O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Dezembro de 2017

 

 

  1. O Natal é um luminoso mistério de palavra e silêncio.

Foi no silêncio mais profundo que a Palavra desceu ao mundo.

 

  1. Deus diz tudo e parece que ninguém ouve nada.

Foi necessário que os céus falassem para que os homens despertassem (cf. Lc 2, 8-18).

 

  1. O nosso tempo tem separado o silêncio da palavra e não cessa de afastar a palavra do silêncio.

Não conseguimos gerar palavras no silêncio e não somos capazes de digerir em silêncio as palavras.

 

  1. Achamos que falar é apenas produzir sons. E é assim que nos descomedimos: em vez de falar, fazemos ruído.

Tantas palavras saem dos nossos lábios. Mas quantas palavras chegam aos nossos ouvidos e entram na nossa alma?

 

  1. Será que já olhamos para Maria como mestra da palavra? Maria foi alguém que falou muito: não com os lábios, mas com a vida.

Muitas palavras Maria guardou em Si (cf. Lc 2, 19). Mas bastou-Lhe uma palavra para que o mundo nunca mais se esquecesse de Si. Foi a Palavra que Se fez carne no Seu seio (cf. Jo 1, 14; Lc 1, 35).

 

  1. Para Maria, era mais importante deixar ressoar a Palavra do que fazer soar palavras (cf. Lc 1, 38).

Foi Deus quem falou no silêncio de Belém. É no silêncio que nós ouviremos Deus também.

 

  1. Maria compreendeu que a ouvir também se vê.

Ver é encontrar e há muita coisa que não encontramos com os olhos. Há muita coisa que só encontramos escutando. Mas quem escuta, hoje?

 

  1. Nós, que ocupamos o tempo a ver, vamos passando ao lado do mais belo que pode acontecer.

Portamo-nos como aquele homem a que alude Timothy Radcliffe.

 

  1. Sentado a uma mesa, ele olha na direcção de uma mulher que fala, à sua frente. A certa altura, ela diz, extasiada: «O que eu aprecio em ti é que és um ouvinte maravilhoso».

Nenhuma resposta, porém. De repente, ela dá conta de que, atrás de si, está um televisor, a emitir um jogo de futebol. Era para trás da mulher que aquele homem olhava. Não era a mulher que aquele homem escutava.

 

  1. É sobretudo a escutar que veremos tanta coisa bela na nossa vida entrar.

É por isso que nos faz sempre tão bem respirar o silêncio que vem de Belém!

 

publicado por Theosfera às 10:35

Hoje, 19 de Dezembro, é dia de Sta. Sametana, Sto. Urbano V e S. Ciríaco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Hoje, 18 de Dezembro, é dia da Expectação de Nossa Senhora ou Nossa Senhora do Ó, S. Gaciano e S. Flávio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Natal é a mesa farta,

mas é sobretudo a alma cheia.



Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.



Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.



Constrói um Natal para todo o ano,

para toda a vida.



Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.



É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.



Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.



Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.



Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.



Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.



Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.



Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.



Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.



Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.



Que tenhas um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:44

A. Não é a euforia que nos traz a alegria

  1. Hoje é o Domingo da Alegria. E até o celebrante se (re)veste de rosa para assinalar época tão gozosa. É tempo de alegria no meio de toda esta aragem fria. É tempo de alegria porque Deus nos «aquece» quando do Céu à Terra desce.

Alegremo-nos, pois, mesmo (ou sobretudo) quando a tristeza nos visita e o desalento nos possui. A alegria é terapia que nos rejuvenesce nos piores momentos. Não há só alegria quando o rosto sorri. Até pode chover alegria quando as lágrimas pelo rosto (es)correm. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela. Deixemos entrar Deus na nossa alma e, mesmo na tempestade, não perderemos a paz. Nem a calma.

 

  1. Hoje em dia, há um grande défice de alegria. Recorremos à euforia para compensar a ausência de alegria. Mas não é a euforia que nos traz a alegria. O que a euforia consegue é, por uns momentos, esconder a tristeza que nos invade. Basta ouvir a espantosa voz de Ana Moura no seu — e nosso — «(des)fado»: «Ai que tristeza, esta minha alegria. Ai que alegria, esta tão grande tristeza».

Na verdade, aquilo a que, quase sempre, chamamos «alegria» não passa da euforia que encobre — e tenta esconder — uma avassaladora tristeza. A verdadeira — e única — alegria é aquela que vem com Deus. É Deus que verdadeiramente nos alegra, a nós, filhos Seus. E que bela é a alegria de, em cada momento, poder celebrar o divino nascimento!

 

B. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela

 

 

  1. É por isso que, no meio do Advento, este é o chamado «Domingo mediano», mais conhecido, porém, como «Domingo da Alegria». Trata-se do Domingo «Gaudete», fórmula verbal latina que significa «alegrai-vos».

É a ressonância de um convite feito por São Paulo na Carta aos Filipenses: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4, 4). Ou seja, o que nos dá alegria não é o que nos vem do exterior. O que nos dá alegria é, em nós, a presença do Senhor.

 

  1. Haja o que houver, nada pode roubar esta alegria que Deus nos está sempre a dar. No Sermão da Montanha, mesmo a finalizar o elenco das Bem-Aventuranças, Jesus faz um enfático convite à alegria: «Alegrai-vos e exultai pois é grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 12).

Quem tem Deus, ainda que nada mais tenha, tem tudo. Já Isaías, no Antigo Testamento, se faz eco desta convicção ao dizer: «Exulto de alegria no Senhor» (Is 61, 10). É em Deus — e não no dinheiro ou no poder — que está a nossa alegria. Daí que São Paulo insista: «Vivei sempre na alegria» (1Tes 5, 16).

 

C. A alegria do Evangelho e o Evangelho da alegria

 

 

  1. Foi esta a alegria que Maria experimentou, apesar das contrariedades por que passou. O Salmo Responsorial faz-se eco do cântico do «Magnificat», em que Maria «exulta de alegria em Deus, Seu [e nosso] Salvador» (Lc 1, 46). Maria está alegre porque, como bem observou São João da Cruz, está apaixonada por Deus e «todos os apaixonados cantam».

Não espanta que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Porquê? Porque «anuncia» um mundo novo. Recorde-se que foi este cântico que provocou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar em Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca». A partir de então começou a «acreditar por dentro e com todas as forças»!

 

  1. Foi para vincar a alegria pela presença de Deus que, em 1975, o Papa Paulo VI escreveu a exortação apostólica «Gaudete in Domino». E, em 2013, o Papa Francisco também nos brindou com uma exortação apostólica sobre a alegria, ligada ao Evangelho. É que só no Evangelho, a mais bela notícia que existe, reencontraremos a alegria para esta vida (tantas vezes) triste.

Daí que o Santo Padre tenha dado à sua exortação o título de «A alegria do Evangelho». No fundo, ele está a convidar-nos a que nos reaproximemos do Evangelho da alegria: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». É por tal motivo que «os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho: não como quem impõe uma nova obrigação, mas sim como quem partilha uma alegria».

 

D. A alegria até pode vir regada pelas lágrimas

 

  1. A alegria pode não vir pelo riso. A alegria até pode vir profusamente regada com lágrimas. Jesus considerou felizes os que choram (cf. Mt 5, 4). E não guardamos nós memória de tantas lágrimas de alegria? A maior alegria está na seriedade. Não estamos longe da alegria quando estamos perto da seriedade. A alegria é mesmo uma coisa muito séria. E não será a seriedade a coisa mais alegre?

Paul Claudel afirmou que «onde há mais alegria, há mais verdade». A seriedade é, sem dúvida, alegre. A seriedade é, definitivamente, a coisa mais alegre deste mundo. E, com o nosso Almada Negreiros, acrescentaria que «a alegria é a coisa mais séria desta vida». O sustento da alegria encontra-se num coração puro, numa alma transparente e numa vida limpa.

 

  1. É neste espírito que devemos olhar para João Baptista como um modelo de alegria. À partida, ouvindo o que ele diz e reparando no que ele faz, seríamos tentados a deduzir que se trata de um homem circunspecto, às vezes um pouco ríspido até. Mas essa seria uma visão superficial e uma apreciação injusta.

João Baptista é profundamente alegre porque é intrinsecamente sério. A sua seriedade é o sustento da sua alegria. Homem corajoso, nunca recuou perante os obstáculos nem vacilou diante das ameaças. Era um homem liso e limpo: dizia as coisas próprias nos momentos certos. Foi sempre oportuno, ainda que as circunstâncias o fizessem parecer inoportuno. O que ele jamais quis ser foi oportunista. Nunca agiu em proveito próprio. Nunca pretendeu cavalgar ondas de popularidade, mesmo que tal lhe fosse fácil, já que tinha muitos seguidores.

 

E. Mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração

 

 

  1. A palavra de João foi sempre cortante: «Eu não sou o Messias» (Jo 1, 20). João era a voz de quem «clama no deserto» (Jo 1, 23). Ele diz «voz» e não «palavra», porque a Palavra não é João; é Jesus. João estava ao serviço do Messias que havia de vir (cf. Jo 1, 27). E o importante, para João, é que o Messias cresça, mesmo que ele diminua (cf. Jo 3, 30). A sua humildade nasce da sua coragem.

João é, todo ele, um programa: desde o seu nome até à sua vida. João significa «Deus faz graça» e não há dúvida de que ele se comportou sempre como um agraciado, enviado por Deus, como diz o quarto Evangelho: «Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João» (Jo 1,6). Faz, pois, sentido com esta grande figura estar em sintonia no Domingo da alegria. Só há alegria quando há seriedade, quando há autenticidade, quando há verdade.

 

  1. Alegremo-nos, então, à maneira de João. E, com João, enchamo-nos de luz para receber Jesus. Ele já está no meio de nós. Já saboreamos a Sua paz. Vós, sobretudo os que sentis o coração tingido pela tristeza, tende a certeza de que Ele enche a vossa vida de beleza. Deixai que as vossas lágrimas escorram. Mas não deixeis que as vossas alegrias morram. Basta saber que Deus está no meio de nós para que nunca nos sintamos sós. E, mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração.

Tenhamos isto presente e digamo-lo a toda a gente: «Onde mais alegria, há mais seriedade. Onde há mais seriedade, há mais alegria». A alegria não é a euforia de uma noite divertida. A alegria vem pela seriedade de uma vida limpa, ainda que sofrida. A alegria da seriedade e a seriedade da alegria são os mais belos ornamentos para o nosso contínuo Advento. E para o nosso eterno Natal!

publicado por Theosfera às 05:55

Hoje, 17 de Dezembro (Terceiro Domingo do Advento), é dia de S. João da Mata, Sta. Olímpia, S. José de Manyanet e Mártires de Gaza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Hoje, 16 de Dezembro, é dia de Sta. Adelaide, S. Guilherme de Fenol, Sto. Honorato de Biala, S. Clemente Marchisio e Sta. Maria dos Anjos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

Hoje, 15 de Dezembro, é dia de Sta. Maria Crucificada da Rosa, S. Mesmin, Sta. Cristina, S. João Henrique Carlos e Sta. Virgínia Bracelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

Hans Christian Anderson achava que «é da realidade que nascem os contos mais espantosos».

