O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 15 de Outubro de 2017

Hoje, 15 de Outubro (28º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Teresa de Jesus e Sto. Eutímio, o Jovem.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 14 de Outubro de 2017

Hoje, 14 de Outubro, é dia de S. Calisto, Sta. Madalena Panattieri e S. João Ogilvie.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

Hoje, 13 de Outubro, é dia de Sto. Eduardo III, S. Fausto e Bem-Aventurada Alexandrina Maria da Costa.

Um santo e abençoado dia para todos.

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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

Hoje, 12 de Outubro, é dia de Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora de Aparecida, S. Serafim de Montegranaro, S. Vilfrido e S. João Beyzym.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2017

O sono não é um tempo perdido.

Até a dormir podemos estar a produzir, a pensar e (quem sabe?) a ler.

Jean Cocteau dizia que «os sonhos são a literatura do sono».

O importante é que não deixemos de sonhar quando acordamos.

Há um importante «livro» que aguarda pela sua «composição»: o «livro da vida».

Este «livro» é composto de realidades sonhadas e de sonhos realizados.

Quando haverá um Nobel para o incomparável Livro da Vida?

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Hoje, 11 de Outubro, é dia de Sta. Soledade Torres, Sto. Alexandre Sáuli e S. João XXIII, o Papa Bom.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 10 de Outubro de 2017

 

  1. Parece que, hoje em dia, somos todos «ex-alguma coisa».

Basta abrir um jornal, folhear uma revista, ligar a televisão ou passear os olhos pelas redes sociais.

 

  1. Não é preciso muito para coleccionar um cardápio de funções ou estados de vida antecedidos do (omnipresente) prefixo «ex».

A toda a hora, vemos listados «ex-ministros», «ex-vereadores», «ex-directores», «ex-dirigentes», «ex-conselheiros», «ex-colaboradores», «ex-professores», «ex-colegas», «ex-manequins», «ex-futebolistas», «ex-treinadores», «ex-campeões», «ex-padres», «ex-maridos», «ex-companheiros», «ex-namorados» etc., etc.

 

  1. Pouco faltará para que o nosso Presidente seja tratado como «ex-comentador»!

Chegaremos, alguma vez, ao absurdo de descrever os mortos como «ex-vivos»?

 

  1. Sem nos apercebermos, identificam-nos mais pelo que fomos do que pelo que somos.

Daí que, à medida que os anos correm, não falte quem tenha o seu nome precedido de vários «ex». É uma forma de dar relevo o que se foi. Mas, ao mesmo tempo, não será um modo de obscurecer o que se é?

 

  1. Ao contrário do que pensamos, vivemos muito amarrados ao passado.

É como se, a páginas tantas do «livro» da vida, ninguém olhasse pelas janelas do presente nem cuidasse de abrir as portas do futuro.

 

  1. Num tempo em que nos declaramos comprometidos com o que há-de vir, espanta que, afinal, nos mostremos tão enquistados no que já aconteceu.

Não raramente, o que se deixou acaba por ter um impacto superior ao que se vai encontrando.

 

  1. Até as relações mais estáveis estão a ser asfixiadas por uma crescente instabilidade.

Apesar de não haver muitas referências a «ex-amigos», abundam expressões que verbalizam a efemeridade de algumas amizades.

 

  1. Quem já não se lastimou por causa dos «amigos da onça» ou «de Peniche»? E que pensar da «remoção» de amigos no «facebook»?

Na era da velocidade, como é vertiginosa a passagem de amigo para «ex-amigo»!

 

  1. Com «ex-aluno» é diferente. Aliás, nem deveríamos usar «ex» antes de «aluno».

As aulas podem ter terminado, mas a aprendizagem nunca há-de cessar. Ser aluno — notou Xavier Zubiri — «pertence ao que não passa».

 

  1. O que jamais ouviremos é falar de «ex-pais», «ex-mães», «ex-filhos», «ex-irmãos».

Não obstante os sobressaltos que possa haver, estes são laços eternos, a valer. Nem a morte apaga aquilo que na vida se apega. Pai, mãe, filhos e irmãos nunca são «ex». Estão sempre «in». Estão sempre dentro. Sempre no mais fundo de nós!

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Hoje, 10 de Outubro, é dia de S. Daniel e seus Companheiros Mártires, S. Daniel Comboni, S. Miguel Píni e S. Tomás de Vilanova.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Segunda-feira, 09 de Outubro de 2017

Hoje, 09 de Outubro, é dia de Sto. Abraão, S. João Leonardo, S. Dionísio Areopagita, S. Luís Beltrão, Sto. António Prazzini e Sto. Inocêncio Camauro.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Domingo, 08 de Outubro de 2017

Nada é impossível para Ti.

Tudo é possível conTigo, Senhor.

 

Hoje em dia, precisamos de acreditar,

de não desistir

e de sempre caminhar.

 

Obrigado, Senhor, pelo estímulo

e pelo constante apoio.

 

O caminho é difícil, mas não é inviável.

Ele pode ser trilhado.

E, como aos discípulos de Emaús,

também hoje nos acompanhas.

 

És o nosso companheiro,

o que partilha a nossa vida.

 

Tu queres, Senhor, que saibamos os mandamentos.

Mas não chega.

 

Mais importante que saber é fazer.

Saber é necessário, mas fazer é decisivo.

 

Às vezes, falta-nos apenas uma coisa.

Mas essa coisa pode ser a mais importante.

 

É preciso dar aos pobres,

repartir com os pobres.

 

Como são actuais estas palavras.

Como é pertinente este apelo.

Como é urgente esta prioridade.

 

É aqui que está a sabedoria.

A sabedoria não está apenas no conhecimento.

A sabedoria está sobretudo no amor.

O amor é mais sábio que a sabedoria.

 

Essa sabedoria está na Tua Palavra

e no Teu Pão.

 

Obrigado, Senhor, por seres a Mesa

e o Pão.

 

Obrigado, Senhor, por nos dares tudo em abundância.

Obrigado por tanto. Obrigado por tudo.

 

Que nós saibamos repartir.

Aumenta a nossa solidariedade

e faz crescer o nosso amor!

publicado por Theosfera às 08:44

A. Não faltou quem agredisse Jesus

 

  1. Todos nós conhecemos — e tememos — o «bullying». O ano lectivo, que ainda há pouco começou, já traz muita gente preocupada com ele. Como é sabido, o «bullying» é uma forma deliberada de violência que se repete ao longo do tempo com o objectivo de afirmar o poder do agressor sobre a vítima.

Há, portanto, aqui três ingredientes explosivos: o poder, a conquista do poder contra os outros e a conquista do poder através da violência. Sintetizando ainda mais, dir-se-ia que o «bullying» significa três coisas, três coisas muito negativas: dominar, humilhar e agredir.

 

  1. Acresce que a violência pode não ser física ou pode não ser apenas física. A violência pode igualmente envolver ameaças, humilhações, ofensas e calúnias. E todos nós sabemos que a dor que mais dói não é a dor física. A dor da alma não dói menos nem mói menos.

Entretanto e se pensarmos bem, verificaremos que o «bullying» não é de agora. Afinal, o Filho de Deus também esteve submetido a um permanente assédio do «bullying». Ainda criança e já recebia ameaças, tendo de fugir para o Egipto (cf. Mt, 2, 1-12). E que foi a Sua vida pública senão uma contínua exposição a toda a sorte de «bullying»? Nunca Lhe faltaram adversários e inimigos. Não faltou sequer quem O atacasse fisicamente (cf. Jo 18, 22), agredisse verbalmente e desgastasse moralmente (cf. Mt 11, 19).

 

B. A rejeição que dói — e que mói — é a dos que estão perto

 

  1. O texto do Evangelho que acabamos de ouvir é uma parábola que sinaliza o constante «bullying» a que Jesus esteve sujeito. Ele é o Filho que o proprietário envia à vinha depois de previamente ter mandado criados. Estes criados são os profetas que Deus enviou e que foram sucessivamente rejeitados. O mesmo iria acontecer ao próprio Filho, que também foi eliminado (cf. Mt 21, 38).

Toda a vida de Jesus foi um cruzamento entre aceitação e rejeição. O mais curioso — e mais doloroso — é verificar que a rejeição não veio de fora, mas de dentro.

 

  1. Os agricultores que matam o filho são a figura dos fariseus, dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. Ou seja, são a figura daqueles que sempre hostilizaram Jesus: os do Seu tempo, os do Seu povo. Como diz o quarto Evangelho, Jesus «veio para o que era Seu e os Seus não O receberam» (Jo 1, 11).

De facto, a rejeição que magoa não é tanto a que vem dos que estão longe; é especialmente a que vem dos que estão perto. E rejeitar é também um modo de eliminar. Na verdade, não se morre só quando a morte chega. A morte também vai chegando com a rejeição.

