro de 2019

Senhor Deus,
que nos enviaste o Filho e o Espírito,
torna-nos solícitos ao Teu envio permanente e ao Teu convite constante.

Enche-nos coma Tua força
e preenche-nos sobretudo com o Teu amor.

A Maria, nossa Mãe,
espelho e exemplo da Igreja,
pedimos a coragem da persistência
e a serenidade da determinação.
Que Ela nos ensine a escutar
e a fazer tudo o que Seu Filho nos diz.

Que Nossa Senhora dos Remédios
nos ajude a conjugar, como ela,
o verbo «dar», o verbo «servir», o verbo «amar».

Senhor Deus,
Tu que és Pai, Tu que és Pão, Tu que és Paz,
dá-nos a intensidade dos começos,
faz de nós apóstolos da Tua presença.
Que esta missão nunca termine
E que nunca deixemos de escutar a Tua voz que nos manda partir,
sabendo que estás sempre ao nosso lado
e sentindo que nunca deixas de estar dentro de nós!
Obrigado, Senhor,
por, também hoje, Te apresentares no meio de nós,
por, também hoje, nos ajudares a vencer as nossas perturbações.

Obrigado, Senhor, pela paz que nos dás,
pela paz que és Tu,
pela paz que chega ao mundo inteiro.

publicado por Theosfera às 11:31

A. Tempo comum para viver um mistério (sempre) incomum

  1. Quem festeja o seu Baptismo? Quem procura saber a data do seu Baptismo? Afinal, que importância damos nós ao Baptismo? Que fica em nós do Baptismo? O Baptismo «de» Jesus Cristo é, assim, uma oportunidade para reflectirmos sobre o nosso Baptismo «em» Jesus Cristo. Esta festa assinala a transição do Tempo do Natal para o Tempo Comum. Ressalve-se, desde já, que o Tempo Comum não é um tempo menos importante. Pelo contrário, no Tempo Comum celebramos o mistério total de Cristo: Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição.

É por isso que, no Tempo Comum, celebramos um Mistério sempre Incomum: o mistério de Deus que Se fez homem em Jesus Cristo para nos salvar. O incomum torna-se comum, não no sentido de vulgar, mas no sentido de constante. O Tempo Comum é também um tempo comunitário, ou seja, um tempo para, em comunidade, celebrar e testemunhar o Evangelho de Jesus.

 

  1. A esta luz, podemos dizer que o Tempo Comum é um tempo pascal e um tempo natalício. É sabido que a cadência original da celebração da Páscoa é semanal: cada Domingo é dia de Páscoa. E uma vez que o mistério pascal constitui o ápice da Encarnação, então não é descabido concluir que o Tempo Comum é também, a seu modo, um tempo de Natal. É um tempo em que Jesus (re)nasce para nós e um tempo em que nós (re)nascemos para Jesus.

Não foi em vão que Johannes Moller considerava a Igreja como «a Encarnação permanente». Na verdade, o Filho de Deus continua a encarnar no Seu novo corpo que é a Igreja, à qual pertencemos a partir do Baptismo.

 

B. Uma síntese e uma abertura

 

3. Acresce que o Tempo Comum é o tempo mais longo. É composto por 33 ou 34 semanas, distribuídas em duas etapas: a primeira decorre entre a Festa do Baptismo do Senhor e o início da Quaresma e a segunda vai da segunda-feira após o Pentecostes até ao começo do Advento.

É no Tempo Comum que acompanhamos a maior parte da missão de Jesus. No Tempo Comum, não celebramos nenhum aspecto particular do mistério de Cristo, mas o mistério de Cristo na sua globalidade. No Tempo Comum, acompanhamos a vida pública de Cristo: desde o Seu Baptismo até à Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

 

  1. A Festa do Baptismo do Senhor é, pois, uma síntese e um portal. Ela permite-nos encontrar uma síntese do Tempo do Natal ao mesmo tempo que nos abre as portas do Tempo Comum. O Baptismo de Jesus mostra-nos um Jesus já adulto, na casa dos 30 anos, mas sempre com a consciência de ser Filho.

No Natal, vemo-Lo ao colo da Mãe; no Baptismo, acompanhamo-Lo a ouvir a voz do Pai. É por isso que, já no século V, São Máximo de Turim considerava que «não é sem razão que celebramos esta festa pouco depois do dia do Natal» e que «também ela deve chamar-se festa de Natal». É que se, «no Natal, Cristo nasceu da Virgem, hoje é gerado pelos sinais do Céu». No Natal, «Maria, Mãe de Jesus, acaricia-O no Seu colo; agora, ao ser gerado entre os sinais celestes, Deus, Seu Pai, envolve-O com a Sua voz, dizendo: “Este é o Meu Filho amado, no qual Eu pus todo o Meu enlevo. Escutai-O” (Mt 17,5). A Mãe apresenta-O aos magos para que O adorem, o Pai apresenta-O às nações para que O reverenciem».

 

C. Uma teofania e uma antropofania

 

5. O Baptismo de Jesus constitui uma Teofania e uma Antropofania. Jesus é o Filho de Deus (cf. Mc 1, 11) em forma humana. Ele é a revelação definitiva de Deus e é a revelação suprema do homem. O Concílio Vaticano II proclama que Jesus «revela o homem ao homem». O serviço é a chave desta dupla revelação. O Filho de Deus é já delineado por Isaías como o Servo (cf. Is 42, 1): Servo de Deus e Servidor para os homens.

No Baptismo, Deus ungiu Jesus com «Espírito Santo e fortaleza» (Act 10, 38) para a Sua missão que consiste em levar «a justiça às nações», em «abrir os olhos aos cegos», em «tirar da prisão os cativos e da cadeia os que habitam nas trevas» (Is 42, 1-4.6-7). Jesus apresenta-Se, assim, inteiramente divino e inteiramente humano: consubstancial ao Pai na divindade e consubstancial a nós na humanidade.

 

  1. É claro que Jesus não precisava do Baptismo; o Baptismo é que precisa de Jesus. Jesus é o verdadeiro Baptista. Por isso, João resiste: «Eu é que devo ser baptizado por Ti» (Mt 3, 14). Mas, como nota São Gregório de Nazianzo, «João resiste e Jesus insiste». São Máximo de Turim percebeu: «Cristo foi baptizado, não para ser santificado pelas águas, mas para santificar as águas e para purificar as torrentes com o contacto do Seu corpo».

Está, assim, apontada a nossa identidade e traçado o nosso itinerário. Ser cristão é seguir Cristo, é ser baptizado em Cristo. Por tal motivo, terminamos o Tempo de Natal com o Baptismo de Cristo e iniciamos o Tempo Comum com a determinação de vivermos sempre o nosso Baptismo em Cristo.

 

D. Baptizar significa mergulhar

 

7. O Baptismo não pode ser remetido ao estatuto de um episódio da nossa infância. O Baptismo imprime carácter, afecta todo o nosso ser. É por tal motivo que se trata de um sacramento que não é reiterado: recebido uma vez, recebido para sempre. As consequências do Baptismo não podem ser reduzidas a uma festa, aos filmes e às fotos. A grande consequência do Baptismo é a vida de Cristo em nós.

Etimologicamente, «baptizar» significa «mergulhar». Pelo que baptizar significa mergulhar em Cristo e, por Cristo, no Pai na força do Espírito Santo. Por outras palavras, baptizar significa mergulhar na vida divina, na vida da Santíssima Trindade. Foi uma das incumbências que o Ressuscitado deixou à Igreja: baptizar «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19).

 

  1. O Baptismo é um novo nascimento pois «ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo» (Jo 3, 3). É o próprio Jesus que, como nota São Paulo, faz de nós filhos adoptivos de Deus (cf. Gál 4, 5). Ser filho adoptivo não é ser um filho menor. São Paulo usa a linguagem da filiação adoptiva para distinguir a nossa filiação da filiação de Jesus. Enquanto Jesus é Filho por natureza, nós somos filhos por graça, por adopção. Mas somos verdadeiros filhos. Em suma, tornamo-nos filhos no Filho.

As águas do Baptismo representam — isto é, tornam presente — o mistério pascal de Jesus. Foi na Páscoa — na Paixão, na Morte e na Ressurreição — que Jesus nos salvou do pecado e nos garantiu a dignidade de filhos de Deus. No Baptismo, descemos com Cristo à morte e com Cristo subimos à vida. Por isso, a celebração do Baptismo, durante muitos anos, era sempre na Vigília Pascal. Santo Agostinho, por exemplo, conta-nos a sua experiência baptismal da noite de 24 para 25 de Abril do ano 387.

 

E. Um sacramento que tem princípio, mas não tem fim

 

9. Não sendo obrigatório que o Baptismo seja na Páscoa anual, é muito recomendável que ele ocorra na Páscoa semanal, ou seja, ao Domingo. Uma vez que é ao Domingo que a Igreja se reúne para celebrar a Ressurreição do Senhor, faz todo o sentido que seja nesse dia que se acolham os novos membros da mesma Igreja. Importa ter presente que o Baptismo tem, a par da sua dimensão cristológica, uma irrenunciável dimensão eclesiológica. Sendo a Igreja o novo Corpo de Cristo, pertencer a Cristo equivale a pertencer à Igreja. É por isso que o Baptismo não deveria ser nunca uma festa apenas da família da criança, mas a festa de toda a família cristã.

Os padrinhos são os representantes da comunidade cristã para ajudar os pais na educação cristã. Eles não são aqueles que dão presentes; são aqueles que tornam presente a vida cristã. É por isso que os padrinhos devem ser cristãos com maturidade, já com o sacramento do Crisma e da Eucaristia e com uma vida consentânea com a fé e a missão que vão desempenhar. Se os padrinhos não são cristãos praticantes, como poderão ajudar a criança baptizada na prática da fé cristã?

 

  1. O Baptismo é um sacramento que tem princípio mas não tem fim. Os antigos chamavam ao Baptismo «janua sacramentorum», isto é, a porta dos sacramentos. O Baptismo inaugura a iniciação cristã, que inclui a Confirmação e da Eucaristia e que se estende aos restantes sacramentos: aos sacramentos de cura (Penitência e Unção dos Enfermos) e aos sacramentos da comunhão e da missão (Ordem e Matrimónio).