Aqueles que ele escreveu devem ser bem reais. Porque são (mesmo) espantosos!


 
publicado por Theosfera às 20:46

Hoje, 14 de Dezembro, é dia de S. João da Cruz, S. Venâncio Fortunato e Sta Maria Francisca Shervier.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
  1. Tão simples — e tão belo — é escutar. Mas coisa cada vez mais rara é calar.

Nestes dias de correria, parece que espatifamos o silêncio. Desaprendemos de ouvir e já não sabemos calar.

 

  1. A palavra é tão preciosa que nunca deveríamos desperdiçá-la. A palavra não é só para usar. Deveria ser também — e bastante — para guardar.

Se as palavras estão constantemente a sair de nós, que se pode, de relevante, encontrar em nós? Só a palavra que não é banalizada merece atenção cuidada.

 

  1. Acontece que, nesta vida tão intensa, o silêncio não goza de boa imprensa.

Só se fala de quem fala. Quem fala de quem (se) cala? Para muitos, calar é não ser, é quase não existir.

 

  1. Em permanente conspiração contra o silêncio, nem sequer percebemos que aquele que fala também precisa daquele que (se) cala.

Como pode haver comunicação com palavras em contínua — e ruidosa —sobreposição?

 

  1. O paroxismo deste cenário está nas entrevistas televisivas. Que disponibilidade mostram os entrevistadores para ouvir os entrevistados?

Como é possível responder se há quem esteja sempre a interromper?

 

  1. Para nós, hoje, a palavra é apenas som. A sua eficácia não é procurada na razão que transporta, mas no ruído que provoca e no volume que atinge.

É por isso que, muitas vezes, o diálogo é substituído pelo protesto. Pensa-se que mais alcança quem mais grita.

 

  1. Sucede que a palavra não é apenas som. Nem principalmente som.

Como bem notou São João da Cruz, Deus só proferiu uma Palavra — o Seu Filho — e proferiu-A em silêncio. Foi no Seu eterno silêncio que Deus disse tudo.

 

  1. Olhemos para o silêncio de Belém e aprendamos com Deus, que fala calando-Se.

O Natal é a festa do silêncio que fala. A divina Palavra acampou no silêncio do Menino que nasceu, do Filho que nos foi dado (cf. Is 9, 6).

 

  1. Não consta que os Magos abrissem a boca quando viram Jesus (cf. Mt 2, 11). Diante do silêncio que se faz Palavra, as nossas palavras só podem fazer silêncio.

Necessitamos de uma «pastoral da gestação» (Philippe Bacq) que nos reaproxime do silencioso «mistério da geração» (São Guerrico).

 

  1. Os nossos encontros ainda são demasiado palavrosos. Habituemo-nos, pois, a estar com o Senhor sem abrir os lábios.

Um pouco de silêncio com Deus consegue (infinitamente) mais do que muitas palavras sobre Deus!

publicado por Theosfera às 10:11

Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

Hoje, 11 de Dezembro, é dia de S. Dâmaso, S. Daniel estilita, S. Martinho de S. Nicolau, S. Melchior de Sto. Agostinho e Sta. Maria Maravilhas de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 10 de Dezembro de 2017

No Advento já é Natal.

 

No Natal continua a ser Advento.

 

É Advento no Natal porque o Natal celebra a grande chegada do Senhor Jesus à nossa história, ao nosso mundo, à nossa vida.

 

E é Natal no Advento porque nele o Senhor nasce e renasce.

 

A Eucaristia é o grande Advento e o perene Natal.

 

Creio, Senhor, que vieste ao mundo

e que no mundo permaneces.

 

Tu estás em toda a parte,

estás no Homem,

estás na Vida,

estás na História,

estás no Pequeno,

estás no Pobre.

 

Hoje como ontem,

permaneces quase imperceptível.

 

Há quem continue a procurar-Te no fausto,

na ostentação,

na majestade.

 

Tu desconcertas-nos completamente

e surpreendes-nos a cada instante.

 

És inesperado

e estás sempre à nossa espera.

 

Os momentos podem ser duros.

 

O abandono pode chegar

e a rejeição pode asfixiar-nos.

 

Tu, porém, não faltas.

 

Estás sempre presente.

Estás simplesmente.

 

Creio, Senhor,

que é na simplicidade que nos visitas

e na humildade que nos encontras.

 

Converte-nos à Tua bondade,

inunda-nos com o Teu amor,

afaga-nos na Tua paz.

 

Obrigado, Senhor, pelo Teu constante Advento.

 

Parabéns, Senhor, pelo Teu eterno Natal!

publicado por Theosfera às 10:38

A. O «preparador» dos caminhos do Senhor

  1. É essencialmente o Advento um tempo de mensagens e de mensageiros. A preparação para a chegada do Senhor faz-se através de mensagens que anunciam a Sua vinda e que nos despertam para a Sua presença. O Evangelho fala-nos de um grande mensageiro. O Evangelho mobiliza sempre grandes mensageiros.

Curiosamente, este é um tempo em que trocamos muitas mensagens. Que seja sobretudo um tempo em que se divulgue a mais bela mensagem. Não nos limitemos, pois, às «sms» de circunstância. Neste Natal, enviemos a todos uma «sms» especial: «Deus vem até nós; em Cristo, Ele nunca nos deixa sós. Haverá coisa mais bela do que isto: fazer da nossa vida uma morada do próprio Cristo?»

 

  1. João é o «preparador» dos caminhos do Senhor. Ele é o mensageiro que desassossega a nossa vida por inteiro. É uma figura que se tornou popular, mas a sua preocupação nunca foi aos homens agradar. O seu discurso não era populista; a sua integridade, aliás, está bem à vista. Não andava ao sabor da corrente; pelo contrário, a sua palavra incomodava muita gente.

Primando sempre pela coerência, proclamou um «baptismo de penitência» (Mc 1, 4). A sua conduta austera é o exemplo de uma pessoa, toda ela, sincera. Dizia o que fazia e fazia o que dizia. João não veio trazer para a direita o que estaria na esquerda. João veio para trazer para a direita o que, muitas vezes, está torto: a nossa vida. É a nossa vida que Deus quer trilhar. São os caminhos da nossa vida que João vem «endireitar» (cf. Mc 1, 3).

 

B. Jesus vem não para que tudo fique igual, mas para que aconteça a renovação total

 

  1. Vamos continuar na mesma? Vamos resistir à mudança? Vamos continuar a adiar a esperança? Tudo começa a ser novo quando Deus vem para o meio do Seu povo. E, no entanto, muitas são as vezes em que nos sentimos gastos e desgastados, calcados e cansados. Já nem ao futuro damos oportunidade de ser futuro. Nem sequer a esperança parece escapar. A própria esperança apresenta-se recessiva, à beira da falência.

Se esperar é sempre necessário, nas horas difíceis torna-se muito mais urgente. Como notou Vergílio Ferreira, «quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte». O povo diz que «quem espera, desespera». Mas o mesmo povo também reconhece que «quem espera, sempre alcança».

 

  1. Neste Domingo, ouvimos São Pedro anotar que esperamos «novos céus e nova terra» (2Ped 3, 13). Em Cristo, Deus presenteia-nos com a novidade perene, isto é, com a novidade que nunca deixa de ser nova. Em Cristo, Deus vem para renovar todas as coisas e particularmente todas as pessoas (cf. Ap 21, 5). De facto, em Cristo, Deus não vem para que tudo fique igual, mas para que aconteça a renovação total.

A este propósito, ocorre-me uma pequena história. Quando Jesus nasceu, alguém foi ter com um velho mestre para lhe dar a feliz nova: «Olha que o Messias já veio»! Mas o velho mestre nada respondeu. Foi à janela, deitou a cabeça fora, fechou a janela, abanou a cabeça e disse: «Não, ainda não veio». É que ele achava que, quando o Messias viesse, tudo seria diferente, até o ar. E, na verdade, assim é. Jesus veio, Jesus vem, para que tudo seja diferente, para que tudo seja novo.

 

C. Há mais desertos nos corações do que nos solos

 

  1. É por isso que a esperança não é inactiva. A esperança é profundamente activa e activadora. Ter esperança não é ficar quieto, não é aquietar. Pelo contrário, ter esperança é inquietar e deixar-se inquietar. Aliás, São Pedro também irmana a novidade que esperamos com a justiça por que (também) suspiramos (cf. 2Ped 3, 8).

Sem justiça, não haverá novos céus nem nova terra. Sem justiça, nenhuma novidade é boa. Mas para que a justiça possa acontecer, o Justo temos de acolher. Deixemos, pois, que as nuvens «chovam» o Justo (cf. Is 45, 8). A justiça tem de ser acolhida como um dom. Nós sabemos que, como reza o Salmo 72, nos dias do Senhor, a justiça, juntamente com a paz, virá para sempre (cf. Sal 72, 3).

 

  1. A iniciativa é de Deus. É Deus que, em Cristo, nos envia a justiça e a paz. João é a voz que anuncia a chegada desta justiça e desta paz. É neste sentido que João é a voz que urge conversão. Mas é igualmente neste sentido que João surge também como uma voz que «brada no deserto» (Mc 1, 3).

O deserto, aqui, não são tanto os solos áridos. O deserto, aqui, são sobretudo os nossos corações insensíveis e indiferentes. Há mais desertos nos corações do que nos solos. João fala para nós. Mas que atenção damos à sua voz? Hoje, há tantos desertos no mundo, há tantos desertos na vida. João é o homem que fala no deserto e ao deserto. É o homem que não foge das adversidades. É o homem que diz o que tem de ser dito, para que nós façamos o que tem de ser feito.

 

D. Não nos afastemos da esperança porque a esperança (também) não se afasta de nós

 

  1. A nossa missão tem muito de João. Afinal, o Esperado já está ao nosso lado. Como enviou João, também nos envia a cada homem, nosso irmão. Por conseguinte, é para nós que ressoa o que escutámos no divino apelo: «Consolai, consolai o Meu povo. Falai ao coração de Jerusalém» (Is 40,1). É por nós que Deus quer consolar os desconsolados, os que sofrem. É por nós que Ele quer dizer a todos que está a chegar (cf. Is 40, 9).

Deus não intervém à distância. Ele está sempre à nossa beira, ao longo da nossa vida inteira. Deus quer encontrar-nos na paz (cf. 2Ped 3, 14). Só na paz poderemos acolher o Portador da Paz!

 

  1. Para esta missão, é preciso ir com urgência, mas também com paciência. O futuro pertencerá àqueles que acreditarem que a história não acaba hoje. O futuro pertencerá àqueles que, hoje, fizerem tudo para que o amanhã seja melhor. As evidências não ajudam. Mas a esperança é mais importante quando ela de nós parece mais distante.

Não nos afastemos da esperança porque a esperança também não se afasta de nós. A esperança não assegura tudo o queremos, mas mobiliza-nos para construir tudo aquilo que sonhamos. É por isso que, como escreveu notavelmente Charles Péguy, a esperança espanta o próprio Deus.