 

C. Tanto de Deus para nós, tão pouco de nós para Deus

 

  1. A rejeição não afecta apenas o homem em relação ao homem. Também afecta o homem na sua relação com Deus. Não falta, na verdade, quem insista em afastar Deus da vida e em afastar a vida de Deus. O problema é que, ao cortar com Deus, o homem não fica só sem Deus; arrisca-se a ficar também sem mundo e sem…ele mesmo. E, nesse caso, como escreveu Xavier Zubiri, «é a solidão absoluta».

Já o Antigo Testamento mostrava como Deus esperava muito do Seu povo, que Ele trata como sendo a Sua vinha: «A vinha do Senhor (…) é a Casa de Israel» (Is 5, 7). É uma vinha que Deus trata com enlevo e com desvelo: «Que mais se podia fazer à Minha vinha que Eu não lhe tivesse feito?» (Is 5, 4). Tanta amava Deus a Sua vinha, tanto esperava Deus da Sua vinha e tão pouco ofereceu a Sua vinha a Deus: «Quando Eu esperava que viesse a dar uvas, porque deu ela só uvas azedas?» (Is 5, 4)! Aliás, este é um sentimento que nós entendemos bem. Tanto trabalho dá a vinha ao viticultor e tão pouco proveito parece tirar o viticultor da vinha!

 

  1. De Israel Deus esperava «a rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror» (Is 5, 7). Sem Deus, o povo não acerta no seu caminho. Daí que o povo clame para que Deus reconsidere, como escutámos no Salmo Responsorial: «Deus do universo, vinde de novo, olhai dos Céus e vede, visitai esta vinha» (Sal 79, 15).

Os profetas continuaram a vir. O próprio Filho de Deus visitou o Seu povo. E, não obstante, a rejeição manteve-se. Ao longo destes vinte séculos, a rejeição de Jesus Cristo não ocorre apenas lá fora; também ocorre cá dentro. Aliás, Jesus, perante alguma animosidade em Nazaré, disse que «um profeta é desprezado na sua terra, entre os seus familiares e em sua casa» (Mc 6, 4).

 

D. De fora, as interpelações; de dentro, os obstáculos

 

  1. Nós, Igreja, somos, hoje, a Sua terra, a Sua família e a Sua casa. E, como há dois mil anos, é entre os Seus que sobrevém a traição (cf. Mt 26, 15-27, 3). Do exterior vêm as interpelações. Mas, frequentemente, é do interior que advêm os maiores obstáculos. Muito antes de se tornar Papa, Bento XVI reconhecia que a Igreja, em vez de ser «a medida e o lugar do anúncio, pode apresentar-se quase como o seu impedimento». É por isso que, não raramente, quando se diz Igreja, muitos pensam num sistema que afasta de Deus e não num povo que caminha para Deus.

Impõe-se, por conseguinte, retornar à génese da Igreja, isto é, a Deus e ao Povo: ao Deus do Povo e ao Povo de Deus. A Igreja é a proposta amorosa de Deus ao Povo. E há-de ser a resposta amorosa do Povo a Deus. É neste sentido que a Igreja é amada por Deus e querida pelo Povo.

 

  1. A tragédia de Israel foi a rejeição de Cristo. Mas Aquele que é rejeitado pelos homens acaba por ser aprovado por Deus (cf. Act 4, 10): «A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular» (Mt 21, 43; Sal 118, 22). Trata-se da pedra angular de uma nova construção, de uma nova vinha, de um novo povo. Trata-se da pedra angular da Igreja, formada por judeus e não judeus, sem privilégios nem exclusões. É este povo que há-de dar frutos (cf. Mt 21, 43), ou seja, que há-de levar Cristo a toda a parte e anunciá-Lo a toda a gente (cf. Mt 28, 16-20).

Este povo está destinado a quebrar as fronteiras entre todos os povos. É neste espírito que São Paulo diz aos cristãos para aceitarem «tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor» (Fil 4, 8). Venha donde vier, tudo o que é bom vem sempre de Deus. Numa altura em que praticamente deixou de haver fronteiras entre os povos, porque é que hão-de crescer as barreiras entre as pessoas?

 

E. Deus está no alto, mas quer ser encontrado em baixo

 

  1. Joaquim Alves Correia, homem de coração forte e vistas largas, convidava-nos a olhar precisamente para a «largueza do Reino de Deus». Quebremos, então, todas as barreiras. Não humilhemos mais os humildes nem empobreçamos mais os pobres. Tenhamos presente que muita gente sai porque nós afastamos. Não ignoremos que muita gente não quer entrar porque nós não cativamos. E nunca percamos de vista que Jesus não está só no templo; também está no tempo.

Jesus está em todos, especialmente nos mais pequenos. Ele o assumiu: «Tudo o que fizerdes ao mais pequeno dos Meus irmãos, é a Mim que o fazeis» (Mt 25, 40).

 

  1. Deus está nas alturas, mas Jesus ensina-nos que, para encontrar Deus, o primeiro passo não é olhar para cima; é olhar para baixo, para o fundo. O Reino de Deus é como a semente lançada à terra (cf. Mc 4, 26).

Como avisava S. Francisco Xavier, «para Deus sobe-se descendo». É na terra — é em cada pessoa que habita na terra — que encontraremos Deus. Nunca nos desencontremos d’Ele. E nunca contribuamos para que alguém deixe de se reencontrar com Ele. Nunca nos esqueçamos disto: levemos Cristo a todos e encaminhemos todos para Cristo!

publicado por Theosfera às 05:59

Hoje, 08 de Outubro (27º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Pelágia, Sta. Taís e Sto. Artoldo.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sábado, 07 de Outubro de 2017

Hoje, 07 de Outubro, é dia de Nossa Senhora do Rosário e S. Marcos, Papa.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Sexta-feira, 06 de Outubro de 2017

Andamos sempre a suspirar pela harmonia e a lidar continuamente com a desarmonia.

É um dos paradoxos estruturantes da nossa vida.

William Golding achava que «existe uma desarmonia nas nossas naturezas».

É por isso que, segundo ele, «não podemos viver juntos sem nos ferirmos uns aos outros».

E, de facto, há quem abuse. Há quem não saiba senão ferir.

Mas, em compensação, também há quem se esmere em (ajudar a) curar todas as feridas!

publicado por Theosfera às 10:11

Hoje, 06 de Outubro, é dia de S. Bruno, Sta. Maria Francisca das Cinco Chagas, S. Diogo de San Vítores, Sta. Maria Ana Mógas de Funtcuberta, Sta. Fé e S. Francisco Gárate.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 05 de Outubro de 2017

Hoje, 05 de Outubro, é dia de S. Plácido, Sta. Flor, S. Raimundo de Cápua, S. Bartolomeu Longo, Sta. Faustina, S. Francisco Xavier Seelos e St. Alberto Marvelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 04 de Outubro de 2017

A liberdade não pode dispensar o bom senso.

O bom senso é a moldura que enriquece (e entifica) a liberdade.

É normal que os povos tenham aspirado à independência.

Num tempo em que quase tudo se decidia dentro, a independência era um trunfo.

Mas numa época (a nossa), em que praticamente tudo se decide fora, que resultados práticos terá a independência?

Num mundo cada vez mais interdependente, a vida das pessoas não se decide apenas no seu território.

É por isso que o amor ao povo não se traduz somente em declarações de independência.

Traduz-se, acima de tudo, na melhoria das condições de vida dos seus cidadãos.

E isto passa pela abertura ao exterior.

Não se extreme o que, por agora, já está deveras extremado. Aposte-se no diálogo e no bom senso!

publicado por Theosfera às 09:49

Hoje, 04 de Outubro, é dia de S. Francisco de Assis, Sta. Calistena e Sto. Adaucto.

Retenhamos o conselho do «Poverello» e sejamos «simples, humildes e puros».

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:39

Terça-feira, 03 de Outubro de 2017

 

  1. Por vezes, dá a impressão de que nós, cristãos, estamos acomodados, quase em «modo de pausa».

Parece que só nos incomodamos quando nos inquietam, quando «mexem» connosco.

 

  1. Devíamos olhar um pouco mais para os políticos em campanha. Nota-se que algo os faz «mexer» e os faz querer «mexer» connosco.

De facto, quando algo — ou alguém — «mexe» connosco, nós não descansamos enquanto não «mexemos» com outros. Porque é que nós, cristãos, nos «mexemos» tão pouco?

 

  1. O que se passou nos últimos dias deve ajudar-nos a pensar, a reflectir e, porventura, a inflectir.

O que os políticos mais nos mostraram foi a importância de ir ao encontro das pessoas. Não basta ficar à espera delas; é fundamental ir à procura delas.

 

  1. E, justiça seja feita, nestes contactos os políticos não costumam usar de rodeios. Pelo contrário, vão logo directos ao que os traz.