Cada dia de um baptizado deve ser um dia baptismal, marcado pela presença de Cristo em nós e de nós em Cristo. Cristo vive sempre de frente para nós. Não queiramos viver de costas para Cristo. Cristo permanece sempre em nós. Procuremos permanecer nós também em Cristo. Assim sendo, no Tempo Comum, havemos de ter uma vida incomum, uma vida fora do comum, enfim uma vida bela e luminosa.

publicado por Theosfera às 05:41

Hoje, 13 de Janeiro (Festa do Baptismo do Senhor e Fim do Tempo de Natal), é dia de Sto. Hilário de Poitiers (eminente Triadólogo e invocado contra as serpentes), S. Gumersindo e S. Serdieu.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 12 de Janeiro de 2019

Hoje, 12 de Janeiro, é dia de S. Modesto, S. João de Ravena, S. Bento Biscop, Sto. António Maria Pucci e Sta. Margarida de Bourgeoys.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:21

Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019

Hoje, 11 de Janeiro, é dia de Sto. Higino e S. Vital.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019

Hoje, 10 de Janeiro, é dia de S. Gonçalo de Amarante, S. Guilherme de Bourges, Sto. Agatão, Sta. Irmã Francisca de Sales Aviat e S. Gregório de Nissa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 09 de Janeiro de 2019
Hoje, 09 de Janeiro, é dia de Sto. André Corsini, Sto. Adriano de Cantuária e Sta. Marciana.

 

Um santo e abençoado dia para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 08 de Janeiro de 2019

Hoje, 08 de Janeiro, é dia de S. Pedro Tomás e S. Severino.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 07 de Janeiro de 2019

Hoje, 07 de Janeiro, é dia de S. Luciano, S. Raimundo de Penhaforte e Sta. Maria Teresa Haze.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 06 de Janeiro de 2019

Ainda criança já todos Te procuram.

Até os grandes se ajoelham diante de Ti.

Porque sabem que, na Tua simplicidade,

és rei, rei de amor e de paz.



Como os magos, também nós aqui estamos

e diante de Ti nos prostramos.



Não trazemos ouro, incenso ou mirra.

Transportamos a pobreza da nossa vida,

a simplicidade dos nossos gestos,

a ternura do nosso amor

e a vontade de estarmos conTigo.



Aceita, pois, Jesus Menino,

os nossos presentes,

o presente da nossa presença.



Tu vieste para nós.

Nós nunca queremos afastar-nos de Ti,

de Ti, que és a luz e a paz.



Tu manifestas-Te a todos.

Vieste à Terra

para seres o salvador e irmão de todos os homens.



Em cada um de nós, Tu encontras uma habitação.

Que nós nunca Te esqueçamos.



Fica sempre connosco.

Nós queremos ficar sempre conTigo,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:13

A. Quem não precisa de uma «estrelinha»?



  1. Todos nós sentimos que pouco conseguimos sozinhos. Na existência, não basta a competência. Precisamos também de uma «estrelinha»: não da «estrelinha da sorte», mas de uma «estrelinha» com luz forte. Foi esta «estrelinha» que os magos guiou e que ao seu destino os levou. Mais que no firmamento, esta estrelinha brilhou por dentro. Foi sobretudo no coração que esta estrela acendeu um grande clarão.

A estrela é o próprio Jesus. É Jesus quem nos conduz. É Jesus quem nos indica como O havemos de procurar e onde O podemos encontrar. Como os magos, ponhamo-nos a caminho pois a estrela não deixa ninguém sozinho. Só quem — como Herodes — se recusa a ver é que esta estrela poderá perder.

  1. Sigamos, então, a estrela. Afinal, o Deus que nos visita também Se deixa visitar, o Deus que vem ao nosso encontro também Se deixa encontrar: pelos de perto, como os pastores (cf. Lc 2, 16) e pelos de longe, como os magos (cf. Mt 2, 1).

Como bem notou São Paulo, todos, em Cristo Jesus, «pertencem ao mesmo Corpo e beneficiam da mesma Promessa» (Ef 3, 6). Caem por isso os muros, só ficam as pontes. Todos estamos ligados a todos através do Pontífice, isto é, d’Aquele que faz as pontes: Jesus.


B. Número, nome e condição dos magos



  1. O Evangelho, com extrema parcimónia, fala-nos de «uns magos» (Mt 2, 1). Não refere nem o seu número nem o seu nome. Nem sequer diz que seriam reis. Foram assim chamados talvez pela alusão que o Salmo 72 faz aos reis que viriam pagar tributo e oferecer presentes (cf. Sal 72, 10). A designação de magos não aponta seguramente para artes mágicas, mas para o estudo dos astros.

Cedo, porém, a tradição entrou em campo. Quanto ao número, foi fácil chegar a três por causa dos presentes que levaram: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2, 11). Ouro porque aquele Menino era Rei, incenso porque aquele Menino era Deus e mirra porque aquele Menino iria ser Mártir. Remontará a esta oferta o costume de dar presentes nesta época natalícia. No que respeita à identidade dos magos, há um evangelho apócrifo arménio, datado do século VI, que refere o nome, a condição e a proveniência. Assim, Baltasar seria rei da Arábia, Gaspar seria rei da Índia e Melchior seria rei da Pérsia. Tal escrito também diz que seriam irmãos e que a viagem que fizeram teria demorado nove meses, chegando a Belém na altura do nascimento de Jesus.



  1. É claro que estes dados são fantasiosos, mas o certo é que se tornaram muito populares. Até um homem culto como São Beda Venerável dá voz, no século VIII, a pormenores que já estariam muito difundidos. Segundo um dos seus escritos, «Melchior era velho de 70 anos, de cabelos e barbas brancas. Gaspar era jovem, de 20 anos, robusto. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com 40 anos».

De acordo com uma tradição medieval, os magos ter-se-iam reencontrado quase 50 anos depois de terem estado com Jesus, em Sewa, na Turquia, onde viriam a falecer. Mais tarde, os seus corpos teriam sido levados para Milão. Aí permaneceram até ao século XII, quando o imperador alemão Frederico terá trasladado os seus restos mortais para Colónia.


C. Um mistério de mostração



  1. Acerca da estrela que viram, também tem havido não poucas conjecturas. Muitos têm identificado aquela estrela com o cometa Halley, que foi visto por volta dos anos 12-11 a.C. Também poderia ser uma luz resultante da conjunção de Júpiter e Saturno na constelação de Peixes, ocorrida em 7 a.C. Há ainda quem fale de uma «nova» ou «supernova», visível por volta dos anos 5-4 a.C.

Esta estrela pode ser vista como um símbolo messiânico insinuado já no livro dos Números, quando Balaão diz que «um astro procedente de Jacob se tornará chefe» (Núm 24,17). Também Isaías garante que «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria» (Is 9, 1).



  1. A verdadeira luz é o próprio Jesus. Ele mesmo Se apresentará como a luz do mundo (cf. Jo 8, 12). Mas esta luz só é acessível a olhares lisos e limpos. Só quem for puro e transparente conseguirá ver esta luz. Herodes não viu esta luz porque não queria deixar-se iluminar: estava corroído pela inveja e obstinado pelo poder (cf. Mat 2, 7-17).

A Epifania é, toda ela, uma festa de luz, de uma luz que ilumina toda a terra. Em Jesus, Deus manifesta-Se a todos, dá-Se a conhecer a todos. A Epifania não é, portanto, um mistério de demonstração, mas de mostração. E Deus mostra-Se de uma forma despojada e encantadoramente humilde.

 

D. Uma festa que chegou a englobar o Natal



  1. Aliás, é o que se depreende do magnífico conto de Sophia de Mello Breyner. Baltasar, em nome dos outros magos, foi consultar os homens da ciência e da política para que lhes dissessem onde estava o «Rei dos Judeus» (cf. Mt 2, 2). Decepcionado com a resposta, virou-se para os homens da religião. É que encontrara um altar dedicado ao «deus dos poderosos», outro ao «deus da terra fértil» e outro ao «deus da sabedoria».

Insatisfeito de novo, perguntou aos sacerdotes pelo «deus dos humilhados e dos oprimidos». Resposta dos sacerdotes: «Desse deus nada sabemos». Então Baltasar subiu ao terraço e «viu a carne do sofrimento, o rosto da humilhação». Deus estava ali, o Deus que os sacerdotes desconheciam.



  1. Não espantará, assim, que esta seja uma festa muito antiga, mais antiga que o próprio Natal. Aliás, houve uma altura em que a Epifania englobava também a celebração do nascimento de Jesus. De facto, não há notícia de uma festa específica do Natal nos primeiros tempos. A primeira vez que o Natal aparece mencionado no dia 25 de Dezembro é no ano 354.

São Clemente de Alexandria indica que uns celebravam o Natal a 28 de Março, outros a 19 ou 20 de Abril, outros a 20 de Maio ou, então, na festa da Epifania.


E. Um misto de aceitação, rejeição e indiferença



  1. Esta festa surgiu no Oriente, a 6 de Janeiro. Inicialmente, o seu conteúdo era variável e abrangente. Na Epifania, celebrava-se o nascimento de Jesus, as bodas de Caná e o Baptismo do Senhor. Muito depressa, o Ocidente incorporou esta festa, acrescentando-lhe a adoração dos magos.

De toda esta evolução resultou a actual estrutura do tempo natalício: Natal a 25 de Dezembro, Epifania a 6 de Janeiro e Baptismo do Senhor no Domingo depois da Epifania. No fundo, entre o Natal e a Epifania há um intercâmbio de significado. Celebra-se o mesmo em ambos os casos: a manifestação de Deus aos homens. No Natal e na Epifania, celebramos portanto a mesma Teofania.



  1. Desde o início, Jesus é adorado e também rejeitado. Diante de Jesus, diferentes personalidades assumem diferentes atitudes, que vão desde a adoração (os magos), até à rejeição (Herodes), passando pela indiferença. Esta última é a atitude dos sacerdotes e dos escribas, que não vão ao encontro desse Messias que eles bem conheciam dos textos sagrados.