 

E. São os «novos céus» que farão a «nova terra»

 

  1. Que as crianças «vejam como tudo acontece e acreditem que amanhã será melhor. Que elas vejam o que se passa hoje e acreditem que amanhã de manhã será melhor. Isso é espantoso e essa é a maior maravilha da nossa graça».

Nunca foi fácil a esperança. Hoje sentimos que ela é cada vez mais difícil. Mas é talvez por isso ela é também mais apaixonante. É que enquanto «a fé vê o que é» e «a caridade ama aquilo que é», «a esperança vê o que será e ama o que será». A esperança «não é o que termina»; a esperança «é aquela que sempre recomeça».

 

  1. Os novos céus não podem ser apenas depois. Os novos céus já estão no meio de nós. Os céus já são novos. E a terra? É preciso construir uma nova terra para acolher os novos céus. Os novos céus são uma vida nova, uma vida renovada, uma vida justa, uma vida pacífica e pacificante.

Renovemos a vida na terra a partir de hoje. A esperança não desistiu de nós. Não queiramos nós desistir da esperança. Que a nossa vida renovada seja um permanente Advento para que, nela, possa ocorrer sempre um (e)terno Natal!

publicado por Theosfera às 05:20

Hoje, 10 de Dezembro (Segundo Domingo do Advento e Dia Mundial dos Direitos do Homem), é dia de Nossa Senhora do Loreto, de Sta. Eulália e de S. Melquíades.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 09 de Dezembro de 2017

Hoje, 09 de Dezembro, é dia de Sta. Leocádia, Sta. Clara Isabel, S. Bernardo Maria de Jesus e S. Libório Wagner.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 08 de Dezembro de 2017

Nossa Senhora, Mãe da esperança,

Acompanha-nos na nossa jornada pelo tempo.

Faz brilhar em nós a luz do Teu sim.

 

Tu és a toda santa, a toda bela, a toda pura.

Dá-nos a graça de sermos simples e fiéis,

Persistentes e constantes.

Semeia em nós a santidade.

 

Que sejamos humildes como Tu.

Que deixemos Deus fazer através de nós as maravilhas que Deus realizou por meio de Ti.

 

Ajuda-nos no caminho,

Acompanha-nos na viagem.

 

Apoia-nos quando cairmos.

Enxuga as nossas lágrimas.

 

Dá-nos a Tu mão, agora,

E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.

 

Que sejamos santos

E, por isso, felizes.

 

E por isso cada vez mais amigos,

Cada vez mais unidos,

Cada vez mais irmãos!

 

Daqui a 17 dias, celebraremos o nascimento de Teu Filho,

De hoje a nove meses estaremos aqui a celebrar o Teu próprio nascimento.

 

Dizer-Te obrigado é pouco,

Mas, à falta de melhor, é tudo o que nos resta.

 

Aceita, pois, a palavra dos nossos lábios

E o sentimento que brota do nosso coração.

 

Obrigado, Mãe.

Leva-nos conTigo ao coração do Pai!

publicado por Theosfera às 10:42

 

A. O presépio inicial

  1. Grande, belo e luminoso é este dia formoso. O Natal, festa de alegria, como que começa a despontar na festa deste dia. Afinal, não foi S. Francisco quem inventou o presépio. Antes do presépio de Francisco de Assis foi o seio de Maria que Deus quis. Maria foi o primeiro presépio, um presépio desenhado e construído por mão divina. Podemos dizer que Jesus começou a vir quando a Sua Mãe começou a surgir. A Sua concepção é o início da fase definitiva da nossa salvação. Foi do ventre da Mãe do saboroso amor que chegou até nós o Salvador.

Este é um verdadeiro dia da Mãe. É o dia em que a Mãe começou a existir. É o dia em que o céu se quis abrir e, para todos, sorrir. O primeiro suspiro de Maria acaba por ser o primeiro sopro de vida de Jesus. A Mãe também teve mãe, também teve pai. Mas Sta. Ana e S. Joaquim não imaginavam que aquele começo não mais teria fim. Este é, pois, o início antes do começo, o dia anterior ao dia primeiro. Este é o Natal que prepara o Natal. É o pré-Natal que nos vai conduzir até ao Natal.

 

  1. Qual Pai desvelado, Deus cuidou, desde sempre, da morada para o Seu Filho. Preparou-Lhe uma Mãe sem mancha, uma Mulher sem mácula. Desde a Sua concepção, Maria foi imaculada. A Imaculada Conceição é a primeira grande visitação de Deus à Mãe de Seu Filho. Foi o primeiro instante de uma presença constante.

É desde o início que Deus nos sustenta. Foi desde o início que Deus sustentou Maria com a Sua presença. Foi desde o início que Maria Se tornou a «cheia de graça»(Lc 1, 28) Desde sempre tatuada por Deus, Maria nunca conheceu o pecado original. A Igreja desde o princípio o reconheceu e, pela voz de Pio IX, o proclamou a 8 de Dezembro de 1854, na Bula «Ineffabilis Deus»: «A Bem-Aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de Sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda a mancha do pecado original».

 

B. Uma festa universal, uma festa de Portugal

 

3. Por aqui se vê como Maria também precisou de ser redimida. Afinal, a Mãe também precisou do Filho, Maria também precisou de Jesus. Aliás, se assim se não fosse, ficaria em causa um dos pilares estruturantes da nossa fé: a universalidade da salvação. Se Maria não precisasse de ser salva, a salvação não seria plenamente universal pois haveria, pelo menos, uma criatura que a dispensava. Só que Maria também foi salva, Maria também foi redimida, mas por antecipação, por preservação. No Seu desígnio insondável, Deus preservou do pecado Aquela que haveria de gerar Aquele que nos iria libertar de todo o pecado.

E o certo é que esta verdade de fé tem sido acreditada desde os começos. Muitos escritores antigos defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente. No século IV, Sto. Efrém sustentava que só Jesus e Maria estão limpos de todo o contágio do pecado. Daí que, já no século VIII, se celebrasse a festa litúrgica da Imaculada Conceição a 8 de Dezembro, ou seja, nove meses antes da festa de Sua natividade, comemorada a 8 de Setembro.

 

  1. Em Portugal, houve sempre uma entranhada devoção à Imaculada Conceição. Já por alturas da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, foi celebrado um pontifical de acção de graças, em honra da Imaculada Conceição. D. Nuno Álvares Pereira mandou construir a Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa, encomendando, para o efeito, uma imagem em Inglaterra. Quando ingressou no Convento do Carmo como irmão leigo, quis usar apenas o nome de Frei Nuno de Santa Maria.

Nas cortes de 1646, o rei D. João IV declarou, sob juramento, Nossa Senhora da Conceição Padroeira de Portugal. Este mesmo rei, em 1648, mandou cunhar moedas de ouro e de prata chamadas «Conceição». Em 1654, o referido monarca enviou a todas as câmaras municipais cópia da inscrição comemorativa do juramento solene feito em 1646 para que fosse mais notória a obrigação de defender «que a Virgem Senhora Nossa foi concebida sem pecado original». Também em 1654, o reitor e os professores da Universidade de Coimbra determinaram que a fórmula do juramento de todos os futuros graduados começasse pelo compromisso de «defender sempre e em toda a parte que a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem a mancha do pecado original». E até 1910 o cumprimento de tal juramento era condição para se obter qualquer grau universitário.

 

C. O Filho que Maria nos deu pela fé O concebeu

 

5. É com pesar que noto que a memória começa a ser difusa acerca de toda uma história que é também tão lusa. De facto, Maria, sendo genuinamente universal, é muito nossa, é muito de Portugal. Se os nossos antepassados aprenderam cedo a venerá-La, iremos nós, agora, ignorá-La?

Maria é uma presença que a nossa fé não dispensa. É uma lembrança que nos acalenta na esperança. Ela é a toda pura e é com emoção que olhamos para a Sua figura. Ela é a toda bela e a nossa vida está sempre iluminada por Ela. Ela é toda luz e com suave segurança nos conduz. Ela esteve junto à Cruz e continua a levar-nos até Jesus.

 

  1. Os orientais chamam-Lhe «odighitria» porque para o Céu Ela nos serve de guia. Também Lhe chamam «panaguía», já que é toda santa, com uma santidade que nos encanta.

Maria não era muito de falar, era mais de escutar. A Palavra de Deus não A encontrou distraída, por isso a mesma Palavra n’Ela Se fez vida. O Filho que Ela nos deu pela fé O concebeu.

 

D. Um sim que não tem fim

 

7. Deixemo-nos, pois, guiar por Maria. Ela não nos afasta de Jesus. Aliás, como poderia afastar-nos de Jesus Aquela que nos dá Jesus? Como reconhecia Charles Péguy, «é preciso que a gente suba Àquela que intercede, Àquela que é infinitamente celeste porque é também infinitamente terrestre, Àquela que é infinitamente eterna porque é também infinitamente temporal, Àquela que está infinitamente acima de nós porque está infinitamente entre nós, Àquela que é Maria porque é cheia de graça, Àquela que é cheia de graça porque é connosco, Àquela que é connosco porque o Senhor é com Ela, Àquela que está infinitamente longe porque está infinitamente perto, Àquela que é a mais alta princesa porque é a mais humilde mulher, Àquela que está mais próxima de Deus porque é a que está mais próxima dos homens».

Como notou o mesmo poeta, a Maria não falta nada, a não ser o ser Deus, ser o Seu Criador. «Porque, sendo carnal, Ela também é pura. Sendo pura, também é carnal. Por isso, Ela não é apenas uma mulher única entre todas as mulheres, mas uma criatura única entre todas as criaturas. Ela é uma criatura única, infinitamente única, infinitamente rara».

 

  1. A história da humanidade tinha tudo para correr mal. A Primeira Leitura mostra-nos como a história da humanidade tinha tudo para ser conduzida pelo mal. Mas já nos começos se anuncia que o mal não iria prevalecer. Já aí se garante que por uma mulher o bem haveria de vencer. Maria é a primeira mulher da nova humanidade. Sto. Anselmo reconhece a Sua importância singularíssima: «Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai a quem se deve a constituição do mundo, e Maria a mãe a quem se deve a sua restauração. Pois Deus gerou Aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz Aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou Aquele fora do qual nada existe, e Maria deu à luz Aquele sem o qual nada subsiste». Maria é, por isso, a nova Eva, a outra Eva. Ela é saudada com este nome invertido. «Ave» é o contrário de Eva, sinal de que, a partir de agora, tudo é diferente.

«Ave» significa «alegra-Te», pelo que a nova humanidade só tem motivos para se alegrar. A nova humanidade começa por um acto de fidelidade. O «sim» de Maria nunca mais terá fim. O amor de Maria é fecundo porque o seu «sim» é profundo. Os Seus lábios disseram «amém» e todo o Seu ser anuiu também. O Verbo fez-Se carne pela carne de Maria. A Palavra fez-Se vida na vida de Maria. Foi no silêncio de Maria que fermentou a Palavra que salva. O Seu coração guardou a Palavra que Deus enviou (cf. Lc 2, 19). Com Maria digamos «sim». Com Maria digamos também «amém».

