O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013
1. Num tempo em que o real só nos desencanta, é natural que sejamos tentados a reencantarmo-nos com o irreal.

À partida, nenhuma época parece tão exposta ao irreal como o Natal.

 

2. Este é, de facto, o tempo em que todos dão ares de ricos. Em que até os que menos têm gastam como se muito tivessem. Em que os presentes se multiplicam por muitas mãos e as presenças se dividem por muitos lares.

Este é o tempo em que as palavras ácidas se escondem e as palavras belas ressurgem.

 

3. Em suma, este é o tempo em que tudo é diferente.

Pena é que seja por umas horas. Quando muito, por uns dias.

 

4. O que mais encanta, nesta altura, é a ilusão de uma bondade perdida e, de repente, reencontrada. Por umas horas. Quando muito, por uns dias.

Os sorrisos acendem-se e os rostos até parecem felizes. Por umas horas. Quando muito, por uns dias.

 

5. E é assim que o Natal nos visita como um enclave de fantasia no meio da tempestade de dores que tinge o quotidiano.

Só que, depois de uns frisos de ilusão, lá sobrevém de novo a desilusão, sempre persistente e ainda mais amarga.

 

6. Não é este o Natal com que Deus sonhou. Não é este o Natal que Deus quer.

Dizem que o Natal é quando um homem quiser. Eu diria que o problema é os homens raramente quererem o Natal.

 

7. Este é um tempo de lembranças, mas também de esquecimentos. Há sempre quem fique esquecido.

À força de tanto insistirmos nos nossos Natais, nem damos conta da fonte donde jorra o Natal: o Natal d’Ele, o Natal de Jesus. É por isso que há muitos Natais sem Natal. É por isso que há muitos Natais longe do Natal.

 

8. Há Natais que parecem um aniversário sem aniversariante. Há muitos Natais acanhados. Há muitos Natais frios, ainda que aquecidos à lareira.

Só haverá Natal na realidade quando mergulharmos na realidade do Natal. E a realidade do Natal passa não somente pelo aconchego do lar, mas também (e sobretudo) pelo desassossego do mundo.

 

9. O «Glória» até pode ser entoado nas alturas. Mas o Natal mostra-nos que o lugar de Deus também é a terra, o homem e particularmente o homem pobre e humilde.

Foi Jesus que dissipou todas as dúvidas: «Tudo o que fizerdes ao mais pequeno dos Meus irmãos é a Mim que o fazeis» (Mt 25, 40).

 

10. É isso o que mais evocamos no Natal. É isso o que temos de fazer e não apenas no Natal.

Para que aconteça Natal para lá do Natal!
publicado por Theosfera às 20:09

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