O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 31 de Dezembro de 2017

Natal é a noite, mas é também o dia.

 

Natal é o frio, mas é também o calor.

 

Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.

 

Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.

 

O Natal não terminou no dia 25.

Constrói, por isso, um Natal para todo o ano,

para toda a vida.

 

Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.

 

É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.

 

Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.

 

Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.

 

Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.

 

Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.

 

Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.

 

Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.

 

Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.

 

Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.

 

Que continues a ter um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:44

Hoje é o dia da Sagrada Família.
José, Maria e Jesus formaram uma família humilde.
O ambiente era de paz. Não se falava muito. Escutava-se bastante.
Havia uma sabedoria feita de subtileza e adornada pela simplicidade.
Uma oração por todas as famílias. Para que o mundo seja uma grande família. E para que cada família se capacite de que é um pequeno mund
Qual o segredo? Que cada um se assuma como é. Que todos sejam amados como são.
Que haja autenticidade e nunca traição. O brilho dos olhos de uma criança será sempre o melhor certificado do amor de seus pais!

Para a família, não há soluções prévias nem receitas impostas. Há caminhos.
Às vezes, falar é decisivo. Outras vezes, calar é fundamental.
Viver em família é uma arte, uma permanente descoberta.
Cada dia é uma novidade. É preciso saber admirar o outro. E é necessário também aprender a suportar o outro.
Não há escola para viver em família. A família é a melhor escola para si mesma.
O dia mais importante é hoje. Cada momento é uma etapa, sem a qual o caminho fica inconcluído e a obra interminada.
Um abraço de admiração a todas as famílias!

publicado por Theosfera às 10:41

 

A. Deus vem ao mundo através de uma família

  1. Dizem — e não é mentira — que o Natal é a Festa da Família. De facto, sendo a festa do nascimento de Jesus, o Natal é, por inerência, a festa da família de Jesus. E é, por extensão, a festa da nossa família com Jesus.

Curiosamente, houve uma altura em que se pretendeu sobrepor a Festa da Família à Festa do Nascimento de Jesus. Apenas uma semana após a revolução de 5 de Outubro de 1910, foi promulgado um decreto que estabelecia que o 25 de Dezembro deixasse de ser a comemoração do nascimento de Jesus para passar a ser somente o dia da Festa da Família. Só que o bom povo, na sua sábia coragem e na sua corajosa sabedoria, nunca deixou de celebrar — em família! — o nascimento de Jesus.

 

  1. A família não esvazia o Natal e o Natal não esvazia a família. A família oferece o ambiente natural para o Natal e o Natal oferece o sentido sobrenatural para a família. A família fica mais cheia na quadra do Natal e fica mais preenchida com o mistério do Natal. Afinal, que nos mostra o Natal? Essencialmente, mostra-nos Jesus, mostra-nos Maria e mostra-nos José. Ou seja, mostra-nos uma família.

Deus quis entrar no mundo através de uma família, através de uma família formada por um homem e por uma mulher. É esta a família que Deus quer, a família que Deus criou. Nos relatos da criação, diz-se expressamente que, quando Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, criou o homem e a mulher (cf. Gén 1, 26). É por tal motivo que o homem deixa pai e mãe para se unir à sua esposa passando os dois a ser uma só carne (cf. Gén 2, 24). Jesus retoma e confirma este desígnio primordial recomendando: «Não separe o homem o que Deus uniu»(Mc 10, 9). Estão aqui consignadas as propriedades essenciais do matrimónio: unidade e indissolubilidade com a consequente abertura à geração de vida.

 

B. A família é uma criação divina

 

3. A família não é, portanto, uma invenção humana, mas uma criação divina. Aliás, o próprio Deus é uma família composta pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

Tal como sucede na família divina, também na família humana não há — ou não devia haver — superiores nem inferiores. Tal como o Pai não é mais que o Filho e o Espírito Santo, também o marido não é mais que a esposa. Tal como os membros da família divina têm igual divindade, também os membros da família humana possuem igual humanidade.

 

  1. Jesus elevou a união entre o homem e a mulher à dignidade de Sacramento. Ou seja, deu a esta união um valor sagrado. Também no matrimónio, a iniciativa é de Deus. É Deus, que a todos chama à vida e à fé, que também chama alguns ao matrimónio.

Nós acreditamos que, sem obviamente contender com a liberdade de cada um, é Deus quem coloca este homem no caminho daquela mulher e esta mulher no caminho daquele homem. Na celebração do Matrimónio, os dois formalizam a sua resposta à proposta de Deus.

 

C. Os problemas existem para serem vencidos, não para (nos) vencerem

 

5. Não faltam, hoje em dia, atentados contra a família: atentados no exterior e atentados no interior. O Estado e a sociedade não apoiam devidamente a família, mas será que a família se apoia adequadamente a si mesma? O Estado e a sociedade não são amigos da família, mas será que a família é amiga da própria família?

Além do flagelo do desemprego, há ainda o drama por causa de muitos empregos. Há esposos que são obrigados a estar longe um do outro. Há pais que são obrigados a passar a maior parte do tempo fora dos filhos. Resultado: há famílias onde não há praticamente nenhuma vida familiar. E sem vida familiar poderá dizer-se que há família?

 

  1. Actualmente, por cada 100 famílias que se constituem, há cerca de 70 famílias que se desfazem. E antes de se desfazer, há muitas famílias que se vão destruindo. A violência doméstica não pára de crescer. Em vez de ser uma alternativa de paz aos conflitos que há no mundo, a família parece ser o rastilho que incendeia muitos desses conflitos.

Em relação à família, também parece haver partidários da «solução final». Há quem pense que a única maneira de acabar com os problemas na família é acabar com a própria família. Seria bom que percebêssemos que, às vezes, recuar é a maneira mais inteligente de avançar. Quando a situação é complicada, um irreflectido passo em frente pode ser um passo para o abismo. É preciso aprender a esperar para discernir. Às vezes, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente (re)começa. Afinal, os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós…com a ajuda de Deus.

 

D. O dia mais importante para a família

 

7. Vou confiar-vos um segredo. O segredo para que uma família se fortaleça consiste em valorizar cada pessoa e cada momento da convivência entre as pessoas. O dia mais importante para a família não é só o dia do casamento. Esse foi o dia do início da família. Mas a família não tem importância só quando começa. Uma família é sempre importante. Por isso, o dia mais importante para a família é «hoje», o «hoje» de cada dia. Eu atrever-me-ia a dizer que nem a morte põe fim à família, nem a morte termina com os laços gerados em família. Um filho que vê morrer o seu pai considera-se sempre filho desse pai. E uma mãe que vê morrer a sua filha não se considera sempre mãe daquela filha?

Queridas famílias, valorizai o dom de cada dia. Ao acordar pela manhã, dizei uns aos outros: «Hoje é o dia mais importante da nossa vida». E, no dia seguinte, voltai a dizer: «Hoje é o dia mais importante para a nossa família».

 

  1. Em cada hoje, há coisas pequenas que podem ter um resultado muito grande. Procurai dar valor aos pequenos gestos, às pequenas palavras e até aos pequenos silêncios. Sim, a família é o espaço por excelência do diálogo, mas também deve ser um lugar privilegiado para o silêncio. Como reconheceu Paulo VI, a Sagrada Família de Nazaré oferece-nos uma interpelante lição de silêncio. Às vezes, ficar calado pode ajudar muito. Pelo menos, pode ajudar a não agravar certos problemas. Há palavras que não só não resolvem como ainda complicam. Há palavras que magoam e que chegam a agredir mais do que certas agressões. Perante alguém que diz muito e muito alto, não dizer nada pode ser o melhor contributo para restaurar a paz e repor a serenidade.

Todos gostam de ter razão, mas eu diria com S. Paulo que mais importante do que ter razão é ter «bondade, humildade, mansidão e paciência»(Col 3, 12). Quando tivermos de falar, não nos limitemos a repreender e a exigir. Procuremos saber também agradecer e elogiar. Como tem dito o Papa Francisco, expressões simples como «obrigado», «com licença», «faça o favor» ou «desculpe» podem ter um efeito extraordinário para o presente e para o futuro da família. Pedir perdão não é um acto de fraqueza. É uma demonstração de força que acaba por fortalecer a família.

 

E. A maior riqueza da família

 

9. É sabido que as famílias, hoje, não têm tempo. Gastam tempo para ter uma casa e depois acabam por não ter tempo para estar em casa. Mas, se não existe o tempo ideal, que a família, ao menos, aproveite o tempo real, o tempo possível, o tempo disponível: o tempo disponível para estar, para conviver, para rezar. Como bem disse S. João Paulo II, «família que reza unida permanece unida».

A oração é o grande alimento — e o maior cimento — da união. É desejável que a família comece e termine o dia com uma oração conjunta. A oração permite perceber que a maior riqueza não é o só o que existe em cada membro da família, mas o que existe entre todos os membros da família. Entre todos os membros da família encontra-se Deus, que sabe conjugar as diferenças numa comunhão indestrutível e fecunda.

 

  1. Que a família nunca deixe de ser família. Que a família não se destrua. E que a família seja um espaço para todos: para os que estão a começar e para os que já começaram há muito. Infelizmente, a tumultuosa agitação do dia-a-dia não deixa que as gerações convivam muito entre si. Primeiro, são os pais que não têm tempo para os filhos; depois, são os filhos que não têm tempo para os pais. E é assim que nascemos, crescemos e acabamos por morrer deslaçados, sem tempo para estar uns com os outros, sem tempo para dizermos quanto gostamos uns dos outros. Apesar de tudo, sinto que a família tem um belo futuro à sua frente, como tem um lindo passado atrás de si.

Queridas famílias, olhai para a Sagrada Família de Nazaré que a Oração Colecta desta Missa aponta como «um modelo de vida». Sobretudo vós, que vos sentis em maior dificuldade, olhai bem para Jesus, para Maria e para José. É bem verdade que, como cantava o Padre Zezinho, «tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se toda a gente se parecesse com Jesus de Nazaré». Tudo seria bem melhor, sem dúvida. Tudo há-de ser melhor apesar de todas as dúvidas. Tenho a certeza de que, como dizia o Concílio Vaticano II, «a família há-de continuar a ser «o berço da vida e do amor». No fundo, cada família é um pequeno mundo. Que o nosso mundo possa vir a ser uma grande família!

publicado por Theosfera às 05:44

Hoje, 31 de Dezembro (Domingo da Sagrada Família), é dia de Sta. Comba de Sens, Sta. Melânia, a Nova, S. Piniano, S. Silvestre I e Sto. Alão de Solominihac.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 30 de Dezembro de 2017

Hoje, 30 de Dezembro, é dia de Sto. Anísio, Sta. Margarida Colona e S. Sabino.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

Hoje, 29 de Dezembro, é dia de S. Tomás Becket e S. Gerardo de Waindvrille.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Hoje, 28 de Dezembro, é dia dos Santos Inocentes, padroeiros dos meninos de coro e das crianças abandonadas.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Hoje, 27 de Dezembro, é dia de S. João Evangelista (padroeiro dos teólogos e invocado contra as queimaduras e venenos e ainda para obter a graça de uma boa amizade), Sta. Fabíola, S. Teodoro e S. Teófanes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017

Em Dezembro, temos o Natal a 25 e Santo Estêvão a 26. Num dia, festeja-se o nascimento. No dia seguinte, assinala-se uma morte. Como notou São Fulgêncio de Ruspas, a 25, «celebramos o nascimento do nosso Rei eterno; a 26, celebramos o martírio do Seu soldado». 

Aparentemente, o contraste não pode ser maior. Mas só aparentemente. Na realidade, existe uma profunda — e muito subtil — ligação entre as duas celebrações. A proximidade entre o Natal e Santo Estêvão mostra, desde logo, que nascemos para morrer e morremos para viver.