Não hesitam em pedir o voto. Mostram que acreditam no que os move. E não têm qualquer receio em assumir que o seu projecto é o melhor.

 

  1. Recorrem a todos os meios disponíveis. Tanto convocam as pessoas para a rua como as visitam em casa. Nem as mais sozinhas são esquecidas.

Cumprimentam, sorriem, abraçam, partilham refeições. Apresentam medidas e escutam anseios.

 

  1. Não se dispensam de surgir nos jornais nem, como é óbvio, de recorrer às redes sociais.

Além de mobilizar, esforçam-se por seduzir. Daí que tanto façam desfilar argumentos como se insinuem com presentes.

 

  1. A resposta não vem de todos. Mas a proposta não deixa de chegar a todos.

O mais sintomático é que até alguns dos mais renitentes acabam por ser convencidos. E é assim que, não obstante a abstenção, muitos votos são conquistados.

 

  1. Dizem que os políticos só aparecem nesta altura. Mas aparecem.

E nós, cristãos, quando é que aparecemos na vida das pessoas?

 

  1. Os políticos aparecem porque algo «mexe» com eles e porque algo os dispõe a «mexer» com os outros. Não devia acontecer o mesmo connosco?

Não só em alguns dias, mas em cada dia, era bom que nos vissem sair para convidar outros a vir.

 

  1. Não temos presentes para dar. Mas temos o melhor presente para oferecer: Jesus.

Se Jesus «mexe» connosco, porque é que não havemos de nos «mexer» para atrair outros para Jesus?

publicado por Theosfera às 10:07

Segunda-feira, 02 de Outubro de 2017

Hoje, 02 de Outubro, é dia dos Stos. Anjos da Guarda, S. Tomás de Bereford e Sto. António Chevrier. Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 01 de Outubro de 2017

Obrigado, Senhor, por não nos deixares sós.

Obrigado por estares sempre connosco, sempre em nós.

 

A Tua presença é a nossa vida,

a cor dos nossos sonhos,

o horizonte do nosso olhar.

 

Tu és família,

uma família de amor formada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

 

Que todas as famílias vivam esse amor.

Que o amor de todas essas famílias seja alimentado pelo Teu amor.

 

Que os problemas não vençam as famílias.

Que as famílias possam vencer os problemas.

 

Mas sem Ti nada se consegue.

ConTigo tudo se obtém,

tudo se alcança.

 

As famílias são um pequeno mundo.

Que o mundo possa ser uma grande família.

 

Que estejamos todos unidos.

Que sejamos sempre amigos.

Que sejamos sempre irmãos.

 

Que as famílias não sejam fonte de sofrimento.

Que as famílias sejam espaço de paz,

tolerância, concórdia e amor.

 

Que sejamos como as crianças:

simples, humildes e puras.

 

Que saibamos acolher as crianças,

os mais simples e os mais pequenos.

 

Que as crises nos deixem mais fortes.

Que não vacilemos no amor.

 

A eternidade é amor.

O amor é eterno.

 

Que saibamos alimentar o amor

com a Tua palavra e o Teu pão.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

 

Mãe do amor formoso,

inspira os nossos corações,

lava o nosso espírito.

 

Faz projectar no mundo

a paz de Teu Filho,

a paz de JESUS!

publicado por Theosfera às 10:57

A. O prometido é devido, mas raramente é cumprido

 

  1. Prometer e não cumprir. Eis o que mais denunciamos e eis, ao mesmo tempo, o que mais fazemos. Quem de nós pode assegurar que cumpre tudo o que promete? É por isso, que quanto a promessas não cumpridas, «quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra» (Jo 8, 9).

É um facto que não são apenas os políticos, que tão apressadamente causticamos, a prometer o que não cumprem e a não cumprir o que prometem. Bismark achava que onde mais se mente tanto é antes das eleições, durante a guerra e depois da caça. Mas a experiência mostra que é praticamente em todos os momentos da vida que faltamos ao prometido. É praticamente em todos os momentos da vida que não fazemos o que dizemos ou fazemos o contrário do que dizemos. Enfim, o prometido até será devido, mas raramente é cumprido.

 

  1. Será que marido e esposa procuram cumprir as promessas que assumiram no dia do Matrimónio? Será que se esforçam por serem fiéis um ao outro, amando-se e respeitando-se «na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias [e não apenas alguns] da sua vida»? Será que os pais procuram educar os filhos na fé cristã e na observância dos Mandamentos, como prometeram no dia do Baptismo? E será que, na sequência da referida promessa, procuramos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos?

Será que santificamos o Domingo e os dias santos participando na Eucaristia? Será que honramos devidamente o nosso pai e a nossa mãe? Será que não alimentamos falsos testemunhos? Será que procuramos ser castos nas palavras e nas obras, nos pensamentos e nos desejos? Será que respeitamos aquilo que não é nosso?

 

B. Ninguém é excluído, todos são mobilizados

 

  1. E será que nós, sacerdotes, procuramos — como prometemos — exercer, «digna e sabiamente, o ministério da Palavra, na pregação do Evangelho e na exposição da fé católica»? Será que nós, sacerdotes, procuramos — como prometemos — «celebrar com fé e piedade os mistérios de Cristo (…) principalmente no sacrifício da Eucaristia e no sacramento da Reconciliação»? Será que, como nos foi mandado na ordenação diaconal, «acreditamos no que lemos, ensinamos o que cremos e vivemos o que ensinamos»?

Ninguém está, portanto, em posição de apontar o dedo a alguém. Faltar à palavra dada e à promessa feita não é um exclusivo de alguns, é uma falha de todos. Nossa também.

 

  1. É para toda esta situação que somos alertados, neste Domingo, num cenário que nos é bastante familiar. Se há significante que conhecemos bem é a vinha. É na vinha onde muitos trabalham não só agora, mas também agora, sobretudo agora. A vinha na Bíblia é um significante com um poderoso significado. Ela simboliza o Reino de Deus na terra, tipificado no Antigo Testamento pelo povo de Israel e no Novo Testamento pela Igreja, novo Israel.

Para o trabalho desta vinha ninguém é excluído, todos são mobilizados: os que estão fora e os que estão dentro. Há oito dias, falava-se de um proprietário que saiu para convidar trabalhadores para a vinha. Hoje, fala-se de um homem que manda sair os seus próprios filhos para a vinha. Aos de fora faz-se um convite para entrar na vinha, aos de dentro faz-se um apelo para sair para a vinha.

 

C. Nem tudo se resolve com palavras

 

  1. Os que estão dentro têm de sair, para que os que têm estado fora possam entrar. O ponto de encontro é a «vinha do Senhor», isto é, a Igreja que se encontra ao serviço da humanidade. O trabalho é para todos, o trabalho é para sempre e — pormenor nada despiciendo — o trabalho é para começar hoje.

Note-se, a este propósito, a fórmula que o pai usa: «Filho, vai hoje trabalhar para a vinha» (Mt 21, 28). Este hoje não é apenas um dia com 24 horas. Este hoje aponta para o tempo inteiro da nossa vida. Envolve, portanto, todos os hojes e cada hoje: o hoje deste dia também. É caso para dizer: «Não adies para amanhã a missão que podes — e deves — realizar hoje». É que a missão, além de necessária, é urgente.

 

  1. Estes dois filhos corporizam duas atitudes distintas diante da urgência da missão. Um recusa a missão com os lábios, mas aceita a missão com a vida (cf. Mt 21, 29). O outro aceita a missão com os lábios, mas recusa a missão com a vida (cf. Mt 21, 30). Ou seja, promete, mas não cumpre.

Isto significa que quem faz a vontade de Deus não é quem fala, é quem faz. Não é mal falar. Mal é falar sem fazer, é fazer o contrário do que se diz. Daí a advertência do Mestre em relação aos que assim procedem: «Fazei o que eles dizem, mas não o que eles fazem» (Mt 23, 3). Logo no Sermão da Montanha, Jesus tornara tudo muito claro: «Nem todo aquele que Me diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos Céus, mas somente aquele que faz a vontade do Meu Pai que está nos Céus» (Mt 7, 21).

 

D. Até os que estão atrás são puxados para a frente

 

  1. O discurso dos lábios conta pouco se não é acompanhado pelo discurso da vida. Só vale a pena quando se diz o que se faz e se faz o que se diz. Santo António, que estava saturado de retórica vazia, gritou: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios». Para o Padre Giuseppe de Luca, «a melhor maneira de dizer as coisas é fazê-las». É que, como observou Abraham Lincoln, as «acções falam mais alto que as palavras». Não admira, pois, que São João nos exorte a que não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade (cf. 1Jo 3, 18).

