O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Hoje, 30 de Novembro, é dia de Sto. André e S. José Marchand. Refira-se que Sto. André é irmão de S. Pedro e é chamado «protokletós», o primeiro a ser chamado. É o padroeiro dos pescadores, dos vendedores de peixes e das mulheres que desejam ser mães.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

Hoje, 29 de Novembro, é dia de Sto. Avelino Rodriguez, S. Frederico de Ratisbona, S. Dionísio da Natividade e S. Redento da Cruz.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

 

  1. A falta de chuva é, sem dúvida, motivo de apreensão. Mas será razão para alarme?

A situação é preocupante, mas não é inédita. E nem sequer é um exclusivo dos tempos recentes.

 

  1. No século XVIII, houve um ano (1752) em que não choveu praticamente durante três meses.

Acresce que esses não eram meses de Verão, mas de Outono, à beira do Inverno. Não choveu em Outubro, não choveu em Novembro e não choveu na primeira metade de Dezembro.

 

  1. A saúde das pessoas — e até dos solos — correu sérios perigos.

A esterilidade das águas era tal que secaram muitas fontes «de que não havia lembrança de que se exaurissem». Desencadeou-se, então, uma violenta epidemia que matou muita gente.

 

  1. Desamparados, os crentes voltaram-se para Deus e os lamecenses recorreram à intercessão da sua Padroeira.

Foi assim que resolveram marcar uma procissão para o dia 17 de Dezembro. Era Domingo, como vai ser este ano.

 

  1. Esta é a primeira procissão de Nossa Senhora dos Remédios de que há memória.

Ainda não havia Santuário. Os trabalhos de construção tinham começado a 14 de Fevereiro de 1750.

 

  1. O cortejo saiu com a imagem que, presentemente, está no trono.

Ela fora oferecida por D. Manuel de Noronha (em 1551) e encontrava-se (desde 1565) numa capela que existia no actual Largo dos Reis.

 

  1. Na sua descida à cidade, Nossa Senhora dos Remédios — invocada, neste aperto, como «Mãe das Misericórdias» — passou pela Sé, pelo Desterro e pelas Chagas.

Os meninos das escolas cantavam implorando o dom da chuva. Pediam também que cessassem «as enfermidades contagiosas que se tinham ateado, porque em muitas das pessoas em que deram foram raríssimas as que viveram».

 

  1. As preces foram atendidas. A chuva caiu com abundância e até por antecipação.

É que — não só depois do dia 17 de Dezembro, mas também antes do dia 17 de Dezembro — «a apetecida chuva regou abundantemente a terra árida».

 

  1. Providencialmente, aquele 17 de Dezembro foi um dia «de sol quente e sem vento».

Deste modo, a procissão pôde realizar-se sem sobressaltos e sem danos para roupas e alfaias.

 

  1. Diz o Cónego José Pinto Teixeira (a quem devemos todo este relato) que imediatamente se «aplacaram as malignas doenças».

Não faltará quem (sobranceiramente) sorria. Feliz, porém, é quem confia!

 

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 10:43

Hoje, 28 de Novembro, é dia de Sta. Maria Helena, S. Tiago da Marca, S. Grázio de Cáttaro e Sta. Catarina Labouré.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Hoje, 27 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e de S. Facundo, S. Primitivo, S. Máximo de Riez e S. Francisco Fasini.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Domingo, 26 de Novembro de 2017

Tu és rei, Senhor, e o Teu trono é a Cruz.

 

Tu és rei, Senhor, e Teu reino é o coração de cada Homem.

 

Tu és rei, Senhor, e estás presente no mais pequeno.

 

Tu és rei, Senhor, e estás à nossa espera no pobre.

 

Tu és rei, Senhor, e queres mais o amor que o poder.

 

Tu és rei, Senhor, e moras em tantos corações.

 

Tu és rei, Senhor, e primas pela mansidão e pela humildade.

 

Tu és rei, Senhor, e não tens exército nem armas.

 

Tu és rei, Senhor, e não agrides nem oprimes.

 

Tu és rei, Senhor, e não ostentas vaidade nem orgulho.

 

Tu és rei, Senhor, e a tua política é a humildade, a esperança e a paz.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser ignorado e esquecido.

 

Tu és rei, Senhor, e continuas a ser silenciado.

 

Tu és rei, Senhor, e vejo-Te na rua, em tanto sorriso e em tanta lágrima.

 

Tu és rei, Senhor, e vais ao encontro de todo o ser humano.

 

Tu és rei, Senhor, e és Tu que vens ter connosco.

 

Hoje, Senhor, vou procurar-Te especialmente nos simples, nos humildes, nos que parecem estar longe.

 

Hoje, Senhor, vou procurar estar atento às Tuas incontáveis surpresas.

 

Obrigado, Senhor, por seres tão diferente.

 

Obrigado, Senhor, por seres Tu!

publicado por Theosfera às 10:38

A. «CR7»? «CR. Sempre»! 

 

  1. Nos últimos tempos, tem havido muitos «dias CR». Hoje é mais um «dia CR». No fundo, todos os dias são «dias CR» e não apenas de «CR7». Todos os dias são dias de «CR. Sempre». Há dias em que muitos olham para Cristiano Ronaldo, o famoso «CR7». Em cada dia — e não somente neste dia — somos convidados a olhar para Cristo Rei. É Ele o incomparável — e o inconfundível — «CR. Sempre». Antes — e muito acima — de CR7», encontraremos este «CR. Sempre». É verdade que «CR7» alegra muitas vidas. Mas quem verdadeiramente transforma a nossa vida é este «CR. Sempre».

    Cristo é um rei que dá vida. Cristo é um rei por quem vale a pena dar a vida. E, na verdade, Cristo é um rei por quem muitos têm dado a vida. Especialmente hoje, faz sentido recordar tantos mártires cujas últimas palavras, ao morrer, foram precisamente: «Viva Cristo Rei».

 

  1. Como é sabido, «Viva Cristo Rei» era um dos gritos mais ouvidos pelos promotores da chamada «Revolução Cristera». Chamavam-lhe «cristera» porque achavam que estavam a lutar em nome do próprio Cristo. Este movimento ocorreu no México nos anos 20 do século passado como reacção à perseguição que, naquele país, o Estado desencadeou contra a Igreja Católica.

Quem mais contribuiu para a divulgação daquele grito foi o Padre Miguel Agostinho Pró, já beatificado. Ligado a esta «Revolução Cristera», foi fuzilado a 23 de Novembro de 1927. Com o crucifixo numa mão e o terço na outra, abriu os braços e gritou antes de ser morto: «Viva Cristo Rei»! Este grito percorreu não só o México, impressionando igualmente o mundo inteiro. Dizem os relatos que as centenas de mártires da Guerra Civil da Espanha, entre 1936 e 1939, também morreram a gritar: «Viva Cristo Rei»!

 

B. «CR» é também (e sobretudo) Cristo Rei

 

  1. De facto, não há quem assim nos conforte: nem na vida nem na morte. A realeza humilde de Cristo é o maior conforto que a história tem visto. Gritemos, pois, com os lábios (e sobretudo com a alma): «Viva Cristo Rei»! E tenhamos a certeza de que Cristo vive, de que Cristo reina, de que Cristo impera para sempre.

A Sua vida e o Seu reinado não são de ostentação. A Sua vida e o Seu reinado acontecem no nosso coração. Este é um rei que não lança qualquer imposto. Este é um rei que para servir está sempre disposto. Não nos cansemos, pois, de olhar para o quadro comovente (e arrepiantemente belo) que nos é oferecido neste último Domingo do ano litúrgico! Celebramos a realeza de Cristo e, ao mesmo tempo, contemplamos a sublime humildade de Cristo.

 

  1. Cristo é grande, mas a Sua prioridade não são os (que se julgam) grandes. A grandeza de Cristo está na Sua atenção (e no Seu apurado cuidado) pelos mais pequenos. É com os mais pequenos que Cristo Se identifica: «Tudo o que fizestes ao mais pequeno dos Meus irmãos foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40).

É assim que Jesus engrandece os pequenos e empequenece os grandes. A verdadeira grandeza não está na pretensão nem na ostentação. A maior grandeza é a que nasce do coração. Grande não é quem tem muitos a servi-lo. Verdadeiramente grande é quem se dispõe a servir os outros. É por isso que o trono deste rei é a Cruz. É aí que Ele dá tudo por todos, especialmente pelos mais pobres. É sobretudo com eles que Ele Se identifica.

 

C. Seremos mais julgados pelo comportamento do que pelo conhecimento

 

  1. Cristo aparece-nos como um rei que tem fome, como um rei que tem sede. Ele é um rei sem casa. É um rei a quem falta roupa. É um rei que adoece. É um rei que está preso (cf. Mt 25, 34-36). Onde é que já se viu um rei assim? Um rei nu ainda é possível encontrar na literatura, como no célebre conto de Hans Christian Andersen. Mas um rei faminto, doente e sem-abrigo, só mesmo no Evangelho. Que, neste caso, mais parecerá um «disangelho», isto é, uma notícia pouco entusiasmante.

Mas é assim que surge o nosso rei. Não está num palácio, está na Cruz. Não dá leis, dá a vida.

 

  1. Eis, por conseguinte, a pauta para o juízo final. Não seremos julgados pelo que sabemos ou acumulamos. Julgados havemos de ser pelo que fizermos por Jesus, presente nos mais pequenos. Nos mais pequenos, está o Cristo faminto e o Cristo sedento, o Cristo sem casa e sem roupa. Nos mais pequenos, está o Cristo doente e o Cristo encarcerado. E nós que fazemos?