Os antigos já entreviam a Cruz junto ao presépio: aquele Menino nasceu para ser mártir. E consideravam o dia da morte como o verdadeiro — e definitivo — dia do nascimento (dies natalis). Trata-se do nascimento para a vida eterna, para a vida sem fim.

Acresce que Estêvão foi o primeiro cristão a ser coroado — aliás, o seu nome significa precisamente coroa — com o martírio. Foi Jesus quem deu força a Estêvão para dar a vida por Ele. O Papa Francisco referiu que «Jesus transforma a morte dos que O amam em aurora de vida nova».

A Igreja, como reparou São Fulgêncio de Ruspas, sempre acreditou que o amor «que fez Cristo descer do Céu à Terra foi o mesmo que elevou Santo Estêvão da Terra ao Céu. O amor, que primeiro existia no Rei, resplandeceu a seguir no Seu soldado». 

Estêvão era o primeiro dos sete colaboradores dos Apóstolos, conhecidos como diáconos (cf. Act 6, 5). Rapidamente se destacou pela sua dedicação e pela sua sabedoria (cf. Act 6, 8-10).

Tudo isto acarretou a hostilidade de alguns que, não tendo argumentos, passaram para os insultos e para a hostilidade contra Estêvão. Não olharam a meios para o eliminar. Foram mesmo ao ponto de subornar pessoas (cf. Act 6, 11), mobilizando testemunhas falsas (cf. Act 6, 13-14).

A defesa de Santo Estêvão enfureceu ainda mais os seus adversários (cf. Act 7, 2-53), que o condenaram à morte por apedrejamento (cf. Act 7, 58). Um jovem chamado Saulo aprovou esta condenação (cf. Act 6, 58). Mais tarde, ele próprio iria converter-se, tornando-se no grande apóstolo São Paulo (cf. Act 9, 5-8).

E foi assim que, como observou São Fulgêncio de Ruspas, «aonde Estêvão chegou primeiro, martirizado pelas pedras de Paulo, chegou depois Paulo, ajudado pelas orações de Estêvão». Santo Agostinho sinalizou até que, se não fosse Estêvão, não haveria Paulo: «Se Estêvão não orasse, a Igreja não teria Paulo» («si Stephanus non orasset, ecclesia Paulum non haberet»).

Há muitas semelhanças entre as circunstâncias do martírio de Estêvão e a crucifixão de Jesus. As últimas palavras são praticamente iguais. Segundo São Lucas, Jesus entrega-Se completamente a Deus: «Pai, nas Vossas mãos entrego o Meu Espírito» (Lc 23, 46). Segundo o mesmo São Lucas, Estêvão oferece-se totalmente a Jesus: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito» (Act 7, 59).

Ambos, Jesus e Estêvão, pedem clemência para quem os matou. As palavras de Estêvão — «Senhor, não lhes imputes este pecado» (Act 7, 60) — parecem decalcadas na súplica de Jesus: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34).

Santo Estêvão chegou a ter dois dias de festa: a 26 de Dezembro[1] e a 3 de Agosto, o dia em que se comemorava a descoberta das suas relíquias.

Consta que, em 415, um sacerdote chamado Luciano soube, através de uma aparição de Gamaliel, onde estavam as relíquias de Santo Estêvão. Feitas as escavações, encontraram os restos mortais a 3 de Agosto daquele ano. A terra tremeu e um suave perfume inundou todo o local. Imediatamente, 73 doentes ficaram curados.

Os despojos foram colocados num relicário e transladados para a Igreja do Monte Sião. Aí permaneceram até 15 de Maio de 439, quando foram transferidas para uma Igreja erigida no lugar onde Estêvão tinha sido apedrejado.

Entretanto, um senador de Constantinopla foi enterrado ao seu lado. Quando a sua esposa regressou à terra natal, resolveu levar consigo o corpo do marido. Acontece que, por engano, ela levou o corpo do santo. Só no navio deu conta do equívoco. Daí que o corpo permanecesse em Constantinopla durante alguns anos.

Finalmente, foi sepultado na Basílica de São Lourenço Fora de Muros, em Roma, onde ainda hoje repousa.

A devoção a Santo Estêvão não tardou a espalhar-se por todo o mundo e depressa terá chegado a Portugal e à nossa região. A festa em honra do primeiro mártir terá sido usada para cristianizar a chamada «Festa dos Rapazes».

Esta festa decorria nas aldeias de Trás-os-Montes, integrada no ciclo de festividades do Solstício de Inverno, que decorre de 24 de Dezembro a 6 de Janeiro. Uma vez que estas festas eram dedicadas ao culto do Sol, a festa de Santo Estêvão servia para ajudar as pessoas a deixar o culto do Sol e a passar para o culto do verdadeiro Sol, que é Jesus Cristo.

Consta que um Bispo de Lamego, chamado D. Durando Lourenço, terá visto um clarão a brilhar neste monte. Esse clarão tê-lo-á levado a construir uma capela em honra do primeiro mártir, Santo Estêvão.

Curiosamente, na Espanha, dá-se uma explicação semelhante para o culto do primeiro apóstolo mártir, São Tiago. Um ermitão chamado Paio terá visto a luz uma estrela incidir sobre o local onde estaria sepultado o apóstolo. Daí que a localidade passasse a ter o nome de «Campus Stellae» (que significa «Campo da Estrela»), donde surgiu o topónimo Compostela.

A Capela em honra de Santo Estêvão foi inaugurada por D. Durando Lourenço, a 15 de Agosto de 1361.

O Cónego Fernão Martins ficava autorizado a colher esmolas em toda a Diocese para a conservação da Capela e respectivo culto.

Aos cónegos era pedido que ali passassem a ir em procissão duas vezes por ano: uma no dia de Santo Estêvão, 26 de Dezembro, e outra no dia da descoberta do seu corpo, a 3 de Agosto.

Mais tarde, porém, a primeira daquelas procissões do Cabido passou de 26 de Dezembro para o dia 02 de Janeiro, «o dia oitavo da festividade» do Santo pois este dia 26 de Dezembro começou a ser preenchido com «um grande mercado na devesa ou soutos que ficavam por detrás da Capela de Nossa Senhora dos Remédios».

Nessas procissões também deviam tomar parte os coreiros da Sé, os raçoeiros de Almacave e os frades de S. Francisco. Era a estes que incumbia a pregação. A Missa devia ser oferecida por alma de D. Durando, seus pais e demais obrigações. Para os encargos, o Bispo legava 12 libras anuais ao Cabido, quatro aos coreiros e 20 soldos a cada raçoeiro e frade.

Aliás, a devoção deste Bispo por Santo Estêvão era tão grande que há quem pense que ele morreu no dia da sua festa, ou seja, neste dia 26 de Dezembro de 1362.

Onde ficava exactamente a Capela de Santo Estêvão, também denominada Capela de Santo Estêvão do Campo? Pensa-se que ficava aqui, na zona da Capela-Mor do actual Santuário.

Também há quem pense que seria um pouco mais acima, no local onde desembocavam os caminhos pedestres de Penude e Arneirós. Aí existiram, em tempos, alguns pinheiros com cruzes gravadas nos seus troncos. Parece que era aqui que muitos romeiros se juntavam para, em procissão, seguirem para as festas de Santo Estêvão. A presença de tais cruzes terá constituído, para alguns, o indício de um antigo templo. Trata-se, porém, de uma hipótese sem grande consistência.

O mais certo é que a Capela de Santo Estêvão fosse mesmo aqui, na zona da Capela-Mor do Santuário. Tal Capela, entretanto, foi demolida a 06 de Novembro de 1564. Uma segunda Capela viria a ser inaugurada, no actual Largo dos Reis, a 03 de Agosto de 1565, dia da descoberta das relíquias do mártir. Como sabemos, essa segunda Capela de Santo Estêvão veio a tornar-se a primeira Capela de Nossa Senhora dos Remédios.

Segundo o inventário de 1867, a imagem de Santo Estevão que aqui se encontra é a mais antiga do Santuário e é aquela que D. Durando mandou fazer em 1361. É claro que ela não estaria como está agora, mas também sabemos que foi restaurada por diversas vezes. O mais importante restauro foi certamente o de 03 de Julho de 1857, pela mão do estucador portuense Bártolo Pires Zineu.

Presentemente, esta imagem, de madeira estofada, tem cerca de 75cm de altura, apresentando o Santo Estêvão revestido de alva, estola, manípulo e dalmática vermelha, com um livro na mão esquerda.

E o mais curioso é que, apesar da presença marcante de Nossa Senhora dos Remédios, o nome deste lugar é Monte de Santo Estêvão. Ninguém o conhece por Monte dos Fragões (a primeira designação deste sítio) nem por Monte dos Remédios (a mais recente proposta que fizeram para denominar este local).

É, pois, no Monte de Santo Estêvão que nos encontramos. E, hoje, é o mártir Santo Estêvão que celebramos. Com ele, entreguemo-nos por Jesus. E a nossa vida terá cada vez mais luz!

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 11:21

 

  1. São muitos os peregrinos que, nesta altura, visitam o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios por causa do seu belo Presépio.

Executado no passado dia 5 de Dezembro, ele está à disposição de todos até 8 de Janeiro, em que termina o Tempo do Natal.

 

  1. Há, entretanto, mais cinco presépios que podem ser apreciados neste templo, com a particularidade de nunca serem desmontados.

Num deles quase todos reparam. Dos outros quatro quase ninguém se apercebe.

 

  1. Quando se entra no Santuário pela porta do fundo, surge-nos, do lado direito, o magnífico Presépio Barroco.

Atribuído à Escola de Machado de Castro, é considerado um exemplo raro — e valioso — do património nacional.

 

  1. Nossa Senhora aparece com uma coroa e São José com um resplendor.

Além do cenário habitual da manjedoura, deparamos com a representação da Fuga para o Egipto e da Matança dos Inocentes. Também se vêem músicos, dançarinos, taberneiros e outros.

 

  1. Entretanto, mais à frente, podemos contemplar outro presépio: um painel de azulejo que mostra Nossa Senhora num claustro ajardinado, com o Menino na manjedoura.

Maria expõe o Menino à luz natural após a estadia no estábulo onde ocorreu o parto (cf. Lc 2, 7). Alguns dos anjos que tinham festejado o nascimento de Jesus (cf. Lc 2, 10-14) vêm vê-Lo. Três deles estão dentro e um quarto irrompe da parte de fora do claustro.

 

  1. Mais acima, somos surpreendidos com um deslumbrante Presépio-Vitral que apresenta Nossa Senhora inclinada para o Menino na manjedoura.

A manjedoura está aconchegada com umas palhinhas, havendo uma pomba por perto. São José, com sereno enlevo, segura o seu bastão.

 

  1. Na Capela-Mor, encontramos mais dois presépios fixos, ambos em azulejo.

Um deles mostra a adoração dos Magos, com soldados à esquerda e outros adoradores à direita.

 

  1. O outro presépio da Capela-Mor coloca Nossa Senhora, São José e outras pessoas a adorar o Menino.

À esquerda, vemos o anúncio dos anjos aos pastores e, à direita, acompanhamos pessoas a vir de longe.

 

  1. Por tudo isto, pode dizer-se que o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é — todo ele — uma «Igreja-presépio», uma «Igreja-Natal».

A beleza deste lugar ajusta-se na perfeição à lindeza desta quadra.

 

  1. Este é um local onde tudo sabe a Natal. Ali, há Natal e não apenas no Natal.

O Santuário está sempre vestido de Natal. No Santuário, é Natal todos os dias, é Natal todo o ano. Para que possa ser Natal toda a vida!

 

publicado por Theosfera às 10:05

Hoje, 26 de Dezembro (segundo dia da Oitava de Natal), é dia de Sto. Arquelau, Sto. Estevão (protomártir) e Sta. Vivência Lopes.