 

E. Tanta tristeza na beleza, tanta beleza na tristeza

 

9. Termino com o meu poema preferido sobre Nossa Senhora. Foi composto por Antero de Quental. Era um espírito inquieto, mas que sempre soube encontrar a bússola certa para os seus caminhos incertos. É um texto sentido, um texto sofrido. É um texto que fala da Mãe, do Seu amor e da Sua dor, da Sua tristeza e da Sua beleza.

De facto, tanto amor há na dor e tanta dor há no amor; tanta tristeza há na beleza e tanta beleza há na tristeza.

 

  1. Eis o poema:

«Num sonho todo feito de incerteza,

De nocturna e indizível ansiedade

É que eu vi o teu olhar de piedade

E (mais que piedade) de tristeza.

 

Não era o vulgar brilho da beleza,

Nem o ardor banal da mocidade.

Era outra luz, era outra suavidade,

Que até nem sei se as há na Natureza.

 

Um místico sofrer... uma ventura

Feita só de perdão, só da ternura

E da paz da nossa hora derradeira.

 

Ó visão, visão triste e piedosa!

Fita-me assim calada, assim chorosa.

E deixa-me sonhar a vida inteira!»

 

Maria é a estrela do Advento. É Ela, afinal, que nos embala até ao Natal. É Ela que nos oferece o Natal. Foi o Seu amor profundo que trouxe o Filho de Deus até ao nosso mundo!

publicado por Theosfera às 05:15

Hoje, 08 de Dezembro, é dia da Imaculada Conceição (Padroeira principal de Portugal), de Sta. Elfrida, Sta. Edite, Sta. Sabrina e Sta. Narcisa de Jesus Martilho Morán.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 07 de Dezembro de 2017

Neste dia de Santo Ambrósio, uma frase sua devemos reter: «A Igreja nunca perde quando ganha a caridade»!

publicado por Theosfera às 07:01

Hoje, 07 de Dezembro (52º aniversário da «Gaudium et Spes» e 412 aniversário da invasão de Timor-Leste pela Indonésia), é dia de Sto. Ambrósio (invocado como protector das abelhas e dos gansos) e de Sta. Maria Josefa Roselho.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 06 de Dezembro de 2017

Hoje, 06 de Dezembro, é dia de S. Nicolau, S. Sabas, Sta. Dionísia e S. Majórico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 05 de Dezembro de 2017

 

  1. Não correm fagueiros os tempos para a moderação.

Os dias que vivemos estão cercados de desmesuras e dominados por excessos.

 

  1. Mergulhados em demasias, não somos capazes de nos conter e temos uma crescente dificuldade em esperar.

O ruído e a pressa vão-nos retirando disponibilidade para contemplar a beleza de cada momento e o sentido de cada instante.

 

  1. Nem o Natal se demarca deste frenesim. A sofreguidão dos festejos de Natal tem vindo praticamente a obscurecer o significado do Advento.

Mal finda o Verão e os sinais de Natal já cá estão. Mas que Natal será este, antes do Advento e sem Advento?

 

  1. É o Natal «das» famílias, o Natal «dos» colegas, o Natal «das» promoções, o Natal «do» consumo, o Natal «das» prendas, o Natal «das» festas, o Natal «dos» almoços e jantares, etc.

Ou seja, em vez «do» Natal, há «Natais».

 

  1. E até nós, cristãos, acabamos por embarcar na corrente.

Afinal, estamos «no» mundo e, por vezes, escapa-nos que não somos «do» mundo (cf. Jo 15, 19).

 

  1. É certo que não nos costumamos esquecer de celebrar o Natal de Jesus. Mas será que nos lembramos de preparar sempre o Natal com Jesus?

Há muitas antecipações do Natal e pouca preparação para o Natal. Ainda falta perceber que o Advento não existe para antecipar o Natal, mas para preparar o Natal.

 

  1. O Advento não é, obviamente, ausência de alegria. Mas é o Natal que desponta como plenitude da alegria.

Daí que, na sua sábia pedagogia de mãe, a Igreja nos peça para não antecipar no Advento a «alegria plena» do Natal.

 

  1. É por isso, aliás, que, no Advento, não se canta o «Glória».

Os instrumentos musicais usam-se com maior sobriedade e os ornamentos florais são menos vistosos.

 

  1. A preparação do Natal não devia ser feita só pelo estômago nem aos pulos. Não é com «festivais de comida» nem com espectáculos sem fim que nos preparamos para o nascimento de Jesus.

Porque não agendar as realizações mais festivas para depois da noite de 24 de Dezembro?

 

  1. Até lá, era bom que pairasse algum silêncio para podermos ouvir o grande silêncio de Belém.

Não abafemos, com as nossas palavras, a única palavra que Deus pronunciou: o Seu Verbo, o Seu Filho. É com essa única Palavra que Deus tudo faz e refaz. É com essa única Palavra que Deus nos enche de paz!

publicado por Theosfera às 10:58

Hoje, 05 de Dezembro, é dia de S. Martinho do Dume, S. Frutuoso, S. Geraldo, S. Bartolomeu Fanti, S. Filipe Rinaldi e S. Nicolau Stensen.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 04 de Dezembro de 2017

Hoje, 04 de Dezembro, é dia de S. João Damasceno, Sta. Bárbara, S. João Orani Calábria e Bem-Aventurado Adolfo Kolping.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 03 de Dezembro de 2017

Vim, Senhor, à Tua procura

 

e notei que Tu já estavas comigo.

 

 

 

Fiquei, Senhor, à Tua espera

 

e verifiquei que Tu já moravas comigo.

 

 

 

Pensei, Senhor, que Te encontravas a meu lado

 

e apercebi-me de que já habitavas no meu coração.

 

 

 

O Teu presépio, Jesus, é o íntimo de cada ser humano.

 

A manjedoura em que, hoje, Tu (re)nasces

 

é a vida de tanta gente.

 

 

 

Por isso é sempre Advento,

 

porque Tu estás sempre a chegar.

 

E por isso é sempre Natal,

 

porque Tu estás sempre a nascer.

 

 

 

Nasce, Senhor, no meu peito.

 

Nasce, Senhor, na minha alma.

 

 

 

Nasce, Senhor, na minha vida.

 

Nasce, Senhor, no nosso mundo.

 

 

 

Não tardes mais.

 

O mundo precisa de Ti,

 

da Tua Palavra,

 

do Teu Pão,

 

do Teu imenso Amor

 

e da Tua infinita Paz!

publicado por Theosfera às 10:39

A. Com o tempo que vem, Deus vem também

 

  1. Depois de um Ano Litúrgico, outro Ano Litúrgico. Há uma semana, assinalávamos, com a solenidade de Cristo Rei, o último Domingo do Ano Litúrgico. Hoje, Primeiro Domingo do Advento, damos início a um novo Ano Litúrgico. É o chamado Ano B, cujo evangelista dominante é São Marcos.

É assim na vida, é assim na fé: cada tempo gera tempo pelo que, atrás de tempo, tempo vem. E com o tempo que vem, o Deus do tempo vem também. Deus vem ao nosso tempo, Deus vem ao nosso mundo, Deus vem à nossa história, Deus vem à nossa vida. Em suma, Deus nunca deixa de vir.

 

  1. É por isso que o Advento não foi só no passado nem será só no futuro. O Advento também é no presente, o Advento é sempre presente. Deus veio (no passado), Deus virá (no futuro) e Deus vem (no presente e como presente em cada presente). Advento significa vinda e Deus está sempre a vir, pelo que estamos sempre em Advento. Trata-se do Advento mais imediato, embora talvez seja também o mais ignorado.

O Tempo do Advento desperta-nos para o contínuo Advento no Tempo. Liturgicamente, o Tempo do Advento tem uma dupla finalidade: preparar-nos para a solenidade do Natal (em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus) e dirigir-nos para a expectativa da última vinda de Cristo (no fim dos tempos). As duas primeiras semanas do Advento estão mais orientadas para a expectativa desta última vinda. E as outras duas estão mais centradas na celebração da primeira vinda. Estamos, então, a assinalar a primeira vinda do Senhor, que nunca deixa de estar próximo. E vamo-nos preparando para a última — e definitiva — vinda do Senhor, da qual já estivemos mais distantes.

 

B. Não evocamos episodicamente um ausente; celebramos continuamente uma presença

 

 

  1. Mas, no fundo, podemos falar de três Adventos: além da primeira e da última vinda de Jesus, temos a permanente vinda de Jesus. É, por assim dizer, o terceiro Advento. A esta luz, podemos dizer que nem só no Advento é Advento. Advento é vinda e Cristo está sempre a vir. Também podemos dizer nem só no Natal é Natal. Natal é nascimento e Cristo está sempre a (re)nascer em nós.

Que seja, pois, Advento para lá do Advento e que seja Natal para lá do Natal. Que seja sempre Advento e que seja sempre Natal. Mas, já agora, que seja Advento também no Advento e que possa ser Natal também no Natal.

 

  1. Nós não evocamos episodicamente um ausente; nós celebramos continuamente uma presença. E, hoje, Jesus não está menos vivo do que esteve há dois mil anos. Hoje, Jesus continua a estar vivo: na Palavra e no Pão, na oração e na missão. Hoje, Jesus continua a estar vivo em todo o ser humano especialmente nos pobres, nos humildes, nos mais pequenos (cf. Mt 25, 40).

Quando apareceu no mundo, Jesus surgiu como uma criança pequena e, quando cresceu, continuou a identificar-Se com os mais pequenos.

 

C. No Advento, percebemos que estamos sempre em Advento

 

  1. O nosso problema é que não estamos atentos. O nosso mal é que teimamos em permanecer distraídos. Já dizia Pedro Paixão que «pecado é distrair-se do fundamental».

Daí que o texto que acabamos de escutar nos previna quanto à importância da vigilância. É preciso vigiar para que à presença de Deus não corresponda a nossa ausência. Não estamos vigilantes para controlar ninguém, mas para acolher a presença de Alguém: de Alguém que virá, de Alguém que está sempre a vir.

 

  1. Eis, então, o nosso programa para o Advento: vigiar e estar atento. Não é por acaso que o Evangelho deste dia liga a atenção à vigilância. É de uma forma muito enfática que nos é feito o apelo: «Estai atentos», «vigiai» (Mc 13,33-37). Curiosamente, o verbo «vigiar» surge quatro vezes neste texto e a locução «estai atentos» aparece também por quatro vezes ao longo deste capítulo 13 do Evangelho de São Marcos.

Vigiar é estar atento: é estar atento ao essencial, ao verdadeiramente importante. Não nos prendamos, pois, às ambições, aos luxos, às riquezas, ao poder nem às ilusórias seguranças. É tudo isso que, muitas vezes, nos traz sonolentos e adormecidos. Jesus adverte-nos para que não nos deixemos adormecer (cf. Mc 13, 36), até Deus porque vem de surpresa. Aliás, Deus é «a» surpresa!