Na tarde da nossa vida, não seremos julgados pelo conhecimento, mas pelo comportamento, sobretudo pelo amor. Assim sendo, não esqueçamos nunca o oitavo pecado mortal, que não é menos grave que os outros sete. O pecado mortal da indiferença será sempre alvo de severa sentença. Se Cristo é diferente, como continuar a ser indiferente? Não pode haver indiferença perante a Sua presença.

 

D. Nos pobres de Cristo encontramos sempre o Cristo dos pobres

 

 

  1. Afinal, o que colocamos nas mãos dos pobres de Cristo pertence ao Cristo dos pobres. O que repartimos não é, pois, uma oferta; é uma restituição. Santo Agostinho bem nos alertou: «De quem é o que dás senão d'Ele? Se desses do que era teu, seria liberalidade, mas porque dás do que é d'Ele, é uma restituição». Assim sendo, o que damos aos pobres de Cristo acaba por ser dado ao Cristo dos pobres.

No serviço, não pode haver exclusões, mas tem de haver prioridades. O serviço não pode excluir ninguém, mas tem de priorizar os que mais precisam. Jesus é um rei que, diante dos problemas, não esconde de que lado está. Ele está especialmente ao lado dos que costumam ser rejeitados. Os preteridos do mundo são os preferidos de Cristo. Deste modo, os preferidos de Cristo terão de ser os preferidos da Igreja de Cristo.

 

  1. Terminamos o Ano Litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Esta celebração existe para nunca nos esquecermos de que, tal como Ele está no centro do mundo, também tem de estar no centro da nossa vida. Está no centro da nossa vida para transformar todas as nossas vidas.

Curiosamente, esta é uma festa relativamente recente, instituída em 1925, pelo Papa Pio XI através da encíclica «Quas primas». O Santo Padre achou que era tempo de vincar que, apesar de todas as resistências, é Jesus quem verdadeiramente reina sobre toda a humanidade.

 

E. Como os mártires de tantos dias, gritemos nós neste dia: «Viva Cristo Rei»!

 

  1. No número 33 daquele documento, Pio XI expressa o desejo de que «os fiéis retomem coragem e força e renovem a sua adesão a Nosso Senhor, fazendo com que Ele reine nos seus corações». Naquela altura, a Festa de Cristo Rei era celebrada no último Domingo de Outubro. Depois do Concílio Vaticano II, passou para o último Domingo do Ano Litúrgico.

Dizer que Jesus reina é dizer que Jesus salva. A salvação já está preparada desde o princípio, como se diz no convite: «Vinde, benditos de Meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25, 34). Todos nós estamos convidados para pertencermos ao número de quem se diz bem, isto é, ao número dos que são «benditos».

 

  1. Benditos seremos nós se benditas forem as nossas palavras e as nossas acções. Benditos seremos nós se benditos forem os nossos passos. Benditos seremos nós se contribuirmos para tornar bendita a vida dos outros.

Para que o Bem seja dito, é fundamental que o Bem seja feito. Por isso, há Bem dito quando há Bem feito. O Bem é dito quando o Bem é feito. Fazer bem é, antes de mais e acima de tudo, fazer o Bem. Onde se faz o Bem, aí está Deus também. Deus é o sumo Bem e Cristo é o Pastor que nos guia para o Bem. Escutemos, pois, a Sua voz. E nunca Lhe fechemos as portas do nosso coração (cf. Sal 95, 8). Nós, que tanto exaltamos os feitos de «CR7», não nos esqueçamos de celebrar «CR. Sempre». Pois Cristo é (mesmo) Rei para sempre! Como os mártires de tantos dias, gritemos também nós neste dia: «Viva Cristo Rei»!

publicado por Theosfera às 05:16

Hoje, 26 de Novembro (34º e último Domingo do Ano Litúrgico, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo), é dia de S. Silvestre, S. Leonardo de Porto Maurício, S. João Berchmans e S. Tiago Alberione.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:24

Sábado, 25 de Novembro de 2017

Hoje, 25 de Novembro (136º aniversário do nascimento de S. João XXIII), é dia de S. Tomás de Vila Nova, Sta. Catarina de Alexandria, Sta. Beatriz, S. Luís Beltrame e Sta. Maria Beltrame Quatrocchi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Hoje, 24 de Novembro, é dia de Sto. André Dunc-Lac e seus Companheiros, Sta. Flora, Sta. Maria, Sta. Eanfleda, Sta. Ana Maria Sala, S. Clemente Delgado, S. Vicente Lién e S. Domingos Khan.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Hoje, 23 de Novembro, é dia de S. Clemente, S. Columbano e S. Miguel Agostinho Pro.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Hoje, 22 de Novembro, é dia de Sta. Cecília, S. Filémon, Sta. Ápia e S. Salvador Lilli e seus Companheiros mártires.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

 

  1. Diz a experiência que um problema que não está bem colocado é um problema que dificilmente será bem resolvido.

E o certo é que o problema da espiritualidade começa, muitas vezes, na sua colocação.

 

  1. Acostumados a multiplicar «espiritualidades», a tendência é para nos centrarmos (quase exclusivamente) na «nossa».

Acontece que a espiritualidade não é o que nos centra; é o que (mais) nos descentra.

 

  1. Neste sentido, convirá prevenir que a espiritualidade é muito diferente de um método de concentração ou de uma técnica de relaxamento.

Daí que, também na espiritualidade, seja necessário optar por uma atitude «de saída», tão recomendada pelo Papa Francisco. Como chegar, então, a uma espiritualidade «de saída»?

 

  1. Desde logo, há que superar uma abordagem excessivamente «humanocentrada» da espiritualidade.

É óbvio que não devemos esquecer a espiritualidade como dimensão do humano. Mas é fundamental que saibamos priorizar a espiritualidade como presença do divino.

 

  1. Nunca é demais insistir, embora pareça um truísmo afirmar. Espiritualidade vem de Espírito.

Aliás, o próprio Cristo apresenta-Se no mundo como portador do Espírito (cf. Lc 4, 18). Pelo que estar com Cristo é estar com o Espírito.

 

  1. Assim sendo, todos perceberão que o característico da espiritualidade cristã é aderir à pessoa de Cristo.

E qual será o específico da espiritualidade do padre? O específico da espiritualidade do padre é ser chamado a agir na pessoa de Cristo.

 

  1. É que, para alguém aderir a Cristo, é indispensável agir, junto dele, em nome de Cristo.

Em cada dia (e maximamente na Eucaristia), o padre é aquele que deposita nas nossas mãos a presença total — divina e humana — de Jesus Cristo.

 

  1. Daqui resulta que, se ser cristão é acolher Cristo na vida, ser padre é reproduzir a vida de Cristo.

Enquanto «reprodutor» de Cristo Pastor, o padre não se pertence: pertence a Cristo e àqueles a quem leva Cristo.

 

  1. Ser padre não é possuir, é ser «possuído».

O padre é um «alienado», um feliz «alienado». Tudo nele está «expropriado».

 

  1. Sendo tão abrangente — e tão englobante —, a espiritualidade não pode ser um sector, como se houvesse algo que não fosse espiritual. Tudo é espiritual no padre.

É no Espírito que ele está sempre «em saída». É no Espírito que ele realiza sempre encontro: com o Pai (na oração) e com os irmãos (na missão)!

publicado por Theosfera às 10:44

Hoje, 21 de Novembro, é dia da Apresentação da Virgem Santa Maria, S. Gelásio I e Sta. Maria de Jesus do Bom Pastor.

Um santo e abençoado dia para todos!

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Hoje, 20 de Novembro, (Dedicação da Sé Catedral de Lamego) é dia de Sto. Edmundo, Sta. Maria Fortunata e S. Félix Valois.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Eu sei, Senhor,
que não mereço
que me visites,
que entres na minha casa,
que te envolvas na minha vida.

Eu sei, Senhor,
que não sou digno
que deixes o Teu aconchego,
que experimentes o frio e o desconforto,
que Te sujeites à intempérie do abandono e da ingratidão.

Eu sei, Senhor,
que não tenho direito
a exigir tanto despojamento
nem a esperar tamanha disponibilidade.

Eu sei, Senhor,
que não mereço nada,
que não sou digno de nada,
que não tenho direito a nada.

Mas é por isso que Te agradeço,
é por isso que me comovo
e é por isso que fico sem palavras.

Obrigado, Senhor,
obrigado, bom Deus.
Tu és tudo
e vens ao meu nada.
Tu és tanto
e cabes em tão pouco
que sou eu.

Ensina-me, Senhor,
a ser humilde,
a olhar para todos
não com os meus óculos
mas com os Teus olhos,
que são olhos de afecto,
olhos de esperança,
olhos de amor.

Ensina-me, Senhor,
a compreender a lição da Tua vinda:
lição de humanidade,
de simplicidade,
de singeleza.

Ensina-me, Senhor,
a ver-Te
não apenas nas Tuas imagens de barro,
mas nas Tuas imagens de carne e osso
(algumas mais de osso que carne).

Ensina-me, Senhor,
a sentir
que a Tua morada é no Homem,
em todo o ser humano.

Ensina-me, Senhor,
a venerar-Te nas crianças, nos idosos,
nos pobres,
nos famintos,
nos sofredores e nos desalentados.

Que eu possa perceber
que sempre que estou com alguém
é conTigo que me encontro.

Aquece, Senhor, o nosso coração.
Não deixes que ele gele
com a arrogância, a frieza e a indiferença.

Fica connosco, Senhor!

publicado por Theosfera às 10:57

A. Só ganha quem se dispõe a perder

  1. O que fazemos com o que recebemos? O que estamos dispostos a realizar com o que Deus nas nossas mãos está sempre a colocar? Estamos disponíveis para com os outros crescer? Ou só queremos o que para nós possa render? O que Deus nos dá é para multiplicar, não para enterrar.

