O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 28 de Março de 2017
  1. A nossa vida sofre de uma entorse e está afectada por um impasse.

Passamos os dias a pedir que se realize a vontade divina (cf. Mt 6, 10). E, no entanto, gastamos o tempo a seguir as nossas determinações humanas.

 

  1. Da fórmula deliberativa do Concílio de Jerusalém — «pareceu bem ao Espírito Santo e a nós» (Act 15, 28) — dá a impressão de que apenas retemos a segunda parte.

Ou seja, limitamo-nos ao que «parece bem» a nós.

 

  1. Sucede que é o próprio espírito do tempo a reclamar uma atenção cada vez maior ao tempo do Espírito.

Sem ele, teremos um Cristianismo ateologal, de feição neopelagiana e atormentado por um novo arianismo.

 

  1. Há, com efeito, um neopelagianismo que nos impele a confiar unicamente nos nossos critérios e a contar sobretudo com as nossas forças. Basta reparar no afrouxamento na Oração ou no abandono da Confissão.

Este clima é indissociável de um novo arianismo que liga Jesus à nossa humanidade, desligando-O, porém, da Sua divindade.

 

  1. Tudo nasce de uma perda do sentido da transcendência. Para muitos, a transcendência não é mais do que o humano sublimado.

A relação com Deus vai-se diluindo na difusa conexão com uma «divindade» fabricada pelo homem. Ou com uma «deidade» que não passa de mera dimensão do humano.

 

  1. Não espanta que a nossa espiritualidade esteja tão debilitada e que a nossa sensibilidade ao mistério seja tão reduzida.

Também não admira o défice de silêncio, a falta de aprumo e o excesso de informalidade que contaminam muitas das nossas celebrações. Que espaço deixamos em nós para o que vai além de nós?

 

  1. É preciso perceber que o «aonde da transcendência» (Karl Rahner) não cristaliza nas nossas formas.

Daí que evangelizar não seja ocupar o tempo, mas transformar a vida.

 

8. A nossa vida não há-de ter a nossa forma.

Ela há-de ter sempre a forma da Igreja, a forma de Cristo, a forma de Deus.

 

  1. O Cristianismo nunca pode ser «egoforme», «grupoforme» ou «mundiforme».

Dos percursos formativos hão-de emergir cristãos com um perfil claramente «eclesioforme», «cristiforme» e «deiforme».

 

  1. «O homem é o caminho» (São João Paulo II), mas só Deus é o centro.

Centrar o homem no homem nem sequer ajuda o homem. Só Deus nos realiza inteiramente!

 

publicado por Theosfera às 10:09

Hoje, 28 de Março, é dia de S. Sisto III e S. Venturino.

Faltam 19 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 27 de Março de 2017

Não é o desgaste corporal que nos envelhece.

O que nos pode envelhecer é a ausência de ideias e a debilidade dos ideais.

A «anidealidade» é a grande enfermidade de um tempo que exige desfrutar de tudo em cada instante.

As ideias renovam porque ajudam a projectar e estimulam o caminhar.

Edmund Husserl achava que, «ao conceber ideias, o homem torna-se novo uma vez que, apesar de finito, vai caminhando rumo ao infinito»!

publicado por Theosfera às 09:19

Hoje, 27 de Março, é dia de S. João do Egipto, S. Peregrino, S. Francisco Faá di Bruna e S. José Sebastião Pelczar.

Faltam 20 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 26 de Março de 2017

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:41

A. De Sicar para Siloé

  1. A passagem do Terceiro para o Quarto Domingo da Quaresma sinaliza a passagem de Sicar para Siloé. Se, no passado Domingo, acompanhamos o diálogo de Jesus com a Samaritana no poço de Jacob em Sicar (na Samaria), hoje ouvimos Jesus mandar um cego de nascença lavar-se na Piscina de Siloé (cf. Jo 9, 7). Siloé em hebraico diz-se «Selá», que significa «Enviado» ou «Remetente».

Esta piscina situa-se num local que fazia parte da antiga Jerusalém, a oeste do vale do Cédron e da antiga Cidade de David. Tratava-se de um receptáculo para as águas da fonte de Giom, que eram conduzidas por dois aquedutos: um canal da Idade de Bronze, descoberto em 1867,  e o chamado túnel de Ezequias, construído no tempo rei Ezequias (700 a.C.) Isaías menciona as águas desta piscina (cf. Is 8, 6; 22, 9). 

 

  1. As águas de Siloé são vistas como símbolo das águas do Baptismo. São águas que fazem ver. Jesus, depois de cuspir na terra e de fazer lama com a saliva, untou com ela os olhos do cego (cf. Jo 9, 6), mandando-o lavar-se na referida Piscina de Siloé. Ele assim fez e da piscina voltou a ver (cf. Jo 9, 7).

O que se passou com estas águas é figura do que se passa com as águas do Baptismo. São águas que trazem luz: a luz de Jesus, a luz que é Jesus. Ante a ameaça da noite (cf. Jo 9, 4), Jesus apresenta-se como luz: «Eu sou a luz do mundo» (Jo 9, 5).

 

B. Só em Jesus encontramos luz

 

3. Esta fórmula de revelação —«Eu sou» — assume um carácter identitário. Jesus é sempre luz. E tendo em conta que nós somos Seus discípulos, então também nós somos chamados a ser luz. É sumamente curioso verificar que Jesus diz dos discípulos exactamente o mesmo que diz de Si próprio: «Eu sou a luz de mundo» (Jo 9, 5); «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14).

A luz dos discípulos não é uma luz própria, mas derivada. A luz que está nos discípulos é a luz de Jesus. No Ritual do Baptismo, a luz do novo cristão é acesa na luz de Cristo, figurada no Círio Pascal. É a luz de Cristo que passa, assim, para o cristão. Pode parecer uma luz pequena (como a luz da vela que então se acende), mas é uma luz destinada a crescer e a iluminar o mundo inteiro.

 

  1. O Baptismo é, essencialmente, um mistério de iluminação. Aliás, nos começos, o banho baptismal também era chamado «iluminação». E, no processo da preparação para o Baptismo, a terceira etapa continua a ser chamada «etapa de purificação ou iluminação».

De facto, ser baptizado é ser «iluminado». Os baptizados são «iluminados» («photismoi») não por uma luz própria, mas pela luz de Cristo crucificado e ressuscitado. Se, depois da celebração do Baptismo, recaímos nas trevas, temos sempre novas oportunidades de nos reaproximar da luz. O Sacramento da Reconciliação devolve-nos a luz quando dela nos afastamos pelo pecado.

 

C. A cegueira de quem olha, mas não vê

 

5. Todavia, é preciso ter presente que as trevas têm uma força muito grande. A sua resistência à luz é muito forte. São Paulo diz para nos comportarmos como filhos da luz (cf. 5, 8) e para não tomarmos parte nas obras das trevas (cf. Ef 5, 11). Temos de contar, porém, com o contínuo assédio das trevas.

Os adversários de Jesus corporizam a obstinada resistência das trevas à luz. Há sempre quem não queira ver, mesmo quando a luz está a aparecer. O maior pecado é não querer ver quando os olhos estão abertos: «Uma vez que dizeis “nós vemos”, o vosso pecado permanece» (Jo 9, 41).

 

  1. A vida ensina-nos que não é só com os olhos fechados que estamos impedidos de ver. Mesmo com os olhos abertos, há muita coisa que não é vista, que não é sequer visível. Será que o essencial está indisponível para os nossos olhos? «O essencial — garante Saint-Exupéry — é invisível aos olhos». Em relação ao essencial, dificilmente vemos mesmo quando olhamos (cf. Mt 13, 13). Dá a impressão de que nem chegamos a cegar; parece que já nascemos cegos. No fundo, sentimo-nos cegos que, olhando, não vêem.

Se o olhar exterior é insuficiente, sobrevirá algum olhar interior que supra essa insuficiência? Haverá olhos por dentro em condições de fornecer o que os olhos de fora se mostram incapazes de oferecer? O referido Saint-Exupéry assegurava que «só se vê bem com o coração». Não espanta, por isso, que Bento XVI tenha defendido que o programa do cristão é «um coração que vê». De resto, já Santo Agostinho se apercebera de que Deus «só pode ser visto com o coração». Foi para poder ser visto também com os olhos que o Verbo Se fez carne.