Um santo e abençoado dia de Natal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2017

A todos os Menino levou o Seu afecto.

De todos o Menino recebeu sentidas expressões de afecto.

Que o carinho pela imagem do Menino nos leve a seguir os passos do Menino da imagem.

Para todos os colaboradores e peregrinos do Santuário, continuação de um intenso (e imenso) dia com sabor a Natal!

Natal coro.jpg

 

publicado por Theosfera às 14:22

Entre mim e minha Mãe está um Menino.

Em nome desse Menino, que mudou o nosso destino, desejamos, nesta tarde fria, um Natal aquecido pela alegria.

Com muita gratidão, agradecemos tantos gestos calor e comunhão.

Que o Menino que minha Mãe está a beijar a todos conceda o que esperam alcançar.

Que seja especial este santo dia de Natal!

Menino a beijar Mãe.jpg

 

publicado por Theosfera às 14:06

 

Silêncio de Belém,

que no mundo acendes a chama da paz e do bem,

inspira o nosso coração também.

 

As nossas vidas de correria

nem sequer reparam na alegria

que destila tanta beleza

nos nossos passos carregados de tristeza.

 

Silêncio de Belém,

de Maria, de José e de Jesus,

faz brilhar em nós a tua luz,

para que percebamos que as trevas do egoísmo

só nos empurram, a todos, para o abismo.

 

Silêncio de Belém,

que acolheste a visita dos pastores,

alivia em tantos as dores,

ampara os que fazem luto

e choram a separação

em lágrimas sofridas de emoção.

 

Silêncio de Belém,

que abriste as portas aos Magos,

inunda este mundo com teus afagos

e faz-nos entender que não é a arrogância nem a violência

que vão melhorar o rumo da existência.

 

Silêncio de Belém,

ajuda-nos a respirar a paz que de ti nos vem.

Faz-nos sempre tão bem

respirar o silêncio que nos vem de Belém!

 

Que saibamos escutar e não apenas falar.

Que comprendamos que comunicar é mais que fazer ruído

e semear mágoas no nosso mundo, já dorido.

 

Silêncio de Belém,

obrigado pela tua eloquência

e por tanta intensidade de vivência.

 

Bastou uma palavra e nada ficou igual.

É essa a palavra que acolhemos no Natal.

 

Silêncio de Belém,

que nos ensinas tanto,

não deixes apagar em nós o encanto.

 

Que a paz da manjedoura

seja eterna, duradoura.

 

Silêncio de Belém,

que hoje sentimos bem perto, à nossa beira,

acompanha-nos sempre, a vida inteira!

 

 

 

publicado por Theosfera às 11:11

Deus da paz,
Vem conter a fúria das armas destruidoras.

Deus da justiça,
Vem libertar as vítimas da opressão.

Deus da fraternidade,
Vem fazer que todos os homens se sintam irmãos.

Deus da esperança,
Vem dar alento aos que se encontram abatidos.

Deus da santidade,
Vem transformar as nossas vidas.

Deus do amor,
Vem socorrer o nosso mundo inquieto.

Deus dos pobres,
Vem enriquecer-nos com a tua humildade.

Deus de todos os homens,
Vem nascer no nosso coração.

Vem, Senhor Jesus!
publicado por Theosfera às 10:41

A. Foi em silêncio que aconteceu o maior milagre

 

1. Afinal, que celebramos no Natal? Com tanta máscara que por aí anda do Pai Natal nem reparamos no rosto límpido e puro de um menino. O «pai do Natal» não é o Pai Natal; o «pai do Natal» é um menino: o Deus-Menino. É por isso que hoje, neste santo dia de Natal, celebramos o maior milagre de todos os tempos. Foi o milagre que transformou o mais distante no mais próximo. Foi o milagre que trouxe a eternidade para o tempo. Foi o milagre que levou o céu a descer à terra. Enfim, foi o milagre no qual Deus Se fez homem. Não há milagre maior. Não há sequer milagre igual. E, no entanto, este milagre — o maior milagre de sempre — foi realizado em silêncio. É espantoso como até o escritor angolano José Eduardo Agualusa notou que «os melhores milagres costumam ser discretos». De facto, assim acontece em Belém. É no silêncio de Belém que Deus ao nosso encontro vem.

Tendo em conta que «milagre» significa «maravilha», há que estar atento ao silêncio de tantas maravilhas e às maravilhas de tantos silêncios. É que tão preocupados andamos com os milagres que desejamos que nem nos apercebemos dos milagres que Deus realiza. Pedimos tantos milagres neste mundo que nem damos conta dos milagres que se realizam a cada segundo. Curiosamente, o referido escritor José Eduardo Agualusa alerta-nos para «os milagres que acontecem a cada segundo». E continuam a acontecer — quase sempre — em silêncio.

 

 

2. Foi em silêncio que Verbo Se fez carne (cf. Jo 1, 14) e que a Palavra chegou ao mundo. É no silêncio, aliás, que a Palavra habita desde sempre. No princípio, antes de o tempo começar a ser tempo, a Palavra estava em silêncio e o silêncio estava na Palavra. E quando, na «plenitude dos tempos» (Gál 4, 4), a Palavra chegou ao mundo, o silêncio também desceu à terra. Porquê? Porque só em silêncio é possível gerar a Palavra. Só em silêncio é possível acolher a Palavra da vida e mergulhar na vida da Palavra.

É este silêncio que, hoje, respiramos. É neste silêncio que, em cada dia, devíamos habitar. Foi o eterno silêncio de Deus que fecundou o eloquente silêncio de Maria. Tudo mudou quando o silêncio falou. As trevas sobressaltaram-se. A noite acordou. Toda a natureza — e não apenas o galo — cantou. A manhã despontou. E o Salvador chegou.

 

B. O Natal é uma explosão de amor

 

 

 

3. Foi assim que, como dizia Santo Agostinho, chegamos «ao dia feliz, em que o grande e eterno Dia, procedente do grande e eterno Dia, veio inserir-se neste nosso dia temporal e tão breve». Neste feliz dia, nasceu Jesus e nascemos nós para Jesus. Nós nascemos quando Ele nasceu. O nascimento de Jesus é o nascimento de todo o corpo de Jesus, do qual nós fazemos parte (cf. 1Cor 12). Assim sendo, o Natal também é nosso. Enfim, o Natal é a festa universal porque é o acontecimento total.

Como refere o Prefácio II da Missa de Natal, «o que foi gerado desde toda a eternidade começou a existir no tempo». O que foi gerado no seio do Pai veio até nós pelo seio de Maria. E foi assim que, como já notavam os escritores cristãos mais antigos, «Um da Trindade Se fez Um de nós». O amor de Deus, o amor que é Deus, não cabe em Deus e explode na criação.

 

 

4. É por tudo isto que este é o dia tão esperado, em que recebemos a visita do Inesperado. Deus não só vem ao encontro do homem, como Ele próprio Se faz homem. E não somente Se faz homem como Se faz homem pobre, homem simples, homem frágil. O sinal de Deus não é a opulência nem a ostentação. O sinal de Deus — dizem os enviados do Céu — é um Menino, «envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).

Guilherme de Saint-Thierry dá uma explicação luminosa para tudo isto: «Deus viu que a Sua grandeza suscitava no homem resistência. Então, Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora — diz-nos aquele Deus que Se fez Menino — já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me».

 

C. O que habita lá no alto visita-nos cá em baixo

 

 

 

5. Deus, que habita no alto, visita-nos cá em baixo. É, pois, para baixo que devemos olhar. Deus está no alto (cf. Lc 2, 13), mas quer ser encontrado em baixo. É a partir de baixo que Deus nos olha. Deus não olha para nós, sobranceiramente, de cima para baixo. Deus olha para nós — divinamente — de baixo para cima. E é lá em baixo que continua à nossa espera: lá, nas profundidades da existência, onde a pobreza abunda, onde a injustiça avança, onde a solidão e o abandono não param de crescer.

Eis a lição de Belém. O silêncio de Deus, que falou em Belém, continua a clamar nos pobres também. Quem não os ouve a eles, como pode dizer que O escuta a Ele?

 

 

6. Aquele Menino é tão divino que até quer ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino. O Natal é uma explosão de divindade e, ao mesmo tempo, uma persistente lição de humanidade.

Não nos cansemos de fixar os olhos no presépio. Aquele Menino é tão santo que só consegue provocar encanto. É tão cheio de mansidão que os nossos joelhos caem logo em adoração. O Seu rosto destila tanta pureza que até os antípodas aspiram o perfume da Sua beleza. Enfim, a Sua imagem desperta tal ternura que nem há palavras para descrever tamanha formosura.

 

D. Não passemos ao lado do Natal

 

 

 

  1. A imagem do Menino está ali. Mas o Menino da imagem está sobretudo aqui. Vejo Jesus agora e não deixo de O rever lá fora. Ele está na rua, na minha história e também na sua. Está no sofredor, naquele que estende a mão e mendiga amor. Está no pobre, no que não tem pão. Está em quantos vão penando na solidão. O Seu tempo nunca é distante pois a Sua presença é constante. O Seu lugar não é só em Belém, é na nossa vida também. Ouçamos sempre a Sua voz. E nunca deixemos de O acolher em cada um de nós.

 

8. Este é o autêntico «dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e, livres, habitamos a substância do tempo». Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão». Em Jesus, Ele veio para todos. Rejeitar alguém é rejeitar este Jesus, presente nesse alguém. É que os outros também são Seus, também são d’Ele. E, no entanto, há tanto Jesus rejeitado, há tanto Jesus esquecido.

Esquecemos Jesus nos pobres e não nos lembramos de Jesus, que foi sempre pobre. Até no Natal passamos ao lado do Natal. Para muitos, o Natal é um aniversário sem aniversariante. Pertinente é, sem dúvida, o lamento de Jesus pelas palavras poetadas de João Coelho dos Santos: «Senta-se a família/ À volta da mesa./ Não há sinal da cruz,/ Nem oração ou reza./ Tilintam copos e talheres./ Crianças, homens e mulheres/ Em eufórico ambiente./ “Lá fora tão frio, Cá dentro tão quente!”/ Algures esquecido,/ Ouve-se Jesus dorido:/ “Então e Eu,/ Toda a gente Me esqueceu?”».

 

E. Não desliguemos a luz que Deus acende em Jesus

 

 

 

9. Não esqueçamos quem nunca nos esquece. Não esqueçamos Jesus. Não esqueçamos o Seu nascimento nem a Sua morte e ressurreição. Não esqueçamos a Sua mensagem de conversão. Não ponhamos Jesus de lado. Nunca O deixemos abandonado.

Há presépios lindos. Há presépios originais. Há presépios surpreendentes. E até há presépios ao vivo. Faltam, contudo, presépios vivos, que, a bem dizer, são os únicos presépios necessários. São esses que são construídos não nas ruas ou nas casas, mas no coração humano: no meu, no seu, no nosso, enfim, no coração de todos os homens.

 

10. O Natal é belo quando é sonhado. O Natal é lindo quando é cantado. O Natal é encantador quando é tingido de frio e regado de neve. Mas o Natal é melhor quando é vivido, partilhado, abraçado, chorado, humanizado, fraternizado, assumido e derramado no mundo inteiro. Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra. Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz. Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança? Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

Não desliguemos a luz que Deus acende em Jesus. Deixemos brilhar a luz do Natal em cada dia. E nunca esqueçamos que, hoje em dia, o grande Natal é a Eucaristia. Um feliz Natal hoje. Um feliz Natal sempre. Para todos, um santo, luminoso e imensamente abençoado Natal!