Deus não quer que joguemos à defesa, a pensar unicamente na nossa segurança. Deus quer que arrisquemos e que inundemos a vida com torrentes de esperança. Quem arrisca pode perder. Mas quem se arrisca por Deus, ainda que perca, acaba sempre por vencer.

 

  1. Para Deus, só ganha quem se dispõe a perder. Para Deus, só recebe quem dá, quem se dá. Jesus tanto elogia o que obteve dois como o que alcançou cinco. Só censurou o que se escondeu com o que tinha. Jesus não exige que consigamos muito; o que Ele quer é que demos tudo e que nos demos totalmente.

Os talentos, de que fala o Evangelho, começaram por ser uma unidade de peso, usada sobretudo para medir metais preciosos. Por exemplo, na Babilónia, um talento equivalia a 60 quilos. Com o passar do tempo, o valor baixou, situando-se entre 35 e 26 quilos. Mesmo assim, um talento equivalia a 6000 denários. Se pensarmos que o denário era o salário de um dia de trabalho, então concluiremos que um talento — ou seja, 6000 denários — era o equivalente a uma vida inteira de trabalho.

 

B. Nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós

 

  1. Eis a grande lição deste Domingo: nada é propriedade nossa, tudo é dom para nós. Se Deus nos entrega a vida, então a vida que temos não é nossa; é dom de Deus para nós e para os outros. A esta luz, podemos não só dizer que «circular é viver», mas também que «viver é circular». Ou seja, viver é fazer circular a vida que Deus nos dá.

É com este espírito que somos convidados a celebrar o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. Se a nossa vida deve circular por todas as vidas, ela há-de circular especialmente pelas vidas mais desprotegidas. Foi neste sentido que um dos primeiros (e mais eloquentes) sinais da presença dos cristãos no mundo consistiu «no serviço aos mais pobres». E se foi assim no princípio, há-de ser sempre assim, até ao fim. É por isso que também hoje «somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, a fixá-los nos olhos e a abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão».

 

  1. Acresce que a nossa vocação à partilha com os pobres é inseparável da nossa vocação à pobreza. A pobreza desponta, pois, como uma realidade e como uma vocação. E assumir a vocação à pobreza é o melhor meio para ajudar a combater a realidade da pobreza. Tudo isto pode parecer paradoxal e até contraditório, mas é uma bela e luminosa verdade. Enquanto a realidade da pobreza consiste na carência de bens, a vocação à pobreza consiste na superabundância de bem. Enquanto a pobreza material consiste em não ter, a pobreza espiritual consiste em partilhar o que se tem. Foi este o exemplo de Jesus que, como notou São Paulo, nos tornou ricos com o Seu ser pobre (cf. 2 Cor 8, 9).

E se Jesus foi pobre, os Seus discípulos, para O seguirem, terão (também) de ser pobres. É por isso que, como alerta o Santo Padre, «para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre».

 

C. A realidade da pobreza e a vocação à pobreza

 

  1. A pobreza está mais no coração do que no bolso. De facto, a pobreza – prossegue o Sumo Pontífice - «significa ter um coração humilde, que sabe acolher a condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de sermos imortais. A pobreza é uma atitude do coração que nos impede de conceber como objectivo de vida o dinheiro, a carreira e o luxo».

Indo mais longe, dir-se-ia que é esta pobreza «que cria as condições para assumirmos livremente as nossas responsabilidades pessoais e sociais, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela Sua graça. Assim entendida, a pobreza é o padrão que permite avaliar o correcto uso dos bens materiais».

 

  1. É, portanto (e sobretudo) na partilha com os mais necessitados que se concretiza esta aplicação dos talentos com que Deus nos presenteou. Deus é, sem dúvida, muito pródigo e infinitamente generoso para connosco. Se um único talento equivale a uma vida de trabalho, cinco talentos corresponderão a cinco vidas de actividade. Trata-se, portanto, de um imenso dom, que nos há-de levar a fazer sempre o que é bom.

Aquilo que Deus nos entrega não é para conservar, mas para repartir. Neste caso, Deus não quer que sejamos conservadores, mas ousados. O que Ele nos deu é para ser dado, o que Ele nos doou é para ser doado. Quanto mais se divide o que nos foi entregue, mais se multiplica o que nos foi dado.

 

D. Que fazemos com o que Deus nos entrega?

 

  1. Os dois primeiros servos descritos na parábola não perderam tempo. Partiram «logo» (cf. Mt 25,15.17). A missão não pode ser adiada e, como dizia o saudoso (e querido) Bispo do Porto, «os pobres não podem esperar». A missão é urgente porque a vida é breve e o tempo é veloz. Assim sendo, na missão não nos podemos atrasar.

Jesus tem palavras de elogio para quem não se atrasou e para quem arriscou (cf. Mt 25,20.22). E não repreende o terceiro servo por não conseguido. Repreende-o por não ter tentado. Martin Luther King disse à família que não queria ser recordado como o homem que conseguiu, mas como o homem que tentou.

 

  1. Às vezes, não tão poucas vezes assim, assemelhamo-nos a este terceiro servo. Arranjamos pretextos e multiplicamos desculpas. Não foi em vão que São João Paulo II nos pediu para não termos medo. Ele sabia que o medo nos tolhe e nos aprisiona. Daí que fiquemos paralisados, adormecidos e amortecidos sem perceber que os dons de Deus são despertadores e motivadores. É preciso perceber que, se o medo está em nós, o Deus que vence o medo tem muito mais força dentro de nós.

Já o cardeal Stephan Wyszynski reconhecia que «o pior defeito de um apóstolo é o medo». Se não podemos impedir que o medo apareça, temos de impedir que ele nos assalte e devore.

 

E. Nunca perdemos quando nos perdemos pelo Evangelho

 

  1. Aliás, o texto que escutámos é redigido numa altura em que o medo começava a sobrevoar o ambiente entre os cristãos. Algumas divisões e a possibilidade de algumas perseguições desencadeavam algum desalento e não pouca desmotivação. Recorde-se que estávamos no final do século I, aí pela década de 80. Os cristãos, talvez já cansados de esperar a segunda vinda de Jesus, perderam muito do seu entusiasmo inicial. Estavam como o terceiro servo da parábola: sem vontade de arriscar e de pôr ao serviço dos outros os talentos que Deus lhes deu.

Tal como hoje, era fundamental redespertar a fé, reaquecer o espírito e renovar o compromisso com o Evangelho. Tal como hoje, era urgente perceber que viver em Cristo é ser ousado, é não deixar correr, é não desistir. Viver em Cristo é nunca começar a desistir e nunca desistir de começar.

 

  1. Na missão, é normal — e até desejável — que percamos alguma coisa. É bom, com efeito, que percamos calculismo, que percamos falsas seguranças, falsas certezas e falsas defesas. O caminho de Jesus é um caminho de ousadia, um caminho de risco. Por conseguinte, é preciso arriscar.

Não tenhamos medo de proclamar o que recebemos de Jesus: o Seu Evangelho, a Sua mensagem, a Sua doutrina. Não tenhamos medo de levar Jesus a todos. Não tenhamos medo de rezar. Não tenhamos medo de ajoelhar. Não tenhamos medo de nos confessar. Não tenhamos medo de testemunhar. Deus está ao lado dos que se inquietam, dos que inquietam.

Guardemos, pois, o Evangelho, mas não nos resguardemos de arriscar tudo pelo Evangelho. Quando arriscamos, podemos perder. Mas quando arriscamos tudo pelo Evangelho, nunca nos perderemos!

publicado por Theosfera às 05:07

Hoje, 19 de Novembro (33º Domingo do Tempo Comum, Conclusão da Semana dos Seminários e Dia Mundial dos Pobres), é dia de Sta. Matilde, S. Rafael Kalinowski e Sta. Inês de Assis.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 18 de Novembro de 2017

Hoje, 18 de Novembro, é dia da Dedicação das Basílicas de S. Pedro e S. Paulo, Sta. Carolina Kózka, Sto. Odo de Cluny, S. Domingos Jorge, Sta. Isabel Fernandes, Sto. Inácio e Sta. Salomé de Cracóvia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

Hoje, 17 de Novembro, é dia de Sta. Isabel da Hungria, Sta. Filipa Duchesne, Sto. Aniano, Sta. Hilda, S. Gregório de Tours e S. Hugo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Hoje, 16 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Saúde, Sta. Margarida da Escócia, Sta. Gertrudes, S. Roque González, Sto. Afonso Rodríguez e S. João del Castillo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:08

Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Hoje, 15 de Novembro, é dia de Sto. Alberto Magno, Sta. Madalena Morano e Sta. Maria da Paixão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

 

  1. O volume de mudanças na nossa época leva não poucos a perguntar: estaremos numa época de mudanças ou no limiar de uma mudança de época?

A pergunta não é retórica.

 

  1. De há uns tempos para cá, tem crescido a percepção de que já não estamos onde estivemos sem que saibamos muito bem onde nos encontramos. Nem para onde vamos.

Daí a tendência para tipificar a nossa época como uma espécie de «época póstica».

 

  1. Se repararmos, as caracterizações epocais são, geralmente, abertas pelo inevitável «pós». É assim que ouvimos falar de uma época «pós-moderna», «pós-religiosa» (mas também «pós-secular), «pós-cultural», etc.

Nada surge como sólido. Tudo se afigura «líquido» (Zigmunt Bauman) e, portanto, inseguro, movediço, transitório, efémero.

 

  1. Há quem fique deslumbrado ante a expectativa da próxima novidade.

Mas não falta igualmente quem se mostre assustado perante a dissolução do que, ainda há pouco, parecia duradouramente novo.