 

D. Deus gosta de nos surpreender

 

  1. Deus gosta de nos surpreender, de surpreender a nossa vida. É na nossa vida que ocorre a Sua vinda. Neste sentido, se é belo fazer presépios na nossa casa, é muito mais necessário fazer um permanente presépio na nossa vida. É na nossa vida que Deus quer renascer para nós. É na nossa vida que Deus quer que renasçamos para Ele.

Toda a nossa vida será, assim, Evento de Advento. Ou seja, a nossa vida será o Evento que acolhe o permanente Advento de Deus ao mundo.

 

  1. Neste sentido, não é difícil entender que o Advento tem de ser um tempo de recolhimento, como é próprio num tempo de preparação, de expectativa. A expressão plena da alegria deve ser reservada para o Natal. Liturgicamente, o Tempo de Natal começa com a Vigília do Natal, na tarde do dia 24 de Dezembro. Até lá, não devemos obviamente andar tristes, mas é bom que sejamos sóbrios e moderados. Na própria igreja, os instrumentos musicais e os ornamentos de flores devem ser moderados a fim de reservar a plena expressão da alegria para o Natal.

Tal moderação sinaliza, igualmente, um convite à oração. Orar há-de ser a maior prioridade do Advento. De facto, orar é a atitude de quem espera, de quem acolhe. Quando nos dispomos a ir ao encontro de Deus, facilmente percebemos que é Deus quem vem ao nosso encontro. À medida que formos caminhando na oração, daremos conta de que não estamos só diante de Deus e que Deus não está só diante de nós. Deus está dentro de nós e nós estamos dentro de Deus.

 

E. Não façamos do Natal um mini-Carnaval

 

  1. O Advento é também — e bastante — um tempo favorável à conversão. Assim sendo, aproveitemos este tempo para a reconciliação sacramental, para o sacramento da Confissão. No fundo, trata-se de preparar a nossa casa para que ela possa ser casa para Deus e casa para os outros. Em Jesus, Deus converte-Se a nós. Porque não, no mesmo Jesus, convertermo-nos a Deus?

Já agora, não esqueçamos que o Advento, apesar de não ser propriamente um tempo penitencial (como é a Quaresma), pode — e deve — ser vivido penitencialmente. Ou seja, no Advento pode — e deve — haver lugar para o Sacramento da Penitência e para outras práticas penitenciais. Já houve uma época em que o Advento era um tempo de jejum e abstinência. Durava seis semanas começando pelo São Martinho. Daí que o Advento também fosse conhecido como a «Quaresma de São Martinho». Actualmente, embora não haja dias de jejum, o Advento deve ser marcado por uma certa contenção no comer, no beber, no divertir e no gastar.

 

  1. Não façamos do Natal um mini-Carnaval. Não esqueçamos que é a simplicidade que melhor combina com a humildade de Belém. Não é com ostentação que dignificamos a celebração do nascimento de Jesus. Procuremos partilhar com quem não tem que gastar. E não deixemos de repartir com quem não tem com que se cobrir. Demos algum tempo e abramos o coração a quem (sobretudo nesta altura) vive na solidão. Nunca esqueçamos que o melhor presente é o presente da presença. O próprio Jesus é o melhor presente que Deus ofereceu à humanidade. E é o mais belo presente que a humanidade pode oferecer a Deus.

É na Eucaristia que Jesus vem até nós hoje. É na Eucaristia que Jesus renasce para nós sempre. O altar é o grande presépio. A divina consoada já está preparada. Não recusemos o convite de Jesus. Ele está sempre à nossa espera!

publicado por Theosfera às 05:12

Hoje, 03 de Dezembro (Primeiro Domingo do Advento), é dia de S. Francisco Xavier e Sto. Eduardo Coleman.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 02 de Dezembro de 2017

Hoje, 02 de Dezembro, é dia de Sta. Bibiana (invocada para as dores de cabeça e para a epilepsia), S. João Ruysbroeck e S. Rafael Chilinski. Fim do Ano Litúrgico. O novo Ano Litúrgico é inaugurado, à tarde, com as Primeiras Vésperas do Primeiro Domingo do Advento.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 01 de Dezembro de 2017

Hoje, 01 de Dezembro, é dia da Bem-Aventurada Maria Clara, Sto. Edmundo, S. Roberto, Sta. Maria Clementine Anuarite e Sto. Elói.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Hoje, 30 de Novembro, é dia de Sto. André e S. José Marchand. Refira-se que Sto. André é irmão de S. Pedro e é chamado «protokletós», o primeiro a ser chamado. É o padroeiro dos pescadores, dos vendedores de peixes e das mulheres que desejam ser mães.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

Hoje, 29 de Novembro, é dia de Sto. Avelino Rodriguez, S. Frederico de Ratisbona, S. Dionísio da Natividade e S. Redento da Cruz.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:20

Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

 

  1. A falta de chuva é, sem dúvida, motivo de apreensão. Mas será razão para alarme?

A situação é preocupante, mas não é inédita. E nem sequer é um exclusivo dos tempos recentes.

 

  1. No século XVIII, houve um ano (1752) em que não choveu praticamente durante três meses.

Acresce que esses não eram meses de Verão, mas de Outono, à beira do Inverno. Não choveu em Outubro, não choveu em Novembro e não choveu na primeira metade de Dezembro.

 

  1. A saúde das pessoas — e até dos solos — correu sérios perigos.

A esterilidade das águas era tal que secaram muitas fontes «de que não havia lembrança de que se exaurissem». Desencadeou-se, então, uma violenta epidemia que matou muita gente.

 

  1. Desamparados, os crentes voltaram-se para Deus e os lamecenses recorreram à intercessão da sua Padroeira.

Foi assim que resolveram marcar uma procissão para o dia 17 de Dezembro. Era Domingo, como vai ser este ano.

 

  1. Esta é a primeira procissão de Nossa Senhora dos Remédios de que há memória.

Ainda não havia Santuário. Os trabalhos de construção tinham começado a 14 de Fevereiro de 1750.

 

  1. O cortejo saiu com a imagem que, presentemente, está no trono.

Ela fora oferecida por D. Manuel de Noronha (em 1551) e encontrava-se (desde 1565) numa capela que existia no actual Largo dos Reis.

 

  1. Na sua descida à cidade, Nossa Senhora dos Remédios — invocada, neste aperto, como «Mãe das Misericórdias» — passou pela Sé, pelo Desterro e pelas Chagas.

Os meninos das escolas cantavam implorando o dom da chuva. Pediam também que cessassem «as enfermidades contagiosas que se tinham ateado, porque em muitas das pessoas em que deram foram raríssimas as que viveram».

 

  1. As preces foram atendidas. A chuva caiu com abundância e até por antecipação.

É que — não só depois do dia 17 de Dezembro, mas também antes do dia 17 de Dezembro — «a apetecida chuva regou abundantemente a terra árida».

 

  1. Providencialmente, aquele 17 de Dezembro foi um dia «de sol quente e sem vento».

Deste modo, a procissão pôde realizar-se sem sobressaltos e sem danos para roupas e alfaias.

 

  1. Diz o Cónego José Pinto Teixeira (a quem devemos todo este relato) que imediatamente se «aplacaram as malignas doenças».

Não faltará quem (sobranceiramente) sorria. Feliz, porém, é quem confia!

 

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 10:43

Hoje, 28 de Novembro, é dia de Sta. Maria Helena, S. Tiago da Marca, S. Grázio de Cáttaro e Sta. Catarina Labouré.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Hoje, 27 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e de S. Facundo, S. Primitivo, S. Máximo de Riez e S. Francisco Fasini.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 26 de Novembro de 2017

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado, Senhor, por seres Tu!

publicado por Theosfera às 10:38

A. «CR7»? «CR. Sempre»! 

 

  1. Nos últimos tempos, tem havido muitos «dias CR». Hoje é mais um «dia CR». No fundo, todos os dias são «dias CR» e não apenas de «CR7». Todos os dias são dias de «CR. Sempre». Há dias em que muitos olham para Cristiano Ronaldo, o famoso «CR7». Em cada dia — e não somente neste dia — somos convidados a olhar para Cristo Rei. É Ele o incomparável — e o inconfundível — «CR. Sempre». Antes — e muito acima — de CR7», encontraremos este «CR. Sempre». É verdade que «CR7» alegra muitas vidas. Mas quem verdadeiramente transforma a nossa vida é este «CR. Sempre».

    Cristo é um rei que dá vida. Cristo é um rei por quem vale a pena dar a vida. E, na verdade, Cristo é um rei por quem muitos têm dado a vida. Especialmente hoje, faz sentido recordar tantos mártires cujas últimas palavras, ao morrer, foram precisamente: «Viva Cristo Rei».

 

  1. Como é sabido, «Viva Cristo Rei» era um dos gritos mais ouvidos pelos promotores da chamada «Revolução Cristera». Chamavam-lhe «cristera» porque achavam que estavam a lutar em nome do próprio Cristo. Este movimento ocorreu no México nos anos 20 do século passado como reacção à perseguição que, naquele país, o Estado desencadeou contra a Igreja Católica.

Quem mais contribuiu para a divulgação daquele grito foi o Padre Miguel Agostinho Pró, já beatificado. Ligado a esta «Revolução Cristera», foi fuzilado a 23 de Novembro de 1927. Com o crucifixo numa mão e o terço na outra, abriu os braços e gritou antes de ser morto: «Viva Cristo Rei»! Este grito percorreu não só o México, impressionando igualmente o mundo inteiro. Dizem os relatos que as centenas de mártires da Guerra Civil da Espanha, entre 1936 e 1939, também morreram a gritar: «Viva Cristo Rei»!

 

B. «CR» é também (e sobretudo) Cristo Rei

 

  1. De facto, não há quem assim nos conforte: nem na vida nem na morte. A realeza humilde de Cristo é o maior conforto que a história tem visto. Gritemos, pois, com os lábios (e sobretudo com a alma): «Viva Cristo Rei»! E tenhamos a certeza de que Cristo vive, de que Cristo reina, de que Cristo impera para sempre.

A Sua vida e o Seu reinado não são de ostentação. A Sua vida e o Seu reinado acontecem no nosso coração. Este é um rei que não lança qualquer imposto. Este é um rei que para servir está sempre disposto. Não nos cansemos, pois, de olhar para o quadro comovente (e arrepiantemente belo) que nos é oferecido neste último Domingo do ano litúrgico! Celebramos a realeza de Cristo e, ao mesmo tempo, contemplamos a sublime humildade de Cristo.

 

  1. Cristo é grande, mas a Sua prioridade não são os (que se julgam) grandes. A grandeza de Cristo está na Sua atenção (e no Seu apurado cuidado) pelos mais pequenos. É com os mais pequenos que Cristo Se identifica: «Tudo o que fizestes ao mais pequeno dos Meus irmãos foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40).

É assim que Jesus engrandece os pequenos e empequenece os grandes. A verdadeira grandeza não está na pretensão nem na ostentação. A maior grandeza é a que nasce do coração. Grande não é quem tem muitos a servi-lo. Verdadeiramente grande é quem se dispõe a servir os outros. É por isso que o trono deste rei é a Cruz. É aí que Ele dá tudo por todos, especialmente pelos mais pobres. É sobretudo com eles que Ele Se identifica.