 

publicado por Theosfera às 05:32

Hoje, 25 de Dezembro (solenidade do Natal do Senhor), é dia de S. Manuel, S, Natal, Sto. Alberto Chiewolski, Sta, Maria dos Apóstolos, Sta. Inês Fila e Sta. Lúcia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 01:12

Domingo, 24 de Dezembro de 2017

Maria,

Tu és a serva do Senhor,

a Mãe da disponibilidade,

o farol da nossa esperança.


Na Tua humildade,

encontramos a verdade.



Na Tua fidelidade,

reencontramos o sentido.



Com o Teu sim,

tudo mudou,

tudo continua a mudar.



Que o Teu sim nos mude.



Que o Teu sim mude a nossa vida.



Faz do nosso ser

um novo presépio,

igual ao Teu.



Que o Teu Filho nasça em nós.



Que a paz brilhe.

Que a justiça apareça.

E que os sonhos das crianças não deixem de se realizar.



Obrigado, Senhor,

por vires até nós

e por ficares sempre connosco!





Maria, Mãe,

semeia em nós

o Teu Natal,

o Natal do Teu (e do nosso) Jesus!
publicado por Theosfera às 10:40

A. O Natal já está perto de nós. E nós já estaremos perto do Natal?

 

  1. Está quase. Está quase a chegar o momento. Está quase a chegar o momento do grande acontecimento. O Natal está perto de nós. Deus já fez tudo. Deus já preparou tudo e há muito tempo. Deus já nos enviou o Seu melhor presente. Deus já nos ofereceu o Seu Filho.

Mas onde está Jesus no Natal? Ou, melhor, onde estamos nós no Natal? O Natal já está perto de nós. Mas será que nós já estamos perto de Natal? Ou não será que, quanto mais o Natal se aproxima de nós, mais nós nos afastamos do Natal? Não terá chegado o momento de «renatalizar» o Natal?

 

  1. Estamos quase no Natal, mas, com tanta correria, até parece que já chegamos ao Carnaval. Já nem sequer falta o recurso às máscaras. Neste caso, a máscara dominante é a do Pai Natal. Onde está Jesus no Natal? Onde estamos nós no Natal? Jesus está presente no Natal. Nós é que, muitas vezes, nem no Natal estamos em modo de Natal.

Será que atravessamos o Advento? O Advento termina neste dia. Mas, para muitos, nem sequer terá chegado a começar. O Natal só começa logo à noite, mas alguns até dão a entender que o Natal acaba logo à noite.

 

B. Como chegar ao Natal sem atravessar o Advento?

 

  1. Há quem atravesse o Advento sem se aperceber do Advento. Mal finda o Verão e os sinais de Natal já cá estão. Mas que Natal será este, antes do Advento e sem Advento? Há quem atravesse o Advento saltando de festa em festa, sem parar, sem reflectir, sem mudar. O Advento não é, obviamente, ausência de alegria. Mas é o Natal que desponta como plenitude da alegria. Sucede que toda esta sofreguidão em torno do Natal tem vindo a obscurecer completamente o significado do Advento.

Até nós, cristãos, acabamos por embarcar na corrente.  Afinal, estamos «no» mundo e, por vezes, esquecemos que não somos «do» mundo (cf. Jo 15, 19). É certo que celebramos o Natal de Jesus. Mas será que nos lembramos de preparar o Natal com Jesus? Há muitas antecipações do Natal e pouca preparação para o Natal. Ou será que já não percebemos que o Advento não existe para antecipar o Natal, mas para preparar o Natal?

 

  1. A preparação para o Natal não devia ser feita só pelo estômago nem aos pulos. Não é com «festivais de comida» nem com espectáculos sem fim que nos preparamos para o nascimento de Jesus. Sem Advento, haverá Natal? Sem o silêncio do Advento, estaremos preparados para sorver o silêncio do Natal?

É raro pensarmos nisto, mas o Natal é um luminoso mistério de palavra e silêncio. Ao contrário de nós, que passamos a vida a falar no meio de ruído, Deus só falou uma vez e no meio do silêncio. Como notou São João da Cruz, Deus só pronunciou uma Palavra: o Seu Filho, o Seu Verbo. E pronunciou-A em silêncio. Tanto assim que nós nem A ouvimos. Para nós, a palavra é sobretudo som e quase sempre ruído. Mas, em Cristo, Deus ensina-nos que a palavra também pode ser dita (e não apenas ouvida) em silêncio.

 

C. Natal em modo Carnaval?

 

  1. Que lugar estamos a dar ao silêncio? Era bom que, entre nós, também pairasse algum silêncio (até) para podermos escutar o grande silêncio de Belém. De facto, tão simples — e tão belo — é escutar. Mas é cada vez mais raro calar. Nestes dias de agitação, parece que já espatifamos o silêncio da meditação. Desaprendemos totalmente de ouvir e já mal sabemos calar.

Acontece que a palavra é tão preciosa que nunca deveríamos desperdiçá-la. A palavra não é só para usar. Deveria ser também — e bastante — para guardar. Se as palavras estão constantemente a sair de nós, que se pode, de relevante, encontrar em nós? Só a palavra que não é banalizada merece atenção cuidada. O problema é que, nesta vida tão intensa, o silêncio não goza de boa imprensa. Só se fala de quem fala. Quem fala de quem (se) cala? Para muitos, calar é não ser, é quase não existir.

 

  1. Como vamos, então, chegar ao Natal? Com o estômago cheio e a alma vazia? Será que temos o direito de alterar o Natal? O Natal é que nos devia alterar, a nós. Deus enviou o Seu Filho, não para que tudo continue na mesma, mas para que tudo seja diferente.

O Natal é o dia em que nunca anoitece. No Natal, até de noite é dia. O Natal é o dia em que a luz nunca escurece e em que até a escuridão parece brilhar. É o dia em que o céu desce à terra e a terra sobe ao céu. É o dia em que os extremos se tocam e os contrários se abraçam. É o dia em que «o lobo habita com o cordeiro» (Is 11, 6); em que até «a criança de peito brinca na toca da víbora» (Is 11, 8). É o dia em que os poderosos não mandam. É o dia em que um «menino nos conduz» (Is 11, 6).

 

D. Deus só pronunciou uma palavra e em silêncio!

 

  1. O Natal inaugura o dia em que os mais estranhos se entranham. É o dia em que Deus vem morar com o homem. A Primeira Leitura fala-nos de uma casa (cf. 2Sam 7, 4). Maria foi a casa que Deus escolheu para habitar neste mundo. Cada um de nós, como Maria, é chamado a ser habitação de Deus nesta terra.

É por isso que aquilo que aconteceu em Maria foi obra de Deus, não de qualquer ser humano. Foi Deus que, em Maria, decidiu fazer-Se homem. Nenhum homem teria poder para tal.

 

  1. Tal como Maria deixou que o Filho de Deus Se fizesse carne na Sua carne (cf. Lc 1,31-33), é fundamental que também nós deixemos que o mesmo Filho de Deus Se faça vida na nossa vida. Maria serva é o modelo para uma Igreja que tem de ser (cada vez mais) serva. Maria é senhora porque aceitou ser serva. O seu «sim» faz de Maria inteiramente feliz até ao fim.

Está aqui o grande mistério, que por nós vela e que no Natal se desvela. São Paulo fala-nos de um mistério «mantido em silêncio por tempos sem fim» (Rom 16,25). E é no silêncio que, em Cristo, esse mistério se manifesta (cf. Rom 16,25-26).

 

E. Com uma (única) palavra, Deus tudo faz e a todos enche de paz

 

  1. Não desperdicemos o silêncio do Natal. Faz-nos tão bem respirar o silêncio de Belém. Faz-nos bem aprender que não falamos só com os lábios. Belém, com Jesus, Maria e José, ensina-nos a falar com a vida e com a fé. O Natal é a festa do silêncio que fala. A divina Palavra acampou no silêncio do Menino que nasceu, do Filho que nos foi dado (cf. Is 9, 6).

Não consta que os Magos abrissem a boca quando viram Jesus (cf. Mt 2, 11). Diante do silêncio que se faz Palavra, é bom que as nossas palavras façam um pouco mais de silêncio. Os nossos encontros ainda são demasiado palavrosos. Habituemo-nos também a estar com o Senhor sem abrir os lábios. Um pouco de silêncio com Deus consegue (infinitamente) mais do que muitas palavras sobre Deus. Não esqueçamos que é apenas com uma Palavra que Deus tudo faz e refaz. É com essa única Palavra que Deus nos enche de paz!

 

  1. Que a paz de Belém esteja convosco: não só nesta noite, mas especialmente nesta noite. Convidai a Sagrada Família para entrar na vossa família. Não vos esqueçais de rezar antes de começar o jantar. Queria muito estar convosco nesta noite tão especial: a noite de Natal. Mas, no Deus que vem até nós, sentir-me-ei perto de cada um de vós. Em Jesus Menino estarei perto de vós e sentir-vos-ei bem perto de mim.

Mas depois nos unirmos em casa de cada um, estaremos ainda mais unidos na casa de todos, a Casa de Jesus. A Missa da Noite de Natal é tão cheia de encanto que ninguém quererá ficar no seu canto. É claro que não deixaremos de sentir a presença dos que não possam vir. Mas não tenhamos medo do frio. Deus aquece esta noite, inundando-a de luz. Queria fazer-me especialmente próximo de quem está doente, de quem vive só, de quem experimenta a dor, a separação, o luto. Afinal e como notou Edith Stein, «a noite de Natal e a noite da Cruz são uma única noite».Há quem sinta o peso da Cruz na noite da Natal. Que todos possam sentir o brilho do Natal, mesmo quando sentem o peso da Cruz. Por todos peço. A todos envolvo num sentido abraço de santo, feliz e abençoado Natal.

publicado por Theosfera às 05:59

Hoje, 24 de Dezembro (Quarto Domingo do Advento), é dia de S. Charbel Makhlouf e S. Delfim.

Um santo, abençoado e já natalino dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 23 de Dezembro de 2017

Hoje, 23 de Dezembro, é dia de S. João de Kenty, Sta Vitória, Sta. Anatólia, S. Sérvulo e Sta. Maria Margarida Dufrost de Lajemmerais.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Hoje, 22 de Dezembro, é dia de Sta. Francisca Xavier Cabríni e S. Graciano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017

Hoje, 21 de Dezembro (início do Inverno, às 16h28), é dia de S. Pedro Friedhofen e S. Pedro Canísio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2017

Hoje, 20 de Dezembro, é dia de S. Teófilo de Alexandria, S. Zeferino e S. Domingos de Silos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 19 de Dezembro de 2017

 

 

  1. O Natal é um luminoso mistério de palavra e silêncio.

Foi no silêncio mais profundo que a Palavra desceu ao mundo.

 

  1. Deus diz tudo e parece que ninguém ouve nada.

Foi necessário que os céus falassem para que os homens despertassem (cf. Lc 2, 8-18).

 

  1. O nosso tempo tem separado o silêncio da palavra e não cessa de afastar a palavra do silêncio.

Não conseguimos gerar palavras no silêncio e não somos capazes de digerir em silêncio as palavras.

 

  1. Achamos que falar é apenas produzir sons. E é assim que nos descomedimos: em vez de falar, fazemos ruído.

Tantas palavras saem dos nossos lábios. Mas quantas palavras chegam aos nossos ouvidos e entram na nossa alma?

 

  1. Será que já olhamos para Maria como mestra da palavra? Maria foi alguém que falou muito: não com os lábios, mas com a vida.

Muitas palavras Maria guardou em Si (cf. Lc 2, 19). Mas bastou-Lhe uma palavra para que o mundo nunca mais se esquecesse de Si. Foi a Palavra que Se fez carne no Seu seio (cf. Jo 1, 14; Lc 1, 35).

 

  1. Para Maria, era mais importante deixar ressoar a Palavra do que fazer soar palavras (cf. Lc 1, 38).

Foi Deus quem falou no silêncio de Belém. É no silêncio que nós ouviremos Deus também.