 

D. «Crisma» e «Cristo»

 

7. Os adversários de Jesus não se deixaram tocar pela luz. O cego começou a ver porque foi tocado pela luz que é Jesus. Acreditar é iluminar, é passar a ver pelos olhos de Cristo. Na fé, aquele homem viu a luz ao ver Jesus. Por isso, deixou de ser cego. «Acreditas no Filho do Homem?» (Jo 9, 35) — pergunta Jesus, que acaba por responder: «Tu já O viste; é aquele que está a falar contigo» (Jo 9, 37). É interessante notar como Jesus utiliza praticamente a mesma fórmula que usara com a Samaritana, que, afinal, também esperava o Messias: «Sou Eu, que estou a falar contigo» (Jo 4, 26).

Tal como a Samaritana, também este antigo cego está «crismado». Ou seja, também ele está «ungido» pelo «Ungido». Nunca é demais recordar que «crisma» e «Cristo» têm igual significado: «crisma» significa «unção» e «Cristo» significa «ungido». No Baptismo, somos «crismados» por Cristo. Ser «cristão» é ser «crismado» (ou ungido) por Cristo.

 

  1. A primeira leitura, que conta a escolha de David para rei de Israel e a sua unção, é uma bela oportunidade para reflectirmos sobre a unção que recebemos no Baptismo e que faz de nós testemunhas da luz divina. Samuel aparece-nos com óleo para ungir (isto é, para crismar) o futuro rei de Israel (cf. 1Sam 16, 1). Neste sentido, pode dizer-se que David também é «Cristo» na medida em que também é ungido (untado e crismado) por Deus.

Já agora, esta escolha não é feita segundo os critérios humanos que costumam privilegiar os grandes. Deus, sem dar qualquer explicação, não escolhe o filho mais velho de Jessé. Pelo contrário, escolhe o mais novo, em quem ninguém apostava. Deus não olha para belos aspectos, para altas estaturas ou para outros géneros de aparências (cf. 1Sam 16, 7). Deus tem outros critérios. Deixemo-nos, então, guiar por este pastor, que nada nos deixa faltar (cf. Sam 23, 1).

 

E. A Quaresma é um tempo sério, não é um tempo triste

 

9. É neste sentido que, sendo um tempo sério, a Quaresma não é um tempo triste. Pelo contrário, é um tempo de muita alegria. Haverá alegria maior do que deixar-se guiar por Cristo? Aliás, este Domingo assinala a alegria da Quaresma. Tal como sucede no Terceiro Domingo do Advento, o Quarto Domingo da Quaresma é conhecido como o «Domingo da Alegria».

Neste caso, recebe o nome de «Domingo Laetare», imperativo do verbo latino «laetor» que significa «alegrar-se». Portanto, «laetare quer dizer «alegra-te». É assim que começa a antífona de entrada da Santa Missa de hoje: «Alegra-te, Jerusalém!» (Is 66, 10).

 

  1. É permitido usar o paramento cor-de-rosa e até houve uma altura em que este era conhecido como o «Domingo das Rosas». É que, na antiguidade, os cristãos costumavam oferecer rosas uns aos outros. O Santo Padre, no IV Domingo da Quaresma, ia à Basílica de Santa Cruz de Jerusalém, levando na mão esquerda uma rosa de ouro que sinalizava a alegria pela proximidade da Páscoa.

Que cada um de nós se alegre, então. Que cada um de nós se alegre por saber que Deus nos visita, que Deus nos acolhe. Haverá fortuna maior? Haverá sequer fortuna igual?

publicado por Theosfera às 05:45

Hoje, 26 de Março (Quarto Domingo da Quaresma, Domingo «Laetare» ou das Rosas), é dia de S. Bráulio, S. Ludgero, S. Quadrado, S. Teodoro, Sto. Emanuel, Sto. Eutíquio e seus Companheiros Mártires.

Faltam 21 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 25 de Março de 2017

Se a União Europeia não tiver futuro, de pouco lhe adiantará ter tido passado.

É preciso, por isso, fazer tudo para que a União tenha futuro.

Talvez não «esta» União. Mas o importante é que na Europa haja efectivamente União.

Hoje em dia, a Europa parece dominada por egoísmos nacionais.

Será viável uma União de egoísmos?

Se nos ajudarmos mais, unir-nos-emos melhor!

publicado por Theosfera às 11:37

Uma vez que já existe a Carta das Nações Unidas, porque não pensar numa Carta das Pessoas Unidas?

Bastava que tivesse um artigo único: «Não pensar mal de ninguém, não falar mal de ninguém, não escrever mal sobre ninguém, não julgar ninguém, não fazer mal a ninguém».

Não é muito. Porque é que tem custado tanto?

Esta (brevíssima) Carta não precisa de ser escrita. Só é necessário que seja vivida.

Se possível, a partir de agora. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:45

Hoje, 25 de Março, é dia da Anunciação do Senhor e de S. Dimas, o Bom Ladrão.

Faltam 09 meses para o Natal e 22 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Hoje, 24 de Março, é dia de Sta. Catarina da Suécia, Sto. Agapito e S. Diogo José de Cádiz.

Faltam 23 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Hoje, 23 de Março, é dia de S. Nícon e seus Companheiros, S. Turíbio de Mongrovejo, S. Vitoriano e Sta. Raquel Ay-Rayés.

Faltam 24 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 22 de Março de 2017

O mundo é obra de Deus. Mas a situação do mundo está, quase sempre, em oposição a Deus.

É por isso que o melhor serviço ao mundo não consiste em aplaudir o mundo, mas em contribuir para a transformação do mundo.

Quando o Cristianismo é aplaudido pelo mundo, o melhor é ficar preocupado.

Olhando para o testemunho de Santa Leia (que se assinala neste dia), São Jerónimo fazia um apelo aos cristãos para que não se conformassem ao mundo: «Peço-vos, com lágrimas nos olhos, que não procureis os favores do mundo. Em vão se procurará seguir ao mesmo tempo o mundo e Jesus».

Jesus nunca Se conformou com o mundo. Jesus foi sempre pela transformação do mundo!

publicado por Theosfera às 12:14

Todos os caminhos estão abertos. Mas nem todos os caminhantes estarão (igualmente) preparados.

Já Goethe notava que «nem todos os caminhos são para todos os caminhantes».

Os que optam pelos caminhos mais duros são os mais resistentes.

Nem sempre chegarão ao fim. Mas mostram que sabem por (e para) onde ir!

publicado por Theosfera às 09:46

Hoje, 22 de Março, é dia de S. Deográcias, Sta. Leia e S. Zacarias.

Faltam 25 dias para a Páscoa da Ressurreição. 

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 21 de Março de 2017
  1. O Cristianismo tem marcas do mundo e o mundo tem marcas do Cristianismo.

Até certo ponto, é natural que o Cristianismo se mundanize. Mas não deveria ser prioridade trabalhar para que o mundo se cristianize?

 

  1. Estamos distantes de um mundo cristão.

Mas consta que, apesar das sucessivas advertências do Santo Padre, nem sempre andamos longe de um Cristianismo mundano.

 

  1. Estará a falhar a resposta do mundo? Ou não estará a vacilar sobretudo a proposta cristã?

Às vezes, parece que, em lugar de intervir no mundo com os critérios do Cristianismo, optamos por intervir no Cristianismo com os critérios do mundo.

 

  1. Será que uma crescente igualização produz maior proximidade?

Se o Cristianismo não se diferencia do mundo, que necessidade sentirá o mundo de se aproximar do Cristianismo?

 

  1. É possível que se tenham cavado distâncias para salvaguardar as diferenças.

Segundo Yves Congar, passamos do ideal de um Deus sem mundo para o ideal de um mundo sem Deus.