Não basta, com efeito, conhecer Jesus, é fundamental ir ao encontro d’Ele para O anunciar. Ele vem para mudar os nossos passos. É por isso que os magos regressam à sua terra por outro caminho (cf. Mt 2, 12). Quando nos encontramos com Jesus, que é o caminho (cf. Jo 14, 6), os nossos caminhos são outros. Transformemos, então, a nossa vida. Convertamo-nos Àquele que Se converteu a nós, Àquele que Se fez um de nós. Façamos sempre como os magos: sigamos a estrela; nunca paremos de vê-la. Deus deixar-Se-á encontrar. E a felicidade em nós há-de brilhar!

publicado por Theosfera às 05:13

Hoje, 06 de Janeiro (Solenidade da Epifania do Senhor e Dia da Infância Missionária), é dia de Sto. André Bessette e Sta. Rafaela Maria.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 05 de Janeiro de 2019

Hoje, 05 de Janeiro, é dia de S. Simeão Estilita, S. Telésfero, S. João Neponucemo, Sta. Maria Repetto e S. Pedro Bonilli.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 04 de Janeiro de 2019

Hoje, 04 de Janeiro, é dia de Sta. Isabel Ana Seton e Sta. Ângela de Foligno.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 03 de Janeiro de 2019

Hoje, 03 de Janeiro, é dia do Santíssimo Nome de Jesus, S. Fulgêncio de Ruspas, Sta. Genoveva de Paris, Sto. Antero e S. Ciríaco Elias Chavara.

Um santo e abençoado dia para todos

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 02 de Janeiro de 2019

Hoje, 02 de Janeiro, é dia de S. Basílio Magno e S. Gregório Nazianzeno.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 01 de Janeiro de 2019

Senhora do Ano Novo,

olha por este Teu povo.

Acompanha-nos a cada instante,

com o Teu amor fiel, constante.

 

Senhor do Ano Bom,

enche os nossos ouvidos com o eco do Teu som,

com o eco do Teu sim,

com o Teu amor sem fim.

 

Senhora de cada dia,

acende em nós a alegria.

Transforma-nos por inteiro

desde o início de Janeiro.

 

Todo o ano será diferente

na vida de toda a gente

se nos guiarmos pelo brilho

da luz que é Teu Filho.

 

Senhora da vida nova,

o nosso coração renova.

Que nunca de Te louvar nos cansemos

e que a Tua bondade imitemos.

 

Do corpo de Teu Filho

cada um de nós é membro.

Que o Seu Evangelho nos guie

dia a dia, até Dezembro.

 

Senhora do silêncio,

que tudo guardas no coração.

Ensina-nos a vencer o mal

e a crescer na mansidão.

  

Senhora que nos assistes

nas horas alegres e nos momentos tristes,

afaga-nos com a Tua mão,

sê para todos amparo e consolação.

 

Pedimos-Te não só saúde,

conforto e prosperidade.

Rogamos que a nossa vida mude

e que prospere sobretudo em santidade.

 

Senhora da compaixão,

Mãe do amor e do perdão,

aconchega os que estão sós,

os que, de tanto soluçar, ficam sem voz.

 

Senhora silenciosa,

ouve a nossa prece dolorosa:

que acabe de vez a guerra,

que venha a paz para toda a terra!

publicado por Theosfera às 11:35

A. Não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar

  1. Nestas alturas, é praticamente impossível ser original. Como notava Terêncio, «não se diz nada que já não tenha sido dito». As palavras parecem sempre velhas, mesmo quando falam do que é novo. Que esperar, então, do ano novo?

Após os desejos habituais, eis que nos preparamos para as amargas desilusões de sempre. À primeira vista, já nenhum ano parece ser novo. A própria palavra «novo» é bem antiga.

 

  1. Por vezes, a vontade de desistir é grande. Mas é precisamente por isso que a determinação de persistir tem de ser ainda maior. Afinal e como dizia Santo Agostinho, «é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa». Na vida, são muitas as situações em que tudo parece que vai acabar. Na vida, são muitos os momentos em que temos de ganhar forças para recomeçar.

O início de um ano sinaliza que a vida é um recomeço constante. Há 12 meses, também estávamos a começar um ano. Há 24 e há 36 meses, estávamos igualmente a começar outros anos. O que jamais podemos é desistir: não comecemos a desistir e nunca desistamos de começar.

 

B. Um dia para Jesus, um dia com Maria

 

3. Começamos cada ano com os ouvidos a captar os ecos do Natal. Aliás, hoje ainda estamos no Dia de Natal. O Natal, como a Páscoa, é um dia com 192 horas. É um dia que se estende por oito dias, até hoje, 1 de Janeiro. A este dia com oito dias chama-se Oitava. É por isso que nunca deveríamos perguntar, como certamente perguntamos nos últimos dias, «Como foi o teu Natal?» ou «Como foi esse Natal?». É que, de facto, o Natal não «foi», o Natal «é», o Natal nunca deixa de ser. O Natal é uma manhã sem ocaso, é um começo sem fim.

Como acabamos de escutar, foi na Oitava do Natal — ou seja, oito dias após o Seu nascimento — que o Menino recebeu o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21). Daí que, durante muitos anos, este fosse também o dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Entretanto, o Tempo Litúrgico do Natal não acaba nesta Oitava. Ele só termina com a festa do Baptismo do Senhor. Mas, no fundo, é sempre tempo de Natal. O Natal está no tempo para que possa estar na vida, para que possa estar na nossa vida no tempo.

 

  1. É, então, a Jesus que entregamos este nosso novo percurso no tempo, que queremos percorrer também na companhia de Maria, que tudo — e a todos — guarda em Seu coração (cf. Lc 2, 19). Com D. António Couto, saudámo-La como «Senhora e Mãe de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro».

Hoje ocorre a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Sendo Mãe de Cristo e sendo Cristo o Filho de Deus, os cristãos cedo perceberam que Maria era Mãe de Deus. Não era só Mãe do homem Jesus, mas Mãe do Filho de Deus que encarnou em Jesus. O Concílio de Éfeso oficializou esta doutrina em 431. São Cirilo de Alexandria já tinha tornado tudo muito claro: «Se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e se a Virgem Santa O deu à luz, então Ela tornou-Se a Mãe de Deus».

 

D. A paz tem um nome: Jesus

 

5. Foi por Maria que Jesus veio até nós. Será sempre com Maria que nós iremos até Jesus. Aquela que nos dá Jesus é sempre a melhor condutora para irmos ao encontro de Jesus. Façamos, portanto, como os pastores. Como os pastores, corramos (cf. Lc 2, 16). Procuremos ir depressa, sem demora, ao encontro de Jesus.

Em Jesus, oferecido por Maria, encontramos o que mais procuramos para nós e o que mais desejamos para o mundo: a paz. Jesus não é apenas o portador da paz. Ele próprio é a paz. Aliás, é assim que o Messias é descrito por Miqueias: «Ele será a paz» (Miq 5, 5). Isaías apresenta o Menino «que nos nasceu» como o «príncipe da paz» (Is 9, 6). Por sua vez, os salmos apontam os tempos messiânicos como sendo marcados por uma grande paz (cf. Sal 72, 7).

 

  1. Não espanta, por isso, que, no século V, São Leão Magno tenha dito que «o nascimento de Cristo é o nascimento da paz». De facto e como reconhece São Paulo, Cristo «é a nossa paz» (Ef 2, 14). É aquele que derruba todos os muros de separação e que de todos os povos faz um só povo (cf. Ef 2, 14). Trata-se de uma paz única, sem paralelo. O próprio Jesus viria a dizer que a Sua paz era diferente: «Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz; [mas] não vo-la dou como o mundo a dá» (Jo 14, 27).

É neste sentido que o Concílio Vaticano II recorda que a paz é muito mais do que a mera ausência de guerra. De resto, a ausência de guerra é, muitas vezes, ocupada com a preparação para a guerra. A paz é mais do que «pax», que, segundo os antigos romanos, resultava da negociação entre as partes desavindas. As partes continuavam desavindas, apenas não entravam em conflito. Semelhante é o conceito veiculado pelo grego «eirene». A paz, para os gregos da antiguidade, é uma tentativa de harmonia entre forças contrárias. As forças permanecem contrárias, unicamente não avançam para o combate.

 

D. Para estar no mundo, a paz tem de estar em cada pessoa

 

7. O hebraico «shalom» contém muito mais. A paz, aqui, é anterior a qualquer esforço humano. É um dom de Deus que faz o homem sentir-se completo, integral. É por isso que a paz só estará no mundo se estiver em cada pessoa que há no mundo. Antes da negociação, é fundamental pugnar pela conversão à paz. Jesus, no Sermão da Montanha, considera felizes os construtores da paz. Só eles serão «chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).

Importa perceber que o primeiro sinal de Deus é a paz. Quando Deus vem à terra em forma de criança, os enviados celestes entoam um cântico que diz tudo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra» (Lc 2, 14). A paz desponta, assim, como o grande indicador de que Deus já está entre nós.

 

  1. Desde 1968, o dia de ano novo tornou-se também o Dia Mundial da Paz. Pretendia São Paulo VI colher inspiração na invocação que, neste dia, se faz de Jesus e de Maria: «Estas santas e suaves comemorações devem projectar a sua luz de bondade, de sabedoria e de esperança sobre o modo de pedirmos, de meditarmos e de promovermos o grande e desejado dom da paz». Com aquele grande Papa, continuamos a pedir para que «seja a paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processamento da história no futuro».

Para 2019, o Papa Francisco propõe um tema de suma pertinência: «A boa política está ao serviço da paz». Com efeito, quando não está ao serviço da paz, nenhuma política é boa. Para isso, tem de haver confiança e respeito.

 

E. Antes de mais, importa atingir o zero

 

9. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Ainda há domínios onde nem sequer atingimos o «grau zero» de humanidade. Ainda há domínios onde nos encontramos abaixo de zero. E abaixo de zero, tudo é negativo, tudo é negação. Como pode haver paz no mundo se no mundo não há respeito pela dignidade humana? Temos pois muito que fazer ou — como diria Sebastião da Gama — «temos muito que amar».

Duas são as coisas que têm de acabar já: a guerra e a fome. E duas têm de ser as coisas que temos de assegurar desde já: paz para todos e pão para cada um. Mais duas são também as coisas a que urge pôr fim: egoísmo e violência. E duas são igualmente as coisas que temos de introduzir com urgência: solidariedade e educação.