Apesar de tudo, Jesus não exclui ninguém, nem sequer aqueles que se auto-excluem. Aquele filho que disse que ia trabalhar na vinha, mas depois não foi, é imagem dos sumos sacerdotes e dos anciãos, que mostravam muitas palavras, mas poucas acções. Jesus não diz que eles estão excluídos do Reino do Deus. Diz, sim, que os publicanos e as mulheres de má vida irão à frente deles (cf. Mt 21, 31). E vão à frente deles não por continuarem com a sua má vida, mas precisamente por estarem dispostos a deixar a sua vida má. Ir para a vinha significa entrar na vida, numa nova vida.

 

  1. O mal de muitos é achar que não é preciso mudar. É achar que mudar é para os outros. Hoje como ontem, não falta quem pense que até Deus está errado. Que está errado por ser misericordioso, por dar uma oportunidade ao pecador que «se afaste do mal» (Ez 18, 27).

Hoje como ontem, não falta quem considere a misericórdia um sinal de fraqueza. E, no entanto, como reconhecíamos há momentos na Oração Colecta, a maior prova do poder de Deus está quando Ele perdoa e Se compadece. Não espanta, pois, que o salmista suplique: «Lembrai-Vos, Senhor, das Vossas misericórdias» (Sal 24, 6). E Deus lembra-Se. Deus lembra-Se até quando nós nos esquecemos, até quando nós O esquecemos.

 

E. Precisamos de vitamina C, de «vitamina Cristo»

 

  1. Como explica São Paulo, Cristo Jesus, pelo caminho da humildade, vem ao encontro do homem sem deixar de ser divino (cf. Fil 2, 6-8. Pelo mesmo caminho da humildade, o homem é chamado a ir ao encontro de Deus sem deixar de ser humano.

Deus não nos desumaniza. Pelo contrário, é Deus quem mais nos humaniza e fraterniza. É Deus quem mais faz de nós humanos e fraternos. Em Cristo, Deus venceu as distâncias que nos separavam. É a humildade que nos aproxima de Deus. E é a humildade que nos aproxima uns dos outros, sem preconceitos nem censuras.

 

  1. Procuremos, então, ter «os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus» (Fil 2, 5), que era «manso e humilde» (Mt 11, 29). Desse modo, ficaremos unidos e nada faremos por rivalidade nem por vanglória (cf. Fil 2, 3). Nada faremos a pensar nos nossos interesses e tudo faremos a pensar nos interesses dos outros (cf. Fil 2, 4).

No fundo, o nosso maior adversário pode estar dentro de nós. O egoísmo é uma doença que cega, uma doença que tolhe, uma doença que pode matar. Só venceremos o egoísmo com muitas doses de vitamina C, de «vitamina Cristo». É Cristo que nos ensina a olhar para os outros como eles são. Cristo também está neles. Em Cristo, todos estaremos unidos a todos!

publicado por Theosfera às 05:23

Hoje, 01 de Outubro (26º Domingo do Tempo Comum, início do mês do Rosário e das Missões), é dia de Sta. Teresa do Menino Jesus e da Santa Face e S. Bavão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:17

Sábado, 30 de Setembro de 2017

Hoje, 30 de Setembro, é dia de S. Sofrónio Aurélio Jerónimo, S. Conrado d'Ulbach, S. Frederico Albert e das mártires Sta. Sofia, Sta. Fé, Sta. Esperança e Sta. Caridade. Refira-se que faz também 120 anos de faleceu Sta. Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

 

 É sempre de enaltecer a disponibilidade para servir.

A dois dias de mais um acto eleitoral, cabe-nos mostrar reconhecimento a quem está disponível para o serviço no poder local.

Tenho passado por muitos candidatos e apoiantes.

Agradeço a cordialidade com que me tratam.

Sinto que predomina uma atmosfera de cortesia e até de salutar descompressão.

É provável que nem todos encontrem razões para festejar.

Mas, quando tantos querem servir, ninguém sai a perder.

Tanta disponibilidade é já uma vitória: uma vitória colectiva e, portanto, fraterna e cidadã.

Aproximando-nos da hora de escolher, creio já ser possível agradecer.

Todos os candidatos são credores da nossa gratidão.

Uns serão escolhidos, mas importante é que não haja excluídos.

Que as nossas opções contribuam para o bem-estar das nossas populações!

publicado por Theosfera às 13:56

Apesar da sua continuidade territorial, a Península Ibérica nunca formou uma unidade nacional.


Essa foi a ambição de Castela. Mas a sua pretensão hegemónica deparou sempre com resistências.


Na frente ocidental, ergueu-se há séculos um «obstáculo» chamado Portugal.


Desde o século XVII, a «questão portuguesa» ficou fechada. Mas há «feridas» que continuam abertas.

 

As Vascongadas nunca se conformaram e, agora, é a Catalunha que se levanta.


 Não sei como é que tudo isto vai terminar. Mas não é fácil antever momentos difíceis, de apurada complexidade.


No tempo da globalização, pode parecer estranha esta pulsão nacionalista.


 Mas a experiência mostra que a consciência global coexiste com o fervor nacional. Daí até a expressão «glocal» para caracterizar a cultura do nosso tempo.


 Nenhum país nasceu de forma totalmente pacífica. Espero que o bom senso prevaleça. E desejo que quem está perto no espaço não se torne distante no afecto.


Se somos vizinhos, porque é que não havemos de ser irmãos?

publicado por Theosfera às 11:20

Além do Dia Mundial do Coração, hoje é também o Dia Internacional da Retina.

Há que cuidar da visão. Embora só veja bem com o coração (como notou Saint-Exupéry), o olhar de fora ajuda bastante a ver bem por dentro!

publicado por Theosfera às 11:06

A honra é o ingrediente fundamental da vida.

Há, pois, que cuidar da honra de cada um e que respeitar a honra dos outros.

Cervantes foi ao ponto de sentenciar que «um homem sem honra é pior que um homem morto».

Sem honra, qualquer homem morre ainda que (biologicamente) esteja vivo.

Por conseguinte, nunca atentemos contra a honra de ninguém!

publicado por Theosfera às 11:01

Hoje, 29 de Setembro, é dia de S. Miguel, S. Gabriel, S. Rafael e S. Nicolau de Forca Palena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

Hoje, 28 de Setembro, é dia de S. Venceslau, S. Lourenço Ruiz, S. Lourenço de Ripafarta e S. Simão de Rojas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:17

Quarta-feira, 27 de Setembro de 2017

Hoje, 27 de Setembro (Dia Mundial do Turismo), é dia de S. Vicente de Paulo, Sto. Adulfo e S. João (mártires) e S. Dermot O´Hurghen e seus Companheiros Mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:44

Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Hoje, 26 de Setembro, é dia de S. Cosme, S. Damião, Sto. Eleázar, Sta, Delfina, S. Cipriano, Sta. Justina, Sta. Maria Vitória Teresa Courdec e S. Gaspar Stangassinger.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:41

Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

Hoje, 25 de Setembro, é dia de S. Firmino, Sto. Hermano, S. João Baptista Mazzuconi e Sta. Josefa Vaal.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:38

Domingo, 24 de Setembro de 2017

Obrigado, Senhor, pela Tua presença,

pela Tua Palavra

e pelo Teu Pão.

 

Obrigado por estares nos mais pequenos

e por nos convidares à simplicidade.

 

É na humildade dos simples

que nos esperas e interpelas.

 

Que nós sejamos como as crianças.

Que, como as crianças,

tenhamos um coração puro e manso.

 

Senhor, que nunca percamos a mansidão.

Que saibamos dar as mãos

e oferecer o nosso coração.

 

Com a Tua e nossa Mãe,

queremos aprender a caminhar

e a louvar-Te por quanto nos dás.

 

Que a nossa vida seja uma resposta

à Tua proposta de amor

e ao Teu projecto de Paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:41

A. Longe de Jesus, nunca estaremos perto de Deus

  1. Afinal, que sabemos sobre Deus? Até saberemos muito do que o homem diz sobre Deus. Mas entre o que homem diz sobre Deus e o próprio vai uma grande distância. É importante não esquecer que, como alerta São João, só o Filho de Deus permite chegar ao conhecimento de Deus (cf. Jo 1, 18). Pelo que longe de Jesus, não estaremos nunca perto de Deus.

Longe de Jesus, colocamo-nos a nós como medida e erigimo-nos a nós como critério. Longe de Jesus, até poderemos pensar (ainda que não o digamos) que Deus nem sempre é justo. É que, embora nos queixemos da nossa justiça (apelidando-a de injusta), é com ela que olhamos para tudo e para todos. Até para Deus.

 

  1. Neste pedaço do Evangelho, tendemos a achar que, no Reino de Deus, não há muita justiça. Preceituando a nossa justiça «salário igual para trabalho igual», espanta-nos como é que Deus parece defender um salário igual para trabalho desigual. Como é possível que os últimos sejam os primeiros e que os primeiros sejam os últimos (cf. Mt 20, 16)? Como explicar que aqueles que trabalharam menos recebam tanto como aqueles que trabalharam mais e que, ainda por cima, sejam os primeiros a ser pagos?