 

  1. Para neutralizar as distâncias, será necessário amortecer as diferenças?

    O problema, entretanto, não deixará de persistir. Se não avulta a diferença cristã, para quê tornar-se cristão?

 

  1. Se nos resignamos a ser como os outros, que motivação terão os outros para ser como nós? Se não se nota Cristo em nós, que subsistirá de diferente em nós?

Cristianizar não é dissolver o Evangelho no mundo; é transformar o mundo com o Evangelho.

 

  1. Não travemos o mandato missionário.

Jesus não Se limitou a enviar-nos ao mundo (cf. Mc 16, 15). Acrescentou logo o imperativo de levar o Evangelho a toda a gente que há no mundo (cf. Mc 16, 15).

 

  1. O Evangelho é o que há de mais diferente. E, nessa medida, é o que sobressai como mais urgente.

Será que a nossa presença faz ressoar esta diferença? Não é para que tudo fique igual que Jesus nos quer como fermento, luz e sal (cf. Mt 5, 13-14; 13, 33).

 

  1. É para o mundo mudar que Jesus não cessa de nos convocar. É esta inquietação que alimenta permanentemente a missão.

É inevitável que vamos mudando com o mundo. Mas o que Jesus espera é que contribuamos para mudar — definitivamente — o mundo!

publicado por Theosfera às 10:48

Hoje, 21 de Março, é dia do Trânsito de S. Bento (ocorrido, neste dia, em 543), S. Nicolau de Flue, Mártires de Alexandria e Sta. Benedita Cambiagio Frassinello.

Faltam 26 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 20 de Março de 2017

André Maurois confidenciou: «A felicidade é uma flor que não se deve colher».

O problema é que muita gente quer colher a felicidade antes de a semear ou até sem a semear.

A felicidade colhe-se no momento em que se semeia.

Quando se colhe, encolhe.

Semeemos felicidade fora de nós. E ela se encarregará de entrar dentro de nós!

publicado por Theosfera às 20:49

A «neofilia» é uma espécie de irmã gémea da «paleofobia».

O culto do novo é feito, quase sempre, à custa do desprezo pelo antigo.

É claro que a história não é para repetir.

Mas alguém nega que é com as lições da história que mais aprendemos?

Ovídio tinha razão quando afirmou que, «amanhã, não seremos o que fomos nem o que somos».

Mas se não fôssemos o que fomos, não seríamos o que somos. Nem o que seremos!

publicado por Theosfera às 09:20

Hoje, 20 de Março, é dia de S. José (diferido), Sta. Fotina, Sta. Eufémia, S. Remígio de Estrasburgo, S. Francisco de Palau e Quer e Sta. Maria Josefina do Coração de Jesus.

Faltam 27 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 19 de Março de 2017

Nós acreditamos, Senhor,

que Tu estás no templo,

mas cremos que estás mais ainda

em cada pessoa.

 

O verdadeiro culto

não está ligado a um lugar.

O verdadeiro culto é uma Pessoa,

és Tu, Senhor.

 

É em Ti que adoramos o Pai,

em espírito e verdade.

 

Mas também Te encontramos no Templo.

Por isso queremos que esta seja uma casa de oração.

 

Na casa de oração

deve haver respeito, silêncio,

um ambiente propício para escutar a Tua voz

e acolher a Tua presença.

 

Tu, Senhor, ficaste triste

pelo comportamento de muitos no Templo de Jerusalém.

O zelo pela casa do Pai devorava-Te, Senhor.

E marcaste uma posição firme

na defesa da dignidade da Casa de Deus.

 

Mas também disseste que não é no monte da Samaria nem em Jerusalém

que estarão os verdadeiros adoradores.

O verdadeiros adoradores são os que adoram em espírito e verdade. 

 

Que nós saibamos respeitar

todos os lugares sagrados.

 

Que aqui escutemos a Tua Palavra.

Que nos sintamos bem conTigo.

 

E que saiamos daqui mais inundados com o Teu amor e a Tua Paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:01

A. Uma bela — e profunda — catequese baptismal

  1. Também hoje, Jesus continua a vir a Sicar. Também hoje, Jesus está cansado de caminhar para chegar a Sicar. Ele vem ao nosso encontro e fica sempre à nossa espera. Está na fonte aguardando pela nossa chegada. Aliás, Ele mesmo é a fonte donde jorra água para a nossa caminhada.

O cansaço de Jesus é o sinal da insistência de Jesus. Ele derruba fronteiras. Apesar de as relações dos judeus com os samaritanos não serem as mais amistosas, Ele não fica aprisionado por quaisquer barreiras. Jesus pede água com vontade de oferecer água viva. Eis, portanto, à nossa frente uma bela — e profunda — catequese baptismal.

 

  1. Recorde-se que, no Terceiro Domingo da Quaresma, os catecúmenos começam a fazer os chamados «escrutínios» em ordem ao Baptismo, na Vigília Pascal. A este propósito, é bom não esquecer que a estruturação do tempo da Quaresma, dirigida para a celebração anual da Páscoa, está também ligada à celebração do Baptismo.

Nunca é demais insistir. O Baptismo é um sacramento genuinamente pascal e a Páscoa — pode dizer-se — é um acontecimento verdadeiramente baptismal. De facto, no Baptismo existe uma «peshah», isto é, uma passagem, uma páscoa. No Baptismo, também nós passamos da morte à vida. Na Páscoa, Cristo vence a morte que é o pecado. Na Páscoa, Cristo dá a vida para que nós tenhamos vida (cf. Jo 10, 10).

 

B. Estamos sempre a ser «escrutinados»

 

3. Como se depreende da própria palavra, com os escrutínios pretende-se conferir as disposições dos que se preparam para o Baptismo. É nesse sentido que, ao longo de três domingos, a comunidade ajuda os catecúmenos a «escrutinar» a sua debilidade e, ao mesmo tempo, a sua disponibilidade para receber a vida nova de Cristo.

A finalidade destes escrutínios é, portanto, purificar os corações, conseguir um sério conhecimento de si mesmo e promover a vontade de seguir, fielmente, a Cristo. Estes escrutínios são feitos aos que são baptizados na idade adulta e às crianças em idade escolar que ainda não estão baptizadas.

 

  1. Tendo, entretanto, em conta que o Baptismo é um sacramento que tem princípio mas não tem fim, podemos depreender que estamos sempre a ser «escrutinados». Estamos sempre sob «escrutínio». Tal «escrutínio» continua a ser feito por Jesus, que, através da Sua Igreja, vem ter connosco, à Sicar das nossas vidas.

Já agora, não é claro se Sicar era uma localidade perto de Siquém ou se seria a própria Siquém. O texto simplesmente chama a atenção para um local perto da  terra que  Jacob deu a seu filho José.

 

C. Onde fica o «poço de Jacob»?

 

5. O poço-fonte de Jacob foi enquadrado dentro de várias igrejas construídas naquele lugar ao longo do tempo. Até 330, costumava ser identificado como o sítio onde Jesus conversou com a Samaritana. Provavelmente, foi utilizado para a celebração de baptismos cristãos.Por volta de 384, foi construída uma igreja cruciforme, que terá sido destruída durante as revoltas de 484 ou 529. Mais tarde, foi reconstruída por Justiniano. Esta segunda igreja ainda estava de pé em 720, e, possivelmente, no início do século IX.

É quase certo que esta nova igreja também terá entrado em ruínas pois, no início do século XII, os peregrinos mencionam o poço sem mencionar qualquer igreja. Mas, pouco tempo depois, já se refere uma outra igreja recém-construída. Esta igreja parece ter sido destruída após a vitória de Saladino sobre os cruzados em 1187.

 

  1. Em meados do século XIX, havia descrições dos «restos da antiga igreja». Os cristãos locais continuavam a venerar o lugar, mesmo quando nele não havia igreja. Em 1860, o local foi adquirido pelo Patriarcado Ortodoxo Grego e uma nova igreja, dedicada a Santa Fotina, foi edificada. Em 1927, um terramoto veio destruir o templo. Foi então que um padre ortodoxo grego liderou um ambicioso projecto de reconstrução.