 

  1. Neste início de ano, acolhamos o olhar com que Deus nos olha e a paz que Ele benevolamente nos concede (cf. Núm 6, 26). Não esqueçamos que o lugar onde a paz mais se decide é o nosso interior. Se o nosso interior não for indiferente, o nosso exterior começará a ser diferente. E a verdadeira novidade descerá à terra. O novo ano pode não ser melhor, mas nós podemos ser melhores no Ano Novo.

Que haja, pois, vida nova no ano novo. Não é o ano novo que faz a vida nova. Só uma vida nova fará o ano novo. Só uma vida nova trará o tempo novo, o mundo novo!

publicado por Theosfera às 05:20

Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018

Hoje, 31 de Dezembro, é dia de Sta. Comba de Sens, Sta. Melânia, a Nova, S. Piniano, S. Silvestre I e Sto. Alão de Solominihac.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 30 de Dezembro de 2018

Natal é a noite, mas é também o dia.

 

Natal é o frio, mas é também o calor.

 

Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.

 

Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.

 

O Natal não terminou no dia 25.

Constrói, por isso, um Natal para todo o ano,

para toda a vida.

 

Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.

 

É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.

 

Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.

 

Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.

 

Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.

 

Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.

 

Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.

 

Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.

 

Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.

 

Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.

 

Que continues a ter um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 11:32

A. Deus vem ao mundo através de uma família

 

  1. Dizem — e não é mentira — que o Natal é a Festa da Família. De facto, sendo a festa do nascimento de Jesus, o Natal é, por inerência, a festa da família de Jesus. E é, por extensão, a festa da nossa família com Jesus.

Curiosamente, houve uma altura em que se pretendeu sobrepor a Festa da Família à Festa do Nascimento de Jesus. Apenas uma semana após a revolução de 5 de Outubro de 1910, foi promulgado um decreto que estabelecia que o 25 de Dezembro deixasse de ser a comemoração do nascimento de Jesus para passar a ser somente o dia da Festa da Família. Só que o bom povo, na sua sábia coragem e na sua corajosa sabedoria, nunca deixou de celebrar — em família! — o nascimento de Jesus.

 

  1. A família não esvazia o Natal e o Natal não esvazia a família. A família oferece o ambiente natural para o Natal e o Natal oferece o sentido sobrenatural para a família. A família fica mais cheia na quadra do Natal e fica mais preenchida com o mistério do Natal. Afinal, que nos mostra o Natal? Mostra-nos Jesus, mostra-nos Maria e mostra-nos José. Ou seja, mostra-nos uma família.

Deus quis entrar no mundo através de uma família, através de uma família constituída a partir da união entre um homem e por uma mulher. É esta a família que Deus quer. Nos relatos da criação, diz-se expressamente que, quando Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, criou o homem e a mulher (cf. Gén 1, 26). É por tal motivo que o homem deixa pai e mãe para se unir à sua esposa passando os dois a ser uma só carne (cf. Gén 2, 24). Jesus retoma e confirma este desígnio recomendando: «Não separe o homem o que Deus uniu» (Mc 10, 9). Estão aqui consignadas as propriedades essenciais do matrimónio: unidade e indissolubilidade com a consequente abertura à geração de vida.

 

B. A família é uma criação divina

 

3. A família não é, portanto, uma invenção humana, mas uma criação divina. Aliás, o próprio Deus é uma família composta pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

Tal como sucede na família divina, também na família humana não há — ou não devia haver — superiores nem inferiores. Tal como o Pai não é mais que o Filho e o Espírito Santo, também o marido não é mais que a esposa. Tal como os membros da família divina têm igual divindade, também os membros da família humana possuem igual humanidade.

 

  1. Jesus elevou a união entre o homem e a mulher à dignidade de Sacramento. Ou seja, deu a esta união um valor sagrado. Também no matrimónio, a iniciativa é de Deus. É Deus — que a todos chama à vida e à fé — que também chama alguns ao matrimónio.

Nós acreditamos que, sem obviamente contender com a liberdade de cada um, é Deus quem coloca este homem no caminho daquela mulher e esta mulher no caminho daquele homem. Na celebração do Matrimónio, os dois formalizam a sua resposta à proposta de Deus.

 

C. Os problemas existem para serem vencidos, não para (nos) vencerem

 

5. Não faltam, hoje em dia, atentados contra a família: atentados no exterior e atentados no interior. O Estado e a sociedade não apoiam devidamente a família, mas será que a família se apoia adequadamente a si mesma? O Estado e a sociedade não são amigos da família, mas será que a família é amiga da própria família?

Além do flagelo do desemprego, há ainda o drama por causa de muitos empregos. Há esposos que são obrigados a estar longe um do outro. Há pais que são obrigados a passar a maior parte do tempo fora dos filhos. Resultado: há famílias onde não há praticamente nenhuma vida familiar. E sem vida familiar poderá dizer-se que há família?

 

  1. Actualmente, por cada 100 famílias que se constituem, há certa de 70 famílias que se desfazem. E antes de se desfazer, há muitas famílias que se vão destruindo. A violência doméstica não pára de crescer. Em vez de ser uma alternativa de paz aos conflitos que há no mundo, a família parece ser o rastilho que incendeia muitos desses conflitos.

Em relação à família, também parece haver partidários da «solução final». Há quem pense que a única maneira de acabar com os problemas na família é acabar com a própria família. É preciso aprender a esperar para discernir. Às vezes, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente (re)começa. Afinal, os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós…com a ajuda de Deus.

 

D. O dia mais importante para a família

 

7. O segredo para que uma família se fortaleça consiste em valorizar cada pessoa e cada momento da convivência entre as pessoas. O dia mais importante para a família não é só o dia do casamento. Esse foi o dia do início da família. Mas a família não tem importância só quando começa. Uma família é sempre importante. Por isso, o dia mais importante para a família é «hoje», o «hoje» de cada dia. Eu atrever-me-ia a dizer que nem a morte põe fim à família, nem a morte termina com os laços gerados em família. Um filho que vê morrer o seu pai considera-se sempre filho desse pai. E uma mãe que vê morrer a sua filha não se considera sempre mãe daquela filha?

Queridas famílias, valorizai o dom de cada dia. Ao acordar pela manhã, dizei uns aos outros: «Hoje é o dia mais importante da nossa vida». E, no dia seguinte, voltai a dizer: «Hoje é o dia mais importante para a nossa família».

 

  1. Em cada hoje, há coisas pequenas que podem ter um resultado muito grande. Procurai dar valor aos pequenos gestos, às pequenas palavras e até aos pequenos silêncios. Sim, a família é o espaço por excelência do diálogo, mas também deve ser um lugar privilegiado para o silêncio. Como reconheceu São Paulo VI, a Sagrada Família de Nazaré oferece-nos uma interpelante lição de silêncio. Às vezes, ficar calado pode ajudar muito. Pelo menos, pode ajudar a não agravar certos problemas. Há palavras que não só não resolvem como ainda complicam. Há palavras que magoam e que chegam a agredir mais do que certas agressões. Perante alguém que diz muito e muito alto, não dizer nada pode ser o melhor contributo para restaurar a paz e repor a serenidade.

Todos gostam de ter razão, mas eu diria com São Paulo que mais importante do que ter razão é ter «bondade, humildade, mansidão e paciência» (Col 3, 12). Quando tivermos de falar, não nos limitemos a repreender e a exigir. Procuremos saber também agradecer e elogiar. Como tem dito o Papa Francisco, expressões simples como «obrigado», «com licença», «faça o favor» ou «desculpe» podem ter um efeito salutar para o presente e para o futuro da família. Pedir perdão não é um acto de fraqueza. É uma demonstração de força que acaba por fortalecer a família.

 

E. A maior riqueza da família

 

9. As famílias, hoje, não têm tempo. Gastam tempo para ter uma casa e depois acabam por não ter tempo para estar em casa. Mas, se não existe o tempo ideal, que a família, ao menos, aproveite o tempo real, o tempo possível, o tempo disponível: o tempo disponível para estar, para conviver, para rezar. Como bem disse São João Paulo II, «família que reza unida permanece unida».

A oração é o grande alimento — e o maior cimento — da união. É desejável que a família se junte para uma oração conjunta. A oração permite perceber que a maior riqueza não é o só o que existe em cada membro da família, mas o que existe entre todos os membros da família. Entre todos os membros da família encontra-se Deus, que sabe conjugar as diferenças numa comunhão indestrutível e fecunda.

 

  1. Que a família nunca deixe de ser família. Que a família seja um espaço para todos. Infelizmente, a tumultuosa agitação do dia-a-dia não deixa que as gerações convivam muito entre si. Primeiro, são os pais que não têm tempo para os filhos; depois, são os filhos que não têm tempo para os pais. E é assim que nascemos, crescemos e acabamos por morrer deslaçados, sem tempo para estar uns com os outros, sem tempo para dizermos quanto gostamos uns dos outros. Apesar de tudo, a família tem um belo futuro à sua frente, como tem um luminoso passado atrás de si.

Queridas famílias, olhai para a Sagrada Família de Nazaré que a Oração Colecta desta Missa aponta como «um modelo de vida». Sobretudo vós, que vos sentis em maior dificuldade, olhai bem para Jesus, para Maria e para José. É bem verdade que, como cantava o Padre Zezinho, «tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se toda a gente se parecesse com Jesus de Nazaré». Tudo seria bem melhor, sem dúvida. Tudo há-de ser melhor apesar de todas as dúvidas. Tenho a certeza de que, como dizia o Concílio Vaticano II, «a família há-de continuar a ser «o berço da vida e do amor». No fundo, cada família é um pequeno mundo. Que o nosso mundo possa vir a ser uma grande família!

publicado por Theosfera às 05:37

Hoje, 30 de Dezembro (Festa da SagradaFamília), é dia de Sto. Anísio, Sta. Margarida Colona e S. Sabino.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 29 de Dezembro de 2018

Hoje, 29 de Dezembro, é dia de S. Tomás Becket e S. Gerardo de Waindvrille.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:36

Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2018

Hoje, 28 de Dezembro, é dia dos Santos Inocentes, padroeiros dos meninos de coro e das crianças abandonadas.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2018

Hoje, 27 de Dezembro, é dia de S. João Evangelista (padroeiro dos teólogos e invocado contra as queimaduras e venenos e ainda para obter a graça de uma boa amizade), Sta. Fabíola, S. Teodoro e S. Teófanes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2018

Hoje, 26 de Dezembro (segundo dia da Oitava de Natal), é dia de Sto. Arquelau, Sto. Estevão (protomártir) e Sta. Vivência Lopes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2018

A. Eis-nos no dia tão sonhado, no dia tão esperado



  1. Eis-nos, finalmente, chegados ao dia tão sonhado, ao dia tão esperado; ao dia tão sentido, ao dia tão querido. Eis-nos, finalmente, chegados ao «dia inicial inteiro e limpo». Eis-nos, finalmente, chegados ao dia de Natal. Não ao Natal das pressas e das prendas; não ao Natal das correrias e das gritarias; não ao Natal das promoções e das agitações. Eis-nos, finalmente, chegados ao Natal de Jesus e ao nosso Natal com Jesus.