 

 

  1. Neste tempo «super-hiper-mega» (onde predominam os «supermercados», as «hiperpromoções» e o «megaconsumo»), vamos perdendo a última réstia de autodomínio.

É particularmente no recurso às novas tecnologias que revelamos uma cada vez maior dificuldade em perceber os limites.

 

  1. A nossa propensão é para um uso ilimitado.

A todas as horas e em praticamente todos os locais, estamos acompanhados (pelo menos) de um telemóvel.

 

  1. Em casa, a viajar, a comer, a estudar e até a rezar, ele surge como o omnipresente companheiro.

Já mal nos imaginamos sem ele. É uma espécie de aditivo da nossa personalidade. Não vemos quase nada directamente. Já nos habituamos a ver quase tudo através do telemóvel.

 

  1. Não espanta, pois, que, há dias, o Santo Padre tenha sentido necessidade de recordar que o celebrante, na Missa, diz «corações ao alto» e não «telemóveis ao alto».

Concretizando, não escondeu o seu desconforto por ver tantos telemóveis no ar durante as celebrações. E «não são só os fiéis; são também alguns sacerdotes e até bispos».

 

  1. É hora de reflectir e (também) de inflectir. Será que o excesso de progresso não pode redundar num retrocesso?

A fé não tem de estar ausente do telemóvel. Mas o telemóvel terá de estar sempre presente na vivência da fé?

 

  1. Na vida, nem tudo é para fotografar.

E, na fé, há momentos em que, só fechando os olhos, conseguimos (verdadeiramente) ver!

publicado por Theosfera às 10:00

Hoje, 14 de Novembro, é dia de S. Nicolau de Tavelic, S. José de Pignatelli e S. Serapião.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Hoje, 13 de Novembro (1663º aniversário do nascimento de Sto. Agostinho e 88º aniversário do nascimento de minha Mãe), é dia de Sto. Estanislau Kostka, Sta. Agostinha Lívia Pietrantoni, S. Diogo de Alcalá, Sto. Homembom, Sto. Eugénio Bossinok e Sto. Artémis Zatti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 12 de Novembro de 2017

Tudo sobe para cima.
Tudo caminha para o alto.
Tudo tende para o fim.

 

E, na verdade, o que importa é o fim,
o fim para o qual nos chamas.

 

Tu, Senhor, chamas-nos para a felicidade,
para a alegria, para a justiça, para a paz.

Tu, Senhor, chamas-nos para Ti.

A vida é cheia de sinais.
É importante estar atento a eles.
É fundamental deixarmo-nos guiar por eles.

 

Neste mundo, tudo passa.
Nesta vida, tudo corre.
Neste tempo, tudo avança.
Só a Tua Palavra permanece, Senhor.

 

Obrigado por nos reunires,
por nos congregares,
por nos juntares.

 

De toda a parte Tu chamas,
Tu convocas,
Tu reúnes.

Obrigado, Senhor, pela esperança
e pelo ânimo,
Pelo vigor e pela presença.

 

O importante não é saber a hora do fim.
O fundamental é estar pronto, preparado, disponível.

 

Para Ti, Senhor, o fim não é destruição nem dissolução.
ConTigo, Senhor, o fim é plenitude, realização, felicidade.

Em Ti já sabemos o que nos espera.

Tu, Senhor, és a esperança e a certeza da esperança.

Tu já abriste as portas.
Tu já inauguraste os tempos últimos, os tempos novos.

 

ConTigo nada envelhece.
Em Ti tudo se renova.
Renova sempre a nossa vida,
JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

A. Deus gosta de surpreender

 

  1. Que estamos a fazer das nossas lâmpadas (cf. Mt 25, 8)? Será que as nossas lâmpadas estão acesas? Ou não será que as deixamos fundir? Mas com as lâmpadas fundidas como podemos ver o Novo e o Noivo? Na vida, estamos sempre à espera do que é novo. Cansados da rotina, achamos que é a novidade que nos ilumina. Para nós, o novo é o Noivo. E o Noivo, que vem ao nosso encontro, é o Senhor (cf. Mt 25, 6). O Senhor é o Noivo que vem desposar a humanidade, por quem dá a vida, por quem oferece o Seu sangue. O Senhor é o Noivo que vem selar, com a entrega do Seu ser, uma aliança de amor com o mundo.

Nem sempre nos encontra preparados, porém. Nem sempre estamos atentos ou disponíveis. Não cuidamos do «azeite» (cf. Mt 25, 3), que é a escuta do Cristo do Evangelho e o seguimento do Evangelho de Cristo. Pensamos que controlamos o dia e a hora da vinda do Senhor. Só que, quanto a isto, somos cabalmente prevenidos. Não sabemos o dia nem a hora. O Senhor gosta de surpreender. Aliás, a Sua vinda está sempre a acontecer. O Senhor está sempre a vir ao nosso encontro. Nós é que nem sempre cuidamos de ir ao encontro d’Ele.

 

  1. Muitas vezes, deixamos que as nossas «lâmpadas» se apaguem (cf. Mt 25, 8). Muitas vezes, dormitamos e até adormecemos (cf. Mt 25, 5). Somos dominados pelo instante e pelo instinto. Faltam-nos horizontes largos e raízes fortes. Quando olhamos para o futuro, limitamo-nos ao nosso futuro, ao futuro neste mundo. Falta-nos, cada vez mais, o sentido da eternidade.

Trabalhamos para o curto prazo, para as conquistas imediatas. Esquecemos que, como decorre do Credo, somos feitos para a eternidade. Há um hino da Liturgia que nos aconselha a «trocar o instante pelo eterno». Mas nós, quase sempre, trocamos o eterno pelo instante.

 

B. Que atenção dispensamos à eternidade?

 

  1. Do credo cristão faz parte a vida eterna. Com o Símbolo dos Apóstolos, confessamos crer «na ressurreição da carne [e] na vida eterna». E, ao recitar o chamado Símbolo Niceno-Constantinopolitano, assumimos que esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir». É por isso que não falta quem pense que a eternidade é o que mais distingue o crente do não-crente. Crente é quem acredita na eternidade e não-crente é quem não acredita na eternidade. E, no entanto, que lugar costumamos dar à eternidade?

Há quem não se iniba de proclamar que tudo se resume ao que se passa na terra. Afinal, que atenção damos ao Novo e aos Novíssimos? Será que nos comportamos como pessoas cujo horizonte é a eternidade? Ou não será que, à semelhança de muitos, investimos (quase) tudo no tempo da vida terrena?

 

  1. Eis um (flagrante) caso onde parece que abdicamos de ser alternativa, para nos limitarmos a ser redundância. Eis também uma situação que põe a descoberto um perigoso esvaziamento da nossa fé. Os nossos critérios aparentam ser os mesmos do mundo. O nosso limite parece ser o futuro, não a eternidade. Cuidamos do futuro e preparamos a nossa vida no futuro. Mas que cuidado dispensamos à vida eterna? Que fazemos para nos preparar para a vida eterna?

Há, entretanto, uma pergunta que deveríamos fazer. Que seria o futuro sem a eternidade? Seria um futuro encolhido. Sem eternidade, até o futuro passa, até o futuro (rapidamente) se torna passado. Não é no mundo que encontramos «cidade permanente» (Heb 13, 14). Neste mundo, tudo é breve. É preciso oferecer eternidade ao tempo e conduzir o tempo até à eternidade, que é o tempo para lá do tempo. Ou seja, estamos aqui, mas não somos daqui. Nem a morte é capaz de fechar o que a eternidade não se cansa de abrir. A «Jerusalém do Alto» também espera por nós (cf. Gál 4, 26).

 

C. O Novo e os Novíssimos

 

  1. É esta espera que fortalece a esperança. O Novo é fundamental para agir nos Novíssimos. É em Cristo, o sempre Novo, que, na Morte e no Juízo, nos ajudará a vencer o Inferno e a entrar no Paraíso. As «coisas últimas» são, assim, iluminados pelo «Último». É o «Último» (Jesus Cristo) que nos conduz até às «coisas últimas». A Escatologia, enquanto tratado das «coisas últimas», é, antes de mais e acima de tudo, encontro com o «Último». Na Escatologia, é o «éschaton» (Cristo) que ilumina as «éschata» (realidades últimas).

É para as «coisas últimas» que somos chamados e é pelo «Último» que somos conduzidos. Quando dizemos que o Cristianismo é, por natureza, escatológico, queremos vincar que somos convidados para habitar um mundo para lá deste modo e para viver num tempo para lá deste tempo.

 

  1. Daí que o fim deva ser visto não como destruição, mas como finalidade. É para o fim (como repetia Gandhi) que nós somos chamados. Isto nada tem de assustador. Isto tem tudo de motivador. Quando professamos que Cristo é o Alfa e o Ómega (cf. Ap 1, 8), afirmamos que Ele é o Primeiro e o Último. Assumimos que tudo foi feito por Ele e que tudo caminha para Ele.

Nesta época de vistas curtas e olhares embaciados, é vital que nos deixemos guiar por Cristo. É Ele que abre o que permanece fechado e que rasga o que mantemos entupido. Tudo é, pois, Novo com o Noivo. Vamos faltar às «núpcias» que Ele vem celebrar connosco?

 

D. Colheremos conforme semearmos

 

  1. A Igreja não quer deixar-nos na ignorância acerca do nosso fim. São Paulo, como ouvimos na Segunda Leitura, torna muito claro o que, à partida, nos parece mais obscuro. O que ele nos garante pode resumir-se nisto: quem com Cristo vive no tempo, em Cristo viverá na eternidade. O Último é como que o desabrochamento do que vivemos até ao penúltimo. Colheremos conforme semearmos.

