O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

1. Na sua infatigável peregrinação pelo mundo, a esperança ainda não desistiu de chegar a todos os lugares nem de visitar todos os corações.

Todos a querem. No fundo, quem não quer ter esperança? Mas facilmente a trocamos pelo abatimento, pelo torpor, pela apatia, pela desesperança.

 

2. Todos passamos pela esperança e a esperança passa por todos. Mas quem repara nela?

Quem lhe dá acolhimento? Afinal, onde vive a esperança hoje?

 

3. A esperança seduz, cativa, encanta, motiva, mas não encontra quem lhe dê guarida por muito tempo.

E o mais espantoso é notar que é quando ela se torna mais necessária que ela mais se afasta. Ou é afastada.

 

4. Nesta altura, todos parecemos órfãos de esperança.

Sentimos que ela se ausentou de nós ou que nós nos ausentamos dela.

 

5. Há momentos em que só parece ficar a esperança. Nessas alturas, há quem a veja como um expediente.

Há quem aponte a esperança como a atitude dos passivos, daqueles que não agem, que se resignam.

 

6. A esperança não é, porém, um analgésico ou um mero tranquilizante. A esperança é um despertador, um alerta.

A esperança, habitualmente, não está em sintonia com a evidência. Há muitas evidências que são desmentidas pela esperança.

 

7. É certo que a realidade tem muita força. Mas a esperança é o que nos leva a não abdicar de a transformar.

A esperança não é, por isso, própria dos pusilânimes. A esperança é a âncora dos sonhadores, dos lutadores, dos persistentes.

 

8. Há quem pretenda agir apenas quando tem garantias de êxito. O cálculo, para muitos, degolou a esperança. Outros, no pólo oposto, substituem-na pela mera ilusão.

Sucede que a esperança não é calculismo e é muito mais do que ilusão. A esperança é aventura, é exposição ao perigo.

 

9. A esperança não nos inibe da possibilidade de naufrágio. Mas nem essa possibilidade nos há-de obstruir.

A esperança está, pois, em condições de tingir de azul estas noites de breu. A esperança costuma acenar-nos com maior intensidade nas horas de provação.

 

10. É por isso que — alertava Vergílio Ferreira — «quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte».

Daí que o Advento seja uma oportunidade para reaquecer a esperança. Que, tantas vezes, deixamos arrefecer!

publicado por Theosfera às 10:30

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