Sim, porque só há Natal no mundo a partir deste mistério profundo. Só há Natal no homem a partir do Deus que Se faz homem. Só há Natal na história quando deste mistério fazemos memória. O Natal só tem luz quando nele celebramos Jesus. É Ele, Jesus, que enche de brilho o meu, o teu, o nosso Natal.



  1. Não nos resignemos, por isso, a uma espécie de «peri-Natal». Não nos limitemos a andar na órbita do Natal, à volta do Natal. Procuramos entrar em cheio no mistério do Natal. E o Natal não é nada sem Jesus. Mas o Natal pode ser tudo se nele estivermos centrados em Jesus.

Compreendamos isto: só há Natal em Cristo. Aliás, como bradava São Macário, «ai da vida em que não habita Cristo». É que — assim poetava Moreira das Neves — «promessas do mundo inteiro são apenas ilusão». Não haverá Natal verdadeiro «sem Cristo no coração».




B. É urgente «renatalizar» o Natal



  1. É preciso «renatalizar» o Natal; é urgente parar de «desnatalizar» o Natal. O tempo avança e tanto frenesim até já cansa. Nesta hora, quem não está cansado das intragáveis promoções de Natal? Das formatadas prendas de Natal? Das ruidosas festas de Natal? Das intermináveis ceias de Natal? E da sufocante máscara do Pai Natal?

Tão solicitados somos nesta altura. E todos os «rituais» somos obrigados a cumprir para não fazer má figura. Sentimos falta de mais calma na nossa alma. Conseguiremos saborear o Natal no meio de tantos simulacros de Natal? Uns dizem que o Natal está a chegar por haver música no ar. Outros garantem o Natal com falinhas mansas promovendo toneladas de brinquedos para as crianças.



  1. O Natal poderá passar por tudo isto se não for desligado de Cristo. Mas o Natal não estará presente em nada disto se nos mantivermos longe de Jesus Cristo. Às vezes, parece que nos contentamos com um «peri-Natal». Andamos à volta do Natal, mas não chegamos a entrar no Natal. Já nem no Natal não haverá lugar para o Natal? Se não há lugar para Jesus, poderemos falar de Natal?

Nunca é demais insistir. O Natal existe para celebrar o nascimento de Jesus. O Natal nasceu com esta finalidade. Há, pois, que «renatalizar» o Natal, recentrando-o em Jesus.


C. É tempo de «descarnavalizar» o Natal



  1. É tempo de superar a crescente «carnavalização» do Natal. Não festejemos o Natal em modo Carnaval, usando como padrão a intrusa «máscara» do Pai Natal. Vistamo-nos de Jesus. É Ele que enche o Natal de luz.

Apesar de muito se falar do «espírito de Natal», temos uma grande dificuldade em mergulhar no «Espírito» e em perceber o «Natal». É hora de deixar de «piratear» o sentido do Natal. Só Jesus dá sentido ao Natal. Só Jesus enche de encanto o nosso Natal. Só Jesus humaniza e fraterniza a celebração do Natal.



  1. Hoje em dia, Nem no Natal serenamos. Até no Natal corremos e nos agitamos. Nem sequer reparamos que o Natal começa por dentro, pelo interior. O Menino que nasceu em Belém veio do interior do Pai. São João usa a palavra «kólpos», que significa «seio»: «O Filho Unigénito, que está no “seio” do Pai, é que O deu a conhecer» (Jo 1, 18). Eis a perene lição do mistério da Encarnação: Deus não Se fica pelo interior, mas vem a partir do Seu interior. É a partir do interior que tudo (re)começa.

Numa época em que tanto costumamos sair, saiamos também para onde não temos estado: «saiamos» também para dentro. É um paradoxo, mas é sobretudo uma urgência. Um acréscimo de vida interior perfumará — com tintas de paz e cores de esperança — este nosso sobressaltado mundo exterior.


D. Uma festa de interioridade para toda a humanidade



  1. O Natal é, essencialmente, a festa da interioridade. É por isso que o Natal deve ser celebrado com alegria, sem dúvida, mas com uma alegria ungida com recato, temperança, comedimento e muita solidariedade. Foi a partir da Sua interioridade que Deus veio ao encontro de toda a humanidade. Com a simplicidade de Jesus em Belém, aprendamos o valor da doação também. Meditemos neste grande mistério de humildade que nos inunda de paz e felicidade.

É grande a maravilha que neste mundo brilha: o mais distante tornou-se o mais próximo. Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão». Deus está aqui: em mim e em ti. Em Cristo, Deus está em nós: escutemos, pois, a Sua voz.



  1. Não nos cansemos de fixar o olhar no presépio. Aquele Menino é tão santo que só consegue provocar encanto. É tão cheio de mansidão que os nossos joelhos caem logo em adoração. O Seu rosto destila tanta pureza que até os antípodas aspiram o perfume da Sua beleza. Enfim, a Sua imagem desperta tal ternura que nem há palavras para descrever tamanha formosura.

O Menino está ali. Mas eu sinto-O sobretudo aqui. Vejo Jesus agora e não deixo de O rever lá fora. Ele está na rua, na minha história e também na sua. Está no sofredor, naquele que estende a mão e mendiga amor. Está no pobre, no que não tem pão. Está em quantos vão penando na solidão. O Seu tempo nunca é distante pois a Sua presença é constante. O Seu lugar não é só em Belém, é na nossa vida também.


E. Tanta profundidade em tão grande simplicidade



  1. Deus, que habita no alto, vem visitar-nos cá em baixo. É, pois, para baixo que devemos olhar. É a partir de baixo que Deus nos olha. Deus não olha para nós, sobranceiramente, de cima para baixo. Deus olha para nós — divinamente — de baixo para cima. E é lá em baixo que continua à nossa espera: lá, nas profundidades da existência, onde a pobreza abunda, onde a injustiça avança, onde a solidão e o abandono não param de crescer.

Eis a lição de Belém. O silêncio de Deus, que falou em Belém, continua a clamar nos pobres também. Quem não os ouve a eles, como pode dizer que O escuta a Ele?



  1. É no sobretudo nos pobres que devemos pensar. É sobretudo para os pobres que devemos agir. A propósito, partilho convosco uma prece que a minha querida Mãe costuma repetir. São palavras simples, mas muito sentidas, muito comovidas e, por isso, muito belas. Ei-las: «Ó meu Menino Jesus/que nasceste em Belém;/abençoa as criancinhas que vivem pelo mundo além./Sem paz, sem saúde,/sem carinho de ninguém;/quero amar-Vos nesta vida/e, depois, no Céu. Amém»! Tanta profundidade jaz nesta simplicidade. De facto, quem Jesus ama agora por Ele será amado pela eternidade fora.

Que o Deus-Menino de Belém — que no mundo acende a paz e o bem — encha de alegria o vosso coração também. Que Aquele que recebeu os pastores alivie as vossas dores. E que o encanto de Belém — de uma beleza sem igual — vos conceda a todos um santo e feliz Natal!

publicado por Theosfera às 05:03

Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2018

Hoje, 24 de Dezembro, é dia de S. Charbel Makhlouf e S. Delfim.

Um santo, abençoado e já natalino dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 23 de Dezembro de 2018

Maria,

Tu és a serva do Senhor,

a Mãe da disponibilidade,

o farol da nossa esperança.


Na Tua humildade,

encontramos a verdade.



Na Tua fidelidade,

reencontramos o sentido.



Com o Teu sim,

tudo mudou,

tudo continua a mudar.



Que o Teu sim nos mude.



Que o Teu sim mude a nossa vida.



Faz do nosso ser

um novo presépio,

igual ao Teu.



Que o Teu Filho nasça em nós.



Que a paz brilhe.

Que a justiça apareça.

E que os sonhos das crianças não deixem de se realizar.



Obrigado, Senhor,

por vires até nós

e por ficares sempre connosco!





Maria, Mãe,

semeia em nós

o Teu Natal,

o Natal do Teu (e do nosso) Jesus!
publicado por Theosfera às 11:27

A. Maria está com pressa

  1. Já houve um tempo em que os dias de Natal eram dias sossegados. Agora, até no Natal andamos todos apressados. Curiosamente, neste Domingo perto do Natal, notamos que Maria também está apressada. Maria está com pressa (cf. Lc 1, 30) porque quer ajudar Isabel. E, acima de tudo, porque sabe que a melhor ajuda é levar Jesus a Isabel.

No fundo, é isto o que falta perceber hoje. Ainda somos capazes de perceber que é preciso ajudar os outros. Falta-nos, porém, compreender que a melhor ajuda é levar Cristo aos outros. Os caminhos de Maria até à casa de Isabel são os caminhos de Maria até à vida de cada um de nós. Também hoje Maria está com pressa. Também hoje, Maria tem pressa de chegar até nós para nos oferecer Cristo, para nos dar o Seu Cristo.

 

  1. Podemos dizer que, naqueles caminhos até à casa de Isabel, ocorreu a primeira procissão do Corpo de Deus. É que, nessa altura, o Corpo de Deus já habitava no Corpo de Maria. Ela já era o verdadeiro «Cálice do Verbo» (Hans Urs von Balthasar) e o primeiro Sacrário da História. É por isso que estes quilómetros não são uma viagem qualquer. A Virgem da Anunciação sai em procissão e já transporta Jesus em peregrinação.