 

C. Seremos mais julgados pelo comportamento do que pelo conhecimento

 

  1. Cristo aparece-nos como um rei que tem fome, como um rei que tem sede. Ele é um rei sem casa. É um rei a quem falta roupa. É um rei que adoece. É um rei que está preso (cf. Mt 25, 34-36). Onde é que já se viu um rei assim? Um rei nu ainda é possível encontrar na literatura, como no célebre conto de Hans Christian Andersen. Mas um rei faminto, doente e sem-abrigo, só mesmo no Evangelho. Que, neste caso, mais parecerá um «disangelho», isto é, uma notícia pouco entusiasmante.

Mas é assim que surge o nosso rei. Não está num palácio, está na Cruz. Não dá leis, dá a vida.

 

  1. Eis, por conseguinte, a pauta para o juízo final. Não seremos julgados pelo que sabemos ou acumulamos. Julgados havemos de ser pelo que fizermos por Jesus, presente nos mais pequenos. Nos mais pequenos, está o Cristo faminto e o Cristo sedento, o Cristo sem casa e sem roupa. Nos mais pequenos, está o Cristo doente e o Cristo encarcerado. E nós que fazemos?

Na tarde da nossa vida, não seremos julgados pelo conhecimento, mas pelo comportamento, sobretudo pelo amor. Assim sendo, não esqueçamos nunca o oitavo pecado mortal, que não é menos grave que os outros sete. O pecado mortal da indiferença será sempre alvo de severa sentença. Se Cristo é diferente, como continuar a ser indiferente? Não pode haver indiferença perante a Sua presença.

 

D. Nos pobres de Cristo encontramos sempre o Cristo dos pobres

 

 

  1. Afinal, o que colocamos nas mãos dos pobres de Cristo pertence ao Cristo dos pobres. O que repartimos não é, pois, uma oferta; é uma restituição. Santo Agostinho bem nos alertou: «De quem é o que dás senão d'Ele? Se desses do que era teu, seria liberalidade, mas porque dás do que é d'Ele, é uma restituição». Assim sendo, o que damos aos pobres de Cristo acaba por ser dado ao Cristo dos pobres.

No serviço, não pode haver exclusões, mas tem de haver prioridades. O serviço não pode excluir ninguém, mas tem de priorizar os que mais precisam. Jesus é um rei que, diante dos problemas, não esconde de que lado está. Ele está especialmente ao lado dos que costumam ser rejeitados. Os preteridos do mundo são os preferidos de Cristo. Deste modo, os preferidos de Cristo terão de ser os preferidos da Igreja de Cristo.

 

  1. Terminamos o Ano Litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Esta celebração existe para nunca nos esquecermos de que, tal como Ele está no centro do mundo, também tem de estar no centro da nossa vida. Está no centro da nossa vida para transformar todas as nossas vidas.

Curiosamente, esta é uma festa relativamente recente, instituída em 1925, pelo Papa Pio XI através da encíclica «Quas primas». O Santo Padre achou que era tempo de vincar que, apesar de todas as resistências, é Jesus quem verdadeiramente reina sobre toda a humanidade.

 

E. Como os mártires de tantos dias, gritemos nós neste dia: «Viva Cristo Rei»!

 

  1. No número 33 daquele documento, Pio XI expressa o desejo de que «os fiéis retomem coragem e força e renovem a sua adesão a Nosso Senhor, fazendo com que Ele reine nos seus corações». Naquela altura, a Festa de Cristo Rei era celebrada no último Domingo de Outubro. Depois do Concílio Vaticano II, passou para o último Domingo do Ano Litúrgico.

Dizer que Jesus reina é dizer que Jesus salva. A salvação já está preparada desde o princípio, como se diz no convite: «Vinde, benditos de Meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25, 34). Todos nós estamos convidados para pertencermos ao número de quem se diz bem, isto é, ao número dos que são «benditos».

 

  1. Benditos seremos nós se benditas forem as nossas palavras e as nossas acções. Benditos seremos nós se benditos forem os nossos passos. Benditos seremos nós se contribuirmos para tornar bendita a vida dos outros.

Para que o Bem seja dito, é fundamental que o Bem seja feito. Por isso, há Bem dito quando há Bem feito. O Bem é dito quando o Bem é feito. Fazer bem é, antes de mais e acima de tudo, fazer o Bem. Onde se faz o Bem, aí está Deus também. Deus é o sumo Bem e Cristo é o Pastor que nos guia para o Bem. Escutemos, pois, a Sua voz. E nunca Lhe fechemos as portas do nosso coração (cf. Sal 95, 8). Nós, que tanto exaltamos os feitos de «CR7», não nos esqueçamos de celebrar «CR. Sempre». Pois Cristo é (mesmo) Rei para sempre! Como os mártires de tantos dias, gritemos também nós neste dia: «Viva Cristo Rei»!

publicado por Theosfera às 05:16

Hoje, 26 de Novembro (34º e último Domingo do Ano Litúrgico, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo), é dia de S. Silvestre, S. Leonardo de Porto Maurício, S. João Berchmans e S. Tiago Alberione.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:24

Sábado, 25 de Novembro de 2017

Hoje, 25 de Novembro (136º aniversário do nascimento de S. João XXIII), é dia de S. Tomás de Vila Nova, Sta. Catarina de Alexandria, Sta. Beatriz, S. Luís Beltrame e Sta. Maria Beltrame Quatrocchi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Hoje, 24 de Novembro, é dia de Sto. André Dunc-Lac e seus Companheiros, Sta. Flora, Sta. Maria, Sta. Eanfleda, Sta. Ana Maria Sala, S. Clemente Delgado, S. Vicente Lién e S. Domingos Khan.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Hoje, 23 de Novembro, é dia de S. Clemente, S. Columbano e S. Miguel Agostinho Pro.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Hoje, 22 de Novembro, é dia de Sta. Cecília, S. Filémon, Sta. Ápia e S. Salvador Lilli e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

 

  1. Diz a experiência que um problema que não está bem colocado é um problema que dificilmente será bem resolvido.

E o certo é que o problema da espiritualidade começa, muitas vezes, na sua colocação.

 

  1. Acostumados a multiplicar «espiritualidades», a tendência é para nos centrarmos (quase exclusivamente) na «nossa».

Acontece que a espiritualidade não é o que nos centra; é o que (mais) nos descentra.

 

  1. Neste sentido, convirá prevenir que a espiritualidade é muito diferente de um método de concentração ou de uma técnica de relaxamento.

Daí que, também na espiritualidade, seja necessário optar por uma atitude «de saída», tão recomendada pelo Papa Francisco. Como chegar, então, a uma espiritualidade «de saída»?

 

  1. Desde logo, há que superar uma abordagem excessivamente «humanocentrada» da espiritualidade.

É óbvio que não devemos esquecer a espiritualidade como dimensão do humano. Mas é fundamental que saibamos priorizar a espiritualidade como presença do divino.

 

  1. Nunca é demais insistir, embora pareça um truísmo afirmar. Espiritualidade vem de Espírito.

Aliás, o próprio Cristo apresenta-Se no mundo como portador do Espírito (cf. Lc 4, 18). Pelo que estar com Cristo é estar com o Espírito.

 

  1. Assim sendo, todos perceberão que o característico da espiritualidade cristã é aderir à pessoa de Cristo.

E qual será o específico da espiritualidade do padre? O específico da espiritualidade do padre é ser chamado a agir na pessoa de Cristo.

 

  1. É que, para alguém aderir a Cristo, é indispensável agir, junto dele, em nome de Cristo.

Em cada dia (e maximamente na Eucaristia), o padre é aquele que deposita nas nossas mãos a presença total — divina e humana — de Jesus Cristo.

 

  1. Daqui resulta que, se ser cristão é acolher Cristo na vida, ser padre é reproduzir a vida de Cristo.

Enquanto «reprodutor» de Cristo Pastor, o padre não se pertence: pertence a Cristo e àqueles a quem leva Cristo.

 

  1. Ser padre não é possuir, é ser «possuído».

O padre é um «alienado», um feliz «alienado». Tudo nele está «expropriado».

 

  1. Sendo tão abrangente — e tão englobante —, a espiritualidade não pode ser um sector, como se houvesse algo que não fosse espiritual. Tudo é espiritual no padre.

É no Espírito que ele está sempre «em saída». É no Espírito que ele realiza sempre encontro: com o Pai (na oração) e com os irmãos (na missão)!

publicado por Theosfera às 10:44

Hoje, 21 de Novembro, é dia da Apresentação da Virgem Santa Maria, S. Gelásio I e Sta. Maria de Jesus do Bom Pastor.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Hoje, 20 de Novembro, (Dedicação da Sé Catedral de Lamego) é dia de Sto. Edmundo, Sta. Maria Fortunata e S. Félix Valois.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Eu sei, Senhor,
que não mereço
que me visites,
que entres na minha casa,
que te envolvas na minha vida.

Eu sei, Senhor,
que não sou digno
que deixes o Teu aconchego,
que experimentes o frio e o desconforto,
que Te sujeites à intempérie do abandono e da ingratidão.

Eu sei, Senhor,
que não tenho direito
a exigir tanto despojamento
nem a esperar tamanha disponibilidade.

Eu sei, Senhor,
que não mereço nada,
que não sou digno de nada,
que não tenho direito a nada.

Mas é por isso que Te agradeço,
é por isso que me comovo
e é por isso que fico sem palavras.

Obrigado, Senhor,
obrigado, bom Deus.
Tu és tudo
e vens ao meu nada.
Tu és tanto
e cabes em tão pouco
que sou eu.

Ensina-me, Senhor,
a ser humilde,
a olhar para todos
não com os meus óculos
mas com os Teus olhos,
que são olhos de afecto,
olhos de esperança,
olhos de amor.

Ensina-me, Senhor,
a compreender a lição da Tua vinda:
lição de humanidade,
de simplicidade,
de singeleza.

Ensina-me, Senhor,
a ver-Te
não apenas nas Tuas imagens de barro,
mas nas Tuas imagens de carne e osso
(algumas mais de osso que carne).

Ensina-me, Senhor,
a sentir
que a Tua morada é no Homem,
em todo o ser humano.

Ensina-me, Senhor,
a venerar-Te nas crianças, nos idosos,
nos pobres,
nos famintos,
nos sofredores e nos desalentados.

Que eu possa perceber
que sempre que estou com alguém
é conTigo que me encontro.

Aquece, Senhor, o nosso coração.
Não deixes que ele gele
com a arrogância, a frieza e a indiferença.

Fica connosco, Senhor!

publicado por Theosfera às 10:57

A. Só ganha quem se dispõe a perder

  1. O que fazemos com o que recebemos? O que estamos dispostos a realizar com o que Deus nas nossas mãos está sempre a colocar? Estamos disponíveis para com os outros crescer? Ou só queremos o que para nós possa render? O que Deus nos dá é para multiplicar, não para enterrar.