Foi um denário que o dono da vinha ajustou com os trabalhadores da primeira hora. Como entender que os trabalhadores da última hora tenham também recebido essa quantia? Começar a trabalhar às cinco da tarde não é o mesmo que começar «muito cedo». Custa mais trabalhar mais. A mais trabalho não deveria corresponder mais dinheiro?

 

B. É preciso ir para que muitos possam vir

 

3. Curiosamente, a palavra «dinheiro» vem da palavra «denário» («denarius» em latim). O denário era uma moeda romana de prata que circulava no tempo de Jesus. Era, habitualmente, o salário de um dia de trabalho e o valor a pagar de oito quilos de pão.

É interessante notar que não foram os trabalhadores que se ofereceram para trabalhar. O dono da vinha é que veio chamar os trabalhadores. A iniciativa é dele, do dono da vinha. Deus é como o dono desta vinha que vem chamar trabalhadores. E vem por várias vezes. Não vem duas, vem três, não vem quatro vezes. Deus é como o dono desta vinha que vem por cinco vezes: manhã cedo, às nove horas, ao meio-dia, às três da tarde e pelas cinco horas. Deus é assim: insistente, perseverante.

 

  1. Na Igreja, não podemos ficar à espera de que as pessoas venham. Não podemos ficar à espera de que os pais venham oferecer os filhos para a vida sacerdotal ou para a vida religiosa. Não foi por acaso — nada é por acaso — que Jesus Se despediu de nós com o «ide por todo o mundo» (Mc 16, 15). O «ide» é o verbo da missão.

É preciso ir para que muitos possam vir. É preciso sair para que todos possam entrar. É preciso sair e não apenas uma vez. É preciso sair sempre. Uma Igreja que se aquieta não inquieta nem desperta. É urgente, pois, acordar do torpor em que, muitas vezes, nos deixamos arrastar. Nós não somos chamados a acomodar-nos ao mundo, mas a incomodar o mundo. Só ajudamos o mundo, incomodando quem está no mundo; não acomodando-nos a quem vive no mundo.

 

C. É com os últimos que Deus mais Se preocupa

 

5. O mais intrigante, para a nossa mentalidade mercantilista, é a hora do pagamento. Os primeiros a ser pagos foram os da última hora. É natural (não sobrenatural) que os da primeira hora pensassem que iriam receber mais. Só que este pagamento é imagem do dom. A hora do pagamento é imagem da «hora da graça».

No Reino de Deus, tudo é dádiva, tudo é dom. Os últimos são os primeiros porque é com os últimos que Deus mais Se preocupa. Não é com o pastor que deixa as 99 ovelhas que estão seguras, para ir ao encontro da ovelha perdida, que o Filho de Deus Se identifica (cf. Lc 15, 4-6). Os primeiros são os últimos porque já estão dentro. Os primeiros não são prejudicados quando os últimos são beneficiados. O que salta à vista é que Jesus trata os últimos como trata os primeiros. Jesus faz dos últimos (também) primeiros.

 

  1. Como bem explicitou São João Paulo II, o que singulariza a justiça de Deus é que dela também faz parte a misericórdia. Deus enche a justiça com a bondade. É por isso que Deus vai mais além da justiça. Deus dá a quem merece e não nega a quem não merece. Não terá chegado a hora de imitar a justiça de Deus?

Não exijamos que Deus seja como nós. Procuremos nós ser como Deus: magnânimos, bondosos, compassivos. É assim que seremos justos. É assim que não abandonaremos ninguém. É assim que os da «última hora» também terão a sua oportunidade.

 

D. Justiça é fazer o bem até àquele que faz o mal

 

7. Segundo Deus, a justiça não consiste em fazer o mal a quem fez o mal. Segundo Deus, a justiça consiste em fazer o bem até àquele que faz o mal. Por conseguinte, justo é aquele que até é capaz de ir mais além da justiça. A justiça segundo Deus não dá só o que é merecido. A justiça segundo Deus é capaz de dar até o que é imerecido.

Trata-se, pois, de uma justiça que pode chegar ao ponto de parecer injusta. A justiça divina, ao contrário do que pensamos, não é meramente proporcional. Ele não dá muito a quem faz muito e não dá pouco a quem faz pouco. Deus dá tudo a todos. Deus dá-Se todo a todos.

 

  1. É por isso que a justiça, além de ser conquistada como um direito, tem de ser pedida como um dom. Temos de pedir a Deus que nos dê um coração justo e uma vida justa. Mas esse não é o problema. Deus está sempre pronto para todas as dádivas, assim nós estejamos disponíveis para as receber.

Procuremos, então, o Senhor, como nos recomenda o profeta: «Procurai o Senhor» (Is 55, 6). Sabemos que «o Senhor está próximo de quantos O invocam» (Sal 144, 18). Ele está sempre próximo com a Sua presença e com a Sua justiça, já que «o Senhor é justo em todos os Seus caminhos» (Sal 144, 17).

 

E. Só atrai para Cristo quem procura viver como Cristo

 

9. Os primeiros cristãos não ambicionavam obter lucro para cada um, mas satisfazer as necessidades de todos. Importante não era que alguns acumulassem muito, mas que todos dispusessem do essencial. Num tempo em que muitos chamam seu ao que é comum, seria bom que cada um se dispusesse a considerar comum o que é seu.

Temos de perceber que o que nos pertence não nos pertence só a nós; pertence também aos outros. Se o conseguimos com o nosso trabalho, saibamos reparti-lo com o nosso amor. Afinal, Jesus sentenciou que «há mais felicidade em dar do que em receber» (Act 20, 35). A felicidade está mais na dádiva do que na posse. Somos felizes quando multiplicamos o que nos foi dado, dividindo-o pelos outros.

 

  1. Deus começa a vir desde muito cedo ao nosso encontro. Os vários momentos do dia simbolizam as várias etapas da vida. Em cada instante, Deus vem convidar-nos para a Sua vinha (cf. Mt 20, 7). Deus nunca começa a desistir e nunca desiste de começar. O doador é também o dom. É Deus que Se dá. E dá-Se por igual porque Deus não pode dar-Se menos que todo. Deus não Se parte quando Se reparte. Deus não encolhe quando escolhe dar-Se.

Só pela bondade viveremos de uma «maneira digna do Evangelho de Cristo», como nos pede S. Paulo na Segunda Leitura (cf. Fil 1, 27). E um cristão deve saber que, para ele, «viver é Cristo» (Fil 1, 21). Não sejamos rancorosos por Deus ser bom. Sejamos bons porque Deus é bom. Nunca esqueçamos isto: só atrai para Cristo quem procura viver como Cristo. Vivamos sempre como Cristo!

publicado por Theosfera às 05:07

Hoje, 24 de Setembro (25º Domingo do Tempo Comum), é dia de Nossa Senhora das Mercês, S. Constâncio, Sto. Andóquio, Sto. Tirso, S. Félix, Sta. Colomba Joana Gabriel e S. Vicente Maria Strambi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:39

Sábado, 23 de Setembro de 2017

Instado a distinguir a maneira de ser de duas pessoas, alguém fez a seguinte descrição; um pensa e depois age; o outro age e depois pensa.

Nenhum estaria totalmente errado. Mas é claro que o pensamento não pode vir só depois da acção.

É fundamental pensar antes, durante e depois de agir.

A própria acção é inspiradora para o pensamento, tal como o pensamento é inspirador para a acção.

Freud achava até que «o pensamento é o ensaio da acção».

O pensamento qualifica a acção. Dá-lhe densidade humana.

Não nos limitemos a reproduzir pensamentos.

Procuremos pensar, re-pensar e com-pensar.

Pensar com os outros também ajuda a melhor agir para os outros!

publicado por Theosfera às 12:12

Bela (e muito salutar) a diversidade.

Perigosa (e potencialmente letal) a animosidade.

A diversidade enriquece. A animosidade só empequenece.

Aprofundemos as diferenças. Mas não consintamos que elas nos separem. Nem permitamos que, com elas, nos agridamos.

Pode haver muitas razões para divergir. Nunca encontraremos nenhum motivo para romper.

Sejamos discordantes. Mas não deixemos de ser amigos!

publicado por Theosfera às 12:02

Hoje, 23 de Setembro, é dia de S. Lino, Sta. Tecla, S. Constâncio, S. Pio de Pietrelcina e Mártires Mexicanos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:40

Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

Hoje, 22 de Setembro, é dia de S. Félix IV, Sta. Catarina de Génova, S. Maurício e Sto. Exupério e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:42

Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Hoje, 21 de Setembro, é dia de S. Mateus e S. Castor.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:40

Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

Hoje, 20 de Setembro, é dia de Sto. André Kim Taegon, S. Paulo Chong Hassan e seus Companheiros mártires, Sto. Eustáquio e Sta. Teopista, e S. José María Yarres Pales.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:46

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

 

  1. No seu ministério episcopal, D. António Francisco dos Santos foi guiado por um lema explícito e norteado por um lema implícito.