Há dois mil anos, «Maria pôs-Se a caminho» (Lc 1, 30). Hoje, Maria não cessa de Se pôr a caminho. Maria vem ao nosso encontro em cada caminho. Os nossos caminhos continuam a ser percorridos por Maria e pelo Filho de Maria.

 

B. A Visitação é modelo de Missão

 

3.  Maria quem nos leva pela mão até à mesa da comunhão. É Maria quem nos abeira desta refeição inteira. É Maria quem, verdadeiramente, nos conduz até ao Corpo de Jesus. E é Maria quem primeiro diz «ámen» (cf. Lc 1, 38), esperando que o nosso «ámen» seja — como o d’Ela — um «sim» também.

É por isso que a Nossa Senhora deste dia está sempre na nossa companhia. A Nossa Senhora desta viagem está sempre a depositar em nós alento e coragem. Junto de Isabel, Maria é exaltada como crente fiel. Nossa Senhora da Visitação é, por conseguinte, o nosso modelo de missão. Desde o princípio da nossa jornada, podemos contar com Maria em cada estrada.

 

  1. Grande — enorme — é a sabedoria que nos vem de Maria. É cada vez mais urgente perceber que a missão é, essencialmente, um acto de visitação. Como Maria, o pastor tem de ser, antes de mais, um visitador. Não hesitemos, pois, em pormo-nos a caminho ao encontro de quem está sozinho.

Neste mundo global, ainda há quem viva em abandono total. Neste tempo de encontros, ainda há muitos desencontros. E nesta época de encantos, continua a haver quem se veja mergulhado em prantos. Há muita gente a viver só, gente de quem ninguém parece ter dó. Há muita gente abandonada, mesmo que pareça estar acompanhada. Há gente acoitada em dor imensa, à espera do dom de uma presença.

 

C. Evangelizar é fazer como Maria: mostrar Jesus em cada dia

 

5. É preciso fazer como Maria. É preciso sair e sair com pressa. Há muita gente à espera. Há muita gente que quase desespera. Há muita gente sem esperança e que em ninguém tem confiança.

É urgente ser irmão de quem se vai afogando na solidão. Mas quando sairmos pelos caminhos, não partamos sozinhos. Façamos sempre como Maria e levemos Jesus na nossa companhia. Afinal, foi Jesus, levado por Maria, que fez a diferença naquele dia. Não foi só Maria que visitou Isabel. Foi Jesus que inundou aquela vida com a Sua luz. E até João saltou quando Jesus naquela casa entrou (cf. Lc 1, 44). A Sua presença desencadeou uma alegria imensa.

 

  1. Nossa Senhora da Visitação é o nosso modelo na missão. Evangelizar é, acima de tudo, visitar. E é levar Jesus a quem necessita de uma luz. O importante não é que as nossas palavras ecoem; o importante é que a Palavra de Deus entoe.

Na Sua visita, Maria é proclamada bendita (cf. Lc 1, 45). E é proclamada bendita porque acredita. Na verdade, antes de visitar Isabel, Maria visitou o Deus de Israel. E foi o Deus de Israel que Lhe falou de Isabel (cf. Lc 1, 36).

 

D. Maria é bendita porque acredita

 

7. Maria visita porque Se deixou visitar. Quem se encontra com Deus nunca se desencontra dos filhos de Deus. Maria ama com o amor de Deus, com o amor que recebeu de Deus.

As falhas de caridade e de solidariedade começam sempre por ser falhas de espiritualidade. Habituemo-nos, por isso, a visitar Deus, deixando-nos visitar por Deus. Procuremos escutar a Sua voz, acolher a Sua presença e pôr em prática os Seus apelos.

 

  1. A fé é, essencialmente, um mistério de visitação, um mistério de encontro. E, afinal, o que é o Natal senão um mistério de visitação e de encontro? É o encontro que lhe dá o encanto.

Não ponhamos Deus de lado nos nossos roteiros de Natal. Deixemo-nos visitar por Deus e procuremos levar aos outros a permanente visita de Deus. Não digamos que Deus não ouve, que Deus não vê ou que Deus não fala. Nós é que podemos não dar conta da Sua presença. Ao contrário do que se diz, Deus não está em silêncio; pode é estar a ser, por nós, silenciado. Mas nunca nos esqueçamos: é quando parece que está mais ausente que Deus está mais presente.

 

E. Não façamos explodir as armas; façamos «explodir» o amor

 

9. Nesta altura do ano, costumamos ver Deus presente no presépio. Mas não ignoremos que, em cada dia do ano, Deus está presente na Palavra e no Pão. Como não prestar atenção a esta (Sua) constante visitação? Deus está sempre a chegar. Deus está sempre a vir. Quando chega, inunda-nos de esperança. Quando vem, cobre-nos com a paz, com a Sua infinita paz (cf. Miq 5, 5). Como assinalou São Leão Magno, «o nascimento de Cristo é o nascimento da paz». A visitação de Deus é, pois, a visitação da paz.

A terra vive mergulhada em guerra e não consegue uma solução para sair de tanta aflição. À guerra respondemos com guerra e à violência costumamos devolver mais violência. Resultado: a guerra não decresce e a violência cresce. Só há um caminho: em vez de fazer explodir armas, façamos «explodir» Cristo.

 

  1. Na hora que passa, que parece ser de desgraça, é preciso voltar a introduzir graça. A Encarnação é um mistério de visitação, de visitação da graça de Deus. O mundo precisa de uma «explosão» de graça. Não hesitemos em fazer «explodir» a fé num mundo que quase já não acredita. Não hesitemos em fazer «explodir» a esperança num mundo que quase nada espera. E não hesitemos em fazer «explodir» amor num mundo que praticamente deixou de amar, mesmo que muito fale de amor. Só há amor quando o egoísmo se fecha e a doação se abre. Só há doação quando acontece visitação.

Não só neste Natal, mas também neste Natal, visitemos e deixemo-nos visitar. Visitemos Jesus no presépio e visitemos Jesus na Eucaristia. É bom compreender que o Filho de Maria nos visita sempre na Eucaristia. Visitemos, pois, Jesus na Missa e não deixemos de O visitar na Missão após a Missa. A Missão é urgente. A Missão é para toda a gente. A resposta pode não chegar, mas, mesmo assim, a proposta não deve demorar. Uma vez mais, olhemos para Maria. Que a Sua pressa nos apresse. Que a pressa de Maria na missão apresse a nossa decisão: a decisão de levar Cristo a cada irmão!

publicado por Theosfera às 05:43

Hoje, 23 de Dezembro (Quarto Domingo do Advento), é dia de S. João de Kenty, Sta Vitória, Sta. Anatólia, S. Sérvulo e Sta. Maria Margarida Dufrost de Lajemmerais.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 22 de Dezembro de 2018

Hoje, 22 de Dezembro, é dia de Sta. Francisca Xavier Cabríni e S. Graciano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2018

Hoje, 21 de Dezembro (início do Inverno, às 22h23), é dia de S. Pedro Friedhofen e S. Pedro Canísio.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2018

Hoje, 20 de Dezembro, é dia de S. Teófilo de Alexandria, S. Zeferino e S. Domingos de Silos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:02

Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018

Hoje, 19 de Dezembro, é dia de Sta. Sametana, Sto. Urbano V e S. Ciríaco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

Hoje, 18 de Dezembro, é dia da Expectação de Nossa Senhora ou Nossa Senhora do Ó, S. Gaciano e S. Flávio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018

Hoje, 17 de Dezembro, é dia de S. João da Mata, Sta. Olímpia, S. José de Manyanet e Mártires de Gaza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 16 de Dezembro de 2018

Natal é a mesa farta,

mas é sobretudo a alma cheia.



Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.



Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.



Constrói um Natal para todo o ano,

para toda a vida.



Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.



É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.



Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.



Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.



Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.



Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.



Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.



Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.



Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.



Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.



Que tenhas um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 11:21

Hoje, 16 de Dezembro (Terceiro Domingo do Advento, também conhecido como Domingo Mediano ou Domingo da Alegria), é dia de Sta. Adelaide, S. Guilherme de Fenol, Sto. Honorato de Biala, S. Clemente Marchisio e Sta. Maria dos Anjos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 15 de Dezembro de 2018

Hoje, 15 de Dezembro, é dia de Sta. Maria Crucificada da Rosa, S. Mesmin, Sta. Cristina, S. João Henrique Carlos e Sta. Virgínia Bracelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018

Hoje, 14 de Dezembro, é dia de S. João da Cruz, S. Venâncio Fortunato e Sta Maria Francisca Shervier.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Hoje, 13 de Dezembro, é dia de Sta. Luzia de Siracusa (invocada para a cura das doenças dos olhos, das desinterias e das hemorragias) e Sta. Otília.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

Hoje, 11 de Dezembro, é dia de S. Dâmaso, S. Daniel estilita, S. Martinho de S. Nicolau, S. Melchior de Sto. Agostinho e Sta. Maria Maravilhas de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

Hoje, 10 de Dezembro (Dia Mundial dos Direitos do Homem), é dia de Nossa Senhora do Loreto, de Sta. Eulália e de S. Melquíades.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 09 de Dezembro de 2018

No Advento já é Natal.

 

No Natal continua a ser Advento.

 

É Advento no Natal porque o Natal celebra a grande chegada do Senhor Jesus à nossa história, ao nosso mundo, à nossa vida.

 

E é Natal no Advento porque nele o Senhor nasce e renasce.

 

A Eucaristia é o grande Advento e o perene Natal.

 

Creio, Senhor, que vieste ao mundo

e que no mundo permaneces.

 

Tu estás em toda a parte,

estás no Homem,

estás na Vida,

estás na História,

estás no Pequeno,

estás no Pobre.

 

Hoje como ontem,

permaneces quase imperceptível.

 

Há quem continue a procurar-Te no fausto,

na ostentação,

na majestade.

 

Tu desconcertas-nos completamente

e surpreendes-nos a cada instante.

 

És inesperado

e estás sempre à nossa espera.

 

Os momentos podem ser duros.

 

O abandono pode chegar

e a rejeição pode asfixiar-nos.

