O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 21 de Janeiro de 2018

A. Na companhia de Jesus

  1. Neste Domingo, acompanhamos, pela mão de São Marcos, as primeiras actividades públicas de Jesus. Tais actividades constituem como que o pórtico e uma síntese de toda a Sua missão. Encontrámo-Lo hoje, como O encontraremos sempre, a anunciar, a propor e a convidar. Foi isto o que Jesus fez e foi isto o que, em Seu nome, nos mandou fazer: anunciar, propor e convidar. Temos aqui, portanto, o conteúdo da evangelização: anúncio, proposta e convite. Há uma óbvia sequência entre os três momentos: o anúncio contém uma proposta e a proposta desagua num convite.

Jesus anuncia que o Reino de Deus está próximo, propõe uma mudança de vida e convida-nos a segui-Lo. Todos não somos demais na tarefa evangelizadora. Jesus quer que estejamos em toda a parte, que trabalhemos em todo o tempo e que cheguemos a toda a gente (cf. Mt 28, 16-20). Por conseguinte, a evangelização nunca está terminada nem, alguma vez, pode ser dada por concluída. Nenhum tempo pode ser perdido, nenhum contributo pode ser desperdiçado.

 

  1. Acompanhemos, então, Jesus no início da Sua missão. Ele parte para a Galileia a fim de «anunciar o Evangelho de Deus» (Mc 1, 14). Hoje como ontem, anunciar implica sair. O que Jesus tem para anunciar é uma notícia, uma notícia boa, uma notícia feliz. Como se sabe, Evangelho significa «boa nova», «boa notícia», «feliz notícia». Jesus surge-nos, desde o princípio, como o portador da feliz notícia de Deus.

Que falta sentimos nós, hoje, de boas notícias, de felizes notícias! Nestes tempos nocturnos, predominam notícias soturnas. Nestes dias cinzentos, continuam a prevalecer notícias pesadas. Importa, por isso, ter presente que a Igreja é depositária das boas notícias de Deus, trazidas por Jesus.

 

B. O Evangelho chega aonde chegarem os evangelizadores

 

  1. A Igreja de Jesus não pode limitar-se a ser reactiva, denunciando apenas o que está mal. Ela tem de ser pró-activa, anunciando o que pode estar bem, o que pode melhorar. Acontece que Jesus não é só o portador da boa notícia; Ele mesmo é a boa notícia, a feliz notícia. Com efeito, que melhor notícia do que saber que Deus está connosco? Jesus é o Deus-connosco, o Deus para nós, o Deus em nós.

É esta a notícia que nos foi confiada. Trata-se de uma notícia que não é tanto para plantar nos jornais ou nas televisões, mas para gravar no coração de cada pessoa. Não esqueçamos que o Evangelho está escrito em forma de livro para ser permanentemente inscrito em forma de vida. É da vida que brota o Evangelho. É na vida que há-de fermentar sempre o Evangelho.

 

  1. O Evangelho deve ser anunciado como Jesus o anunciou: pessoa a pessoa, coração a coração, vida a vida. Hoje, o Evangelho está nas nossas mãos, nos nossos pés, nos nossos lábios, no nosso coração, enfim, em toda a nossa vida. Hoje, nós somos os motores do Evangelho e as asas do Evangelho: o Evangelho chegará aonde chegarem os evangelizadores, os portadores das felizes notícias de Deus.

A chegada do evangelizador tem de ser a chegada do Evangelho. Assim sendo, o evangelizador também tem de ser evangelizado. É por isso que evangelizar não é o primeiro passo do evangelizador; é o segundo. O primeiro passo do evangelizador é deixar-se evangelizar. Só pode ajudar a converter a Cristo quem se deixa converter por Cristo.

 

C. Evangelizar é — essencialmente — felicitar

 

  1. A primeira notícia que Jesus traz de Deus é que «o tempo chegou ao seu termo e o Reino de Deus está próximo» (Mc 1, 15). Jesus é, Ele próprio, o tempo último, a plenitude dos tempos (cf. Gál 4, 4). É o tempo novo que suplanta o tempo antigo. É o tempo definitivo que dá sentido ao tempo breve. É o tempo permanente que leva à plenitude o tempo passageiro.