O poço-fonte de Jacob já foi restaurado e uma nova igreja foi construída de acordo com o antigo plano da igreja da época dos Cruzados, abrigando o poço numa cripta. Este conjunto está situado a 76 metros de Tell Balata, na parte oriental da cidade de Nablus. 

 

D. Era preciso passar por este lugar

 

7. Como muito bem nota D. António Couto, Jesus quis mesmo passar por este lugar. De facto, não estamos perante um percurso habitual entre a Judeia e a Galileia. Quem, naquele tempo, fazia essa viagem, evitava passar pela Samaria. Primeiro, porque a estrada era montanhosa e, depois, porque eram as relações entre judeus e samaritanos estavam longe de ser as melhores.

A viagem habitual fazia-se de Jerusalém para Jericó, atravessando depois o Jordão para Oriente. Seguia-se pelo Além-Jordão, na actual Jordânia, para voltar a atravessar o Jordão, na direcção do Ocidente. Chegava-se, assim, à Galileia. É por isso que, se São João coloca Jesus a percorrer o caminho montanhoso da Samaria, é porque estamos perante uma opção deliberada. De resto, o versículo 4 deste capítulo 4 observa que «era preciso atravessar a Samaria».

 

  1. Jesus quer vir mesmo a este local, onde Se senta, à beira do poço, por volta do meio-dia (cf. Jo 4, 6). Refira-se que, já no Antigo Testamento, o poço é um cenário de noivado. Basta pensar que é junto de um poço que se trata do casamento de Isaac com Rebeca (cf. Gén 24), de Jacob com Raquel (cf. Gén 29) e de Moisés com Séfora (cff. Êx 2). Jesus vem celebrar um noivado com a humanidade sem qualquer constrangimento ou condicionalismos. Em Cristo, Deus desposa a humanidade, entregando-Se a cada pessoa numa oblação de amor total.

Tudo isto acontece ao meio-dia, quando a luz ilumina a terra com o máximo brilho. Jesus é, pois, a máxima luz para o mundo. Trata-se de uma luz que acende no mundo a Lei Nova do Amor.

 

E. Jesus «pede de beber para dar de beber»

 

9. Era preciso vir aqui porque o que aqui se passa tem uma força simbólica muito grande. Esta mulher samaritana é, segundo Santo Agostinho, figura da Igreja na sua universalidade. A Igreja não é só de um povo; é para todos os povos. É a toda a Igreja, figurada nesta mulher, que Jesus pede água para oferecer água. É a toda a Igreja, figurada nesta mulher, que Jesus «pede de beber para dar de beber» (Santo Agostinho).

«Se tu conhecesses o dom de Deus», diz Jesus (Jo 4, 10). Qual é este dom? Como Santo Agostinho percebeu, «o dom de Deus é o Espírito Santo». Aliás, o Espírito Santo começa a entrar na vida desta mulher, que vai entendendo o que Jesus lhe diz, o que Jesus lhe desvenda. Os cinco maridos que ela teve (cf. Jo 4, 18) são talvez uma alusão subtil aos cinco deuses dos samaritanos de que se fala no segundo Livro dos Reis (cf. 2 Rs 17, 24-41).

 

  1. A Samaritana vai-se apercebendo de que estas ofertas de sentido são insuficientes. Só Jesus traz a novidade plena. Só a água que Ele traz sacia completamente a nossa sede (cf. Jo 4, 13). Só Jesus traz o novo e definitivo culto, mais importante que o culto de Garizim e até do que o culto do Templo de Jerusalém (cf. Jo 4, 21). Depois de ouvir a revelação de Jesus — «sou Eu que falo contigo» (Jo 4, 26 —, a mulher deixa o que trazia — o cântaro (cf. Jo 4, 28) e vai anunciar que encontrou Jesus (cf. Jo 4, 29). E as pessoas daquela terra foram ter com Jesus (cf. Jo 4, 30).

Eis o que importa fazer: deixar os «cântaros» das nossas coisas e dizer que encontramos Jesus. Quantos não estarão à espera de um anúncio assim! Não fechemos, então, o nosso coração a Deus (cf. Sal 95, 7). Escutemos sempre a Sua voz. E a vida será bem diferente para todos nós!

publicado por Theosfera às 05:26

Hoje, 19 de Março (Terceiro Domingo da Quaresma), é dia S. Marcello Callo e S. João de Parrano.

Faltam 28 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 18 de Março de 2017

Hoje, 18 de Março, é dia de S. Cirilo de Jerusalém, Sto. Alexandre de Jerusalém, Sto. Eduardo e Sta. Maria Amada de Bouteiller.

Faltam 29 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

Um dos nossos grandes problemas foi, magistralmente, identificado por Pepetela: «Queremos transformar o mundo, mas somos incapazes de nos transformarmos a nós mesmos».

Negligenciamos, assim, a única mudança que depende de nós: a mudança de nós mesmos.

Pertinente era, pois, o conselho de Gandhi: «Sê tu mesmo a mudança que queres para o mundo».

Transformemo-nos, então. Se possível, para melhor!

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Hoje, 17 de Março (abstinência), é dia de S. Patrício (padroeiro dos mineiros), S. José de Arimateia e Sto. Ambrósio de Alexandria.

Faltam 30 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Em que consiste a honra?

Para Camilo Castelo Branco, «é-se honrado sendo para os outros o que desejamos que eles sejam para nós».

A honra faz muito mais falta que a fortuna. Há quem tenha fortuna, mas não tenha honra.

E, graças a Deus, há quem tenha honra, mesmo não tendo fortuna.

No fundo, haverá alguém mais afortunado que a pessoa honrada?

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Hoje, 16 de Março, é dia de Sta. Eusébia, Sto. Heriberto (invocado para pedir a chuva) e Sto. Abraão, solitário.

Faltam 31 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Hoje, 15 de Março, é dia de S. Raimundo de Calatrava, Sta. Luísa de Marillac, Sta. Lucrécia, S. Plácido Riccardi e S. Clemente Hofbauer.

Faltam 32 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:16

Terça-feira, 14 de Março de 2017

 

 

  1. Um dos nossos erros mais graves foi identificado pelo Concílio Vaticano II. Trata-se do «divórcio entre a fé e a vida».

Nem sempre conseguimos envolver a fé na vida. E mostramos uma teimosa dificuldade na hora de abraçar a vida com a fé.

 

  1. Quem não sente necessidade de uma vida mais fidelizada e de uma fé mais vitalizada?

Não basta, com efeito, uma fé professada. É fundamental testemunhar uma fé inteiramente vivida.

 

  1. Do credo cristão faz parte a vida eterna.

Com o Símbolo dos Apóstolos, confessamos crer «na ressurreição da carne [e] na vida eterna». 

 

  1. E, ao recitar o chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano, assumimos que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir».

Não falta, aliás, quem pense que a eternidade é o que mais distingue o crente do não-crente. Crente é quem acredita na eternidade e não-crente é quem não acredita na eternidade.

 

  1. E, no entanto, que lugar costumamos dar à eternidade?

Será que nos comportamos como pessoas cujo horizonte é a eternidade? Ou não será que, à semelhança de muitos, investimos (quase) tudo no tempo da vida terrena?

 

  1. Eis um (flagrante) caso onde parece que abdicamos de ser alternativa, para nos limitarmos a ser redundância.

Eis também uma situação que põe a descoberto um perigoso esvaziamento da nossa fé.

 

  1. Os nossos critérios aparentam ser os mesmos do mundo. Pensamos no futuro, falamos do futuro e olhamos para o futuro.

Cuidamos do futuro e preparamos a nossa vida no futuro. Mas que cuidado dispensamos à vida eterna? Que fazemos para nos preparar para a vida eterna?

 

  1. Que seria o futuro sem a eternidade? Seria um futuro encolhido.

Sem eternidade, até o futuro passa, até o futuro (rapidamente) se torna passado.

 

  1. Não é no mundo que encontramos «cidade permanente» (Heb 13, 14). Neste mundo, tudo é breve. O nosso horizonte só pode ser a «cidade futura» (Heb 13, 14).