 

Tu, porém, não faltas.

 

Estás sempre presente.

Estás simplesmente.

 

Creio, Senhor,

que é na simplicidade que nos visitas

e na humildade que nos encontras.

 

Converte-nos à Tua bondade,

inunda-nos com o Teu amor,

afaga-nos na Tua paz.

 

Obrigado, Senhor, pelo Teu constante Advento.

 

Parabéns, Senhor, pelo Teu eterno Natal!

publicado por Theosfera às 11:14

A. Preparar: a palavra-chave e a atitude decisiva

 

  1. A palavra-chave deste segundo Domingo do Advento é preparar. Mas preparar não é só a palavra-chave. É também a atitude decisiva. Estamos, com efeito, num tempo que não costuma ser muito complacente diante dos improvisos, isto é, diante da falta de preparação. E, se repararmos, nós costumamos preparar — e preparar bem — o que consideramos importante. Preparamos os testes, preparamos os discursos, preparamos as refeições, etc.

Nesta altura, já andamos envolvidos com os preparativos para o Natal. Andamos a preparar a consoada e a preparar os presentes. E é assim que, aos olhos de muitos, se prepara o Natal. Mas será que o Natal é só isto? Será que o Natal é sobretudo isto? Será que a preparação para o Natal é sobretudo esta?

 

  1. São João Baptista usa, enfaticamente, a linguagem da preparação. Ele recorre ao imperativo, ordenando que preparemos o caminho do Senhor: «Preparai o caminho do Senhor» (Lc 3, 4).

Preparemos, sem demora, o caminho do Senhor. Preparemos, sem demora, os nossos caminhos para o Senhor. O caminho que o Senhor quer trilhar é a nossa vida, é o nosso ser, é o nosso quotidiano. Será que os nossos caminhos estão preparados? Será que os nossos caminhos estão limpos? Será que, pelo menos, os nossos caminhos estão abertos?

 

B. Tanta coisa para «deletar»

 

3. Há tantos caminhos tapados na vida. Há tantos caminhos preenchidos na vida: preenchidos com quase tudo, menos com Deus. Há tantos caminhos cheios de nada, embora preenchidos com quase tudo. Só que este «quase tudo» sabe a pouco.

Precisamos, por isso, de varrer os nossos caminhos e de «deletar» tanta coisa acessória, tanta coisa superficial, tanta coisa banal. Se estivermos atentos, daremos conta de que essencializamos o que é relativo e relativizamos o que é essencial. Há muito desperdício de tempo, há muito desperdício de energia, há muito desperdício de vontade. Por conseguinte, é tempo de reaproveitar o tempo. É tempo de reaprender a caminhar no tempo. Em suma, é tempo de voltar a ouvir o apelo de São João Baptista. Nunca deixemos, pois, de preparar os caminhos do Senhor, os caminhos que o Senhor quer fazer connosco.

 

  1. Haverá lugar para Deus nos nossos caminhos até ao Natal? Ele caminha sempre connosco. Será que nós queremos caminhar com Ele? Jesus quer ser Emanuel. erá que estamos dispostos a que Ele seja Deus connosco, Deus em nós?

Preparar o Natal também é preparar a nossa casa para receber os nossos familiares. Mas não será, muito mais, preparar a nossa vida para acolher Jesus? Preparar o Natal também é fazer um presépio. Mas não será, muito mais, preparar a nossa vida para ser, ela própria, um presépio?

 

C. Um novo lugar para Jesus: a nossa vida

 

5. O lugar onde Jesus quer (re)nascer, hoje, não é já a manjedoura de Belém. O lugar onde Jesus quer (re)nascer, hoje, é o nosso ser, a nossa vida. Estaremos a preparar devidamente a nossa vida para a vinda de Jesus?

Jesus não veio — nem vem — para que tudo continue na mesma. Jesus veio — e vem — para que tudo seja diferente, para que tudo seja melhor. Não é só o mundo que é feito de mudança, como lembrava Luís de Camões. Todo o Evangelho é, do princípio ao fim, um permanente convite à mudança. Logo no início da missão, Jesus desassossega-nos: «Arrependei-vos» (Mc 1, 15). Ou seja, «mudai de vida», «mudai a vida»!

 

  1. Esta mudança tem o nome de conversão e passa por gestos concretos. Passa, antes de mais, por uma conversão a Cristo. Passa, portanto, pela confissão do nosso pecado e pela disponibilidade para uma vida nova. De resto, é bom não esquecer que, antes de nos convertermos a Cristo, já Cristo Se converteu a nós. Cristo fez-Se o que nós somos. Será que estamos dispostos a fazermo-nos o que Ele é?

A mudança passa também pela sobriedade, pela humildade, pelo reencontro com a beleza das coisas simples. Na verdade, não há nada mais longe de Cristo do que celebrar o Seu nascimento com a ostentação e o exibicionismo. Não deixemos que o Natal se reduza a um «vendaval de consumo» sem freio. Deixemo-nos reencantar pelo Natal. Deixemo-nos envolver pelo seu espírito e cativar pela sua candura.

 

D. A nossa missão «ecóica»

 

7. Procuremos «endireitar» o que está «torto» (cf. Lc 3, 4-5). Há, sem dúvida, tantos caminhos tortos e tantas atitudes tortuosas nos nossos caminhos. Comecemos por ouvir a voz de João. Trata-se de uma voz que nunca deixará de bradar, que nunca deixará de inquietar os nossos ouvidos (aparentemente) aquietados.

Procuremos ouvir a voz que se faz eco da Palavra. João é a voz da Palavra que é Jesus. É uma voz fiel que faz ressoar, fidedignamente, a Palavra. Quanto mais perto estiver da Palavra, tanto mais nítida será a voz.

 

  1. A nossa missão há-de ser uma «missão ecóica», a missão de ser eco. Foi, aliás, o que Jesus pediu quando incumbiu os discípulos de levarem o Evangelho a toda a parte e a toda a gente (cf. Mc 16, 15; Mt 28, 20). Quem os ouvisse, a eles, haveria de O ouvir sempre, a Ele (cf. Lc 10, 10). Aliás, essa preocupação era muito vincada nos começos. A Igreja não anunciava as palavras que usava. O seu compromisso era ser o eco da Palavra recebida. Foi este compromisso que levou os apóstolos a nunca calar o que tinham ouvido (cf. Act 4, 20).

Mais do que criadora de palavras, a Igreja sempre se viu a si mesma como uma criação da Palavra («creatura Verbi»). Por isso, quanto mais perto estivermos da Palavra, mais audível será a Palavra e mais transparentes seremos nós. Reconheçamos, porém, que nem sempre é isso o que acontece. Há palavras que se interpõem diante da Palavra e que chegam a perturbar a escuta da Palavra. Em vez de serem eco da Palavra, não passam de ruído que mal deixam acolher a Palavra. Assim sendo, o importante é que a Palavra viva em cada pessoa e que cada pessoa procure viver de acordo com a Palavra. Uma «Igreja ecóica» é chamada a oferecer a Palavra que lhe é, continuamente, oferecida. Se possível, sem glosas. E sem filtros.

 

E. É urgente «aplanar» o que (ainda) está «torto»

 

9. Aproveitemos este tempo para ler e para meditar a Palavra. Como João Baptista, procuremos ser voz da Palavra. A Palavra de Deus chegará aonde nós chegarmos. Anunciemos a Palavra de Deus com os lábios e nunca nos cansemos de testemunhar a Palavra de Deus com a vida.

Levemos a Palavra de Deus aos «lugares tortuosos»(Lc 3, 5) e que se tornam quase intransitáveis. Que esses lugares possam ser frequentáveis e que os nossos caminhos se tornem planos, sem curvas. Na nossa vida, ainda há muitas curvas fechadas e apertadas, que não deixam (ante)ver com nitidez o caminho. Procuremos caminhar em linha recta e não às curvas. Quem é recto torna-se (saudavelmente) previsível, ainda que sempre receptivo às imprevisíveis surpresas de Deus.

 

  1. Não nos cansemos de «aplanar» o que ainda está «torto» e «tortuoso». Deixemos que, através do nosso testemunho, os outros possam «ver a salvação de Deus»(Lc 3, 6).

Este Domingo e o próximo são dominados pelo grande «preparador» do Natal. S. João Baptista é o «preparador» dos caminhos que Deus quer pisar. Ele prepara pela palavra e pelo exemplo. Em S. João Baptista, não há «curto-circuitos» entre a palavra e a vida. Aliás, em S. João Baptista, nenhum circuito é curto. O «circuito» entre a sua palavra e a sua vida é longo e leva-nos longe. Leva-nos sempre a Jesus!

publicado por Theosfera às 05:28

Hoje, 09 de Dezembro (2º Domingo do Advento), é dia de Sta. Leocádia, Sta. Clara Isabel, S. Bernardo Maria de Jesus e S. Libório Wagner.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 08 de Dezembro de 2018

Nossa Senhora, Mãe da esperança,

Acompanha-nos na nossa jornada pelo tempo.

Faz brilhar em nós a luz do Teu sim.

 

Tu és a toda santa, a toda bela, a toda pura.

Dá-nos a graça de sermos simples e fiéis,

Persistentes e constantes.

Semeia em nós a santidade.

 

Que sejamos humildes como Tu.

Que deixemos Deus fazer através de nós as maravilhas que Deus realizou por meio de Ti.

 

Ajuda-nos no caminho,

Acompanha-nos na viagem.

 

Apoia-nos quando cairmos.

Enxuga as nossas lágrimas.

 

Dá-nos a Tu mão, agora,

E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.

 

Que sejamos santos

E, por isso, felizes.

 

E por isso cada vez mais amigos,

Cada vez mais unidos,

Cada vez mais irmãos!

 

Daqui a 17 dias, celebraremos o nascimento de Teu Filho,

De hoje a nove meses estaremos aqui a celebrar o Teu próprio nascimento.

 

Dizer-Te obrigado é pouco,

Mas, à falta de melhor, é tudo o que nos resta.

 

Aceita, pois, a palavra dos nossos lábios

E o sentimento que brota do nosso coração.

 

Obrigado, Mãe.