Por aqui se vê como Jesus nunca é um tempo esgotado até porque, em Si mesmo, Ele é inesgotável. Jesus é a última e plena notícia de Deus para o homem.

 

  1. Em Jesus, temos todos os motivos para acreditar que, afinal, o melhor é possível. Se até a morte foi vencida, como não hão-de ser vencidos os problemas que nos vão surgindo na vida? A evangelização existe para assegurar a todo o ser humano que Deus o ama.

O mundo tem o direito de saber que Deus é o maior investidor na felicidade do homem. Ele apostou o melhor que tinha — o próprio Filho (cf. Jo 3, 16) — na felicidade de todos os homens. Evangelizar é, pois, felicitar, semear felicidade.

 

D. Mudar (também) é para nós

 

  1. O anúncio do Reino de Deus é uma notícia que tem de ter consequências. A maior de todas elas é a mudança de vida: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1,15). Trata-se de um imperativo inadiável, selado em tons de urgência. A conversão não pode esperar; tem de ser para já, para agora. Tanto mais que, como se depreende da anotação de São Paulo, «o tempo é breve» (1Cor 7, 29).

Este apelo de Jesus pressupõe que há muito a mudar na nossa vida. Se tudo estivesse bem, para quê mudar, para quê convertermo-nos? Habitualmente — e quase por instinto —, propendemos a achar que a mudança é para os outros. É verdade que os outros têm de mudar. Mas será que nós poderemos continuar na mesma?

 

  1. Nós também temos de mudar. Temos de mudar e não apenas por fora. Uma mudança só é profunda quando vem do fundo: do fundo da alma, do fundo da vida. Foi essa a voz interior que se fez ouvir em Roger Schutz quando, perante a devastação da Segunda Guerra Mundial, se interrogava sobre o que era preciso mudar para que aquele horror não se repetisse. «Começa por ti», foi o que escutou.

Deus não deixa ninguém de fora deste apelo à conversão. Podemos mesmo dizer que Ele é o Deus das «novas oportunidades», o Deus de «todas as oportunidades». As primeiras leituras falam-nos de duas cidades (Nínive e Corinto) onde a corrupção moral era grande. Mesmo assim, Deus não desiste, Deus insiste. Através de Jonas, Deus chama os habitantes de Nínive à conversão. Através de Paulo, o mesmo Deus convida os habitantes de Corinto à mudança.

 

E. Seguir Jesus tem de estar acima de tudo

 

  1. A conversão tem de ser prioritária, tem de acontecer quanto antes. Deus insta cada um de nós a viver com os olhos postos no futuro, aderindo aos valores eternos, aos valores do Reino. Razão tinha Miguel Torga quando confessava que «a sua fome não era de fama, mas de eternidade». Não adiemos, pois, para amanhã a conversão que tem de começar hoje. «Quem não precisa de conversão?», perguntava D. Hélder Câmara. Todos precisamos de conversão.

Jesus dá-nos todas as condições para escutarmos o Seu anúncio e para oferecermos uma resposta à Sua proposta. Ele indica-nos o caminho a seguir. O caminho é Ele próprio: «Eu sou o Caminho» (Jo 14, 6). Deste modo, convida-nos a segui-Lo como convidou Simão e André, Tiago e João: «Vinde atrás de Mim» (Mc 1, 16).

 

  1. Ser discípulo é precisamente ir atrás do Mestre, percorrendo o mesmo caminho do Mestre. Os primeiros discípulos deixaram o que estavam a fazer — e deixaram até a própria família! — para seguir Jesus. O que estavam a fazer era importante e possivelmente urgente, mas seguir Jesus era mais importante e muito mais urgente. Por isso, eles foram logo atrás de Jesus. Por isso, eles deixaram tudo por Jesus.

Seguir Jesus está acima de tudo. Já São Bento tinha esta prioridade muito vincada quando proclamou: «Nada — absolutamente nada — anteponham a Cristo». Na nossa vida, o lugar de Cristo tem de ser o lugar primeiro e o lugar central. Como não dar tudo a quem se nos dá sempre? Não tenhamos medo de nos dar. Deus é generoso em retribuir. Ele recompensa sempre «cem vezes mais» (Mt 19, 29)!

publicado por Theosfera às 05:32

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