 

  1. Maria compreendeu que a ouvir também se vê.

Ver é encontrar e há muita coisa que não encontramos com os olhos. Há muita coisa que só encontramos escutando. Mas quem escuta, hoje?

 

  1. Nós, que ocupamos o tempo a ver, vamos passando ao lado do mais belo que pode acontecer.

Portamo-nos como aquele homem a que alude Timothy Radcliffe.

 

  1. Sentado a uma mesa, ele olha na direcção de uma mulher que fala, à sua frente. A certa altura, ela diz, extasiada: «O que eu aprecio em ti é que és um ouvinte maravilhoso».

Nenhuma resposta, porém. De repente, ela dá conta de que, atrás de si, está um televisor, a emitir um jogo de futebol. Era para trás da mulher que aquele homem olhava. Não era a mulher que aquele homem escutava.

 

  1. É sobretudo a escutar que veremos tanta coisa bela na nossa vida entrar.

É por isso que nos faz sempre tão bem respirar o silêncio que vem de Belém!

 

publicado por Theosfera às 10:35

Hoje, 19 de Dezembro, é dia de Sta. Sametana, Sto. Urbano V e S. Ciríaco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Hoje, 18 de Dezembro, é dia da Expectação de Nossa Senhora ou Nossa Senhora do Ó, S. Gaciano e S. Flávio.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Natal é a mesa farta,

mas é sobretudo a alma cheia.



Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.



Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.



Constrói um Natal para todo o ano,

para toda a vida.



Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.



É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.



Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.



Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.



Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.



Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.



Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.



Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.



Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.



Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.



Que tenhas um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:44

A. Não é a euforia que nos traz a alegria

  1. Hoje é o Domingo da Alegria. E até o celebrante se (re)veste de rosa para assinalar época tão gozosa. É tempo de alegria no meio de toda esta aragem fria. É tempo de alegria porque Deus nos «aquece» quando do Céu à Terra desce.

Alegremo-nos, pois, mesmo (ou sobretudo) quando a tristeza nos visita e o desalento nos possui. A alegria é terapia que nos rejuvenesce nos piores momentos. Não há só alegria quando o rosto sorri. Até pode chover alegria quando as lágrimas pelo rosto (es)correm. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela. Deixemos entrar Deus na nossa alma e, mesmo na tempestade, não perderemos a paz. Nem a calma.

 

  1. Hoje em dia, há um grande défice de alegria. Recorremos à euforia para compensar a ausência de alegria. Mas não é a euforia que nos traz a alegria. O que a euforia consegue é, por uns momentos, esconder a tristeza que nos invade. Basta ouvir a espantosa voz de Ana Moura no seu — e nosso — «(des)fado»: «Ai que tristeza, esta minha alegria. Ai que alegria, esta tão grande tristeza».

Na verdade, aquilo a que, quase sempre, chamamos «alegria» não passa da euforia que encobre — e tenta esconder — uma avassaladora tristeza. A verdadeira — e única — alegria é aquela que vem com Deus. É Deus que verdadeiramente nos alegra, a nós, filhos Seus. E que bela é a alegria de, em cada momento, poder celebrar o divino nascimento!

 

B. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela

 

 

  1. É por isso que, no meio do Advento, este é o chamado «Domingo mediano», mais conhecido, porém, como «Domingo da Alegria». Trata-se do Domingo «Gaudete», fórmula verbal latina que significa «alegrai-vos».

É a ressonância de um convite feito por São Paulo na Carta aos Filipenses: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4, 4). Ou seja, o que nos dá alegria não é o que nos vem do exterior. O que nos dá alegria é, em nós, a presença do Senhor.

 

  1. Haja o que houver, nada pode roubar esta alegria que Deus nos está sempre a dar. No Sermão da Montanha, mesmo a finalizar o elenco das Bem-Aventuranças, Jesus faz um enfático convite à alegria: «Alegrai-vos e exultai pois é grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 12).

Quem tem Deus, ainda que nada mais tenha, tem tudo. Já Isaías, no Antigo Testamento, se faz eco desta convicção ao dizer: «Exulto de alegria no Senhor» (Is 61, 10). É em Deus — e não no dinheiro ou no poder — que está a nossa alegria. Daí que São Paulo insista: «Vivei sempre na alegria» (1Tes 5, 16).

 

C. A alegria do Evangelho e o Evangelho da alegria

 

 

  1. Foi esta a alegria que Maria experimentou, apesar das contrariedades por que passou. O Salmo Responsorial faz-se eco do cântico do «Magnificat», em que Maria «exulta de alegria em Deus, Seu [e nosso] Salvador» (Lc 1, 46). Maria está alegre porque, como bem observou São João da Cruz, está apaixonada por Deus e «todos os apaixonados cantam».

Não espanta que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Porquê? Porque «anuncia» um mundo novo. Recorde-se que foi este cântico que provocou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar em Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca». A partir de então começou a «acreditar por dentro e com todas as forças»!

 

  1. Foi para vincar a alegria pela presença de Deus que, em 1975, o Papa Paulo VI escreveu a exortação apostólica «Gaudete in Domino». E, em 2013, o Papa Francisco também nos brindou com uma exortação apostólica sobre a alegria, ligada ao Evangelho. É que só no Evangelho, a mais bela notícia que existe, reencontraremos a alegria para esta vida (tantas vezes) triste.

Daí que o Santo Padre tenha dado à sua exortação o título de «A alegria do Evangelho». No fundo, ele está a convidar-nos a que nos reaproximemos do Evangelho da alegria: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». É por tal motivo que «os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho: não como quem impõe uma nova obrigação, mas sim como quem partilha uma alegria».

 

D. A alegria até pode vir regada pelas lágrimas

 

  1. A alegria pode não vir pelo riso. A alegria até pode vir profusamente regada com lágrimas. Jesus considerou felizes os que choram (cf. Mt 5, 4). E não guardamos nós memória de tantas lágrimas de alegria? A maior alegria está na seriedade. Não estamos longe da alegria quando estamos perto da seriedade. A alegria é mesmo uma coisa muito séria. E não será a seriedade a coisa mais alegre?

Paul Claudel afirmou que «onde há mais alegria, há mais verdade». A seriedade é, sem dúvida, alegre. A seriedade é, definitivamente, a coisa mais alegre deste mundo. E, com o nosso Almada Negreiros, acrescentaria que «a alegria é a coisa mais séria desta vida». O sustento da alegria encontra-se num coração puro, numa alma transparente e numa vida limpa.

 

  1. É neste espírito que devemos olhar para João Baptista como um modelo de alegria. À partida, ouvindo o que ele diz e reparando no que ele faz, seríamos tentados a deduzir que se trata de um homem circunspecto, às vezes um pouco ríspido até. Mas essa seria uma visão superficial e uma apreciação injusta.

João Baptista é profundamente alegre porque é intrinsecamente sério. A sua seriedade é o sustento da sua alegria. Homem corajoso, nunca recuou perante os obstáculos nem vacilou diante das ameaças. Era um homem liso e limpo: dizia as coisas próprias nos momentos certos. Foi sempre oportuno, ainda que as circunstâncias o fizessem parecer inoportuno. O que ele jamais quis ser foi oportunista. Nunca agiu em proveito próprio. Nunca pretendeu cavalgar ondas de popularidade, mesmo que tal lhe fosse fácil, já que tinha muitos seguidores.

 

E. Mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração

 

 

  1. A palavra de João foi sempre cortante: «Eu não sou o Messias» (Jo 1, 20). João era a voz de quem «clama no deserto» (Jo 1, 23). Ele diz «voz» e não «palavra», porque a Palavra não é João; é Jesus. João estava ao serviço do Messias que havia de vir (cf. Jo 1, 27). E o importante, para João, é que o Messias cresça, mesmo que ele diminua (cf. Jo 3, 30). A sua humildade nasce da sua coragem.

João é, todo ele, um programa: desde o seu nome até à sua vida. João significa «Deus faz graça» e não há dúvida de que ele se comportou sempre como um agraciado, enviado por Deus, como diz o quarto Evangelho: «Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João» (Jo 1,6). Faz, pois, sentido com esta grande figura estar em sintonia no Domingo da alegria. Só há alegria quando há seriedade, quando há autenticidade, quando há verdade.

 

  1. Alegremo-nos, então, à maneira de João. E, com João, enchamo-nos de luz para receber Jesus. Ele já está no meio de nós. Já saboreamos a Sua paz. Vós, sobretudo os que sentis o coração tingido pela tristeza, tende a certeza de que Ele enche a vossa vida de beleza. Deixai que as vossas lágrimas escorram. Mas não deixeis que as vossas alegrias morram. Basta saber que Deus está no meio de nós para que nunca nos sintamos sós. E, mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração.

Tenhamos isto presente e digamo-lo a toda a gente: «Onde mais alegria, há mais seriedade. Onde há mais seriedade, há mais alegria». A alegria não é a euforia de uma noite divertida. A alegria vem pela seriedade de uma vida limpa, ainda que sofrida. A alegria da seriedade e a seriedade da alegria são os mais belos ornamentos para o nosso contínuo Advento. E para o nosso eterno Natal!

publicado por Theosfera às 05:55

Hoje, 17 de Dezembro (Terceiro Domingo do Advento), é dia de S. João da Mata, Sta. Olímpia, S. José de Manyanet e Mártires de Gaza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Hoje, 16 de Dezembro, é dia de Sta. Adelaide, S. Guilherme de Fenol, Sto. Honorato de Biala, S. Clemente Marchisio e Sta. Maria dos Anjos.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

Hoje, 15 de Dezembro, é dia de Sta. Maria Crucificada da Rosa, S. Mesmin, Sta. Cristina, S. João Henrique Carlos e Sta. Virgínia Bracelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

Hans Christian Anderson achava que «é da realidade que nascem os contos mais espantosos».

Aqueles que ele escreveu devem ser bem reais. Porque são (mesmo) espantosos!


 
publicado por Theosfera às 20:46

Hoje, 14 de Dezembro, é dia de S. João da Cruz, S. Venâncio Fortunato e Sta Maria Francisca Shervier.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
  1. Tão simples — e tão belo — é escutar. Mas coisa cada vez mais rara é calar.

Nestes dias de correria, parece que espatifamos o silêncio. Desaprendemos de ouvir e já não sabemos calar.

 

  1. A palavra é tão preciosa que nunca deveríamos desperdiçá-la. A palavra não é só para usar. Deveria ser também — e bastante — para guardar.

Se as palavras estão constantemente a sair de nós, que se pode, de relevante, encontrar em nós? Só a palavra que não é banalizada merece atenção cuidada.

 

  1. Acontece que, nesta vida tão intensa, o silêncio não goza de boa imprensa.

Só se fala de quem fala. Quem fala de quem (se) cala? Para muitos, calar é não ser, é quase não existir.

 

  1. Em permanente conspiração contra o silêncio, nem sequer percebemos que aquele que fala também precisa daquele que (se) cala.

Como pode haver comunicação com palavras em contínua — e ruidosa —sobreposição?

 

  1. O paroxismo deste cenário está nas entrevistas televisivas. Que disponibilidade mostram os entrevistadores para ouvir os entrevistados?

Como é possível responder se há quem esteja sempre a interromper?

 

  1. Para nós, hoje, a palavra é apenas som. A sua eficácia não é procurada na razão que transporta, mas no ruído que provoca e no volume que atinge.

É por isso que, muitas vezes, o diálogo é substituído pelo protesto. Pensa-se que mais alcança quem mais grita.

 

  1. Sucede que a palavra não é apenas som. Nem principalmente som.

Como bem notou São João da Cruz, Deus só proferiu uma Palavra — o Seu Filho — e proferiu-A em silêncio. Foi no Seu eterno silêncio que Deus disse tudo.