Como é sabido, a divisa do Bispo do Porto era «in manus Tuas» (cf. Lc 23, 46), o mesmo, por exemplo, de D. Hélder Câmara, que ele muito admirava.

 

  1. Jesus entregara-Se totalmente nas mãos do Pai pela salvação da humanidade. D. António Francisco quis entregar-se inteiramente nas mãos de Deus ao serviço das pessoas.

 

  1. À semelhança de Jesus (cf. Jo 5, 17), também D. António Francisco não parou e (praticamente) não repousou.

Evocando Antero, dir-se-ia que só «na mão de Deus […] descansou, afinal, o seu coração».

 

  1. Era o efeito de um outro lema que, apesar de não escrito, esteve sempre inscrito na sua vida: «Omnia omnibus» (cf. 1Cor 9, 22).

Quem pode negar que D. António Francisco foi, até ao fim, «tudo para todos»?

 

  1. Foi pastor, foi confidente, foi sorriso, foi abraço, foi regaço.

Tudo isto — e muito mais — ele foi para os que o procuravam, para os que ele procurava, para os que estão dentro e também para os que se sentem fora. Mas que se mantinham dentro dele: na sua alma, na sua oração, no seu afecto e no seu (irreprimível) afago.

 

  1. É por isso que, não tendo sido «professor de Teologia», D. António Francisco conseguiu ser um eminente «professante da Teologia» (Xavier Zubiri).

As áreas da sua especialização eram a Filosofia e a Sociologia. Mas o campo da sua intervenção foi, genuinamente, a Teologia. Que ele não leccionava, mas professava.

 

  1. Acompanhando a Teologia como ciência, a sua prioridade era, inquestionavelmente, a Teologia como vivência.

Não deixou obras de Teologia publicada. Mas legou-nos uma luminosa obra de Teologia vivida.

 

  1. Nele, o «logos conceptual» estava profundamente radicado no «logos testemunhal», especialmente no «logos afectivo», no «logos cordial».

A «Teologia da Visitação» era a grande especialidade de D. António Francisco. As suas palavras convenciam e os seus gestos cativavam porque chegavam depressa ao coração.

 

  1. Daí que a sua morte tenha sido um belo retrato da sua bela vida.

Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós.

 

  1. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Não consigo dizer-lhe adeus porque o sinto cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 10:29

Hoje, 19 de Setembro, é dia de S. Januário, Sto. Afonso de Orozco, Sta. Emília Rodat e S. Francisco Maria de Comporosso.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:16

Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Hoje, 18 de Setembro, é dia de S. José de Cupertino e S. João Masías.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:40

Domingo, 17 de Setembro de 2017

Dois dias depois de ter estado no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Dois dias antes de estar no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Tu, Mãe, vieste buscar o Teu filho António Francisco.

Ouvimos o que ele de Ti disse na Cova da Iria. Preparávamo-nos para ouvir o que sobre Ti ele iria dizer, aqui, em Lamego. Mas foi nesse dia que o seu corpo desceu à terra, Quando a sua vida já tinha entrado no Céu.

À Tua beira, ele ficará a eternidade inteira. Porque é que não nos alegramos com esta passagem? Porque é que choramos com esta viagem?

Entrar na eternidade devia encher-nos de felicidade. Perdoa, Mãe, a nossa fragilidade. Mas somos humanos e gostamos de sentir a presença dos que amamos.

António Francisco era uma pessoa que amava a todos e por todos era amado. O seu coração não se cansou de amar. O seu coração «explodiu» com tanto amor.

Já não cabia na terra o seu amor. Por isso, vieste buscá-lo com tanto ardor.

Sentimos a sua falta. Mas sentiremos, ainda mais, a sua presença.

Não foi longa a sua vida, Mas é eterno o seu legado. Não deixemos que ele passe ao nosso lado.

Nestas horas, difícil é evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. Mas D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

A sua morte foi um belo retrato da sua bela vida. Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão.  Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

Obrigado, Mãe, por nos teres dado uma pessoa assim. Ajuda-nos a, como ele, sermos sinais do Teu amor sem fim.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

Nunca estará longe porque sempre soube ser próximo. Não lhe dizemos adeus porque o sentimos cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 15:41

Obrigado, Senhor,

pela largueza do Teu coração.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

há lugar para todos.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

não há preferidos nem preteridos.

 

Todos têm um lugar,

todos são tratados pelo nome,

todos são acolhidos com delicadeza e alegria.

 

Junto de Ti, Senhor,

é sempre festa,

é sempre alegria, contentamento e paz.

 

Porquê, então, Senhor,

a inveja e o ciúme,

o ressentimento e o rancor?

 

Porque é que queremos tudo para nós?

Porque é que fazemos da Igreja um clube onde só alguns parecem ter lugar?

 

Que o nosso coração seja como o Teu

e como o de Tua (e nossa) Mãe.

 

Que no nosso coração,

haja lugar para todos,

especialmente para os pobres e os que sofrem.

 

Que na nossa língua só haja amor,

que no nosso olhar só haja paz,

que na nossa alma só haja esperança.

 

Que aquilo que celebramos cá dentro, no templo,

possa ser vivido lá fora, no tempo.

 

Nós já sabemos que podemos contar conTigo

hoje, amanhã e sempre,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

A. Deus não quer a ofensa, mas também não aprova a vingança

 

  1. Neste mundo, não faltam «profissionais da ofensa». Também abundam «profissionais da vingança». O que escasseia são os «profissionais do perdão».

Há, de facto, quem não perdoe o mal e há até quem não perdoe o bem. Há mesmo quem perdoe menos o bem que se faz do que o mal que se pratica. Tão contaminados estamos pelo mistério da maldade que até o bem nos causa perplexidade.

 

  1. Deus não suporta o mal. Mas também não aprova a vingança, que, no fundo, só contribui para alastrar o mal. Algum mal é extinto pela vingança? Custa, sem dúvida, sofrer o mal. Mas fazer mal a quem nos faz mal apaga o mal que nos é feito? Como alerta a Primeira Leitura, Deus não aprova a vingança (cf. Eclo 28, 1). Para Ele, «o rancor e a ira são coisas detestáveis» (Eclo 27, 30).

Acresce que, como refere a Escritura, «o mau prejudica-se a si mesmo» (Eclo 27, 24). Não é necessário, pois, afundar no mal quem já está no mal. O que todos deveríamos fazer era ajudar quem está no mal a sair do mal. É por isso que já a sabedoria do Antigo Testamento nos exorta a perdoar ao próximo pelo mal que nos fez (cf. Eclo 28, 2).

 

B. Não podemos confundir vingança com justiça

 

3. Perdoar a quem faz o mal não é branquear o mal. Perdoar é, desde logo, não ficar dominado pelo mal que nos é feito. E é também contribuir para que quem faz o mal possa sair do mal que faz. Não é fácil, mas não podemos presumir que seja impossível. E mesmo se for impossível para nós, nunca é impossível para Deus. É neste sentido que devemos responder à maldade dos homens com a bondade de Deus.

Daí a pertinência do apelo de São Paulo: «Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos» (Rom 14, 8). Se pertencemos ao Senhor, é o Seu amor que nos deve possuir. Não é o nosso ressentimento que nos há-de nortear. Até podemos ter mil razões para a vingança. Mas não podemos invocar a aprovação de Deus para nos vingarmos.

 

  1. Não podemos confundir vingança com justiça. Para muitos, a justiça não passa de vingança. A justiça consiste em reparar o mal realizado urgindo a sua substituição pelo bem. Daí o carácter pedagógico de muitas penas, como é o caso do serviço cívico. Quem praticou algum mal à comunidade é instado, pela autoridade, a praticar o bem na mesma comunidade. Se o bem não é praticado por iniciativa própria, a autoridade impõe a sua prática.

Já a vingança é apenas devolver o mal a quem faz o mal. Isso pode satisfazer durante uns instantes. Mas não muda nada a longo prazo. Vingar-se do mal não atrai o bem. Vingar-se do mal não é bem. Vingar-se do mal é resignar-se a permanecer no mal.

 

C. O perdão é sobretudo para quem o não merece

 

5. É em todo este contexto que percebemos a insistência de Jesus para que perdoemos sempre e de forma ilimitada. O que Pedro pergunta a Jesus é se deve, ou não, perdoar sempre. E Jesus responde que não só deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada. De facto, ao dizer a Pedro que não deve perdoar «sete vezes, mas setenta vezes sete» (Mt 18, 22), Jesus não está a recomendar que se perdoe 490 vezes. Indo mais longe, o que Jesus quer não é que se perdoe muito, mas que se perdoe sempre e de forma ilimitada: se «sete vezes» quer dizer sempre, «setenta vezes sete» quer dizer sempre e ilimitadamente.