Deus não quer que joguemos à defesa, a pensar unicamente na nossa segurança. Deus quer que arrisquemos e que inundemos a vida com torrentes de esperança. Quem arrisca pode perder. Mas quem se arrisca por Deus, ainda que perca, acaba sempre por vencer.

 

  1. Para Deus, só ganha quem se dispõe a perder. Para Deus, só recebe quem dá, quem se dá. Jesus tanto elogia o que obteve dois como o que alcançou cinco. Só censurou o que se escondeu com o que tinha. Jesus não exige que consigamos muito; o que Ele quer é que demos tudo e que nos demos totalmente.

Os talentos, de que fala o Evangelho, começaram por ser uma unidade de peso, usada sobretudo para medir metais preciosos. Por exemplo, na Babilónia, um talento equivalia a 60 quilos. Com o passar do tempo, o valor baixou, situando-se entre 35 e 26 quilos. Mesmo assim, um talento equivalia a 6000 denários. Se pensarmos que o denário era o salário de um dia de trabalho, então concluiremos que um talento — ou seja, 6000 denários — era o equivalente a uma vida inteira de trabalho.

 

B. Nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós

 

  1. Eis a grande lição deste Domingo: nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós. Se Deus nos entrega a vida, então a vida que temos não é nossa; é dom de Deus para nós e para os outros. A esta luz, podemos não só dizer que «circular é viver», mas também que «viver é circular». Ou seja, viver é fazer circular a vida que Deus nos dá.

É com este espírito que somos convidados a celebrar o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. Se a nossa vida deve circular por todas as vidas, ela há-de circular especialmente pelas vidas mais desprotegidas. Foi neste sentido que um dos primeiros (e mais eloquentes) sinais da presença dos cristãos no mundo consistiu «no serviço aos mais pobres». E se foi assim no princípio, há-de ser sempre assim, até ao fim. É por isso que também hoje «somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, a fixá-los nos olhos e a abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão».

 

  1. Acresce que a nossa vocação à partilha com os pobres é inseparável da nossa vocação à pobreza. A pobreza desponta, pois, como uma realidade e como uma vocação. E assumir a vocação à pobreza é o melhor meio para ajudar a combater a realidade da pobreza. Tudo isto pode parecer paradoxal e até contraditório, mas é uma bela e luminosa verdade. Enquanto a realidade da pobreza consiste na carência de bens, a vocação à pobreza consiste na superabundância de bem. Enquanto a pobreza material consiste em não ter, a pobreza espiritual consiste em partilhar o que se tem. Foi este o exemplo de Jesus que, como notou São Paulo, nos tornou ricos com o Seu ser pobre (cf. 2 Cor 8, 9).

E se Jesus foi pobre, os Seus discípulos, para O seguirem, terão (também) de ser pobres. É por isso que, como alerta o Santo Padre, «para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre».

 

C. A realidade da pobreza e a vocação à pobreza

 

  1. A pobreza está mais no coração do que no bolso. De facto, a pobreza – prossegue o Sumo Pontífice - «significa ter um coração humilde, que sabe acolher a condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de sermos imortais. A pobreza é uma atitude do coração que nos impede de conceber como objectivo de vida o dinheiro, a carreira e o luxo».

Indo mais longe, dir-se-ia que é esta pobreza «que cria as condições para assumirmos livremente as nossas responsabilidades pessoais e sociais, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela Sua graça. Assim entendida, a pobreza é o padrão que permite avaliar o correcto uso dos bens materiais».

 

  1. É, portanto (e sobretudo) na partilha com os mais necessitados que se concretiza esta aplicação dos talentos com que Deus nos presenteou. Deus é, sem dúvida, muito pródigo e infinitamente generoso para connosco. Se um único talento equivale a uma vida de trabalho, cinco talentos corresponderão a cinco vidas de actividade. Trata-se, portanto, de um imenso dom, que nos há-de levar a fazer sempre o que é bom.

Aquilo que Deus nos entrega não é para conservar, mas para repartir. Neste caso, Deus não quer que sejamos conservadores, mas ousados. O que Ele nos deu é para ser dado, o que Ele nos doou é para ser doado. Quanto mais se divide o que nos foi entregue, mais se multiplica o que nos foi dado.

 

D. Que fazemos com o que Deus nos entrega?

 

  1. Os dois primeiros servos descritos na parábola não perderam tempo. Partiram «logo» (cf. Mt 25,15.17). A missão não pode ser adiada e, como dizia o saudoso (e querido) Bispo do Porto, «os pobres não podem esperar». A missão é urgente porque a vida é breve e o tempo é veloz. Assim sendo, na missão não nos podemos atrasar.

Jesus tem palavras de elogio para quem não se atrasou e para quem arriscou (cf. Mt 25,20.22). E não repreende o terceiro servo por não conseguido. Repreende-o por não ter tentado. Martin Luther King disse à família que não queria ser recordado como o homem que conseguiu, mas como o homem que tentou.

 

  1. Às vezes, não tão poucas vezes assim, assemelhamo-nos a este terceiro servo. Arranjamos pretextos e multiplicamos desculpas. Não foi em vão que São João Paulo II nos pediu para não termos medo. Ele sabia que o medo nos tolhe e nos aprisiona. Daí que fiquemos paralisados, adormecidos e amortecidos sem perceber que os dons de Deus são despertadores e motivadores. É preciso perceber que, se o medo está em nós, o Deus que vence o medo tem muito mais força dentro de nós.

Já o cardeal Stephan Wyszynski reconhecia que «o pior defeito de um apóstolo é o medo». Se não podemos impedir que o medo apareça, temos de impedir que ele nos assalte e devore.

 

E. Nunca perdemos quando nos perdemos pelo Evangelho

 

  1. Aliás, o texto que escutámos é redigido numa altura em que o medo começava a sobrevoar o ambiente entre os cristãos. Algumas divisões e a possibilidade de algumas perseguições desencadeavam algum desalento e não pouca desmotivação. Recorde-se que estávamos no final do século I, aí pela década de 80. Os cristãos, talvez já cansados de esperar a segunda vinda de Jesus, perderam muito do seu entusiasmo inicial. Estavam como o terceiro servo da parábola: sem vontade de arriscar e de pôr ao serviço dos outros os talentos que Deus lhes deu.

Tal como hoje, era fundamental redespertar a fé, reaquecer o espírito e renovar o compromisso com o Evangelho. Tal como hoje, era urgente perceber que viver em Cristo é ser ousado, é não deixar correr, é não desistir. Viver em Cristo é nunca começar a desistir e nunca desistir de começar.

 

  1. Na missão, é normal — e até desejável — que percamos alguma coisa. É bom, com efeito, que percamos calculismo, que percamos falsas seguranças, falsas certezas e falsas defesas. O caminho de Jesus é um caminho de ousadia, um caminho de risco. Por conseguinte, é preciso arriscar.

Não tenhamos medo de proclamar o que recebemos de Jesus: o Seu Evangelho, a Sua mensagem, a Sua doutrina. Não tenhamos medo de levar Jesus a todos. Não tenhamos medo de rezar. Não tenhamos medo de ajoelhar. Não tenhamos medo de nos confessar. Não tenhamos medo de testemunhar. Deus está ao lado dos que se inquietam, dos que inquietam.

Guardemos, pois, o Evangelho, mas não nos resguardemos de arriscar tudo pelo Evangelho. Quando arriscamos, podemos perder. Mas quando arriscamos tudo pelo Evangelho, nunca nos perderemos!

publicado por Theosfera às 05:07

Hoje, 19 de Novembro (33º Domingo do Tempo Comum, Conclusão da Semana dos Seminários e Dia Mundial dos Pobres), é dia de Sta. Matilde, S. Rafael Kalinowski e Sta. Inês de Assis.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 18 de Novembro de 2017

Hoje, 18 de Novembro, é dia da Dedicação das Basílicas de S. Pedro e S. Paulo, Sta. Carolina Kózka, Sto. Odo de Cluny, S. Domingos Jorge, Sta. Isabel Fernandes, Sto. Inácio e Sta. Salomé de Cracóvia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

Hoje, 17 de Novembro, é dia de Sta. Isabel da Hungria, Sta. Filipa Duchesne, Sto. Aniano, Sta. Hilda, S. Gregório de Tours e S. Hugo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Hoje, 16 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Saúde, Sta. Margarida da Escócia, Sta. Gertrudes, S. Roque González, Sto. Afonso Rodríguez e S. João del Castillo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:08

Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Hoje, 15 de Novembro, é dia de Sto. Alberto Magno, Sta. Madalena Morano e Sta. Maria da Paixão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

 

  1. O volume de mudanças na nossa época leva não poucos a perguntar: estaremos numa época de mudanças ou no limiar de uma mudança de época?

A pergunta não é retórica.

 

  1. De há uns tempos para cá, tem crescido a percepção de que já não estamos onde estivemos sem que saibamos muito bem onde nos encontramos. Nem para onde vamos.

Daí a tendência para tipificar a nossa época como uma espécie de «época póstica».

 

  1. Se repararmos, as caracterizações epocais são, geralmente, abertas pelo inevitável «pós». É assim que ouvimos falar de uma época «pós-moderna», «pós-religiosa» (mas também «pós-secular), «pós-cultural», etc.

Nada surge como sólido. Tudo se afigura «líquido» (Zigmunt Bauman) e, portanto, inseguro, movediço, transitório, efémero.

 

  1. Há quem fique deslumbrado ante a expectativa da próxima novidade.

Mas não falta igualmente quem se mostre assustado perante a dissolução do que, ainda há pouco, parecia duradouramente novo.

 

 

  1. Neste tempo «super-hiper-mega» (onde predominam os «supermercados», as «hiperpromoções» e o «megaconsumo»), vamos perdendo a última réstia de autodomínio.

É particularmente no recurso às novas tecnologias que revelamos uma cada vez maior dificuldade em perceber os limites.

 

  1. A nossa propensão é para um uso ilimitado.

A todas as horas e em praticamente todos os locais, estamos acompanhados (pelo menos) de um telemóvel.

 

  1. Em casa, a viajar, a comer, a estudar e até a rezar, ele surge como o omnipresente companheiro.

Já mal nos imaginamos sem ele. É uma espécie de aditivo da nossa personalidade. Não vemos quase nada directamente. Já nos habituamos a ver quase tudo através do telemóvel.

 

  1. Não espanta, pois, que, há dias, o Santo Padre tenha sentido necessidade de recordar que o celebrante, na Missa, diz «corações ao alto» e não «telemóveis ao alto».

Concretizando, não escondeu o seu desconforto por ver tantos telemóveis no ar durante as celebrações. E «não são só os fiéis; são também alguns sacerdotes e até bispos».

 

  1. É hora de reflectir e (também) de inflectir. Será que o excesso de progresso não pode redundar num retrocesso?

A fé não tem de estar ausente do telemóvel. Mas o telemóvel terá de estar sempre presente na vivência da fé?