É preciso oferecer eternidade ao tempo e conduzir o tempo até à eternidade. Que é o tempo para lá do tempo.

 

  1. Estamos aqui, mas não somos daqui. Nem a morte é capaz de fechar o que a eternidade não se cansa de abrir.

A «Jerusalém do Alto» também espera por nós (cf. Gál 4, 26)!

publicado por Theosfera às 10:27

Hoje, 14 de Março, é dia de Sta. Matilde, Sta. Florentina e S. Giácommo Cusmáno.

Faltam 33 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Hoje, 13 de Março, é dia de S. Rodrigo, S. Salomão, Sta. Eufrásia e S. Nicéforo.

Faltam 34 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Domingo, 12 de Março de 2017

Hoje também, Senhor,

na manhã deste Domingo belo,

Tu nos levas ao monte,

a um monte muito alto,

a um monte que és Tu.

 

Hoje de novo,

Tu realizas o mistério da transfiguração.

Transfiguras a vida.

Transfiguras a humanidade.

Transfiguras cada pessoa.

Transfiguras o mundo.

 

A fé é uma contínua transfiguração.

Junto de Ti, somos os mesmos e somos outros.

 

Somos diferentes,

somos melhores,

mais felizes,

mais fraternos,

mais humanos,

mais descentrados de nós,

mais recentrados em Ti.

 

Transfigura-nos, Senhor.

Torna-nos mais amáveis,

mais abertos, solidários e serviçais.

Faz de nós arautos da Boa Nova,

portadores da Esperança

e mensageiros do Amor e da Paz.

 

Como Pedro, dizemos:

«Que bom é estarmos aqui»!

Que bom é estar conTigo, Senhor.

Que bom é sentir a Tua presença.

 

Também hoje, ouvimos a voz do Pai:

«Tu és o Filho muito amado».

Que nós Te escutemos

e que escutemos aqueles que são amordaçados.

 

Que, ao descermos o monte,

não percamos a energia.

 

Que, lá em baixo, em cada dia,

nós sejamos missionários do Teu amor.

 

Que participemos na transfiguração deste mundo.

Que não desanimemos perante as dificuldades

e que a todos levemos o eco da Tua paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:07

A. O mais vivido é (também) o mais sofrido

  1. Da Liturgia da Palavra deste segundo Domingo da Quaresma vem um convite dirigido a um discípulo de São Paulo e que acaba por ser também endereçado a cada um de nós. «Sofre comigo pelo Evangelho» (2Tim 1, 8). Eis o que foi dito a Timóteo, eis o que nunca deixa de ser dito a cada um de nós. Mas será que nós estamos dispostos a sofrer pelo Evangelho?

Muitas vezes, já pouco caso fazemos de o ouvir e de o anunciar. Que disposição teremos para sofrer por ele? Que disponibilidade teremos para sofrer com quem sofre pelo Evangelho? Na era do conforto, gostamos de tudo o que é fácil. Mas esquecemos que o mais vivido acaba por ser sempre o mais sofrido. Quem não está disposto a sofrer será que está disposto a viver?

 

  1. Acontece que não estamos sós. Estamos sempre «apoiados na força de Deus» (1Tim 1, 8). É Ele que nos salva. É Ele que nos chama a sermos santos (cf. 1Tim 1, 9): não por aquilo que nós possamos fazer, mas unicamente por Sua graça (cf. 1Tim 1, 9). Esta graça foi-nos dada pelo Filho de Deus, por Jesus Cristo. Foi Ele que, na Sua morte, destruiu a morte. Foi Ele que, na Sua morte, fez brilhar a vida (cf. 1 Tim 1, 10).

O paradoxo nunca nos deixa: nem como pessoas nem como discípulos de Cristo. É preciso dar a vida para ganhar a vida. É preciso morrer para ressuscitar. No fundo, é preciso olhar para a vida a partir de Deus e não a partir de nós. Será que estamos dispostos a deixar-nos desassossegar por Deus?

 

B. Falta-nos a ousadia de deixar antes de partir

 

3. Abraão é o primeiro grande modelo bíblico de quem se deixa desassossegar por Deus. É de Deus a voz que o manda deixar a sua terra e a sua família (cf. Gén 12, 1). Nem sequer lhe é dito para onde ir: «Parte para o país que Eu te indicar» (Gén 12, 1). O que vale é a garantia de Deus. A única segurança é a Palavra de Deus.

O nosso problema é que andamos, afanosamente, à procura de todo o género de seguranças. Falta-nos a ousadia de deixar antes de partir. Às vezes, até nos dispomos a partir, mas levando tudo o que é nosso. Esquecemos que Deus começa por pedir a Abraão que «deixe».

 

  1. Ao iniciar esta segunda semana da Quaresma, será que já nos dispusemos a «deixar» a nossa vida passada? Edmund Burke avisava que «nunca se pode construir o futuro pelo passado». Por muito importante que seja o passado — e é —, é para o futuro que caminhamos. Ou, melhor, é para o futuro que Deus nos encaminha.

A Páscoa é a celebração da vida nova, da vida que corta com muito do nosso passado. Corta sobretudo com aquele passado que nos escraviza, que nos aprisiona. A novidade da Páscoa em nós tem o nome de Baptismo e o sobrenome de Reconciliação. Quando notamos que nos perdemos da novidade do Baptismo, temos o Sacramento da Reconciliação, essa «segunda tábua de salvação depois do Baptismo». Não desperdicemos mais aquilo que Deus põe à nossa disposição.

 

C. A que monte nos quer levar Jesus?

 

5. Deixemo-nos, então, «tomar» por Jesus como por Jesus se deixaram «tomar» Pedro, Tiago e João (cf. Mt 17, 1). Também hoje, Ele quer conduzir-nos a um alto monte (cf. Mt 17, 1). Como é sabido, no universo bíblico, o monte sempre foi um local teofânico de primeira grandeza. O monte nunca deixou de ser encarado como espaço privilegiado de encontro com Deus.

O monte é o lugar de revelação por excelência (cf. Ex, 3, 1.). É lá que ocorre o dom da Lei (cf. Ex 24, 12-18) e onde se experimenta a glória de Deus (cf. Ex 24, 16). No monte, parece que o Céu toca a Terra. É por isso que o monte é sagrado (cf. Ex 3, 14), uma vez que, nele, Deus convive com o homem (cf. Ex 20, 1-17; Mc 9, 2-10).

 

  1. Ao longo das páginas bíblicas, abundam os montes sagrados, pontuando as grandes etapas da história e da fé do Povo de Deus. De facto, é para o monte que Abraão se dirige a fim de executar o sacrifício de Isaac (Gén 22,1-19). É também no monte que Moisés se encontra com Deus pela primeira vez (Ex 3,5). Após a saída do Egipto, o povo de Israel foi ao encontro de Deus no monte Sinai (Ex 19,3). Aquando do combate com os amalecitas, Moisés reza no alto do monte (Ex 17,19). É igualmente no alto do monte que Elias entra em oração (1Rs 18,42).

Não espanta, por isso, que o monte ocupe um lugar relevante na vida e na missão de Jesus. Foi no monte que, segundo São Mateus, Jesus fez o Seu sermão inaugural, conhecido precisamente como «Sermão da Montanha» (cf. Mt 5-7). Foi também no monte — num monte muito alto — que Jesus foi tentado (cf. Mt 4, 8). Era especialmente no monte que Jesus gostava de Se recolher em oração (cf. Mt 14, 23). Foi no monte que Jesus Se transfigurou (cf. Mt 17, 1ss). Foi no monte que Jesus multiplicou os pães e os peixes, mandando-os dividir pela multidão (cf. Jo 6, 3). E foi no monte que Jesus enviou os discípulos em missão (cf. Mt 28, 16-20).

 

D. A nuvem não deixa ver, mas não impede de ouvir

 

7. Jesus transfigura-Se para nos transfigurar. A Sua figura transforma-se para que toda a nossa vida se transforme. Há todo um envolvimento de Jesus com os discípulos e há todo um comprometimento dos discípulos com Jesus. Este envolvimento e este comprometimento não prescrevem nunca. Também para nós é bom estar com Jesus. Estar com Jesus transfigura a nossa vida e transforma a nossa história. Agora, já não contam os nossos planos; a partir de agora, só deve contar a vontade de Jesus.