Para Jesus, o perdão é para todos, especialmente para quem o não merece. De facto, se alguém tem méritos, não necessita de ser perdoado. Pelo que o perdão é para quem o não merece. É claro que o perdão pode não ser pedido nem aceite. Mas, mesmo assim, tem de ser disponibilizado e oferecido.

 

  1. Enquanto discípulos de Jesus, somos também discípulos do Seu perdão. Ser cristão é, pois, o mesmo que ser «profissional do perdão», «esbanjador de perdão». Segundo o ensinamento de Jesus, a grandeza de uma pessoa está na sua disponibilidade para perdoar. Não é maior quem mais se vinga; maior é quem mais perdoa.

O credor de dez mil talentos (o equivalente, talvez, a 350 toneladas de ouro e a 400 milhões de dólares) perdoou ao seu devedor (cf. Mt 18, 23-27). Perdoou-lhe porque foi sensível à sua súplica e porque era generoso, magnânimo e misericordioso. No fundo, estamos perante uma eloquente imagem de Deus. Deus é Senhor porque dá, porque doa, porque «per-doa». Sucede que aquele que foi perdoado não perdoou uma pequena dívida (cf. Mt 18, 28-30). Com efeito, «cem denários» não correspondia a mais de 800 dólares. Tratava-se, portanto, de uma insignificância em comparação com a quantia que lhe foi perdoada.

 

D. Não é fácil — mas é sumamente belo — perdoar

 

7. Na vida, há quem seja assim. Há quem reclame o perdão de muito e há quem não seja capaz de perdoar nada. Acresce que, pelo desenvolvimento do texto do Evangelho, dá a impressão de que não terá o perdão de Deus quem não for capaz de perdoar ao seu próximo. «Não devias ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti? Então o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que lhe devia» (Mt 18, 32-33).

Sabemos que perdoar é difícil para o homem. E, olhando para a Bíblia, parece (insisto: «parece») que também não é fácil para Deus. Após o pecado original, Deus surge a «expulsar o homem do paraíso» (Gén 3, 23). Quando a corrupção corroeu a humanidade, decidiu «eliminar» o homem da terra (cf. Gén 6, 8). Na própria enunciação do Pai-Nosso, o apelo ao perdão contém uma ressalva: «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas» (Mt 6, 14-15).

 

  1. Parece que só há perdão de Deus se houver perdão da parte do homem. Se não houver perdão entre os homens, parece que não haverá perdão da parte de Deus. E a verdade é que foi preciso Jesus pedir a Deus que perdoasse a quem O ia matar: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 24).

Tendo, porém, em conta que Jesus é o rosto definitivo de Deus (cf. Jo 14, 9), então salta à vista que o Deus de Jesus (o nosso Deus) nunca devolve o mal; derrama sempre o bem. É por isso que propõe o amor aos amigos, mas sem excluir os inimigos. Ele fala de um Deus que «faz com que o sol se levante sobre bons e maus» (Mt 5, 45).

 

E. Aprendamos a perdoar com Deus

 

9. A esta luz, a entrega aos verdugos do servo que não perdoou (cf. Mt 18, 34) não é uma imagem de um Deus sem perdão. Não se trata de que Deus pague na mesma moeda e castigue quem não for capaz de perdoar. Olhemos para Deus como Ele é. Não é preciso muito para concluir que a vingança não faz parte maneira de ser de Deus. Se Deus é infinito, perdoa infinitamente. Aliás e como dizia Heinrich Heine, «é o trabalho d’Ele».

O que o Evangelho faz é usar imagens fortes (quase no limite da contradição) para sublinhar que o perdão é absolutamente necessário e urgente. É tão necessário e tão urgente o perdão que dele depende a construção de uma vida nova. Nada é novo sem perdão.

 

  1. Diante de tantos «profissionais da ofensa e da vingança», disponhamo-nos, então, a sermos «profissionais do perdão». Não deve haver coisa que custe tanto como perdoar. Mas não há nada tão belo como o perdão. É preciso aprender a perdoar com o Mestre do Perdão. Perdoar, como notou Isaac de l' Étoile no século XII, é próprio de Deus. Só com Deus aprenderemos a perdoar.

Ao contrário do que se diz, perdoar não é esquecer. Como é possível perdoar o que não lembramos? Acresce que esquecer — ou lembrar — não depende da nossa vontade; depende da nossa memória. Perdoar o que recordamos é que depende da nossa vontade, da nossa vontade em aprender com o perdão de Deus. Aprendamos, pois, a perdoar com Deus. Ele também está sempre a perdoar-nos, como filhos Seus. Não fiquemos na «lama» que nos queiram atirar. E nunca aceitemos que o «veneno» da vingança nos possa dominar. É pelo perdão que nos será aberta a porta da salvação!

publicado por Theosfera às 05:18

Hoje, 17 de Setembro (24º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Roberto Belarmino, Sta. Hildegarda, Sto. Alberto de Jerusalém e Impressão das Chagas de S. Francisco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:40

Sábado, 16 de Setembro de 2017

Hoje, 16 de Setembro, é dia de S. Cornélio e S. Cipriano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:44

Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

 

Hoje, 15 de Setembro, é dia de Nossa Senhora das Dores, S. Rolando e S. Paulo Manna.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

Hoje, 14 de Setembro, é dia da Exaltação da Sta. Cruz e de S. Materno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:07

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017

Hoje, 13 de Setembro, é dia de S. João Crisóstomo, Sto. Amado e Sta. Maria de Jesús López de Rivas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 09:37

Terça-feira, 12 de Setembro de 2017

Hoje, 12 de Setembro, é dia do Santíssimo Nome de Maria, Sto. Apolinário Franco, S. Tomás de Zumárraga e seus Companheiros mártires, Sta. Maria Vitória Forláni e Sta. Maria de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 10:43

 

  1. À hora em que menos se pensa (cf. Mt 24, 44), eis que vem a ordem para partir. 

Ninguém pensava que o senhor D. António Francisco dos Santos partisse tão cedo. Nós, em Lamego, até esperávamos que ele chegasse nesta quarta-feira.

 

  1. No passado sábado, tinha reunido uma multidão no Santuário de Fátima. 

Amanhã iria, com certeza, congregar muita gente no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Nestas horas, é difícil evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. 

Mas o senhor D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

 

  1. Recordo uma quadra (de António Aleixo) que ele nos mandou comentar no primeiro teste de Filosofia que nos deu, há 37 anos.

«Eu não tenho vistas largas/Nem grande sabedoria/Mas dão-me as horas amargas/Lições de Filosofia».

 

  1. Como é amarga esta hora! E que lições nos são dadas por esta amarga hora! 

Não são só lições de Filosofia. São impagáveis lições que a vida dá à própria Filosofia. Para Montaigne, «filosofar é aprender a morrer». E, segundo Zubiri, «viver é estar perante a morte».

 

  1. Nós, muitas vezes, evitamos estar diante da morte. Mas a morte não evita estar diante de nós. E, um dia, acaba por nos levar.

Ficamos «desarmados» pelo torpor e pelo espanto. O espanto é o início de toda a aprendizagem. Foi o que ensinou Karl Jaspers num livro que o senhor D. António nos recomendou.

 

  1. O espanto paralisa-nos em horas como esta.

Apesar de a morte andar sempre próxima, nós insistimos em imaginá-la distante. Só que ela teima em vir. E começa por levar os melhores, como se a eternidade tivesse pressa em desfrutar da sua companhia.

 

  1. O senhor D. António era uma pessoa de bem em graus de excelência.  Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão. Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

 

  1. Ainda esperávamos muito dele. Mas o que ele nos deixou é (mais que) suficiente para imortalizar a sua passagem pelo mundo.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

 

  1. Sentimos a sua falta. Continuaremos a sentir a sua presença.

Nunca estará longe quem de todos esteve (tão) perto!

publicado por Theosfera às 10:03

Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017

Dois dias depois de ter estado no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Dois dias antes de estar no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Tu, Mãe, vieste buscar o Teu filho António Francisco.

Ouvimos o que ele de Ti disse na Cova da Iria. Preparávamo-nos para ouvir o que sobre Ti ele iria dizer, aqui, em Lamego. Mas foi nesse dia que o seu corpo desceu à terra, Quando a sua vida já tinha entrado no Céu.

À Tua beira, ele ficará a eternidade inteira. Porque é que não nos alegramos com esta passagem? Porque é que choramos com esta viagem?

Entrar na eternidade devia encher-nos de felicidade. Perdoa, Mãe, a nossa fragilidade. Mas somos humanos e gostamos de sentir a presença dos que amamos.

António Francisco era uma pessoa que amava a todos e por todos era amado. O seu coração não se cansou de amar. O seu coração «explodiu» com tanto amor.

Já não cabia na terra o seu amor. Por isso, vieste buscá-lo com tanto ardor.