Tal como ressuscitou Jesus, Deus também levará com Jesus os que tiverem morrido em união com Jesus (cf. 1Tes 4, 14). Por conseguinte, não há que ter medo. Deus é mais forte que a própria morte. Nem a morte mata quem vive em Cristo. Viver tem de ser, portanto, «cristoviver». Se «cristovivermos», «cristosobreviveremos», isto é, viveremos para sempre em Cristo.

 

  1. Cristo, que está sempre connosco, há-de vir para concluir a história humana. Ele veio (há muito tempo) e há-de vir (no fim dos tempos). A Parusia há-de ser, pois, fonte de esperança e de alegria. A última vinda de Cristo é a consumação da nossa terrena peregrinação. Quem estiver com Cristo encontrará a salvação (cf. 1Tes 4, 14).

Daí a importância da vigilância. A vigilância, vista com virtude escatológica, ajuda-nos a estar preparados para toda e qualquer vinda do Senhor. A preparação é como que uma acção antes da própria acção. Assim, sempre que Cristo vier, encontrar-nos-á atentos, vigilantes, em missão. A missão é a melhor preparação. Levar Cristo aos outros e trazer os outros para Cristo são as formas mais adequadas de prepararmos a Sua vinda. Levar Cristo e trazer para Cristo significa torná-Lo presente e vincar a urgência da Sua presença.

 

E. Não nos amedrontemos com o fim

 

  1. O Evangelho compara a vinda definitiva de Cristo a uma grande festa, à festa nupcial. O noivo que está para chegar é Cristo. As dez jovens representam a Igreja que, por entre consolações e perseguições, anseia pela Sua chegada. Acontece que, dentro da Igreja, há ainda quem não esteja atento nem preparado, apostando tudo neste mundo.

Não podemos afrouxar a vigilância nem enfraquecer o nosso compromisso. Cuidado, pois, com o comodismo, o adormecimento e o desleixo. É preciso renovar, em cada dia, o nosso compromisso com Cristo. A certeza de que Ele há-de vir é um estímulo para prosseguir.

 

  1. Não nos amedrontemos com o fim. É nele que acontece o grande festim. Para esse festim somos chamados. Para esse definitivo encontro estamos convidados. Nunca esqueçamos isto e sigamos sempre os passos de Jesus Cristo.

Até a morte Ele venceu. Por nós a Sua vida Ele deu. Na Sua morte, as portas da eternidade foram-nos abertas. Por isso, as razões da nossa esperança não são incertas. Nós somos portadores da mais bela certeza. Deus quer-nos ao Seu lado, à Sua mesa. No tempo e na eternidade, o nosso destino é (sempre) a felicidade!

publicado por Theosfera às 05:36

Hoje, 12 de Novembro (32º Domingo do Tempo Comum e 26º aniversário do massacre de Santa Cruz, em Díli), é dia de S. Josafat de Kuncevicz, S. Teodoro Studita e S. Cristiano e companheiros calmadulenses.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:08

Sábado, 11 de Novembro de 2017

Hoje, 11 de Novembro, é dia de S. Martinho de Tours e de S. Menas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

Hoje, 10 de Novembro, é dia de S. Leão Magno, Sto. André Avelino e Sta. Natalena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 09 de Novembro de 2017

Hoje, 09 de Novembro, é dia da Dedicação da Basílica de S. João de Latrão (sé catedral do Papa enquanto Bispo de Roma), S. Teodoro e S. Luís Morbióli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 08 de Novembro de 2017

Hoje, 08 de Novembro, é dia de S. Carpo, S. Papilo, Sta. Agatónica, S. Severo, S. Severiano, S. Carpóforo, S. Vitorino, Sta. Isabel da Trindade e S. João Duns Escoto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 07 de Novembro de 2017

 

  1. Fugir é abandonar e o Padre Benjamim não abandonou: nem o seu lugar de residência nem a sua condição de padre.

Daí que «Senhor Bispo, o pároco fugiu» seja um título que não se adequa totalmente à ficção. Nem tão-pouco à realidade.

 

  1. Os padres têm as suas dificuldades. Muitos se apressam a apontá-las. Quem, porém, os ajuda a vencê-las?

Que apoios damos, hoje, aos padres? Quem se dispõe a estender-lhes a mão em vez de lhes apontar o dedo?

 

  1. O padre está vestido de Cristo. Mas nem por isso fica despido da sua humanidade.

Que cuidados nos merece a humanidade dos padres? Não espanta que muitos se confessem «redline», nos limites da saturação. Nem que alguns cedam à «síndrome de burnout», o chamado «desgaste profissional».

 

  1. Muitos padres não se sentem integrados no mundo por causa do seu compromisso com a Igreja.

E nem sempre se sentem acolhidos na Igreja por causa dos seus compromissos no mundo e das suas opções dentro da própria Igreja. Em qualquer lugar, parece que não têm lugar.

 

  1. O Padre Benjamim está plenamente identificado com o seu trabalho. O que o penaliza é a onda de incompreensão por ser fiel à sua missão.

Até o censuram (e denunciam) pela sua seriedade na Catequese, pelo seu aprumo na Liturgia e pela sua insistência na Confissão.

 

  1. O seu problema não é não fazer o que quer, mas ver-se impedido de fazer o que deve.

Resolve, então, desaparecer. Muitos pensaram que ele tinha fugido e especularam logo com quem.

 

  1. Rapidamente transformaram conjecturas em certezas e converteram suspeitas em acusações.

Só que o Padre Benjamim não fugiu. Recolheu-se no jardim da Casa Paroquial, onde improvisou um pequeno ermitério.

 

  1. Isto mostra, por um lado, que nem em casa se sentia em casa. Mas insinua, por outro lado, que, apesar de não se sentir em casa, aquela continuava a ser a sua casa.

Por isso, desapareceu «na» paróquia, mas não fugiu «da» paróquia.

 

  1. Deixaram de o ver, mas muitos começaram a ouvi-lo. Foi quando o ouviram rezar que tudo acabou por mudar.

Decidiram resgatá-lo do seu retiro. Sucede que, durante as operações de resgate, ficou paralisado nas pernas. O seu destino (com pouco mais de 50 anos) era o lar dos padres idosos.

 

  1. Ali estava quando o telefone tocou. Vinham comunicar-lhe que o Papa queria nomeá-lo Bispo. No fundo, ele estava em condições únicas para compreender aqueles que se sentiam incompreendidos.

E foi assim que um pastor que não podia andar se viu escolhido para ajudar (tantos) outros a caminhar!

publicado por Theosfera às 09:55

Hoje, 07 de Novembro, é dia de Sto. Herculano, S, Vicente Grassi, S. Vilibrordo, Sto. Ernesto, Sta. Catarina de Cattaro e S. Francisco de Palau e Quer.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 06 de Novembro de 2017

Hoje, 06 de Novembro, é dia de S. Nuno de Santa Maria (D. Nuno Álvares Pereira), Sto. Inácio Delgado, S. Francisco Capillos, Sto. Afonso de Navarette e S. Leonardo de Noblat.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 05 de Novembro de 2017

A. Tudo é novo em Cristo

 

  1. Andamos tão afanosamente à procura de novidades e nem sequer reparamos na novidade perene que nos foi entregue. Jesus é o portador dessa novidade. N’Ele nada é velho. N’Ele nada envelhece. Com Ele tudo rejuvenesce. Com Ele tudo é novo. Com Jesus, é nova a vida e são novos os comportamentos. Em Jesus, há uma atmosfera de leveza, de beleza, de simplicidade, de autenticidade. É tudo tão diferente no caminho de toda a gente.

Jesus é o anunciador desta vida nova e o pregoeiro deste mundo verdadeiramente novo. Mas não deixa de denunciar as velharias, verberando aquilo que está gasto e nos desgasta.

 

  1. É por isso que Jesus censura fortemente os que mandam e não cumprem, os que impõem e não vivem, os que dizem e não fazem e, às vezes, nem sequer dizem. De facto, estamos num tempo de «sobre-ruído» e «sub-comunicação». Falamos muito, mas chegamos a dizer alguma coisa? Afinal, que comunicamos quando falamos? De facto, neste mundo, há os que, a cada passo, demonstram nada ter para dizer. Mesmo quando dizem. Sobretudo quando dizem, quando não param de dizer!

Tudo isto faz-me pensar num episódio em que alguém, não entendendo a língua de pessoas que falavam com muito entusiasmo, perguntou acerca do que estariam elas a dizer. Resposta pronta: «Não estão a dizer nada, estão só a falar». Este é um retrato fiel, embora um pouco caricatural, do que acontece nos tempos que correm: falamos muito, mas (no fundo) não dizemos nada.

 

B. Não ao «dizer sem fazer»

 

  1. O problema dos escribas e dos fariseus nem era bem este. Eles falavam e sabiam o que diziam. Eram doutos, mas não eram coerentes. É por isso que Jesus diz para fazerem o que eles dizem, mas não fazem (cf. Mt 23, 3). Não basta dizer. O importante é fazer. É preciso fazer o que se diz. Não chega dizer o que se faz. Aliás, nem é preciso dizer o que se faz. O melhor discurso é o nosso percurso. É a nossa acção (e a nossa inacção) que fala por nós.

É por isso que, como bem notou Paulo VI, o mundo escuta mais as testemunhas que os mestres. O mundo escutará os mestres se também forem testemunhas. A nossa missão não consiste em impor com palavras, mas em testemunhar com a vida. Mais do que falar «ex-cathedra», o apóstolo deve falar «ex-vita», a partir da vida.

 

  1. É neste sentido que a liturgia deste Domingo nos convida à seriedade, à verdade e à coerência do nosso compromisso com Deus e com o Evangelho. Na Primeira Leitura, os sacerdotes de Israel são interpelados. Convocados para serem «mensageiros do Senhor do universo», eles deixaram-se dominar por interesses egoístas, negligenciando os seus deveres.