 

  1. Olhemos para o silêncio de Belém e aprendamos com Deus, que fala calando-Se.

O Natal é a festa do silêncio que fala. A divina Palavra acampou no silêncio do Menino que nasceu, do Filho que nos foi dado (cf. Is 9, 6).

 

  1. Não consta que os Magos abrissem a boca quando viram Jesus (cf. Mt 2, 11). Diante do silêncio que se faz Palavra, as nossas palavras só podem fazer silêncio.

Necessitamos de uma «pastoral da gestação» (Philippe Bacq) que nos reaproxime do silencioso «mistério da geração» (São Guerrico).

 

  1. Os nossos encontros ainda são demasiado palavrosos. Habituemo-nos, pois, a estar com o Senhor sem abrir os lábios.

Um pouco de silêncio com Deus consegue (infinitamente) mais do que muitas palavras sobre Deus!

publicado por Theosfera às 10:11

Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

Hoje, 11 de Dezembro, é dia de S. Dâmaso, S. Daniel estilita, S. Martinho de S. Nicolau, S. Melchior de Sto. Agostinho e Sta. Maria Maravilhas de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 10 de Dezembro de 2017

No Advento já é Natal.

 

No Natal continua a ser Advento.

 

É Advento no Natal porque o Natal celebra a grande chegada do Senhor Jesus à nossa história, ao nosso mundo, à nossa vida.

 

E é Natal no Advento porque nele o Senhor nasce e renasce.

 

A Eucaristia é o grande Advento e o perene Natal.

 

Creio, Senhor, que vieste ao mundo

e que no mundo permaneces.

 

Tu estás em toda a parte,

estás no Homem,

estás na Vida,

estás na História,

estás no Pequeno,

estás no Pobre.

 

Hoje como ontem,

permaneces quase imperceptível.

 

Há quem continue a procurar-Te no fausto,

na ostentação,

na majestade.

 

Tu desconcertas-nos completamente

e surpreendes-nos a cada instante.

 

És inesperado

e estás sempre à nossa espera.

 

Os momentos podem ser duros.

 

O abandono pode chegar

e a rejeição pode asfixiar-nos.

 

Tu, porém, não faltas.

 

Estás sempre presente.

Estás simplesmente.

 

Creio, Senhor,

que é na simplicidade que nos visitas

e na humildade que nos encontras.

 

Converte-nos à Tua bondade,

inunda-nos com o Teu amor,

afaga-nos na Tua paz.

 

Obrigado, Senhor, pelo Teu constante Advento.

 

Parabéns, Senhor, pelo Teu eterno Natal!

publicado por Theosfera às 10:38

A. O «preparador» dos caminhos do Senhor

  1. É essencialmente o Advento um tempo de mensagens e de mensageiros. A preparação para a chegada do Senhor faz-se através de mensagens que anunciam a Sua vinda e que nos despertam para a Sua presença. O Evangelho fala-nos de um grande mensageiro. O Evangelho mobiliza sempre grandes mensageiros.

Curiosamente, este é um tempo em que trocamos muitas mensagens. Que seja sobretudo um tempo em que se divulgue a mais bela mensagem. Não nos limitemos, pois, às «sms» de circunstância. Neste Natal, enviemos a todos uma «sms» especial: «Deus vem até nós; em Cristo, Ele nunca nos deixa sós. Haverá coisa mais bela do que isto: fazer da nossa vida uma morada do próprio Cristo?»

 

  1. João é o «preparador» dos caminhos do Senhor. Ele é o mensageiro que desassossega a nossa vida por inteiro. É uma figura que se tornou popular, mas a sua preocupação nunca foi aos homens agradar. O seu discurso não era populista; a sua integridade, aliás, está bem à vista. Não andava ao sabor da corrente; pelo contrário, a sua palavra incomodava muita gente.

Primando sempre pela coerência, proclamou um «baptismo de penitência» (Mc 1, 4). A sua conduta austera é o exemplo de uma pessoa, toda ela, sincera. Dizia o que fazia e fazia o que dizia. João não veio trazer para a direita o que estaria na esquerda. João veio para trazer para a direita o que, muitas vezes, está torto: a nossa vida. É a nossa vida que Deus quer trilhar. São os caminhos da nossa vida que João vem «endireitar» (cf. Mc 1, 3).

 

B. Jesus vem não para que tudo fique igual, mas para que aconteça a renovação total

 

  1. Vamos continuar na mesma? Vamos resistir à mudança? Vamos continuar a adiar a esperança? Tudo começa a ser novo quando Deus vem para o meio do Seu povo. E, no entanto, muitas são as vezes em que nos sentimos gastos e desgastados, calcados e cansados. Já nem ao futuro damos oportunidade de ser futuro. Nem sequer a esperança parece escapar. A própria esperança apresenta-se recessiva, à beira da falência.

Se esperar é sempre necessário, nas horas difíceis torna-se muito mais urgente. Como notou Vergílio Ferreira, «quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte». O povo diz que «quem espera, desespera». Mas o mesmo povo também reconhece que «quem espera, sempre alcança».

 

  1. Neste Domingo, ouvimos São Pedro anotar que esperamos «novos céus e nova terra» (2Ped 3, 13). Em Cristo, Deus presenteia-nos com a novidade perene, isto é, com a novidade que nunca deixa de ser nova. Em Cristo, Deus vem para renovar todas as coisas e particularmente todas as pessoas (cf. Ap 21, 5). De facto, em Cristo, Deus não vem para que tudo fique igual, mas para que aconteça a renovação total.

A este propósito, ocorre-me uma pequena história. Quando Jesus nasceu, alguém foi ter com um velho mestre para lhe dar a feliz nova: «Olha que o Messias já veio»! Mas o velho mestre nada respondeu. Foi à janela, deitou a cabeça fora, fechou a janela, abanou a cabeça e disse: «Não, ainda não veio». É que ele achava que, quando o Messias viesse, tudo seria diferente, até o ar. E, na verdade, assim é. Jesus veio, Jesus vem, para que tudo seja diferente, para que tudo seja novo.

 

C. Há mais desertos nos corações do que nos solos

 

  1. É por isso que a esperança não é inactiva. A esperança é profundamente activa e activadora. Ter esperança não é ficar quieto, não é aquietar. Pelo contrário, ter esperança é inquietar e deixar-se inquietar. Aliás, São Pedro também irmana a novidade que esperamos com a justiça por que (também) suspiramos (cf. 2Ped 3, 8).

Sem justiça, não haverá novos céus nem nova terra. Sem justiça, nenhuma novidade é boa. Mas para que a justiça possa acontecer, o Justo temos de acolher. Deixemos, pois, que as nuvens «chovam» o Justo (cf. Is 45, 8). A justiça tem de ser acolhida como um dom. Nós sabemos que, como reza o Salmo 72, nos dias do Senhor, a justiça, juntamente com a paz, virá para sempre (cf. Sal 72, 3).

 

  1. A iniciativa é de Deus. É Deus que, em Cristo, nos envia a justiça e a paz. João é a voz que anuncia a chegada desta justiça e desta paz. É neste sentido que João é a voz que urge conversão. Mas é igualmente neste sentido que João surge também como uma voz que «brada no deserto» (Mc 1, 3).

O deserto, aqui, não são tanto os solos áridos. O deserto, aqui, são sobretudo os nossos corações insensíveis e indiferentes. Há mais desertos nos corações do que nos solos. João fala para nós. Mas que atenção damos à sua voz? Hoje, há tantos desertos no mundo, há tantos desertos na vida. João é o homem que fala no deserto e ao deserto. É o homem que não foge das adversidades. É o homem que diz o que tem de ser dito, para que nós façamos o que tem de ser feito.

 

D. Não nos afastemos da esperança porque a esperança (também) não se afasta de nós

 

  1. A nossa missão tem muito de João. Afinal, o Esperado já está ao nosso lado. Como enviou João, também nos envia a cada homem, nosso irmão. Por conseguinte, é para nós que ressoa o que escutámos no divino apelo: «Consolai, consolai o Meu povo. Falai ao coração de Jerusalém» (Is 40,1). É por nós que Deus quer consolar os desconsolados, os que sofrem. É por nós que Ele quer dizer a todos que está a chegar (cf. Is 40, 9).

Deus não intervém à distância. Ele está sempre à nossa beira, ao longo da nossa vida inteira. Deus quer encontrar-nos na paz (cf. 2Ped 3, 14). Só na paz poderemos acolher o Portador da Paz!

 

  1. Para esta missão, é preciso ir com urgência, mas também com paciência. O futuro pertencerá àqueles que acreditarem que a história não acaba hoje. O futuro pertencerá àqueles que, hoje, fizerem tudo para que o amanhã seja melhor. As evidências não ajudam. Mas a esperança é mais importante quando ela de nós parece mais distante.

Não nos afastemos da esperança porque a esperança também não se afasta de nós. A esperança não assegura tudo o queremos, mas mobiliza-nos para construir tudo aquilo que sonhamos. É por isso que, como escreveu notavelmente Charles Péguy, a esperança espanta o próprio Deus.

 

E. São os «novos céus» que farão a «nova terra»

 

  1. Que as crianças «vejam como tudo acontece e acreditem que amanhã será melhor. Que elas vejam o que se passa hoje e acreditem que amanhã de manhã será melhor. Isso é espantoso e essa é a maior maravilha da nossa graça».

Nunca foi fácil a esperança. Hoje sentimos que ela é cada vez mais difícil. Mas é talvez por isso ela é também mais apaixonante. É que enquanto «a fé vê o que é» e «a caridade ama aquilo que é», «a esperança vê o que será e ama o que será». A esperança «não é o que termina»; a esperança «é aquela que sempre recomeça».

 

  1. Os novos céus não podem ser apenas depois. Os novos céus já estão no meio de nós. Os céus já são novos. E a terra? É preciso construir uma nova terra para acolher os novos céus. Os novos céus são uma vida nova, uma vida renovada, uma vida justa, uma vida pacífica e pacificante.

Renovemos a vida na terra a partir de hoje. A esperança não desistiu de nós. Não queiramos nós desistir da esperança. Que a nossa vida renovada seja um permanente Advento para que, nela, possa ocorrer sempre um (e)terno Natal!

publicado por Theosfera às 05:20

Hoje, 10 de Dezembro (Segundo Domingo do Advento e Dia Mundial dos Direitos do Homem), é dia de Nossa Senhora do Loreto, de Sta. Eulália e de S. Melquíades.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 09 de Dezembro de 2017

Hoje, 09 de Dezembro, é dia de Sta. Leocádia, Sta. Clara Isabel, S. Bernardo Maria de Jesus e S. Libório Wagner.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 08 de Dezembro de 2017

Nossa Senhora, Mãe da esperança,

Acompanha-nos na nossa jornada pelo tempo.

Faz brilhar em nós a luz do Teu sim.

 

Tu és a toda santa, a toda bela, a toda pura.

Dá-nos a graça de sermos simples e fiéis,

Persistentes e constantes.

Semeia em nós a santidade.

 

Que sejamos humildes como Tu.

Que deixemos Deus fazer através de nós as maravilhas que Deus realizou por meio de Ti.

 

Ajuda-nos no caminho,

Acompanha-nos na viagem.

 

Apoia-nos quando cairmos.

Enxuga as nossas lágrimas.

 

Dá-nos a Tu mão, agora,

E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.

 

Que sejamos santos

E, por isso, felizes.

 

E por isso cada vez mais amigos,

Cada vez mais unidos,

Cada vez mais irmãos!

 

Daqui a 17 dias, celebraremos o nascimento de Teu Filho,

De hoje a nove meses estaremos aqui a celebrar o Teu próprio nascimento.

 

Dizer-Te obrigado é pouco,

Mas, à falta de melhor, é tudo o que nos resta.