Ele é o Messias anunciado pela Lei (figurada em Moisés) e pelos Profetas (representados por Elias). Ele é o novo Moisés, aquele que vai guiar o povo para a verdadeira libertação, não já pelas águas do Mar Vermelho, mas pelas águas do Baptismo. E Ele é o definitivo profeta, que transfigura o nosso ser e nos encaminha para a Verdade e para a Vida (cf. Jo 14, 6). Desta acção libertadora de Jesus irá nascer um novo homem e um novo povo. É com este homem e com este povo que, em Jesus, Deus vai fazer uma nova Aliança.

 

  1. Não é em vão que a voz de Deus se faz ouvir através de uma nuvem. A nuvem é o que não deixa ver ou não deixa ver bem. Acontece que se a nuvem não nos deixa ver, não nos impede de escutar. É da nuvem que o Pai fala (cf. Mt 17, 5). É na nuvem que devemos escutar o Pai que fala. Enfim, não devemos andar nas nuvens, mas é fundamental que escutemos o se diz através da nuvem.

E o que se diz através da nuvem é uma afirmação determinante para a nossa fé e para a nossa vida. Jesus é o Filho, o Filho muito amado. É, pois, o Filho que devemos escutar. É o Filho que, depois de escutar, havemos de anunciar.

 

E. O evangelizador é indissociável do Evangelho

 

9. Evangelizar é — tão-somente — fazer isto: levar a todos Jesus Cristo. Tudo o resto, embora importante, do Evangelho fica sempre distante. É prioritário não esquecer que o evangelizador é indissociável do Evangelho. É natural que o primeiro impacto do alcance da missão nos faça cair. Os três apóstolos também caíram naquele monte, aqueles três apóstolos também se assustaram (cf. Mt 17, 6).

Mas, como aconteceu com eles, também nós somos tocados por Jesus. Também de nós Jesus Se aproxima para nos levantar e ajudar a vencer o medo. Também a nós Jesus ordena: «Levantai-vos e não temais» (Mt 17, 7). Jesus vem ter connosco ao chão e estende-nos sempre a Sua mão. Ele é o nosso aconchego; por isso, não tenhamos qualquer medo.

 

  1. Com Abraão, que cada um de nós diga: «Aqui estou» (Gén 22, 1). Que cada um de nós esteja acolhedor quando Deus nos visita. Que cada um de nós esteja atento quando Deus nos fala.

Deus oferece-nos o melhor que tem: o Seu próprio Filho. Se Deus dá o melhor por nós, como é que nós não havemos de dar o melhor a Deus?

 

publicado por Theosfera às 05:27

Hoje, 12 de Março (Segundo Domingo da Quaresma), é dia de S. Luís Orione, Sta. Josefina, Sto. Inocêncio I e Sta. Ângela Salawa.

Faltam 35 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Sábado, 11 de Março de 2017

Jesus não é pastor só dos que estão dentro.

Ele é pastor também (quiçá, ainda mais) dos que andam perdidos lá fora.

E nem sequer fica à espera do regresso dos que se perderam; lança-se à sua procura (cf. Lc 15, 4).

Quando encontra alguma ovelha perdida, Jesus, como notou Astério de Amaseia, «não lhe bate nem a repele violentamente; pelo contrário, pondo-a aos ombros e tratando-a com doçura, recondu-la ao rebanho».

Maravilhoso é Jesus. Como Ele fez, façamos nós também.

Ou seja, «nunca julguemos os perdidos sem remédio nem deixemos de ajudar os que se encontram em perigo».

Esforcemo-nos por reconduzir «ao bom caminho os que se extraviaram e alegremo-nos com o seu regresso à comunhão»!

publicado por Theosfera às 11:34

Hoje, 11 de Março, é dia de Sto. Eulógio, S. Vicente Abade, S. Ramiro, S. Trófimo e S. Tales.

Faltam 36 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Hoje, 10 de Março (abstinência), é dia dos Santos Mártires de Sebaste, S. Macário de Jerusalém e Sta. Maria Eugénia Milleret.

Faltam 37 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Quinta-feira, 09 de Março de 2017

Hoje, 09 de Março, é dia de S. Domingos Sávio, Sta. Francisca Romana e S. Gregório de Nissa.

Faltam 38 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

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Quarta-feira, 08 de Março de 2017

Hoje, 08 de Março, é dia de S. João de Ávila e S. João de Deus, padroeiro dos doentes e moribundos e protector dos enfermeiros católicos e respectivas associações.

Faltam 39 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 07 de Março de 2017

 

  1. Com que legitimidade se julga alguém pelo que fez debaixo de chantagens ou sob o fogo cruzado de coacções e ameaças?

Se é cruel ter de agir sem vontade, torna-se sumamente penoso ser acusado pelo que se faz contra a vontade.

 

  1. O drama do Padre Cristóvão Ferreira, no Japão do século XVII, passa essencialmente por aqui.

Violentamente compelido a apostatar, viu-se cercado entre a perda de confiança dos seus e uma persistente desconfiança dos outros.

 

  1. Os primeiros censuravam o seu afastamento, os segundos suspeitavam que não se tivesse afastado totalmente.

Cristóvão Ferreira nunca terá deixado de ser cristão. E há quem pense que morreu como mártir no mesmo local onde, anteriormente, suspendera o martírio.

 

  1. A tragédia do Padre Sebastião Rodrigues, o protagonista (que não chegou a herói) do livro de Shusaku Endo e do filme de Martin Scorsese, é semelhante.

A determinação de «expiar a apostasia de Ferreira» não evita que também ele naufrague na apostasia de Ferreira.

 

  1. A hesitação inicial foi estigmatizada como sintoma de fraqueza.

E nem a cedência final terá sido sinalizada como grandeza.

 

  1. A fidelidade a Cristo era depreciada como um simples «medo de trair a Igreja».

Mas nem a posterior mudança atraiu qualquer reconhecimento. Aos olhos dos que o pressionaram, Rodrigues limitou-se a «encobrir a sua fraqueza».

 

  1. A sua atitude foi ditada por ponderosas razões humanitárias. Mas será que aqueles — tantos — que não recuaram eram portadores de menor humanismo?

A não-condenação do comportamento de Rodrigues impedirá que valorizemos a opção de quantos não retrocederam?

 

  1. Era menos humanista o Padre Sebastião Vieira (natural de Castro Daire) que, em 1634, foi imolado pelo fogo?

Teria menos humanismo São Paulo Miki, o primeiro padre japonês, que, em 1597, avançou para o martírio num grupo onde havia várias crianças?

 

  1. Será que tinham um menor apreço pela vida humana? Ou não será que, para eles, a vida está emoldurada por um forte sentido de eternidade?

A alegria que irradiavam na iminência do martírio era o certificado de que, a seus olhos, nem a morte interrompe a vida.

 

  1. Os que enfrentam a «grande tribulação» (Ap 7, 14) não levam a vida a esbarrar na morte.

Pelo contrário, conseguem transformar a própria morte em nascentes de (mais) vida!

publicado por Theosfera às 10:40

Há cerca de dois mil anos, houve Alguém que veio ao mundo «para dar testemunho da Verdade» (Jo 18, 37). E por causa da verdade foi morto.

É pena que continue a ser assim. É pena que muitos continuem a ser incompreendidos por causa da verdade.

Já São Tomás de Aquino tinha notado que «quem diz verdades perde amizades».

Mas se alguma amizade é perdida por causa da verdade seria amizade?

Não é, porém, a verdade que está em contencioso com a amizade.

São algumas «amizades» que estão em permanente contencioso com a verdade!

publicado por Theosfera às 09:45

Hoje, 07 de Março, é dia de Sta. Perpétua, Sta. Felicidade e S. Paulo, o Simples.

Faltam 40 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:18

Segunda-feira, 06 de Março de 2017

Gostamos muito de definir.