A Segunda Leitura, em contraste com a primeira, apresenta-nos o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo, enquanto evangelizadores de Tessalónica. Do esforço feito com amor, humildade e simplicidade nasceu uma comunidade que acolheu o Evangelho como dom de Deus.

 

C. O que Jesus censura no comportamento dos fariseus

 

  1. O texto do Evangelho divide-se em duas partes. Na primeira, Jesus faz um retrato psico-teológico dos fariseus (cf. Mt 23, 1-7). Na segunda, oferece alguns conselhos aos discípulos para que não os imitem (cf. Mt, 23, 8-12).

Dos fariseus Jesus diz, em primeiro lugar, que eles se sentavam na «cadeira de Moisés» (cf. Mt 23, 2). Esta expressão refere-se à pretensão desmedida e à vaidade insaciável que os dominava. Com efeito, os fariseus atribuíam a si próprios a autoridade máxima (e exclusiva) para interpretar a Lei de Moisés. Em vez de servirem a Palavra de Deus, apropriam-se da Palavra de Deus, distorcendo-a. Desvirtuam-na com regras pesadas e imposições impraticáveis, que não favoreciam (longe disso) o encontro com Deus.

 

  1. Em segundo lugar, Jesus acusa os fariseus de serem incoerentes (cf. Mt 23, 3). O que mais impressiona é que eles «dizem e não fazem» (Mt 23, 3). As suas palavras não condizem com as suas obras. Os seus comportamentos não se conformam com os seus ensinamentos. Os seus ensinamentos devem ser escutados, mas o seu exemplo não deve ser seguido.

Mas o que Jesus mais critica nos fariseus é o peso dos fardos com que sobrecarregam os outros (cf. Mt 23, 4). Na verdade, as exigências dos fariseus tornavam a vida impossível, tantas eram as obrigações, as proibições e o controlo que eles faziam derivar da Lei. No fundo, era inviável conhecer todos os preceitos, quanto mais praticá-los. Acresce que (outra incoerência) o peso que colocavam sobre os outros não era carregado por eles. Coisas difíceis não eram para eles; eram só para os outros.

 

D. No meio de tantas diferenças, em que somos iguais?

 

  1. Finalmente, Jesus não deixa de denunciar o exibicionismo dos fariseus. Estes, na verdade, eram peritos em fazer da fé um espectáculo à procura de aplauso. Faziam as coisas para que todos vissem e aplaudissem. Por vaidade, alargavam as «filactérias» e ampliavam as «borlas» (cf. Mt 23, 5).

Já agora, «filactérias» eram caixinhas de couro com trechos da Lei, que os israelitas usavam, a partir dos 13 anos, durante as orações matinais. Quanto às «borlas», tratava-se de franjas colocadas nas quatro extremidades do manto – o «tallît» – que o judeu piedoso punha aos ombros durante a oração. Ou seja, os fariseus eram especialistas em trabalhar para a imagem, apenas para a imagem. Não será que esta tentação ainda nos afecta? Não andamos nós, muitas vezes, preocupados com as aparências, com cargos e com honrarias?

 

  1. Perante isto, como devem viver os cristãos? Qual é o projecto alternativo que lhes é dado testemunhar? O que, acima de tudo, Jesus quer é que formemos uma fraternidade, é que nos sintamos como irmãos. É tão fácil de dizer e tão belo de sentir. Porque é, então, tão difícil de viver?

Jesus pretende vincar uma igualdade por cima de tantas diferenças. Mais do que salientar as relações de pais e filhos, de mestres e discípulos, de doutores e aprendizes (cf. Mt 23, 7-10), Jesus faz sobressair a comum (e primordial) condição de irmãos. Na fraternidade inaugurada por Jesus, até os pais são «irmãos» dos filhos e até os filhos são «irmãos» dos pais. Deus é Pai de todos: é Pai dos que são pais e Pai dos que são filhos. «Um só é o vosso Pai, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

 

E. Não sejamos humildes (só) diante dos grandes

 

  1. Do mesmo modo, se os mestres e os doutores ensinam os discípulos, também podem aprender com os discípulos. Na vida, os mestres também aprendem e os discípulos também ensinam. E, em conjunto, mestres e discípulos estão sempre a aprender com o único Doutor, o Messias (cf. Mt 23, 10). Só Ele é verdadeiramente Mestre. Só Ele é portador da verdade definitiva, que salva e liberta.

É por isso que, na Igreja de Jesus, não pode haver quem esteja em cima e quem esteja em baixo. Nem, muito menos, pode haver quem esteja por cima dos que estão em baixo. Se alguns preferidos existem que sejam os habitualmente preteridos. Que não andemos, pois, a replicar o tratamento diferenciado e estratificado que estamos habituados a ver no mundo. Não sejamos bajuladores dos grandes e espezinhadores dos pequenos. Não sejamos só humildes diante dos grandes nem nos armemos em grandes diante dos humildes. Deus não gosta disso. Deus não gosta que façamos isso. Sejamos correctos com todos prestando uma especial atenção aos mais esquecidos e marginalizados.

 

  1. Na Igreja de Jesus, se alguém quer ser primeiro entre todos, que seja o servidor de todos. É este o preceito do Mestre: servir: «O maior entre vós será o vosso servo» (Mt 23, 11). Deus não eleva os (que se julgam) grandes. Deus prefere elevar os humildes: «Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado» (Mt 23, 12).

Deus inverte tudo. Deus vê as coisas ao contrário de nós. Porque é que havemos de teimar nós em ver as coisas ao contrário de Deus? Para caminhar para o alto, acostumemo-nos a olhar para baixo. Os humildes merecem a nossa atenção. Deus está no seu coração. Façamos, pois, como Deus e nunca desprezemos nenhum dos filhos Seus. Sirvamos os humildes e vivamos na humildade. Só na humildade alcançaremos (e ajudaremos a alcançar) a desejada felicidade!

publicado por Theosfera às 13:29

É tanto o que dás, Senhor.

Tudo em Ti é dom, tudo em Ti é dádiva.

 

Tu dás o Pão, Tu dás a Palavra.

Tu és o Pão, Tu és a Palavra,

Pão que alimenta, Palavra que salva.

 

 

Há muita gente que só olha para os grandes.

Mas são os mais pequenos que têm os gestos grandes,

os gestos maiores, os gestos de maior generosidade.

 

Ensina-nos, Senhor, a dividir

e ajuda-nos a saber multiplicar.

 

Afasta de nós todo o fingimento,

toda a duplicidade.

 

Ajuda-nos a sermos autênticos, sinceros, inteiros.

Faz de nós pessoas transparentes e serviçais.

 

Que não olhemos para as aparências nem para a posição social.

Que só queiramos fazer o bem e dizer a verdade.

 

 

Que não disputemos os primeiros lugares

e que saibamos abrir os lugares para os outros.

 

Que não queiramos tudo só para nós.

Que saibamos repartir com quem se aproxima de nós.

 

Que não queiramos convencer com as palavras dos lábios

e que apostemos sobretudo no testemunho de vida.

 

Que não queiramos ser os melhores.

Que aprendamos a dar o nosso melhor.

 

Que tudo em nós não seja só para nós.

Que tudo em nós seja para os outros.

Como a pobre viúva do Evangelho.

Como Tu, JESUS!

publicado por Theosfera às 10:42

A. Tudo é novo em Cristo

 

  1. Andamos tão afanosamente à procura de novidades e nem sequer reparamos na novidade perene que nos foi entregue. Jesus é o portador dessa novidade. N’Ele nada é velho. N’Ele nada envelhece. Com Ele tudo rejuvenesce. Com Ele tudo é novo. Com Jesus, é nova a vida e são novos os comportamentos. Em Jesus, há uma atmosfera de leveza, de beleza, de simplicidade, de autenticidade. É tudo tão diferente no caminho de toda a gente.

Jesus é o anunciador desta vida nova e o pregoeiro deste mundo verdadeiramente novo. Mas não deixa de denunciar as velharias, verberando aquilo que está gasto e nos desgasta.

 

  1. É por isso que Jesus censura fortemente os que mandam e não cumprem, os que impõem e não vivem, os que dizem e não fazem e, às vezes, nem sequer dizem. De facto, estamos num tempo de «sobre-ruído» e «sub-comunicação». Falamos muito, mas chegamos a dizer alguma coisa? Afinal, que comunicamos quando falamos? De facto, neste mundo, há os que, a cada passo, demonstram nada ter para dizer. Mesmo quando dizem. Sobretudo quando dizem, quando não param de dizer!

Tudo isto faz-me pensar num episódio em que alguém, não entendendo a língua de pessoas que falavam com muito entusiasmo, perguntou acerca do que estariam elas a dizer. Resposta pronta: «Não estão a dizer nada, estão só a falar». Este é um retrato fiel, embora um pouco caricatural, do que acontece nos tempos que correm: falamos muito, mas (no fundo) não dizemos nada.

 

B. Não ao «dizer sem fazer»

 

  1. O problema dos escribas e dos fariseus nem era bem este. Eles falavam e sabiam o que diziam. Eram doutos, mas não eram coerentes. É por isso que Jesus diz para fazerem o que eles dizem, mas não fazem (cf. Mt 23, 3). Não basta dizer. O importante é fazer. É preciso fazer o que se diz. Não chega dizer o que se faz. Aliás, nem é preciso dizer o que se faz. O melhor discurso é o nosso percurso. É a nossa acção (e a nossa inacção) que fala por nós.

É por isso que, como bem notou Paulo VI, o mundo escuta mais as testemunhas que os mestres. O mundo escutará os mestres se também forem testemunhas. A nossa missão não consiste em impor com palavras, mas em testemunhar com a vida. Mais do que falar «ex-cathedra», o apóstolo deve falar «ex-vita», a partir da vida.