 

Aceita, pois, a palavra dos nossos lábios

E o sentimento que brota do nosso coração.

 

Obrigado, Mãe.

Leva-nos conTigo ao coração do Pai!

publicado por Theosfera às 10:42

 

A. O presépio inicial

  1. Grande, belo e luminoso é este dia formoso. O Natal, festa de alegria, como que começa a despontar na festa deste dia. Afinal, não foi S. Francisco quem inventou o presépio. Antes do presépio de Francisco de Assis foi o seio de Maria que Deus quis. Maria foi o primeiro presépio, um presépio desenhado e construído por mão divina. Podemos dizer que Jesus começou a vir quando a Sua Mãe começou a surgir. A Sua concepção é o início da fase definitiva da nossa salvação. Foi do ventre da Mãe do saboroso amor que chegou até nós o Salvador.

Este é um verdadeiro dia da Mãe. É o dia em que a Mãe começou a existir. É o dia em que o céu se quis abrir e, para todos, sorrir. O primeiro suspiro de Maria acaba por ser o primeiro sopro de vida de Jesus. A Mãe também teve mãe, também teve pai. Mas Sta. Ana e S. Joaquim não imaginavam que aquele começo não mais teria fim. Este é, pois, o início antes do começo, o dia anterior ao dia primeiro. Este é o Natal que prepara o Natal. É o pré-Natal que nos vai conduzir até ao Natal.

 

  1. Qual Pai desvelado, Deus cuidou, desde sempre, da morada para o Seu Filho. Preparou-Lhe uma Mãe sem mancha, uma Mulher sem mácula. Desde a Sua concepção, Maria foi imaculada. A Imaculada Conceição é a primeira grande visitação de Deus à Mãe de Seu Filho. Foi o primeiro instante de uma presença constante.

É desde o início que Deus nos sustenta. Foi desde o início que Deus sustentou Maria com a Sua presença. Foi desde o início que Maria Se tornou a «cheia de graça»(Lc 1, 28) Desde sempre tatuada por Deus, Maria nunca conheceu o pecado original. A Igreja desde o princípio o reconheceu e, pela voz de Pio IX, o proclamou a 8 de Dezembro de 1854, na Bula «Ineffabilis Deus»: «A Bem-Aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de Sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda a mancha do pecado original».

 

B. Uma festa universal, uma festa de Portugal

 

3. Por aqui se vê como Maria também precisou de ser redimida. Afinal, a Mãe também precisou do Filho, Maria também precisou de Jesus. Aliás, se assim se não fosse, ficaria em causa um dos pilares estruturantes da nossa fé: a universalidade da salvação. Se Maria não precisasse de ser salva, a salvação não seria plenamente universal pois haveria, pelo menos, uma criatura que a dispensava. Só que Maria também foi salva, Maria também foi redimida, mas por antecipação, por preservação. No Seu desígnio insondável, Deus preservou do pecado Aquela que haveria de gerar Aquele que nos iria libertar de todo o pecado.

E o certo é que esta verdade de fé tem sido acreditada desde os começos. Muitos escritores antigos defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente. No século IV, Sto. Efrém sustentava que só Jesus e Maria estão limpos de todo o contágio do pecado. Daí que, já no século VIII, se celebrasse a festa litúrgica da Imaculada Conceição a 8 de Dezembro, ou seja, nove meses antes da festa de Sua natividade, comemorada a 8 de Setembro.

 

  1. Em Portugal, houve sempre uma entranhada devoção à Imaculada Conceição. Já por alturas da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, foi celebrado um pontifical de acção de graças, em honra da Imaculada Conceição. D. Nuno Álvares Pereira mandou construir a Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa, encomendando, para o efeito, uma imagem em Inglaterra. Quando ingressou no Convento do Carmo como irmão leigo, quis usar apenas o nome de Frei Nuno de Santa Maria.

Nas cortes de 1646, o rei D. João IV declarou, sob juramento, Nossa Senhora da Conceição Padroeira de Portugal. Este mesmo rei, em 1648, mandou cunhar moedas de ouro e de prata chamadas «Conceição». Em 1654, o referido monarca enviou a todas as câmaras municipais cópia da inscrição comemorativa do juramento solene feito em 1646 para que fosse mais notória a obrigação de defender «que a Virgem Senhora Nossa foi concebida sem pecado original». Também em 1654, o reitor e os professores da Universidade de Coimbra determinaram que a fórmula do juramento de todos os futuros graduados começasse pelo compromisso de «defender sempre e em toda a parte que a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem a mancha do pecado original». E até 1910 o cumprimento de tal juramento era condição para se obter qualquer grau universitário.

 

C. O Filho que Maria nos deu pela fé O concebeu

 

5. É com pesar que noto que a memória começa a ser difusa acerca de toda uma história que é também tão lusa. De facto, Maria, sendo genuinamente universal, é muito nossa, é muito de Portugal. Se os nossos antepassados aprenderam cedo a venerá-La, iremos nós, agora, ignorá-La?

Maria é uma presença que a nossa fé não dispensa. É uma lembrança que nos acalenta na esperança. Ela é a toda pura e é com emoção que olhamos para a Sua figura. Ela é a toda bela e a nossa vida está sempre iluminada por Ela. Ela é toda luz e com suave segurança nos conduz. Ela esteve junto à Cruz e continua a levar-nos até Jesus.

 

  1. Os orientais chamam-Lhe «odighitria» porque para o Céu Ela nos serve de guia. Também Lhe chamam «panaguía», já que é toda santa, com uma santidade que nos encanta.

Maria não era muito de falar, era mais de escutar. A Palavra de Deus não A encontrou distraída, por isso a mesma Palavra n’Ela Se fez vida. O Filho que Ela nos deu pela fé O concebeu.

 

D. Um sim que não tem fim

 

7. Deixemo-nos, pois, guiar por Maria. Ela não nos afasta de Jesus. Aliás, como poderia afastar-nos de Jesus Aquela que nos dá Jesus? Como reconhecia Charles Péguy, «é preciso que a gente suba Àquela que intercede, Àquela que é infinitamente celeste porque é também infinitamente terrestre, Àquela que é infinitamente eterna porque é também infinitamente temporal, Àquela que está infinitamente acima de nós porque está infinitamente entre nós, Àquela que é Maria porque é cheia de graça, Àquela que é cheia de graça porque é connosco, Àquela que é connosco porque o Senhor é com Ela, Àquela que está infinitamente longe porque está infinitamente perto, Àquela que é a mais alta princesa porque é a mais humilde mulher, Àquela que está mais próxima de Deus porque é a que está mais próxima dos homens».

Como notou o mesmo poeta, a Maria não falta nada, a não ser o ser Deus, ser o Seu Criador. «Porque, sendo carnal, Ela também é pura. Sendo pura, também é carnal. Por isso, Ela não é apenas uma mulher única entre todas as mulheres, mas uma criatura única entre todas as criaturas. Ela é uma criatura única, infinitamente única, infinitamente rara».

 

  1. A história da humanidade tinha tudo para correr mal. A Primeira Leitura mostra-nos como a história da humanidade tinha tudo para ser conduzida pelo mal. Mas já nos começos se anuncia que o mal não iria prevalecer. Já aí se garante que por uma mulher o bem haveria de vencer. Maria é a primeira mulher da nova humanidade. Sto. Anselmo reconhece a Sua importância singularíssima: «Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai a quem se deve a constituição do mundo, e Maria a mãe a quem se deve a sua restauração. Pois Deus gerou Aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz Aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou Aquele fora do qual nada existe, e Maria deu à luz Aquele sem o qual nada subsiste». Maria é, por isso, a nova Eva, a outra Eva. Ela é saudada com este nome invertido. «Ave» é o contrário de Eva, sinal de que, a partir de agora, tudo é diferente.

«Ave» significa «alegra-Te», pelo que a nova humanidade só tem motivos para se alegrar. A nova humanidade começa por um acto de fidelidade. O «sim» de Maria nunca mais terá fim. O amor de Maria é fecundo porque o seu «sim» é profundo. Os Seus lábios disseram «amém» e todo o Seu ser anuiu também. O Verbo fez-Se carne pela carne de Maria. A Palavra fez-Se vida na vida de Maria. Foi no silêncio de Maria que fermentou a Palavra que salva. O Seu coração guardou a Palavra que Deus enviou (cf. Lc 2, 19). Com Maria digamos «sim». Com Maria digamos também «amém».

 

E. Tanta tristeza na beleza, tanta beleza na tristeza

 

9. Termino com o meu poema preferido sobre Nossa Senhora. Foi composto por Antero de Quental. Era um espírito inquieto, mas que sempre soube encontrar a bússola certa para os seus caminhos incertos. É um texto sentido, um texto sofrido. É um texto que fala da Mãe, do Seu amor e da Sua dor, da Sua tristeza e da Sua beleza.

De facto, tanto amor há na dor e tanta dor há no amor; tanta tristeza há na beleza e tanta beleza há na tristeza.

 

  1. Eis o poema:

«Num sonho todo feito de incerteza,

De nocturna e indizível ansiedade

É que eu vi o teu olhar de piedade

E (mais que piedade) de tristeza.

 

Não era o vulgar brilho da beleza,

Nem o ardor banal da mocidade.

Era outra luz, era outra suavidade,

Que até nem sei se as há na Natureza.

 

Um místico sofrer... uma ventura

Feita só de perdão, só da ternura

E da paz da nossa hora derradeira.

 

Ó visão, visão triste e piedosa!

Fita-me assim calada, assim chorosa.

E deixa-me sonhar a vida inteira!»

 

Maria é a estrela do Advento. É Ela, afinal, que nos embala até ao Natal. É Ela que nos oferece o Natal. Foi o Seu amor profundo que trouxe o Filho de Deus até ao nosso mundo!

publicado por Theosfera às 05:15

Hoje, 08 de Dezembro, é dia da Imaculada Conceição (Padroeira principal de Portugal), de Sta. Elfrida, Sta. Edite, Sta. Sabrina e Sta. Narcisa de Jesus Martilho Morán.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 07 de Dezembro de 2017

Neste dia de Santo Ambrósio, uma frase sua devemos reter: «A Igreja nunca perde quando ganha a caridade»!

publicado por Theosfera às 07:01

Hoje, 07 de Dezembro (52º aniversário da «Gaudium et Spes» e 412 aniversário da invasão de Timor-Leste pela Indonésia), é dia de Sto. Ambrósio (invocado como protector das abelhas e dos gansos) e de Sta. Maria Josefa Roselho.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 06 de Dezembro de 2017

Hoje, 06 de Dezembro, é dia de S. Nicolau, S. Sabas, Sta. Dionísia e S. Majórico.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 05 de Dezembro de 2017

 

  1. Não correm fagueiros os tempos para a moderação.

Os dias que vivemos estão cercados de desmesuras e dominados por excessos.

 

  1. Mergulhados em demasias, não somos capazes de nos conter e temos uma crescente dificuldade em esperar.

O ruído e a pressa vão-nos retirando disponibilidade para contemplar a beleza de cada momento e o sentido de cada instante.

 

  1. Nem o Natal se demarca deste frenesim. A sofreguidão dos festejos de Natal tem vindo praticamente a obscurecer o significado do Advento.

Mal finda o Verão e os sinais de Natal já cá estão. Mas que Natal será este, antes do Advento e sem Advento?

 

  1. É o Natal «das» famílias, o Natal «dos» colegas, o Natal «das» promoções, o Natal «do» consumo, o Natal «das» prendas, o Natal «das» festas, o Natal «dos» almoços e jantares, etc.

Ou seja, em vez «do» Natal, há «Natais».

 

  1. E até nós, cristãos, acabamos por embarcar na corrente.

Afinal, estamos «no» mundo e, por vezes, escapa-nos que não somos «do» mundo (cf. Jo 15, 19).