 

  1. Na vida, nem tudo é para fotografar.

E, na fé, há momentos em que, só fechando os olhos, conseguimos (verdadeiramente) ver!

publicado por Theosfera às 10:00

Hoje, 14 de Novembro, é dia de S. Nicolau de Tavelic, S. José de Pignatelli e S. Serapião.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Hoje, 13 de Novembro (1663º aniversário do nascimento de Sto. Agostinho e 88º aniversário do nascimento de minha Mãe), é dia de Sto. Estanislau Kostka, Sta. Agostinha Lívia Pietrantoni, S. Diogo de Alcalá, Sto. Homembom, Sto. Eugénio Bossinok e Sto. Artémis Zatti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 12 de Novembro de 2017

Tudo sobe para cima.
Tudo caminha para o alto.
Tudo tende para o fim.

 

E, na verdade, o que importa é o fim,
o fim para o qual nos chamas.

 

Tu, Senhor, chamas-nos para a felicidade,
para a alegria, para a justiça, para a paz.

Tu, Senhor, chamas-nos para Ti.

A vida é cheia de sinais.
É importante estar atento a eles.
É fundamental deixarmo-nos guiar por eles.

 

Neste mundo, tudo passa.
Nesta vida, tudo corre.
Neste tempo, tudo avança.
Só a Tua Palavra permanece, Senhor.

 

Obrigado por nos reunires,
por nos congregares,
por nos juntares.

 

De toda a parte Tu chamas,
Tu convocas,
Tu reúnes.

Obrigado, Senhor, pela esperança
e pelo ânimo,
Pelo vigor e pela presença.

 

O importante não é saber a hora do fim.
O fundamental é estar pronto, preparado, disponível.

 

Para Ti, Senhor, o fim não é destruição nem dissolução.
ConTigo, Senhor, o fim é plenitude, realização, felicidade.

Em Ti já sabemos o que nos espera.

Tu, Senhor, és a esperança e a certeza da esperança.

Tu já abriste as portas.
Tu já inauguraste os tempos últimos, os tempos novos.

 

ConTigo nada envelhece.
Em Ti tudo se renova.
Renova sempre a nossa vida,
JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

A. Deus gosta de surpreender

 

  1. Que estamos a fazer das nossas lâmpadas (cf. Mt 25, 8)? Será que as nossas lâmpadas estão acesas? Ou não será que as deixamos fundir? Mas com as lâmpadas fundidas como podemos ver o Novo e o Noivo? Na vida, estamos sempre à espera do que é novo. Cansados da rotina, achamos que é a novidade que nos ilumina. Para nós, o novo é o Noivo. E o Noivo, que vem ao nosso encontro, é o Senhor (cf. Mt 25, 6). O Senhor é o Noivo que vem desposar a humanidade, por quem dá a vida, por quem oferece o Seu sangue. O Senhor é o Noivo que vem selar, com a entrega do Seu ser, uma aliança de amor com o mundo.

Nem sempre nos encontra preparados, porém. Nem sempre estamos atentos ou disponíveis. Não cuidamos do «azeite» (cf. Mt 25, 3), que é a escuta do Cristo do Evangelho e o seguimento do Evangelho de Cristo. Pensamos que controlamos o dia e a hora da vinda do Senhor. Só que, quanto a isto, somos cabalmente prevenidos. Não sabemos o dia nem a hora. O Senhor gosta de surpreender. Aliás, a Sua vinda está sempre a acontecer. O Senhor está sempre a vir ao nosso encontro. Nós é que nem sempre cuidamos de ir ao encontro d’Ele.

 

  1. Muitas vezes, deixamos que as nossas «lâmpadas» se apaguem (cf. Mt 25, 8). Muitas vezes, dormitamos e até adormecemos (cf. Mt 25, 5). Somos dominados pelo instante e pelo instinto. Faltam-nos horizontes largos e raízes fortes. Quando olhamos para o futuro, limitamo-nos ao nosso futuro, ao futuro neste mundo. Falta-nos, cada vez mais, o sentido da eternidade.

Trabalhamos para o curto prazo, para as conquistas imediatas. Esquecemos que, como decorre do Credo, somos feitos para a eternidade. Há um hino da Liturgia que nos aconselha a «trocar o instante pelo eterno». Mas nós, quase sempre, trocamos o eterno pelo instante.

 

B. Que atenção dispensamos à eternidade?

 

  1. Do credo cristão faz parte a vida eterna. Com o Símbolo dos Apóstolos, confessamos crer «na ressurreição da carne [e] na vida eterna». E, ao recitar o chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano, assumimos que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir». É por isso que não falta quem pense que a eternidade é o que mais distingue o crente do não-crente. Crente é quem acredita na eternidade e não-crente é quem não acredita na eternidade. E, no entanto, que lugar costumamos dar à eternidade?

Há quem não se iniba de proclamar que tudo se resume ao que se passa na terra. Afinal, que atenção damos ao Novo e aos Novíssimos? Será que nos comportamos como pessoas cujo horizonte é a eternidade? Ou não será que, à semelhança de muitos, investimos (quase) tudo no tempo da vida terrena?

 

  1. Eis um (flagrante) caso onde parece que abdicamos de ser alternativa, para nos limitarmos a ser redundância. Eis também uma situação que põe a descoberto um perigoso esvaziamento da nossa fé. Os nossos critérios aparentam ser os mesmos do mundo. O nosso limite parece ser o futuro, não a eternidade. Cuidamos do futuro e preparamos a nossa vida no futuro. Mas que cuidado dispensamos à vida eterna? Que fazemos para nos preparar para a vida eterna?

Há, entretanto, uma pergunta que deveríamos fazer. Que seria o futuro sem a eternidade? Seria um futuro encolhido. Sem eternidade, até o futuro passa, até o futuro (rapidamente) se torna passado. Não é no mundo que encontramos «cidade permanente» (Heb 13, 14). Neste mundo, tudo é breve. É preciso oferecer eternidade ao tempo e conduzir o tempo até à eternidade, que é o tempo para lá do tempo. Ou seja, estamos aqui, mas não somos daqui. Nem a morte é capaz de fechar o que a eternidade não se cansa de abrir. A «Jerusalém do Alto» também espera por nós (cf. Gál 4, 26).

 

C. O Novo e os Novíssimos

 

  1. É esta espera que fortalece a esperança. O Novo é fundamental para agir nos Novíssimos. É em Cristo, o sempre Novo, que, na Morte e no Juízo, nos ajudará a vencer o Inferno e a entrar no Paraíso. As «coisas últimas» são, assim, iluminados pelo «Último». É o «Último» (Jesus Cristo) que nos conduz até às «coisas últimas». A Escatologia, enquanto tratado das «coisas últimas», é, antes de mais e acima de tudo, encontro com o «Último». Na Escatologia, é o «éschaton» (Cristo) que ilumina as «éschata» (realidades últimas).

É para as «coisas últimas» que somos chamados e é pelo «Último» que somos conduzidos. Quando dizemos que o Cristianismo é, por natureza, escatológico, queremos vincar que somos convidados para habitar um mundo para lá deste modo e para viver num tempo para lá deste tempo.

 

  1. Daí que o fim deva ser visto não como destruição, mas como finalidade. É para o fim (como repetia Gandhi) que nós somos chamados. Isto nada tem de assustador. Isto tem tudo de motivador. Quando professamos que Cristo é o Alfa e o Ómega (cf. Ap 1, 8), afirmamos que Ele é o Primeiro e o Último. Assumimos que tudo foi feito por Ele e que tudo caminha para Ele.

Nesta época de vistas curtas e olhares embaciados, é vital que nos deixemos guiar por Cristo. É Ele que abre o que permanece fechado e que rasga o que mantemos entupido. Tudo é, pois, Novo com o Noivo. Vamos faltar às «núpcias» que Ele vem celebrar connosco?

 

D. Colheremos conforme semearmos

 

  1. A Igreja não quer deixar-nos na ignorância acerca do nosso fim. São Paulo, como ouvimos na Segunda Leitura, torna muito claro o que, à partida, nos parece mais obscuro. O que ele nos garante pode resumir-se nisto: quem com Cristo vive no tempo, em Cristo viverá na eternidade. O Último é como que o desabrochamento do que vivemos até ao penúltimo. Colheremos conforme semearmos.

Tal como ressuscitou Jesus, Deus também levará com Jesus os que tiverem morrido em união com Jesus (cf. 1Tes 4, 14). Por conseguinte, não há que ter medo. Deus é mais forte que a própria morte. Nem a morte mata quem vive em Cristo. Viver tem de ser, portanto, «cristoviver». Se «cristovivermos», «cristosobreviveremos», isto é, viveremos para sempre em Cristo.

 

  1. Cristo, que está sempre connosco, há-de vir para concluir a história humana. Ele veio (há muito tempo) e há-de vir (no fim dos tempos). A Parusia há-de ser, pois, fonte de esperança e de alegria. A última vinda de Cristo é a consumação da nossa terrena peregrinação. Quem estiver com Cristo encontrará a salvação (cf. 1Tes 4, 14).

Daí a importância da vigilância. A vigilância, vista com virtude escatológica, ajuda-nos a estar preparados para toda e qualquer vinda do Senhor. A preparação é como que uma acção antes da própria acção. Assim, sempre que Cristo vier, encontrar-nos-á atentos, vigilantes, em missão. A missão é a melhor preparação. Levar Cristo aos outros e trazer os outros para Cristo são as formas mais adequadas de prepararmos a Sua vinda. Levar Cristo e trazer para Cristo significa torná-Lo presente e vincar a urgência da Sua presença.

 

E. Não nos amedrontemos com o fim

 

  1. O Evangelho compara a vinda definitiva de Cristo a uma grande festa, à festa nupcial. O noivo que está para chegar é Cristo. As dez jovens representam a Igreja que, por entre consolações e perseguições, anseia pela Sua chegada. Acontece que, dentro da Igreja, há ainda quem não esteja atento nem preparado, apostando tudo neste mundo.

Não podemos afrouxar a vigilância nem enfraquecer o nosso compromisso. Cuidado, pois, com o comodismo, o adormecimento e o desleixo. É preciso renovar, em cada dia, o nosso compromisso com Cristo. A certeza de que Ele há-de vir é um estímulo para prosseguir.

 

  1. Não nos amedrontemos com o fim. É nele que acontece o grande festim. Para esse festim somos chamados. Para esse definitivo encontro estamos convidados. Nunca esqueçamos isto e sigamos sempre os passos de Jesus Cristo.

Até a morte Ele venceu. Por nós a Sua vida Ele deu. Na Sua morte, as portas da eternidade foram-nos abertas. Por isso, as razões da nossa esperança não são incertas. Nós somos portadores da mais bela certeza. Deus quer-nos ao Seu lado, à Sua mesa. No tempo e na eternidade, o nosso destino é (sempre) a felicidade!

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Hoje, 12 de Novembro (32º Domingo do Tempo Comum e 26º aniversário do massacre de Santa Cruz, em Díli), é dia de S. Josafat de Kuncevicz, S. Teodoro Studita e S. Cristiano e companheiros calmadulenses.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Hoje, 11 de Novembro, é dia de S. Martinho de Tours e de S. Menas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

Hoje, 10 de Novembro, é dia de S. Leão Magno, Sto. André Avelino e Sta. Natalena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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