 

  1. É neste sentido que a liturgia deste Domingo nos convida à seriedade, à verdade e à coerência do nosso compromisso com Deus e com o Evangelho. Na Primeira Leitura, os sacerdotes de Israel são interpelados. Convocados para serem «mensageiros do Senhor do universo», eles deixaram-se dominar por interesses egoístas, negligenciando os seus deveres.

A Segunda Leitura, em contraste com a primeira, apresenta-nos o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo, enquanto evangelizadores de Tessalónica. Do esforço feito com amor, humildade e simplicidade nasceu uma comunidade que acolheu o Evangelho como dom de Deus.

 

C. O que Jesus censura no comportamento dos fariseus

 

  1. O texto do Evangelho divide-se em duas partes. Na primeira, Jesus faz um retrato psico-teológico dos fariseus (cf. Mt 23, 1-7). Na segunda, oferece alguns conselhos aos discípulos para que não os imitem (cf. Mt, 23, 8-12).

Dos fariseus Jesus diz, em primeiro lugar, que eles se sentavam na «cadeira de Moisés» (cf. Mt 23, 2). Esta expressão refere-se à pretensão desmedida e à vaidade insaciável que os dominava. Com efeito, os fariseus atribuíam a si próprios a autoridade máxima (e exclusiva) para interpretar a Lei de Moisés. Em vez de servirem a Palavra de Deus, apropriam-se da Palavra de Deus, distorcendo-a. Desvirtuam-na com regras pesadas e imposições impraticáveis, que não favoreciam (longe disso) o encontro com Deus.

 

  1. Em segundo lugar, Jesus acusa os fariseus de serem incoerentes (cf. Mt 23, 3). O que mais impressiona é que eles «dizem e não fazem» (Mt 23, 3). As suas palavras não condizem com as suas obras. Os seus comportamentos não se conformam com os seus ensinamentos. Os seus ensinamentos devem ser escutados, mas o seu exemplo não deve ser seguido.

Mas o que Jesus mais critica nos fariseus é o peso dos fardos com que sobrecarregam os outros (cf. Mt 23, 4). Na verdade, as exigências dos fariseus tornavam a vida impossível, tantas eram as obrigações, as proibições e o controlo que eles faziam derivar da Lei. No fundo, era inviável conhecer todos os preceitos, quanto mais praticá-los. Acresce que (outra incoerência) o peso que colocavam sobre os outros não era carregado por eles. Coisas difíceis não eram para eles; eram só para os outros.

 

D. No meio de tantas diferenças, em que somos iguais?

 

  1. Finalmente, Jesus não deixa de denunciar o exibicionismo dos fariseus. Estes, na verdade, eram peritos em fazer da fé um espectáculo à procura de aplauso. Faziam as coisas para que todos vissem e aplaudissem. Por vaidade, alargavam as «filactérias» e ampliavam as «borlas» (cf. Mt 23, 5).

Já agora, «filactérias» eram caixinhas de couro com trechos da Lei, que os israelitas usavam, a partir dos 13 anos, durante as orações matinais. Quanto às «borlas», tratava-se de franjas colocadas nas quatro extremidades do manto – o «tallît» – que o judeu piedoso punha aos ombros durante a oração. Ou seja, os fariseus eram especialistas em trabalhar para a imagem, apenas para a imagem. Não será que esta tentação ainda nos afecta? Não andamos nós, muitas vezes, preocupados com as aparências, com cargos e com honrarias?

 

  1. Perante isto, como devem viver os cristãos? Qual é o projecto alternativo que lhes é dado testemunhar? O que, acima de tudo, Jesus quer é que formemos uma fraternidade, é que nos sintamos como irmãos. É tão fácil de dizer e tão belo de sentir. Porque é, então, tão difícil de viver?

Jesus pretende vincar uma igualdade por cima de tantas diferenças. Mais do que salientar as relações de pais e filhos, de mestres e discípulos, de doutores e aprendizes (cf. Mt 23, 7-10), Jesus faz sobressair a comum (e primordial) condição de irmãos. Na fraternidade inaugurada por Jesus, até os pais são «irmãos» dos filhos e até os filhos são «irmãos» dos pais. Deus é Pai de todos: é Pai dos que são pais e Pai dos que são filhos. «Um só é o vosso Pai, aquele que está no Céu» (Mt 23, 9).

 

E. Não sejamos humildes (só) diante dos grandes

 

  1. Do mesmo modo, se os mestres e os doutores ensinam os discípulos, também podem aprender com os discípulos. Na vida, os mestres também aprendem e os discípulos também ensinam. E, em conjunto, mestres e discípulos estão sempre a aprender com o único Doutor, o Messias (cf. Mt 23, 10). Só Ele é verdadeiramente Mestre. Só Ele é portador da verdade definitiva, que salva e liberta.

É por isso que, na Igreja de Jesus, não pode haver quem esteja em cima e quem esteja em baixo. Nem, muito menos, pode haver quem esteja por cima dos que estão em baixo. Se alguns preferidos existem que sejam os habitualmente preteridos. Que não andemos, pois, a replicar o tratamento diferenciado e estratificado que estamos habituados a ver no mundo. Não sejamos bajuladores dos grandes e espezinhadores dos pequenos. Não sejamos só humildes diante dos grandes nem nos armemos em grandes diante dos humildes. Deus não gosta disso. Deus não gosta que façamos isso. Sejamos correctos com todos prestando uma especial atenção aos mais esquecidos e marginalizados.

 

  1. Na Igreja de Jesus, se alguém quer ser primeiro entre todos, que seja o servidor de todos. É este o preceito do Mestre: servir: «O maior entre vós será o vosso servo» (Mt 23, 11). Deus não eleva os (que se julgam) grandes. Deus prefere elevar os humildes: «Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado» (Mt 23, 12).

Deus inverte tudo. Deus vê as coisas ao contrário de nós. Porque é que havemos de teimar nós em ver as coisas ao contrário de Deus? Para caminhar para o alto, acostumemo-nos a olhar para baixo. Os humildes merecem a nossa atenção. Deus está no seu coração. Façamos, pois, como Deus e nunca desprezemos nenhum dos filhos Seus. Sirvamos os humildes e vivamos na humildade. Só na humildade alcançaremos (e ajudaremos a alcançar) a desejada felicidade!

publicado por Theosfera às 05:17

Hoje, 05 de Novembro, é dia de S. Zacarias, Sta. Isabel, Sta. Francisca Amboise e S. Caio Coreone. Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 04 de Novembro de 2017

Hoje, 04 de Novembro, é dia de S. Carlos Borromeu, S. Vital e Sto. Agrícola.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 03 de Novembro de 2017

Hoje, 03 de Novembro, é dia de S. Martinho de Porres, S. Huberto, S. Tito de Brandsma e S. Roberto Meyer.

Um santo e abençoado dia para todos

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 02 de Novembro de 2017

Que estranha (e dolorosa) sensação.

Percorremos a lista de contactos e deparamos com nomes de pessoas que já não podem responder.

Já não estão do outro lado da linha. Mas continuam (bem presentes) neste lado da vida.

Afinal, os que partiram não nos deixaram.

Nunca se apaga em nós quem se apegou a nós.

Nem tudo acaba com a morte. Há muita coisa que recomeça a partir da morte!

publicado por Theosfera às 20:45

  1. Hoje, 2 de Novembro, não é dia de «finados».

«Finado» vem de «fim», indicando que alguém se finou, que alguém acabou.

 

  1. Nós acreditamos que a morte não é o fim da vida, mas a transformação da vida.

É por isso que chamamos a este dia, dia dos «fiéis defuntos».

 

  1. «Defunto» vem do latim «fungor», que quer dizer «cumprir».

«Defunto» é o que cumpriu a etapa temporal da vida e já sobrevive na dimensão intemporal da existência.

 

  1. Quem participa na Missa exequial habitua-se a ouvir dizer que «a vida não acaba, apenas se transforma» («vita non tollitur, sed mutatur»).

O que talvez não se saiba é a origem desta expressão, que remonta ao século III.

 

  1. Foi a mãe de São Sinforiano que, perante a condenação do filho pelo «crime» de ser cristão, o confortou com estas palavras: «Renova a tua constância. Não podemos temer uma morte que nos leva, com certeza, à vida. A vida não acaba, apenas se transforma».

Já no século VII, havia um dia de oração pelos defuntos nos mosteiros e não só.

 

  1. Mais tarde, um liturgista chamado Amalário Simpósio promoveu ofícios pelos mortos logo a seguir aos ofícios dos santos.

Foi, entretanto, o abade de Cluny Santo Odilon quem decidiu colocar, talvez no ano 998, a comemoração dos fiéis defuntos a 2 de Novembro.

 

  1. Este é um tempo em que suspendemos o tempo para nos fixarmos para lá do tempo.

Daí que este seja o tempo em que o tempo se senta. Só a eternidade parece voar. O tempo aloja-se na eternidade e a eternidade como que decide acampar no tempo.

 

  1. Numa lápide, foi encontrado este verso: «Ó tu mortal que me vês/ repara bem como estou./ Eu já fui o que tu és/ e tu serás o que eu sou».

Assim sendo, aproveitemos estes dias também — e sobretudo — para rezar. Os outros necessitam e nós também precisamos. Os outros necessitam de sufrágio e nós precisamos de conversão.

 

  1. Os vivos como que se enlaçam nos mortos e os mortos como que se entrelaçam com os vivos.

Na oração, os mortos permanecem vivos sem que os vivos se sintam antecipadamente mortos.