Leva-nos conTigo ao coração do Pai!

publicado por Theosfera às 11:30

A. Um acontecimento espiritual, inteiramente real



    1. Este é mais um dia da Mãe. É o dia em que a Mãe começou a existir. É o dia em que o céu se quis abrir e, para todos, sorrir. O primeiro suspiro de Maria acaba por ser o primeiro sopro de vida de Jesus. Este é, pois, o início antes do começo, o dia anterior ao dia primeiro. Este é o Natal que prepara o Natal. É o pré-Natal que nos vai conduzir até ao Natal.

    Celebramos a Imaculada Conceição. Maria foi sempre imaculada. Foi imaculada quando foi concebida e, como assinala o Evangelho, foi imaculada quando concebeu. O que em Maria aconteceu não foi obra humana, mas acção divina. O Espírito Santo veio sobre Ela (cf. Lc 1, 35) para desencadear a ocorrência mais bela: a vinda do Filho de Deus ao mundo.



    1. Por tal motivo, a tradição habituou-se a chamar a Maria «Esposa do Espírito Santo». É o que fazem, por exemplo, São Jerónimo, São Francisco de Assis e São Bernardo. Como é óbvio, não podemos entender esta expressão em sentido biológico, o que faria do Espírito Santo o Pai de Jesus. Não estamos no âmbito da física, mas da mística. É, pois, pelo mistério (e não pela ciência) que nos devemos guiar.

    Como bem precisou Santo Agostinho, o Espírito Santo não gerou o Filho de Deus. O Espírito Santo não é o gerador (o que faria d’Ele o Pai), mas o santificador. O Pai de Jesus é Deus Pai. É Ele que eternamente gera o Filho. Como nota a referida tradição, o Espírito Santo fecunda e santifica o seio de Maria para — nele — ser acolhido o Filho de Deus.



    B. O primeiro instante de uma presença constante

    1. Santo Hilário de Poitiers afirma que «o Espírito Santo, vindo do alto, santificou as entranhas da Virgem e, uma vez que sopra onde quer (cf. Jo 3, 8), entrou na nossa carne humana […]; e para que não houvesse obstáculo algum, o poder do Altíssimo cobriu com a Sua sombra a Virgem a fim de que a limitação humana que n’Ela havia se fortalecesse com a sombra que A ia envolver».

    Com a locução «Esposa do Espírito Santo», o que se pretende vincar é que a concepção de Jesus em Maria é um acontecimento espiritual, embora inteiramente real. É um acontecimento interior, que se projecta no exterior; é um acontecimento espiritual que ocorre no carnal; é um acontecimento divino que se revela no humano. Com o Seu «sim», Maria — como verbalizou São Proclo de Constantinopla — portou-Se como «um sagrado e misterioso “tear” da Encarnação», cujo «tecedor» foi precisamente o Espírito Santo.



    1. Condensando todo o este mistério, o Catecismo da Igreja Católica sublinha que «o Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-lo divinamente, Ele que é “o Senhor que dá a Vida”, fazendo com que Ela conceba o Filho Eterno do Pai numa humanidade proveniente da Sua».

    Foi deste modo que Deus cuidou da morada para o Seu Filho. Preparou-Lhe uma Mãe sem mancha, uma Mulher sem mácula. A Imaculada Conceição é a primeira grande visitação de Deus à Mãe de Seu Filho. Foi o primeiro instante de uma presença constante.



    1. C. Estar com Maria é estar com Jesus



    1. Para nos ajudar a seguir Cristo quem melhor do que quem nos trouxe Cristo? Ninguém vive Cristo como Aquela que nos dá Cristo. Por isso, é para Maria que nos devemos dirigir no momento de Cristo seguir. Melhor que ninguém, Ela sabe o que é ouvir (cf. Lc 8, 21), acreditar (cf. Lc 1, 45), dizer sim (cf. Lc 1, 38), acompanhar (cf. Jo 2, 1-12; 19, 25) e vivenciar (cf. Lc 8, 21).

    É por tudo isto que, para a Igreja, se Jesus é a fonte, Maria aparece com o seu grande modelo. Ela corporiza, por assim dizer, a Igreja nascente, a Igreja seminal, a Igreja dos começos e, ao mesmo tempo, a Igreja da plenitude e da consumação. Maria transportou dentro de si o Fundador — e perene Fundamento — da Igreja. Isto significa que já houve alguém que conseguiu o que cada um de nós é chamado a realizar: a fidelidade a Deus.



    1. Estar com Maria é estar com Jesus Cristo. Tal como Jesus, que Se apresentou no mundo como servo (cf. Lc 22, 27; Fil 2, 7), Maria identifica-se na vida como serva (cf. Lc 1, 38). A esta luz, a Igreja só pode ter uma configuração totalmente serviçal.

    Enquanto primeira cristã, Maria em nós é a grande maieuta de Cristo. Uma vez que o Verbo Se fez carne na Sua carne, Ela está em condições únicas para nos ajudar a que Ele Se faça vida na nossa vida. Por tal razão, quem está perto de Maria nunca estará longe de Cristo.

    D. É pelo exemplo que Maria «governa» a Igreja


    1. Não admira que Maria seja descrita como terra sagrada, cálice do Verbo e primeiro sacrário da história. Que melhor guia do que Maria no caminho para Cristo e para Deus? São Luís de Montfort percebeu que por Maria se chega a Jesus. E, mais recentemente, São João Paulo II enfatizou: «Se dizes “Maria”, Ela repete: “Deus”». É por isso que, como bem observou Joseph Ratzinger, «a Igreja abandona qualquer coisa que lhe foi confiada quando não louva Maria».



    1. A Igreja redescobre em Maria uma capacidade única para compreender que Deus intervém na história para salvar, para libertar. Maria oferece-nos, não um Deus a-pático, mas um Deus entranhadamente sim-pático, um Deus que sofre o nosso sofrimento



    Embora escondidamente — como notou von Balthasar —, Maria governa a Igreja. Não necessita de ser loquaz para ser eloquente. Basta-Lhe a eloquência do exemplo. Maria governa a Igreja pelo exemplo e o exemplo é tudo. O que Maria é corresponde ao que a Igreja é chamada a ser. O que é conhecido em Maria deverá ser sempre reconhecido na Igreja. Para a Igreja, Maria é o seu pléroma e o seu gérmen.



    E. A tristeza da beleza e a beleza da tristeza

    1. João Paulo I, imediato sucessor de São Paulo VI, ter-nos-á surpreendido quando declarou que «Deus é Pai e, ainda mais, Mãe». No fundo, Maria traz para nós a paternidade maternal de Deus. Aprendamos com Maria a estarmos sempre unidos a Jesus. Como Mãe e como discípula, nunca Jesus abandonou: foi a Jesus que Ela sempre Se dedicou. Quem procura Maria inevitavelmente encontra Jesus. Se alguém não encontra Jesus é porque, verdadeiramente, não procurou Maria. Será que já reparamos no estreitíssimo vínculo que amarra Maria a Jesus?

    Aquela que nunca conheceu o pecado ajudar-nos-á a evitar e a vencer o pecado. Por tal motivo, Maria é uma presença que a nossa fé não dispensa. É uma lembrança que acalenta a nossa esperança. Ela é a toda pura e é com emoção que olhamos para a Sua figura. Ela, que esteve junto à Cruz, continuará a levar-nos até Jesus.



    1. Deixemo-nos, pois, guiar por Maria. Ela é a primeira mulher da nova humanidade. Ela tornou-Se a nova Eva, a outra Eva. Ela é saudada com este nome invertido. «Ave» é o contrário de Eva, sinal de que, a partir de agora, tudo é diferente. O «sim» de Maria nunca mais terá fim. O amor de Maria é fecundo porque o seu «sim» é profundo. Os Seus lábios disseram «amém» e todo o Seu ser anuiu também. Com Maria digamos «sim». Com Maria digamos também «amém».

    Termino com o meu poema preferido sobre Nossa Senhora. Foi composto por Antero de Quental. Era um espírito inquieto, mas que sempre soube encontrar a bússola certa para os seus caminhos incertos. É um texto sentido, um texto sofrido. É um texto que fala da Mãe, do Seu amor e da Sua dor, da Sua tristeza e da Sua beleza. De facto, tanto amor há na dor e tanta dor há no amor; tanta tristeza há na beleza e tanta beleza há na tristeza. Eis o poema:

    «Num sonho todo feito de incerteza,

    De nocturna e indizível ansiedade

    É que eu vi o teu olhar de piedade

    E (mais que piedade) de tristeza.



    Não era o vulgar brilho da beleza,

    Nem o ardor banal da mocidade.

    Era outra luz, era outra suavidade,

    Que até nem sei se as há na Natureza.



    Um místico sofrer... uma ventura

    Feita só de perdão, só da ternura

    E da paz da nossa hora derradeira.





    Ó visão, visão triste e piedosa!

    Fita-me assim calada, assim chorosa.

    E deixa-me sonhar a vida inteira!»

publicado por Theosfera às 05:48

Hoje, 08 de Dezembro, é dia da Imaculada Conceição (Padroeira principal de Portugal), de Sta. Elfrida, Sta. Edite, Sta. Sabrina e Sta. Narcisa de Jesus Martilho Morán.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2018

Hoje, 07 de Dezembro (53º aniversário da «Gaudium et Spes» e 43º aniversário da invasão de Timor-Leste pela Indonésia), é dia de Sto. Ambrósio (invocado como protector das abelhas e dos gansos) e de Sta. Maria Josefa Roselho.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 06 de Dezembro de 2018

Hoje, 06 de Dezembro, é dia de S. Nicolau, S. Sabas, Sta. Dionísia e S. Majórico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 05 de Dezembro de 2018

Hoje, 05 de Dezembro, é dia de S. Martinho do Dume, S. Frutuoso, S. Geraldo, S. Bartolomeu Fanti, S. Filipe Rinaldi e S. Nicolau Stensen.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 04 de Dezembro de 2018

Hoje, 04 de Dezembro, é dia de S. João Damasceno, Sta. Bárbara, S. João Orani Calábria e Bem-Aventurado Adolfo Kolping.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 03 de Dezembro de 2018

Hoje, 03 de Dezembro, é dia de S. Francisco Xavier e Sto. Eduardo Coleman.

Um santo e abençoado dia para todos!

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