E nem sequer pensamos que tentar definir é tentar pôr um fim.

Será possível definir a vida?

Não têm faltado tentativas (quiçá, tentações) de a definir.

Gabriel García Márquez achava que «a vida não é mais que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver».

Curiosamente, Edgar Morin era de opinião que «sobreviver não é viver».

Mas a sobrevida acaba por ser a vida que construímos na vida.

Essa vida tem o nome de eternidade. No fundo, viver é ser eterno!

publicado por Theosfera às 09:32

Hoje, 06 de Março, é dia de S. Cónon, o Jardineiro, e Sto. Olegário.

Faltam 41 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 05 de Março de 2017

 

Eis-nos chegados, uma vez mais,

ao tempo da conversão,

ao tempo da mudança,

ao tempo da transformação.



Quaresma é tempo de penitência,

mas não é tempo de tristeza.



É oportunidade de sermos diferentes,

de nos abrirmos a Deus

e de pensarmos mais nos outros.



É convite a vencermos o egoísmo

e a partilharmos o que somos e o que temos

com os que mais sofrem.



É sermos o sorriso de Deus na penumbra triste do mundo.

É sermos o ombro onde repousam as mágoas de tantos corações.

É sermos o rosto onde desagua o pranto de tantas vidas.



A Quaresma não nos rouba a alegria

e até nos pode acrescentar felicidade.



Vamos fazer jejum e abstinência da comida e da bebida,

mas também das palavras agressivas e dos sentimos violentos.



Vamo-nos abster da superficialidade e do egoísmo,

dos juízos apressados e dos julgamentos implacáveis.



Vamos acompanhar Jesus pelo deserto e pelas ruas de Jerusalém.

Ele acompanha-nos em cada instante da nossa vida.



Vamos acolher o dom.

Vamos ser dom.

Vamos ser a ressonância do grande dom, do único dom:

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:42

Jesus tomou sobre Si a nossa morte para que nós pudéssemos ficar com a Sua vida.

Esta ideia, magistralmente desenvolvida por Santo Agostinho, mostra o alcance e a profundidade do mistério que celebramos.

Em Deus, o amor não é mera intenção; é uma permanente acção.

Ele está sempre a vir e a chamar. Estaremos nós disponíveis para O acolher e seguir?

publicado por Theosfera às 07:00

A. Precisamos de muito tempo para acordar

  1. Eis-nos chegados, uma vez mais, ao tempo santo da Quaresma. Eis-nos chegados, uma vez mais, a este tempo de graça e de luz, a este tempo totalmente centrado em Jesus. Eis-nos chegados, uma vez mais, a este tempo de conversão, que há-de começar a partir do nosso coração. Com efeito, não é para que tudo fique igual que vamos percorrer o itinerário quaresmal. É para que tudo possa ser diferente que o apelo à mudança se torna mais presente.

A Quaresma tornou-se um tempo demorado porque o nosso coração nem sempre está acordado. Precisamos de um longo despertar para a nossa vida transformar. Por isso, necessitamos de um prolongado caminho de purificação porque ainda estamos muito distantes de Deus e do nosso irmão.

 

  1. Nos primeiros tempos, a celebração da Páscoa não precisava de um grande período de preparação porque toda a vida cristã era acolhida como uma contínua via de purificação. Nessa altura, a Páscoa era antecedida apenas de dois dias de jejum. Tratava-se, porém, de um jejum absoluto.

No século III, começou a observar-se o jejum, embora de um modo menos rigoroso, também nos restantes dias da semana anterior à Páscoa. Até Quinta-Feira Santa, podia comer-se pão e beber-se alguma água. Na Sexta-Feira Santa e no Sábado Santo, o jejum era total.

 

B. Jejum frequente e penitência constante

 

3. Como sabemos, este era um tempo em que o jejum era frequente e a penitência era constante. Estávamos numa época em que os cristãos viviam tão entranhadamente a vida cristã — a que nem faltava o martírio —, que não havia necessidade de acrescentar um tempo especial para corresponder ao apelo à conversão. Todo o tempo era considerado especial. Nem a iminência da morte amortecia a eminência da fé.

Foi após a Paz de Constantino, no século IV, que as perseguições terminaram e que parece ter afrouxado um pouco a radicalidade na vivência do Evangelho. Então, a Igreja achou por bem introduzir um tempo para ajudar os cristãos a promoverem uma vida de maior coerência com o Baptismo.

 

  1. A primeira referência a um período de 40 dias de preparação para a Páscoa aparece no Concílio de Niceia (325). No final do século IV, tal costume já se tinha difundido amplamente, tanto no Oriente como no Ocidente. Este tempo de 40 dias de jejum e oração procura ser uma reprodução do tempo — igualmente de 40 dias — que Jesus fez de jejum antes de começar a Sua vida pública (cf. Mt 4, 2).

Entre o Ocidente e o Oriente, havia ligeiras oscilações na contagem dos dias da Quaresma. No Ocidente, a Quaresma durava seis semanas, o que dava um total de 42 dias. Acontece que, aos domingos, os cristãos estavam isentos de jejuar, embora, na prática, observassem um jejum um pouco menos rigoroso que nos outros dias. Como havia seis domingos antes da Páscoa, restavam, assim, 36 dias de penitência.

 

C. Quantos dias de Quaresma, afinal?

 

5. Foi no século VII que se acrescentaram mais quatro dias. A Quaresma começou a ter o seu início na quarta-feira anterior ao primeiro Domingo. Terá sido o Papa Urbano II que, em 1099, determinou que essa quarta-feira seria chamada «Quarta-Feira de Cinzas».

É por isso que, se repararmos bem, entre a Quarta-Feira de Cinzas e o Domingo da Páscoa da Ressurreição, contamos 46 dias. Descontando os seis domingos, ficamos com 40. Uma vez que os domingos não eram dias de jejum tão rigoroso, havia até quem usasse de um preciosismo extremo ao dizer «domingos “na” Quaresma» e não «domingos “da” Quaresma». Actualmente, a Quaresma termina na Quinta-Feira Santa. Com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, na tarde dessa mesma Quinta-Feira, inicia-se o denominado «Tríduo Pascal», que termina com as Vésperas do Domingo da Páscoa.

 

  1. As regras do jejum foram redifinidas no século V. Em cada um dos dias da Quaresma, só era permitida uma refeição, ao final da tarde. A carne nunca era permitida, nem sequer aos domingos. Também o peixe e, em muitos lugares, os ovos e os produtos lácteos eram absolutamente proibidos.

Entretanto, as normas foram mudando. O peixe passou a ser aceite e a abstinência de carne circunscreveu-se apenas à Quarta-Feira de Cinzas e às sextas-feiras. Do mesmo modo, os produtos lácteos começaram a ser permitidos. Actualmente, o jejum e a abstinência estão preceituados somente para a Quarta-Feira de Cinzas e para a Sexta-Feira Santa. A abstinência deve ser observada em todas as sextas-feiras.

 

D. Porquê 40 dias?

 

7. O número 40 tem uma força simbólica muito grande. Na verdade, 40 foram os dias e as noites do dilúvio (cf. Gén 7, 4-12); 40 foram os dias de jejum de Moisés no Sinai (cf. Ex. 34, 28); 40 foram os anos de peregrinação do povo eleito pelo deserto (cf. Ex 16. 35); 40 foram os dias de jejum do Elias (cf. 1Rs 19, 8); e, como sabemos, 40 foram os dias de tentação e jejum de Jesus no deserto (cf. Mt 4, 2).

Santo Agostinho viu no número 40 um símbolo do tempo deste mundo. Trata-se, essencialmente, de um tempo de preparação para algo novo que vai acontecer. Nem Jesus Se privou de um tempo de preparação para a Sua pregação e ministério. Daí que o mesmo Santo Agostinho tenha estabelecido um paralelismo entre os 40 dias antes da Páscoa e os 50 dias depois da Páscoa, que simbolizam a novidade da ressurreição. É para esta vida nova que nos preparamos antes: pela oração, pela penitência e pela partilha.