 

  1. É certo que não nos costumamos esquecer de celebrar o Natal de Jesus. Mas será que nos lembramos de preparar sempre o Natal com Jesus?

Há muitas antecipações do Natal e pouca preparação para o Natal. Ainda falta perceber que o Advento não existe para antecipar o Natal, mas para preparar o Natal.

 

  1. O Advento não é, obviamente, ausência de alegria. Mas é o Natal que desponta como plenitude da alegria.

Daí que, na sua sábia pedagogia de mãe, a Igreja nos peça para não antecipar no Advento a «alegria plena» do Natal.

 

  1. É por isso, aliás, que, no Advento, não se canta o «Glória».

Os instrumentos musicais usam-se com maior sobriedade e os ornamentos florais são menos vistosos.

 

  1. A preparação do Natal não devia ser feita só pelo estômago nem aos pulos. Não é com «festivais de comida» nem com espectáculos sem fim que nos preparamos para o nascimento de Jesus.

Porque não agendar as realizações mais festivas para depois da noite de 24 de Dezembro?

 

  1. Até lá, era bom que pairasse algum silêncio para podermos ouvir o grande silêncio de Belém.

Não abafemos, com as nossas palavras, a única palavra que Deus pronunciou: o Seu Verbo, o Seu Filho. É com essa única Palavra que Deus tudo faz e refaz. É com essa única Palavra que Deus nos enche de paz!

publicado por Theosfera às 10:58

Hoje, 05 de Dezembro, é dia de S. Martinho do Dume, S. Frutuoso, S. Geraldo, S. Bartolomeu Fanti, S. Filipe Rinaldi e S. Nicolau Stensen.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 04 de Dezembro de 2017

Hoje, 04 de Dezembro, é dia de S. João Damasceno, Sta. Bárbara, S. João Orani Calábria e Bem-Aventurado Adolfo Kolping.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 03 de Dezembro de 2017

Vim, Senhor, à Tua procura

 

e notei que Tu já estavas comigo.

 

 

 

Fiquei, Senhor, à Tua espera

 

e verifiquei que Tu já moravas comigo.

 

 

 

Pensei, Senhor, que Te encontravas a meu lado

 

e apercebi-me de que já habitavas no meu coração.

 

 

 

O Teu presépio, Jesus, é o íntimo de cada ser humano.

 

A manjedoura em que, hoje, Tu (re)nasces

 

é a vida de tanta gente.

 

 

 

Por isso é sempre Advento,

 

porque Tu estás sempre a chegar.

 

E por isso é sempre Natal,

 

porque Tu estás sempre a nascer.

 

 

 

Nasce, Senhor, no meu peito.

 

Nasce, Senhor, na minha alma.

 

 

 

Nasce, Senhor, na minha vida.

 

Nasce, Senhor, no nosso mundo.

 

 

 

Não tardes mais.

 

O mundo precisa de Ti,

 

da Tua Palavra,

 

do Teu Pão,

 

do Teu imenso Amor

 

e da Tua infinita Paz!

publicado por Theosfera às 10:39

A. Com o tempo que vem, Deus vem também

 

  1. Depois de um Ano Litúrgico, outro Ano Litúrgico. Há uma semana, assinalávamos, com a solenidade de Cristo Rei, o último Domingo do Ano Litúrgico. Hoje, Primeiro Domingo do Advento, damos início a um novo Ano Litúrgico. É o chamado Ano B, cujo evangelista dominante é São Marcos.

É assim na vida, é assim na fé: cada tempo gera tempo pelo que, atrás de tempo, tempo vem. E com o tempo que vem, o Deus do tempo vem também. Deus vem ao nosso tempo, Deus vem ao nosso mundo, Deus vem à nossa história, Deus vem à nossa vida. Em suma, Deus nunca deixa de vir.

 

  1. É por isso que o Advento não foi só no passado nem será só no futuro. O Advento também é no presente, o Advento é sempre presente. Deus veio (no passado), Deus virá (no futuro) e Deus vem (no presente e como presente em cada presente). Advento significa vinda e Deus está sempre a vir, pelo que estamos sempre em Advento. Trata-se do Advento mais imediato, embora talvez seja também o mais ignorado.

O Tempo do Advento desperta-nos para o contínuo Advento no Tempo. Liturgicamente, o Tempo do Advento tem uma dupla finalidade: preparar-nos para a solenidade do Natal (em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus) e dirigir-nos para a expectativa da última vinda de Cristo (no fim dos tempos). As duas primeiras semanas do Advento estão mais orientadas para a expectativa desta última vinda. E as outras duas estão mais centradas na celebração da primeira vinda. Estamos, então, a assinalar a primeira vinda do Senhor, que nunca deixa de estar próximo. E vamo-nos preparando para a última — e definitiva — vinda do Senhor, da qual já estivemos mais distantes.

 

B. Não evocamos episodicamente um ausente; celebramos continuamente uma presença

 

 

  1. Mas, no fundo, podemos falar de três Adventos: além da primeira e da última vinda de Jesus, temos a permanente vinda de Jesus. É, por assim dizer, o terceiro Advento. A esta luz, podemos dizer que nem só no Advento é Advento. Advento é vinda e Cristo está sempre a vir. Também podemos dizer nem só no Natal é Natal. Natal é nascimento e Cristo está sempre a (re)nascer em nós.

Que seja, pois, Advento para lá do Advento e que seja Natal para lá do Natal. Que seja sempre Advento e que seja sempre Natal. Mas, já agora, que seja Advento também no Advento e que possa ser Natal também no Natal.

 

  1. Nós não evocamos episodicamente um ausente; nós celebramos continuamente uma presença. E, hoje, Jesus não está menos vivo do que esteve há dois mil anos. Hoje, Jesus continua a estar vivo: na Palavra e no Pão, na oração e na missão. Hoje, Jesus continua a estar vivo em todo o ser humano especialmente nos pobres, nos humildes, nos mais pequenos (cf. Mt 25, 40).

Quando apareceu no mundo, Jesus surgiu como uma criança pequena e, quando cresceu, continuou a identificar-Se com os mais pequenos.

 

C. No Advento, percebemos que estamos sempre em Advento

 

  1. O nosso problema é que não estamos atentos. O nosso mal é que teimamos em permanecer distraídos. Já dizia Pedro Paixão que «pecado é distrair-se do fundamental».

Daí que o texto que acabamos de escutar nos previna quanto à importância da vigilância. É preciso vigiar para que à presença de Deus não corresponda a nossa ausência. Não estamos vigilantes para controlar ninguém, mas para acolher a presença de Alguém: de Alguém que virá, de Alguém que está sempre a vir.

 

  1. Eis, então, o nosso programa para o Advento: vigiar e estar atento. Não é por acaso que o Evangelho deste dia liga a atenção à vigilância. É de uma forma muito enfática que nos é feito o apelo: «Estai atentos», «vigiai» (Mc 13,33-37). Curiosamente, o verbo «vigiar» surge quatro vezes neste texto e a locução «estai atentos» aparece também por quatro vezes ao longo deste capítulo 13 do Evangelho de São Marcos.

Vigiar é estar atento: é estar atento ao essencial, ao verdadeiramente importante. Não nos prendamos, pois, às ambições, aos luxos, às riquezas, ao poder nem às ilusórias seguranças. É tudo isso que, muitas vezes, nos traz sonolentos e adormecidos. Jesus adverte-nos para que não nos deixemos adormecer (cf. Mc 13, 36), até Deus porque vem de surpresa. Aliás, Deus é «a» surpresa!

 

D. Deus gosta de nos surpreender

 

  1. Deus gosta de nos surpreender, de surpreender a nossa vida. É na nossa vida que ocorre a Sua vinda. Neste sentido, se é belo fazer presépios na nossa casa, é muito mais necessário fazer um permanente presépio na nossa vida. É na nossa vida que Deus quer renascer para nós. É na nossa vida que Deus quer que renasçamos para Ele.

Toda a nossa vida será, assim, Evento de Advento. Ou seja, a nossa vida será o Evento que acolhe o permanente Advento de Deus ao mundo.

 

  1. Neste sentido, não é difícil entender que o Advento tem de ser um tempo de recolhimento, como é próprio num tempo de preparação, de expectativa. A expressão plena da alegria deve ser reservada para o Natal. Liturgicamente, o Tempo de Natal começa com a Vigília do Natal, na tarde do dia 24 de Dezembro. Até lá, não devemos obviamente andar tristes, mas é bom que sejamos sóbrios e moderados. Na própria igreja, os instrumentos musicais e os ornamentos de flores devem ser moderados a fim de reservar a plena expressão da alegria para o Natal.

Tal moderação sinaliza, igualmente, um convite à oração. Orar há-de ser a maior prioridade do Advento. De facto, orar é a atitude de quem espera, de quem acolhe. Quando nos dispomos a ir ao encontro de Deus, facilmente percebemos que é Deus quem vem ao nosso encontro. À medida que formos caminhando na oração, daremos conta de que não estamos só diante de Deus e que Deus não está só diante de nós. Deus está dentro de nós e nós estamos dentro de Deus.

 

E. Não façamos do Natal um mini-Carnaval

 

  1. O Advento é também — e bastante — um tempo favorável à conversão. Assim sendo, aproveitemos este tempo para a reconciliação sacramental, para o sacramento da Confissão. No fundo, trata-se de preparar a nossa casa para que ela possa ser casa para Deus e casa para os outros. Em Jesus, Deus converte-Se a nós. Porque não, no mesmo Jesus, convertermo-nos a Deus?

Já agora, não esqueçamos que o Advento, apesar de não ser propriamente um tempo penitencial (como é a Quaresma), pode — e deve — ser vivido penitencialmente. Ou seja, no Advento pode — e deve — haver lugar para o Sacramento da Penitência e para outras práticas penitenciais. Já houve uma época em que o Advento era um tempo de jejum e abstinência. Durava seis semanas começando pelo São Martinho. Daí que o Advento também fosse conhecido como a «Quaresma de São Martinho». Actualmente, embora não haja dias de jejum, o Advento deve ser marcado por uma certa contenção no comer, no beber, no divertir e no gastar.

 

  1. Não façamos do Natal um mini-Carnaval. Não esqueçamos que é a simplicidade que melhor combina com a humildade de Belém. Não é com ostentação que dignificamos a celebração do nascimento de Jesus. Procuremos partilhar com quem não tem que gastar. E não deixemos de repartir com quem não tem com que se cobrir. Demos algum tempo e abramos o coração a quem (sobretudo nesta altura) vive na solidão. Nunca esqueçamos que o melhor presente é o presente da presença. O próprio Jesus é o melhor presente que Deus ofereceu à humanidade. E é o mais belo presente que a humanidade pode oferecer a Deus.

É na Eucaristia que Jesus vem até nós hoje. É na Eucaristia que Jesus renasce para nós sempre. O altar é o grande presépio. A divina consoada já está preparada. Não recusemos o convite de Jesus. Ele está sempre à nossa espera!

publicado por Theosfera às 05:12

Hoje, 03 de Dezembro (Primeiro Domingo do Advento), é dia de S. Francisco Xavier e Sto. Eduardo Coleman.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 02 de Dezembro de 2017

Hoje, 02 de Dezembro, é dia de Sta. Bibiana (invocada para as dores de cabeça e para a epilepsia), S. João Ruysbroeck e S. Rafael Chilinski. Fim do Ano Litúrgico. O novo Ano Litúrgico é inaugurado, à tarde, com as Primeiras Vésperas do Primeiro Domingo do Advento.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 01 de Dezembro de 2017

Hoje, 01 de Dezembro, é dia da Bem-Aventurada Maria Clara, Sto. Edmundo, S. Roberto, Sta. Maria Clementine Anuarite e Sto. Elói.

Um santo e abençoado dia para todos!

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