 

  1. Aparentemente, vivemos para morrer. Em Cristo, porém, morremos para viver.

Aqueles que choramos nestes dias, do princípio ao fim, estão à nossa espera para a grande festa. No dia que não tem fim!

publicado por Theosfera às 10:40

Hoje, 02 de Novembro, é dia da Comemoração dos Fiéis Defuntos, de S. Malaquias e de S. Pio Campidelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 01 de Novembro de 2017

Santo és Tu, Senhor,
 
 
 
Santo é o Teu ser,
 
 
 
Santo é o Teu amor,
 
 
 
Santa é a Tua generosidade.
 
 
 
Santos são os Teus gestos.
 
 
 
Tudo é santo em Ti, Senhor.
 
 
 
 
 
Hoje é, pois, o Teu dia,
 
 
 
Como Teus, Senhor, são todos os dias.
 
 
 
Mas Tu queres que também nós sejamos santos.
 
 
 
A nós parece-nos um sonho impossível.
 
 
 
Mas para Ti, Senhor, é tarefa realizável, é missão que está ao nosso alcance.
 
 
 
Não estás aí, no alto, à nossa espera.
 
 
 
Está connosco, aqui, ao nosso lado, dentro de cada um de nós.
 
 
 
 
 
Ser santo é, afinal, ser (ou procurar ser) como Tu:
 
 
 
Manso, humilde, despojado, puro, pacífico.
 
 
 
Ser santo não é deixar a vida: é colocar a Tua vida no centro da vida.
 
 
 
Ser santo não é deixar o mundo: é depositar o Teu amor no coração do mundo.
 
 
 
Ser santo não é ser desumano: pelo contrário, é ser autenticamente humano, inteiramente humano, plenamente humano.
 
 
 
Ser santo é ser irmão, é ser fraterno, é estender a mão, é abrir o coração.
 
 
 
 
 
A santidade está no Céu, mas não está ausente da terra.

Ajuda-nos no caminho,
 
 
 
Acompanha-nos na viagem.
 
 
 
Apoia-nos quando cairmos.
 
 
 
Enxuga as nossas lágrimas.
 
 
 
Dá-nos a Tu mão, agora,
 
 
 
E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.
 
 
 
Que sejamos santos
 
 
 
E, por isso, felizes.
 
 
 
E, por isso, cada vez mais amigos,
 
 
 
Cada vez mais unidos,
 
 
 
Cada vez mais irmãos!

publicado por Theosfera às 10:39

A. Um dia em que se respira felicidade

  1. Que dia belo, este! Tanta coisa bela para celebrar, hoje! Tanta coisa bela para agradecer, hoje! Tanta coisa bela para aprender, hoje! Celebramos, hoje, a santidade. Celebramos, hoje, todos os santos. Os santos, como notou Jacques Maritain, «são os melhores educadores». Porque não se limitaram a apontar. Os santos são os melhores educadores porque viviam o que diziam. Os santos são os melhores educadores porque deixaram de ser para passar a ser: deixaram de ser eles próprios para que Deus fosse neles.

Na sua prolixa variedade, os santos mostram-nos Deus em forma de palavra, em forma de presença, em forma de vida. Quando olhamos para os santos, olhamos para Deus. Os santos são espelhos que deixam ver e convidam a ser. A sua transparência é um convite para a nossa vivência.

 

  1. É por tudo isto que neste dia se respira felicidade. A santidade, com efeito, irradia sempre felicidade. Toda a santidade é feliz e toda a felicidade pode ser santa. O nosso problema, aliás, começa logo nesta espécie de colisão entre o nosso desejo e o nosso caminho. Queremos todos ser felizes, mas andamos por caminhos que não levam à felicidade.

Se estivermos atentos, a vida de muitos santos não foi uma vida feliz para os nossos padrões habituais de felicidade. Será importante, então, olhar para os santos e reparar no modo como eles conseguiram ser felizes.

 

B. Mestres de felicidade, os santos

 

3. Desde logo, salta à vista que a preocupação dos santos não foi a felicidade deles. Os santos começaram por se libertar deles mesmos. Os santos conseguiram libertar-se dessa «teia» torturante que se chama egoísmo. O egoísmo exige tudo e não aceita oferecer nada. É por isso que o egoísta nunca está satisfeito, nunca está saciado. Enfim, é por isso que o egoísta nunca consegue ser feliz.

Nunca como hoje falamos tanto de felicidade. E, paradoxalmente, nunca como hoje teremos ouvido tantas confissões de infelicidade. Mais que uma aspiração, a felicidade tornou-se quase uma obsessão. Tanto a queremos obter que até nos esquecemos de percorrer o caminho para a alcançar.

 

  1. Só seremos felizes quando procurarmos a felicidade onde ela se encontra. Para Jesus, os geradores de felicidade são a pobreza, a compaixão, o empenhamento na justiça, a mansidão, a misericórdia, a paz e a lisura do coração. Ou seja, tudo ao contrário daquilo a que estamos habituados. Mas porque não experimentar? Que cada um comece, então, por querer ser «pobre de espírito» (Mt 5, 3), por chorar com quem chora (cf. Mt 5, 4), por ter «fome e sede de justiça» (Mt 5, 6). Que cada um queira ser manso, misericordioso, construtor da paz e «limpo de coração» (Mt 5, 7-9).

A felicidade não pode ser desligada nem solteirizada. Não é possível ser feliz sem os outros, sobre os outros ou contra os outros. O Mestre tornou bem claro que «há mais felicidade em dar do que em receber» (Act 20, 35). Em suma, é preciso sair de nós para ver a felicidade entrar em nós!

 

C. Também na felicidade, necessitamos de conversão

 

5. Também na felicidade, há uma grande necessidade da conversão. Ainda estamos longe da felicidade oferecida por Deus. É mediante o apelo à conversão que, segundo São Marcos, Jesus começa a Sua missão: «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho»(Mc 1, 15).

A felicidade passa por um processo de conversão, de transformação e de transfiguração. É no âmbito de tal processo que vamos passando da vida velha à vida nova, do pecado à graça. Quando perceberemos que só há felicidade na santidade?

 

  1. Não é fácil ser santo, mas até nas dificuldades é muito belo ser santo. A santidade é uma prova de resistência e um caminho de persistência. Hoje, celebramos tantos que demonstraram que ser santo é possível, apesar de todas as dificuldades.

Muitos já conseguiram o que nós também podemos alcançar. É que a santidade não é só a meta, há-de ser também o caminho. Aliás, só pode chegar à meta da santidade quem se esforça por percorrer caminhos de santidade.

 

D. Os santos do céu começaram a ser santos na terra

 

7. Desde sempre, houve cristãos que acolheram este desafio. Não admira, por exemplo, que o Livro dos Actos dos Apóstolos chame «santos» aos cristãos que estavam em Lida (cf. Act 9, 32). Ser cristão era ser santo e, como nos primeiros tempos havia perseguições, então ser cristão e ser santo era ser mártir.

Por tal motivo, a Igreja, desde muito cedo, teve um dia para assinalar todos os mártires. Curiosamente, esse dia chegou a ser o dia 13 de Maio. Foi em Roma, depois de o Papa Bonifácio IV ter convertido o panteão do Campo de Marte num templo dedicado à Virgem Santíssima e a todos os mártires. No século VIII, o Papa Gregório III erigiu, na Basílica de S. Pedro, uma capela ao Divino Salvador, a Nossa Senhora, aos Apóstolos e a todos os mártires e confessores. Foi, entretanto, o Papa Gregório IV quem, no século IX, fixou esta festa no dia 1 de Novembro.

 

  1. A festa de Todos os Santos é a festa da santidade, é a festa da santidade viva, é a festa da santidade em vida. Nos santos, não celebramos apenas uma morte santa. Em cada santo, celebramos toda uma vida santa. É vital perceber que, embora celebremos os santos depois da morte, eles foram santos durante a vida. Não é a vida que nos impede de sermos santos. O santo não é extraterrestre. Não é sobre-humano. Os santos do céu começaram a ser santos na terra.

O santo é da nossa terra. Pertence à nossa condição. Tantos são os santos que foram da nossa família. Ser santo é ser verdadeiramente humano, é participar na construção de um mundo melhor. Ser santo é intervir na transformação da humanidade. É não pactuar com a injustiça. É falar com os lábios e testemunhar com a vida. A santidade está ao alcance de todos. É o que há de mais democrático e invasivo.

 

E. Ser santo é felicitar

 

9. A santidade faz de nós irmãos. A santidade não é indiferença; é diferença. Santo não é aquele que se mostra indiferente ao que ocorre à sua volta. A santidade é a surpresa da paz no meio da tempestade. A santidade não é estrepitosa. Muitas vezes, até é silenciosa, mas sempre interveniente, interpelante. A santidade acontece em casa, na estrada, no trabalho.

Os santos não estão apenas no altar nem figuram somente nos andores. Não há só santos de barro. Há muitos santos de carne e osso, às vezes, mais osso que carne. Há muitos santos com fome. Há muitos santos na rua. Há muitos santos de enxada na mão. Há muitos santos com lágrimas no rosto e rugas na face. É neste contexto que Jesus nos dirige várias felicitações que são outras tantas provocações. A felicidade não está onde costumamos pensar que ela esteja. As Bem-Aventuranças são provocações de felicidade.

 

  1. A santidade não é um passeio; é um testemunho exigente. Pode não implicar derramamento de sangue, mas requer imperativamente a oferta da vida. Toda a santidade é feliz e toda a felicidade pode ser santa.

O céu está cheio de santos. Não deixemos que o mundo fique vazio de santos. Cultivemos uma santidade feliz e uma felicidade santa. Não tenhamos medo de ser santos. Ser santo é felicitar e semear felicidade!

publicado por Theosfera às 05:34

Hoje, 01 de Novembro, é dia da Solenidade de Todos os Santos e de S. Benigno.
Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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