 

  1. Tendo em conta o alerta do Papa Francisco — «o Cristianismo ou é concreto ou não é Cristianismo» —, gostaria de deixar aqui algumas propostas muito concretas para a vivência deste tempo santo. Diria que são os «5 mais» e os «5 menos» para esta Quaresma.

Assim, propunha que, a partir de hoje, procurássemos mais interioridade, mais participação na Santa Missa, mais procura da Confissão, mais despojamento e mais atenção aos outros. Ao mesmo tempo, era bom que começasse a haver menos distracção, menos murmuração, menos poluição, menos consumo e menos velocidade.

 

E. Propostas muito concretas

 

9. É verdade que a nossa vida já está muito ocupada. Mas onde há generosidade, não falta iniciativa. Assim sendo, permitia-me fazer-vos mais cinco sugestões muito simples: cinco minutos por dia para visitar o Santíssimo Sacramento; cinco minutos por dia de meditação; leitura de cinco versículos por dia da Bíblia; participação na Via-Sacra e visita aos doentes, idosos e abandonados.

Permiti que insista particularmente no Sacramento da Reconciliação. O objectivo é precisamente para que nos voltemos a conciliar com a vida nova recebida no Baptismo. Se o pecado é grande, a graça que vence o pecado é muito maior. Se o assédio do pecado é contínuo, a presença da graça é ainda mais constante. A Confissão é, para usar uma expressão da Liturgia, uma «segunda tábua de salvação depois do Baptismo». Com muita propriedade, os escritores cristãos antigos chamavam-lhe «Baptismo laborioso». A Confissão devolve a graça que o Baptismo nos oferece e que o nosso pecado obscurece.

 

  1. Vivamos, então, esta Quaresma com seriedade, o que muito nos ajudará a celebrar a Páscoa com alegria. Despojemo-nos da carne e do peixe caro, levando um pouco de pão a quem nada tem para comer. Façamos também, de vez em quando, jejum do automóvel desanuviando o ambiente. Façamos igualmente jejum do cigarro, contribuindo para a nossa saúde e para a saúde dos nossos semelhantes. E façamos total jejum das intrigas, das insinuações e das calúnias. Façamos total jejum dos juízos precipitados, das acções agressivas e dos sentimentos violentos.

Deixemos que a bondade brilhe, que a paz reluza, que a justiça floresça e que o amor vença. O tempo de Deus chegou. O tempo de Deus chegou. Convertamo-nos à Boa Nova!

publicado por Theosfera às 05:25

Hoje, 05 de Março (Primeiro Domingo da Quaresma), é dia de S. João José da Cruz, S. Teófilo e Sto. Adriano.

Faltam 42 dias para a Páscoa da Ressurreição. 

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 04 de Março de 2017

Os homens evocam a Paixão de Cristo, mas costumam andar ocupados com as suas próprias paixões.

A Paixão de Cristo é um sofrimento que oferece sentido.

Já as paixões humanas são buscas de sentido que, quase sempre, provocam sofrimento.

Nikolai Gogui notava que «as paixões humanas não têm conta; são tantas, tantas como as areias do mar».

É esta a realidade e é este (também) o problema.

Será que já nos apercebemos da Paixão que Deus tem por cada um dos Seus filhos?

publicado por Theosfera às 11:01

Hoje, 04 de Março, é dia de S. Lúcio I, S. Casimiro e Sto. Humberto III de Sabóia.

Faltam 43 dias para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 03 de Março de 2017

Orar é mais que pedir. Orar é sobretudo respirar.

Até Gandhi percebeu que «orar é a respiração da alma».

Assim sendo, «tal como o corpo que se lava não fica sujo, sem oração torna-se impuro».

Falta-nos, hoje, muita leveza, muita ousadia e muita liberdade porque deixamos que nos falte espiritualidade.

Ponhamo-nos à escuta e coloquemo-nos à espera.

Quem sabe se o inesperado não nos visitará?

publicado por Theosfera às 10:31

Hoje, 03 de Março (Abstinência), é dia de Marino, Sto. Astério, S. Frederico de Hallam, S. Liberto, S. Samuel, S. Miguel Pio e Sta. Catarina Maria Drexel.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:26

Quinta-feira, 02 de Março de 2017

Errar é sinal de que não somos tão fortes como pensamos.

Mas o erro não é sinal de que sejamos tão fracos como tememos.

Reconhecer o erro, como notou Mikhail Gorbachev, «é um sinal de força, não de fraqueza».

Fraqueza é não dar conta do erro ou «travestir» o erro em presumida força.

Por isso, sejamos fortes e não tenhamos medo de reconhecer o erro.

Reconhecer o erro é o primeiro — e decisivo — passo para o vencer!

publicado por Theosfera às 09:38

Hoje, 02 de Março, é dia dos Mártires dos Lombrados, Sta. Inês da Boémia e Sta. Ângela da Cruz Guerrero González.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 01 de Março de 2017

Este ano, a Solenidade de São José é a 20 de Março.

A razão desta alteração prende-se com o facto de, em 2017, 19 de Março ser o Terceiro Domingo de Quaresma.

Como é sabido, o Domingo é sempre o dia de festa primordial.

Só cede a sua celebração às solenidades e às festas do Senhor.

Mas os domingos do Advento, da Quaresma e do Tempo Pascal têm precedência sobre as próprias solenidades e festas do Senhor.

Por exemplo, quando alguma solenidade coincide com um Domingo da Quaresma passa para a segunda-feira seguinte.

É o que acontece desta vez com a Solenidade de São José.

Assim, dia 19 celebramos o Terceiro Domingo da Quaresma e, no dia 20, São José!

publicado por Theosfera às 20:38

Numa época que não se cansa de adornos e enfeites, faria bem pensar no aviso de Chopin: «A simplicidade é a realização máxima».

Os adornos e os enfeites contribuem para mostrar o que habitualmente não somos.

O maior adorno e o mais belo enfeite é ser o que se é.

Se quisermos ser diferentes, transformemo-nos, em vez de parecer que nos transformamos.

A simplicidade é o enlevo da transparência.

Uma vida simples é uma vida limpa. Haverá vida mais bela?

publicado por Theosfera às 10:10

Talvez tenha chegado o momento de refazer algumas frases feitas.

Pensemos no célebre dito atribuído a Philippe Destouches, segundo o qual «os ausentes nunca têm razão».

Inteiramente de acordo.

Resta, porém, saber quem está mais ausente: se os ausentes em relação aos «presentes», se os «presentes» em relação aos ausentes.

Se os ausentes não procuram os «presentes», será que os «presentes» procuram sempre os ausentes?

Quem já não sofreu com a ausência dos que, em tudo, gostam de estar «presentes»?

Não falta quem esteja presente quando é conveniente. Mas sente-se a falta de quem esteja presente quando é necessário.

De facto, a ausência não é boa, mas a que mais faz sofrer é a ausência que muitos mostram até quando estão presentes.

Se os «presentes» procurassem mais os ausentes, não haveria menos ausência? 

Enfim, saiamos de nós: julguemo-nos menos e escutemo-nos mais!

publicado por Theosfera às 09:44

Hoje, 01 de Março (Quarta-Feira de Cinzas, de Jejum e Abstinência), é dia de S. Rosendo, Sto. Albino e Sta. Eudóxia.

Um santo e abençoado dia de Quaresma para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

O que fazemos acaba por mostrar o que somos.

É por isso que, quando não estamos, estamos através daquilo que fazemos.

Respeitar o que fazemos é respeitar o que somos. E é deste modo que a ausência se torna presente.

Era assim que pensava Santo Isidoro, ao escrever a São Bráulio: «Quando receberes algum escrito do teu amigo, abraça-o como se fosse o próprio amigo, pois esta é a única consolação entre os ausentes. Envio-te um anel e um manto que sirva como que para proteger a nossa amizade».

No fundo, o que vem da parte de alguém é sempre a pessoa desse alguém!

publicado por Theosfera às 12:08

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Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
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Lindo e profundo texto, Senhor Doutor. Obrigada pe...
É bem verdade.
linda reflexão!
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