Sentimos a sua falta. Mas sentiremos, ainda mais, a sua presença.

Não foi longa a sua vida, Mas é eterno o seu legado. Não deixemos que ele passe ao nosso lado.

Nestas horas, difícil é evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. Mas D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

A sua morte foi um belo retrato da sua bela vida. Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão.  Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

Obrigado, Mãe, por nos teres dado uma pessoa assim. Ajuda-nos a, como ele, sermos sinais do Teu amor sem fim.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

Nunca estará longe porque sempre soube ser próximo. Não lhe dizemos adeus porque o sentimos cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 15:44

Hoje, 11 de Setembro, é dia de S. Jacinto, S. Proto e S. João Gabriel Perboyre.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 10 de Setembro de 2017

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam.

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:13

 A. Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante

  1. Confesso que nunca gostei de ouvir chamar a alguém «deficiente». Tal (des)qualificativo pressupõe que, por contraste, haja quem seja «suficiente». Mas haverá alguém verdadeiramente «suficiente»? Haverá quem seja «suficiente» para nascer, para receber educação e saúde? Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante. Nenhuma pessoa se basta a si mesma.

Não faltará quem se considere «auto-suficiente», isto é, quem se considere «suficiente» em si mesmo, por si mesmo. Acontece que a experiência está sempre a mostrar que todos nós somos seres incompletos e, nessa medida, carentes e insuficientes. Sozinhos, nada conseguimos. Precisamos dos outros para nascer, para crescer, para receber educação e saúde. Se não houvesse tu, haveria eu?

 

  1. Sozinhos, nem sequer nos conhecemos. O povo até diz que «ninguém é bom juiz em causa própria». E se o fundamental objectivo do conhecimento é cada um conhecer-se a si mesmo, a vida mostra que é sempre necessário que alguém no-lo recorde.

O Salmo 36 (v. 10) proclama que só na luz de Deus encontramos a luz. Só em Deus nos conhecemos verdadeiramente. É no mesmo sentido que o Concílio Vaticano II sustentou que só Jesus Cristo, Deus feito homem, revela o homem ao homem. Como observou Karl Rahner, «Cristo é a resposta total à pergunta total»: à pergunta total sobre Deus e à pergunta total sobre o homem. Por conseguinte, se queremos saber quem é Deus, a resposta é Cristo; se queremos saber quem é o homem, a resposta é Cristo. Em Cristo, sentimo-nos perto de Deus e do que Deus é para nós.

 

B. O amor faz bem até àquele que faz (o) mal

 

3. Ao contrário do que possamos presumir, nós, cidadãos (e, ainda mais, cidadãos com fé), não temos créditos, só temos débitos, só temos dívidas. O que somos devemo-lo a tantos: desde logo, a Deus; depois, aos nossos pais e, no fundo, a todos os membros da sociedade. E porque estamos em dívida, devemos ser dádiva. Saldamos a nossa dívida sendo dádiva. Saldamos a nossa dívida pela dádiva do amor. Daí a exortação de São Paulo: «Não tenhais qualquer dívida a ninguém senão a de vos amardes uns aos outros» (Rom 13, 8). Só o amor é capaz de saldar as nossas dívidas. E é por isso que, como nota o mesmo São Paulo, «quem ama o próximo cumpre a Lei» (Rom 13, 8).

Na sua sabedoria simples — e na sua simplicidade sábia —, o povo diz que «amor com amor se paga». Mas, mesmo que não haja amor para connosco, há-de haver sempre amor a partir de nós. Ou, melhor, a partir de Deus em nós. Pois quando há autenticamente amor, não somos nós que amamos; é Deus que ama através de nós. São Paulo adverte que o amor é «o pleno cumprimento da Lei» (Rom 8, 10). O amor não faz mal (cf. Rom 8, 10). O amor faz bem até àquele que faz (o) mal.

 

  1. O amor consiste em oferecer o bem. E, correspondentemente, consiste também em afastar do mal. Cada um de nós foi colocado na vida como o profeta foi colocado em Israel: como «sentinela» (Ez 33, 7). De acordo com Isaías, a função da sentinela é anunciar a chegada da manhã no meio da escuridão da noite (cf. Is 21, 11-12). Ser sentinela não é ser polícia. Não é policiar nem controlar, é acompanhar: é acompanhar a vida dos outros.

Comentando a afirmação de Ezequiel, S. Gregório Magno recorda que «a sentinela está sempre num lugar alto, a fim de perscrutar tudo o que possa vir ao longe». Este lugar alto onde, hoje, se encontra a sentinela é o Evangelho. É a partir do Evangelho que nos tornamos responsáveis por nós e corresponsáveis pelos nossos irmãos.

 

C. A maledicência é um «desporto» com muitos «praticantes»

 

5. Todos nós somos chamados a ser sentinelas e todos precisamos de alguém que seja sentinela para nós. É que, às vezes, olhamos mas não vemos; outras vezes, vemos mas não reparamos; e, outras vezes ainda, reparamos, mas parece que ignoramos. Não podemos ignorar que o mal nos tenta, que o mal nos assedia, que o mal nos assalta. Anunciar o bem implica denunciar o mal. Não pensemos que o mal dos outros não nos afecta.

O mal devemos evitar, mas de quem faz o mal não podemos fugir. Quem faz o mal continua a ser nosso irmão, um irmão em perigo, por isso mais necessitado de apoio e ainda mais carecido de auxílio. Não chega ser recto em si, é preciso ser correcto para com os outros. A correcção do mal é uma superior demonstração de amizade. Incorrecto é ver o mal e deixar que o mal alastre. Mal é ser indiferente diante do mal. A indiferença é, decididamente, o oitavo pecado capital e, seguramente, não o menos grave.

 

  1. Nunca devemos falar mal, mas, muitas vezes, somos obrigados a falar do mal. Devemos falar do mal com quem o cometeu e não falar de quem o praticou. Aqui, a forma é tão importante como o conteúdo. O Evangelho é claro: «Se teu irmão te ofender, vai repreendê-lo a sós» (Mt 18, 15). Este é o primeiro — e decisivo — passo: falar com a pessoa e não falar da pessoa.

Não só hoje, mas sobretudo hoje, há uma grande tentação para falar dos outros, para falar mal dos outros. A maledicência é um «desporto» que, infelizmente, tem muitos «praticantes». Não temos em conta que grave não é só roubar coisas. Grave é também roubar o bom-nome, a boa fama, a boa reputação.

 

D. Se não pudermos dizer bem, não digamos nada

 

7. É sumamente perturbador o clima de intriga que prospera no mundo e que nem a Igreja deixa de fora. Sim, a Igreja que Paulo VI queria «perita em humanidade», também se deixa arrastar por fortes vendavais de desumanidade.

Quando não pudermos dizer bem de alguém, o melhor é não dizer nada. Só que, por absurdo que pareça, as pessoas parecem consumir mais a má notícia do que a boa notícia. A boa notícia não vende, só a má notícia rende.

 

  1. São muitos os que dizem ser frontais, mas o que são é maledicentes. Passam a vida — e gastam o tempo — a exibir hipotéticos feitos seus e supostos defeitos dos outros. Para nosso pesar, há quem só se sinta bem a dizer mal. Será assim que conseguiremos vencer o mal e combater a maldade?

Façamos, então, uma limpeza dos nossos lábios, dos nossos ouvidos, das nossas leituras, das nossas conversas, das nossas redes sociais. Procuremos estar mais com os outros em vez de falar mal dos outros. Troquemos a maledicência pela beneficência. Fazer bem sempre, falar mal nunca. Não enterremos as pessoas no mal. Falemos do mal com as pessoas, mas nunca falemos mal das pessoas.

 

E. O que não conseguirmos por nós, Deus o conseguirá em nós

 

9. Se não conseguirmos fazer a correcção fraterna em privado, peçamos — como preceitua o Evangelho (cf. Mt 18, 16) — a ajuda de mais alguém, mas sempre discretamente, sempre com recato.

Se nem assim for possível, confiemos o caso à Igreja, que deve ser sempre a casa da verdade e a morada do amor.

 

  1. E, sobretudo em Igreja, dediquemo-nos à oração. «Se dois de vós, sobre a terra, juntarem as suas vozes para pedirem seja o que for, hão-de obtê-lo de Meu Pai que está nos Céus. Pois onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, Eu aí estarei no meio deles» (Mt 18, 19-20).

Façamos oração em comunidade e procuremos superar os problemas em comunidade. O que não conseguirmos por nós, Deus o conseguirá em nós, connosco. Deus é o nosso maior aliado na luta contra o mal. Com Ele, o mal não nos vencerá. Com Ele, o mal será vencido por nós!

publicado por Theosfera às 05:32

Hoje, 10 de Setembro (23º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Nicolau de Tolentino, S. Francisco Gárate e Sta. Pulquéria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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